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03 fevereiro, 2009

A Festa dos Montes - Uma Monografia de Julieta Silva


Julieta Silva - que passou pelo GEFAC e, até há pouco tempo, pelos Chuchurumel, estando agora nos Diabo a Sete - é a autora de uma monografia sobre a Festa dos
 Montes
 (na foto, de Agostinho Sanches), que se realiza em Montes, concelho de Trancoso, no primeiro domingo do mês de Fevereiro. O livro é lançado esta semana, em Trancoso. E, para explicar o que é isto da Festa dos Montes, o melhor é deixar aqui o texto de apresentação do livro:

«A Festa dos Montes é um estudo etnomusicológico de Julieta Silva sobre a Festa do São Brás dos Montes [Montes, Trancoso]. Trata-se de um trabalho realizado no âmbito do Seminário Práticas Musicais Tradicionais em Portugal, sob a orientação da Doutora Maria do Rosário Pestana [Seminário integrado na Pós-Graduação em Estudos de Música Popular, com orientação científica da Doutora Salwa El-Shawan Castelo-Branco, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa].

A obra vai ser apresentada no dia 7 de Fevereiro [na véspera de mais uma edição da Festa do São Brás dos Montes], pelas 16h30, no Cine-Auditório Jacinto Ramos, em Trancoso. Será também apresentado o filme "A Batalha dos Montes", de Maria Lino e Zigud, sobre a mesma temática. O filme é uma edição Luzlinar.

O livro estará disponível, a partir da sua apresentação pública, através do sítio:
http://www.atrasdosbarrocos.com»

03 outubro, 2008

«Música nas Cidades» - É Obrigatório Lê-lo!


Porque é que o fado nasce em Lisboa, o tango em Buenos Aires, o gnawa no sul de Marrocos ou o krautrock em Berlim (e em outras cidades da Alemanha)?... As respostas a estas - e a muitas outras questões paralelas e/ou semelhantes - estão no magnífico livro «Música nas Cidades», de Manuel Fernandes Vicente, agora editado pela FormalPress, na colecção RésXXI. E, como tive a honra e o prazer de escrever o pequeno texto do prefácio deste livro, aqui o deixo (ao prefácio, claro) para um melhor esclarecimento. «Música nas Cidades» já está disponível numa livraria virtual ou real perto de si... e é absolutamente imperdível!

«Os géneros musicais, é sabido, não nascem de geração espontânea. São fruto de um tempo e de um lugar, filhos de outras músicas que, por uma razão ou outra, se juntaram num determinado sítio para dar origem a um som novo, a um género diferente, a um movimento ou revolução musical. E, não por acaso, as maternidades de muitas músicas, de muitas novas músicas, são cidades - a urbe como ponto de convergência de povos e de culturas, cadinho de dinâmicas sociais e de evoluções históricas, lugar de convulsões políticas ou da fixação de religiões. Neste livro, Manuel Fernandes Vicente demonstra (e desmonta) de forma brilhante a ligação umbilical, de raiz, de muitos géneros musicais com as cidades que lhes deram origem, num trabalho de pesquisa e análise valiosíssimo, sociológica e musicologicamente sério e profundo, não se confinando a prateleiras pré-definidas ou seguindo caminhos fáceis. Aqui podemos encontrar as razões por que o jazz só poderia ter nascido em Nova Orleães ou o tango em Buenos Aires, mas também avança resolutamente para o fado de Lisboa e a música «urbano-depressiva» do eixo Manchester-Liverpool, para o afro-beat de Lagos e para a música romântica de Viena, para o krautrock de Berlim e Munique e para o hip-hop de Nova Iorque, para o gnawa de Marraquexe ou a música electrónica de Tóquio, desenhando um atlas abrangente, vivo e alargado de muitas músicas novas ou antigas.

Diga-se, paralelamente, que tive o prazer de ler muitos destes textos quase em primeira mão, quando há alguns anos era chefe-de-redacção do BLITZ e tinha como função editá-los. Foi um prazer, na altura, lê-los. Como foi um prazer, agora, voltar a lê-los e saber que, mais que merecidamente, estes textos estão finalmente compilados em livro, muitos deles com significativos e preciosos acrescentos de actualidade. E muitos deles, ainda, absolutamente inéditos - como aquele que é dedicado ao FMM de Sines, como "cidade imaginária" de confluência de muitas músicas de muitos lugares -, entre alguns outros. Este livro que aqui começa e que, tenho a certeza, será lido por muita gente com o mesmo prazer que eu senti. Um grande abraço, Manuel».

12 setembro, 2007

13 setembro, 2006

A Crise no Médio Oriente... e Richard Zimler


Por uma estranha e arrepiante coincidência acabei de ler «À Procura de Sana», de Richard Zimler, na noite em que passavam cinco anos sobre os atentados às Twin Towers, em Nova Iorque. Talvez por isso, a resolução do livro (por muito surpreendente, inesperada e até verosímil que seja) foi a única coisa, a única, de que não gostei nele. Noutro dia qualquer, se calhar, teria gostado. Mas gostei muito do resto do livro. Todo.


Gostei de conhecer um bocadinho melhor Zimler - dele só li, além de «À Procura de Sana» (ed. Cavalo de Tróia/Gótica), «O Último Cabalista de Lisboa», que me ensinou muitas coisas da nossa História que desconhecia e de como, numa escala menor mas não menos horrível, os judeus de Portugal tiveram também o seu Holocausto -, gostei de conhecer aquelas personagens (são todas fictícias?), maduras, completas, todas apaixonantes: os judeus e os palestinianos, todos com uma história de vida em que os pedaços de que vamos tendo conhecimento - mesmo nas suas mentiras, contradições e enganos - se encaixam na perfeição e fazem todo o sentido.

Uma das coisas mais bonitas do livro é a constatação de que Zimler - judeu nova-iorquino há muitos anos radicado no Porto - não deixa escorregar um pingo de ódio que seja nesta sua visão do conflito israelo-pelestiniano. Mesmo que esse ódio escorra de algumas das suas personagens (o assustador capítulo dedicado a Jamal, jovem palestiniano com perturbações psiquiátricas, usado - e, depois, provavelmente assassinado - pelos seus e, do outro lado, torturado pelas autoridades israelitas; nas cartas de Helena ou nas manifestações, artísticas ou políticas, de Sana...). Pelo contrário, Zimler demonstra aqui um amor imenso por estes dois povos irmãos desavindos por um destino maior qualquer. E, no fundo, esta é mesmo a história de uma amizade (de um amor) nascido entre duas miúdas, uma palestiniana outra judia, em Haifa (quantas vezes ouvimos o nome desta cidade nos últimos meses?), do seu exílio e da sua conclusão, à luz de... um destino maior qualquer (o seu destino; o destino das suas famílias; o destino dos seus povos...).

Nota: ver post (neste blog) «A Crise No Médio Oriente... e os Asian Dub Foundation».

01 agosto, 2006

Andanças - Estar Lá Não Estando


Este ano não vou ao Andanças, para grande pena minha. Assim como não vou ao Intercéltico de Sendim, também com grandes remorsos por não ir... O Andanças começou ontem (ver parte da programação mais lá em baixo, sff) e por lá deve ser encontrado o livro «Contra Danças Não Há Argumentos», que tem um capítulo escrito por mim, «Dois Pés Esquerdos» (adaptação de um artigo publicado originalmente no BLITZ), do qual deixo aqui só o início... É outra forma de matar saudades do festival...

DOIS PÉS ESQUERDOS

No Festival Andanças toda a gente dança. Toda? Não. Enquanto há dezenas de milhar de pessoas a dançar ritmos de todo o mundo, e durante alguns dias, há uma outra pessoa que só «anda»: o repórter do BLITZ. Mas ao fim de meio festival, até ele se atreve a entrar nas rodas. Desculpem lá as pisadelas.


O Festival Andanças é diferente de todos os outros realizados em Portugal. E não é diferente por causa da qualidade do cartaz ou da beleza do local ou por melhores condições, digamos, nas casas-de-banho (apesar dessas melhores condições existirem... paralelamente às preocupações ecológicas que, por exemplo, introduziram recentemente o bom hábito de cada pessoa levar os seus próprios pratos e talheres). É diferente porque o grau de participação das pessoas - ia chamar-lhes público, mas não é esse o nome correcto e já se perceberá porquê - é incomparavelmente maior. A sua participação é real, activa, fundamental, necessária, a razão primeira deste festival.

Vou falar de mim - coisa que não é muito correcta jornalisticamente mas que aqui se desculpa devido ao estado de deslumbramento do escriba e como forma de melhor se perceber o que é o Andanças. Como é que eu «participo» em concertos e festivais?... Assim: às vezes bato o pé a compasso; bato palmas no fim (nunca durante, que é foleiro); faço ritmos celtas com a caneta a percutir o bloco-de-apontamentos, como se fosse um bodhran, quando me entusiasmo mais com algum grupo irlandês; é raro mas às vezes até canto em coro; ponho os braços em X, quando ninguém está a ver, nos concertos dos Xutos & Pontapés; uma vez insultei em voz alta um exímio executante de guitarra portuguesa, não porque tocou mal mas porque tocou pouco tempo (e para grande embaraço de quem estava comigo); de outra vez gritei «é roubado! é roubado!» para o palco onde estava uma jovem banda portuguesa que copiava um famoso grupo de Manchester. E é só.

Mas no Andanças sou obrigado a participar. Ao fim de três dias de resistência já me atrevo a experimentar aprender um ou dois ritmos mais fáceis (danças europeias -- 1, 2, 3, 1, 2, 3, 4 -- ou cabo-verdianas, porque já tenho alguma prática de concertos dos desaparecidos Tubarões, o único grupo que alguma vez me pôs a dançar durante mais do que 37 segundos seguidos). Dança! Por que raio é que um gajo que não dança, que tem dois pés esquerdos - e abençoado seja quem inventou a frase - e cuja barriga não ajuda, vai a um festival destes? Para participar, claro, e por muito renitente que esteja à partida.

Aliás, e voltamos ao início, este é o único festival português em que toda a gente participa e em que todos os Participantes são o Festival. Está bem, está bem, nos outros o público também interage com o palco - mais palminha, menos palminha; mais isqueiro aceso, menos isqueiro aceso; mais gritinho histérico para a Britney, menos indicador e mindinho esticados para os Metallica, etc, etc... -, mas o Andanças é o único em que as pessoas que lá vão têm exactamente a mesma importância que os músicos ou os monitores de danças ou os contadores de histórias ou... ou... O festival são eles, somos nós, os andantes, os dançantes, os bailantes... E os protagonistas não estão no palco, mas em todo o lado (ok, incluindo o palco).

(Para a programação completa ver o site www.pedexumbo.com ou carregar no link aqui ao lado)

04 julho, 2006

Olhar para o Umbigo...


(Aviso prévio: por razões óbvias, estes dois textos não são lá muito objectivos...)

Olhar para o umbigo (I): Vou estrear-me no final do mês como DJ, em dupla com o meu querido Gonçalo Frota, no FMM de Sines. Vamos passar, pois, world music (seja lá a world music o que for...). E é para dançar muito, claro. A sessão da dupla (que, se tudo correr bem, será um dia conhecida como 2Mé & Prince Hip... Pergunta alguém: «Quem são aqueles gajos que estão a passar música?», responde o outro: «São Tomé e Príncipe...») está integrada na programação paralela de DJs do FMM (ver, sff, programa com os nomes principais do festival lá em baixo, neste blog) que inclui actuações, em Porto Côvo, dos Buraka Som Sistema (dia 21), Raquel Bulha & João Pedro (dia 22), João Patrício (dia 23), Gonçalo Frota & António Pires (dia 24), Manuel Calapez & Leg Curl Videos (dia 25) e, já na Avenida da Praia, em Sines, Unity Sound Crew (dia 26), DJ Yggdrasil aka Luís Rei (dia 27), DJ Mankala & Freestylaz (dia 28) e Bailarico Sofisticado aka Vítor Junqueira, Pedro Marques e Bruno Barros. Andam muitos amigos por aqui, como se pode ver (e isso é muito bom!).

Olhar para o umbigo (II): O livro que comemora dez anos do festival Andanças, «Contra Danças Não Há Argumentos», é editado por estes dias e estará também à venda, como é óbvio, na próxima edição deste festival de danças tradicionais e de muitas outras coisas à volta. Um dos capítulos do livro, «Dois Pés Esquerdos», é uma adaptação de um texto meu publicado originalmente no BLITZ. Os outros capítulos do livro são assinados por Adriano Azevedo, Alexandre Matias, Ana Martins, Daniel Tércio, Diana Mira, Gonçalo Oliveira, Graça Gonçalves, João Pires, Luís Fernandes/d’Orfeu, Luís Moura, Manuela Pires da Fonseca, Mercedes Prieto, Paulo Pereira, Rui Leal e São Vicente. Este ano, o Andanças decorre de 31 de Julho a 6 de Agosto, em Carvalhais (S.Pedro do Sul) e, só para referir alguns dos concertos ou bailes animados por grupos ao vivo, há actuações de Teresa Gabriel, Audible Architecture, Dazkarieh, Djamboonda, Kumpa'nia Al-Gazarra, Nação Vira Lata, Olive Tree, Sebastião Antunes Trio, Tchakare Kanyembe, Naragonia, Akiakule Folk Vasco, La Font De La Carota, Minuit Guibolles, Parasol, Abnoba, Cantina Sociale, Paddy B & Celtic Express, Auberge Du Sud, Kapela z Milanówka, Cravo & Ferradura, Fol&ar, Lúmen, Mu, No Mazurka Band, Toques Do Caramulo, Uxu Kalhus, Zigaia, Planeta Dança e Star Treko, entre muitos outros...