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01 junho, 2009

Antonio Rivas Continua festIM (e há mais bilhetes para oferecer!)


O festIM - Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - continua este sábado, dia 6, com um concerto do cantor e acordeonista colombiano Antonio Rivas (na foto), acompanhado pelos seus Vallenatos, no Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga. O Raízes e Antenas associa-se à festa e tem dois bilhetes individuais para oferecer às duas pessoas que mais rapidamente mostrarem o seu desejo de ir a este concerto na caixa de comentários aqui em baixo. O festIM, recorde-se, tem organização da d'Orfeu e, durante os meses de Maio, Junho e Julho, apresentou ou apresentará também concertos de Manecas Costa, Hermeto Pascoal, Kepa Junkera, Le Vent du Nord, Musafir - Gypsies of Rajasthan e Amsterdam Klezmer Band, em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro. Mais informações, aqui.

25 maio, 2009

Manecas Costa Inaugura festIM (e há bilhetes para oferecer!)


O festIM - Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - arranca esta sexta-feira, dia 29, com um concerto do guineense - e mestre absoluto do n'gumbé - Manecas Costa (na foto), no palco do Cine-Teatro de Estarreja. O Raízes e Antenas associa-se à festa e tem dois bilhetes individuais para oferecer às duas pessoas que mais rapidamente mostrarem o seu desejo de ir a este concerto na caixa de comentários aqui em baixo. O festIM, recorde-se, tem organização da d'Orfeu e, durante os próximos meses, apresentará também concertos de Antonio Rivas & sus Vallenatos, Hermeto Pascoal, Kepa Junkera, Le Vent du Nord, Musafir - Gypsies of Rajasthan e Amsterdam Klezmer Band, em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro. Mais informações, aqui.

27 março, 2009

Festim - Um Grande Festival Espalhado Por Sete Municípios


Mais uma iniciativa saída da cabeça da d'Orfeu, o Festim é um novo festival que desenvolve e alarga algumas das iniciativas que esta associação de Águeda tem apresentado nos últimos anos, espalhando-as também pelos municípios vizinhos. O programa oficial:

«festim - festival intermunicipal de músicas do mundo

29 Maio a 24 Julho 2009 | 1ª edição
20 concertos em 7 municípios

Hermeto Pascoal (Brasil; na foto) | Kepa Junkera (País Basco, Espanha) | Manecas Costa (Guiné-Bissau) | Le Vent du Nord (Québec, Canadá) | Musafir - Gypsies of Rajasthan (Índia) | Amsterdam Klezmer Band (Holanda) | Antonio Rivas & sus Vallenatos (Colômbia)

ÁGUEDA - SEVER DO VOUGA - ESTARREJA – OVAR
OLIVEIRA DO BAIRRO - ALBERGARIA-A-VELHA - AVEIRO



O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, em 1ª edição, chega ao público de 29 de Maio a 24 de Julho, com um cartaz partilhado que inclui nomes grandes vindos de vários continentes. O festival percorrerá, durante dois meses, os municípios de Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, numa iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural em parceria com as autarquias envolvidas.

Este novo festival intermunicipal recebe a herança dos festivais temáticos de músicas do mundo - uma área de paixão nas programações d’Orfeu -, que esta associação vinha programando em Águeda desde 2002. O festival doravante em rede, estrutura-se numa programação partilhada entre municípios vizinhos - Águeda, Sever do Vouga, Estarreja e Ovar são os pioneiros, num projecto a quatro anos -, a que se juntam mais três municípios nesta edição de 2009 (Oliveira de Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro). Um cartaz à escala mundial promete singular festa em toda a região: a programação inclui, nesta 1ª edição, grandes nomes vindos do Canadá, Colômbia, Brasil, Holanda, Espanha, Guiné-Bissau e Índia.

O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, que decorrerá anualmente nos meses de Junho e Julho, é fruto de uma parceria abrangente com as quatro autarquias principais, suportada por um Acordo Tripartido com o Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes. O objectivo é expandir o know-how cultural da d’Orfeu a um tecido de municípios vizinhos, incluindo Águeda como origem incontornável e principal beneficiária do projecto, e aplicar no terreno as suas teses de trabalho em rede, nomeadamente na extensão dos seus formatos e largamente reconhecidas práticas culturais.

O novo festival intermunicipal é o laço que une esta parceria intermunicipal.
Vem aí um verdadeiro festim!




PROGRAMAÇÃO 2009

Hermeto Pascoal
(Brasil)

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal é uma autêntica força da natureza. Homem dos sete instrumentos, a sua criatividade é inesgotável. Valendo-se de todo e qualquer objecto capaz de produzir sons - além de tocar instrumentos convencionais como o piano, as flautas ou os cordofones, todos magistralmente apresenta um incrível carácter experimental. O inesperado acontece sempre nos concertos deste mago brasileiro que, no festim, se apresenta em duo com Aline Morena. Mais que da música do mundo, Hermeto é figura maior do mundo da Música!


Kepa Junkera
(País Basco, Espanha)

O notável músico de Bilbau, mago da concertina basca - a trikitixa -, regressa a
território luso, mais propriamente à terra que mais se deslumbrou, alguma vez, com as suas vertiginosas performances. Kepa Junkera reproduz uma música sem fronteiras, mas orgulhosamente basca, na qual despontam os diálogos com a txalaparta, instrumento composto de toros de madeira tocado a quatro mãos. Kepa, além de grande compositor, é dono de um virtuosismo ímpar. Os dedos do basco vão entrar, outra vez, pelo público dentro.


Manecas Costa
(Guiné-Bissau)

Manecas Costa é uma das mais belas vozes de origem africana na actualidade, um brilhante compositor e virtuoso guitarrista da Guiné-Bissau. A sua música carrega as vibrações quentes e a sensualidade do “gumbe”, música crioula nascida em Bissau. Um dos seus grandes êxitos, o álbum “Paraíso di Gumbe”, de edição britânica, reúne os sons vibrantes e crus do seu país natal, com uma virtuosa técnica na guitarra acústica e uma voz carismática e apaixonada. São concertos imperdíveis, os do grande embaixador musical da Guiné-Bissau para o mundo, Manecas Costa.


Le Vent du Nord
(Québec, Canadá)

Le Vent du Nord retrata a excelência da actual música folk do Québec, com
fortíssimas influências da música celta irlandesa e da Bretanha francesa. Assistir a um concerto destes quatro virtuosos é deixar-se envolver numa teia de raízes sonoras em constante viagem entre a herança europeia e a velho Canadá francófono, onde a percussão com os pés é imagem singular. ‘Le Vent du Nord’, cuja curta carreira conta já inúmeros prémios, representa o mais genuíno e empolgante folk do Atlântico Norte!


Musafir - Gypsies of Rajasthan
(Índia)

Das paisagens exóticas da Índia, os Musafir trazem-nos uma quente e inovadora interpretação dos ritmos e sonoridades milenares da cultura hindu, num espectáculo que ultrapassa o espectro musical. O grupo desvenda as mais profundas raízes do Rajastão. Encantadoras de cobras, acrobacias com fakirs, engolidores de sabres e cuspidores de fogo. A palavra “musafir” que significa em sentido literal itinerância”, reflecte o modo de vida que inspira estes músicos ciganos vindos do deserto indiano: o transe das tablas é festa para todos.


Amsterdam Klezmer Band
(Holanda)

Os holandeses prometem um espectáculo electrizante, num cocktail sonoro de música cigana dos Balcãs e sonoridade Klezmer. Esta é a imagem de marca da Amsterdam Klezmer Band, formação holandesa de talentosos músicos com raízes judias que dá um novo brilho às músicas de leste. Tal como indica o título do seu último álbum “Zaraza”, que em língua eslava significa “contagiante”, também durante os enérgicos concertos do grupo só restará ao público uma opção: dançar até cair.


Antonio Rivas & sus Vallenatos
(Colômbia)

O som da ‘cumbia’ colombiana por um dos seus mais virtuosos instrumentistas. Antonio Rivas, à concertina, apresenta-se com ‘sus Vallenatos’, característica formação de sexteto latino preparada para concertos de festa contagiante. Além da sedutora presença musical de Rivas, no palco explodem as prestações rítmicas da típica “guacharaca” e da “caja vallenata”, numa orquestra que promete grandes noites de festim!


PROGRAMA COMPLETO


Sex 29 Maio Manecas Costa ESTARREJA
Sex 5 Jun Antonio Rivas OVAR
Sáb 6 Jun Antonio Rivas SEVER DO VOUGA
Qua 10 Jun Amsterdam Klezmer Band ESTARREJA
Sex 12 Jun Amsterdam Klezmer Band OVAR
Sáb 13 Jun Amsterdam Klezmer Band SEVER DO VOUGA
Qui 18 Jun Hermeto Pascoal ESTARREJA
Sex 19 Jun Hermeto Pascoal OVAR
Sáb 20 Jun Hermeto Pascoal SEVER DO VOUGA
Sex 26 Jun Le Vent du Nord OVAR
Sáb 27 Jun Le Vent du Nord SEVER DO VOUGA
Sex 3 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan ESTARREJA
Sáb 4 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan SEVER DO VOUGA
Qui 9 Jul Kepa Junkera ÁGUEDA
Qua 15 Jul Manecas Costa OLIVEIRA DO BAIRRO
Qui 16 Jul Manecas Costa ÁGUEDA
Sex 17 Jul Manecas Costa OVAR
Sáb 18 Jul Manecas Costa ALBERGARIA-A-VELHA
Qui 23 Jul Amsterdam Klezmer Band ÁGUEDA
Sex 24 Jul Amsterdam Klezmer Band AVEIRO

Informações:

http://www.dorfeu.com/
http://dorfeu.blogspot.com/»

27 fevereiro, 2008

Beirut no FMM (e Um Cheiro a Festival no 25 de Abril de Sines)


Os Beirut, de Zach Condon (na foto), estão oficialmente confirmados para o FMM de Sines, estando o seu concerto marcado para dia 24 de Julho no Palco do Castelo. Um concerto desejado e em que se espera que venham à tona todas as emoções contidas nas canções dos álbuns «Gulag Orkestar» e «The Flying Club Cub», discos em que Condon demonstra a sua paixão pela música balcânica, os mariachis mexicanos, a musette e a chanson francesas, a folk norte-americana ou o rock indie das melhores escolas... Também com concertos anunciados para o FMM de Sines - e já avançados pelo blog Crónicas da Terra - estão a cantora suiça Erika Stucky (que regressa a Sines a 26 de Julho com um espectáculo de homenagem a... Jimi Hendrix), a fabulosa trupe norte-americana Hazmat Modine (18 de Julho, em Porto Covo) e o grupo de canto polifónico e percussões Lo Còr de La Plana, de Marselha. Todos eles a juntarem-se a outros nomes do programa entretanto já conhecidos como os dos Marful, da Orchestra Baobab e dos Kasai Allstars.

Entretanto, que se saiba, nenhum dos nomes já confirmados para as comemorações do 25 de Abril em Sines virão depois ao FMM, mas nenhum deles deslustraria no cartaz do festival. Ora veja-se só: dia 24 de Abril, na Avenida Vasco da Gama, há concertos com Júlio Pereira - recentemente regressado aos álbuns com «Geografias» - e o grupo feminino galego Malvela, onde pontifica a cantora Uxía. Um dia depois, no Centro de Artes, o cantor e guitarrista guineense Manecas Costa e o actor e humorista galego Carlos Blanco protagonizam o espectáculo cómico-musical «Humor Neghro», enquanto no dia 26 o palco do Centro de Artes é ocupado por um concerto dos Chuchurumel.

07 dezembro, 2007

Cantos na Maré - A Cantar É Que a Gente se Entende


O alargado e, muitas vezes, polémico conceito de «lusofonia» tem na música - e no canto (sejam cantos em português de Portugal, em crioulo cabo-verdiano, com sotaque brasileiro ou angolano, em galego...) - a sua face mais luminosa e mais facilmente conglomeradora de ideias, de vontades e de uma (ou várias?) língua comum. E o já clássico festival Cantos na Maré, uma ideia da cantora galega Uxía, é um dos expoentes maiores desta ligação entre povos irmãos, culturas irmãs, músicas ainda mais que irmãs de tão misturadas que estão. Este ano o Cantos na Maré conta com a presença das cantoras e cantores Uxía (Galiza), Manecas Costa (Guiné-Bissau), Mercedes Peón (Galiza), Ceumar (Brasil), Nancy Vieira (Cabo Verde; na foto) e JP Simões (Portugal), que são acompanhados por uma banda formada por Paulo Borges (piano e acordeão), Paco Charlín (baixo), João Ferreira (percussão), Jon Luz (cavaquinho), Quiné (batería), Amadeu Magalhães (cordas, flautas), Davide Zaccarías (violoncelo) e Óscar Fernández (acordeão e sanfona). O espectáculo principal decorre dia 15 de Dezembro no Pazo da Cultura de Pontevedra, mas para além do concerto haverá ao longo dos dias anteriores encontros de músicos e projecção de documentários musicais. Mais informações aqui.

04 julho, 2006

E Salta Loulé E Salta Loulé, Loulé!


Jump, jump, jump, jump... Dez (onze?, doze?) franceses tresloucados saltam em cima do palco, em uníssono. O público, muito público à sua frente, salta em uníssono com eles, os Babylon Circus (na foto), máquina de muita festa e muitas músicas: reggae, ska, klezmer, Balcãs, chanson, valsas parisienses... E os Babylon Circus foram os responsáveis por um, entre muitos outros e igualmente bons, delírios festivos da edição deste ano do Festival MED, de Loulé: os extraordinários Think of One (um bando de belgas e de brasileiras que têm em D.Cila, uma velhinha pequenina, a mestra de cerimónias perfeita para o seu cocktail molotov de música nordestina e bahiana com tudo o que de ocidental se possa imaginar - até um tema surf-forró!), os bem melhores ao vivo do que em disco Capercaillie (pela simples razão de que os escoceses, ao vivo, quase não usam electrónicas e vão muito mais directos «ao osso» dos jigs e reels), os cada vez melhores na mestiçagem de géneros Amparanoia, a simpatia contagiante e a música lindíssima de Manecas Costa, a genial fusão de rai, gnawa e outros géneros do norte de África com funk, jazz, prog, etc. da Orchestre National de Barbés (que acabou o concerto com uma surpreendente e fabulosa versão de «Sympathy For The Devil», dos Rolling Stones, cantada em francês, árabe e inglês) e os marafados Marenostrum, cada vez melhores e a melhor juntar variadíssimos géneros (dos algarvios ao «celta», ao reggae ou à música cabo-verdiana, neste concerto representada por Maria Alice - maravilhosa em «Bulimundo» - e o seu teclista, que se juntaram aos Marenostrum em alguns temas). Uma festa que, em duas noites, continuou animadíssima com excelentes e arriscadas sessões de DJ de Raquel Bulha e Luís Rei.

Num registo mais introspectivo, Cristina Branco, Yasmin Levy, Souad Massi e, num dos palcos secundários, os Dazkarieh (com nova vocalista) e os Mandrágora, deram também muito bons concertos. E se a isto juntarmos muita gente todos os dias (com enchentes enormes nas noites de sexta e sábado), mais bancas de artesanato e restaurantes (incluindo um de comida egípcia), a simpatia enorme das pessoas que trabalham no festival e muitos amigos, o balanço do 3º MED só pode ser mais que positivo. E o melhor que eu poderia esperar depois de duas semanas de «férias» deste Raízes & Antenas (eufemismo que aqui significa «estou desempregado mas, como não tenho internet, vou deixar este blog abandonado»). Férias passadas ali mesmo ao lado, em S.Brás de Alportel.

06 junho, 2006

Ali Farka Touré - À Espera de «Savane»


Enquanto não é editado o novo álbum de Ali Farka Touré, «Savane», recordam-se aqui alguns textos sobre este génio maliano recentemente falecido... O obituário a propósito da sua morte e a reportagem do África Festival do ano passado, em Lisboa, em que Touré foi o indiscutível cabeça-de-cartaz.


ALI FARKA TOURÉ (1939 – 2006)
(originalmente publicado em Março deste ano)

Ali Farka Touré, o genial músico que mostrou os «elos perdidos» entre a música sub-sahariana e os blues, morreu a semana passada. Mas o seu legado musical - e humano – permanecerá para sempre.

O músico e cantor maliano Ali Farka Touré morreu no dia 7 de Março, enquanto dormia, vítima de um cancro nos ossos de que já padecia quando fez a sua última digressão europeia, o ano passado, e que o trouxe a Lisboa para um memorável concerto em Monsanto. Nesse concerto, Ali Farka tocou para cerca de 10 mil pessoas em transe, em encantamento (no sentido mágico da palavra) permanente perante a música deste senhor que sabia que a sua música era uma forma de expressão muito antiga mesmo quando se socorria de uma guitarra eléctrica para a fazer. Ali Farka sabia-o e demonstrava-o na sua música e dizia-o nas raras entrevistas que dava (inclusive no episódio da série documental dedicada aos blues dirigida por Martin Scorsese): os blues norte-americanos (e por arrasto, o rock e muitas das formas «modernas» de música anglo-saxónica) tinham a sua origem ali, na parte de baixo do deserto do Sahara, nas margens do Rio Niger, onde África começa a ser negra. Ali, nas regiões do Império Mandinga onde os negreiros iam buscar os escravos que levavam para as Américas (do Norte e do Sul), indo com eles a sua música que depois se transformou em muitas músicas (os blues nos Estados Unidos e formas musicais sul e centro-americanas noutros países).

Nesse concerto em Monsanto, Ali Farka teve como convidado especial Toumani Diabaté, o mais respeitado instrumentista de kora do Mali, com quem Ali gravou em dueto o último álbum editado em vida, «In The Heart of The Moon» (recentemente premiado com um Grammy, o segundo da carreira de Ali Farka, depois de «Talking Timbuktu»). Para 2006 está prevista a edição de um novo álbum, gravado durante as mesmas sessões de «In The Heart of The Moon», mas com Ali Farka a ser acompanhado por dois tocadores de n’goni (pequena guitarra de madeira com 3 ou 4 cordas). Para trás ficou uma riquíssima discografia, parte dela editada apenas no Mali nos anos 70 e inícios dos anos 80. O reconhecimento internacional chega em meados dos anos 80, com a edição, através da World Circuit, de «Ali Farka Touré» (1987), a que se seguiram «The River» (1990), «The Source» (1992), «Talking Timbuktu» (1994; ao lado de Ry Cooder), «Radio Mali» (1996; que compilava gravações dos anos 70), «Niafunké» (1999), «Red & Green» (2004; recuperando dois álbuns, conhecidos como «Red» e «Green» devido à cor das suas capas, editados originalmente apenas no Mali) e «In The Heart of The Moon» (2005).

Ali Ibrahim Touré nasceu em 1939 (não se sabe ao certo o dia de nascimento), na aldeia maliana de Kanau, tendo sido o único sobrevivente de uma família de dez irmãos. Talvez por isso, os seus pais deram-lhe a alcunha de Farka, que significa «Burro» (e que na tradição do povo Arma, de que Ali era originário, significa «um animal forte e tenaz»). De religião muçulmana (religião que praticou durante toda a sua vida), Ali passou por bastantes dificuldades durante a infância e juventude. Perdeu o pai ainda criança e lançou-se à vida: foi mecânico, condutor de táxis e de ambulâncias. Mas a música surge-lhe como uma necessidade maior no início dos anos 60. Fez parte de várias bandas, foi artista residente na Rádio Mali, começou então a perceber os laços óbvios que uniam a música da sua região com a música norte-americanma que admirava (de John Lee Hooker a James Brown). E, mais importante ainda, sempre se assumiu como um cidadão e artista que, apesar de Arma, respeitava e amava as outras tribos e culturas do Mali. Ali Farka cantava em songhai, peul, bambara, fula, tamaschek e outras línguas da região. Essa abertura permitiu-lhe ser um dos artistas que contribuiu para a reconciliação nacional no Mali depois da mais recente revolta dos tuaregues. Um bom exemplo dessa reconciliação é o Festival no Deserto, que se realiza desde há alguns anos em Niafunké (e onde participam músicos de variadíssimas etnias malianas, para além de «habitués» como Robert Plant ou os franceses Lo’Jo, co-organizadores do festival), a localidade em que Ali Farka viveu durante muitos anos e cuja agricultura ajudou a desenvolver mercê de modernos sistemas de rega que implantou com o dinheiro que ganhava com a música. Ali Farka foi, nos últimos anos, presidente da câmara de Niafunké (facto «celebrado» no tema «Monsieur Le Maire de Niafunké», de «In The Heart of The Moon»).


COMO UMA RELVA QUE ONDULA
(publicado originalmente em Julho de 2005)

África Festival. Anfiteatro Keil do Amaral (Lisboa), 21 a 24 de Julho.

Vê-se a ponte sobre o Tejo, uma Lua enorme, aviões que passam de minuto em minuto ali mesmo em cima. E há 10 mil pessoas (talvez mais) a ondular à frente do palco. Lentamente, em movimentos vagamente circulares - de transe -, muitas de olhos fechados, algumas de mãos abertas, e todas de coração liberto por uma alegria ou uma fé ou uma revelação qualquer. Mas não estamos no Estádio do Restelo durante o encontro anual de uma seita religiosa. Estamos um bocadinho mais acima, em Monsanto, num belíssimo anfiteatro feito de relva e madeira e água e árvores, e ali à nossa frente está Ali Farka Touré, a sua voz e a sua guitarra eléctrica que convocam os espíritos dos músicos mandingas, dos músicos gnawa, dos vizinhos de ali à volta e dos outros, os primos que nos Estados Unidos criaram (ou recriaram) os blues. Ali Farka já está acima da música... está numa esfera diferente, em que a aura, o carisma, o encanto (e como ele está também encantado connosco!) fazem dele, mais do que um músico, um anjo. E um anjo amigo, que se apaga para deixar brilhar Bassekou Kouyaté em ngoni (pequena «guitarra» de duas cordas) e o convidado especial, na segunda «secção» do concerto, Toumani Diabaté, na kora (a harpa dos países mandingas) – e a repetição do tema «Gomni», uma sem e outra com Toumani, serviu para fazer perceber como a mesma canção pode ter formas tão diferentes (e ambas belíssimas). Aquilo a que estas 10 mil pessoas assistiram não foi na realidade um concerto, mas uma celebração religiosa. No final, Ali toca njarka (um «violino» só com uma corda) e diz que este instrumento foi o seu professor (foi da corda única da njarka que passou para as seis da guitarra).

Ali Farka Touré mereceu o «título» de cabeça-de-cartaz do África Festival, mas todos os outros estiveram também em bom nível. E sempre com muita gente a assistir. Manecas Costa mostrou a sua mestria na voz e guitarras, fazendo um concerto mais festivo do que alguns anteriores, com o n’gumbé guineense a sair muito bem servido (ai as bailarinas!!); e as Zap Mama mostraram que estão mais disco, mais funk, mais soul, até mais hip-hop (com um MC/DJ incendiário) e mais Broadway, embora as riquíssimas harmonias vocais das senhoras (e da filha de Marie, agora também integrada no grupo) ainda brilhem de vez em quando (como no encore). Os moçambicanos Mabulu mostraram que é possível fundir bem o antigo (a marrabenta) e o novo (o reggae, o dancehall, o hip-hop...) e fazer uma festa imensa com cada um dos ingredientes. Waldemar Bastos também animou as gentes, principalmente na segunda parte do seu espectáculo (depois do belíssimo coro de «Muxima») com sembas e «merengues» com «açúcar»; e o congolês Ray Lema foi um acólito de luxo (um Mozart-free vindo de África não se ouve todos os dias) no concerto conjunto com o brasileiro Chico César: nordeste brasileiro, jazz, África, reggae; festa sempre. E na última noite, Cabo Verde bem representado por Lura – que é um animal de palco (canta bem, dança bem...) e cruza com bom gosto funanás, coladeiras e batuque, sim, mas também mbalax e música brasileira – e por Tito Paris, acompanhado por banda, orquestra de câmara e secção de metais, um fantástico «wall of sound» a servir de base a temas como «Curti Bô Life», «Dança Ma Mi Criola» ou um sentido «Sodade» (no encore e em – segundo – dueto com o angolano Paulo Flores). A ondulação continua. E às vezes a relva pode crescer viçosa nas margens dos desertos ou no meio dos oceanos.