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14 junho, 2011

Festival Ollin Kan - Agora Com Sumo!


Depois de aqui ter publicado o calendário do Festival Ollin Kan -- que decorre na Casa da Música, Porto, de 22 a 24 de Juloho -- aqui vai informação mais sumarenta (e oficial) sobre os vários artistas e grupos (com alterações de nomes relativamente ao inicialmente previsto):

"FESTIVAL OLLIN KAN CLUBBING OPTIMUS

www.ollinkanportugal.com

22 DE JULHO
RAKIA |SUR LE NIGER |JAUNE TOUJOURS|WATCHA CLAN e DJ GRINGO DA PARADA



RAKIA (Portugal)

Os RAKIA encontram a sua identidade na fusão das raízes tradicionais portuguesas e nos diferentes estilos musicais, partindo assim para a exploração dos instrumentos e ambientes da música do mundo. Os seus instrumentos são os mais variados, oriundos de várias partes do mundo: viola campaniça, violino, flauta transversal, bateria, derbouka, cajon, guitarra e baixo.

SUR LE NIGER (Cabo Verde/Mali)

Projecto de criação iniciado em Fevereiro de 2011 que resultou do convite do Festival SUR LE NIGER, de Segou, Mali ao músico cabo verdiano BILAN. Este é o resultado de um encontro feliz entre dois músicos da mesma geração que partilham uma visão musical comum. A amizade e a grande cumplicidade musical tornou fácil este encontro onde a música flui com grande naturalidade, para um lado espiritual resultado da Kora de Madou Sidiki Diabaté, com as cordas crioulas de Bilan. O Festival OLLIN KAN PORTUGAL orgulha-se de apresentar em estreia absoluta este trabalho resultado da primeira criação artística promovido e patrocinado pela rede de Festivais OLLIN KAN.

WATCHA CLAN (França)

Em 2008 permaneceram três meses no Top 20 da World Music. Este é o resultado de uma fusão feliz entre samplers e batidas electrónicas, sons ancestrais e instrumentos tradicionais do caldeirão cultural da sua cidade natal, Marselha. O trabalho dos WATCHA CLAN (na foto) é influenciado por música judaica, cigana, flamenga e sufi e o seu som estende-se desde o Gnawa trance e drum'n'bass ao hip-hop, metal e folk dos Balcãs sefarditas.

JAUNE TOUJOURS (Bélgica)

Aqui está uma banda de culto que, com sua mistura explosiva urbana de géneros musicais, ritmos, linguagens e culturas evoluiu para uma marca de alta qualidade, apreciada tanto pela imprensa internacional como por plateias de todo o mundo. Adicione-se a isso o toque tipicamente belga de escárnio e de auto-atenuação e o resultado é uma banda com a energia do rock (sem guitarras!), o toque de jazz improvisado, o espírito de abertura da música do mundo e a ânsia de uma banda de rua.

DJ Gringo da Parada (França)

Após ter conquistado a sua cidade, Paris, com uma fusão funk de toda a música brasileira: samba, hip hop, bossa nova, batucada, house e drum n bass, conquista agora a cena musical europeia. Este DJ é também um grande performer, apaixonado pela música tradicional brasileira e pela pop britânica, com uma rara mistura de sons brasileiros, rock e um inesperado groove. A ideia principal deste projecto é fazer uma ligação entre a pureza da tradição e a modernidade da música brasileira, reflectindo o caos harmonioso da arquitectura das favelas.

23 DE JULHO
SOFIANE HAMMA| AS 3 MARIAS | CHICO TRUJILLO |DIOM DE KOSSA| DJ’S TOMMI & BARRIO



SOFIANE HAMMA (Argélia)

SOFIANE HAMMA e a sua banda suporte, os Kifna, trazem um novo som que mistura o 'gnawa', tradicional argelino, com toques de rock e soul jazz. O projecto SOFIANE HAMMA é original e intransigente combinando a tradição e os sons urbanos, mantendo o sentido profundo das músicas provenientes das margens da sociedade.
Nos fins da década de 90, SOFIANE HAMMA era líder de uma das bandas mais respeitadas de hip hop, no Norte de África, com as suas letras de intervenção contra o regime militar corrompido, o terrorismo e o fundamentalismo islâmico.

AS 3 MARIAS (Portugal)

Sendo o tango uma mistura de vários ritmos, de diferentes tendências dentro deste género musical, este novo projecto do Porto opta pelo tango canção, onde a letra tem a mesma relevância que a parte instrumental, aliás característica deste estilo musical. As letras são interpretadas em espanhol ou até mesmo em outros idiomas. Assim sendo, sente-se neste trabalho as influências de recursos clássicos do próprio tango misturados com o flamenco, boleros e outros imaginários musicais. A guitarra, a voz, o acordeão, o contrabaixo ou percussão, são os instrumentos que acompanham este trabalho de fusão. Para além destes instrumentos, AS 3 MARIAS socorrem-se de outra parafernália para produzir som, como, por exemplo, a máquina de escrever ou o isqueiro para deslizar nas cordas da guitarra.

CHICO TRUJILLO (Chile)

Esta banda formada em 1999, é o expoente máximo da cumbia chilena. CHICO TRUJILLO, enche estádios um pouco por todo o mundo contagiando públicos. O seu som é uma mistura de cumbia clássica, rock e ska ao qual se adere de uma forma espontânea.

DIOM DE KOSSA (Costa do Marfim)

A sua música tem origem nas densas florestas do norte da Costa do Marfim, onde viveu e começou por tocar Yadoh. Mais tarde tornou-se Mestre Percussionista no Ballet Nacional da Costa do Marfim, o que lhe proporcionou diversas colaborações com músicos europeus. Actualmente vive na Noruega onde formou uma banda que utiliza sons do seu país de origem com um toque jazzístico cujo resultado é extraordinário.

DJ’S TOMMI & BARRIO (Holanda)

Este dois dj’s Holandeses são mestres em FIESTA GLOBAL. No Festival Ollin Kan Portugal vão tocar uma das suas especialidades: Cross Over Latino! Não apenas a tradicional Salsa y Merengue, Reggaeton ou Ska Latino, Música Meztiça ou os ritmos da nova Cumbia, tudo misturado num Burrito muito quente.
TOMMI & BARRIO, são Dj’s residentes dos melhores clubs holandeses, como o Melkweg Amsterdam e o Tivoli Utrecht, e artistas assíduos em festivais, entre os quais se encontra o Lowlands. Já trabalharam com bandas como os Panteon Rococo, Gogol Bordello, Mala Vita, Che Sudaka e muitas mais que tocaram nas suas festas sempre lotadas e com as pessoas ao rubro.
A busca interminável por batidas dançáveis. Velhas, novas ou auto-produzidas resulta sempre numa grande festa inesquecível.

24 DE JULHO
SVER|JOHANNA JUHOLA|TERRAKOTA|RETROVISOR


SVER (Noruega)

Este quinteto oferece um enérgico banquete de melodias de dança juntamente com uma presença em palco extrovertida e cheia de humor. OsSVER conseguem trazer do passado a música tradicional e acrescentar-lhe uma faísca enérgica mas preservando sempre a sua herança cultural.

JOHANNA JUHOLA (Finlândia)

Os traços característicos do grupo incluem uma espontânea e subtil comunicação musical, que alterna entre aconchego e humor pouco irreais, a valorização da simplicidade desinibida e improvisação.

TERRAKOTA (Portugal)

Os TERRAKOTA são uma banda de música portuguesa com uma sonoridade diversificada da África negra, das Caraíbas e da Índia. Têm como ponto de partida a música orgânica da África Negra, misturada com as sonoridades frescas das Caraíbas, das Índias e do Ocidente. As guitarras eléctricas, o baixo e a bateria cruzam-se com instrumentos tradicionais como o n'goni, o ballafon, os sabares, o djambé, o sitar, as m'biras ou o alaúde para criar uma fusão cosmopolita única. Nos TERRAKOTA, a variedade de ritmos é a palavra-chave que permite transpor a energia.

RETROVISOR (Colômbia)

Este é um projecto musical que mistura rock, electrónica com influências latinas e colombianas. Utilizam o apoio de recursos visuais onde a música não é só ouvida mas também vista. O projecto não está parado na experimentação simples, a banda quer transmitir uma consciência social e ambiental, uma reflexão sobre o papel da tecnologia na vida contemporânea e um contraste entre o velho e o novo juntando efeitos visuais produzidos em tempo real. Sons e estéticas urbanas da grande cidade Bogotá."

06 maio, 2011

Ollin Kan 2011 com Watcha Clan, Johanna Juhola e Retrovisor


Mais uma vez recorrendo à rapidez de antecipação das Crónicas da Terra, aqui fica o programa completo da extensão portuguesa do festival mexicano Ollin Kan, que este ano decorre de 22 a 24 de Julho na Casa da Música, Porto, e não em Vila do Conde:


"Programa completo do Ollin Kan na Casa da Música

22 de Julho

Rakia (Portugal)
Sur le Niger (Cabo Verde/Mali)
Watcha Clan (França)
Jaune Toujours (Bélgica)
Dj Chris Tofu (Inglaterra)

23 de Julho

Sofiane Hamma (Argélia)
As 3 Marias (Portugal)
Chico Trujillo (Chile)
La Mojarra Electrica (Colômbia)
Dj’s Tommi & Barrio (Holanda)

24 de Julho

Sver (Noruega)
Johanna Juhola (na foto; Finlândia)
Terrakota (Portugal)
Retrovisor (Colômbia)"

15 dezembro, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXI


Cinco canções no Natal 2009
Publicado em 17 de Dezembro de 2009

Não são propriamente canções de Natal tal como as conhecemos, mas como não passam nas rádios e vão, quase de certeza e injustamente, passar ao lado da fama que merecem, aqui ficam cinco sugestões de temas portugueses recentes para ouvir numa consoada mais consolada: "Tango do Vilão Rufia", tema gingão do grupo portuense As Três Marias (com vozes de Cristina Bacelar e do convidado Sérgio Castro, dos Trabalhadores do Comércio), para dançar e sorrir enquanto o peru cozinha - do álbum "Quase a Primeira Vez". "Os Loucos Estão Certos", dos Diabo na Cruz, para fazer um eventual coro gospel iconoclasta enquanto se ouve a frase "Na igreja de S. Torpes hoje há bacanal" - do álbum "Virou". A lindíssima caixinha-de-música pop, juvenil e semi-africana que é "Mariazinha Luz", de Margarida Pinto (dos Coldfinger, aqui a solo) e, esta sim, com uma citação natalícia óbvia ("brilha, brilha lá no Céu, a estrelinha que nasceu") - do EP "A Aprendizagem de...". Já na voz da luso-cabo-verdiana Danae (na foto), "Bu Rosto" é uma morna nada tradicional, para ouvir quando a consoada já chegou aos doces, e que faz a ponte entre este ritmo de Cabo Verde, o jazz, os blues e algo de absolutamente etéreo e indizível - do álbum "Cafuca". Finalmente, a divertidíssima "Kit de Prestidigitação", de B Fachada, é perfeita para a altura em que se abrem as prendas porque é de prendas que a canção fala... embora sejam aquelas (incluindo velhos LPs do Zeca) que se "herdam" nos divórcios! - do álbum "B Fachada".





Porque é que os protestantes cantam tanto?
Publicado em 24 de Dezembro de 2009

Fui viver para o Barreiro quando tinha quatro anos. O primeiro amigo que lá tive chama-se Jorge Samuel e a sua família é protestante, mais especificamente pentecostal. Eu era miúdo do outro lado, dos católicos e - apesar de o Barreiro ter tido padres bastante progressistas (do padre Fanhais, cantor!, ao saudoso padre Sobral) -, havia uma coisa que me fazia espécie: os meus vizinhos passavam boa parte do dia a cantar. Hinos, salmos, espirituais, etc. Bastante novo, o Jorge aprendeu a tocar guitarra e, se bem me lembro, órgão. Só muitos anos depois percebi a importância que o gospel e os espirituais negros tiveram no desenvolvimento de várias correntes protestantes dos Estados Unidos, passando ainda pelos hinos das lutas pelos Direitos Civis, e a sua transmissão a outras igrejas evangélicas em todo o mundo, sem esquecer que alguns dos maiores cantores e guitarristas de blues eram também pregadores ou pastores (o grande Reverendo Gary Davis, por exemplo, era pastor baptista). Tudo isto para falar, mais uma vez, da trupe da Flor Caveira - e da razão por que dali, do seio dos protestantes, sai tanta música e tão boa. E com uma fé, uma ironia, uma verve, um sentido crítico, uma lucidez e até uma certa iconoclastia que só ficam bem a artistas e bandas de cristãos... mas que também vêm do punk roque. E agora o lead, virado ao contrário: oiça-se com urgência o fabuloso primeiro álbum-síntese de Samuel Úria: "Nem Lhe Tocava". Está lá isto tudo, resumido.




O Balanço (possível) do ano musical português
Publicado em 31 de Dezembro de 2009

Em tempo de balanços, esta coluna semanal que dá conta do que se vai passando na música portuguesa - pelo menos daquela que o seu autor conhece ou mais aprecia - não foge à tradição, e também aqui deixa a lista dos melhores (e de um dos piores) momentos do ano. Canção Mais Surpreendente do Ano: a versão de "Júlia Florista" por Dulce Pontes, pelo seu tio rebaptizada "Júlia Galdéria" e incluída no álbum "Encontros". Melhor Canção do Ano Mesmo: "Mariazinha Luz", de Margarida Pinto (na foto), do EP "A Aprendizagem de Margarida Pinto". Melhor Versão de Um Êxito Obscuro da Década de 60 do Ano: "A Borracha do Rocha", pelo Real Combo Lisbonense. Álbum mais Surpreendente do Ano: "Luminismo", de Ricardo Rocha, com um CD de originais dele (e versões de temas de Artur e Carlos Paredes e de Pedro Caldeira Cabral) para guitarra portuguesa e outro com peças suas para piano. Editora do Ano: a Flor Caveira e a Mbari, ex-aequo, com lançamentos de excelentes discos (às vezes com artistas comuns) dos Diabo na Cruz, B Fachada, Samuel Úria, João Coração, Norberto Lobo e do já referido Ricardo Rocha. Banda mais Popular do Ano ainda sem Disco Editado: Roda de Choro de Lisboa. Canção Que já Não Há Pachorra para Ouvir Mais Este Ano (e Nos Próximos): "Gaivota", de Amália Rodrigues, pelo projecto Amália Hoje, que tornou uma canção simples, sentida e acústica num fogo-de-artifício de estúdio e em que aquilo que no peito "bateria" será mesmo mais uma caixa-de-ritmos.