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02 maio, 2011

Mayra Andrade no Coliseu dos Recreios (e Com Convidados Muito Especiais!)


A bela da notícia, em bruto mas com tudo o que há para saber:

"Para o concerto que a vai levar uma vez mais até à sala de todas as consagrações, o Coliseu dos Recreios, onde se apresenta a 3 de Junho, Mayra Andrade convidou uma verdadeira constelação de estrelas nacionais: Bernardo Sassetti, Carlos do Carmo, Carlos Martins, Tereza Salgueiro e Tito Paris irão subir ao palco para partilharem com a maior estrela de Cabo Verde da actualidade um momento de profunda intimidade, reforçando os laços que esta cantora sempre afirmou ter com o nosso país.
Neste novo espectáculo, Mayra aproxima-se mais do seu último disco, 'Studio 105', e com uma formação mais acústica que lhe permite mergulhar nas suas raízes culturais de Cabo Verde promete viajar pelos momentos mais altos da sua carreira e ainda apresentar algumas surpresas que certamente obrigarão esta noite a ficar na memória de todos os que a ela tiverem o privilégio de assistir.
Mayra apresentar-se-á ainda no Encontro de Culturas em Serpa, a 8 Junho, no Casino da Figueira a 9 Junho e no Centro de Espectáculos de Tróia a 10 de Junho"

17 setembro, 2009

Chocalhos - A Transumância Celebrada em Alpedrinha


De 18 a 20 de Setembro, Alpedrinha (Fundão) recebe de novo o Chocalhos - Festival dos Caminhos da Transumância, que - entre muitos outros - tem como destaques concertos de Teresa Salgueiro, Foles da Beira, Gnawa Al-Baraka, Dazkarieh, Tok'Avacalhar, Danae (na foto) e OliveTree. O programa completo:

«A transumância uniu, desde sempre, geografias e paisagens, costumes e gentes. Hoje, essa pluralidade, mais do que relembrar as sociedades passadas, assume um valor patrimonial de excelência. Património colectivo que este evento cultural pretende revivificar com um alargado conjunto de iniciativas, cruzando a música pastoril, os produtos locais com as paisagens, a realidade com os sonhos.

Programa

18 Setembro

14h00
"Agora conto eu" – Acção de Formação | Biblioteca Municipal do Fundão

Uma acção de formação para técnicos bibliotecários e outros agentes de educação, com coordenação da contadora de histórias Joaninha de Almeida, técnica de Serviço Educativo da Biblioteca Municipal de Mora e do Fluviário de Mora

19h00
Abertura Oficial | Ruas de Alpedrinha

Desfile dos Zabumbas de Alpedrinha
Desfile de Pifaradas de Álvaro
Desfile do Grupo de Gaitas de Foles "Transumância"
Desfile do Grupo de Gaitas de Foles "Os Carriços"
Desfile do Grupo "Tok'avacalhar"
Desfile do Grupo de Bombos do Alcaide
Desfile de Acordeonistas
Desfile do Grupo "Foles da Beira"
Desfile com os “Ovelha Negra”(inserido no Festival Étnico)

21H00
Animação de rua pelos grupos participantes no desfile | Ruas de Alpedrinha
Actuação da Tuna Académica | Largo Padre Santiago

21H30
Foles da Beira | Largo da Igreja

Grupo de Musica Popular da Casa do Povo | Largo da Fontainha
F. Beira | Capela do Leão

22H00
Concerto - Gnawa Al-Baraka| Largo do Chafariz

Grupo de Música Tradicional de Marrocos
(Inserido no Festival Étnico 2009)

Grupo de Fados| Largo do Salão Paroquial
Acordeonista "Sertório"| Capela do Leão
Cottas Club| Externato Santiago
F. Beira | Rua dos Valadares

22H30
Foles da Beira | Largo da Fontainha
Grupo de Musica Popular da Escola Secundária do Fundão | Largo da Igreja

23H30
Concerto – Dazkarieh | Largo do Chafariz
Dazkarieh é uma banda de rock e de música tradicional formada em Lisboa em 1999. Partiram da ideia de criar música tendo como inspiração várias culturas do mundo.
Cedo cresceram, tornando-se num dos mais activos e originais projectos da música portuguesa, ao aliarem instrumentos de várias proveniências (gaita de foles galega, acordeão, flauta transversal, tin whistles irlandeses, percussão africana, percussão árabe, baixo e guitarra) e vocalizações numa língua imaginária, criada pelo próprio grupo, com o objectivo de tratarem a voz como um instrumento autónomo e equiparável aos outros.
Vasco Ribeiro Casais - Nyckelharpa, bouzouki, gaitas-de-foles, flauta Luís Peixoto – Bouzouki, bandolim, cavaquinho, sanfona Joana Negrão – Voz, gaita-de-foles, adufe, pandeireta André Silva - Bateria Mais informações: www.dazkarieh.com
(Inserido no Festival Étnico 2009)

Acordeonista "Sertório"| Largo do Pelourinho

24H00
Grupo de Fados | Rua dos Valadares

19 de Setembro

11H00
Arruada pelos chocalheiros de Vila Verde de Ficalho | Ruas de Alpedrinha

15h00
Festa da Lã | Alpedrinha

Carda-se e feltra-se um tapete de feltro ao som dos cantares do Alentejo,
com o Grupo Coral Feminino do Alentejo e a Academia Sénior do Fundão.

(Integrada no Festival Escrita na Paisagem) – Colecção B


16H30
Lançamento do livro "Monte da Touca" de Francisco Belo Nogueira | Capela do Leão

18H00
Animação de Rua | Ruas de Alpedrinha

Desfile dos Zabumbas de Alpedrinha
Desfile do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra
Desfile de Pifaradas de Álvaro
Desfile do Grupo de Gaitas de Foles "Transumância"
Grupo de Bombos de São Sebastião do Barco
Desfile do Grupo de Gaitas de Foles "Os Carriços"
Desfile do Grupo "Tok'avakalhar"
Desfile do Grupo de Bombos do Alcaide
Desfile de Acordeonistas
Desfile da Tuna Académica
Desfile da Fanfarra Sácabuxa
Desfile com os “Ovelha Negra”(inserido no Festival Étnico)

18H30
Lançamento do livro de poesia "Cadernos de Areia" de Luis Maçarico e Cadernos da Aldraba | Capela do Leão

21H00
Animação de rua pelos grupos participantes no desfile | Ruas de Alpedrinha

Concerto – Danae | Largo do Chafariz

Danae, ao longo dos últimos anos, foi à procura de sons, imagens, palavras, histórias que conseguiu modular em melodias próprias com as referências mais variadas.
A música torna-se, sob este ponto de vista, uma prática aberta que encontra na troca de experiências uma mais valia para a produção de um trabalho sem rótulos.
As letras e as músicas, da autoria da Danae, inserem-se dentro de um campo de possibilidades criativas de difícil “ajuste” num estilo definido.
O novo projecto musical nasce após a redacção quotidiana de pequenas histórias escritas e vividas. O novo trabalho “ CAFUCA”, vai ser ter lançado em Março deste ano e conta com um formato musical simples mas que não vai deixar ninguém indiferente pela originalidade dos instrumentos envolvidos e pela riqueza e diversidade de sons e influências.
Mais informações: www.myspace.com/danaexdanae
(Inserido no Festival Étnico 2009)

Actuação do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra | Largo da Igreja

Tuna Académica | Largo do Externato

Acordeonista "Sertório" | Largo do Salão Paroquial

21H30
Grupo de Fados do Fundão | Largo da Fontainha

22H00
Grupo de Bombos de São Sebastião do Barco | Largo da Igreja

22H30
Concerto ”Matriz” - Tereza Salgueiro com Lusitânia Ensemble | Largo do Chafariz

“Matriz é o nome que escolhi para apresentar este projecto em que pretendo partilhar convosco uma experiência musical que nos levará através do tempo e do espaço, tendo como fio condutor as palavras, os sons, as melodias e ritmos de vários autores, épocas e regiões de Portugal.”
“Recuando até ao Século XIII, construiu-se um percurso que visita as cortes palacianas e a tradição dos trovadores, mergulhando na expressão popular mais profunda, que se estende pelo Fado e interpreta autores contemporâneos, em busca da origem, da fonte, da Matriz.”
“Centrou-se a procura naquilo que se mantém e se desenvolve, no próprio respirar dos tempos - a chave e evocação de um universo de costumes, de histórias contadas, de formas de pensar e sentir, de desejos e sonhos, esboços de um carácter português.”
“É para mim uma honra e alegria imensas poder contar com um elenco de músicos extraordinários, reunidos por Jorge Varrecoso Gonçalves – Director Musical do Lusitânia Ensemble – e dispostos a acompanhar-me nesta aventura de levar esta Matriz aos palcos de muitos lugares.”
Tereza Salgueiro

Mais informações:
www.teresasalgueiro.pt

Acordeonista "Sertório" | Largo da Fontainha

23H30
Acordeonista "Sertório" | Rua dos Valadares

24H00
Grupo de Fados do Fundão | Largo do Salão Paroquial

00H30
Concerto – Olivetree | Largo da Fontainha

OLIVETREEDANCE é uma “ode” aos sons da terra e vem dar ênfase à música de dança produzida apenas com instrumentos acústicos: DIDGERIDOO, BATERIA e PERCUSSÃO.
Produzem ideias simples em contextos rítmicos complexos que recordam inspirações vindas do Amor da Fonte Suprema, para ouvirmos e dançar em harmonia nesta Nova Era e elevarmos a nossa consciência contribuindo para o equilíbrio do nosso Planeta e da Humanidade. Com elas vamos ao reencontro dos valores reais do "ser humano", a Paz, a Harmonia, o Amor, a Compaixão, a Liberdade, a Verdade, a Criatividade e sobretudo a Sintonia com a Natureza…

A experiência expandida de OLIVETREEDANCE serve-se da mistura que bombeia Renato Oliveira no didgeridoo percussivo com uma disposição grande da percussão tribal de Tito Silva (congas, djembe, Krin, Berinbau, etc) ao qual se junta a influência contemporânea do kik do Pedro Vasconcelos na bateria, numa linguagem frenética cheia de figuras de estilo bem ao jeito das máquinas da actualidade.

Mais informações: www.myspace.com/olivetreedance

20 de Setembro

08H00
Caminhada com rebanho | Fundão (Praça do Município)

10H30
Arruada pelos Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho | Ruas de Alpedrinha

15h00
Lançamento do Livro " Histórias de um Tapete" | Alpedrinha

O livro “Histórias de um tapete” é contado, ele mesmo sobre um tapete de feltro, pela contadora de histórias Joaninha de Almeida

(Integrado no Festival Escrita na Paisagem) – Colecção B

16h00
Histórias de Chão – Hora do conto | Alpedrinha

Duas histórias sobre o feltro, uma que retrata a produção de um tapete de feltro artesanal e outra que recorre ao mito de Noé e da sua Arca, com a autoria de Regina Guimarães e com ilustrações de Dina Piçarra e Regina Guimarães.

(Integrado no Festival Escrita na Paisagem) – Colecção B


17H00
Desfile | Ruas de Alpedrinha

Desfile dos Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
Desfile dos Zabumbas de Alpedrinha
Desfile do Grupo de Bombos da Junta de Freguesia do Fundão
Desfile do Grupo de Bombos de Vale de Prazeres
Desfile do Grupo de Bombos das Donas
Desfile do Grupo de Bombos do Souto da Casa
Desfile do Grupo de Bombos Toca a Bombar
Desfile do Grupo de Gaitas de Foles "Os Carriços"
Desfile do Grupo de Chocalhos da Bouça
Desfile do Rancho da Alegria dos Enxames
Desfile de Acordeonistas
Desfile do Grupo "Foles da Beira"

18H00
Animação de rua pelos grupos participantes no desfile. | Ruas de Alpedrinha

21H00
Ruas de Alpedrinha |Animação de rua pelos grupos participantes no desfile
Actuação do Rancho da Alegria dos Enxames | Largo da Igreja
Actuação do Grupo "Foles da Beira" | Largo da Fontainha

21H30
Actuação do Grupo "Foles da Beira" | Largo do Salão Paroquial

22H00
Actuação do Rancho da Alegria dos Enxames | Largo da Fontainha
Actuação do Grupo "Foles da Beira" | Rua dos Valadares
Concerto Clássico | Igreja Matriz»

15 julho, 2008

Tom de Festa - De Habib Koité e Simphiwe Dana... a Rita Redshoes


O Tom de Festa, em Tondela, começa já amanhã, dia 16, e prolonga-se até dia 19, com um cartaz em que pontificam nomes importantes do circuito da world music como Habib Koité, Nancy Vieira, Teresa Salgueiro e Simphiwe Dana mas também de outras áreas musicais, como os Balla ou Rita Redshoes (na foto). Os pormenores todos, integralmente pilhados directamente das Crónicas da Terra:

«A nobre ACERT de Tondela realiza entre os dias 16 e 19 de Julho mais um festival multi cultural “Tom de Festa”. Como tem sido hábito, durante estes dias cujas datas se sobrepõem ao FMM de Sines, esta cidade beirã oferece um cardápio que toca não só na música tradicional, como em outras outras áreas.

No primeiro dia (16 de Julho), Teresa Salgueiro e a Lusitânia Ensemble abrem este “Tom de Festa” com a apresentação do álbum “La Serena”. Na mesma noite é possível conhecermos o novo espectáculo «da Casa» e que sucede ao brilhante “Cantos de Língua”. Em “A Cor da Língua“, José Rui Martins e Carlos Peninha, voltam a unir os universos da música, do teatro e da poesia e,«para dar corda a uma língua que se quer… bem acordada» convidam Janita Salomé e Chuchurumel para afiar a dita.

Seguem-se, no dia seguinte (17 de Julho), a metade-guineense-metade-cabo-verdiana Nancy Vieira, a nova estrela pop que evoca o glamour hollywoodesco, Rita Redshoes, e uma nova banda de metais que «revisita sonoridades de uma miríade de etnias e géneros (música cigana, israelita, africana, brasileira, jazz, blues), sem perder de vista (e de ouvido!) o sabor filarmónico». Isto é, a Fanfara Kaustica.

Na sexta-feira, 18 de Julho, a auditório do ACERT tem a honra de receber uma das novas grandes vozes femininas de África: Simphiwe Dana. Uma sul africana que actua com uma banda de 10 grandes músicos no dia em que Nelson Mandela completa noventa anos. Na mesma noite há também Balla de Armando Teixeira e choro e samba com os Rapa de Tacho.

No último dia (19 de Julho - também de aniversário deste vosso escriba de serviço), o Tom de Festa reserva, seguramente, o melhor cardápio desta edição. O guitarrista maliano Habib Koité e a sua banda Bamada. O artista que a revista norte-americana Rolling Stone considera como “a maior estrela pop do Mali” e que não ficaria nada mal no encerramento de uma das noites do Castelo de Sines, apresenta em Tondela as canções de um dos grandes discos de 2007: “Afriki”. Antes, podermos assistir à folk do Báltico dos polacos Beltaine e ao rock progressivo cubano dos Sintesis».

Mais informações, aqui.

11 dezembro, 2007

Madredeus - Uma Homenagem ao Passado e Um Voto Para o Futuro


Há alguns dias, Teresa Salgueiro anunciou oficialmente a sua saída dos Madredeus para se dedicar à sua carreira a solo, uma carreira que, em apenas um ano, se repartiu por três projectos: um álbum com canções brasileiras, «Você e Eu», outro com clássicos de sempre da música mundial, «La Serena», e, mais recentemente, a obra de grande fôlego «Silence, Night & Dreams», do compositor polaco Zbigniew Preisner. Paralelamente, Pedro Ayres Magalhães, o líder, guitarrista e principal compositor do grupo, confirmou a saída de Teresa Salgueiro e adiantou ainda que também o guitarrista José Peixoto e o baixista Fernando Júdice (ambos envolvidos no Sal) lhe tinham comunicado a sua saída do grupo no Verão deste ano. Nos Madredeus restam, portanto, Pedro Ayres e o teclista Carlos Maria Trindade (velhos companheiros dos longínquos tempos dos Corpo Diplomático e dos Heróis do Mar), que, aparentemente, querem seguir com os Madredeus como um projecto vivo e actuante, pondo Pedro Ayres a hipótese de o grupo continuar com outros músicos... e uma outra cantora. Acho bem!

Há quem não imagine os Madredeus sem Teresa Salgueiro... Mas porque não? Se bem me lembro, a Resistência, outra invenção de Pedro Ayres que contava com uma série de homens a cantar (Tim, Miguel Ângelo, Olavo Bilac, Fernando Cunha, o próprio Pedro Ayres...) até começou, na sua primeira encarnação, com três cantoras (a Filipa Pais, a Anabela Duarte e a Teresa Salgueiro, que protagonizaram o primeiro concerto da Resistência na Feira do Livro de Lisboa, em 1990). E, quer se queira quer não, os Madredeus sempre foram mais Pedro Ayres - e, no início, mais Pedro Ayres e Rodrigo Leão - do que Teresa Salgueiro, uma excelentíssima cantora, sim!, mas sempre posta ao serviço de uma ideia de música. Uma ideia que pôs a música tradicional portuguesa (da música urbana, o fado, a músicas rurais) em contacto com muitas outras músicas: a pop, a bossa-nova, a música cabo-verdiana, a escola minimal-repetitiva, a elegância posta ao serviço da world music tal como estabelecido pela Penguin Cafe Orchestra. E, numa altura em que se começava a falar, exactamente, de world music, os Madredeus levaram a música portuguesa aos maiores palcos mundiais, com um profissionalismo e - muitas vezes - uma capacidade de sacrifício notáveis. Há quem, na música e na cultura portuguesa, tenha visto passar os comboios. Os Madredeus não; apanharam-no logo e não só ocuparam a carruagem da frente como foram muitas vezes a locomotiva para que outros pudessem vir atrás: Dulce Pontes, Cristina Branco, Mariza, etc, etc... devem aos Madredeus terem depois tirado bilhetes de primeira classe para essas mesmas viagens. E nem Amália, a maquinista-pioneira deste comboio, levou alguma vez a música portuguesa tão longe quanto eles.

Sempre gostei mais dos Madredeus da primeira fase: a riqueza tímbrica dada por um leque alargado de instrumentos - a voz de Teresa, a guitarra de Pedro, o sintetizador de Rodrigo, o acordeão de Gabriel Gomes, o violoncelo de Francisco Ribeiro (numa mistura inusual de instrumentos clássicos, eléctricos e populares que depois se tornou quase um paradigma de muitas bandas portuguesas e estrangeiras) -, a simplicidade melódica das primeiras composições e o arrebatamento de uma música nova dos primeiros anos nunca depois foi igualado. E, nos últimos anos dos Madredeus, notava-se o cansaço daquilo tudo: da «fórmula», dos músicos, da voz de Teresa. E, se calhar, a saída de José Peixoto (extraordinário guitarrista), de Fernando Júdice (baixista da melhor escola) e da diva-musa-cantora Teresa Salgueiro foi o melhor que poderia ter acontecido aos Madredeus.

Há uma lenda que circula no meio musical português e que dá conta da existência de um baú - de uma espécie de «arca do tesouro» - em que Pedro Ayres tem guardadas centenas de canções originais, à espera de ver a luz do dia. Não se sabe se é verdade - é essa a força das lendas! - mas acredito que sim, que esse baú existe e, se não com centenas, com algumas dezenas de composições. Na minha humilde opinião, Pedro Ayres Magalhães é o maior e melhor compositor português dos últimos vinte anos. E, para além de compositor, um homem de ideias, de luzes, de missões a cumprir. Acredito - e faço votos para - que os Madredeus vão continuar, rejuvenescidos, com música e músicas novas - músicas saídas do cérebro de Pedro Ayres e de Carlos Maria, ele também um compositor talentoso -, com outra voz, com outros músicos. E com um novo sopro de vida. A música portuguesa precisa deles. Precisou há vinte anos. Precisa agora, ainda.

09 outubro, 2007

Teresa Salgueiro Com Uma Sereia na Voz


Poucos meses depois da edição de «Você e Eu» - dedicado a canções de compositores brasileiros -, Teresa Salgueiro edita agora mais um álbum a solo, desta vez preenchido por música de variadíssimos lugares do mundo escolhida por ela e por Pedro Ayres Magalhães, seu companheiro nos Madredeus. Canções de Portugal e do Brasil, de Cabo Verde e da Argentina, de França e dos Estados Unidos, de Itália e do México..., modernas e antigas, numa selecção de apurado bom-gosto e em que a cantora é acompanhada pelo Lusitânia Ensemble. «La Serena», assim se chama o novo álbum, é editado pela Farol Música a 22 de Outubro e inclui os temas «La Serena» (tradicional cantado em ladino, língua dos judeus sefarditas), «Velha Tendinha» (Raul Ferrão), «O Namoro» (Viriato Cruz/Fausto), «Leãozinho» (Caetano Veloso), «Vuelvo Al Sur» (Fernando E.Solaman/Ástor Piazzolla), «La Vie En Rose» (Edith Piaf/Louis Guglielmi), «Lá Vai Lisboa» (Raul Ferrão), «Nome de Rua» (David Mourão Ferreira/Alan Oulman), «Amanhã» (Raul Indipwo/Milo Macmahon), «Se Fossem Iguais a Você» (Vinicius de Moraes/António Carlos Jobim), «Caruso» (Lúcio Dalla), «Paloma Negra» (José Alfredo Ménez/Tomás Méndez Sosa), «Velha Infância» (Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte), «Mar Azul» (Cesária Évora/B'leza), «Estranha Forma de Vida» (Amália Rodrigues/Alfredo Duarte), «A Casa da Mariquinhas» (Alberto Janes), «Avec le Temps» (Léo Ferré), «Unforgettable» (Irving Gordon) e «Somewhere Over The Rainbow» (Harold Arlen). As canções têm arranjos de Jorge Varrecoso, líder do Lusitânia Ensemble, excepto «Vuelvo al Sur» e «Avec le Temps», ambas com arranjos de Duncan Fox. A produção é de Pedro Ayres Magalhães.

30 maio, 2007

Festa do Fado - No Castelo Ponho o Cotovelo...



O Castelo de S.Jorge - sobranceiro a Alfama, à Mouraria, ou um pouco mais além, ao Bairro Alto e ao africano S.Bento - é o cenário natural de mais uma Festa do Fado, que ocupa o mês de Junho, integrada nas Festas de Lisboa, e que, mais uma vez, tem uma programação que procura juntar ao fado músicas próximas ou distantes e promover algumas parcerias mais ou menos inesperadas. No Castelo, a Festa do Fado começa dia 8 de Junho e prolonga-se até ao fim do mês, todas as sextas e sábados, com concertos de Pedro Moutinho com Teresa Salgueiro (vocalista dos Madredeus e agora também em viagens musicais por esse mundo fora), no dia 8; do grupo Sal com o fadista Ricardo Ribeiro (marido de Ana Sofia Varela, vocalista dos Sal), dia 9; de Maria Ana Bobone com o grupo masculino a capella Tetvocal, dia 15; da fadista Ana Maria (angolana e um dos raros exemplos de uma mulher negra a cantar o fado) com a cantora cabo-verdiana Maria Alice, dia 16; Ana Moura (na foto) com Amélia Muge (Amélia que compôs um dos temas do novo álbum de Ana Moura), dia 22; Raquel Tavares com o cantor e guitarrista cabo-verdiano Tito Paris, dia 23; Paulo Parreira (guitarra portuguesa) e o músico argentino Ramón Maschio (ligado ao tango e à milonga) com a respeitadíssima fadista Beatriz da Conceição, dia 29; e, a finalizar, o fadista António Zambujo com Luís Represas, dia 30. Mas ainda há mais fado no mês de Junho em Lisboa: o eléctrico 28 - Prazeres/Martim Moniz - é o palco swingante e radical (pelo menos na descida de Belas Artes para a Baixa) do «Fado no Eléctrico», de 7 de Junho a 1 de Julho, às quintas-feiras e domingos; e no Chapitô, paredes meias com o Castelo, continuam as cantorias e guitarradas depois dos espectáculos no Castelo, dias 8, 9, 15, 16, 29 e 30, nestas últimas quatro datas com as «Tertúlias de Fado», conduzidas por Hélder Moutinho.

(o título deste post é uma homenagem a Carlos do Carmo, cantor de «Lisboa, Menina e Moça»)

06 fevereiro, 2007

Teresa Salgueiro - O Canto da Sereia



De Teresa Salgueiro sem os Madredeus já se sabia do projecto de versões de canções brasileiras que vão dar origem ao seu próximo álbum, «Você e Eu», com edição prevista para Março. E sabe-se agora de um outro projecto, «La Serena» («A Sereia»), em que a cantora, acompanhada pelo Lusitânia Ensemble, interpreta canções portuguesas, brasileiras, italianas, francesas e africanas de várias épocas, e, qual «sereia... chama e encanta os marinheiros». Isto é, o imenso Mar imaginário inventado pelos Madredeus continua a estar presente na carreira a solo de Teresa Salgueiro, agora com a sua voz ao serviço de muitas canções de muitos lugares. A estreia de «La Serena» está marcada para dia 16 deste mês de Fevereiro, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, com Teresa Salgueiro a ser acompanhada pelo Lusitânia Ensemble - Jorge Varrecoso e António Figueiredo nos violinos, Ventzislav Grigorove na viola d'arco, Luis Claude no violoncelo, Duncan Fox no contrabaixo e piano e Ruca nas percussões. Mais informações aqui.

03 janeiro, 2007

Teresa Salgueiro e Sal - Madredeus em Novos Caminhos


Os Madredeus entraram agora em «ano sabático», segundo as palavras de Pedro Ayres Magalhães ao desmentir a dissolução do grupo, e começam a saber-se novidades sobre os novos projectos de alguns dos elementos do grupo. Para já, a mais «bombástica» é a do novo rumo da carreira da cantora Teresa Salgueiro (na foto, de Daniel Blaufuks), que estreia nos próximos dias em S.Paulo, Brasil, o seu reportório dedicado à bossa-nova e à música popular brasileira, reportório que também integra o seu primeiro álbum a solo (se considerarmos que «Obrigado» era um álbum de colaborações e duetos e não um verdadeiro disco a solo), com edição marcada para Março. A outra, mais discreta mas não menos excitante (pelo que promete musicalmente), é a do projecto «Sal», com José Peixoto e Fernando Júdice a bordo.

Teresa Salgueiro apresenta-se ao vivo no Golden Cross Jazz Club/Tom Jazz, em S.Paulo, dias 10, 11, 12 e 13 de Janeiro, interpretando «standards» de bossa-nova e de MPB compostos por Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Pixinguinha, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Dolores Duran, Luiz Bonfá, Ismael Neto, Antonio Maria, Carlos Lyra e Henricão, entre outros, sendo acompanhada pelos músicos João Cristal (piano), Nailor Proveta (saxofone e clarinete), Marcos Paiva (baixo acústico), Paulo Dafilin (guitarra), Daniel de Paula (bateria) e Maria Diniz e Adriana Dré nos coros. Os mesmos músicos que participam no álbum em que Teresa Salgueiro interpreta 22 temas brasileiros e que a EMI portuguesa edita em Março deste ano. Em Abril, Teresa Salgueiro inicia uma digressão mundial com espectáculos baseados neste alinhamento.

Entretanto, os seus colegas José Peixoto (guitarra) e Fernando Júdice (baixo acústico) - eles que já tinham protagonizado o álbum «Carinhoso», também dedicado à música brasileira (chorinhos) - estão envolvidos num novo projecto de nome Sal, em que também participam a fadista Ana Sofia Varela e o percussionista Vicky. O projecto apresenta-se dia 4 de Março na Casa da Música, Porto, e segundo o press-release inserido no site desta sala de espectáculos, «Sal cruza música de raiz ibérica com a dimensão atlântica do percurso lusófono» e «surge como herdeiro de um legado fadista, recusando‑se a sê‑lo pela diferença da instrumentação e (por) um sentimento onde o convívio da diferença se alia despreocupadamente à mestiçagem da forma».