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18 junho, 2009

FMM de Sines - Iniciativas Paralelas


Para além do riquíssimo programa de concertos em Porto Covo, no CAS, na Av. da Praia e no Castelo, o FMM de Sines (de 17 a 25 de Julho) apresenta também uma série de outras iniciativas (exposições, DJs, filmes, debates, conversas com artistas, uma estação de rádio própria...). E, como este até é um blog pessoal (para além de informativo), vou puxar a brasa à minha sardinha - ou, em opção, ao meu choco frito - e chamar a atenção para a noite de véspera de encerramento, em que este escriba e o seu amigo espanhol DJ Cucurucho vão animar a festa com uma sessão de DJ que, prevejo eu, com toda a humildade, vai ser uma festa pegada. O encerramento, como sempre, vai ficar a cargo dos meus queridos amigos do Bailarico Sofisticado. E muitos outros amigos estarão igualmente por lá: o Tiago Pereira a mostrar filmes; o Luís Rei e a Raquel Bulha a fazerem rádio para o festival; o José Sérgio e o Mário Pires a mostrarem as suas fotos...

Todos os pormenores no comunicado oficial:


«FMM 2009: INICIATIVAS PARALELAS

“CARAVANÇARAI”, 10 ANOS DE FMM EM FOTOGRAFIA

Centro de Artes de Sines. 11 de Julho a 23 de Agosto. Todos os dias, 14h00-20h00. Entrada livre.

Tal como os caravançarais do deserto, também o Festival Músicas do Mundo é um ponto de encontro que procura ser generoso para os viajantes, oferecendo-lhes guarida e mantimentos para que continuem a sua busca. Oriundos de todas as partes do mundo, reúnem-se aqui os músicos e os espectadores mais aventureiros, unidos por um elo imaterial que se foi formando ao longo dos anos e que faz do FMM hoje, mais do que um evento, uma comunidade. Nesta exposição, os músicos são os protagonistas - especialmente naqueles momentos em que o êxtase da música lhes faz sair a alma pelos poros, pela boca, pelos olhos - mas não são esquecidos todos os outros homens e mulheres que souberam transportar dentro de si o espírito FMM ao longo de 10 anos. É o espectáculo humano do FMM captado por 11 fotógrafos que, nas mais diferentes qualidades, acompanharam o festival: António Melão, Bruno Fonseca, Enrique Vives-Rubio, Fred Huiban, José Manuel Rodrigues, José Sérgio, Mário Pires, Miguel Madeira, Rita Carmo, Sofia Costa e Tiago Canhoto.

CICLO DE CINEMA DOCUMENTAL

Centro de Artes de Sines. 22 a 25 de Julho. Sessões às 15h00. Entrada livre.

22: “B FACHADA, TRADIÇÃO ORAL CONTEMPORÂNEA” E “MANDRAKE”, DE TIAGO PEREIRA

Projecção de dois documentários do jovem realizador Tiago Pereira: o primeiro parte do músico pop B Fachada para reflectir sobre a tradição oral e o que sustenta (ou não) as dicotomias urbano x rural e criação individual x criação colectiva; o segundo sobrepõe e intersecta música feita hoje com recolhas de rituais arcaicos, muitos deles de carácter mágico.

23 E 24: “MUSIC OF RESISTANCE”, DE JASON BRECKENRIDGE - AL JAZEERA

Filmada em vários pontos do mundo, do deserto do Sahara a Lisboa, a série “Music of Resistance”, produzida por Jason Breckenridge para a cadeia de televisão Al Jazeera, aborda a música como força de mudança política. Apresentados por Steve Chandra, figura central da Asian Dub Foundation, veremos no FMM os seis episódios que a compõem: os primeiros três (Asian Dub Foundation, Tinariwen e Seun Kuti), na tarde de 23 de Julho; os restantes (Massoukos, Chullage e AfroReggae), na tarde de 24 de Julho. Cada sessão tripla tem uma duração de 68 minutos.

25: “É DREDA SER ANGOLANO”, PELO COLECTIVO RÁDIO FAZUMA

Inspirado no disco "Ngonguenhação", do Conjunto Ngonguenha, "É Dreda Ser Angolano" propõe uma viagem informal pela paisagem musical e humana da nova Angola em forma de "mambo tipo documentário".

ATELIÊS PARA CRIANÇAS

Centro de Artes de Sines. 20 a 25 de Julho. Às 11h00. Para crianças dos 6 aos 12 anos. Gratuito, mediante inscrição no balcão do Centro de Artes.

20: PORTICO QUARTET

O quarteto revelação do jazz britânico apresenta as suas ideias sobre música e mostra às crianças o misterioso instrumento que torna o seu som tão especial, o “hang”.

21: CARMEN SOUZA

Entre Cabo Verde e Portugal, entre o jazz, a soul e os ritmos africanos, Carmen Souza explica às crianças como é viver entre tantas músicas e tantas culturas.

22: UXÍA

Uxía não é apenas uma das maiores cantoras ibéricas, é também uma artista empática e inspiradora que não vai deixar de cativar as crianças que se inscreverem para o seu ateliê.

23: RAMIRO MUSOTTO

Com um arame, uma vara de madeira e uma cabaça se faz um berimbau. Ramiro Musotto, um dos seus maiores mestres, mostra os encantos de um instrumento fantástico.

24: WARSAW VILLAGE BAND

Filha de Wojtek e Maja, a pequena Lena inspirou uma nova fase da banda polaca Warsaw Village Band. Neste ateliê, os músicos pegam nos seus instrumentos e explicam porquê.

25: BIBI TANGA

Toda a grande música africana e afro-americana encontra espaço dentro do coração de Bibi Tanga (na foto). Agora é altura de partilhar essa paixão num ateliê que vai surpreender os mais novos.

CONVERSAS COM ARTISTAS

Escola das Artes de Sines. 18, 19, 23, 24 e 25 de Julho. Às 14h30. Entrada livre.

18: DELE SOSIMI

Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director de orquestra Dele Sosimi fala do percurso que tem traçado no movimento Afrobeat e de como projecta o seu futuro.

19: DAARA J FAMILY

O “tasso” senegalês é a forma original do rap? Esta e outras perguntas são o ponto de partida para uma conversa com um dos mais estimulantes grupos africanos da actualidade.

23: CHUCHO VALDÉS

Embora pequena, Cuba foi uma das nações que mais contribuiu para o património da música popular do século XX. Chucho Valdés, uma das suas maiores figuras, explica porquê.

24: DEBASHISH BHATTACHARYA

Qual é o papel da “slide guitar” na música indiana? O que torna a música indiana especial e tão fascinante para os ocidentais? O público pergunta e o mestre Debashish responde.

25: CHICHA LIBRE

O que leva músicos nova-iorquinos a iniciar um projecto de recuperação de um estilo nascido na Amazónia peruana dos anos 70? Nesta conversa, resolve-se o mistério.

ATELIÊS DE INSTRUMENTOS

Escola das Artes de Sines. 20, 21 e 22 de Julho. Inscrição na Escola das Artes: 5 euros para alunos da Escola das Artes e 20 euros para não alunos.

20: ZÉ EDUARDO (CONTRABAIXO) 14h30

Poucos contrabaixistas na Europa têm um percurso tão rico quanto Zé Eduardo. Para todos os interessados pelo instrumento, será um privilégio dialogar com ele e colher os seus ensinamentos.

21: JOÃO AIBÉO (TUBA) 14h30

A tuba é o maior e um dos mais expressivos sopros metálicos. Neste ateliê, João Aibéo ajuda a ir mais além na exploração da originalidade sonora de um verdadeiro “bom gigante” musical.

22: JOÃO FRADE (ACORDEÃO) 11h00

Um dos melhores acordeonistas nacionais, primeiro classificado em mais de 20 competições de acordeão em todo o mundo, João Frade mostra a sua visão de um instrumento de grande potencial e modernidade.

22: PEDRO MESTRE (VIOLA CAMPANIÇA) 14h30

Natural de Castro Verde, Pedro Mestre é um apaixonado pela música tradicional alentejana e um perito da viola campaniça, instrumento cujos segredos partilha neste ateliê a não perder.

DJ'S

RÁDIO FMM AO VIVO, COM LUÍS REI E RAQUEL BULHA

Em 2009, vai haver um modelo diferente de animação musical dos finais de tarde. Luís Rei, autor do site mais activo na área das músicas do mundo, www.cronicasdaterra.com, e, nos dias 17 e 18, Raquel Bulha, uma das maiores divulgadoras deste género de música na rádio portuguesa (Antena 3), são DJ’s, MC’s, apresentadores e entrevistadores e tudo o mais que lhes der na gana numa rádio FMM ao vivo instalada em vários espaços urbanos centrais do festival.

17 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

18 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

19 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

20 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

21 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

22 de Julho - Largo Poeta Bocage (Sines), das 18h00 às 21h00

SETS DE DJ’S

23: RMA (RDP ÁFRICA - ÁFRICA ELÉCTRICA) E MR_MUTE (DEUBREKA)

Avenida Vasco da Gama. 23 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Com o programa África Eléctrica, na RDP África, Rui Miguel Abreu (RMA) tem explorado o legado urbano da África dos anos 60 e 70. Neste Dj set, propõe viajar pelo afrobeat, afro-funk, afro-disco, juju, highlife e seus derivados. Ao seu lado estará Mr_Mute, referência emergente no lado mais funky da noite lisboeta com quem RMA já partilhou muitas viagens.

24: ANTÓNIO PIRES + TONI POLO

Avenida Vasco da Gama. 24 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Chamam-se os dois Antónios, mas um é espanhol e o outro é português: Toni Polo (aka DJ Cucurucho), dos Groovalizacion DJs, e António Pires. Juntos, cruzam sonoridades de todo o mundo (flamenco, Balcãs, música africana dos anos 60 e 70, bhangra, cumbia, funk carioca, ska, kuduro, hip-hop e muito mais) num alegre, vibrante e dançável duelo ibérico.

25: BAILARICO SOFISTICADO

Avenida Vasco da Gama. 25 de Julho. 04h00 às 07h00. Entrada livre

Tal como vem acontecendo desde 2006, a despedida do FMM 2009 faz-se ao som do trio de DJ’s Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira. “Imagine-se que durante umas horas poder-se-iam apagar fronteiras com uma borracha, acender fogos com dois calhaus e ser-se de qualquer tribo, da África à Europa de Leste, passando por Brooklyn e praias tropicais. É que desde 1999 que se pode ser cidadão do mundo com um Bailarico Sofisticado assim.” (Joana Batista)

ENCONTRO COM MIA COUTO E JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Centro de Artes de Sines. 20 de Julho. Às 18h00. Entrada livre. Org. Livraria a das artes. Apoio Câmara Municipal de Sines

Numa organização da livraria a das artes, a propósito da comemoração do seu sexto aniversário, o Centro de Artes de Sines acolhe uma apresentação de livros invulgar: Mia Couto apresenta “Barroco Tropical”, o novo romance de José Eduardo Agualusa, e José Eduardo Agualusa apresenta “Jerusalém”, o novo romance de Mia Couto. Angola, Moçambique e todo os espaço da lusofonia, visões cruzadas, cumplicidades, discordâncias, numa ocasião única para conversar com dois dos maiores escritores de língua portuguesa da actualidade.

ANIMAÇÃO DE RUA:

SKALABÁ TUKA SINES, PORTUGAL

Uma das cidades com maior tradição carnavalesca do país, Sines apresenta no FMM o grupo de bateria de samba e batucada Skalabá Tuka, ligado à bateria “Pelicanos da Baia”, criada em 1999 pelas mãos do mestre Reinaldo Nunes, fundador de várias escolas de samba em Portugal. Depois de alguns períodos de paragem, o grupo tem actualmente como mentores João Matos e Alexandre José e desenvolve as suas actividades com a parceria da Escola das Artes de Sines e o apoio da Siga a Festa - Associação de Carnaval. As apresentações programadas são:

Porto Covo: 17 de Julho, 17h30

Porto Covo: 19 de Julho, 21h00

Sines (Lg. Poeta Bocage): 22 de Julho, 17h30 e 21h00

Sines (Av. Vasco da Gama): 23 de Julho, 19h00»

Mais informações, aqui.

17 abril, 2008

Mercado Mundo Mix e Festival Lisboa-Porto de Abrigo - World Music em Lisboa


O Mercado Mundo Mix - que decorre no Castelo de S.Jorge, em Lisboa, dias 9, 10 e 11 de Maio - vai incluir este ano o Festival World Mix Music, com concertos da divertidíssima trupe de italianos Anonima Nuvolari (na foto; dia 10) e dos marroquinos Gnawa Sahara Soul (dia 11), para além de sessões de DJing por Raquel Bulha (dia 10), o nosso camarada das Crónicas da Terra Luís Rei (dia 11) e, hermmmm, António Pires (dias 10 e 11). Paralelamente, no espaço Eastpak Urban Jam
há mais música com DJ Ride & DJ Kwan e no espaço Timezone actuam Os Moranguitos (um trio do Porto composto por um DJ, um baterista e um violinista), o Nubai Sound System e um concerto de didgeridoo. Para além da música, o Mercado Mundo Mix inclui inúmeros stands de moda e artesanato e mostra exposições e filmes.

Também em Maio e em Lisboa, mas no Teatro da Trindade, decorre o festival Lisboa - Porto de Abrigo, que apresenta concertos do músico e cantor angolano Yami (dia 1), da fadista Raquel Tavares (dia 7), do fadista António Zambujo (dia 14), da cantora cabo-verdiana Titina (dia 21) e dos Donna Maria (dia 28). A organização é da HM Música e do Inatel.

09 julho, 2007

Voz de Mulher - Do Canto das Baleias às Mais Fundas Raízes do Minho



É só um breve apontamento - que o tempo escasseia e os afazeres são muitos - mas mais que justificado pela altíssima qualidade que atingiu o II Festival Voz de Mulher, que decorreu este fim-de-semana no Teatro Aveirense. A começar por um extraordinário concerto/performance de Fátima Miranda (na foto, de Dragan Tasic), com a cantora espanhola a mostrar como a voz consegue ser um instrumento total e infinito de possibilidades, seja mimetizando o canto das baleias com um sussurro gutural nos confins dos agudos, seja fazendo ouvir um poderosíssimo grito de revolta numa canção baseada na guerra civil espanhola, seja um divertimento puro, embora elaboradíssimo, quando pega nas bases do flamenco e nos códigos da sedução homem/mulher para arrancar sentidas gargalhadas à plateia. Por sua vez, Amélia Cuni - cantora italiana que durante dez anos estudou com mestres indianos as técnicas do canto dhrupad - mostrou como é possível, com uma contenção, uma beleza e um respeito extremos, recriar criativamente uma tradição distante - e, sempre, com o seu companheiro Werner Durand a manipular sábia e subtilmente electrónicas e a tocar estranhíssimos instrumentos de sopro por ele inventados. Já as finlandesas Anna-Kaisa Liedes (voz principal, kantele e percussões) e Kristiina Ilmonen (percussões e voz), embora não atingindo o nível de arrebatamento dos outros projectos, mostraram mesmo assim como a voz tem inúmeras vozes lá dentro e como de tradições diversas se pode chegar à modernidade extrema. Entre mostras e amostras, no encerramento o grupo Mulheres do Minho mostrou um profundo amor à terra e à tradição, raro, raríssimo; um amor feito de cantos sagrados e profanos, cantados como se sempre assim tivessem sido cantados - o «Aboio» é um arrepio. Arrepios extensíveis ao workshop de Amélia Cuni (em que a voz, ali solta e não contida, viajou por estradas, espirais, remoinhos intermináveis...) e aos momentos em que Fátima Miranda, no seu colóquio, enchia a sala com uma voz maior que a vida. Ah, e a minha sessão de DJ com o camarada Luís Rei correu muito bem - uma hora de sessão transformou-se em... três horas e meia.

03 julho, 2007

Festival Voz de Mulher - Está Quase Quase...



O Festival Voz de Mulher começa no Teatro Aveirense, em Aveiro, já na quinta-feira, com um interessantíssimo programa centrado no cruzamento de técnicas vocais tradicionais e contemporâneas. Tanto nos concertos como nos workshops que vão ser dirigidos pelas cantoras presentes no festival (e cujas inscrições ainda estão abertas). Para refrescar a memória aqui fica uma notícia já anteriormente publicada neste blog acerca do Voz de Mulher:

Depois de anunciado o nome de Fátima Miranda, é agora conhecido o restante programa do II Festival Voz de Mulher, que ocupa o Teatro Aveirense, em Aveiro, nos dias 5, 6, 7 e 8 de Julho, com organização das Segue-me à Capela e do Teatro Aveirense. Um programa interessantíssimo em que todas as intervenientes juntam doses semelhantes de música tradicinal com técnicas e géneros contemporâneos, proporcionando experiências musicais e performáticas únicas. O programa arranca na primeira noite, dia 5, com o concerto «Diapasión», da espanhola Fátima Miranda, e uma sessão de DJing - a «Noite Borato de Sódio» - por António Pires (autor deste blog) e Luís Rei (o camarada do Crónicas da Terra). No dia seguinte, 6, às 15h00, a cantora italiana Amélia Cuni dirige um workshop de canto indiano dhrupad. Dia 7, às dez da manhã, o grupo vocal Segue-me à Capela dá um workshop de canto tradicional português; às 15h00, Fátima Miranda protagoniza o colóquio «Yo Me Las Compongo - Vocalista ou Boca Lista?»; e à noite decorre o espectáculo «Old Trends and New Traditions in Indo-European Music», pelo duo de Amélia Cuni e Werner Durand, seguido pelo espectáculo «Aanikuvia – Soundscapes» do duo finlandês de Anna-Kaisa Liedes (ela que foi do importantíssimo grupo Niekku e está agora nas MeNaiset; na foto) e Kristiina Ilmonen (que acompanhou Anna-Kaisa no projecto Utua) e por um concerto do grupo português Mulheres do Minho. No dia 8, o festival encerra com um workshop, às 15h00, de canto tradicional fino-karelio-úgrico e improvisação vocal por Anna-Kaisa Liedes e Kristiina Ilmonen. Uma feira do disco especializada em cantares no feminino pode também ser visitada nestes dias. Mais informações aqui e aqui.

31 maio, 2007

Voz de Mulher - Tradição e Contemporaneidade em Aveiro



Depois de anunciado o nome de Fátima Miranda, é agora conhecido o restante programa do II Festival Voz de Mulher, que ocupa o Teatro Aveirense, em Aveiro, nos dias 5, 6, 7 e 8 de Julho, com organização das Segue-me à Capela e do Teatro Aveirense. Um programa interessantíssimo em que todas as intervenientes juntam doses semelhantes de música tradicinal com técnicas e géneros contemporâneos, proporcionando experiências musicais e performáticas únicas. O programa arranca na primeira noite, dia 5, com o concerto «Diapasión», da espanhola Fátima Miranda, e uma sessão de DJing - a «Noite Borato de Sódio» - por António Pires (autor deste blog) e Luís Rei (o camarada do Crónicas da Terra). No dia seguinte, 6, às 15h00, a cantora italiana Amélia Cuni (na foto) dirige um workshop de canto indiano dhrupad. Dia 7, às dez da manhã, o grupo vocal Segue-me à Capela dá um workshop de canto tradicional português; às 15h00, Fátima Miranda protagoniza o colóquio «Yo Me Las Compongo - Vocalista ou Boca Lista?»; e à noite decorre o espectáculo «Old Trends and New Traditions in Indo-European Music», pelo duo de Amélia Cuni e Werner Durand, seguido pelo espectáculo «Aanikuvia – Soundscapes» do duo finlandês de Anna-Kaisa Liedes (ela que foi do importantíssimo grupo Niekku e está agora nas MeNaiset) e Kristiina Ilmonen (que acompanhou Anna-Kaisa no projecto Utua) e por um concerto do grupo português Mulheres do Minho. No dia 8, o festival encerra com um workshop, às 15h00, de canto tradicional fino-karelio-úgrico e improvisação vocal por Anna-Kaisa Liedes e Kristiina Ilmonen. Uma feira do disco especializada em cantares no feminino pode também ser visitada nestes dias. Mais informações aqui e aqui.

11 dezembro, 2006

O Etnias É Um Festival Tão Bonito!


Montes de gente, boa música em todo o lado, uma festa pegada, sorrisos que nunca mais acabam e uma simpatia imensa... A quarta edição do Festival Etnias terminou na madrugada de sábado para domingo depois de excelentes concertos e sempre, em todos os momentos, com muita coisa para ver, ouvir e contar. Alguns desses momentos, já a seguir...

Momento 1: Osga, anfitrião como há poucos, dá as boas-vindas com o seu didgeridoo a servir de tapete voador aos delírios vocais de Beat, puto de Braga com escola hip-hop que usa as suas cordas vocais (vocal beat box ou, se se quiser, caixa-de-ritmos vocal que tem ecos distantes no scat do jazz ou no canto konokol indiano) para disparar mil sons, mil músicas - do tema da «Floribela» ao «Seven Nation Army» dos White Stripes -, mil ritmos, scratch e estalinhos de língua. Um espanto! A seguir, os fabulosos 3ple-D (na foto) incendiaram o Contagiarte com uma festa pegada de didgeridoos e percussões (com destaque para um estranhíssimo instrumento, o hang, que está entre as steel-drums de Trinidad e Tobago e uma... cataplana). Magia, transe, drones infinitos, ritmo e movimento... Para, logo a seguir, Osga pôr toda a gente aos saltos com uma das suas já míticas DJ-folk-sessions, mais parecendo o chão do Contagiarte uma cama-elástica (literalmente!). Eram quase seis da manhã quando saí de lá, cansado mas feliz...

Momento 2: Início de festa com uma estupenda banda que é necessário conhecer com urgência: os Comcordas, três rapazes de Alcains, em guitarra-ritmo, guitarra-solo e guitarra-baixo, todas acústicas, a viajarem pelo reportório de Django Reinhardt, mas com marcas pessoalíssimas: pequenas invenções deliciosas, uma pulsão funk por vezes, um «approach» quase rock outras, e sempre com um swing raro em músicos portugueses... Disco com eles já! A seguir, não vi os Terrae... O Osga - malandro! - pediu-me para pôr música no rés-do-chão e eu lá estive a fazer de DJ para algumas pessoas que dançaram quando passei temas mais folk mas que ficaram muito quietinhas quando aquilo era mais árabe ou africano ou cubano. Mas dessa hora e meia atrás dos pratos guardo um momento especial: o espanto com que foi recebido o «Clocks» dos Coldplay em ritmo salsa. Depois, os Roncos do Diabo estiveram, mais uma vez, magníficos, afinadíssimos, com uma misteriosa pulsão ancestral (terão mesmo feito um pacto faustiano qualquer?) a puxá-los para o interior da Terra. Ah, gaitas do Demo!!! E, ahhh!!!!, percussionista dos Infernos!!!... A festa terminou no rés-do-chão com os Roncos em alegre jam-session com outros músicos em gaitas aladas e tambores em chamas e com a muito boa folk escolhida pelo camarada Luís Rei que pôs toda a gente a dançar. Eram quase seis da manhã quando saí de lá, mais cansado mas ainda mais feliz...

Momento 3: Na ultima noite saí do Contagiarte à uma e meia da manhã - derreado de cansaço mas estupidamente feliz - depois de ter visto parte do espectáculo dos Djamboonda e das suas bailarinas. Bailarinas que dançam fabulosamente bem e comunicam facilmente com o público; e muito bons músicos: dois deles em djembés e outros dois em tambores vários, baterias artesanais, tudo a disparar ritmos africanos, ancestrais, pulsantes de calor e cor e uma estranha harmonia que parece habitar aquele espaço do Porto quando o Etnias acontece. Uma harmonia também visível nos vídeos bem escolhidos que ocuparam a sala chill-out durante estes dias, vídeos em que árabes e espanhóis, indianos e africanos, tocam todos uns com os outros; vídeos em que danças de distantes lugares do mundo se assemelham tanto entre si que o arrepio só não acontece a quem é completamente insensível... E uma harmonia que se sente entre toda a equipa do Contagiarte, uma fabulosa equipa a quem agradeço a hospitalidade com que me receberam. Um grande Obrigado ao Osga e à Rute, à Ana e ao Rui, às senhoras da cozinha (ai, as sopas!!!, ai as tripas com cominhos, canela e pimenta!!!) e ao Thomas (ai, a sopa de peixe!!!)... Era uma e meia da manhã, dizia, e o Luís Rei e eu fizemo-nos à estrada a caminho de Lisboa e a espantar o sono inventando letras alternativas para temas folk-tecno balcânicos...

27 novembro, 2006

Festival Etnias - Em Dezembro no Contagiarte


O melhor espaço nocturno do Porto, o Contagiarte, recebe nos dias 7, 8 e 9 de Dezembro mais uma edição do Festival Etnias, marco maior desta casa que nasceu a 11 de Dezembro de 2003 e que já acolheu «centenas de eventos, para cima de um milhar de artistas e muito, muito público». Uma casa onde é habitual ouvirem-se sons de todo o mundo - folk, tango, reggae e ska, world-ambient... até heavy-metal de desvairadas proveniências - e onde o Etnias, agora em quarta edição, cai sempre que nem uma luva.

O Festival Etnias apresenta, no dia 7, o Beat Box Show (Beat e Osga, este músico dos Mu, DJ no Contagiarte e programador do Festival) e os holandeses 3ple-D (dois didgeridoos na boca de Lies Beijerinck e Michiel Teijgeler, e tablas, cajon, congas e outras percussões nas mãos de Terence Samson). No dia 8 há espaço para o jazz manouche à Django Reinhardt (o genial guitarrista de jazz cigano, belga mas francês de adopção e com menos dedos do que seria suposto) dos albicastrenses Comcordas (António Preto na guitarra-solo, Gil Duarte na guitarra-ritmo e Gonçalo Rafael no baixo acústico), os portuenses Terrae (duo de música e dança constituído por Marc e Diana) e os lisboetas festivos e incendiários Roncos do Diabo (isto é, os ex-Gaitafolia, isto é bis, os gaiteiros André Ventura, Mário Estanislau, João Ventura e Victor Félix, e o percussionista Tiago Pereira). E no dia 9, para fim de festa, há danças africanas com as bailarinas dos Djamboonda (Teresa Pinto e Eva Azevedo) e um espectáculo dos próprios Djamboonda (na foto), grupo da Tábua que vai a África buscar os ritmos, a cor e o sabor das suas actuações (os Djamboonda são agora formados por cinco percussionistas com raízes em Portugal, Cabo Verde, Angola e Guiné–Bissau: Gueladjo Sané, Kula, Paulo Rodrigues, Dez e Tito Silva). Todas as noites há também sessões de DJs até às tantas da manhã. Mais informações, aqui.

04 julho, 2006

Olhar para o Umbigo...


(Aviso prévio: por razões óbvias, estes dois textos não são lá muito objectivos...)

Olhar para o umbigo (I): Vou estrear-me no final do mês como DJ, em dupla com o meu querido Gonçalo Frota, no FMM de Sines. Vamos passar, pois, world music (seja lá a world music o que for...). E é para dançar muito, claro. A sessão da dupla (que, se tudo correr bem, será um dia conhecida como 2Mé & Prince Hip... Pergunta alguém: «Quem são aqueles gajos que estão a passar música?», responde o outro: «São Tomé e Príncipe...») está integrada na programação paralela de DJs do FMM (ver, sff, programa com os nomes principais do festival lá em baixo, neste blog) que inclui actuações, em Porto Côvo, dos Buraka Som Sistema (dia 21), Raquel Bulha & João Pedro (dia 22), João Patrício (dia 23), Gonçalo Frota & António Pires (dia 24), Manuel Calapez & Leg Curl Videos (dia 25) e, já na Avenida da Praia, em Sines, Unity Sound Crew (dia 26), DJ Yggdrasil aka Luís Rei (dia 27), DJ Mankala & Freestylaz (dia 28) e Bailarico Sofisticado aka Vítor Junqueira, Pedro Marques e Bruno Barros. Andam muitos amigos por aqui, como se pode ver (e isso é muito bom!).

Olhar para o umbigo (II): O livro que comemora dez anos do festival Andanças, «Contra Danças Não Há Argumentos», é editado por estes dias e estará também à venda, como é óbvio, na próxima edição deste festival de danças tradicionais e de muitas outras coisas à volta. Um dos capítulos do livro, «Dois Pés Esquerdos», é uma adaptação de um texto meu publicado originalmente no BLITZ. Os outros capítulos do livro são assinados por Adriano Azevedo, Alexandre Matias, Ana Martins, Daniel Tércio, Diana Mira, Gonçalo Oliveira, Graça Gonçalves, João Pires, Luís Fernandes/d’Orfeu, Luís Moura, Manuela Pires da Fonseca, Mercedes Prieto, Paulo Pereira, Rui Leal e São Vicente. Este ano, o Andanças decorre de 31 de Julho a 6 de Agosto, em Carvalhais (S.Pedro do Sul) e, só para referir alguns dos concertos ou bailes animados por grupos ao vivo, há actuações de Teresa Gabriel, Audible Architecture, Dazkarieh, Djamboonda, Kumpa'nia Al-Gazarra, Nação Vira Lata, Olive Tree, Sebastião Antunes Trio, Tchakare Kanyembe, Naragonia, Akiakule Folk Vasco, La Font De La Carota, Minuit Guibolles, Parasol, Abnoba, Cantina Sociale, Paddy B & Celtic Express, Auberge Du Sud, Kapela z Milanówka, Cravo & Ferradura, Fol&ar, Lúmen, Mu, No Mazurka Band, Toques Do Caramulo, Uxu Kalhus, Zigaia, Planeta Dança e Star Treko, entre muitos outros...