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20 janeiro, 2010

Omiri - Vem aí o Álbum de Estreia (e alguns espectáculos)


Este blog tem andado em bolandas, abandonadito, mas regressa hoje com duas excelentes notícias e ambas envolvendo o meu amigo Tiago Pereira. Prefiro assim, notícias boas e alegres, do que dar conta da morte - para isso existem os outros meios de comunicação - de gente que eu amo, respeito e admiro há muitos anos, como são os casos (os quais já chorei em silêncio, rezando em sua memória, e são tão boas essas memórias nos dois casos!) de Lhasa de Sela e Vic Chesnutt. E a primeira das boas notícias é: "Dentro da Matriz", o álbum de estreia dos Omiri (na foto, de Mário Pires/Retorta)- música de Vasco Ribeiro Casais, manipulação vídeo em tempo real de Tiago Pereira, colaboração de Joana Negrão noutros instrumentos... - está prestes a ser lançado e inclui música absolutamente brilhante (destaque para "Malhão do Vento", com voz da eremita Né Ladeiras) e há concertos de apresentação a decorrer agora mesmo! Para breve, os Omiri estarão também envolvidos num novo conceito de bailes tradicionais, em parceria com a Pé de Xumbo. Datas dos concertos e mais informações neste comunicado:

«A PédeXumbo e os Omiri estão a trabalhar num novo conceito de baile interactivo, a apresentar em meados deste ano, um projecto com direcção artística de Luís Miguel Girão (Artshare).

Para já, temos a oportunidade de assistir ao lançamento do seu novo CD "Dentro da Matriz", algures em Portugal. Omiri é um projecto de Vasco Ribeiro Casais (Dazkarieh) e Tiago Pereira (VJ), uma proposta arrojada onde o baile tem um cenário: a tela de projecção onde dançam Wim Wandekeybus, William Forsythe ou o Sr. António a bailar o Galandum. A mistura de instrumentos estranhos e programações de Vasco Casais com a visão irreverente de Tiago Pereira misturam música "trad" e vídeo em tempo real, sintetizadores e matanças do porco, chouriças e Nyckelarpas com distorção, pessoas das aldeias que dançam e cantam ladaínhas actuais porque são e sempre foram de hoje. Contra a globalização anglo-saxónica, cantar, dançar - e criar - é o que parece dizer este projecto, que atira convenções bafientas às urtigas. A não perder.

Vasco Ribeiro Casais: Programações, Nyckelharpa, Bouzouki, Gaitas-de-fole; Tiago Pereira: VJ; Joana Negrão: Monitora de Dança; Gaita-de-Foles, Pandeireta, Adufe

Espectáculos e Bailes

22 Janeiro, 22.30h: Galeria do Desassossego, Beja

23 Janeiro, 22.30h: Espaço Celeiros, Évora

28 Janeiro, 22.30h: Contagiarte, Porto

29 Janeiro, 22h: ACERT, Tondela

12 Fevereiro, 21.30h: Cine Teatro Aveirense, Aveiro

13 Fevereiro, 22h: Os Artistas, Faro

14 Fevereiro, 22h: Festival Enctrudanças, Castro Verde

26 Fevereiro, 22h: Maxime, Lisboa»

Podem ouvir-se alguns dos temas do álbum aqui.

23 junho, 2009

OqueStrada, Lhasa e Ojos de Brujo - Mais Um Cacharolete de Discos


E mais um «triunvirato» de discos cujas críticas foram há algum tempo publicadas na «Time Out Lisboa»: o álbum de estreia dos OqueStrada (anteriormente conhecidos como... O'QueStrada) e os novos de Lhasa de Sela (na foto; de Hibou) e dos Ojos de Brujo.


OQUESTRADA
«TASCA BEAT - O SONHO PORTUGUÊS»
Sony Music Portugal

São, finalmente, sete anos de 'strada plasmados num CD. E muito bem! Para quem já acompanha há muito tempo os concertos - e mais do que concertos, os espectáculos, happenings, festas, celebrações... - dos OqueStrada (que deixaram cair o apóstrofo), este era um álbum, o de estreia, há muito aguardado. E, se não defrauda os fãs, agora imagine-se o que fará a quem nunca os viu ao vivo. Em «Tasca Beat - o Sonho Português» está lá tudo o que faz deste grupo multinacional de Almada um dos melhores e mais imaginativos projectos nacionais desde há muito tempo: o fado tomado como conceito, matriz ou ideia-base mas também mil e outras músicas - hip-hop, ska, música brasileira (está lá a sua fabulosa versão de «Se Esta Rua Fosse Minha», com um assobio e uma trompete extraordinárias), valsa ou morna, entre muitas outras, mas sempre com umas letras, uma postura e uns desvios absolutamente deliciosos (com Roberta Flack e Billy Idol incluídos). (*****)


LHASA DE SELA
«LHASA»
Audigram/Warner

Acabei de ouvir o álbum e pensei, que álbum extraordinário, vou dar-lhe a nota máxima. Depois recuei: mas é todo cantado em inglês! Preconceito de gajo da world music, que amou profundamente o primeiro e fabuloso álbum de Lhasa (aka Lhasa de Sela), «La Llorona», editado há doze anos, todo cantado em espanhol e cheio de releituras actuais de rancheras, mariachis e do som da areia do deserto a enroscar-se nas raízes dos cactos. Com um tempo de edição muito próprio, este seu álbum homónimo é apenas o terceiro. Mas a verdade é que é tão bom quanto o primeiro e com a voz dela a soar ainda melhor. Com canções belíssimas feitas da melhor alt-country, blues, folk, pitadinhas de jazz e até com um tema que remete para Marianne Faithfull ou Patti Smith («1001 Nights»). Ficou mesmo com a nota máxima. (******)


OJOS DE BRUJO
«OACANÁ»
Diquela Records/Warner Music/Farol


De um bando de freaks catalães que se atreveram a misturar os vários «palos» (géneros) do flamenco e a rumba catalã com hip-hop, rock e várias «músicas do mundo», aos mais respeitados embaixadores de uma cidade - Barcelona - em que nascem todos os dias músicos nas esquinas das ramblas, os Ojos de Brujo chegam ao seu quarto álbum, «Oacaná», com a sua fórmula de sempre mas cada vez mais rica, orquestrada e apurada. Estão lá as suas paixões habituais (rumba, rap, funk, música indiana, muita música latino-americana e um flamenco cada vez mais aberto e libertário) mas com um bocadinho mais, por vezes, de electrónicas, de outras de elementos acústicos em diálogo irresistível - a secção de metais é arrebatadora! - e até um pouco de ciganadas dos Balcãs. Los Van Van, percussionistas do Karnataka, o rapper andaluz Tote King e o violinista húngaro Zoltan Lantos são alguns dos convidados. (****)

18 abril, 2007

Cromos Raízes e Antenas XVII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XVII.1 - Clannad



Fala-se em Clannad e a maior parte dos puristas da folk arregaça as mangas, saca das pistolas e encontra logo mil palavrões para caracterizar o grupo irlandês (criado em Gweedore, em 1970). E, diga-se, muitas vezes com razão: os últimos muitos anos do grupo assistiram a uma sucessiva e imparável descida dos Clannad até territórios demasiadas vezes escorregadios ou duvidosos. Não que a música de fusão, como ideia, seja má - há inúmeros grupos e artistas de fusão que fazem música belíssima. O problema é quando a fusão é feita numa chinela. Fora disso, a verdade é que o início dos Clannad (liderados pela cantora Máire Brennan e o seu irmão Ciarán), nos anos 70, levou muita gente para a folk. E a sua continuação - com outra mana Brennan, a cantora Enya, também no barco, durante os anos 80, quando a pop e a new age já espreitavam pelo meio da música tradicional irlandesa -, também. Devemos-lhes, ao menos, isso, e já é muito.


Cromo XVII.2 - Frances Densmore



Graças ao fonógrafo de Edison (e de outros, numa longa história que não vem aqui ao caso), desde o final do séc.XIX podemos ter acesso a gravações vindas de épocas e de locais muito diferentes daqueles em que vivemos. E, graças a essa invenção técnica, muitos etnomusicólogos deixaram de tomar notas em cadernos e avançaram determinados para o terreno gravando a música que existia à sua volta. Uma das pioneiras desta busca foi Frances Densmore (nascida em Red Wing, Minnesota, Estados Unidos, a 21 de Maio de 1867, falecida em 1957), que consagrou boa parte da sua vida ao registo da música dos índios norte-americanos, um gosto e uma missão que lhe veio do seu contacto com os índios Sioux durante a infância. Numa altura - o início do séc.XX - em que os índios eram, se já não massacrados, utilizados como atracções de circo e vítimas de uma aculturação forçada, Frances Densmore ajudou a preservar muita da sua cultura original.


Cromo XVII.3 - Taiko



Os tambores Taiko - nos últimos anos bastante difundidos no Ocidente através dos deslumbrantes espectáculos do grupo Kodo - são originários do Japão, onde são utilizados tanto na música tradicional como clássica. Tambores com dupla face, percutidos com grossas baquetas de madeira, têm vários tipos e tamanhos (os maiores obrigam os músicos que os utilizam a um esforço físico tremendo, sendo esta execução considerada quase uma arte marcial) e como principal característica o facto das peles percutidas estarem muito esticadas devido ao clima quente e húmido dos Verões japoneses, altura em que decorrem as principais festividades naquele país. A utilização generalizada dos tambores taiko remonta à Idade Média do Japão, em que era usado como um instrumento que ajudava à marcha e motivação das tropas. Anteriormente, o taiko era percutido para afastar a peste das searas ou chamar a chuva e muita gente acreditava que o espírito dos seus antepassados vivia dentro destes tambores.


Cromo XVII.4 - Lhasa de Sela



A extraordinária cantora canadiana Lhasa de Sela (ou, simplesmente, Lhasa) é o produto quase natural de uma ascendência híbrida e de um início de vida aventuroso. Nascida em 1972, com sangue mexicano e judeu-libanês-americano, em Big Indian, Nova Iorque (Estados Unidos), Lhasa passou os primeiros anos da sua vida em viagem pelos Estados Unidos e pelo México, juntamente com os pais e as suas três irmãs. Aos vinte anos, Lhasa radica-se no Quebeque, Canadá, depois de ter conhecido o seu parceiro de vida e aventuras musicais Yves Desrosiers, com quem viria a gravar o lindíssimo álbum «La Llorona» (1998) - onde a memória das canções que ouviu no México é uma constante, mesmo que mesclada com outros elementos, da música klezmer ao rock. Nos mais recentes «The Living Road» (2003) e «Lhasa» (2009), a música mexicana continua presente mas diluída entre outras influências, como a «chanson» francesa, a folk norte-americana e o rock independente.