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12 junho, 2007

Festival Piazzollex - No Montijo, Com Paixão



Há algumas semanas não fiz nenhuma referência (para grande vergonha minha!) ao festival de tango que decorreu na Voz do Operário, em Lisboa. Mas este, no Montijo, não escapa. E não escapa graças à divulgação que dele faz a Gringa Sempre/Prada, camarada de artes, de preocupações estéticas e de músicas. O festival, de nome Piazzollex, decorre no Montijo nos dias 15, 16 e 17 deste mês, com workshops, filmes, debates e ateliers dedicados ao tango, alguns espectáculos musicais e uma exposição (de Ricardo Videla, mestre da pintura argentina - ver imagem que encima este post - cuja obra pode ser vista a partir de hoje, dia 12, e até dia 17, no Cine-Teatro Joaquim de Almeida). O festival - que assinala quinze anos sobre a morte de Ástor Piazzolla, o homem que levou o tango para as grandes salas internacionais e o elevou a forma de arte superior - inclui os espectáculos «Noite Bandango», pelo quarteto de saxofones português Saxofinia (dia 15, no Cine-Teatro Joaquim de Almeida), «Noite Alemtango», com o quarteto do pianista e compositor Daniel Schvetz com a fadista Mafalda Arnauth como convidada (dia 16, também no Cine-Teatro Joaquim de Almeida, num programa dedicado a Piazzolla e ao escritor Jorge Luís Borges) e «Noite Orquestango», com uma orquestra típica de tango e milongas, formada por instrumentos de cordas, piano e bandonéon (dia 17, ao ar livre, na Praça da República). Todas as informações aqui.

09 fevereiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XII.1 - Ástor Piazzolla


Símbolo maior do tango e da sua renovação - o «nuevo tango» -, o músico e compositor argentino Ástor (Pantaleón) Piazzolla (nascido a 11 de Março de 1921, em Mar del Plata, Argentina; falecido em 4 de Julho de 1992) foi também o intérprete maior de um instrumento, o bandoneón, que está agora indelevelmente ligado a esse género musical feito de paixão, sangue e alma. Incorporando no tango outros elementos musicais - o jazz e a música erudita (bem presentes em temas como inesquecível «Libertango») - Piazzolla transportou o género de casas de má-fama em Buenos Aires para os grandes palcos do mundo, sem nunca por isso esquecer as suas origens e a sua verdade. Piazzolla viveu durante alguns anos da sua infância e juventude em Nova Iorque, o que poderá explicar a sua abertura ao jazz e a outros géneros musicais. Mas isso não explica completamente o seu génio absoluto e tudo o que pelo tango - e pela música - fez em toda a sua obra. Enorme!


Cromo XII.2 - Concha Buika


O nome é lindíssimo e, passe a piada, enche a boca: Concha Buika. Cantora de origem africana (Guiné-Equatorial), Concha nasceu na cidade espanhola de Palma de Maiorca, em 1972, e passou os primeiros anos da sua vida no meio da comunidade cigana local. E o resultado desta estranha «mestiçagem» só podia dar nisto: uma cantora que, na sua música, mistura jazz, boleros, flamenco, funk, música africana. A pedra de toque para a sua original fusão musical dá-se em Londres, durante um concerto de Pat Metheny, que a leva a fazer música com instrumentistas americanos e marroquinos, ao teatro com La Fura dels Baus, ao cinema e à música... house. E, depois, à sua visão pessoal de uma música sem fronteiras em que o jazz, a tradição andaluza, África, o tango e mil outras músicas não conhecem fronteiras nem passaportes. Audição aconselhada: o álbum «Mi Niña Lola» e o mais recente «Niña de Fuego».


Cromo XII.3 - Márta Sebestyén & Muzsikás



A cantora húngara Márta Sebestyén - uma das melhores e mais respeitadas em todo o universo folk/world actual -, nascida a 19 de Agosto de 1957, tem uma distinta carreira feita em nome próprio e em colaborações com jovens grupos húngaros ou com grupos estrangeiros como os duvidosos Deep Forest ou os misteriosos e fantásticos Towering Inferno. Márta é também a voz inesquecível da banda-sonora de «O Paciente Inglês». Por sua vez, os Muzsikás são a maior instituição da música tradicional húngara, descobrindo as origens ciganas ou judaicas da sua música, visitando compositores como Zoltan Kodaly ou Béla Bartók, arrasando tudo à sua passagem com os seus violinos, contrabaixos, koboz, gardon e cimbalom. Mas, ao longo das suas carreiras, é mesmo quando a voz de Márta e os instrumentos dos Múzsikas se juntam - em álbuns e ao vivo - que a verdadeira, a grande magia acontece.


Cromo XII.4 - Farinha Master


Os seus concertos eram uma surpresa constante. Neles poder-se-ia ouvir fado mutante em electrónica lo-fi, poesia concreta transmutada em hard-rock manhoso, música minimal-repetitiva passada por uma peneira minhota. E relatos de futebol e transmissões do 13 de Maio e discursos políticos. O génio irrequieto, talvez doentio, «arrasa-paredes», de Farinha Master (de verdadeiro nome Carlos Cordeiro, nascido em 1957, falecido a 18 de Fevereiro de 2002), filtrado através do seu grupo mais lendário, os Ocaso Épico, só ficou registado em disco no álbum «Muito Obrigado» (1988) mas, principalmente, no tema «Intro» (com Anabela Duarte), da primeira colectânea da Dansa do Som, «Ao Vivo no Rock Rendez Vous». Farinha ainda passou pelos WC (antes dos Ocaso Épico) e pelos Zao Ten, K4 Quadrado Azul, The Pé e Angra do Budismo (depois). Uma figura ímpar.