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03 julho, 2013
Festival Sete Sóis Sete Luas - Resiste e Continua!
Exemplo maior de que não há crise que dê cabo de um festival (mesmo que a crise exista mesmo!), o Sete Sóis Sete Luas insiste este ano num programa de altíssima qualidade. Veja-se (e confira-se nas «etiquetas») o que vai passar pela Fábrica da Pólvora de Barcarena (a apenas dois quilómetros da minha casa):
«XXI Festival Sete Sóis Sete Luas No palco da Fábrica da Pólvora de Barcarena músicas, danças e cantos dos portos do Mediterrâneo: Bari, Cádiz, Istambul, Nápoles, Oran, Thessalonika com a nova produção musical liderada por Rão Kyao . 5 de Julho – 16 de Agosto, todas as sextas-feiras
Uma nova edição do Festival Sete Sóis Sete Luas, a vigésima primeira, vai acompanhar o verão do público de Oeiras com eventos musicais únicos. O Festival Sete Sóis Sete Luas continua o seu caminho de diálogo intercultural, nomeadamente através da promoção de histórias e tradições de diferentes partes do mundo, envolvendo artistas e público dos Países do Mediterrâneo e do mundo lusófono. Mais uma vez, o caminho do Festival tem o apoio do Município de Oeiras. Preparem-se para soltar todas as sextas-feiras, a partir de 5 de Julho até 16 de Agosto, na Fábrica da Pólvora de Barcarena, com músicos de fama internacional como Rão Kyao. Como um círculo perfeito, vamos começar partindo do sul da Itália, para passar por Cabo Verde, Grécia, Espanha, Turquia e voltar outra vez na Itália meridional.
Como os Sete Sóis e as Sete Luas do Festival, sete serão os concertos imperdíveis que irão animar as noites de Barcarena. A programação começa em 5 de Julho com a Sossiobanda, formação jovem e enérgica da Puglia, que irá realizar para o público de Oeiras transportando-o numa viagem para a Itália mais autêntica. Francesco Sossio e sua banda irão apresentar os sons populares da Puglia, reelaborando-los com grande originalidade através da utilização de instrumentos tradicionais e modernos. O concerto da Sossiobanda é realizado em colaboração com Puglia Sounds.
Na sexta-feira, 12 de Julho, os ritmos internacionais da Orient.7sois.Orkestra mergulharão na Fabrica da Pólvora. Rão Kyao, grande músico português já premiado com dois discos de ouro e de platina, coordena seis músicos que não se conheciam antes desta produção e que falam línguas diferentes, combinando cada um dos seus estilos pessoais de música num trabalho original, que resume as diferentes almas do Mediterrâneo. Marko Kalcic da Croácia ao baixo e Kelly Toma da Grécia a tocar a lira de Creta, representam o espírito do leste da banda, enquanto os outros componentes são: Salim Allal da Argélia no oud e no cante, Miguel Angel Ramos da Andaluzia na guitarra, e Ruca Rebordão de Portugal na percussão.
A verdadeira alma de Cabo Verde, que carateriza a vida de todos os cabo-verdianos, é a música. A talentosa artista cabo-verdiana Sara Alhinho, que irá atuar a 19 de Julho, interpreta com a sua voz estes sentimentos da sua terra de origem e evoca, com os seus sussurros suaves, o seu amor por Cabo Verde e pelo mar. Profundamente ligada aos ritmos tradicionais de Cabo Verde, mas também atraída por horizontes musicais mais longinquos, Sara Alhinho dialoga com o público, tornando cada concerto num acontecimento único e irrepetível.
Sonhamos a Grécia no dia 26 de julho, com Yannis e Gorkem Saoulis e o rebetiko, chamado também o «blues grego», música popular urbana tal como o jazz, o fado, o tango. O rebetiko tem as suas origens na forçada emigração de milhares de gregos da Ásia Menor nos anos Vinte. Nascido do encontro entre as culturas grega e turca, com excertos de elementos europeus e de todas aquelas civilizações que cruzaram o Mediterrâneo mestiço no início de 1900, o rebetiko é cheio de ansiedade, paixão e liberdade. Interpretado de forma magistral pela voz de Yannis e pelo kanun de Gorkem, o rebetiko promete transportar o público numa viagem para o imaginário simbólico da Grécia.
No dia 2 de Agosto, Oeiras dançará seguindo os movimentos do famoso bailarino e coreógrafo espanhol Miguel Cañas. Maestro de flamenco conhecido a nível internacional, ele ganhou o prémio nacional de dança de Córdoba em 2007. Atualmente, é o principal dançarino do Tablao "El Corral de la Morería" em Madrid; antes de partir com sua tournée de Outono ao redor do mundo, Miguel encantará Oeiras com a sua dança sem tempo.
No dia 9 de Agosto, explode a energia do grupo turco Baba Zula (na foto). Como a ponte sobre o Bósforo em Istambul, os Baba Zula unem Oriente e Ocidente, passado e presente, ritmos tradicionais e música eletrónica. Nos seus concertos utilizam vídeos, películas e improvisam utilizando temas sempre novos nas suas canções. Já fizeram digressões na Turquia, na Alemanha e em Canada depois do lançamento do primeiro álbum. O grupo compõe temas para música e teatro, e já trabalhou com artistas reconhecidos internacionalmente como Butch Morris, Jane Bunnet, Brenna MacCrimmon.
No dia 16 de Agosto, Carlo Faiello & Tamurriata Remix prometem um concerto altamente sugestivo, que traz de volta as memórias napolitanas, mas sempre mantendo um olhar para o futuro e a inovação musical. As performances de Carlo Faiello, figura emblemática da música popular de Nápoles e já protagonista no álbum da Amália Rodrigues sobre a canção napolitana, são totalmente inspiradas no universo mítico de Nápoles, onde a canção de autor encontra os ritmos avassaladores de da música popular tradicional e contemporânea. A interpretação de Carlo Faiello da música e das canções populares Napolitanas tem evoluído de forma a preservar todos os aspetos da tradição e incorporar as novas tendências e tecnologias, adaptando-as para o seus próprios padrões culturais. A música de Carlo Faiello é sem dúvida uma clara indicação da vitalidade da cultura e da língua de Nápoles.
SOBRE O FESTIVAL
O Festival Sete Sóis Sete Luas (www.7sois.eu), com o importante apoio da Câmara Municipal de Oeiras, começa este ano a sua XXI edição (1993-2013) e continua a sua longa viagem pelas rotas musicais, artísticas e turísticas que unem o Mediterrâneo ao mundo lusófono.
O Festival Sete Sóis Sete Luas nasceu em 1993, dando início a uma troca cultural positiva e construtiva entre Itália e Portugal, que ao longo do tempo abriu-se a novas realidades para se tornar, hoje, uma rede cultural que inclui mais de 30 cidades em 13 países diferentes mundo mediterrâneo e lusófono: Brasil, Cabo Verde, Croácia, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal, Romênia, Espanha, Eslovênia e Tunísia. O Festival envolve mais de 400 artistas, promove todos os anos mais de 150 concertos de música popular contemporânea acompanhado por exposições de artes plásticas, atraindo um público cosmopolita de mais de 200.000 espetadores. Entre os objetivos do Festival destaca-se o diálogo intercultural, a mobilidade de artistas e a criação de formas originais de produção artística. Desde 1993 os presidentes honorários foram os Prémio Nobel José Saramago e Dario Fo. A partir do ano 2012, ao lado de Dario Fo, o novo presidente honorário é o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca. Em Portugal, para além de se realizar em Oeiras, o Festival passa também por Ponte de Sôr, Alfândega da Fé, Castro Verde, Odemira, Elvas.
22h, Fábrica da Pólvora de Barcarena
PROGRAMA:
5 de Julho – Sossiobanda (Itália)
12 de Julho – Orient.7Sois.Orkestra (Mediterrâneo)
19 de Julho – Sara Alhinho (Cabo Verde)
26 de Julho – Yannis & Gorkem Saoulis (Grécia)
2 de Agosto – Miguel Cañas (Espanha)
9 de Agosto – Baba Zula (Turquia)
16 Agosto – Carlo Faiello & Tamurriata Remix (Itália)
Programa e elencos sujeitos a alterações
Preçário – bilhete pago a partir dos 3 anos:
€ 2,00 individual
€ 5,00 família, até 4 pessoas
Info:
info@7sois.org
www.7sois.eu»
11 abril, 2007
Baba Zula no Festival Islâmico de Mértola

Os Baba Zula (na foto), um dos grupos de ponta da renovação da música turca, são um dos destaques da 4ª edição do Festival Islâmico de Mértola, que decorre nesta vila alentejana de 17 a 20 de Maio. Um Festival que, para além das deliciosas comidas tradicionais mediterrânicas e do animado souk que por estes dias transforma Mértola numa localidade do norte de África, apresenta ainda mais alguns mui aconselháveis concertos, à noite, no Cais do Guadiana. Concertos do projecto In-Canto (com Luísa Amaro na guitarra portuguesa, Miguel Carvalhinho na guitarra clássica, Hugo Tristão na percussão árabe e Joana Grácio, bailarina de dança oriental) e do ensemble Adafina (projecto português que se dedica à música turca e árabe), na primeira noite; do novo Grupo Moulay Sheriff (liderado por este ex-membro dos marroquinos Nass Marrakech) e dos portuenses de trance acústico OliveTree, na segunda noite; da fabulosa cantora iraquina Aida Nadeem e dos já referidos Baba Zula (fazedores de um festivo e excitante híbrido de música tradicional turca, dub, rock e electrónicas), seguidos por uma sessão de DJ de Raquel Bulha, na noite de sábado. Todos os dias, e durante o dia, há também animação musical com Eduardo Ramos (Portugal) e os grupos Boukdir (de Marrocos) e Troupe Chelbi (da Tunísia). Espectáculos de cante alentejano e de violas campaniças, colóquios, exposições, teatro, oficinas e espectáculos de dança oriental, a inauguração do Centro de Estudos Islâmicos e do Mediterrâneo, a apresentação do Museu Virtual «À descoberta da Arte Islâmica» e a noite de Dikra (celebração islâmica aqui aberta à participação de pessoas que não professam essa religião) completam a programação deste festival. Mais informações aqui.
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28 dezembro, 2006
Cromos Raízes e Antenas VIII

Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo VIII.1 - GAC - Vozes na Luta

O Grupo de Acção Cultural (GAC) - Vozes na Luta é um exemplo único em Portugal de uma alargada formação musical - chegou a contar com 60 elementos - ao mesmo tempo fortemente empenhada politicamente (o grupo estava conotado com a UDP) e com uma ligação às raízes tradicionais indelével. Formado em 1974, pouco depois da Revolução de Abril, por José Mário Branco, o GAC teve nas suas fileiras e ainda numa fase embrionária, José Afonso e Fausto, mas foi sob a liderança de José Mário Branco (que compôs muitas das canções do GAC) e o empenhamento de vários músicos e muitos cantores recrutados em coros da zona de Lisboa que o GAC traçou boa parte da sua importantíssima carreira na canção de intervenção. Álbuns obrigatórios, se se conseguirem encontrar, em qualquer discoteca básica da música portuguesa (e não só a popular ou a de intervenção): «A Cantiga é Uma Arma», «Pois Canté!!», «E Vira Bom» e «Ronda da Alegria». Há muitos anos que se espera a sua reedição em CD.
Cromo VIII.2 - Emmylou Harris

Emmylou Harris (nascida a 2 de Abril de 1947, no Alabama, Estados Unidos) é talvez a cantora mais importante da country norte-americana das últimas décadas. Com uma voz única e maravilhosa, Emmylou tem uma respeitadíssima carreira a solo (ela é também compositora de muitas das canções que interpreta) e colaborou ao longo das últimas três décadas com nomes tão variados como Gram Parsons, Neil Young, Bob Dylan, Dolly Parton, Mark Knopfler, Linda Ronstadt, Willie Nelson ou gente mais nova que a venera como a uma Deusa: Conor Oberst (aka Bright Eyes) ou Ryan Adams. O seu álbum de estreia, «Gliding Bird», foi editado em 1970, e muitos outros se seguiriam, numa trajectória pessoal e artística imparável. Álbuns aconselhados: «Blue Kentucky Girl», «Roses in The Snow», «Trio» (com Linda Ronstadt e Dolly Parton), «Bluebird» e, principalmente, «Wrecking Ball», disco edtado em 1995, com produção de Daniel Lanois, em que Emmylou canta temas de Neil Young, Jimi Hendrix e Steve Earle, entre outros.
Cromo VIII.3 - Baba Zula

A música turca está cheia de bons exemplos de fusão entre os sons locais e outras formas musicais (de Mercan Dede aos Oojami), mas foram os Baba Zula os primeiros a expandir globalmente essa fusão. No seu caso, uma mistura explosiva de música tradicional turca (incluindo o sempre excitante piscar de olho à dança do ventre), rock, electrónicas, reggae e dub. O álbum de estreia, «Tabutta Rovasata», foi editado em 1996, seguindo-se «3 Oyundan 17 Muzik», «Psyche-belly Dance Music», «Duble Oryantal» (estes dois produzidos pelo mestre do dub Mad Professor), «Dondurmam Gaymak» (banda-sonora) e o mais recente «Roots», este último uma homenagem a dois dos mais emblemáticos instrumentos tradicionais turcos, o saz e as colheres de madeira (usadas como percussões). Entre os colaboradores dos Baba Zula contaram-se, ao longo dos anos, gente do calibre de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare (a secção-rítmica maravilha da Jamaica), Alexander Hacke (dos Einsturzende Neubauten) ou a diva turca da ópera Semiha Berksoy.
Cromo VIII.4 - Issa Bagayogo

Cantor e músico maliano, Issa Bagayogo é um dos mais importantes nomes da África Ocidental a fundir sons de raiz com outras músicas, nomeadamente com programações electrónicas. Fazendo-se acompanhar pelo seu característico kamele n'goni (que parece uma kora mas não o é: o kamele n'goni tem apenas seis cordas e é característico da música de Wassoulou, no sul do Mali), Bagayogo canta a terra, a paz e a amizade sem nunca esquecer as suas origens camponesas, em Korin. As suas primeiras gravações foram feitas em Bamako, no início dos anos 90, sem grande sucesso, o que o obrigou a conduzir autocarros durante algum tempo. Mas no final dos anos 90, finalmente, a sua estrela começa a brilhar. Em 1999 sai o álbum «Sya», um grande sucesso no Mali, seguindo-se depois três álbuns que o lançaram ao mundo: «Timbuktu», «TassouMaKan» e «Mali Koura».
11 julho, 2006
Híbridos (Recuperados a 2004)

Recuperação de mais um texto publicado na secção World Extra do BLITZ, este de Julho de 2004...
WORLD EXTRA
A história é conhecida: David Byrne defende que a «world music» não existe, sendo apenas uma prateleira nas discotecas ou uma secção nos jornais, existindo, isso sim, milhares de géneros musicais locais ou regionais. Byrne tem razão e, mais, com um bocadinho de esforço, na mal-chamada world music podem também entrar híbridos absolutos como esta selecção que aqui segue...
Híbrido 1: os londrinos Oi Va Voi editaram há alguns meses o seu álbum de estreia, «Laughter Through Tears» (Outcaste), um exemplo quase perfeito de cruzamento da tradição - klezmer, neste caso - com outras sonoridades como o trip-hop, a pop, o drum'n'bass, a música árabe, o flamenco e o reggae mesclado com música cigana dos Balcãs (numa colaboração com Earl Zinger, aka Rob Gallagher, dos Galliano). Mas sempre com os dois pés bem assentes na tradição mesmo que o corpo voe, depois, noutras direcções. E com a colaboração preciosa da cantora escocesa KT Tunstall e de Sevara Nazarkhan, do Usbequistão. (8/10)
Híbrido 2: Já com alguns anos de existência, os latinos baseados em Los Angeles, Estados Unidos, Ozomatli (na foto) editam agora o seu terceiro álbum, «Street Signs» (Real World, EMI), uma fusão quase sempre bem conseguida de funk, hip-hop, música gnawa marroquina, rai argelino, ragas indianas, reggae, heavy-metal, salsa, mariachi, samba-scratch e tudo o mais que eles queiram atirar para o caldeirão. Cantado em espanhol e inglês, este álbum é uma boa surpresa world - ?? - deste ano. (7/10)
Híbrido 3: E que tal um grupo pop turco - e que, à pop, juntava de facto a música turca e a música árabe e o rai, pelo menos no álbum «UC Oyundan Onyedi Muzik» - e que, na sua mais recente aventura, «Psychebelly Dance Music» (Doublemoon) decide acrescentar ao cocktail ainda mais um ingrediente, o produtor Mad Professor (colaborador dos Massive Attack, Lee Scratch Perry e Sly Dunbar & Robbie Shakespeare, entre muitos outros)? Foi isso o que fizeram os Baba Zula e o resultado é delicioso (embora por vezes um pouco repetitivo): música e vozes turcas afogadas numa sopa dub, reggae, drum'n'bass, até surf-music (!), o que for preciso, mas sempre hipnótica e dançante. Dança do ventre psicadélica?... Sim. (7/10)
Híbrido 4: E falando em psicadelismo... Depois de «The Radio Tisdas Sessions» (de 2001), os tuaregues do Mali - com passagem pelos campos de refugiados líbios - Tinariwen estão de volta com um novo e excelente álbum, «Amassakoul» (Emma Productions/Triban Union/Megamúsica). Aqui, os «tuaregues em guitarras eléctricas» liderados por Ibrahim Ag Alhabib - que fundou o grupo em 1979 - misturam com sabedoria as sonoridades tradicionais tuaregues, mandingas, gnawas e árabes com os ensinamentos de gente como Muddy Waters, Jimi Hendrix, Jefferson Airplane e Grateful Dead. É música africana das «margens» do deserto do Sahara, sim, mas infectada com blues, psicadelismo e acid-rock em doses suficientes para que estas guitarras - e estas fabulosas vozes masculinas e femininas que cantam manifestos políticos - pareçam saídas não de África nem dos Estados Unidos (pelons sons paralelos) mas de um outro planeta qualquer. (9/10)
Híbrido 5: E, agora, que tal tentar juntar num mesmo projecto duas das correntes musicais mais dançáveis do mundo? Não, não estou a falar de tecno nem de trance... Estou a falar da música de dança cubana (e de outros locais das Caraíbas) e de música de dança das nações «celtas»: Irlanda, Escócia, Gales... Quer dizer, dos escoceses Salsa Celtica, que no seu segundo álbum, «El Agua de La Vida» (Greentrax) - o primeiro tinha sido «Demonios, Angels and Lovers» - misturam com arte e alegria as cumbias, salsas e merengues caribenhos com jigs e reels, tudo embrulhado em arranjos luxuosos que poderiam ter saído da era de ouro do swing norte-americano. E quando uma gaita-de-foles paira sobre percussões afro-cubanas e se funde, depois, com uma secção de metais quente e tropicalíssima, o pé só pode fugir mesmo para uma pista de dança ideal e imaginária - aquela em que todos os sons do planeta teriam lugar. (8/10)
Híbrido 6: Depois de dois concertos fabulosos em Portugal - na Tenda Raízes do Rock In Rio-Lisboa e em Aveiro -, os espanhóis Amparanoia, liderados pela vocalista e compositora Amparo Sanchez, tem agora o «best of» «Rebeldia Con Alegria» (EMI) disponível em Portugal. E é um disco muito, mas muito bom, apesar de não tanto quanto os espectáculos. Apesar de não serem de Barcelona, os Amparanoia inscrevem-se na escola de Manu Chao, Ojos de Brujo, Macaco, etc, incorporando elementos ocidentais (funk, hip-hop, jazz...), de muitos outros lugares (Caraíbas, Balcãs, Marrocos, Brasil, México, etc, etc.) e letras - em várias línguas - feministas e politicamente activas. Um momento brilhante, entre outros: «Don't Leave Me Now», com os Calexico. (8/10)
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