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03 maio, 2011

Mais Concertos World (ou Aparentados) Que Aí Vêm!


De muitos artistas que aí vêm a vários Festivais de World Music já aqui demos conta. Mas, para já, publicamos aqui outra extensa lista de nomes já confirmados em vários festivais -- de world, transversais e até de rock --, para além de alguns concertos isolados. Do fado ao reggae, da música do norte de África ao som mestiço, da bossa-nova e da pop infectada pelos Balcãs ao flamenco, ao metal apaixonado pela folk nórdica ou ao jazz-klezmer, aqui fica mais um bom lote de nomes para ir fazendo contas à vida e mapas imaginários (a lista foi elaborada tendo por base o fabuloso site Epilepsia Emocional, o calendário de Queimas das Fitas do Mundo Universitário e as inevitáveis Crónicas da Terra):

MAIO

5 - Lisboa, CCB: Paolo Conte

5 - Lisboa, Lx Factory: Yann Tiersen

6 - Lisboa, CCB: Adriana Calcanhotto

7 - Coimbra, Queima das Fitas: Marcelo D2 e Marcelinho da Lua

7 - Porto, Hard Club: Yann Tiersen

8 - Braga, Enterro da Gata: Marcelo D2

9 - Porto, Casa da Música: Adriana Calcanhotto

11 - Porto, Teatro Sá da Bandeira: Marcelo D2

13 - Faro, Vale das Almas: Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra

13 - Lisboa, Coliseu dos recreios: Groundation

14 - Lisboa, Semana Académica: Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra

14 - Porto, Teatro Sá da Bendeira: Groundation

17 - Porto, Casa da Música: Fanfare Ciorcalia + Boban & Marko Markovic Orchestra (Balkan Brass Battle)

21 - Guarda, Teatro Municipal: Susana Baca

24 - Seixal, Seixal – Cine-Teatro do GCC: Turisas

25 - Porto, Hard Club: Turisas

28 - Cascais, Casino Estoril: Anat Cohen

28 - Évora, Semana Académica: Patrice


JUNHO

9 - Estarreja, Praça Francisco Barbosa: Ritinha Lobo

24 e 25 - Ericeira, Ericeira Camping: Summer Fest com Fat Freddy's Drop, Soldiers of Jah Army, Nneka, Alborosie, Freddy Locks, Guy Gerber, Natiruts, Donavon Frankenreiter, Richie Campbell, Anthony B, Cacique'97, DJ Ride


JULHO

1, 2 e 3 - Lisboa, Alto da Ajuda: Tejo com Sean Paul, Ferro Gaita, Yuri da Cunha, Nouvelle Vague, Mariza, Djavan, Parangolé, Orquestra Contemporânea de Olinda e Maria Gadú, entre outros

2 - Porto, Casa da Música - Maria Gadú

8 - Cascais, Parque Marechal Carmona: Céu

10 - Cascais, Parque Marechal Carmona: Diego El Cigala e Ciganos d'Ouro

14, 15 e 16 - Meco, Herdade do Cabeço da Flauta: Super Rock com Beirut, El Guincho, PAUS e Rodrigo Leão, entre outros

14, 15 e 16 - Gaia, Praia do Cabedelo: Marés Vivas com um peso-pesado da world metido no meio do rock: Manu Chao

18 - Porto, Casa da Música: Maria Rita

19 - Porto, Casa da Música: Alpha Blondy

22 a 24 - Casa da Música, Porto: Ollin Kan com Watcha Clan, Chico Trujillo, Johanna Juhola, Terrakota, Jaune Toujours, Sver e As Três Marias.


AGOSTO

3 a 7 - Zambujeira do Mar, Herdade da Casa Branca - Sudoeste com Patrice, Deolinda, Maria Gasolina e King Khan & The Shrines, entre outros

12 - Vila do Bispo, Praia do Tonel: Gentleman

17 a 20 - Paredes de Coura, Praia Fluvial do Tabuão: Paredes de Coura com uma enorme surpresa chamada Omar Souleyman (na foto)

(Nota: Naturalmente, não estão incluídos nesta lista todos os concertos e festivais de que já antes tinha aqui falado...

11 outubro, 2007

Manu Chao, Sergent Garcia e Yerba Buena - Som Mestiço (e Música de Intervenção, Sempre!)


Diferentes abordagens da música latino-americana ou, se se preferir, do «som mestiço» - naquilo que este conceito tem de mais global e alargado, principalmente se se olhar ao facto de ser música feita por franceses ou norte-americanos que vão à América Latina buscar a sua inspiração principal - e, nos três casos, uma necessidade de intervenção política activa, são a sugestão de hoje do Raízes e Antenas. Com álbuns de Sergent Garcia, de Manu Chao (na foto) e dos Yerba Buena.


MANU CHAO
«LA RADIOLINA»
Radio Bemba/Farol

Diga-se, logo para começar, que «La Radiolina» não tem a frescura, o brilho e a alegria de «Clandestino» ou do seu quase gémeo «Proxima Estación: Esperanza». Muitos anos passaram e Manu Chao está agora ainda mais atento às coisas do mundo, mais furioso com as políticas globais, mais centrado num activismo que o faz dar mais importância à mensagem do que às nuances musicais. É uma opção válida, generosa, solidária - e é importante que Manu Chao transmita as mensagens presentes em «Politik Kills», «Rainin In Paradize», «Mundo Révès» ou «Panik Panik» - mas a música fica a perder... Em «La Radiolina» continuam, claro, as habituais influências de Chao desde os tempos dos Mano Negra: a música latino-americana (desde o son cubano aos mariachis mexicanos...), o ska, o reggae, o punk à Clash, mas agora também com algumas aproximações ao country e ao rock FM (principalmente no tratamento dado às guitarras eléctricas) que ou não acrescentam grande coisa ao seu som ou, pura e simplesmente, o estragam por vezes. Mas não se pense que não há grandes momentos de música em «La Radiolina». Há! E o melhor de todos é, sem dúvida, o tema cheio de flamenco «Me Llaman Calle», logo seguido de «La Vida Tombola» (uma lindíssima homenagem a Maradona) e do lento e encantatório «Otro Mundo». E, apesar de ser bastante desequilibrado, «La Radiolina» é, mesmo assim, um bom álbum. (7/10)


SERGENT GARCIA
«MASCARAS»
Labels/EMI

Para os fãs de Manu Chao que ficaram desiludidos (ou semi-desiludidos) com o seu novo álbum, há uma boa solução: ouvir o último álbum de Sergent Garcia, «Mascaras», uma obra de excelentíssimo artesanato urbano, no sentido de se inspirar em variadíssimos géneros tradicionais da América Latina (dos quase óbvios salsa, cumbia, cha-cha-cha, rumba a vários estilos argentinos e mexicanos) mesclando-os com sabedoria com rock, reggae, dancehall, rap; e sem esquecer o lado da intervenção política como o fortíssimo líbelo anti-Bush «Guantanamo City». Curiosamente, Sergent Garcia (de verdadeiro nome Bruno Garcia) tem uma carreira paralela à de Manu Chao: fez parte de um grupo punk francês, os Ludwig von 88 (a letra de «Guantanamo City» é, curiosamente, de Karim Berrouka, seu ex-companheiro nesta banda), antes de começar a desenvolver, a solo, o seu conceito próprio de «salsamuffin». E em «Mascaras», o seu quinto álbum a solo, a fórmula está de tal forma apurada e personalizada que o álbum é um contínuo perfeito de música festiva, viva, hiper-orgânica, sempre dançável e com as coordenadas das várias músicas perfeitamente alinhadas num «equador» ficcional mas tão verosímil que parece verdadeiro. Oiça-se, por exemplo, o irresistível «Me Voy Pa' La Cumbia», e veja-se como já não há barreiras entre variadíssimos géneros musicais. E ainda bem. (9/10)


YERBA BUENA
«FOLLOW ME»
Fun Machine/Wrasse Records

Numa linha paralela à de Manu Chao e de Sergent Garcia - embora com um local de origem geográfica diferente - os Yerba Buena são uma invenção do produtor Andres Levin, que a partir da sua base em Nova Iorque partem para o mundo, em busca de géneros - essencialmente latino-americanos como a guajira, a cumbia, a soca, o boogaloo, a música brasileira (o próprio Levin nasceu no Brasil)... - que possam ser vestidos depois com doses reforçadas de funk, soul, hip-hop, afro-beat ou até flamenco... «Follow Me», este álbum de que se fala aqui, é a primeira edição dos Yerba Buena no mercado europeu e reúne muitos temas anteriormente editados nos álbuns «President Alien» (de 2003) e «Island Life» (de 2005) e, apesar de ter alguns momentos em que se sente bastante o «peso» dos efeitos de estúdio, há outros - bastantes, mesmo assim! - em que se assiste a uma música bastante coerente, divertida, dançável e em que a ideia de fusão está muitíssimo bem conseguida. Ah, sem esquecer - outro traço comum a estes três álbuns, para além da música latino-americana - a intervenção política no irónico «Bla Bla Bla», que inclui samples da voz de Bush. E, pormenor também não dispiciendo, o álbum inclui ainda algumas colaborações de luxo como, entre outros, Carlinhos Brown, o mítico Joe Bataan, Orishas, Diego «El Cigala», Célia Cruz, Les Nubians e... os Gogol Bordello. (7/10)

14 dezembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas VII



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo VII.1 - Manu Chao


Cantor, músico, produtor, o francês Manu Chao é um dos «padrinhos» mais importantes da chamada world music, não apenas pelo seu trabalho em nome próprio, mas também através de grupos e artistas que produziu, como Amadou & Mariam ou Akli D., ou que apadrinhou, como os Ojos de Brujo. Nascido em Paris, a 21 de Junho de 1961, Jose-Manuel Thomas Arthur Chao, filho de mãe basca e pai galego, passou por vários grupos rock, chegando à fama internacional como vocalista dos Mano Negra (aos quais pertenceu entre 1987 e 1994). Depois da separação do grupo viajou pela América do Sul e por África, onde bebeu muita da inspiração para os seus trabalhos a solo, como o seminal «Clandestino» e os mais recentes «Proxima Estacion Esperanza», «Radio Bemba Sound System» (ao vivo), o livro-CD «Sibérie m'était contée» e «La Radiolina». O seu envolvimento em causas sociais e políticas (os «sem-papéis», imigrantes clandestinos na Europa, têm nele um dos seus principais defensores) contribuiu, juntamente com a sua música, para um culto alargado em todo o mundo.


Cromo VII.2 - Ewan MacColl


O cantor inglês de ascendência escocesa Ewan MacColl (aqui em foto com a sua companheira Peggy Seeger) nasceu a 25 de Janeiro de 1915 e morreu a 22 de Outubro de 1989. De seu verdadeiro nome James Miller, Ewan tornou-se primeiramente conhecido pelo seu trabalho como actor e como activista político, antes de se tornar um dos mais importantes cantores e compositores da folk britânica do séc. XX. Com uma carreira envolta em variadíssimos problemas - perseguido pelo MI5 (a polícia secreta inglesa; com canções proibidas na BBC; desertor do exército britânico; censurado publicamente por ter abandonado a mulher para se ligar à cantora e guitarrista norte-americana Peggy Seeger (irmã dos cantores de protesto Pete e Mike Seeger), muitos anos mais nova, que com ele gravaria muitas vezes -, isso não o impediu de com a sua voz iluminar canções fabulosas como «The Manchester Rambler», «The First Time Ever I Saw Your Face» ou... «Dirty Old Town», que décadas depois ficaria mundialmente conhecida através de uma brilhante versão assinada pelos Pogues.


Cromo VII.3 - Rokia Traoré


A cantora maliana Rokia Traoré (nascida a 24 de Janeiro de 1974) é um dos maiores ícones da música da África Ocidental e de como essa música está também aberta a outras influências. Rokia, que pertence à etnia bambara, viajou com o pai, diplomata, por vários países antes de voltar ao Mali, onde foi apadrinhada por Ali Farka Touré. E o facto de Rokia também tocar guitarra, para além de cantar, não será estranho a essa ligação. O seu primeiro álbum, «Mouneissa», foi lançado em 1999, e nele estabeleceu desde logo uma sonoridade bastante própria onde cruzava elementos de música de várias etnias malianas e géneros norte-americanos. Seguiram-se «Wanita» (2000), «Bowmboi» (2003), em que tinha como músicos convidados... o Kronos Quartet, e «Tchamantché» (2008). O reconhecimento do seu talento como cantora e compositora teve, talvez, a sua expressão máxima quando foi convidada para participar nas comemorações do 250º aniversário do nascimento de Mozart, em Viena, num espectáculo conjunto com o Klangforum Wien.

Cromo VII.4 - Tablas


As tablas são o instrumento de percussão mais importante da música indiana (principalmente do norte da Índia) e paquistanesa, sendo bastante importantes tanto na música popular como na música clássica. Riquíssimas em timbres e em soluções rítmicas, as tablas são também - de acordo com vários percussionistas ocidentais - um dos instrumentos de percussão de mais difícil aprendizagem. Os dois «tambores» que constituem as tablas descendem de instrumentos mais antigos - mrdangm e puskara -, conhecendo-se registos escritos acerca das tablas «modernas» desde o séc. XVIII. Desde os anos 60 do séc. XX, as tablas começaram também a ser ouvidas na música ocidental, nomeadamente em discos dos Beatles, Miles Davis ou Bill Laswell. Alguns dos mais importantes intérpretes de tablas são Samir Chatterjee, Trilok Gurtu, Zakir Hussain, Pandit Shankar Gosh e Ustad Haji Shamshuddin Khan, que se apresentam a solo ou acompanhando formações de música indiana/paquistanesa e grupos ocidentais de jazz, rock ou música erudita.