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20 fevereiro, 2011

E a Música... Celta?

Sim, eu sei... Ah, e tal, só há por aqui música africana e sul-americana e indiana e etcetera... Então e os "celtas", mesmo que misturados com outras músicas?? Ora aqui estão eles, os celtas, em textos publicados originalmente na "Time Out":


The Chieftains & Ry Cooder
"San Patricio"
Universal Music
Ao longo da sua enorme e frutuosíssima carreira, os irlandeses The Chieftains já cruzaram a sua música – e, por arrasto, a música irlandesa – com muitas outras músicas (do rock dos Rolling Stones e outros a uma orquestra chinesa ou a irmãos “celtas” da Bretanha, Escócia ou Galiza). E, no seu novo e magnífico "San Patricio", ao lado de Ry Cooder e de muitíssimos músicos e cantores mexicanos (das inevitáveis Lila Downs e Chavela Vargas a bandas de mariachis e rancheras ou uma fanfarra de gaitas-de-foles), os Chieftains contam em música - também ela bela e trágica – a trágica e bela história dos San Patricios, batalhão de soldados irlandeses que lutou, na primeira metade do Séc. XIX, ao lado dos mexicanos contra o exército ianque. É um álbum conceptual que vai muito além do seu “conceito”. E, por isso, belíssimo! (*****)


Vários
"The Rough Guide to Scottish Folk"
Rough Guides/World Music Network/Megamúsica




Quando se ouve falar de folk escocesa, a óbvia imagem recorrente é a de um gaiteiro de kilt e com o nariz avermelhada pelo velho e bom scotch... Nesta colectânea – mais uma da série “Rough Guides” dedicada à Escócia – também há gaitas (por exemplo, logo ao segundo tema, de Wendy Stewart e Gary West), mas há também muitas outras músicas desenvolvidas a partir da (outra) tradição escocesa: das maravilhosas cantoras Karine Polwart, Lori Watson, Heather Heywood e Julie Fowlis... a instituições como a Battlefield Band e Ossian ou o lendário Jim Reid (não confundir com o homónimo dos Jesus & Mary Chain), numa interpretação fabulosa de “The Wild Geese/Norland Wind”. Esta colectânea inclui ainda um CD-bónus da cantora Maggie MacInnes. (****)



Bob Brozman, John McSherry & Dónal O'Connor
"Six Days In Down"
Riverboat/World Music Network/Megamúsica

Dono de uma invejável colecção de cordofones de todo o mundo e de um ainda mais invejável currículo de gravações e colaborações com gente de todo o lado – do indiano Debashish Bhattacharya ao griot Djeli Moussa Diawara, passando por músicos do Japão, Papua Nova Guiné ou Ilha Reunião – o guitarrista norte-americano Bob Brozman assina agora um belíssimo álbum ao lado de dois grandes músicos irlandeses – John McSherry na uillean pipe (a gaita-de-foles irlandesa) e o violinista Dónal O'Connor--, a quem se junta pontualmente a cantora Stephanie Makem. E o resultado surpreende: a guitarra slide de Brozman une-se aos outros instrumentos numa fabulosa celebração da folk dita “celta” em cruzamento com a country ou o bluegrass mas também com ligações... à música árabe a à música mandinga! (*****)


The Imagined Village
"Empire & Love"
EEC Records

Num formato adaptado às exigências de sucessivos concertos – Paul Weller, Billy Bragg ou o mestre do dub Benjamin Zephaniah já não estão presentes –, o projecto The Imagined Village chega a este segundo álbum, "Empire & Love", desfalcado de alguma da liberdade estilística que teve na estreia, ainda sob o guarda-chuva da Real World, mas mantendo intactas várias das suas figuras de proa. Simon Emmerson (dos Afro Celt Sound System) continua a capitanear o barco, ao lado de Martin Carthy e da sua filha Eliza Carthy, Simon Richmond e Chris Wood e o contraponto dado por vários músicos indo-paquistaneses. E a fórmula – tablas vs. violino, tradicionais britânicos vs. ragas apimentadas e açafronadas em electrónica – continua a resultar. O império encontra o mistério. (****)

08 setembro, 2008

The Chieftains - Uma Surpresa em Saragoça!


Estava eu muito bem a ver um jornal espanhol, o «Heraldo de Zaragoza», que tinha uma pequena notícia sobre as minhas actuações como DJ no Pavilhão de Portugal da Expo Saragoça quando a notícia de destaque da mesma página me fez dar um pulo de alegria: os irlandeses The Chieftains (na foto) iam tocar nessa mesma noite num dos palcos principais da Expo!! E dava mais que tempo para os ir ver!! E de sorriso de orelha a orelha, e coração apertadinho, lá fui à Plaza de Aragón ver o espectáculo de uns Chieftains renovados, remoçados, mais alegres, menos «roots» e mais «variedades». Mas valeu a pena, oh se valeu!! Integrado na sua digressão «The Celtic-Scottisch Connection Tour», este espectáculo mostra o núcleo duro dos Chieftains - Paddy Moloney (uilleann pipes, tin whistle), Matt Molloy (flauta), Sean Keane (violino) e Kevin Conneff (bodhran e voz) - acompanhado pela maravilhosa cantora escocesa Alyth MacCormack, a harpista e teclista Triona Marshall, o violinista Jon Pilatzke (que também dança, e se dança!) e mais um par de bailarinos fantásticos. E o resultado é um espectáculo total onde a música tradicional irlandesa se cruza naturalmente com as suas irmãs escocesa, bretã e galega (Paddy homenageou Carlos Nuñez, companheiro de aventuras dos Chieftains durante muitos anos) e também a country e o... rock - ouviram-se riffs do «(I Can't Get No) Satisfaction», dos Rolling Stones, lá pelo meio do concerto. Pelo que se sabe, o próximo passo dos Chieftains será um disco de fusão de música irlandesa com música mexicana, produzido por Ry Cooder. Promete!

Mas a Expo de Saragoça não me deu só um memorável concerto dos Chieftains. Lá, há música por todo o lado: uma fabulosa steel-band de Trinidad e Tobago que tanto toca música clássica, como Abba, como o seu calipso... Um grupo mauritano de hip-hop e reggae... Percussões tailandesas e indonésias... Ou os Cabo San Roque, aquele fantástico grupo catalão (o da máquina de lavar roupa ao centro do palco) que passou há uns meses pela ZDB... E isto tudo numa volta rápida pelo recinto e numa única tarde... E à noite haveria Carminho a cantar o seu fado verdadeiro no espaço Portugal Compartilha do Pavilhão de Portugal, concerto que não vi - para grande pena minha - porque a essa hora já estava de regresso. A propósito, as minhas sessões de DJ nesse mesmo espaço correram bastante bem, principalmente a primeira noite, que terminou em enorme festa dançante. E aproveito aqui para agradecer à equipa que me acolheu tão bem durante aqueles dias: à Tela, à Dina, ao Alexandre, à Clara, à Ana Paula e aos outros todos de que não sei o nome mas que me trataram sempre nas palminhas. Muito obrigado!

20 março, 2007

Cromos Raízes e Antenas XIV


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XIV.1 - The Chieftains



Os Chieftains já ultrapassaram os 45 anos de carreira. Uma carreira que entronca no que de melhor, mais puro (por muitos cruzamentos que tenham feito) e mais sublime tem a música irlandesa. Nascidos em Dublin, em 1962, pelas mãos de Paddy Moloney, ao qual se juntaram Martin Fay, Michael Tubridy, Seán Potts e David Fallon, os Chieftains cedo se assumiram como os pontas-de-lança da folk irlandesa e, com o passar dos anos, como os seus maiores embaixadores. Actualmente constitituídos por Moloney, Seán Keane, Kevin Conneff e Matt Molloy, pelo grupo passaram também outros músicos fabulosos como Derek Bell, Peadar Mercier e Ronnie McShane. Têm dezenas de álbuns (dos quais é impossível escolher o melhor!), seis Grammys, um Oscar, muitas e variadas colaborações - dos Rolling Stones a Júlio Pereira, de uma orquestra chinesa a Sting ou Sinéad O'Connor - e uma história única para contar.


Cromo XIV.2 - Adufe



O adufe é um instrumento de percussão português de origem árabe (a sua introdução no nosso país remonta à Idade Média) que tem como principais características ser quadrado e ter duas membranas percutíveis. Construído com madeira e, preferencialmente, com a pele de um animal macho e outro fêmea (o que dá sonoridades diferentes de cada lado do instrumento e que, segundo alguns teóricos, reforça o carácter simbólico do instrumento), o adufe pode ainda incluir no seu interior algumas sementes ou soalhas. Essencialmente tocado por mulheres na Beira-Baixa (Monsanto, Idanha, Penamacor...), o adufe também se encontra na tradição de Trás-os-Montes e pode ouvir-se igualmente em muitos grupos e artistas de música popular portuguesa nas últimas décadas, nomeadamente no projecto Adufe, de José Salgueiro, que reinventa os adufes e lhes dá outras formas, dimensões e sonoridades.


Cromo XIV.3 - Ulali



O trio feminino Ulali é um dos maiores representantes da música dos índios norte-americanos da actualidade. Integrando três cantoras e percussionistas - Pura Fé (da tribo tuscarora), Soni (com raízes maias, apaches e yaquis) e Jennifer (tuscarora) - as Ulali surgiram em 1987, tendo como finalidade fundir canções ancestrais pré-colombianas, harmonias mais recentes de vários povos índios e a sua aprendizagem de canto contemporâneo. A beleza da sua música levou-as a actuar em diversos festivais (Woodstock, WOMAD, World Festival of Sacred Music ou o Cantigas do Maio do Seixal), à abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta, à inauguração do Smithsonian National Museum of the American Indian, a participar em filmes e a colaborar com gente tão diversa quanto os 1 Giant Leap, Indigo Girls, Sting, Miriam Makeba ou Robbie Robertson. Álbum aconselhado: «Mahk Jchi».


Cromo XIV.4 - Warsaw Village Band



Um dos mais excitantes novos projectos saídos dos países do leste europeu, o grupo polaco Warsaw Village Band (em polaco Kapela Ze Wsi Warszawa) nasceu em Varsóvia, em 1997, obstinado em dar à música tradicional polaca o mesmo tipo de tratamento que os Hedningarna deram à música sueca. E conseguiram-no plenamente. Electrizante em palco e em disco, a Warsaw Village Band mostra que é um grupo contemporâneo, quase rock, ao mesmo tempo que toca instrumentos antigos como a sanfona ou a szuka, uma antiga rabeca polaca, e canta num género - bialy glos («voz branca») - próprio dos pastores das montanhas da Polónia. A sua modernidade levou-os também a convidar para os seus discos gente do hip-hop e das electrónicas, paixões que ainda são mais desenvolvidas no seu projecto paralelo Village Kollektiv. Álbuns aconselhados: «Wiosna Ludu» (2002) e «Wykorzenienie» (2004).

07 agosto, 2006

The Chieftains – A Coisa Verdadeira


Depois de, neste blog, ter recuperado textos relativos aos Dropkick Murphys, aos Pogues e, lá mais em baixo, aos Clannad, chegou o momento de – passando por cima dos híbridos «celtas» - falar da «real thing», os Chieftains, a propósito da recente edição da colectânea «The Essential» (Nota: a capa da edição portuguesa desta colectânea é diferente da apresentada aqui em baixo).


THE CHIEFTAINS
«THE ESSENTIAL»
RCAVictor/SonyBMG

43 anos de carreira. Cerca de 40 álbuns. Milhares de concertos. Colaborações históricas – desde os Rolling Stones a uma orquestra chinesa ou ao nosso Júlio Pereira. Prémios (um Oscar, vários Grammys...), filmes, honrarias. E, sempre, a simplicidade mesmo que intrincada e a riqueza mesmo que humilde da música irlandesa (e de outras músicas irmãs ou primas: escocesa, bretã, galega, portuguesa, norte-americana, do Québec canadiano...). E, sempre, a utilização de instrumentos acústicos – as maravilhosas uilleann pipes de Paddy Moloney, a saudosa harpa de Derek Bell, os bodhrans, as tin whistles, a concertina, os violinos... – mesmo que, por vezes, «contaminados» por pianos ou guitarras eléctricas. E, sempre, sempre, depois de terem gravado com as maiores estrelas ou de terem pisado os melhores palcos do mundo, o regresso ao pub do flautista Matt Molloy, em Dublim, para jam-sessions intermináveis.

«The Essential», a colectânea agora editada, pode servir perfeitamente como a porta de entrada no universo riquíssimo dos Chieftains. Não substitui, claro, o conhecimento de muitos dos álbuns do grupo irlandês mas é um excelente resumo da sua vida e arte, juntando, no CD1, uma belíssima colecção de algumas das suas mais marcantes baladas, canções de bar, jigs e reels compiladas ao longo de 40 anos (onde não faltam temas compostos para as bandas-sonoras de «Rob Roy» e «Barry Lyndon» e sempre em altíssimo nível), para além de alguma colaborações marcantes como «Full of Joy» (com uma orquestra folclórica chinesa – e quão estranho é verificar como as flautas irandesas se casam tão bem com as flautas chinesas e as «rabecas» irlandesas soam irmãs dos violinos chineses...) ou o o celticaribenho «Santiago de Cuba» (com Ry Cooder, o gaiteiro galego Carlos Nuñez e o «buena vista» Cachaito).

O CD2 é, digamos, o «lado» comercial do álbum. O lado das colaborações com vedetas como os Corrs, Sting ou os Rolling Stones – e aqui oiça-se a folia completa de «Rocky Road To Dublin» com um riff rock tão rock – do «(I Cant’t Get No) Satisfaction»? – lá pelo meio. Não faz mal: o nível está quase (quase!) sempre lá em cima e o «comercialismo» da coisa é facilmente desculpável quando podemos ouvir a voz fabulosa de Van Morrison no soul-gospel «Shenandoah»; a ligação evidente da música «celta» com a country norte-americana em «Country Blues» (um tema lindíssimo com as vozes de Buddy e Julie Miller), num medley de reels com a colaboração do banjo de Bela Fleck ou «Cotton-Eyed Joe» com Ricky Skaggs; a beleza absoluta de «The Foggy Dew» com Sinéad O’Connor, de «Lambs In The Greenfield» com Emmylou Harris ou de «Love Is Teasin’» com Marianne Faithfull; a ranchera deliciosa (com a Irlanda a entrar pelo México dentro, claro) que é «Guadalupe» com Linda Ronstadt e Los Lobos; ou a canção de Natal «Il Est Né/Ca Berger», com as canadianas Kate e Anna McGarrigle (respectivamente, mãe e tia de Rufus Wainwright). (9/10)