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06 agosto, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXIV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXIV.1 - Crioulo




É comum ler-se ou saber-se que um determinado artista «canta em crioulo». Mas qual crioulo? E que raio é isso da língua crioula?... A verdade é que há muitos crioulos - estão identificados e estudados cerca de 80 - e que o «crioulo» está espalhado por vários continentes. Historicamente, o primeiro crioulo identificado como tal foi a chamada «língua franca», baseada no italiano e falada pelos Cruzados na Idade Média. Mas, depois disso, muitos crioulos nasceram, principalmente nas zonas em que escravos africanos (ou outros) de várias origens pegaram na língua dos «senhores» e as transformaram numa língua híbrida, entendível por falantes oriundos de várias etnias. Para resumir - e apesar da complexidade do tema - digamos que, na origem, os actuais crioulos têm geralmente uma língua-base «dominante» (o inglês, o francês, o português...) e elementos de outras línguas da zona natal ou de origem dos seus falantes.


Cromo XXIV.2 - George Harrison




É agora um dado adquirido que os blues - e por arrasto, o rock - nasceram na zona mandinga de África. Assim como se percebe cada vez melhor como «outras músicas» influenciaram os primeiros tempos do rock'n'roll: da música mexicana em Ritchie Valens à música do Médio Oriente no surf-rock de Dick Dale. Mas, nos anos 60, o primeiro contacto de milhões de fãs de rock com músicas «estranhas» deu-se através dos Beatles e, mais concretamente, de George Harrison, que incluiu a sitar e a tambura indianas no som do grupo. Fascinado pela música de Ravi Shankar, George Harrison introduz a sitar na música anglo-saxónica na canção «Norwegian Wood (This Bird Has Flown)», do álbum «Rubber Soul» (1965), converte-se ao hinduísmo e arrasta os outros Beatles para a Índia. Foi ele o responsável pela presença de Shankar no festival de Monterey e o produtor do single «Hare Krishna Mantra», do London Radha Krishna Temple.


Cromo XXIV.3 - Osibisa



Muitas vezes considerados como os «padrinhos da world music», os Osibisa nasceram em 1969 em Londres, liderados pelo cantor e saxofonista ganês Teddy Osei, ladeado por mais dois músicos do Gana - Sol Amarfio (bateria) e Mac Tontoh (trompete) -, um nigeriano - o percussionista e saxofonista Lasisi Amao - e três caribenhos: Spartacus R (baixo; de Granada), Robert Bailey (teclas, de Trinidad) e Wendell Richardson (guitarras; de Antígua). Ao longo dos anos, outros músicos - como os ganeses Darko Adams Potato e Kiki Djan - passaram pela banda mas foi essa primeira formação que os lançou para a fama mundial, mercê de uma mistura explosiva e hiper-dançável de highlife, música das Caraíbas, funk, R&B e jazz. Álbuns como «Osibisa» e «Woyaya» (ambos de 1971), «Superfly TNT» e «Osibirock» (ambos de 1974) e canções como «Sunshine Day» ou «Ojah Awake» são ainda hoje clássicos abslutos. Ainda andam por aí.


Cromo XXIV.4 - The Klezmatics



A música klezmer - que tem as suas raízes remotas no séc. XV, no seio das comunidades judaicas do centro europeu, e é fixada como género na primeira metade do séc. XX - tem hoje num grupo nova-iorquino, os Klezmatics, o seu maior expoente mundial. É justo: os Klezmatics, judeus pouco ortodoxos que defendem a paz entre Israel e a Palestina, que cantam loas ao haxixe e dedicam discos a rabinos homossexuais, fazem da melhor música da actualidade, juntando a música klezmer ao jazz, ao punk, ao ska, à música árabe e, mais recentemente, à folk norte-americana, via canções de Woodie Guthrie (cf. em «Wonder Wheel», de 2006). Nascidos em 1986, em Nova Iorque, Estados Unidos, encabeçados pelo trompetista Frank London e pelo vocalista e acordeonista Lorin Sklamberg, assinaram desde aí alguns álbuns geniais, dos quais se podem destacar «Rhythm and Jews», «Possessed», «The Well» (com Chava Alberstein) e «Rise Up!».