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19 dezembro, 2011

Musidanças - Lusofonia À Solta no Cais do Sodré


Uma boa nova directamente pilhada do Crónicas da Terra:

«O Musidanças 2011, Festival das Artes do Mundo Lusófono, realiza-se este ano entre os dias 28 e 30 de Dezembro, no Musicbox do Cais do Sodré, Lisboa.

O Evento que promove as várias artes e sobretudo a música da lusofonia apresenta uma primeira noite “étnica” (quarta-feira, dia 28 de Dezembro) com o guineense Guto Pires, os angolanos Lindu Mona e a Orquestra Toca a Rufar de Rui Júnior.

Dia 29 de Dezembro, quinta-feira, é a noite dedicada ao reggae / hip hop com SamDavies e Urbanvibsz.

O Musidanças apresenta ainda dia 30 de Dezembro, sexta-feira uma noite “mística” com os portugueses Projecto Rurouni, Atma e Emmy Curl (na foto)»

Mais informações, aqui.

29 março, 2011

Um Bombo de Luto É Um Bombo em Luta


Todos os que ficaram consternados com a notícia de que a sede do Tocá Rufar -- um dos mais extraordinários projectos de divulgação e ensino da arte das percussões (portuguesas mas não só), dirigido por Rui Júnior -- tinha ardido, perdendo-se assim milhares de instrumentos musicais, livros e documentação, podem agora ajudar e divulgar esta nota:

"A 1 de Março de 2011, pelas 15h, ardeu o TamborQfala, sede do projecto Tocá Rufar. Em poucos minutos, os registos e espólio de 14 anos de história ficaram feitos em cinzas. A perda é incalculável e deixa a vossa maior orquestra de percussão tradicional portuguesa sem os recursos necessários para dar continuidade ao trabalho educativo, artístico e cultural que a sustentam.

Os que sentirem no coração esta perda, que é de Portugal inteiro, enviem os sinceros donativos para a conta da ADAT - Associação dos Amigos do Tocá Rufar:

NIB 0036 0050 99100254775 90

IBAN PT50 0036 0050 9910 0254 7759 0

Ou pela linha de apoio 760 50 10 90 (0,60 € + IVA por chamada)

Não desistimos, vamos seguir em frente com as nossas actividades, ensaios, espectáculos, da forma que conseguirmos.

O melhor modo de nos ajudarem é também divulgar o sucedido pelo maior número de pessoas possível e gritar bem alto que vamos continuar e lutar para renascer e fazermos sempre cada vez melhor."

12 novembro, 2010

Os Bombos... da Festa de Natal


Mas que bela ideia: a Associação Tocá Rufar vai pegar nos seus bombos e dar o mais inesperado dos concertos de Natal, dia 25 de Dezembro. A explicação já a seguir:

"DO CÉU CAIU UM BOMBO



Se este é o título de um conto de Natal, ora conte-se: era uma vez o mais belo concerto de Natal...

Do céu caiu um bombo. E o bombo disse-nos: os bombos não se cansam!

Assim, quais bombos, recusámo-nos a ficar à espera do que nos viessem pôr no sapatinho. Nós temos tudo, já! E temos de sobra – compreendemos. Podemos espalhar noites felizes e noites de paz, e não deixaremos, mesmo, que nos impeçam de dar, com toda a força, tudo o que temos para dar. Seja!

Este Natal o Tocá Rufar oferece o mais belo concerto de Natal, pela maior orquestra de percussão tradicional portuguesa, feito a custo de ânimo e afinco, com todo o esmero; porque os bombos não se cansam.

O concerto será onde tu estiveres, onde nós estivermos todos. Nós somos os bombos, a música, a arte, o Natal, além de qualquer preço; nós somos Portugal inteiro.

Dia 25 de Dezembro às 17h, do Rossio ao Terreiro do Paço, por Portugal inteiro."

09 maio, 2008

Festival Portugal a Rufar - Até ao Fim do Mês, no Seixal


O festival já começou no passado fim-de-semana (e, por entre feriados e afazeres vários, deixei passar a data inaugural... Mas não se perdeu tudo: até ao final deste mês e ao princípio do próximo (dia 1 de Junho), a edição deste ano do Festival Portugal a Rufar decorre na nova sede do Tocá Rufar (Parque Industrial do Seixal) e inclui ainda concertos dos WOK - Ritmo Avassalador (cujo novo espectáculo, ao qual assisti no Teatro Mundial, é uma maravilha absoluta; na foto), hoje, dia 9; didgeridoo, o duo Stoyan Yankoulov & Elitsa Todorova (Bulgária) e os portuenses Olivetree, dia 10; Hugo Menezes e Tucanas, dia 16; Djamboonda, dia 17; Baltazar Molina e Nação Vira-Lata, dia 23; Noite Batuko e Bomba d'África, dia 24; o grande percussionista brasileiro Naná Vasconcelos, dia 30; Nélson Sobral e Wolfgang Haffner (Alemanha), dia 31; e o encerramento com o desfile de 1400 Tocadores de Percussão, dia 1 de Junho. E, embora não haja concertos, os domingos são todos dedicados a workshops, artesanato e outras actividades. Segundo o press-release do festival, como sempre organizado pelo Tocá Rufar,«esta quarta edição do Portugal a Rufar insiste na promoção dos instrumentos e dos estilos desta linhagem musical e na divulgação de novas formações artisticas em seu redor». Mais informações aqui.

17 janeiro, 2007

Rui Júnior: O Senhor-Tambor


Rui Júnior (na foto, de Lia Costa Carvalho) é o mais respeitado percussionista e mestre das percussões português. Companheiro de estrada e de estúdio de compositores e cantores como José Afonso, José Mário Branco, Fausto, Janita Salomé ou Amélia Muge; criador do inventivo grupo de percussões O Ó Que Som Tem? no início dos anos 80; inventor da frutuosíssima escola/orquestra Tocárufar (por onde já passaram centenas e centenas de percussionistas) e das suas veredas como o WOK, Rui Júnior lançou há dois anos o Festival Portugal a Rufar, do qual se espera este ano a terceira edição (em adenda: entretanto já com datas e local confirmados, tal como informa o Crónicas da Terra: dias 1, 2 e 3 de Junho na Fábrica Mundet, Seixal). Aqui recordo a entrevista de apresentação desse festival, publicada originalmente no BLITZ em Maio de 2005.


RUI JÚNIOR/PORTUGAL A RUFAR
À FLOR DAS PELES

Este fim-de-semana, o Seixal vai receber o 1º Festival Portugal a Rufar, dedicado essencialmente às percussões. Rui Júnior explica a ideia...

Rui Júnior - um dos mais respeitados percussionistas portugueses, fundador do O Ó Que Som Tem?, ideológo da orquestra Tocá Rufar e do C.A.I.S. (Centro de Artes e Ideias Sonoras) - tinha este sonho há muitos anos: fazer um festival centrado nas percussões - nacionais e estrangeiras -, embora não se fechando apenas nelas. Há poucos meses, com a ajuda de António Miguel Guimarães (da Magic Music), o sonho tomou corpo. Pela Quinta da Fidalga, no Seixal, vão passar, nos dias 27, 28 e 29, os O Ó Que Som Tem? - que também actuam, com o convidado Pedro Carneiro (percussionista de música erudita) no Fórum Cultural do Seixal, dia 27 -, Mercado Negro, Tucanas, Maria Léon, Wok, Batoto Yetu, Tocá Rufar, Djamboonda, Bácoto, Entredanzas, Finka-Pé, Tocandar, Bardoada, Morabeza, Grupo Khapaz e Awaav, entre outros.

A génese do festival está, diz Rui Júnior, nos tempos remotos da primeira encarnação do grupo de percussionistas e bateristas O Ó que Som Tem?, no início dos anos 80. «Este festival está pensado há muitos anos, cerca de 20, mas há que esperar que as coisas se conjuguem para poderem ser concretizadas. E já desde os tempos da Farol, quando o António Miguel Guimarães editou o álbum "Ó Tambor", do O Ó Que Som Tem? (1996), ficámos com a ideia de fazer um festival internacional de percussão. Há uns meses sentámo-nos à mesa e avançámos com a ideia do festival, que se vai concretizar agora».

Rui Júnior trabalhou em discos e/ou espectáculos de Fausto, Júlio Pereira, José Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Vitorino, Janita e Jorge Palma, entre muitos outros. E é, muitas vezes, considerado como o «pai» dos percussionistas portugueses - mercê do seu trabalho como músico, divulgador e aglutinador de vontades (e a Orquestra Tocá Rufar, que chega a juntar centenas de percussionistas nalguns espectáculos, é um bom exemplo da sua persistência e vontade de fazer). Mas ele recusa o «rótulo». «Há quem diga que sou o pai ou até o avô das percussões. Mas eu sinto-me muito mais o filho das percussões. Lido com as percussões tradicionais portuguesas desde os seis anos, quando comecei a tocar caixa de rufo, nos Mareantes do Rio Douro, em Gaia. Se calhar, fui tão só um pioneiro na revitalização das percussões tradicionais portuguesas».

Durante o festival será apresentada a nova formação dos O Ó Que Som Tem?, grupo por onde passaram bateristas e percussionistas como José Salgueiro, Fernando Molina, Nuno Patrício, João Luís Lobo, João Nuno Represas e José Martins, entre outros. Os novos O Ó Que Som Tem? incluem, para além de Júnior, «Filipe Henda e Carlos Mil-Homens, que começaram há alguns anos no Tocá Rufar e passaram pelo WOK; e também o Vicky, que vi a tocar num bar e me impressionou bastante como baterista. São três jovens fogosos (risos)».

O festival Portugal a Rufar não tem apenas grupos exclusivamente de percussões. A razão é simples: «Há uma grande componente de percussão, mas não queremos limitar-nos ao nosso próprio umbigo. E isso acontece em relação aos instrumentos e ao âmbito internacional do festival - vamos ter grupos africanos, indianos, espanhóis, etc. E podemos ter um espectáculo de mímica ou teatro, porque o ritmo não é apenas sonoro». Durante o Festival vai haver uma grande exposição de instrumentos de percussão de todo o mundo «onde as pessoas vão poder mexer nos instrumentos. As pessoas podem experimentá-los, tocá-los, senti-los. E isto é inovador - mas não quero esconder os instrumentos atrás de uma vitrine». Workshops, showcases, ateliers, debates e um seminário sobre instrumentos de percussão por Domingos Morais completam a ementa, suculenta, do festival. E uma boa notícia é que já estão garantidos, para além deste, mais três festivais Portugal a Rufar -- em 2006, 2007 e 2008.

Rui Júnior acompanha com interesse e carinho o crescimento do número de projectos nacionais nas áreas da música folk/tradicional - «tem havido um crescimento da valorização das culturas tradicionais. Mas penso que andamos, ainda, a passo de caracol. O que o Tocá Rufar - uma orquestra de bombos - trouxe ao panorama nacional foi uma prova de que é possível fazer alguma coisa a partir do nada. E fazer no sentido de mexer na cultura, trazê-la para a actualidade e valorizá-la». Neste momento, o Tocá Rufar está em actividade nos concelhos do Seixal e do Fundão, trabalhando com quase todas as escolas primárias dos dois concelhos, movimentando cerca de 900 alunos. Isto, apesar de por vezes se ver confrontado com dificuldades. Rui Júnior dá um exemplo: «O Tocá Rufar tem realizado projectos, com o apoio da Comunidade Europeia, de terapia pela percussão com grupos de risco. E tem realizado projectos de intercâmbio com países da baía mediterrânica, nomeadamente Tunísia, Turquia, Grécia, Malta e Chipre. Vimos recentemente um projecto recusado pelo IPJ (Instituto Português da Juventude), porque repetimos o convite a um grupo de 10 autistas profundos, vindos de Malta, para se integrarem num grupo com 50 autistas portugueses. E repetimos esse convite porque a terapia tem que ser continuada durante seis, sete anos, não se esgota numa acção anual. E o IPJ recusa o projecto porque, segundo eles, "carece de inovação". Eu não conto com o poder, mas às vezes espero que o Poder, pelo menos, saiba ler relatórios».

12 dezembro, 2006

WOK - Ritmos Avassaladores no Trindade


Esta notícia está há alguns dias literalmente congelada no meu laptop (eufemismo que significa «portátil baratucho que anda em bolandas de um lado para o outro, de festival em festival, e que cracha - anglicismo! - volta-não-volta, por-dá-cá-aquela-palha, por causa do calor, do vento ou do frio; e, caramba, que frio estava no Porto!!!»), mas esta - ao contrário de outras que perderam actualidade (como a dos concertos dos espanhóis Rarefolk em Faro) - ainda vai mais ou menos a tempo:

O projecto WOK apresenta desde dia 7 e até dia 17 de Dezembro, no Teatro da Trindade, em Lisboa, o seu espectáculo «WOK - Ritmo Avassalador», em que percussões várias se encontram com coreografias cuidadas e vestimentas coloridas, na senda de uns Stomp, Tap Dogs ou de alguns espectáculos da Batsheva Dance Company. Nascidos no seio da escola/orquestra Tocá Rufar - dirigida por Rui Júnior (WOK é outra maneira de dizer O Ó Que... Som Tem?, projecto veterano do seu mestre) -, os WOK são uma trupe de rapazes e raparigas que espantam quem os vê com um domínio exemplar de inúmeros instrumentos de percussão, uma forte presença teatral e uma ligação profunda às raízes tradicionais portuguesas: nos seus espectáculos são utilizados tambores tradicionais portugueses (mesmo que, por vezes, percutidos à maneira dos tambores taiko japoneses) e alusões a temas populares como o jogo-do-pau. Mais informações aqui.