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22 maio, 2008

Toubab Krewe, Boom Pam, Mandrágora, Bailarico Sofisticado... Todos no FMM de Sines


Os Toubab Krewe (na foto), um bando de ianques branquelas apaixonados por Ali Farka Touré e a música mandinga da África Ocidental, também vão ao FMM de Sines, actuando lá no dia 24 de Julho, tal como se pode ver no seu myspace. Mas ainda há mais nomes a juntar ao cartaz: segundo o Juramento Sem Bandeira, do camarada Vítor Junqueira, também os fabulosos surf-rockers-klezmer-balcanizados Boom Pam actuam no FMM no último dia, 26 de Julho, seguindo-se-lhes nessa noite uma sessão de DJing com o Bailarico Sofisticado - o próprio Vítor mais o Pedro Marques e o Bruno Barros e um convidado, digamos, especial... António Pires. Dias antes, ainda segundo o Juramento Sem Bandeira, os portugueses Dead Combo, acabadinhos de editar o seu álbum «Lusitânia Playboys», actuam no FMM a 22. Já o camarada Luís Rei, através das suas Crónicas da Terra, anuncia para o FMM a presença, na última noite, de Koby Israelite, discípulo de John Zorn na editora Tzadik, e, a 24, os nossos Mandrágora - cujo novo álbum «Escarpa» é uma excelente confirmação - acompanhados por três músicos bretões da Kreiz Breizh Akademy: o violinista Jacky Molard, a cantora luso-francesa Simone Alves e Guillaume Guern. Ah!, e o Vítor fez um cartaz delicioso alusivo à actuação conjunta dos três bailariquentos com o dono aqui deste tasco (para meu grande orgulho e alguma, hermmmm, perturbação):

12 outubro, 2006

Balkan Beat Box, Charanga Cakewalk e Toubab Krewe - F de Falso


Segundo os sábios ensinamentos de Orson Welles no filme «F Is Fake» (ensinamentos repegados no último álbum dos Houdini Blues), muitas vezes aquilo que parece não o é, mesmo que o eco de uma realidade qualquer seja muito parecido com a realidade ela mesmo e, por vezes, seja ainda mais real que o real. Mas o F de que se fala aqui - a propósito de álbuns dos projectos Balkan Beat Box (na foto), Charanga Cakewalk e Toubab Krewe - é de Falso, sim, mas também de Festa, de Folia, de Fusão, de Felicidade e de... Fãs.

BALKAN BEAT BOX
«BALKAN BEAT BOX»
Essay Recordings

Os Balkan Beat Box são dois israelitas radicados há muito em Nova Iorque, Ori Kaplan e Tamir Muskat, que com a ajuda de mais um punhados de excelentes músicos fazem neste seu álbum de estreia uma estranha e excitante fusão de música dos... Balcãs (estão lá as secções de metais típicas da música cigana do leste europeu), sim - o nome da banda não engana muito, apesar de tudo -, mas onde há muitas outras coisas metidas a este barulho bom: beats tecno, trance, hip-hop, rock e funk qb, ska, dub, klezmer, um cheiro «misterioso» a vozes búlgaras (em «Bulgarian Chicks»), flamenco, música mandinga, música árabe, turca e gnawa (esta no fabuloso «Hassan's Mimuna»). E sem deixar até de fazer apelos à paz e à concórdia entre os povos (em «La Bush Resistance»). E, sempre, com uma enorme fluência orgânica entre as várias componentes deste som. Devem ser excelentes ao vivo. O F é de Falso, mas é também de Fanfarras. (8/10)


CHARANGA CAKEWALK
«CHICANO ZEN»
Triloka/Artemis Records

Charanga Cakewalk é o projecto de um texano de origem mexicana, Michael Ramos (teclista e acordeonista de John Mellencamp, Paul Simon, The Bodeans e The Rembrandts), que se estreou em disco sob esta designação com «Loteria de La Cumbia Lounge» e lançou há alguns meses o segundo álbum, «Chicano Zen». Um álbum que faz por vezes lembrar Esquivel, no sentido de adaptar músicas tradicionais latino-americanas (principalmente mexicanas) a um cocktail dançante e, usemos um palavrão ou dois, obviamente agradável e simpático. Um Esquivel moderno e actual. Mas, outras vezes, está muito perto da tradição (como na deliciosa «La Miga Hormiga», «Amor Profundo», «No Soy Feliz»...) e aí sente-se um apego e uma paixão enorme pelas raízes. Na receita entram, em doses variadas, exotica, lounge, chill-out, rancheras, mariachis, boleros, cumbias, polkas, merengues e quase tudo faz, quase sempre, sentido. No lote de vozes convocadas para este álbum estão as de Lila Downs, Ruben «El Gato Negro» Ramos, Patty Griffin, Martha Gonzalez (dos Quetzal) e Davíd Garza. O F é de Falso, mas é também de Fascinação. (7/10)


TOUBAB KREWE
«TOUBAB KREWE»
Upstream Records

Ouve-se e, por vezes, muitas vezes, não se acredita no que se ouve: os Toubab Krewe são um grupo norte-americano, formado por cinco músicos brancos, mas a música que fazem tem como base a música mandinga e parece, parece mesmo!, mandinga muitas vezes. Andam por aqui koras, ngonis e percussões da África Ocidental à mistura com guitarras eléctricas, baixo, bateria. E o resultado dos ensinamentos colhidos em numerosas viagens a África e - certamente - na obra de Ali Farka Touré, Toumani Diabaté ou Ba Cissoko encaixam como uma luva nas outras influências que o grupo expõe com humildade: os blues, o hard-rock (com os Led Zeppelin, muito naturalmente, à cabeça), o prog, a country, o reggae, a surf music, a música cubana... E tudo isto feito com um amor e um talento inacreditáveis. O quinteto foi formado apenas em 2005, este é o primeiro álbum dos Toubab Krewe, mas a coerência e inventividade destes rapazes pressuporia que eles andam a fazer isto há muito, muito mais, tempo. Que o façam, pelo menos, por muito mais... porque aqui o F é de Falso, mas é também de Futuro. (8/10)