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03 maio, 2012

Festim 2012 -- O Programa Completo!

E que programa! Os meus queridos amigos da d'Orfeu esmeraram-se mais uma vez e, mais uma vez, conseguem oferecer-nos concertos que prometem ser inesquecíveis! Ah, novidade: os Gaiteiros de Lisboa estreiam aqui o seu há muito aguardado novo álbum, «Avis Rara» (e sim, é um nome tão bom quanto «Voos Domésticos» ;). O programa: «4º Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo 1 Junho a 26 de Julho Águeda - Albergaria-a-Velha - Estarreja - Ovar - Sever do Vouga RICCARDO TESI & BANDITALIANA O Festim abre com um apertado abraço à concertina de Riccardo Tesi, referência internacional no instrumento. Acompanhado pela Banditaliana, Tesi guia-nos numa viagem global que parte da Toscânia, no centro de Itália, com composições originais, virtuosismo e refinados arranjos na bagagem. Um folk jazzístico com herança mediterrânica. O charme de uma música que serve a românticos, dançarinos ou melómanos, a não perder no Festim! Riccardo Tesi – organetto (concertina) Maurizio Geri – voz e guitarra Claudio Carboni – saxofones Gigi Biolcati – percussão 01 Junho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 02 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba GAITEIROS DE LISBOA Novos fôlegos dos Gaiteiros de Lisboa anunciam, à 4ª edição, o primeiro nome nacional no Festim! Grupo emblemático e um dos mais originais projectos de reinvenção da música portuguesa, apresentam no Festim o seu disco "Avis Rara”, cujas novas ousadias são verdadeiras asas para a imaginação. A criatividade dos Gaiteiros de Lisboa é única: reinventam melodias, poemas, polifonias e até instrumentos. Venham vê-los voar no Festim! Carlos Guerreiro - voz, percussões, sanfona, clarinetes José Manuel David - voz, sanfonocello, mbira, trompa, fagote, gaitas de fole, flautas, percussões Paulo Marinho - gaitas de fole, fagote, flautas, percussões, voz Rui Vaz - voz, gaita de foles, percussões Pedro Casaes - voz, tambor de cordas, percussões Pedro Calado - percussões, voz, tubarões 08 Junho | Estarreja | Cine-Teatro 22 Junho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 23 Junho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 24 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba 26 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio HUUN HUUR TU Uma das mais extraordinárias propostas do Festim: as vozes guturais dos Huun Huur Tu (na foto; de Abbey Chamberlain) trazem o misticismo de Tuva. Para além de ancestrais instrumentos, destacam-se por uma das expressões musicais mais antigas do mundo: o canto gutural, em que cada cantor consegue emitir vários sons em simultâneo, mistério que a anatomia explica mas que só a vivência de uma tradição milenar permite. Uma viagem sonora e imaginária do início ao fim. Kaigal-ool Khovalyg - voz, igil, doshpuluur (cordofones tradicionais) Sayan Bapa - voz, doshpuluur, marinhuur (cordofones tradicionais) Radik Tyulyush - voz, byzaanchi, khomuz (cordofones tradicionais) Alexei Saryglar - voz, percussão 15 Junho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba 16 Junho | Estarreja | Cine-Teatro KIMMO POHJONEN O super-acordeonista finlandês é uma figura maior neste Festim 2012. Kimmo Pohjonen, reconhecido por um exuberante virtuosismo, eleva o acordeão a níveis de interpretação nunca antes atingidos. Com recurso a samplers electrónicos da sua própria voz, ao som surround e aos impactantes efeitos visuais, a fusão da incrível performance musical de Kimmo com a envolvente técnica resulta num solo fascinante. No Festim, para ouvir, ver e sentir! Kimmo Pohjonen – acordeão e voz Heikki Iso-Ahola - técnico de som Antti Kuivalainen – técnico de iluminação/vídeo 29 Junho | Estarreja | Cine-Teatro 30 Junho | Ovar | Centro de Arte de Ovar BLOWZABELLA É um Festim o som dos Blowzabella, grupo veterano da música folk inglesa e referência incontornável dos actuais movimentos de danças tradicionais europeias. Tradicionais ou originais, as músicas dos Blowzabella têm uma sonoridade arrojada e contemporânea, cruzando os timbres da sanfona e da concertina com a pujança do saxofone e das gaitas de foles. Uma sonoridade densa e uma pulsação irresistível. O convite está feito. O Festim dança? Andy Cutting - acordeão diatónico (concertina) Jo Freya – clarinete, sax Paul James – sax, gaita de foles Jon Swayne - sax, gaita de foles Gregory Jolivet - sanfona Dave Shepherd - violino Barn Stradling - baixo 06 Julho | Estarreja | Cine-Teatro 07 Julho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga 08 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio ELISEO PARRA Eliseo Parra é um imenso artista. O Festim recebe uma das mais privilegiadas vozes da Península Ibérica. Uma celebração da música, da cultura tradicional com maiúsculas, na alegria de sabermos que a nossa música, a de todos, nas mãos de mestres como Eliseo, estará sempre viva. Mestre do cante acompanhado à percussão, o espanhol é senhor de uma performance vital, fresca e contagiosa, com tudo para surpreender o público do Festim. Eliseo Parra - voz, percussão Xavi Lozano - sax, voz Guillem Aguilar - baixo, voz Eduardo Laguillo - teclados, percussão, guitarra, voz Aleix Tobías – voz, percussão 12 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio 13 Julho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 14 Julho | Albergaria-a-Velha | Cineteatro Alba TARAF DE HAÏDOUKS Dos Balcãs, a força bombástica dos Taraf de Haïdouks. Mais uma referência mundial a pisar os palcos do Festim. Este colectivo de doze músicos, com três gerações familiares em palco, é o exemplo maior do virtuosismo dos instrumentos de corda na música cigana, com a velocidade dos violinos ou do címbalo em contraponto às formações de sopros, mas não menos vertiginosos! Por vezes, mais leves e diabólicos ainda. Garantia de Festim! Gheorghe ‘Caliu’ Anghel - violino Gheorghe Fălcaru - flautas Ionică Tănase - címbalo Paul Guiclea - voz, violino Marin Manole - acordeão Constantin ‘Costică’ Lăutaru - violino Robert Gheorghe - violino Viorel Vlad - contrabaixo Costel Vlad - acordeão Marin Manole P - acordeão, voz Filip Simeonov Ankov - clarinete 19 Julho | Águeda | Largo 1º de Maio 20 Julho | Ovar | Centro de Arte de Ovar 21 Julho | Sever do Vouga | Centro das Artes do Espectáculo de Sever do Vouga concertos em sala: 6€ (ou 4€, consoante descontos de cada sala) concertos ar livre: gratuito PACOTE FESTIM Na compra de todos os (3 ou 4) concertos do mesmo Município, oferta do valor de 1 bilhete. DESCONTOS ELEGÍVEIS Centro das Artes e do Espectáculo de Sever do Vouga Estudantes | Cartão Jovem | maiores de 65 anos | grupos de 20 ou mais espectadores | desconto família Cine-Teatro de Estarreja Cartão de Estudante | Cartão Jovem | Cartão Amigo CTE | menores de 12 anos | beneficiários de outros protocolos em vigor Centro de Arte de Ovar menores de 12 anos | Cartão Jovem/Estudante | Cartão Municipal do Idoso Cineteatro Alba Cartão de Estudante | Cartão Jovem | Cartão Sénior Municipal | Desconto Família (casal com 1 ou mais filhos) e ainda, em qualquer das salas: - Cartões Municipais das autarquias parceiras - Cartão d’Orfeu - Sócios Fundação INATEL - Cartão Cultura Sábado (ver condições específicas) ** Descontos não acumuláveis **»

23 junho, 2008

Festival Musa com Taraf de Haidouks, Babylon Circus e Lyricson


Dias 4 e 5 de Julho, a zona da Praia de Carcavelos vai receber mais uma edição do Festival Musa - agora a festejar dez anos de existência -, evento essencialmente dedicado ao reggae, ao ska e a outras sonoridades que têm na Jamaica o seu local de nascimento, mas com abertura para outras músicas e latitudes. Por exemplo, este ano passa por lá a histórica trupe de ciganos romenos Taraf de Haidouks, ao mesmo tempo que, como vedetas incontestáveis do festival vão lá estar também os franceses Babylon Circus (na foto) - eles que ao reggae e ao ska e ao rock juntam música cigana dos Balcãs, cabaret, valsinhas parisienses, etc, etc... - e o igualmente francês Lyricson, companheiro de Manu Chao e uma das maiores promessas do novo reggae europeu. Isto, ao lado de uma boa selecção de grupos portugueses vindos do reggae... mas não só. E aqui, na íntegra, segue a nota de imprensa com o programa completo do festival:

«MUSA#10 – Dias 4 e 5 de Julho de 2008

Local: Junto à Praia de Carcavelos, Carcavelos
Horário: Abertura de Portas: 18h | Início do espectáculo: 19h
Bilheteira: 1 dia: € 10 | 2 dias: € 12
Bilhetes à venda: Worten, Fnac, Bliss, Lojas Viagens Abreu, Liv. Bulhosa (Oeiras Parque e C.C.Cidade do Porto), Pontos MegaRede, www.ticketline.sapo.pt e no próprio dia no local do evento.
RESERVAS: 707 234 234



Dia 4 de Julho
BABYLON CIRCUS
(SKA REGGAE ROCK - FRANÇA)
INNASTEREO
KATHARSIS
THE RISING SUN EXPERIENCE
SAUMIK


Dia 5 de Julho
TARAF DE HAÏDOUKS
(WORLD MUSIC - ROMÉNIA)
LYRICSON
(REGGAE - FRANÇA)
QUAISS KITIR
TSUNAMIZ
SUPREME SOUL
A.M.O.R.

MUSA 10 ANOS – uma inspiração para um lifestyle sustentável
MUSA um festival inspirador…

A Criativa procura que MUSA seja uma inspiração para causas nobres como o combate à pobreza mundial ou as alterações climáticas, ao mesmo tempo que proporciona uma experiência única de criatividade e entretenimento a todos os participantes.

Este ano, a Experiência MUSA surge com uma nova imagem e uma nova missão. Foi mais além e associando-se à causa dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) através do Objectivo 2015 – Campanha do Milénio das Nações Unidas (CMNU) criou-se um conceito inovador que reúne muita cultura e música numa experiência de cidadania global que apelará à participação da sociedade civil.

Na sua 10ª edição, o MUSA, além de contar com 8 bandas promissoras portuguesas, irá ter no seu palco, no 1º dia, uma das melhores bandas ao vivo do mundo - Babylon Circus. Para fechar o 2º dia e o Festival, o MUSA irá contar com uma das mais aclamadas bandas de world music em todo o mundo - Taraf de Haïdouks. Nessa noite também iremos ter em estreia absoluta, a solo, no nosso país - Lyricson uma das novas sensações do reggae europeu, a voz inesquecível que acompanhou Manu Chao nas suas digressões de êxito.


AS BANDAS:

» BABYLON CIRCUS
(Ska Reggae Rock – França)
Uma das melhores bandas ao vivo do MUNDO está a caminho do MUSA. Preparados para saltar?

Este ano o MUSA tem o prazer de apresentar no seu cartaz, no dia 04 de Julho, uma das melhores bandas ao vivo do mundo - BABYLON CIRCUS. Esta banda francesa é uma das principais bandas de ska da actualidade e a sua música está fortemente marcada aos elementos punk, rock e aos ritmos da Europa de Leste, onde a componente teatral e circense não é esquecida.
Esta banda abraça a busca de realidades alternativas e de justiça social.
www.myspace.com/babyloncircus


TARAF DE HAIDOUKS
(World Music – Roménia)
Uma missão musical que se manifesta através da qualidade dos seus concertos electrizantes e energia positiva são alguns dos factores que caracterizam esta banda mundialmente conceituada que irá fechar a 10ª edição do MUSA.

As ancestrais tradições musicais dos ciganos «lautari» da Roménia são levadas através das performances espectaculares dos TARAF DE HAÏDOUKS, uma banda composta por onze instrumentistas e cantores entre vinte e setenta anos de idade fazendo bom uso das palavras mobilidade, espontaneidade, diversidade, cumplicidade e despique que caracterizam cada concerto.
O confronto entre gerações provoca a dualidade entre a balada cantada e sentida com a mesma mágoa do blues e as composições instrumentais tocadas a todo o gás, e por tudo isto, esta banda aclamada por todo o mundo, tornou-se na principal embaixatriz da cultura musical da Roménia.
Todo o seu tecnicismo e improviso põem à prova a capacidade de criar empatia em qualquer palco do mundo. Sente-se que a Taraf de Haïdouks precisa do calor do público, como uma acendalha numa fogueira, para entrar em combustão e dar toda a energia e virtuosismo selvagem que têm e não têm.
Receberam um prémio de «Best world music álbum» pela Associação de críticos Alemã e ainda foi feito um documentário sobre a banda, filmado em 1998 pelo realizador francês Guy Demoy.
www.myspace.com/tarafdehaidouksbandofgypsies 


» LYRICSON
(Reggae – França)
Pela 1ª vez em Portugal a solo, o MUSA apresenta a nova sensação do reggae europeu através de Lyricson, convidado da mítica banda ASSASSIN e durante muitos anos a segunda voz de MANU CHAO.

Lyricson é uma das novas vozes a surgir no panorama do reggae europeu. Com uma forte influência de Capleton é dono de um vocal poderoso, o que o torna num talento especial como vocalista de Dancehall.
A sua participação nas tourneés com o mítico grupo francês Assassin e depois como segunda voz de Manu Chao, despoletou em 2004 a sua carreira a solo já esperada à bastante tempo com o álbum ‘Born to Go High’.
Dia 05 de Julho, Lyricson irá fazer jus à sua reputação e iremos assistir a um concerto com um ritmo alucinante.
www.myspace.com/lyricson


» A.M.O.R.
As A.M.O.R. surgiram a 5 de Outubro de 2006, fruto de uma tarde de feriado entediante. Depressa se entusiasmaram com o resultado dos esforços sónicos e com o número de amigos e elogios que agora apareciam todos os dias, via myspace. Foi então que começaram a ter a honra de ouvir a sua música em rádios como a Antena 3 ou a Oxigénio.
Entre concertos, compilações, mixtapes e participações, esticaram o tempo para preparar novas canções, tudo a pensar na realização do sonho de um álbum, que se avista para 2009.
www.myspace.com/amorloveyou


» InnaStereo
Banda formada em Setembro de 2005, por um grupo de amigos com gosto em comum por reggae, dub, rap, ska, estilos estes que influênciam a sua música. Desde muito cedo, começaram a dar concertos onde obtiveram uma boa crítica por parte do público/media. Durante o ano de 2006 tocaram em bastantes locais, na zona de Lisboa, onde tiveram a honra de partilhar os palcos com grandes nomes do Reggae Internacional como Alpha Blondy e David Rodigan. No final do ano de 2006/inicio de 2007, gravaram o primeiro trabalho, intitulado “Radio InnaStereo” que não chegou a sair para a rua. No princípio de 2007 foram forçados a parar, devido à saída de alguns membros. Durante algum tempo procurou-se incessantemente os membros para ocupar esses lugares. Entretanto, a banda continuou a produzir, abdicando de actuações ao vivo, durante esse período. Em Outubro de 2007, com todas as posições repostas, iniciou-se a pré-produção das músicas para o novo EP. O concerto de regresso de Innastereo aos palcos, deu-se em Março de 2008. Brevemente, sairá o segundo EP, neste momento em fase de masterização.
www.myspace.com/innastereo


» Katharsis
Mas o que mais marca nos katharsis é serem voluntariamente inacabados, assumidamente impolidos e perfeitos na sua imperfeição. Estão numa busca incansável pelo que há de mais além, e apesar de terem partido de uma sonoridade reggae, revelaram-se desde logo despretensiosos, descomprometidos e experimentadores. Isto permitiu-lhes viajar musicalmente aos mais refundidos cantos da terra, e às vezes ainda mais além! Com um sentido de humor único passam de uma tenda de circo, para as areias da arábia, cavalgam no faroeste, para se perderem num acampamento cigano… É por isto que a música que ouvimos soa tão singular e genuína como familiar e ancestral – é a música do mundo. O ritmo é frenético, provocador e indignado. É uma revolta contra o compasso vulgar, comodista e inconsequente. É esta revolta que despoleta a transformação do Ser.
www.myspace.com/skatharsis


» Quaiss kitir
Depois de cerca de cinquenta concertos por todo o país, de Porto a Lagos, incluindo presenças em dois dos maiores festivais de música de Portugal, o Festival Sudoeste e o Surf Fest de Sagres, e partilhando o palco com artistas mundialmente conhecidos como Matisyahu, Jimmy Cliff, Alpha Blondie, Xavier Rudd e David Rodigan, os Quaiss Kitir são vistos como uma grande promessa no cenário musical português. Com os seus concertos loucos, frenéticos e suados, conseguiram ganhar um bom nome e imagem junto do público jovem.
Em 2007 lançaram o seu álbum de estreia, ‘Ape Rising’, produzido por Cesco e esperam ansiosamente por todas as oportunidades de levar a sua música ao seu público, e sobretudo, por se divertirem.
www.myspace.com/quaisskitir


» Saumik
A música dos Saumik pode ser caracterizada como uma sonoridade híbrida composta por um lado pela linguagem do rock tradicional - guitarras e baixos com distorção complementadas com ritmos e vozes fortes e alternados -  e por uma parte electrónica e psicadélica fruto da presença dos sintetizadores conjugados com frases de guitarra hipnóticas.
www.myspace.com/saumikband


» Supreme Soul
Com os Supreme Soul, o grupo de Tiago Nobre Dias, João Melo, Susana Nogueira e Pedro Valério, a cena electrónica-pop portuguesa ganha novo fôlego com um toque de nostalgia pelos bons anos 80 vividos em clubes underground e com o ritmo e melodia merecidas que o pop lhe pode reservar.
Pintado com batidas graves e por vezes um tanto ou quanto sombrias os Supreme Soul remetem-nos para um universo de metamorfoses constantes que nos fazem divagar da melancolia à euforia. Com músicas fortes a nível sensorial esta banda deixa-nos com o sabor de veludo na boca e com vontade de nos enrolarmos a ele. Este é o som ideal para quem viveu à séria toda a cena dos clubes dos anos 80 londrinos e que quer recordar ou então perfeito para ser remisturado sem lhe tirar qualquer ponta de essência.
Faz jus às suas raízes...perfeito para levar uma plateia a saltar durante muito tempo!
www.myspace.com/supremesoulmusic


» The Rising Sun Experience
O nome The Rising Sun Experience foi escolhido em homenagem ao guitarrista Jimi Hendrix, pela sua importante influência musical em inúmeras bandas funk e rock.
Esta banda regressa às raízes do rock dos anos 70 e mistura o funk, o grunge, o blues, a electrónica, o estilo progressivo entre outros géneros musicais encontrados também em bandas que sempre os influenciaram, tais como: Led Zeppelin, Black Sabbath, King Crimson, Deep Purple, The Doors, Santana na sua primeira formação, Soundgarden, Miles Davis na sua fase eléctrica, Karlheinz Stockhausen, Simon and Garfunkel.
www.myspace.com/therisingsunexperience


» Tsunamiz
Não há motivos para os Tsunamiz: São um reflexo natural do actual estado de sítio adormecido. Dada a escolha, não hesitariam, também eles, em baixar armas perante a vida fácil, beber a ambrósia do capitalismo e aprender a manobrar o chicote da auto-flagelação popular – Para apressar a descida aos infernos do ser, derradeiro propósito do Homem do sec. XXI. Como um todo, porém, existem como reacção ao culto do dogmático e da superstição, um anticorpo contra a celebração da ignorância, rumo à sua mútua destruição. Não é sequer o asco que os move, é a ininteligível química de se ser quem se é.
Os Tsunamiz são a língua de fogo que há-de lavrar os campos, soterrar de vez os túmulos dos velhos profetas e pôr fim às suas póstumas incursões nocturnas pelas mentes incautas, a devastação que deve preceder um Novo Nascimento. Assim o exige a inocente, risonha sinceridade da lei natural das coisas.
www.myspace.com/tsunamiz».

Ainda mais informações, aqui.

19 outubro, 2007

Taraf de Haidouks, Shantel e Balkan Beat Box - A Música Cigana Por Veredas e Auto-Estradas


A explosão de sucesso da música cigana dos Balcãs no circuito da world music está a criar a necessidade de «desvios» à fórmula original, riquíssima na sua base mas - nota-se, ao fim de alguns anos - limitada em termos de amplitude tímbrica e de soluções harmónicas e melódicas; o que, aliás, acontece também com inúmeras outras músicas «regionais». Não é, portanto, de estranhar que este filão esteja a ser sujeito a adaptações e cruzamentos com outras músicas, percorrendo novos caminhos - sejam as veredas enviesadas em que os Taraf de Haidouks levam a música cigana de regresso a casa, sejam as modernas auto-estradas trilhadas por Shantel (na foto) e os Balkan Beat Box.


TARAF DE HAIDOUKS
«MASKARADA»
Crammed Discs/Megamúsica

«Maskarada», o novo álbum dos seminais Taraf de Haidouks, parte de uma ideia óptima - fazer versões de peças clássicas do Séc. XX inspiradas pela música cigana, numa atitude de reapropriação de uma herança glosada por muita gente exterior ao universo da música tradicional balcânica (e não só). Nesse sentido, os Taraf atiram-se a peças de Béla Bártok (claro!, ele que foi um investigador incansável da música tradicional romena e húngara), Aram Kachaturian, Manuel de Falla (numa aproximação aos primos da Andaluzia), Albert Ketèlbey, Isaac Albéniz e Joseph Kosma, fazendo versões primorosas do ponto de vista técnico mas falhando, quase sempre, na ideia de reapropriação e retradicionalização dos temas: as peças estão quase sempre muito próximas dos originais e nem a presença recorrente do acordeão ou do cimbalom chegam para dar uma cor «aldeã» ao conjunto. E é pena, porque se há grupo que poderia virar esta música de cabeça para baixo e fazê-la beber do leite original seria exactamente este bando de aldeões de Clejani, na Roménia. E um bom exemplo do que poderia ter sido este álbum é o cruzamento livre de «In a Persian Market» de Ketèlbey com «Les Feuilles Mortes» de Joseph Kosma na faixa 5. Fica a intenção e, mais e melhor, os seis temas dos próprios Taraf de Haidouks que aqui aparecem, se calhar inconscientemente para mostrar como a sua música ainda continua viva e próxima das raízes apesar... dos desvios. (6/10)


SHANTEL
«DISKO PARTIZANI»
Essay Recordings/Crammed Discs/Megamúsica

Muitos desvios - e saudáveis! - é o que faz Shantel no seu novo álbum de originais, o primeiro em muitos anos e depois de muitas remisturas para variadíssimos grupos de música cigana (os aqui em cima referidos Taraf de Haidouks incluídos), várias compilações (em que ao lado dos seus temas e das suas remisturas deu a conhecer muitos artistas de Leste) e inúmeras actuações como DJ solitário ou com a sua trupe do Bucovina Club. «Disko Partizani» é uma viagem pela música cigana dos Balcãs mas também por músicas mais ou menos próximas da Grécia, Turquia, Israel, Albânia, Bulgária, Macedónia... e misturando tudo, de forma brilhante e com um sentido pop apuradíssimo, com rock, ska, disco-sound, electrónicas variadas e mais o que se possa imaginar, criando com isso uma música nova, excitante e sempre mais que dançável. Sem espinhas! Depois, neste álbum - em que Shantel também se revela como um mais que razoável vocalista - está um leque de convidados impressionante: da cantora sérvia Vesna Petkovic aos surf-klezmers israelitas Boom Pam, passando pelo trompetista sérvio Marko Markovic, pelo clarinetista Filip Simeonov (dos Taraf de Haidouks), o cantor grego Jannis Karis, o acordeonista francês François Castiell (dos Bratsh) ou a cantora canadiana Brenna MacCrimon, entre muitos outros, numa celebração contínua de música viva e capaz de derrubar todas as barreiras e preconceitos. Brilhante! (9/10)


BALKAN BEAT BOX
«NU-MED»
Crammed Discs/Megamúsica

Trilhando um caminho paralelo ao de Shantel, o novo álbum dos Balkan Beat Box, «Nu-Med», também cruza a música cigana dos Balcãs com inúmeras outras músicas (do hip-hop ao rock e à música jamaicana - dub, dancehall... -, passando pelo klezmer e a música árabe). E se é algo estranho assistir a uma música feita por um alemão (mas com ascendência na região de Bucovina) que vai aos Balcãs, como é Shantel, ainda mais estranho poderia parecer o que leva uma dupla de israelitas sediados em Nova Iorque (Tamir Muskat e Ori Kaplan), os Balkan Beat Box, a viajar pelos caminhos do Leste da Europa. Mas, como é sabido, a música é universal e, se o primeiro álbum dos BBB era já um bom exemplo de como as fanfarras ciganas podiam cruzar-se com liberdade e criatividade com muitas outras músicas, «Nu-Med» mostra o grupo a fazer uma música ainda mais verdadeira e orgânica, ao mesmo tempo que ainda mais aberta a outras sonoridades. Mais: os BBB costumam referir o passado comum de muitos judeus e de muitos ciganos do Leste Europeu - e não há dúvidas quanto às proximidades da música cigana e da música klezmer - antes do estabelecimento do estado de Israel. Mas nem este aval teórico/histórico seria necessário para se perceber que esta música contém suficientes elementos de verdade para que possa ser ouvida sem que soe a falso ou artificial. Sem fronteiras (a inclusão de colaboradores sírios no álbum é também um «statement» político e, não por acaso, «Nu-Med» é o desejo de um «novo Mediterrâneo», em paz) e sem barreiras. (8/10)

02 julho, 2007

Festival MED - O Tapete Voador, a Cadela Light Designer e a Maior Banda Rock do Mundo



Foi preciso ir ao último MED de Loulé para ver um verdadeiro tapete voador, cruzar-me todos os dias com quatro ovelhas num campo de papel de parede, conhecer uma cadela que é light designer, gostar de iogurte pela primeira vez na minha vida e ver a maior banda rock do mundo.

Para além da música, que é o prato principal, o Festival MED tem sempre mil outras coisas a acontecer. Pelo recinto passeiam figuras fascinantes: uma «andaluza» que conta a lenda das amendoeiras em flor com um dedal-princesa-nórdica e um dedal-príncipe-mouro perante um grupo de crianças fascinadas, uma «rainha egípcia» (Nefertiti?) em busca de par para o seu gato ou um «turco» que possui tapetes coçados, mas valiosíssimos, porque voam mesmo! Ou uma cadela loira, lindíssima e devotíssima ao seu dono (o técnico italiano responsável pela iluminação dos vários palcos do festival), que o segue por todo o lado, que entra em stress quando ele sobe à teia dos palcos e que transporta ao pescoço uma acreditação oficial que diz «Staff - Alandra, Light Designer». E há outras figuras que não se mexem mas encantam na mesma: dois dançarinos apanhados a meio de um complicado passo de corridinho algarvio, duas crianças e o seu cão a brincar numa praia do Mediterrâneo ou quatro ovelhas que nos sorriem sobre um padrão de papel de parede. E figuras híbridas, que se encontram algures entre a realidade, a arte e a ficção, como as marionetas que fazem de uma corda de roupa o seu mercado de trocas e vendas, as pulgas invisíveis que saltam de uma caixa de fósforos fosforescente ou o improvável casal burocrata de gravata/flor verde e amarela. E, por falar em flor, atrevi-me pela primeira vez na minha vida a juntar iogurte - matéria láctea que nunca entra na minha dieta - ao kebab, num dos muitos e excelentes restaurantes do recinto. Tinha muito picante por cima e aquilo até resultou bem. Até agora, tudo o que aqui foi escrito é a mais pura das verdades; mesmo que não pareça. E isso é importante dizer, para se perceber que também é verdade o que se vai escrever a seguir: no MED de Loulé tocou a maior banda de rock do mundo. Adeus Rolling Stones. Adeus U2. Adeus Metallica. Adeus aos outros todos em que se esteja a pensar. Olá Tinariwen!

Os Tinariwen (na foto; de Mário Pires, da Retorta) deram o melhor concerto do MED deste ano. E chamar-lhes «a maior banda rock do mundo» - mais ainda do que chamar-lhes «a melhor banda rock do mundo» - não é nenhum exagero. Basta assistir a um concerto desta nova fase da banda do Mali, a fase pós-«Aman Iman» - e o concerto em Loulé foi disso exemplar - para se perceber o elevadíssimo grau de verdade que a sua música atingiu. Uma verdade feita de muitas verdades, é certo, porque nela convivem muitas guitarras eléctricas e as sombras de Robert Johnson, de Jimi Hendrix ou dos Jefferson Airplane com a(s) música(s) que os tuaregues atravessam nas suas viagens - a música árabe, a música gnawa, a música mandinga, a sua própria música... -, mas ainda mais verdadeira por isso: a música de um povo que viaja por vários territórios geográficos mas também pelos territórios que as rádios e as televisões lhes dão a conhecer. E se umas e outras músicas estão ligadas por laços fortíssimos, históricos, como os blues e o rock o estão à zona de que são originários os Tinariwen, essa verdade, então, deixa de ser apenas verdade para passar a ser A Verdade. Uma Verdade maior da maior banda rock da actualidade (e quem não acredita ainda pode tirar as teimas, dia 5, quando os Tinariwen actuarem no S.Jorge, em Lisboa, ou dia 6, no Festival Évora Clássica).

O concerto dos Tinariwen foi o melhor de todo o MED. Mas houve outros que estiveram lá quase. O do italiano Vinicio Capossela, com a sua «orquestra» de cordofones (um «bandolinzinho», bouzouki, guitarra eléctrica, banjo, ele próprio na guitarra «dobro» quando não estava ao piano ou a assumir personagens míticas com a ajuda de máscaras...), a voar com o seu vozeirão de barítono entre o romantismo mais desesperado, a fúria incontida ou o humor sardónico, tudo servido sobre bases inesperadas que foram do alt.country dos Calexico ao caos sónico dos Sonic Youth, passando pela música do «Quo Vadis» ou do «Ben-Hur». O dos Bajofondo Tango Club, que encerraram o festival com o seu tango modernizado, orgânico, vivo, inventivo, pulsante, imaginário e que instalaram a festa entre o público (parte do qual foi convidado pela banda a subir ao palco para dançar); Gustavo Santaolalla tem neste projecto pessoal (onde canta e toca guitarra eléctrica) um laboratório de experiências que deixou de ser ciência para passar a ser arte (no que é coadjuvado belissimamente por músicos de primeira água - o violinista, o bandoneonista, o contrabaixista, o pianista e DJ... - e uma VJ extremanente original. O do Sergent Garcia, com a sua máquina de dança e intervenção política («Free your mind and your ass will follow», dizia George Clinton), onde nunca se percebe onde começa uma e acaba a outra, sendo por isso possível dançar uma cumbia enquanto se apoia os zapatistas mexicanos ou entrar num ragga estonteante enquanto se critica o Bush. E o de Aynur, onde a cantora curda da Turquia (ou turca só porque não a deixam ser curda de nacionalidade) arrebatou toda a gente, logo a abrir o festival, com a sua voz belíssima, canções tradicionais e um grupo de músicos soberbos em que sobressaíam o saz (que ela própria também tocou num momento a solo), o nay, o violino e as percussões árabes; e com uma enormíssima vantagem em relação ao concerto que dela vi na WOMEX de Sevilha: em Loulé não tinha sintetizadores a atrapalhar-lhe o brilho intenso da voz.

Bons concertos - mas sem atingirem o brilho dos já referidos - foram os de Natacha Atlas, ainda dona de uma voz belíssima e apresentando um reportório - grandemente baseado no último álbum, «Mish Maoul» - de um assinalável bom-gosto (desde antigos temas românticos egípcios ou libaneses até bossa-nova, uma canção folk inglesa e uma homenagem a... Nina Simone); de Sara Tavares, que cada vez mais faz mais e melhor a ponte entre várias músicas tradicionais e da contemporaneidade, para além de se sentir cada vez mais à-vontade em cima do palco (e o uso frequente da palavra «mais» aqui foi apenas uma coincidência); e dos Yerba Buena, profissionalíssimos na sua função de fazer chegar ao público uma música - feita de ritmos latino-americanos, hip-hop, funk, soul... - que lhe é atirada directamente aos pés e ao rabo, obrigando-o a dançar do princípio ao fim (e isto é um elogio). A meio caminho entre o bom e o mau concerto ficaram Akli D. - que deu um espectáculo muito pior do que na WOMEX de Sevilha, talvez porque vários problemas familiares assolaram um dos músicos da banda, um estado de espírito que também assombrou o resto dos seus amigos -; os L'Ham de Foc, fabulosos quando estavam a interpretar os seus temas de geografias e épocas distantes entre si mas que cortaram o ritmo ao concerto para afinar os instrumentos durante penosos minutos; e os Chambao, que têm em Mari uma cantora de elevadíssimos recursos que merecia uma banda melhor e mais empenhada do que aquela que a acompanha (e bastou assistir ao magnífico e contrastante encore para se perceber como o concerto poderia ter sido muito melhor). E pelo mau ficaram-se, surpreendentemente, os Taraf de Haidouks que, apesar de terem apresentado vários temas do seu novíssimo álbum «Maskarada» (em que pontificam peças clássicas de compositores como Bartók, Ketèlbey, Albéniz ou Manuel de Falla, todos inspirados na música cigana e, através dos Taraf, de volta a «casa»), se mostraram desconcentrados, desmotivados e alterados.

O texto já vai longo, mas - sem esquecer a referência a coisas óbvias como o aumento do recinto (que chega agora à igreja matriz de Loulé, ao lado da qual está um dos palcos principais), ao facto de por lá terem passado nestes dias muitos milhares de pessoas, com enchentes em pelo menos três dos dias) e à má notícia que foi o cancelamento da actuação de DJ Shantel - ainda há espaço para mais algumas notas finais: as belas surpresas que foram o trance orgânico, acústico e selvagem dos OliveTree; a consistência dos Rosa Negra com o seu fado sofisticado e que viaja pelo Mediterrâneo fora; a excelência dos espanhóis Estambul, fusão conseguidíssima de jazz com música árabe, turca e balcânica; e o como resultou belíssimo o cruzamento da música bem escolhida por Raquel Bulha com os desenhos feitos e projectados em tempo real pelo autor de BD José Carlos Fernandes - que, do vazio de um papel branco, fez nascer émulos de Nusrat Fateh Ali Khan, Lila Downs, Tinariwen, odaliscas e opulentas mulheres africanas. São outras figuras, umas vivas, outras mortas, umas reais, outras imaginárias - ou a meio caminho -, umas cinéticas, outras plasmadas... Mas todas Verdadeiras.

26 junho, 2007

Festival MED de Loulé Começa Já Amanhã!



A edição deste ano do Festival MED de Loulé começa já amanhã, dia 27, e continua até dia 1 de Julho, na zona do antigo Castelo de Loulé, com inúmeros concertos de artistas e grupos de várias zonas do Globo e de diversos géneros musicais. Dos artistas cabeças-de-cartaz do festival já antes o Raízes e Antenas tinha dado conta, mas desta vez fica-se aqui a saber todos os nomes do Med, separados por dias e palcos de actuação. Palco da Cerca: Aynur (Turquia) dia 27; Natacha Atlas (Egipto/Bélgica) dia 28; Akli D (Argélia) e Taraf de Haidouks (Roménia) dia 29), L'Ham de Foc (Espanha) e Yerba Buena (Estados Unidos; na foto) dia 30; Bajofondo Tango Club (Argentina/Uruguai) dia 1. Palco da Matriz: Quarteto de Cordas Intermezzo (Portugal) e Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde) dia 27; Trio de Metais do Alentejo (Portugal) e Sergent Garcia (França) dia 28; Trio Lusitano (Portugal) e Tinariwen (Mali) dia 29; Eudoro Grade (Portugal) e Vinicio Capossela (Itália) dia 30; Duo Flacord (Portugal) e Chambao (Espanha) dia 1. Palco do Castelo: In-Canto (Portugal) dia 27; Estambul (Espanha) e DJ Shantel (Alemanha/Balcãs) dia 28; Toques do Caramulo (Portugal), Uxu Kalhus (Portugal) e DJ Single Again (Portugal) dia 29; Rosa Negra (Portugal), OliveTree (Portugal) e DJ Raquel Bulha (Portugal) dia 30; Amálgama - Tablao do Fado (Portugal) dia 1. Palco da Bica: Jazz Ta Parta (Portugal) e Al-Driça (Portugal) dia 27; Nanook (Portugal) dia 28; Quarteto Alma Lusa (Portugal) dia 29; Fadobrado (Portugal) dia 30; Cherno More Quartet (Bulgária/Síria/Sudão) e Duo Angola Brasil (Portugal) dia 1. Palco Classic (na Igreja Matriz): com alguns dos nomes já referidos em dose «reforçada». Exposições de artes plásticas relacionadas com a temática do festival, artesanato, gastronomia do Mediterrâneo, workshops, teatro, animação de rua, marionetas, performances e uma zona chill-out integram também o programa do festival. E há reportagem prometida neste blog lá mais para segunda-feira (ou terça, se o cansaço apertar).

19 maio, 2007

Festival MED - Tantos Mares em Loulé!



A 4ª edição do Festival MED de Loulé apresenta o melhor cartaz de todas as que até agora se realizaram, com concertos de importantes grupos e artistas vindos de variadíssimas zonas do globo e não só da baía do Mediterrâneo, mote primeiro do festival. E ainda bem! De 27 de Junho a 1 de Julho, a zona do antigo castelo de Loulé acolhe concertos, no primeiro dia, da cada vez mais madura e coerente Sara Tavares (Portugal/Cabo Verde) e da interventiva cantora curda Aynur (Turquia; na foto); no segundo, da ex-vocalista dos Transglobal Underground e diva da música de fusão Natacha Atlas (Bélgica/Egipto), do fusionista de punk, reggae e música latino-americana Sergent Garcia (França) e do principal misturador da música das fanfarras balcânicas com a electrónica, DJ Shantel (Alemanha); no terceiro há lugar para a música tuaregue infectada pelos blues e o rock dos Tinariwen (Mali), o misto único de melancolia e festa dos Taraf de Haidouks (Roménia) e a música da Kabilia revista à luz de vários géneros ocidentais do cantor Akli D. (Argélia); no quarto é a vez do genial e incatalogável cantor e compositor Vinicio Capossela (Itália), da mescla de muitas músicas modernas com a música latino-americana dos Yerba Buena (Estados Unidos) e do duo valenciano de folk, música medieval, música grega e tudo à volta L´Ham de Foc (Espanha); e, para fim de festival, dois projectos que juntam músicas tradicionais do seu país com a electrónica - o tango trazido para a contemporaneidade pelos Bajofondo Tango Club, de Gustavo Santaolalla (Argentina) e o flamenco-chill dos Chambao (Espanha). E, claro, nas ruas circundantes e nos outros palcos ainda há lugar para muitos outros concertos (principalmente de novos grupos de música tradicional, folk e de fusão portugueses), sessões de DJ a puxar a dança, inúmeras bancas de artesanato, restaurantes de variados sabores mediterrânicos, workshops e animação de rua. Mais informações aqui.

05 novembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas III



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo III.1 - Nicolae Neacsu




Violinista cigano da Roménia, contrabandista de cigarros, figura mítica dos Taraf de Haidouks, o violinista Nicolae Neacsu (1924-2002) costumava apresentar-se assim: «E agora, Nicolae Neacsu, de Clejani, o maior violinista do mundo, vai tocar para vocês». Formados em 1989, pouco antes da morte do ditador romeno Ceausescu, os Taraf de Haidouks (Taraful Haiducilor) espalharam pelo mundo a arte da música cigana dos Balcãs, editaram vários álbuns fundamentais - «Musiques de Tsiganes de Roumanie», «Honourable Brigands, Magic Horses And Evil Eye», «Dumbala Dumba», «Band of Gypsies», entre outros -, encontram-se entre os protagonistas do filme «Latcho Drom» e adquiriram fãs inesperados em todo o lado, do actor Johnny Depp ao Kronos Quartet. Continuam a ser muito bons, mesmo sem a presença tutelar de Nicolae Neacsu, e no seu último álbum, «Maskarada», levam de volta ao universo cigano peças de autores eruditos como Bártok, Khachaturian, iszt, de Falla e Albeniz, entre outros.


Cromo III.2 - Krishna


Talvez a primeira presença registada iconograficamente de uma entidade divina tocando um instrumento musical é a de Krishna, deus que representa o Amor e a Beleza (em sânscrito, respectivamente, «Prema» e «Rupa»). Muitas vezes, Krishna é representado como um jovem pastor que toca flauta para a sua manada de vacas (animais sagrados na religião hindu) ou para a sua esposa principal, Radha. Segundo muitas narrativas mitológicas do hinduísmo, Krishna é a oitava representação ou encarnação («avatar») de Vishnu, mas no «Bhagavad Gita» é visto como o deus maior da constelação de divindades hindus e a origem de todas as outras encarnações. Mas todas as correntes hindus convergem num ponto: Krishna tem origem divina, foi pastor quando criança e em adulto foi um notável guerreiro e professor. A devoção a Krishna não é exclusiva do hinduísmo, estando também presente noutras religiões como o jinismo, o budismo, a Fé Bahá'í e até algumas correntes do islamismo.


Cromo III.3 - Fela Kuti



Figura maior da música africana do séc. XX, o nigeriano Fela Anikulapo Kuti (Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti; nascido a 15 de Outubro de 1938, em Abeokuta; falecido a 2 de Agosto de 1997) foi a síntese mais-que-perfeita de uma música que fundiu sons de raiz africana com géneros negros norte-americanos como a soul, o jazz e o funk. Cantor, multi-instrumentista, compositor, Fela Kuti inventou o afrobeat e criou uma legião de seguidores em todo o mundo - dos seus filhos Seun e Femi Kuti aos Antibalas, passando por alguns dos seus antigos companheiros de aventuras agora bem firmados a solo como Tony Allen e Dele Sosimi. Personagem única também para além da música, Fela tinha no seu país natal uma voz activa politicamente (o que lhe valeu ser perseguido pela polícia nigeriana) e criou uma «república» - Kalakuta, que era ao mesmo tempo casa, estúdio e comuna - onde congregou à sua volta as suas mulheres e os seus músicos. Só para abrir o apetite para a arte maior de Fela Kuti: a caixa de três CDs «Fela - King of Afrobeat - The Anthology».

Cromo III.4 - Tango



Música que canta o amor e a morte, o azar e a sorte, a tragédia e a ainda-mais-tragédia (tanguédia), o tango - também uma dança erótica por excelência - é a expressão maior da música argentina, sim, mas também tem ramificações próximas no Uruguai e distantes em países como a Polónia. Com uma base instrumental que inclui voz (se bem que haja tango unicamente instrumental, como no caso do génio Astor Piazzolla), bandoneón, violino, contrabaixo e piano, o tango teve como intérpretes maiores o cantor Carlos Gardel e o já referido Astor Piazzolla (mestre do bandoneón, primo do acordeão), havendo ainda hoje uma nova geração de intérpretes do tango que vale a pena acompanhar: La Chicana, 34 Puñaladas, Cristobal Repetto, Adriana Varela ou o electro-tango dos Gotan Project, Tango Crash, Tanghetto ou Bajofondo Tango Club.

04 setembro, 2006

Festa do «Avante!» - Uma Música em Atalaia


Estar de atalaia é o mesmo que estar atento, vigilante, sentinela de algo de novo, que acontece ou está para acontecer. E é uma coincidência feliz que a Festa do «Avante!» - órgão oficial do Partido Comunista Português - se realize, desde há muitos anos, numa quinta com este nome. Porque a Festa continua a ser um óptimo ponto de descoberta e de observação (ainda outra maneira de dizer atalaia) da música que se faz em Portugal e noutros sítios. A 30ª edição da Festa do «Avante!» teve momentos altos suficientes para que permaneça por muito tempo na memória dos festeiros, avantereiros aventureiros. Aqui ficam algumas notas soltas sobre alguns dos concertos de folk/trad/world, o que se lhes quiser chamar...

Logo a começar, na sexta-feira, os Djumbai Jazz do cantor guineense Maio Coopé - com José Galissa numa kora deliciosa e baixo, bateria, saxofone, duas coralistas-dançarinas, percussionista... - instalaram a festa com uma mistura explosiva de afro-beat, mbalax, funk e música mandinga. Cor, dança, alegria. Uma festa que continuou, horas depois, ainda no Auditório 1º de Maio, com o fado cada vez menos fado da, paradoxalmente, cada vez mais fadista - no canto, na voz, no espírito, na presença - Cristina Branco, num concerto lindíssimo (apesar do som dos foguetes e da música de carrinhos-de-choque de um bar próximo terem estragado, de vez em quando, o ambiente) e em que não se sentiu a ausência de Custódio Castelo (bem substituído por outro guitarrista - Paulo Parreira?) e onde o pianista Ricardo Dias (da Brigada Victor Jara) dá um toque de modernidade e sensibilidade absolutas. E fim de festa, na primeira noite, com os Andarilhos, banda sem pretensões que faz versões de música tradicional e levou a dança aos resistentes no Café-Concerto.

O segundo dia, sábado, começou muito bem, no 1º de Maio, com os Mandrágora, diferentes - para melhor - dos Mandrágora que tinha visto pela última vez em Loulé: a banda tem agora um baixo eléctrico (em substituição do acordeão) e o som do grupo portuense está agora mais rude, mais rock, mais swingante. Nalguns temas mais lentos o baixista ainda tenta encontrar o seu espaço, mas quando aquilo acelera ele leva o resto da banda atrás de si. E isso é bom. Ainda no Auditório, A Naifa (na foto, de Mário Pires, da Retorta) deu o melhor concerto de todos os que vi nesta Festa: um concerto triunfal, com a banda de Mitó, João Aguardela, Luís Varatojo e, agora, Samuel Palitos na bateria, a saírem de palco, depois da sua versão de «Tourada» em encore, debaixo de uma tempestade de aplausos. E razões para os aplausos não faltaram: Mitó cantou como nunca a ouvi cantar (toda ela confiante, confidente, sensual, solta e livre e feliz), Aguardela está um mestre no baixo eléctrico, Varatojo está cada vez mais um melhor executante de guitarra portuguesa e Samuel Palitos deu um toque perfeito de fúria punk a alguns temas, que assim ganharam corpo e densidade rítmica. Depois, o reportório privilegiou o segundo álbum e nem faltou o irónico para a ocasião - mas bastante bem aceite - «Señoritas» ou o cada vez mais arrepiante, arrepiante mesmo!, «Todo o Amor do Mundo Não Foi Suficiente».

Não vi - só ouvi de perto, numa fila à espera de uma sandes de leitão... - os escoceses Peatbog Faeries, mas aquilo soa quase sempre bem - principalmente nos solos do violino - e às vezes mal, quando um rock manhoso entra pelos jigs e reels fora e arrasa aquilo tudo. Manhosice que não existe, e ainda bem, nos Gaiteiros de Lisboa, que deram mais um concerto magnífico (no palco 25 de Abril), que começou com a loucura de «Ciao Xau Macau» e continuou com temas do novo álbum (destaque, óbvio, para aqueles em que Manuel Rocha, da Brigada Victor Jara, entrou muito bem com o seu violino - «Comprei Uma Capa Chilrada» e «Chamarrita do Pico» -, e para as picantíssimas «As Freiras de Sta. Clara») e outros mais antigos que levaram ao coro ou ao espanto ou ao mosh ou ao pulo muitos dos fãs dos Xutos & Pontapés (que actuariam a seguir): «Mbira do Norte», «Subir Subir», «Quando o Judas Teve Sarampo» ou, já no encore, «Trângulo Mângulo».

Infelizmente só consegui ver parte do concerto dos Taraf de Haidouks: o espectáculo destes ciganos romenos estava magnífico, tal como sempre, mas o calor, a quantidade de gente amontoada num espaço cada vez mais exíguo (o Auditório 1º de Maio) para alguns concertos, os feedbacks constantes, fizeram-me zarpar para um bar próximo, com amigos e cervejas frescas. E, depois, já perto das três da manhã, para uma surpresa: os já mencionados Manuel Rocha (em violino) e Ricardo Dias (aqui em acordeão) tocavam «standards» de música tradicional portuguesa e de José Afonso («As Sete Mulheres do Minho», «Milho Verde», etc, etc, etc...), em cima de uma das mesas do restaurante de Coimbra, para deleite e festa e coro de dezenas de pessoas. E isto é tão bonito!!

No domingo falhei os concertos da tarde mas cheguei a tempo de confirmar, mais uma vez, o poder - dir-se-ia magnético - dos fabulosos Babylon Circus, no Palco 25 de Abril: centenas de pessoas aos saltos e em dança constante durante o seu concerto feito de tantas músicas quanto é lícito imaginar. Saí, estavam eles a cantar que a caravana passa, pelo meio de milhares de pessoas em direcção ao concerto de Sérgio Godinho, no 1º de Maio, a abarrotar lá dentro e com mais algumas centenas de pessoas a assistir de fora: um concerto em que Godinho - acompanhado por uma banda rejuvenescida e com músicos de escola de rock inteligente - fez apelo à memória de muitos dos rapazes e raparigas que o conheceram via «Os Amigos do Gaspar» (e isso foi perfeitamente audível no coro, lindíssimo, que recebeu a canção «É Tão Bom»), mas sem esquecer temas emblemáticos da sua carreira - todos eles também com direito a coro - como «Balada da Rita», «Arranja-me Um Emprego», «Quatro Quadras Soltas» ou «Com Um Brilhozinho nos Olhos», altura em que furei pela multidão pé ante pé, com licença, com licença, até ao Avan'Teatro para me despedir da Festa ao som dos Roncos do Diabo.

E foi uma bela despedida: a última vez que os vi (há dois anos, no Andanças) ainda se chamavam Gaitafolia e este grupo de gaiteiros e percussionista lisboetas ainda não tinham este sentir bárbaro, selvagem e, ao mesmo tempo, hiper-afinado que têm hoje. Uma versão violentíssima da «Saia da Carolina», um tema chamado «Quero É Que Tu Te Fodas» (é mesmo assim que se chama?) e um fandango asturiano, entre outros, puseram dezenas de pessoas (as que este pequeno espaço suportava e outras lá à porta) a dançar e a suar em bica, apesar do sol já não brilhar há algumas horas. De referir, a finalizar, que faltaram à chamada a fabulosa cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, as brasileiras Mawaca e os inicialmente também previstos espanhóis Amparanoia, nomes que bem podiam aparecer na edição 31 da Festa, para alegria de todos nós...

22 julho, 2006

Festa do «Avante!» - Em Setembro, Sempre...


A Festa do «Avante!», órgão oficial do Partido Comunista Português, aposta mais uma vez nas músicas de raiz tradicional (e no rock, reggae, jazz, música experimental...). É no início de Setembro - dias 1, 2 e 3 -, na Quinta da Atalaia, Seixal, sede do festival nos últimos anos.

Na programação deste ano, o destaque vai para três homenagens: ao compositor Fernando Lopes Graça (com o Coro Lopes Graça, da Academia dos Amadores de Música, com a Sinfonietta de Lisboa e os pianistas Olga Prats e Miguel Borges Coelho), ao genial compositor de fados Alain Oulman (na voz dos fadistas António Zambujo, Carla Pires e Liana) e ao poeta popular algarvio António Aleixo (com os angolanos Kussondulola - expoentes do reggae em Portugal - a serem acompanhados, nesta homenagem, por Viviane, Prince Wadada e Kilandukilo).

E ainda há concertos de Sérgio Godinho, Gaiteiros de Lisboa (com o violinista Manuel Rocha, da Brigada Victor Jara), A Naifa, Mandrágora, Toque de Caixa, Contra3aixos (projecto que junta três dos mais importantes contrabaixistas de jazz nacionais: Carlos Bica, Carlos Barretto e Zé Eduardo), Telectu (o duo de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua, em comemoração dos 25 anos de carreira, aqui acompanhados por duas luminárias: o guitarrista Fred Frith e o baterista Chris Cutler), Boss AC (com mais um leque luxuoso de convidados: Sam The Kid, Chullage, Melo D e Berg), Cristina Branco, Luísa Basto, Navegante (com a cantora cabo-verdiana Nancy Vieira e o projecto de percussões, liderado por Rui Júnior, O Ó Que Som Tem?), os deliciosos punks Vicious Five, Yellow W Van, Tim (o vocalista dos Xutos, a solo) e os próprios Xutos & Pontapés.

Para completar o ramalhete, o elenco internacional inclui os ska-klezmer-chanson-balcânicos-e-tudo-o-mais Babylon Circus (França), os cabo-verdianos Mayra Andrade e Tito Paris, Djumbai Jazz (Guiné-Bissau), os divertidíssimos escoceses Peatbog Faeries, as deliciosas brasileiras Mawaca, Obrint Pas (Catalunha) e, «last but not the least», o delírio balcânico dos Taraf de Haidouks (Roménia - e na foto que está no cimo deste blog, vénia!).