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20 fevereiro, 2011

E a Música... Celta?

Sim, eu sei... Ah, e tal, só há por aqui música africana e sul-americana e indiana e etcetera... Então e os "celtas", mesmo que misturados com outras músicas?? Ora aqui estão eles, os celtas, em textos publicados originalmente na "Time Out":


The Chieftains & Ry Cooder
"San Patricio"
Universal Music
Ao longo da sua enorme e frutuosíssima carreira, os irlandeses The Chieftains já cruzaram a sua música – e, por arrasto, a música irlandesa – com muitas outras músicas (do rock dos Rolling Stones e outros a uma orquestra chinesa ou a irmãos “celtas” da Bretanha, Escócia ou Galiza). E, no seu novo e magnífico "San Patricio", ao lado de Ry Cooder e de muitíssimos músicos e cantores mexicanos (das inevitáveis Lila Downs e Chavela Vargas a bandas de mariachis e rancheras ou uma fanfarra de gaitas-de-foles), os Chieftains contam em música - também ela bela e trágica – a trágica e bela história dos San Patricios, batalhão de soldados irlandeses que lutou, na primeira metade do Séc. XIX, ao lado dos mexicanos contra o exército ianque. É um álbum conceptual que vai muito além do seu “conceito”. E, por isso, belíssimo! (*****)


Vários
"The Rough Guide to Scottish Folk"
Rough Guides/World Music Network/Megamúsica




Quando se ouve falar de folk escocesa, a óbvia imagem recorrente é a de um gaiteiro de kilt e com o nariz avermelhada pelo velho e bom scotch... Nesta colectânea – mais uma da série “Rough Guides” dedicada à Escócia – também há gaitas (por exemplo, logo ao segundo tema, de Wendy Stewart e Gary West), mas há também muitas outras músicas desenvolvidas a partir da (outra) tradição escocesa: das maravilhosas cantoras Karine Polwart, Lori Watson, Heather Heywood e Julie Fowlis... a instituições como a Battlefield Band e Ossian ou o lendário Jim Reid (não confundir com o homónimo dos Jesus & Mary Chain), numa interpretação fabulosa de “The Wild Geese/Norland Wind”. Esta colectânea inclui ainda um CD-bónus da cantora Maggie MacInnes. (****)



Bob Brozman, John McSherry & Dónal O'Connor
"Six Days In Down"
Riverboat/World Music Network/Megamúsica

Dono de uma invejável colecção de cordofones de todo o mundo e de um ainda mais invejável currículo de gravações e colaborações com gente de todo o lado – do indiano Debashish Bhattacharya ao griot Djeli Moussa Diawara, passando por músicos do Japão, Papua Nova Guiné ou Ilha Reunião – o guitarrista norte-americano Bob Brozman assina agora um belíssimo álbum ao lado de dois grandes músicos irlandeses – John McSherry na uillean pipe (a gaita-de-foles irlandesa) e o violinista Dónal O'Connor--, a quem se junta pontualmente a cantora Stephanie Makem. E o resultado surpreende: a guitarra slide de Brozman une-se aos outros instrumentos numa fabulosa celebração da folk dita “celta” em cruzamento com a country ou o bluegrass mas também com ligações... à música árabe a à música mandinga! (*****)


The Imagined Village
"Empire & Love"
EEC Records

Num formato adaptado às exigências de sucessivos concertos – Paul Weller, Billy Bragg ou o mestre do dub Benjamin Zephaniah já não estão presentes –, o projecto The Imagined Village chega a este segundo álbum, "Empire & Love", desfalcado de alguma da liberdade estilística que teve na estreia, ainda sob o guarda-chuva da Real World, mas mantendo intactas várias das suas figuras de proa. Simon Emmerson (dos Afro Celt Sound System) continua a capitanear o barco, ao lado de Martin Carthy e da sua filha Eliza Carthy, Simon Richmond e Chris Wood e o contraponto dado por vários músicos indo-paquistaneses. E a fórmula – tablas vs. violino, tradicionais britânicos vs. ragas apimentadas e açafronadas em electrónica – continua a resultar. O império encontra o mistério. (****)

10 agosto, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" (VIII)


A Rosa (e os Enjeitados)
por António Pires, Publicado em 08 de Outubro de 2009

António Variações cantava, em "Todos Temos Amália na Voz": "Dei o teu nome à minha terra/Dei o teu nome à minha arte/A tua vida é primavera/A tua voz é eternidade", antes de, no refrão, dizer "Todos nós temos Amália na voz". E Variações, nesta canção composta muitos anos antes da morte de Amália Rodrigues - ele, aliás, viria a morrer muito mais cedo que a sua musa -, resumiu na perfeição o amor, o respeito e a admiração que milhões de portugueses sentiram e sentem pelo ícone maior do fado de Lisboa. Não são de mais, portanto, as inúmeras iniciativas que nesta e nas últimas semanas homenagearam a memória de Amália. A edição em CD de temas inéditos dos primeiros tempos da cantora; extensas colecções de discos; concertos de tributo (de gente do fado e de fora dele); conferências; exposições; o filme "Amália" a passar na RTP... Tudo isso é mais que justo, e se calhar ainda é pouco. Mas não deixa de ser triste - como o fado - pensar que homenagear Amália é importante, mas que igualmente importante seria homenagear muitos outros. Há dois anos passaram 25 anos sobre a morte de Alfredo Marceneiro (na foto). O ano passado, 20 sobre o falecimento de Francisco José. Alguém os recordou? Neste mesmo ano de 2009 passam dez anos, tal como com Amália, sobre o desaparecimento de Lucília do Carmo. Onde estão as comemorações? Max morreu em Maio de 1980. Alguém sabe de alguma coisa que esteja a ser feita para a celebração dos 30 anos da sua morte, daqui por alguns meses?




O Segredo da Mandrágora
por António Pires, Publicado em 15 de Outubro de 2009

Se Michel Giacometti - e alguns outros - fez um trabalho extraordinário na preservação do património musical português, também é importante que, neste início de novo século, se ponham em diálogo as tradições com a modernidade. E isso está a ser feito por muitos nomes da música portuguesa que têm sido referidos nesta coluna ao longo das últimas semanas. Mas esse diálogo é ainda mais visível - e aqui "visível" é a palavra correcta - na obra videográfica de Tiago Pereira, que em filmes como "11 Burros Caem no Estômago Vazio", "Arritmia" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea" - tem sempre feito a ponte, ao mesmo tempo que a questiona muitas vezes de forma irónica, entre a nossa música tradicional e a nossa música moderna. O culminar deste processo é um filme/instalação multimedia/intervenção em tempo real e ao vivo... novo e absolutamente maravilhoso: "Mandragora Officinarum". Nele, Tiago Pereira parte da nossa religião tradicional (mistura de paganismo antigo, judaísmo mal-amanhado, resquícios da cultura muçulmana, um catolicismo temeroso e medicina popular) para, com esse mote, pôr em confronto responsos, ladaínhas, orações, benzeduras e receitas de mezinhas tradicionais com a música de gente como Tó Trips, B Fachada, Tiago Guillul, Márcia, Ernst Reijseger, Pedro Mestre, Paulo Meirinhos, Vasco Casais, Walter Benjamin, Jorge Cruz, Luís Fernandes, Lara Figueiredo ou BiTocas. "Mandragora Officinarum" é um marco maior do nosso cinema e da nossa música.



O fado não é só português!
por António Pires, Publicado em 29 de Outubro de 2009

Anda a circular na net um texto de Fernando Zeloso (será pseudónimo?) que parte dos Amália Hoje - sobre os quais já dei a minha opinião nesta coluna -, para depois defender, entre outras tomadas de posição xenófobas e nacionalistas (inclusive acerca dos luso-brasileiros da selecção portuguesa de futebol e terminando o texto com um revelador... "A Bem da Nação Fadista"), que o fado deve ser única e exclusivamente cantado por portugueses. A mesma posição tomaram algumas pessoas a propósito do filme "Fados", realizado por um espanhol, Carlos Saura, e onde apareciam Lila Downs (na foto), Caetano Veloso, Cesária Évora e Miguel Poveda, entre outros, a cantar fado. Ora esta ideia, para além de perigosa ideologicamente e mesquinha moralmente, é sem dúvida ridícula. Pela mesma ordem de ideias, e entre variadíssimos exemplos possíveis, Vitorino não poderia gravar tangos, Luís Represas não poderia cantar música cubana nem os Mind da Gap fazer hip-hop - e a própria Amália Rodrigues nunca poderia ter interpretado flamenco, napolitanas, canções francesas, as maravilhosas letras de Vinicius de Moraes ou standards de jazz. Em tempos fiz um apanhado de cantores e instrumentistas de fado não portugueses. E são às dezenas: no Japão, no Brasil, na Itália, na Espanha, na Argentina, na Índia, no México, na Holanda, na Croácia, na Polónia, na França... O que, ao contrário do que defende Zeloso, nos deveria, isso sim, encher de orgulho.

31 março, 2009

Sky Fest - Com Lila Downs, Nneka, Edson Cordeiro e The Dynamics


Na sua segunda edição, o Sky Fest, mini-festival que decorre no Casino de Lisboa, de 14 a 17 de Maio, apresenta desta vez concertos com Lila Downs, Nneka (na foto), Edson Cordeiro e The Dynamics. Não se sabe ainda se, à semelhança do ano passado, haverá outros nomes nas primeiras partes, mas seria desejável que sim. O texto de apresentação do festival:


«SKY FEST - 14 a 17 MAIO - Casino Lisboa

Horário

Concertos às 22h

Preço

25€ e 30€

Local de Venda


Casino Lisboa, FNAC, Worten, El Corte Inglés, Bliss, Bulhosa, Abreu, Megarede
WWW.TICKETLINE.SAPO.PT
RESERVAS 707 234 234


Depois do sucesso em Abril de 2008, o SKY FEST está de regresso ao Casino Lisboa para uma 2ª edição.

Um festival multicultural que junta o Jazz, a World Music e o Blues no mesmo espaço, o SKY FEST reúne nomes consagrados com novos talentos, garantindo grande abrangência de sonoridades e revelação de novas tendências nas áreas musicais em destaque.

14 Maio - Edson Cordeiro & Klazz Brothers
Auditório dos Oceanos

Edson Cordeiro é um daqueles casos raros de sucesso, considerado por muitos um "músico de culto", devido à sua abrangência e à-vontade em géneros tão diversos como a ópera, o rock, a MPB, o funk, o gospel, o jazz, o flamenco e o samba, cantando em português, inglês, francês, espanhol e alemão. Com os Klazz Brothers, 3 virtuosos músicos de Dresden, Edson Cordeiro apresenta um espectáculo de fusão onde Konigin der Nacht, de Mozart, e Garota de Ipanema, de Jobim, se harmonizam com grande perfeição num alinhamento surpreendentemente encantador.


15 Maio - Nneka
Auditório dos Oceanos

Cantora e compositora, a nigeriana Nneka está de regresso com um novo álbum, No Longer at Ease, um projecto que evidencia os seus instintos criativos, explorando-os num vasto leque de sonoridades inovadoras, numa verdadeira odisseia Afrobeat. Com produção de DJ Farhot, este álbum é muito pessoal e, apesar de musicalmente mais ambicioso, não se afasta do estilo ou rumo habituais de Nneka.


16 Maio - The Dynamics
Arena Lounge - Entrada gratuita

Existem desde 2004 e o seu sucesso internacional já bateu recordes. Com origem em Lion, França, a música dos Dynamics é fortemente marcada pelo soul americano harmonizado com os ritmos jamaicanos. O seu estilo único caracteriza-se pela fusão de sonoridades estabelecidas com as mais modernas técnicas de produção, permitindo um sabor vintage que surpreende qualquer público, por muito exigente que seja.


17 Maio - Lila Downs
Auditório dos Oceanos

De origem mexicana, Lila Downs é um fenómeno internacional. Em parceria com o músico e produtor americano, Paul Cohen, Lila Downs assina as próprias composições caracterizadas pela mescla perfeita entre o tradicional folclore mexicano (charangos, kenachos e zampoñas) e os sons modernos das guitarras eléctricas, baixos e baterias. Com 7 álbuns editados, Lila Downs tem conseguido anular fronteiras, apresentando-se como uma cantora e compositora global capaz de esgotar salas por todo o mundo. No Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa, apresenta Ojo de Culebra, o seu mais recente projecto.

12 janeiro, 2009

Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas - Parte III


O Raízes e Antenas continua hoje a publicação de uma nova série, os Melhores Álbuns (com) Raízes e Antenas, dedicada a álbuns editados em 2008 (ou até anteriores a 2008, mas só durante esse ano «descobertos» por este blog) e que têm estado muitas vezes, e por direito próprio, no leitor de CDs aqui de casa. Todos eles são acompanhados por uma breve ficha informativa.


Terceira Parte - Conexões Ianques-Mexicanas e A Vitória da Cumbia


Lila Downs - Shake Away/Ojo de Culebra (EMI)

A cantora semi-mexicana semi-ianque Lila Downs (na foto) sempre assinou álbuns extraordinários, mas atrevo-me a dizer que este é o melhor de todos eles! Fortemente politizado, com uma variedade de estilos notável - das inevitáveis rancheras ao rock, ao jazz, ao klezmer (o lindíssimo «Perro Negro»), à cumbia e a uma versão de «Black Magic Woman», de Peter Green, e outra de «I Envy The Wind» (aqui como «Yo Envidio El Viento»), de Lucinda Williams -, em «Ojo de Culebra» (nos países anglófonos chamado «Shake Away»), Lila faz-se também rodear de um excelente leque de convidados: a mítica cantora argentina Mercedes Sosa, a espanhola La Mari (dos Chambao) ou Ruben Albarran (dos mexicanos Café Tacuba).





Calexico - Carried To Dust (City Slang)

No seu novo álbum, os Calexico voltaram à boa forma (ia escrever «fórmula») do início e atiraram-se novamente àquela mistura fabulosa de música tex-mex - com a sua dose de rancheras e mariachis -, às referências enniomorriconianas e a algum experimentalismo sonoro, mas agora alargado a temas mais-rock-mesmo e a uma visão mais alargada da música latino-americana (chega a haver um tema que parece saído directamente da cordilheira dos Andes). E o álbum começa logo muito bem, com uma homenagem lindíssima ao cantor chileno Victor Jara, «Victor Jara's Hands». Com Joey Burns e John Convertino colaboraram desta vez Amparo Sanchez (ex-Amparanoia), Douglas McCombs (Tortoise), Sam Beam (Iron & Wine), entre outros.






Vários - Arriba La Cumbia! (Crammed Discs/Megamúsica)

E agora, directamente para as pistas de dança!! «Arriba La Cumbia!» foi uma das melhores compilações a surgir em 2008, reunindo um leque abrangente de antigos e novos cultores da cumbia, género colombiano que em meados do século passado foi famoso em vários países da América Latina e assiste agora a um revivalismo mais que saudável, seja nas suas formas mais «primitivas» ou cruzando-se com novas linguagens musicais (electrónicas, hip-hop, reggaeton...). A colectânea reúne nomes clássicos e modernos da cumbia e também nomes grandes do panorama das danças modernas que se deixaram apaixonar por este género como os Up, Bustle & Out, Mo'Horizons e Basement Jaxx. Irresistível!

11 julho, 2008

Festival Al'Buhera - Outras Músicas em Albufeira


E mais um festival: o Festival Al'Buhera - Encontro de Culturas, que decorre em Albufeira de 23 a 27 de Julho, com um cartaz bastante diversificado: Xaile, Lura, Marenostrum, A Banda Alhada, Oojami (na foto) e Lila Downs. Toda a informação, já a seguir:


«Festival Al'Buhera
Encontro de Culturas

Entre 23 e 27 de Julho, impõe-se uma visita ao centro de Albufeira. O Festival Al'Buhera está diferente e vai proporcionar 5 noites de grande riqueza cultural.

Uma Feira de Artesanato, Mostras Gastronómicas e variadíssimos espectáculos a decorrer na Praça dos Pescadores, Avenida 25 de Abril e Largo Eng.º Duarte Pacheco, compõem este Festival que irá, certamente, ocupar um espaço próprio no futuro da animação de época balnear, em Albufeira.

Mostra de Artesanato
Todos os dias das 20h00 às 24h00

23 de Julho - Quarta - 22h30
Xaile (Portugal)

Eis uma das maiores revelações da música nacional dos últimos anos. Lília, Marie e Bia são instrumentistas e donas de pessoalíssimas vozes e personalidades.
O trio faz-se acompanhar por um grupo de músicos que contribui para um espectáculo cheio de festa e de mistério, de força e de sentimento, com uma linguagem poética e musical, totalmente portuguesa porém universal, que ao mesmo tempo que nos enche os olhos e os ouvidos, também nos anima a alma.

24 de Julho - Quinta - 22h30
Lura (Cabo Verde)

Dona de uma voz e talento repletos de elementos poderosos e estimulantes, Lura é actualmente uma das principais embaixadoras da cultura de Cabo Verde. A sua voz mistura-se nas gentes e na música daquele povo. Uma oportunidade para contactar de perto com uma cultura à qual estamos ligados pela nossa História.


25 de Julho - Sexta - 22h00
Marenostrum (Portugal)

Band'Alhada (Portugal)

Os Marenostrum são uma banda fundada em 1994, oriunda do sotavento algarvio. Os seus instrumentistas apostam numa sonoridade que funde algumas características da música popular portuguesa e em particular do Algarve (corridinho e baile mandado), com influências bem diversas, que vão desde a música árabe do Magreb até às tradições celtas, Klezmer e de Cabo Verde.

O Grupo Band'Alhada surgiu, em Albufeira, em meados dos anos 90, em torno de Zé Maria, antigo elemento da Brigada Victor Jara. Juntaram-se ao som dos adufes, sarronca, ferrinhos, pandeireta e bombos, as harmonias da viola clássica, da braguesa, do cavaquinho, dos acordeões, do baixo e do bandolim, para transmitir uma dinâmica diferente aos cantares tradicionais.

26 de Julho - Sábado - 22h30
Oojami (Inglaterra / Turquia)

Oojami, é um projecto original de Necmi Cavli, natural de Bodrum – um popular resort turco, situado no Mar Egeu. Nos anos noventa, Necmi emigrou para Londres. Nos últimos 6 anos, os Oojami produziram 3 álbuns e tocaram centenas de vezes um pouco por todo o mundo. Recentemente, Necmi começou a escrever bandas-sonoras para grandes filmes de Hollywood e a sua música foi licenciada pela EMI Arabia – a maior editora do Médio Oriente.

27 de Julho - Domingo - 22h30
Lila Downs (México)

De volta a Albufeira está aquela que é certamente uma das maiores artistas latino-americanas: Lila Downs. Nascida no México, a cantora não renega as suas raízes “rancheras”. Em palco, Lila encarna os personagens que habitam as suas canções de uma forma muito cénica, não apenas através da sua poderosa linguagem corporal mas também através da sua extraordinária habilidade como mímica aliada à sua fabulosa capacidade vocal».

07 julho, 2006

Cacharolete de Discos


Ainda à boleia de Lila Downs, aqui ficam algumas críticas de discos («La Cantina», o mais recente de Lila Downs, e também La Chicana - na foto -, Emmanuel Jal & Abdel Gadir Salim, Cheikh Lô e os irlandeses Clannad) publicadas originalmente no BLITZ há alguns meses...

LILA DOWNS
«LA CANTINA»
Narada/EMI

Belas canções rancheras mexicanas, entre a alegria e a tristeza. Só a electricidade está a mais.

O novo álbum da cantora e compositora mexicana Lila Downs, «La Cantina – Entre Copa y Copa...», é um excelente exemplo daquilo que a chamada world music tem de melhor e, em alguns temas (felizmente poucos), de pior. Logo a abrir, «La Cumbia del Mole», é uma canção alegre e lindíssima, que fala de culinária (!), com cavaquinhos e acordeão, mas lá para a frente há um solo de guitarra eléctrica à la Carlos Santana que só estraga o conjunto. Mas o álbum continua bem, sempre bem. Há uma canção sobre casas de alterne na fronteira do México com os Estados Unidos (entre o disco-sound e o cajun), outra – lindíssima - sobre as feiticeiras índias («Agua de Rosas») e muitas versões de temas de José Alfredo Jiménez, um dos mitos da canção ranchera dos anos 50. Canção ranchera que fala de amores fatais e muito álcool (tequilla, pois...) e que está, muitas vezes, próxima – pelo menos aqui, nas versões de Lila Downs – da música árabe, do son cubano, do fado, do flamenco, da morna. Mesmo que, lá pelo meio, se enfiem a espaços, momentos de voz com flow de hip-hop, o clarinete klezmer de Paul Cohen (marido de Lila Downs) ou uma pulsão de baixo funk. O pior, sempre que aparecem, são mesmo os solos de guitarra eléctrica. Principalmente porque aquilo resulta sempre melhor quando está mais próximo da «verdade», como no tema mariachi «El Relámpago» ou num espantoso tema interpretado a capella por Lila Downs e os seus músicos (aqui só em voz, claro), «Yo Ya Me Voy» (uma canção polifónica que faz, estranhamente, lembrar o cante alentejano e os cantos polifónicos da Córsega). (8/10)

EMMANUEL JAL & ABDEL GADIR SALIM
«CEASEFIRE»
Riverboat/World Music Network/Megamúsica

A música nunca fez a paz. Mas pode contribuir decisivamente para que ela aconteça...

Há muitos exemplos: a editora israelita Magda, que reúne artistas judeus e muçulmanos; o respeito e amor que o paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan sentia na Índia; o Festival au Desert, que reúne etnias anteriormente desavindas do Mali, etc, etc... E ouvir um álbum como «Ceasefire» (o título - «cessar fogo» - diz tudo!), colaboração entre o rapper do norte do Sudão Emmanuel Jal (que foi guerrilheiro quando era adolescente) e o respeitadíssimo Abdel Gadir Salim, cantor, compositor e tocador de oud, originário do sul do Sudão, é arrepiante: é ouvir o diálogo entre os dois lados até há pouco tempo em guerra, o choque entre o passado e o futuro, a África negra e o norte do país (árabe), a música tradicional e as electrónicas ocidentais, com o hip-hop bem presente. Paz! (8/10)


LA CHICANA
«CANCIÓN LLORADA»
Galileo/Megamúsica

Grupo argentino leva o tango para todo o lado.

Às vezes há surpresas destas: um grupo argentino com dois ou três álbuns editados no seu país, começa agora a lançar-se na Europa reunindo muitos dos temas do seus dois primeiros discos (Ayer Hoy era Mañana e Un Giro Extraño) num único álbum, Canción Llorada, juntando-lhe ainda alguns inéditos, uma versão de um tema de Tom Waits («Frank’s Wild Years» aqui rebaptizado «Los Años de Joda de Aníbal»), convida o extraordinário acordeonista Chango Spasiuk para lhes dar uma mãozinha fugaz e... surpreendem-nos com um álbum onde há tango, sim, do melhor tango, mas também valsas, milongas, chamames (olá Spasiuk), cheirinhos a Brasil (com um forró delicioso), África (andam kissanges em «Imposible») e Portugal – a guitarra portuguesa surge várias vezes nas mãos de Acho Estol (o principal compositor do grupo). Há sangue e risos, lágrimas e dança. E a voz fabulosa de Dolores Solá. (8/10)


CHEIKH LÔ
«LAMP FALL»
World Circuit/Megamúsica

Cantor senegalês em viagem pelo mundo.

Cheikh Lô – cantor senegalês (de pais senegaleses e radicado há muitos anos no Senegal, apesar de ter nascido no Burkina-Faso) que se deu a conhecer, em meados dos anos 90, com uma curiosa e atraente fusão de mbalax, funk, reggae e soukou – está de regresso, ao fim de cinco anos sem nenhum disco de originais editado, com um novo álbum em que as fronteiras da sua música são ainda mais alargadas. Em «Lamp Fall» há lugar para o jazz-funk de sabor afro e com uma fabulosa talking-drum a pairar lá atrás (o tema-título) e aproximações às baterias de samba (no absolutamente dançável «Sénégal-Brésil»), à música árabe («Zikroulah») ou às guajiras, sem deixar de lado um reggae fresquinho fresquinho (cf. em «Bamba Mô Woor»), o mbalax ou a repescagem das rumbas que fizeram parte da sua escola musical na juventude. (7/10)


CLANNAD
«LIVE IN CONCERT»
MDM/Keltia Musique/Megamúsica

Música irlandesa «light» e ao vivo.

O segredo do sucesso dos Clannad (como, de certa maneira, do sucesso de Enya, que é irmã de Maire e Ciaran Brennan e passou em tempos pelos Clannad) é também o motivo de menor aceitação da música da banda por parte de muitos dos «puristas» da música irlandesa: a fusão da música tradicional irlandesa («céltica», se se quiser usar o palavrão) com outros géneros mais ou menos nobres (aos olhos dos puristas do «celtismo»): o jazz, o rock, a pop, a - vileza maior entre as maiores - a new age. Certo: é verdade que os Clannad estragam muitas vezes a sua música (ou os temas tradicionais que levam para o reportório) adicionando saxofones, guitarras eléctricas, vozes convidadas assustadoras (neste álbum ao vivo, gravado em 1996, um tal Brian Kennedy substitui mal Bono no dueto com Maire Brennan de «In a Lifetime») e carpetes de sintetizadores cheios de azeite. E que são capazes de estuchas de rock sinfónico/medieval/foleiro como o «Robin of Sherwood Medley» que está neste álbum. Mas também é verdade que há momentos que ainda dão um arrepio na espinha (como as harmonias vocais do tradicional «Dulaman»ou, apesar da tal alcatifa de sintetizadores, «Theme From Harry's Game» - a canção que serviu de prefácio, no início dos anos 80, a muitos concertos dos U2). Se os Clannad servirem para que, através deles, se conheçam os Chieftains e a boa música irlandesa, já valeram a pena. (6/10)

06 julho, 2006

Lila Downs - Canta Cantina


Cantora na linha da frente da renovação da música tradicional mexicana, Lila Downs regressa agora a Portugal para um concerto na Casa da Música, Porto, dia 18, e na Aula Magna, Lisboa, a 19 de Julho. Na ementa do concerto - e a julgar pelo seu recente espectáculo em Vigo, na Galiza - estão muitos dos temas do seu novo álbum, «La Cantina», sem esquecer canções mais antigas do seu reportório e alguns clássicos da música mexicana. Em Vigo, horas antes do concerto, Lila Downs falou com alguns jornalistas portugueses.


Lila Downs tinha cantado em Madrid no dia anterior. E no dia do concerto em Vigo, devido a uma greve da Iberia, o avião em que viajava chegou com algumas horas de atraso. Lila Downs estava cansada e sem tempo - as quatro entrevistas individuais com os jornalistas portugueses transformaram-se numa entrevista colectiva -, mas isso não a impediu de sorrir, sorrir sempre, enquanto respondia às nossas perguntas. Um sorriso enquadrado por longas tranças negras, colares e amuletos índios. Um sorriso de simpatia por nós e de paixão pelo que faz. Uma paixão que, mais à noite, escorreria do palco para a plateia do Centro Cultural Caixanova, enquanto Lila cantava as suas versões de temas clássicos como «La Llorona» (um dos muitos que interpretou para a banda-sonora do filme «Frida») ou «La Cucaracha», à mistura com os originais («La Cumbia del Mole», «Agua de Rosas»...) e as versões de canções rancheras antigas («Tu Recuerdo y Yo», «La Noche de Mi Mal»...) que povoam o novo álbum. Tudo servido com arranjos que mesclam a tradição e a modernidade (na sua música há elementos de jazz, bossa-nova, música klezmer, hip-hop, rock progressivo e psicadélico...). Mesmo que, como Lila explica durante a entrevista, a música ranchera seja uma música rural nascida depois da revolução mexicana: «Havia muitos problemas sociais e a música ranchera é uma consequência da revolução. Nos poemas fala-se muito da temática amorosa, de conflitos sociais, da imagem do camponês e da Morte». Musicalmente, a tradição ranchera tem as suas raízes «numa maneira de cantar que pode ter vindo da Andaluzia [o flamenco], mas a sua poesia tem muito a ver com a maneira de sentir dos índios mexicanos; é muito sensível, muito frágil».


Uma maneira de sentir e de viver partilhada por Lila Downs, ela que nasceu em Tlaxiaco, Oaxaca, filha de uma índia mixteca e de um realizador de cinema ianque que tinha passado a fronteira para realizar um documentário no México. «Há um tema neste novo disco, "Agua de Rosas", que escrevi a pensar numa receita de ervas para o banho que me foi dada por umas feiticeiras da minha terra. Essa receita serve para que água do banho seja deitada no rio e leve as tristezas para o mar». Outro dos originais compostos por Lila para «La Cantina», «El Corrido de Tacha, La Teibolera» [«teibolera» é uma corruptela de «table-dancer»], trata de uma temática bastante diferente: «Fala das mulheres que vão para perto da fronteira com os Estados Unidos, fazer espectáculos de strip-tease. E, para muitas mulheres esta é, paradoxalmente, uma forma de libertação...». Em «La Cantina», Lila Downs canta várias canções rancheras, quatro delas de José Alfredo Jiménez, «um grande poeta mexicano, que escreveu muitas destas canções nos anos 50. Ele encarnava o espírito da música ranchera: bebia muitíssimo, pensava que era muito feio e por isso era muito trágico». A música ranchera continua viva no México, nas cantinas: «O visual pode mudar, mas o espírito é o mesmo». O espírito que Lila também quer manter na sua música, mesmo quando mistura as raízes com outros géneros musicais: «É importante que estas músicas se mantenham vivas junto da juventude. Porque não misturá-las com outras músicas?... Eu própria gosto de hip-hop ou de tecno...».

Lila Downs mostra-se bem informada sobre a música portuguesa. Já colaborou em palco com Mariza, mas refere também «Dulce Pontes e, quando estive em Lisboa há alguns anos, levei comigo discos de Amália Rodrigues. E reconhece que «há similaridades entre o fado e a música ranchera. A tristeza, o fatalismo...». E esta curiosidade por outras músicas leva-a, facilmente, a reconhecer que busca inspiração em cantores e músicos do seu país -- Chavela Vargas, Lola Beltran... -- e de outros países: a argentina Mercedes Sosa, a cabo-verdiana Cesária Évora ou o brasileiro Caetano Veloso, com quem assina um arrepiante dueto no tema «Burn It Blue», da banda-sonora de «Frida». Dizemos-lhe que a exposição de Frida Kahlo em Lisboa é um sucesso e perguntamos-lhe se Frida pode ser vista como o protótipo da mulher mexicana, pela sua arte, pela sua vida... Lila responde que «sim. Frida dava-se conta de uma coisa que estava para acontecer no futuro. Ela combinava os elementos das culturas mexicanas com outros elementos». Era quase, digamos, «tropicalista». O que leva a Caetano Veloso e ao seu dueto com o cantor bahiano: «Foi muito emocionante. Ele é uma personagem especial, com muita paz interior e com um passado de intervenção social notável».