Mostrar mensagens com a etiqueta Tango Crash. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tango Crash. Mostrar todas as mensagens

19 março, 2008

Sky Fest - Entre a Terra e o Céu


Felizmente, o circuito de concertos e festivais dedicados à chamada world music está cada vez mais alargado. Desta vez, e novamente via Crónicas da Terra, chega a notícia de um novo festival, o Sky Fest, que inclui concertos de jazz, blues e world music, no Casino de Lisboa, com variadíssimos artistas e grupos nacionais e estrangeiros. A programação, bastante interessante, é como segue: 7 de Abril - Olissipo Eléctrico (jazz fusão) e Rosa Negra (world music); 8 de Abril - Jazz Me Brown (jazz) e O'QueStrada (fado ska), 9 de Abril - Dâna (world music) e The Soaked Lamb (blues); 10de Abril - James Cotton (blues), Madame Godard (jazz fusão) e Nancy Vieira (world music); 11 de Abril - Gonzalo Rubalcaba e Jacinta (jazz), Sweet Vandals (jazz fusão) e Lady G Brown & Dr.Bastard (electro world music); 12 de Abril - Estrella Morente (world music; na foto), Sara Valente (jazz) e Deolinda (world music); 13 de Abril - Canto da Terra (world music) e Tango Crash (electro world music). O festival inclui também exposições e projecção de telediscos. Mais informações aqui.

04 outubro, 2007

Festival Acordeões do Mundo - Correntes de Ar em Torres Vedras


De 28 de Outubro a 11 de Novembro decorre no Teatro-Cine de Torres Vedras, o IV Festival Acordeões do Mundo, com mais um excelente programa em que o acordeão é rei e senhor. Dia 28 de Outubro, o festival começa com o acordeonista francês Jean-Louis Matinier, seguindo-se, dia 31, o também francês, mas de origem portuguesa, René Sopa; ambos praticantes de um jazz colorido com muitas outras músicas. Dia 3 de Novembro, actua o celebradíssimo acordeonista italiano Riccardo Tesi acompanhado pela sua Banditaliana. Dia 6, é a vez do pianista e acordeonista Tomás San Miguel & Txalaparta (Espanha/País Basco), para mostrar que a arte do acordeão no país vizinho não começa nem acaba na trikitixa de Kepa Junkera. E dia 9, o festival encerra - mas apenas no «palco principal» - com o excelente tango aberto (jazz, rock, música erudita...) e de contornos electrónicos dos Tango Crash (na foto), colectivo que reúne músicos da Argentina, Alemanha e Suiça. Paralelamente, decorrem os «bailes do acordeão», com dois grupos portugueses: os Alfa Arroba (dia 1 de Novembro, à tarde, na Adega do Maxial) e os Fol&Ar (um dia depois, também à tarde, no Clube Artístico e Comercial), oficinas musicais (nos fins-de-semana de 3 e 4 e 10 e 11 de Novembro) e um concurso de tocadores de acordeão. Mais informações aqui.

17 julho, 2006

Acordeões - Entre a Argentina e a Polónia


Recuperação - mais uma - de um texto publicado no BLITZ há alguns meses (Janeiro deste ano). Fala de acordeões, de tango, do passado e do futuro... A propósito de três álbuns (dos Tango Crash, dos Motion Trio - na foto - e uma colectânea de antigo tango... polaco).

TANGO CRASH
«OTRA SANATA»

Galileo/Megamúsica

VÁRIOS
«POLSKIE TANGO»

Oriente Musik/Megamúsica

MOTION TRIO
«PLAY-STATION»

Asphalt Tango/Megamúsica


Argentina-Polónia. Tangos do passado e do futuro. Acordeões a unir tudo.

Já nem há discussão: o acordeão (e as suas variantes, como as concertinas ou o bandoneon) é, na actualidade, um dos instrumentos mais excitantes ao serviço de novas músicas «locais» ou «universais». E, se calhar, já nem é preciso voltar a falar de gente como os Danças Ocultas, Gabriel Gomes, Kepa Junkera, Kimmo Pohjonen ou Chango Spasiuk para se perceber que esta é uma discussão encerrada. E isto para dizer que, nos três discos em análise neste texto, o acordeão é rei e senhor. Mas há outros motivos para ligar três álbuns aparentemente tão diferentes entre si: os argentinos Tango Crash pegam no tango e levam-no para o futuro (numa nave espacial muito mais bem decorada e com uma força locomotora muito mais interessante do que a do Gotan Project), a colectânea «Polskie Tango» mostra tangos do passado, gravados na longínqua... Polónia nos anos 30 (e, acrescenta-se aqui, não há género musical que mais tenha feito pela dignificação do acordeão do que o tango, vd. bandoneon de Astor Piazzolla), e os polacos Motion-Trio pegam nos acordeões e fazem uma viagem paralela à dos Tango Crash, lançando os instrumentos para uma realidade paralela-alternativa-sideral qualquer.

O segundo álbum dos argentinos Tango Crash, «Otra Sanata», mostra o grupo a seguir as pisadas do primeiro, homónimo, mas com desvios valiosos devido à incorporação de novos elementos fixos no grupo. A Daniel Almada (piano) e Martin Iannaccone (violoncelo e voz) – os principais compositores – juntam-se agora um notável bandoneonista, Marcelo Nisimann, um baterista com escola feita no drum’n’bass (o que se nota aqui e ali nos temas deste álbum) e um percussionista. O todo tem agora uma sonoridade naturalmente mais orgânica, mas os tangos e milongas continuam, por vezes, a ser cobertos por um interessante chantilly electrónico (q.b. para dar patine de modernidade sem estragar o sabor original do conjunto). Pitadas de jazz, rock, experimentalismo e música erudita contemporânea fazem o resto. (7/10)

Rewind: uma das milhentas provas de que a música é uma linguagem universal é a colectânea «Polskie Tango», que agrupa tangos e milongas escritos e interpretados por compositores e músicos/cantores polacos no final dos anos 20 e durante a década de 30. Sabe-se lá por que razão, o tango (música nascida na Argentina) tinha uma adesão imensa na distante Polónia dessa altura. E o que começou por ser uma importação e adaptação locais transformou-se numa linguagem própria (com os temas a serem cantados em polaco), com um estilo de tango mais lento, mais triste, mais melancólico, mais «europeu». E é um documento lindíssimo. (7/10)

FFW: 70 anos depois, três polacos tocam acordeão como se este instrumento acústico fosse uma barreira de sintetizadores, comandos de discos voadores ou instrumentos ao serviço de bandas-sonoras de jogos de computador. O seu terceiro álbum, «Play-Station», é de 2001 mas só agora chega ao mercado português. E é uma maravilha de invenção e ritmo e sedução. Aqui há rock, jazz, música minimal-repetitiva, trance, tecno e delírios vários (um dos temas imita o voo de uma mosca; outro mima um jogo de naves espaciais em computador...). Arrasador. (9/10)