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15 outubro, 2007

Corvus Corax - A Idade Média Como Nunca Se Ouviu


Senhores - e aqui a palavra «senhores» até ganha, digamos, outro peso - de um culto igualmente repartido entre os fãs de folk europeia, da comunidade metálica e de algumas franjas da corrente gótica, os alemães Corvus Corax vêm a Portugal para concertos em Corroios (Cine-Teatro; dia 16 de Novembro) e em Coimbra (Centro Norton de Matos; dia 17), havendo ainda um outro concerto sujeito a confirmação, dia 15, em Espinho; sempre com primeira parte do duo húngaro The Moon and the Nightspirit. Os Corvus Corax - cujo álbum «Venus Vina Musica» foi referido há alguns meses na secção de críticas deste blog - são uma curiosíssima banda que, usando apenas instrumentos acústicos (gaitas-de-foles, sanfonas, alaúdes, saltério, harpa, violino e muitas percussões), fazem uma música que vai buscar a sua inspiração maior à música medieval, do canto gregoriano às danças de festas pagãs e às canções de menestréis, mas trazendo-a para a modernidade, muitas vezes com uma energia próxima do punk e uma técnica apurada que os aproxima do doom-metal. Já os The Moon and the Nightspirit são um duo húngaro formado por Agnes Toth (voz, violino, flautas, berimbau e percussões) e Mihaly Szabo (voz, guitarra acústica, saltério e percussões) que, segundo a sua página do myspace, faz uma música inspirada em «fábulas pagãs, a antiga música tradicional húngara e a natureza».

01 novembro, 2006

Flogging Molly, Corvus Corax e Finntroll - Quando a Folk É Mesmo Rock (e Vice-Versa)


Exemplos bastante curiosos do cruzamento de linguagens folk com alguns géneros mais extremos do rock (desde o punk ao death-metal) são estes três grupos de que falo aqui: os punks Flogging Molly e, na área do metal, os Corvus Corax (na foto) e os Finntroll. Ou quando o mosh, o pogo e o stage-diving podem alternar com jigs, polskas e até música medieval...


FLOGGING MOLLY
«WITHIN A MILE OF HOME»
SideOneDummy

Abençoados Pogues que tantas sementes deitaram à terra e em tantos países do mundo... Septeto liderado pelo irlandês Dave King, os norte-americanos (de Los Angeles) Flogging Molly são mais um muito bom exemplo de como o punk mais visceral e agressivo pode servir de fato feito à medida para jigs e reels, canções de piratas, cajun («Tomorrow Comes a Day Too Soon», com um acordeão a levar a canção directamente para os pântanos do sul dos Estados Unidos), baladas («The Spoken Wheel», «Don't Let Me Die Still Wondering») e até uma excelente aproximação à country («Factory Girls», com a colaboração da enormíssima Lucinda Williams). E muitas delas com letras de forte pendor político (contra a intervenção norte-americana no Iraque, por exemplo). Menos violentos que os Dropkick Murphys e sem serem tão delirantes e inventivos quanto os Black 47, os Flogging Molly têm os Pogues como referência máxima, claro, mas também bebem (não é piada!) nos Waterboys, na fase «céltica» dos Dexys Midnight Runners e, claro, na escola centenária de riquíssimas melodias irlandesas e escocesas. (8/10)


CORVUS CORAX
«VENUS VINA MUSICA»
Noir Records

É isto que é tão bonito na música: poder usar todas as músicas e mais algumas para criar novas músicas. Os alemães Corvus Corax misturam com saber música medieval (desde canções de menestréis franceses até qualquer coisa muito próxima do canto gregoriano - e não, não têm nada a ver com os Il Divo!), folk «céltica», música árabe, doom-metal e punk, tudo em boas proporções, usando gaitas-de-foles, sanfonas, alaúdes, saltério, harpa, violino e um carregamento inteiro de percussões. Umas vezes mais violentos, outras mais épicos, outras ainda mais melancólicos e paisagísticos, os Corvus Corax (nome científico do corvo) fazem por vezes lembrar os Dead Can Dance, as aproximações à folk dos Led Zeppelin, os Hedningarna ou os L'Ham de Foc, mas têm quase sempre um estilo único e fortemente personalizado. A banda - composta por sete músicos e cantores, exímios executantes dos seus instrumentos; neste álbum com a adição de dois convidados em violino e harpa céltica - nasceu em finais dos anos 80, tem reputação de assinar excelentes espectáculos e a música que fazem, repete-se, é quase sempre muito boa. (8/10)


FINNTROLL
«NATTFODD»
Spikefarm Records

Tenho muito mais dificuldade em falar de «Nattfodd», dos Finntroll, do que dos dois álbuns anteriores. As áreas mais extremas do metal - como o black-metal e o death-metal... - são-me praticamente desconhecidas e, confesso, tive tendência a saltar partes deste álbum (as das guitarras mais duras e assustadoras, as dos berros guturais...) para chegar às partes, e estas são muitas, imensas, em que os finlandeses Finntroll entram a sério, e bem, pelas humppas e polskas tradicionais escandinavas (das quais os Hedningarna também usam e abusam) e maravilhar-me como eles conseguem fazer isto tão bem e sem que o resultado seja alguma vez ridículo ou mal conseguido. E, apesar de haver muitos projectos folk que, de vez em quando, se atrevem a ir ao metal, não conheço muitos mais casos em que a fusão seja permanente ou tão bem conseguida como nestes Finntroll. Nascidos em 1997, pela mão de Somnium (ex-Impaled Nazarene, uma das bandas de ponta do black-metal nórdico), os Finntroll fazem-me delirar e imaginar malhões, viras e corridinhos armados com guitarras a abrir e em distorção (ok, os Uxu Kalhus também são capazes de fazer isto, mas não é a mesma coisa...) ou os meus amigos António Freitas e José Rodrigues aos pulos no Andanças. (7/10)