
Os Chirgilchin - cada vez mais na linha da frente das Vozes de Tuva, a juntar aos Yat-Kha, aos Huun-Huur-Tu e à cantora Sainkho Namtchylak - regressam proximamente ao nosso país para quatro concertos durante este mês de Fevereiro: dia 22 no Cinema S. Jorge, em Lisboa, dia 23 no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, dia 24 no Theatro Circo, em Braga, e dia 26 no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra. Os Chirgilchin - que no Verão passado partilharam o palco com Laurie Anderson no Castelo de Montemor-o-Velho - são exímios na ancestral técnica vocal de Tuva, província russa da Sibéria que faz fronteira com a Mongólia, o «throat-singing» (que traduzido à letra significa «canto de garganta» mas que, mais bem explicadinho, pode ser traduzido por «canto difónico», «canto bitonal» ou «canto politónico»: a produção simultânea de duas emissões vocais, com uma nota fundamental vinda das cordas vocais como bordão, uma segunda nota e a melodia produzida pelas suas séries de harmónicos). No caso dos Chirgilchin, este grupo desenvolve cinco variantes diferentes do «throat singing», incluindo a sua mais famosa forma, o khoomei, sempre acompanhadas por instrumentos artesanais da sua região. Estão muito mais próximos da tradição do que os seus conterrâneos Yat-Kha (variante punk) e Sainkho (variante electrónica/experimental) mas são, também por isso, um bom pretexto para conhecer esta arte milenar.

