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08 julho, 2010

E Quantos Caminhos Tem a Música Indiana?


No seguimento da recuperação de vários textos publicados na «Time Out Lisboa» ao longo dos últimos meses -- e se nos próximos textos eu não referir a fonte é porque ela já aqui está bem explícita! -- aqui ficam mais algumas críticas a discos que têm como origem o imenso e misterioso continente indiano: o cantor Paban das Baul (na foto), o músico (aquilo é uma sitar? é uma pedal steel? é a mistura das duas? é o quê, afinal?) Debashish Bhattacharya e mais uma imensa colectânea de canções de Bollywood...


Debashish Bhattacharya
"O Shakuntala!"
(World Music Network/Megamúsica)

Se Ry Cooder tivesse composto e gravado a música para um filme chamado, imagine-se, “Havai, India”, em vez de um outro de nome “Paris, Texas”, o primeiro tema - “Megha Re” - do novo álbum do mestre da slide-guitar indiana Debashish Bhattacharya entraria imediatamente nessa banda-sonora. E a comparação, que poderia parecer despropositada se se pensasse que se está aqui à procura de uma simples contextualização ocidental para uma música oriental, até ganha algum fôlego se pensarmos que a slide-guitar é um instrumento de eleição nos blues ou na country e não tanto naquilo que estamos habituados a ouvir (sitar, tamboura, harmonium ou tablas...) na música indiana. Mas com Bhattacharya a slide-guitar (mesmo que uma slide-guitar que tem como base instrumentos de cordas locais) passou a ser, e “O Shakuntala!” é a sua obra-prima!, um instrumento indiano por direito próprio.

(****)



Vários
"The Bollywood Funk Experience"
Nascente/Megamúsica

Mais um disco da série "The... Funk Experience" da Nascente (que também inclui volumes dedicados a Cuba, ao Brasil e aos trópicos), este "The Bollywood Funk Experience" é capaz de ser o mais curioso de todos, tanto pelo elenco que apresenta – importantes compositores de clássicos do cinema de Bombaim (Mumbai) como RD Burman e estrelas maiores da arte do play-back do cinema indiano como a fabulosa cantora Asha Bhosle – como pela riqueza desta música híbrida que tanto deve à música clássica e tradicional indiana como a inúmeras contaminações externas: aqui o funk, claro, mas também coisas tão diversas como as bandas-sonoras do 007, o cha-cha-cha ou (oiça-se esta versão sublime) o “Twinkle Twinkle Little Star”.

(****)




Paban das Baul
"Music of The Honey Gatherers"
World Music Network/Megamúsica

Desde há muitos anos radicado no Ocidente, o cantor e percussionista indiano Paban das Baul tem deixado bem vincada a sua arte (produto de uma cultura milenar que mistura ensinamentos tântricos, sufis e budistas, entre outros) tanto nos seus álbuns a solo como em colaboração com gente como os State of Bengal ou Sam Mills. Neste novo álbum, Paban das Baul surge acompanhado apenas por instrumentos tradicionais da sua região natal de Bengala e não há aqui distracções eléctricas ou electrónicas: tanto a voz como a restante instrumentação estão ao serviço de uma função: o transe sagrado, a celebração da vida e da natureza, a circularidade de todas as coisas. "Music of The Honey Gatherers" sabe a mel, sim, mas também a algo muito antigo e de uma enorme sabedoria.

(****)

10 julho, 2008

FMM de Sines - Falta Uma Semana!


Falta apenas uma semana para o início dos concertos do 10º FMM de Sines (se bem que o festival comece um dia antes, com conferências no CAS). E, para recordar o programa, aqui «reposto» - isto da blogocoiso dá mesmo para inventar novas palavras! - o texto de apresentação do festival, publicado no R&A há dois meses, mas com as devidas adaptações motivadas pelas mais recentes alterações ao programa (a troca dos Kasai Allstars e dos Antibalas por Vinicio Capossela e o trio de Jean-Paul Bourelly). Entretanto, e para quem quiser ter contacto com imagens e sons de muitos grupos e artistas presentes este ano no FMM, o melhor é ir consultando diariamente o Juramento Sem Bandeira, que está a ficar com um acervo magnífico de vídeos dos artistas que vão passar por Sines.


«O maior evento na área da “world music” realizado em Portugal, o FMM Sines - Festival Músicas do Mundo comemora o seu 10.º aniversário com um programa de 10 dias de música e iniciativas paralelas. O pai do rock chinês, Cui Jian, a diva da música indiana, Asha Bhosle, e o grupo seminal do movimento hip hop, The Last Poets, são três destaques do programa de 40 concertos marcado para entre os dias 17 e 26 de Julho.


Repartido por quatro palcos, um na aldeia de Porto Covo (junto ao Porto de Pesca) e três na cidade de Sines (Castelo, Avenida Vasco da Gama e Centro de Artes), o festival 2008 apresenta um retrato sonoro do mundo no início do século com alguns dos mais destacados criadores musicais actualmente a trabalhar em África, Ásia, Américas, Europa e Médio Oriente.


ÁFRICA


De África, logo no primeiro dia, 17 de Julho, chega a estrela do ano no circuito “world music”. Originário do Mali, Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba acaba de vencer as categorias de melhor grupo africano e melhor disco do ano nos mais prestigiados prémios de “world music”, atribuídos pela BBC Radio 3.
Premiados pela BBC na categoria Cruzamento de Culturas -, Justin Adams & Juldeh Camara (Reino Unido / Gâmbia) incendeiam o FMM com o repertório do disco “Soul Science”.
Responsável por outro dos discos do ano, “Made in Dakar”, um dos grupos pioneiros da pop africana, Orchestra Baobab (Senegal), apresenta um espectáculo onde África e Cuba se encontram.
Mais próximo da tradição, Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África do Sul) traça um percurso pelas melhores músicas da África subsariana.
A cantautora maliana Rokia Traoré, uma das mais interessantes jovens artistas do continente, apresenta o seu novo disco “Tchamanché”, lançado em Maio.
Toto Bona Lokua (Antilhas Francesas / Camarões / R. D. Congo) junta os músicos Gerald Toto, Richard Bona e Lokua Kanza num espectáculo de grande requinte vocal e acústico.
A cantora Herminia, uma das pérolas da música cabo-verdiana, e o artista que deu dimensão global à música de Angola, Waldemar Bastos, representam os países africanos de expressão portuguesa.


ÁSIA


Cui Jian, uma das mais importantes figuras da música moderna chinesa, marca o programa asiático do festival. Grande responsável pela criação de uma cultura rock no país do Sol Nascente, Cui Jian faz em Sines a sua estreia em Portugal.
Também em estreia nacional no FMM estará Asha Bhosle. Diva maior da música de Bollywood, com um recorde de mais de 12 mil canções gravadas, é uma das figuras mais amadas pelo povo indiano e uma das grandes cantoras do mundo.
Do Paquistão, chega Asif Ali Khan & Party, com o canto hipnótico de um dos mestres da música “qâwwali”.


AMÉRICAS


Os EUA marcam em 2008 uma das presenças mais fortes de sempre no Festival Músicas do Mundo.
O grande destaque é The Last Poets (na foto), grupo de músicos poetas nascido no contexto das lutas pelos direitos civis dos anos 60 que está na origem da fundação do movimento hip hop.
Um dos grupos pioneiros do punk de fusão, Firewater, traz a Sines o repertório do seu novo disco, “The Golden Hour”, onde o rock entra em diálogo com as músicas do Oriente.
Depois de um longo período passado na África Ocidental, o quinteto instrumental Toubab Krewe dá uma reinterpretação rock às músicas da região.
Jean-Paul Bourelly é um dos melhores guitarristas de blues contemporâneos, com um som eléctrico e fortes aproximações ao funk e ao rock. Também cantor, Bourelly já trabalhou com músicos como Miles Davis, no álbum “Amandla”, e Vernon Reid, dos Living Colour. É precisamente desta banda pioneira do rock negro que chega Will Calhoun, eleito por várias revistas da especialidade o melhor baterista do mundo. A sua bateria poderosa tem dado coração rítmico a grandes nomes, do rapper Mos Def a B. B. King. Se Calhoun foi considerado o melhor baterista do mundo, Melvin Gibbs, terceiro elemento do grupo, foi eleito o melhor baixista. O seu baixo lendário tem um historial de quase 200 discos de diferentes géneros.
Ainda originária dos EUA, Hazmat Modine, uma das melhores bandas das Américas no ano que passou, inventa uma banda sonora global para a metrópole Nova Iorque.
Considerado um dos mais promissores poetas do Reino Unido, Anthony Joseph, natural da ilha caribenha de Trinidad, traz um espectáculo de “spoken word” com a sua The Spasm Band e o convidado americano Joe Bowie, ex-Defunkt.
A Tribute do Andy Palacio feat. Special Guests conta com músicos “garifuna” do Belize e das Honduras para um concerto de tributo a Andy Palacio, vencedor da categoria “Américas” nos últimos prémios da BBC, falecido no início deste ano.
Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México) cruza música “norteña” mexicana e música techno para uma noite de dança.
Do Brasil vem o forró de Silvério Pessoa e de Siba e a Fuloresta, dois projectos enquadrados na renovação da música do Nordeste.


EUROPA


O contingente português do FMM 2008 inclui o novo fado de A Naifa, a dupla instrumental Dead Combo, a cantora / compositora Danae (que faz em Sines a apresentação oficial do seu novo disco, “Cafuca”), e dois espectáculos com a marca FMM: o novo espectáculo audiovisual do quarteto de concertinas Danças Ocultas e o quinteto Mandrágora, que se deslocou à Bretanha para uma residência artística e apresenta os seus resultados em exclusivo neste festival.
A revelação da música galega, Marful, traz o espectáculo “Salón de Baile”, com fortes influências da América Latina. Também da Galiza, Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais trabalham a música festiva das tabernas e aldeias da região.
A zona do Mediterrâneo europeu é representada pelos marselheses Lo Còr de la Plana (na foto), que recuperam a música polifónica da Occitânia, e pelo novo espectáculo do italiano Enzo Avitabile, com os percussionistas tradicionais Bottari.
Do Reino Unido chegam Rachel Unthank & The Winterset, vencedores do Horizon Award atribuído pela BBC Radio 3, que os consagra como um dos grupos mais importantes da folk britânica.
Revelação da folk independente, o grupo de americanos radicados em França Moriarty mostra em Sines o repertório do disco “Gee Whiz, but this a Lonesome Town” (2007).
A checa Iva Bittová, uma das figuras mais originais da vanguarda contemporânea, dá em Sines um concerto a solo, apenas com a força da sua voz e do seu violino.
Moskow Art Trio (Rússia / Noruega) é um laboratório de jazz, folclore e música clássica.
A “big band” belga Flat Earth Society junta-se ao mago finlandês Jimi Tenor para um espectáculo imprevisível em que o jazz é apenas um de mil ingredientes.
KTU, o projecto constituído pelo acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen e dois ex-membros da banda de rock progressivo King Crimson, está em Sines com disco novo na forja.
Com núcleo na Suíça, o quarteto Doran – Stucky – Studer – Tacuma pega no legado de Jimi Hendrix e constrói uma “jam session” poderosa.
Nascido na Alemanha, em 1965, mas residente em Milão desde muito cedo, Vinicio Capossela é, desde 1990, quando lançou o disco de estreia "All'Una E Trentacinque Circa", um cantautor de referência, comparado a Paolo Conte e Tom Waits pela voz rouca, pelo "pathos" criativo e pela capacidade comovente de nos fazer encontrar com a verdade do lado menos luminoso da experiência humana.



MÉDIO ORIENTE


O Médio Oriente é em 2008 representando por dois projectos israelitas.
Koby Israelite, compositor e acordeonista israelita radicado no Reino Unido, mostra como a sua fusão de jazz com klezmer e música cigana se destaca no novo catálogo da editora Tzadik.
Com ambientes Kusturica e Tarantino, a banda de “surf rock” Boom Pam dá o último concerto do FMM.


INICIATIVAS PARALELAS


O programa do festival prolonga-se num conjunto de iniciativas paralelas, que incluem ateliês para crianças e adolescentes ministrados por artistas do festival, workshops e conversas com artistas, um ciclo de cinema dedicado ao tema das migrações, “jam sessions” e DJing.
Nos dois dias anteriores ao início do festival (15 e 16 de Julho), realiza-se o seminário “A Barreira do Som: Música, Cultura e Nação”, organizado em conjunto pela Câmara Municipal de Sines e pelo INET - Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. Com coordenação científica de Manuel Deniz Silva, constituirá um momento de reflexão sobre o fenómeno da “world music” e sobre as identidades musicais no contexto do mundo globalizado.
Considerado um dos eventos musicais de referência realizados em Portugal, o Festival Músicas do Mundo recebeu, desde a sua criação em 1999, mais de 120 concertos e um total estimado de 240 mil espectadores. É uma organização da Câmara Municipal de Sines».

E ainda há cinema: «Ciclo de cinema documental: Migrações. As migrações e o modo como estão a alterar a geografia política, cultural e económica do mundo são o tema do ciclo de cinema do FMM 2008. Centro de Artes de Sines, 23, 24, 25 e 26 de Julho. Sessões às 16h00. Num tempo de circulação de informação, sons, imagens, pessoas e
coisas, o ciclo de cinema do FMM pegará este ano na ideia de migração, viagem, circulação, contaminação de formas de produzir, ver e ouvir discursos e linguagens. No ano em que o FMM cumpre dez anos olhamos para discursos de fusão, confrontos de realidades geográfica e culturalmente distintas, que deram origem a novas formas de falar. Não se restringindo a filmes que colocam a música no centro da sua
atenção, o ciclo abordará este tema de diferentes formas, com aproximações políticas, culturais e económicas. Depois do sucesso da última edição – dedicada ao tema "Música e Trabalho" – espera-se que as sessões de cinema deste 2008 tragam mais gente e mais discussão ao FMM, num ciclo que pretende crescer e melhorar ao longo dos anos».


ALINHAMENTO COMPLETO

Quinta-feira, 17 de Julho


Siba e a Fuloresta (Brasil), 19h00, Ruas do CAS

Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba (Mali), 22h00, Auditório do CAS

Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais (Galiza), 00h00, Ruas do CAS


Sexta-feira, 18 de Julho


A Naifa (Portugal), 21h30, Porto Covo

Herminia (Cabo Verde), 23h00, Porto Covo

Hazmat Modine (EUA), 00h30, Porto Covo


Sábado, 19 de Julho


Flat Earth Society meets Jimi Tenor (Bélgica/Finlândia), 21h30, Porto Covo

The Last Poets (EUA), 23h00, Porto Covo

Enzo Avitabile & Bottari (Itália), 00h30, Porto Covo


Domingo, 20 de Julho


Danças Ocultas (Portugal), 21h30, Porto Covo

Asha Bhosle (Índia), 23h00, Porto Covo

A Tribute to Andy Palacio feat. Special Guests (Belize/Honduras), 00h30, Porto Covo


Segunda-feira, 21 de Julho


Moscow Art Trio (Rússia/Noruega), 22h00, Auditório do CAS

Lo Còr de la Plana (Occitânia), 23h30, Auditório do CAS

Danae (Portugal), 01h00, Ruas do CAS


Terça-feira, 22 de Julho


Iva Bittová (República Checa), 22h00, Auditório do CAS

Moriarty (EUA/França), 23h30, Auditório do CAS

Dead Combo (Portugal), 01h00, Ruas do CAS


Quarta-feira, 23 de Julho


Waldemar Bastos (Angola), 21h30, Castelo

Vinicio Capossela (Itália), 23h00, Castelo

Justin Adams & Juldeh Camara (Reino Unido/Gâmbia), 23h00, Castelo

Anthony Joseph & The Spasm Band feat. Joe Bowie (Trinidad/R. Unido/Estados Unidos), 02h30, Av. Praia


Quinta-feira, 24 de Julho


Mandrágora & Special Guests (Portugal/Bretanha), 19h30, Av. Praia

Marful “Salón de Baile” (Galiza), 21h30, Castelo

Toto Bona Lokua (Antilhas Fr./Camarões/Congo), 23h00, Castelo

Orchestra Baobab (Senegal), 00h30, Castelo

Silvério Pessoa (Brasil), 02h15, Av. Praia

Toubab Krewe (EUA), 03h45, Av. Praia


Sexta-feira, 25 de Julho


Rachel Unthank & The Winterset (Reino Unido), 19h30, Av. Praia

Asif Ali Khan & Party (Paquistão), 21h30, Castelo

KTU (Finlândia/EUA), 23h00, Castelo

Cui Jian (China), 00h30, Castelo

Firewater (EUA), 02h15, Av. Praia

Nortec Collective presents Bostich and Fussible (México), 03h45, Av. Praia


Sábado, 26 de Julho


The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (África Sul), 19h30, Av. Praia

Koby Israelite (Israel/Reino Unido), 21h30, Castelo

Rokia Traoré (Mali/França), 23h00, Castelo

Doran - Stucky - Studer - Tacuma (Irlanda/Suíça/EUA), 00h30, Castelo

Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun (EUA), 02h30, Av.Praia

Boom Pam (Israel), 04h00, Av. Praia

Bailarico Sofisticado convida António Pires (Portugal), 06h00, Av. da Praia

INICIATIVAS PARALELAS

16 de Julho
Sines - Centro de Artes
A Barreira do Som: Seminário "Música, Cultura e Nação"

De 19 de Julho a 20 Setembro:
Sines - Centro de Artes
Exposição "Transurbana" de Luís Campos

De 23 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Ciclo de Cinema Documental "Migrações"

De 24 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Ateliês Para Crianças

De 24 a 26 de Julho
Sines - Centro de Artes
Conversas Com Artistas

De 23 a 26 de Julho
Sines - Escola das Artes
Masterclasses


Mais informações, aqui.

12 julho, 2006

Híbridos (Recuperados a 2004), Parte 2


Bis, bis, bis, bis...........

WORLD EXTRA

O álbum já tem um ano, mas só agora é distribuído em Portugal, à boleia da actuação do rapaz no próximo festival aveirense Sons em Trânsito - fala-se de Jim Moray e do seu disco de estreia, «Sweet England» (Niblick Is a Giraffe/Megamúsica), uma pedrada no charco, demasiadas vezes estagnado, da folk britânica. E um álbum que é uma surpresa constante e absoluta, já que Moray consegue de facto inovar a partir da tradição. E pegar em temas tradicionais, atirá-los contra a parede, transformá-los e cantar, produzir e tocar quase todos os instrumentos (é muito jogo para quem tinha apenas 19 ou 20 anos quando gravou o disco). Em «Sweet England» ouvem-se violinos nascidos nos campos do Yorkshire convivendo com programações de clube de dança selecto, pianos de recorte clássico a servir canções muito antigas, delírios psicadélicos às voltas com a country norte-americana e a música cigana com a música irlandesa e os Radiohead. Com este álbum, Moray ganhou os prémios de «Melhor Álbum» e «Revelação» dos BBC Folk Awards 2004. Foram merecidos. (8/10)

Como merecida é também a inclusão de Jim Moray noutro clube selecto, desta feita aquele que a Oysterband (na foto, com os amigos) «abriu» a um porradão de convidados para a gravação de «The Big Session - Volume 1» (WestPark/Megamúsica). Na gravação deste disco estão lá Moray, a Oysterband (John Jones e restante pandilha são os mentores do projecto) e, veja-se só, a enormíssima June Tabor, Eliza Carthy, os Show of Hands e os «primos» norte-americanos Brett e Rennie Sparks (isto é, os Handsome Family). E é um excelente álbum (gravado ao vivo perante uma pequena audiência) recheado de bons momentos: quando a folk britânica se cruza, naturalmente, com a alt.country do casal Sparks; quando June Tabor eleva a sua voz para uma versão superlativa de «Lowlands»; quando todos (todos, mesmo) cantam a capella «The New Jerusalem»; quando Moray transforma «The Cuckoo's Nest» num fabuloso tema de rock progressivo (!). Grande decepção, só uma: a versão de «Love Will Tear Us Apart», dos Joy Division, que começa muitíssimo bem com June Tabor mas continua muitíssimo mal na voz de John Jones. (9/10)

E por falar em versões estranhas e em canções tristes: imagine-se (depois de «Love Will Tear Us Apart») uma versão, deste vez em ritmo de salsa, alegre (!!) e saltitante (!!!), de outra canção desesperada: «Ne Me Quitte Pas», de Jacques Brel. Pois é, essa versão existe mesmo e foi gravada pelo salsero colombiano Yuri Buenaventura, que agora edita o seu «best of» «Lo Mejor de...» (Mercury/Universal). Uma colectânea onde há ainda lugar para outras surpresas: uma versão lounge-salsa-bossa de «Insensatez» (de Tom Jobim e Vinicius); uma outra - que puxa completamente o pé para a pista de dança - de «Mala Vida», de Manu Chao; uma colaboração bastante bem conseguida com os cubanos Orishas (rap-son-salsa-rumba); e um exercício de cruzamento da latino-americana salsa com o rai do norte de África, «Salsa Rai» (pois, o título não engana), em que Yuri contracena com o franco-argelino Faudel. (7/10)

E - fazer raccord, se faz favor - da salsa para o... rai: um dos nomes maiores deste género argelino, Cheb Mami, está de volta com um álbum ao vivo, «Live au Grand Rex - 2004» (Virgin/EMI), em que o cantor e compositor interpreta grandes sucessos da sua carreira («Parisien du Nord», «Meli Meli», «Zarartou») e aproveita para convidar alguns amigos. E o álbum começa muito bem, com Cheb Mami a cruzar a música árabe com a música «celta» da Bretanha francesa e ataca, depois, o rap-rai pulsante de «Parisien du Nord». Mas, depois, há muitos momentos em que os sintetizadores e as programações afogam aquilo quase tudo em proto-foleirada-etno (e o dueto com o italiano Zucchero é calamitoso). Salvam-se, nesta parte do disco, as colaborações com Moss e Hakim («Des 2 Côtés»), uma bonita versão de «Desert Rose» (de Sting) e um dueto lindísimo com a cantora indiana Susheela Raman. (5/10)

Também cantora e também indiana (outro raccord), Asha Bhosle é a mais respeitada (juntamente com a sua irmã, Lata Mangeshkar) das cantoras que dão voz às canções da indústria cinematográfica indiana, conhecida como Bollywood. E dão voz e não o corpo: as actrizes e dançarinas que aparecem nos filmes fazem playback sobre a trilha sonora previamente gravada pelas cantoras verdadeiras, como Asha. Em «The Very Best Of... The Queen of Bollywood» (Nascente/Megamúsica), Asha Bhosle protagoniza 26 das canções que gravou ao longo de mais de 40 anos de carreira (ela que gravou, dizem as estatísticas, cerca de 30 mil - sim, 30 mil! - canções). Mas chegam para se perceber que a voz de Asha - fresquinha fresquinha como um gelado de menta e açafrão - se sente tão à-vontade em temas clássicos indianos quanto em variadíssimos géneros importados do ocidente ao longo das últimas décadas: da música latino-americana ao rock'n'roll, do jazz ao funk, do disco-sound ao tecno. Muitos dos temas deste duplo-álbum são de RD Burman, um dos mais importantes directores musicais dos filmes de Bollywood e marido de Asha, mas o momento mais alto do disco é, sem dúvida, a versão acelerada de «Thodasa Pagla», do paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan - e um belo exemplo de aproximação entre duas nações desavindas. (7/10)

E de uma senhora indiana que participou em centenas de filmes para um senhor cubano a quem bastou ter participado num filme - «Buena Vista Social Club», de Wim Wenders - para ficar mundialmente conhecido: o trompetista Manuel Guajiro Mirabal. E, como noutros casos não por acaso, o seu álbum de estreia em nome próprio (apesar de mais de 40 anos de carreira!) tem por título «Buena Vista Social Club Presents...» (World Circuit/Megamúsica). No disco - quase todo ele preenchido por temas compostos por Arsenio Rodríguez (aka El Ciego Maravilloso) - Guajiro surge acompanhado por uma equipa de luxo: Orlando Cachaíto Lopez, Manuel Galbán, Papi Oviedo e a voz de Carlos Calunga, entre outros, e como convidados outros «buena vistas» ilustres como o cantor Ibrahim Ferrer e o pianista Rubén González. E o álbum é uma festa irresistível, permanente e belíssima, feita de son, mambo, rumba, guajira, bolero, jazz... Aos 71 anos, é obra. (8/10)