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05 junho, 2012

MED de Loulé 2012 - Também Meia-Dúzia!

Este blog, hoje, joga sempre à melhor de seis. Depois de meia-dúzia de nomes novos confirmados para o FMM de Sines, é a vez de o MED de Loulé também avançar com mais seis grupos/artistas/projectos -- entre os quais Jamaican Legends, onde se inclui a maravilhosa dupla rítmica Sly Dunbar/Robbie Shakespeare (na foto) -- que aterram no Algarve em finais de Junho: «Festival MED 2012 – 29 e 30 de Junho Novos nomes confirmados no Festival MED 2012 JAMAICAN LEGENDS com Ernest Ranglin, Monty Alexander e Sly & Robbie, BOUBACAR TRAORÉ, PAUS, Cheikh Lô, Throes + The Shine e A Caruma são os novos nomes confirmados para a próxima edição do Festival Med Loulé, 05 de junho de 2012 – Juntam-se hoje aos artistas já confirmados mais seis nomes para a 9ª edição do Festival Med, um dos mais conceituados eventos de World Music realizado no nosso País. A 29 e 30 de junho o centro histórico da cidade de Loulé transforma-se num palco de sons, sabores, experiências culturais e expressões artísticas dos quatro cantos do mundo. JAMAICAN LEGENDS com Ernest Ranglin, Monty Alexander e Sly & Robbie, BOUBACAR TRAORÉ, PAUS, Cheikh Lô, Throes + The Shine e A Caruma, juntam-se aos Já confirmados A Curva da Cintura com Arnaldo Antunes, Toumani Diabaté e Edgard Scandurra, SMOD, Sany Pitbull, A Jigsaw e Norberto Lobo. A atuação de JAMAICAN LEGENDS com Ernest Ranglin, Monty Alexander e Sly & Robbie é um daqueles momentos explosivos que não se pode perder na próxima edição do Med. Esta união que reúne em palco três grandes mestres de World Music tem como objetivo celebrar o 50º aniversário da independência da Jamaica. Numa digressão mundial, que terá lugar apenas este ano, o trio promete aquecer os palcos com a exploração de variadas vertentes do reggae. Este espetáculo único terá lugar dia 30 de junho no palco Matriz. Neste mesmo dia sobe ao palco Cerca o incontornável artista do blues africano, BOUBACAR TRAORÉ. O cantor, compositor e guitarrista malinense desenvolveu um estilo único e inimitável, profundamente inspirado no som do kora. Para além destas influências os seus temas levam-nos para sonoridades e letras que lembram alguns grandes bluesmen americanos como Blind Willie McTell, Robert Johnson e Muddy Waters. Este será com certeza um dos momentos fortes do festival. Cheikh Lô, singular cantor, compositor guitarrista, percussionista e baterista senegalês, considerado por muitos como um dos mais brilhantes músicos africanos das últimas duas décadas, irá atuar dia 29 de junho no palco Matriz. Através da sua voz quente chegam-nos influências de África Ocidental e Central, como o Mbalakh, incorporado com ritmos cubanos, reggae, música brasileira, entre várias outras fusões. Os PAUS são mais um dos nomes nacionais confirmados para a 9ª edição do Festival, Med. Este surpreendente quarteto que reúne quatro grandes artistas portugueses, Joaquim Albergaria, Hélio Morais, Makoto Yagyu e João Pereira, vai apresentar o seu álbum de estreia em Loulé no dia 29 de junho, no palco Cerca. A atuação deste inovador projeto promete impressionar o público com o surpreendente som da bateira siamesa com que se apresenta. Rockuduro é o rebento primogénito, fruto da união de facto entre o rock de um power-duo portuense (os Throes) e a energia debitada sem trepidez de uns angolanos com pêlos nas guelras (The Shine). Marco Castro, Diron, André do Poster e Igor Domingues já partilharam palcos com grandes músicos como Battles, HEALTH, Spoek ou Mathambo e preparam-se agora para surpreender o mundo com os seus ritmos de festa. O encontro destes dois projetos, Throes + The Shine, é para ser presenciado dia 29 de junho no palco Castelo. Já no dia 30 de junho o palco Cerca vai ser invadido pela alegria contagiante do pop-marialva traçada a tinto fanfarra com tiques à Emir Kusturica da banda portuguesa A Caruma. Rui Costa (Silence 4, Filarmónica Gil), Carlos Martins (Umpletrue, The Clits, Annette Blade), Pedro Santos (Silence 4, Filarmónica Gil), José Carlos (Dapunksportif, Umpletrue) e ainda a emergente Ana Santo na voz secundária, são os membros que compões esta banda oriunda da Marinha Grande. Através da utilização de um português escolhido a dedo entre o rico léxico da língua portuguesa, os seus temas irónicos, reativos e provocadores prometem conquistar o público do Med. Os bilhetes já se encontram à venda no Cine–Teatro Louletano e na FNAC do Algarve Shopping. O bilhete diário custa 12,00 €.

07 abril, 2011

Cheikh Lô, Le Trio Joubran e Mama Rosin no FMM Sines


E mais três de uma vez:

"As três novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011 são provenientes do Senegal, da Palestina e da Suíça.

CHEIKH LÔ (Senegal)

Considerado um dos músicos africanos mais importantes das últimas duas décadas, Cheikh Lô actua no Castelo de Sines no dia 22 de Julho. Nascido em 1955, numa cidade do Burkina Faso junto ao Mali, Lô é senegalês, mas domina toda a cultura musical da África Ocidental e Central. Cantor, guitarrista e compositor de excelência, começou a carreira como percussionista, primeiro em África e depois em França, onde passou alguns anos na década de 80. De volta ao Senegal, editou uma cassete, “Doxademe” (1990), com canções sobre a emigração, mas foi “Ne La Thiass” (1996), produzido por Youssou N’Dour, que fez dele uma estrela. Seguiram-se “Bambay Gueej” (1999), “Lamp Fall” (2005) e “Jamm”, um dos grandes discos de 2010. Na sua voz, o mbalax mais tradicional surge suavizado através de um maior uso acústico e da incorporação de ritmos cubanos, reggae, música brasileira e influências de outras origens.

LE TRIO JOUBRAN (Palestina)

Filhos de uma família palestina com quatro gerações de fabricantes e tocadores de alaúde, Samir, Wissam e Adnan Joubran (na foto) expandem o potencial deste instrumento, conferindo-lhe em trio novas dimensões de harmonia e sincronização. A história do grupo, de que também faz parte o percussionista Youssef Hbeisch, teve início quando o irmão mais velho, Samir, começou uma carreira a solo, com dois discos gravados, em 1996 e 2001. No terceiro álbum, “Tamaas” (2003), Samir pediu ao irmão Wissam para tocar com ele. O irmão mais novo, Adnan, juntou-se a eles para “Randana”, gravado em 2005, nascimento em disco do primeiro trio de alaúdes conhecido no mundo. Seguiram-se “Majâz” (2007), o disco que os tornou conhecidos do público internacional, “À l’Ombre des Mots” (2009) e “AsFâr” (2011). O repertório do grupo, composto por peças originais e improvisações, funda-se na cultura dos maqâms tradicionais. Actuam no Castelo de Sines no mesmo dia que Cheikh Lô, 22 de Julho.


MAMA ROSIN (Suíça)

Originário de Genebra, o trio suíço Mama Rosin reinventa o zydeco, estilo de música de dança nascido há dois séculos no seio da comunidade crioula negra do Luisiana. Formado por Cyril Yeterian (acordeão diatónico, voz, guitarra), Robin Girod (guitarra, banjo, “washboard” e voz) e Xavier “Gérard Guilain” Bray (bateria), o grupo funde o rock n’ roll mais enérgico ao manancial de música norte-americana com raízes na cultura de língua francesa. Elegem como grandes influências Amede Ardoin, lendário tocador de concertina dos anos 1920 e 1930, mas também bandas como Velvet Underground, The Clash e White Stripes. Gravaram o primeiro disco, “Tu As Perdu Ton Chemin”, em 2008, e “Brûle Lentement”, em 2009. “Black Robert”, editado também em 2009, acrescentou o jazz e o calypso como ingredientes desta música festiva. Lançam, muito em breve, o seu quarto disco. Mama Rosin sobe ao palco do Castelo no dia 27 de Julho.

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Além dos nomes divulgados nesta nota, estão também já confirmados, entre os 35 concertos previstos, os seguintes artistas: Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia), Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão – Índia), Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana), Mário Lúcio (Cabo Verde), Mamer (China), António Zambujo (Portugal), Blitz the Ambassador (Gana / EUA), Ayarkhaan (República da Iacútia – Rússia), Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão), Luísa Maita (Brasil), Mercedes Peón (Galiza – Espanha), Manou Gallo & Women Band (Costa do Marfim / Bélgica), Nomfusi & The Lucky Charms (África do Sul) e Nathalie Natiembé (Ilha Reunião – França).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines."

22 fevereiro, 2011

É Senegal... Ninguém Leva a Maal!


O trocadilho é desculpável... Porque vem aí o Carnaval, mas ainda muito mais importante do que isso é a música do... Senegal!!! Aqui, para si e mais uma vez em textos recuperados do arquivo da "Time Out", apresentamos os álbuns mais recentes dos senhores Carlou D, Baaba Maal (na foto), Nuru Kane e Cheikh Lô.


Cheikh Lô
"Jamm"
World Circuit/Megamúsica

O senegalês Cheikh Lô é, possivelmente, um dos cantores e músicos africanos que mais géneros usa, sem limites nem fronteiras, no seu incansável trabalho de congregador de diferentes sonoridades: mbalax do Senegal, highlife do Gana, rumba congolesa, reggae, blues, jazz, funk, flamenco e muitos outros géneros convivem harmoniosamente na sua música, uma música que nunca esquece no entanto de onde vem e quais são os seus pilares. Por exemplo, no seu novo álbum, "Jamm", Cheikh Lô faz uma versão maravilhosa de “Il N'Est Jamais Trop Tard” uma das poucas canções que não é cantada em wolof, ao lado de um tema também em francês e outro parcialmente interpretado em espanhol), um clássico com quase 50 anos dos Bembeya Jazz National. E o resto das canções, por ele compostas, trazem também esse ou outros lastros brilhantes. (*****)



Baaba Maal
"Television"
Palm Pictures

Príncipe da música senegalesa (o rei é Youssou N'Dour!) e do mbalax na sua forma mais moderna, vanguardista e excitante – porque também há um mbalax apimbalhado e esse até é melhor... não conhecer -, Baaba Maal está de regresso com mais um excelente álbum. Com o apoio do produtor Barry Reinolds e dois dos Brazilian Girls – o teclista Didi Gutman e a vocalista Sabina Sciubba -, que dão parte da base instrumental, para além de Sabina ajudar bastante nos coros e voz dialogante, "Television" está muito longe de ser um álbum de música tradicional africana. Nele está lá a voz de Maal (a cantar em pulaar) e as percussões tradicionais mas também flamenco, trip-hop, música irlandesa, guitarras indie-rock ou tecno, tudo irmanado numa grande festa global, tal como celebrada na canção “International”. (****)


Carlou D
"Muzikr"
World Village/Harmonia Mundi

Saído de um dos mais conhecidos e respeitados grupos de hip-hop africanos, os Positive Black Soul, o senegalês Carlou D assina agora um extraordinário álbum a solo em que o hip-hop surge, musicalmente, apenas a espaços – embora a sua influência seja decisiva, isso sim, nas letras (muitas delas de características interventivas e assombradas pela fé Baye Fall, já que Carlou é um dos seguidores do Cheikh Ibra Fall). De resto, este é um disco em que Carlou D canta e mergulha de cabeça na tradição da música mandinga (há aqui uma kora e uns balafons quase sempre), nos blues, em aproximações à música árabe ou ao reggae, no jazz e na soul. "Muzikr" é um álbum absolutamente surpreendente e imediatamente candidato a um dos melhores do ano. (*****)


Nuru Kane
"Number One Bus"
Iris Music/Harmonia Mundi

Segundo álbum do senegalês Nuru Kane, "Number One Bus" é a continuação natural de "Sigil",mas agora com um grau de verdade e sofisticação – embora uma sofisticação que passa mais pela simplicidade de processos do que por um “abarrocamento” das harmonias – muito superior ao do primeiro. De resto, está tudo lá: a luta política, a fé Baye Fall, o mbalax, a sua paixão pela música gnawa desenvolvida na Argélia (Kane, para além de guitarra e baixo, também toca guimbri e no seu grupo BFG há vários músicos do norte de África), os blues, a pop e o rock, o reggae... E, apesar de "Number One Bus" ser um álbum variado e em que cada tema tem o seu lugar, sente-se que todas estas influências estão agora incrivelmente bem digeridas. (*****)

12 dezembro, 2007

U2 - Um Tributo Africano!


Agora que passam vinte anos sobre a edição de «The Joshua Tree» - o álbum em que os U2 (na foto, de Anton Corbijn) vão em busca das raízes negras e africanas do rock (os blues e o gospel) e em que na poesia de Bono passa a ter lugar uma reflexão continuada sobre as questões do chamado Terceiro Mundo -, data assinalada com a remasterização e várias reedições luxuosas desse álbum, chega também a notícia - via, mais uma vez, Crónicas da Terra - de que vários artistas africanos vão lançar um álbum só com versões de temas da banda irlandesa. O álbum, «In The Name Of Love: Africa Celebrates U2», é uma edição da Shout! Factory e parte da receita angariada com a sua venda reverterá para a Global Fund. Com edição prevista para Abril de 2008, no disco participam alguns dos maiores nomes - consagrados ou emergentes - da música africana: Angélique Kidjo («Mysterious Ways»), Vieux Farka Touré («Bullet The Blue Sky»), Ba Cissoko («Sunday Bloody Sunday»), Vusi Mahlasela («Sometimes You Can't Make It On Your Own»), Tony Allen («Where The Streets Have No Name»), Cheikh Lô («I Still Haven't Found What I'm Looking For»), Keziah Jones («One»), Les Nubians («With Or Without You»), Soweto Gospel Choir («Pride [In The Name Of Love]»), Sierra Leone's Refugee All Stars («Seconds»), African Underground All-Stars («Desire») e Waldemar Bastos («Love Is Blindness»). Promete!

27 setembro, 2006

World Circuit - Vinte Anos de Encantamento


Há algum tempo, a propósito de «Savane», de Ali Farka Touré, referi que mais dia menos dia iriam aparecer gravações inéditas do génio do Mali... Pois elas aí estão, na colectânea «World Circuit Presents...» - com edição marcada para meados de Outubro -, comemorativa dos 20 anos desta importante editora de world music, que deu a conhecer a muita gente a arte de Ali Farka, dos músicos cubanos recuperados no projecto Buena Vista Social Club (na foto), de Oumou Sangare, Toumani Diabaté, Sierra Maestra e Afel Bocoum, entre muitos outros...


VÁRIOS
«WORLD CIRCUIT PRESENTS...»
World Circuit/Megamúsica

Se não fosse pelo resto - que é muito -, esta colectânea já valeria pelos dois autênticos rebuçados a derreterem-se na boca dos fãs de Ali Farka Touré que são a versão ao vivo de «Amandrai» (oito minutos de encantamento puro; Jimi Hendrix em abençoados drunfos em vez de coca...) e um inédito absoluto, outtake das sessões de gravação de «In The Heart of The Moon» com Toumani Diabaté, o tema «Du Du» (com uma kora fadista de Toumani e uma guitarra de Ali Farka em círculos e pontilhismos minimais...). Mas «World Circuit Presents...», disco-duplo, tem ainda outros inéditos que os coleccionadores agradecem: um avanço do álbum dos quenianos Shirati Jazz que vem aí, um inédito do mestre do gnawa Mustapha Baqbou, outro da cantora mauritana Dimi Mint Abba e uma gravação «no terreno» de Afel Bocoum (com uma guitarra mágica e grilos ao fundo...). E temas emblemáticos - embora não inéditos - de artistas da World Circuit estão também no rol. Temas do colectivo Buena Vista Social Club, Cheick Lô, Radio Tarifa, Afro Cuban All Stars, Abdel Gadir Salim, Oumou Sangare, Toumani Diabaté's Symmetric Orchestra, Ali Farka Touré com Ry Cooder, Orchestra Baobab e Los Zafiros, para além de algumas pérolas do fundo de catálogo da editora: temas do cubano Ñico Saquito, do trompetista argelino Bellemou Messaoud ou do grupo vocal Black Umfolosi, do Zimbabwe.

A World Circuit - liderada por Nick Gold, que tem no fantástico engenheiro-de-som Jerry Boys o seu braço-direito - começou por ser uma pequena agência de concertos. Mas quando cresceu como editora fê-lo de uma forma honesta e límpida, dando sempre aos músicos contratados excelentes condições de gravação, patrocinando parcerias frutuosas com outros produtores e músicos (Ry Cooder, Pee-Wee Ellis, Youssou N'Dour...) e abrindo-lhes, muitas vezes, as portas para digressões de sucesso em todo o mundo. Dar os parabéns à World Circuit é pouco. (8/10)

07 julho, 2006

Cacharolete de Discos


Ainda à boleia de Lila Downs, aqui ficam algumas críticas de discos («La Cantina», o mais recente de Lila Downs, e também La Chicana - na foto -, Emmanuel Jal & Abdel Gadir Salim, Cheikh Lô e os irlandeses Clannad) publicadas originalmente no BLITZ há alguns meses...

LILA DOWNS
«LA CANTINA»
Narada/EMI

Belas canções rancheras mexicanas, entre a alegria e a tristeza. Só a electricidade está a mais.

O novo álbum da cantora e compositora mexicana Lila Downs, «La Cantina – Entre Copa y Copa...», é um excelente exemplo daquilo que a chamada world music tem de melhor e, em alguns temas (felizmente poucos), de pior. Logo a abrir, «La Cumbia del Mole», é uma canção alegre e lindíssima, que fala de culinária (!), com cavaquinhos e acordeão, mas lá para a frente há um solo de guitarra eléctrica à la Carlos Santana que só estraga o conjunto. Mas o álbum continua bem, sempre bem. Há uma canção sobre casas de alterne na fronteira do México com os Estados Unidos (entre o disco-sound e o cajun), outra – lindíssima - sobre as feiticeiras índias («Agua de Rosas») e muitas versões de temas de José Alfredo Jiménez, um dos mitos da canção ranchera dos anos 50. Canção ranchera que fala de amores fatais e muito álcool (tequilla, pois...) e que está, muitas vezes, próxima – pelo menos aqui, nas versões de Lila Downs – da música árabe, do son cubano, do fado, do flamenco, da morna. Mesmo que, lá pelo meio, se enfiem a espaços, momentos de voz com flow de hip-hop, o clarinete klezmer de Paul Cohen (marido de Lila Downs) ou uma pulsão de baixo funk. O pior, sempre que aparecem, são mesmo os solos de guitarra eléctrica. Principalmente porque aquilo resulta sempre melhor quando está mais próximo da «verdade», como no tema mariachi «El Relámpago» ou num espantoso tema interpretado a capella por Lila Downs e os seus músicos (aqui só em voz, claro), «Yo Ya Me Voy» (uma canção polifónica que faz, estranhamente, lembrar o cante alentejano e os cantos polifónicos da Córsega). (8/10)

EMMANUEL JAL & ABDEL GADIR SALIM
«CEASEFIRE»
Riverboat/World Music Network/Megamúsica

A música nunca fez a paz. Mas pode contribuir decisivamente para que ela aconteça...

Há muitos exemplos: a editora israelita Magda, que reúne artistas judeus e muçulmanos; o respeito e amor que o paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan sentia na Índia; o Festival au Desert, que reúne etnias anteriormente desavindas do Mali, etc, etc... E ouvir um álbum como «Ceasefire» (o título - «cessar fogo» - diz tudo!), colaboração entre o rapper do norte do Sudão Emmanuel Jal (que foi guerrilheiro quando era adolescente) e o respeitadíssimo Abdel Gadir Salim, cantor, compositor e tocador de oud, originário do sul do Sudão, é arrepiante: é ouvir o diálogo entre os dois lados até há pouco tempo em guerra, o choque entre o passado e o futuro, a África negra e o norte do país (árabe), a música tradicional e as electrónicas ocidentais, com o hip-hop bem presente. Paz! (8/10)


LA CHICANA
«CANCIÓN LLORADA»
Galileo/Megamúsica

Grupo argentino leva o tango para todo o lado.

Às vezes há surpresas destas: um grupo argentino com dois ou três álbuns editados no seu país, começa agora a lançar-se na Europa reunindo muitos dos temas do seus dois primeiros discos (Ayer Hoy era Mañana e Un Giro Extraño) num único álbum, Canción Llorada, juntando-lhe ainda alguns inéditos, uma versão de um tema de Tom Waits («Frank’s Wild Years» aqui rebaptizado «Los Años de Joda de Aníbal»), convida o extraordinário acordeonista Chango Spasiuk para lhes dar uma mãozinha fugaz e... surpreendem-nos com um álbum onde há tango, sim, do melhor tango, mas também valsas, milongas, chamames (olá Spasiuk), cheirinhos a Brasil (com um forró delicioso), África (andam kissanges em «Imposible») e Portugal – a guitarra portuguesa surge várias vezes nas mãos de Acho Estol (o principal compositor do grupo). Há sangue e risos, lágrimas e dança. E a voz fabulosa de Dolores Solá. (8/10)


CHEIKH LÔ
«LAMP FALL»
World Circuit/Megamúsica

Cantor senegalês em viagem pelo mundo.

Cheikh Lô – cantor senegalês (de pais senegaleses e radicado há muitos anos no Senegal, apesar de ter nascido no Burkina-Faso) que se deu a conhecer, em meados dos anos 90, com uma curiosa e atraente fusão de mbalax, funk, reggae e soukou – está de regresso, ao fim de cinco anos sem nenhum disco de originais editado, com um novo álbum em que as fronteiras da sua música são ainda mais alargadas. Em «Lamp Fall» há lugar para o jazz-funk de sabor afro e com uma fabulosa talking-drum a pairar lá atrás (o tema-título) e aproximações às baterias de samba (no absolutamente dançável «Sénégal-Brésil»), à música árabe («Zikroulah») ou às guajiras, sem deixar de lado um reggae fresquinho fresquinho (cf. em «Bamba Mô Woor»), o mbalax ou a repescagem das rumbas que fizeram parte da sua escola musical na juventude. (7/10)


CLANNAD
«LIVE IN CONCERT»
MDM/Keltia Musique/Megamúsica

Música irlandesa «light» e ao vivo.

O segredo do sucesso dos Clannad (como, de certa maneira, do sucesso de Enya, que é irmã de Maire e Ciaran Brennan e passou em tempos pelos Clannad) é também o motivo de menor aceitação da música da banda por parte de muitos dos «puristas» da música irlandesa: a fusão da música tradicional irlandesa («céltica», se se quiser usar o palavrão) com outros géneros mais ou menos nobres (aos olhos dos puristas do «celtismo»): o jazz, o rock, a pop, a - vileza maior entre as maiores - a new age. Certo: é verdade que os Clannad estragam muitas vezes a sua música (ou os temas tradicionais que levam para o reportório) adicionando saxofones, guitarras eléctricas, vozes convidadas assustadoras (neste álbum ao vivo, gravado em 1996, um tal Brian Kennedy substitui mal Bono no dueto com Maire Brennan de «In a Lifetime») e carpetes de sintetizadores cheios de azeite. E que são capazes de estuchas de rock sinfónico/medieval/foleiro como o «Robin of Sherwood Medley» que está neste álbum. Mas também é verdade que há momentos que ainda dão um arrepio na espinha (como as harmonias vocais do tradicional «Dulaman»ou, apesar da tal alcatifa de sintetizadores, «Theme From Harry's Game» - a canção que serviu de prefácio, no início dos anos 80, a muitos concertos dos U2). Se os Clannad servirem para que, através deles, se conheçam os Chieftains e a boa música irlandesa, já valeram a pena. (6/10)