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11 abril, 2008

Festival Sons do Atlântico - Com Transglobal Underground, Oi Va Voi e... Mayra Andrade


Nem de propósito!! Depois da (óptima) notícia de Mayra Andrade ter vencido o Prémio Revelação dos BBC World Music Awards, eis que surge a confirmação do seu regresso a Portugal para um concerto no Festival Sons do Atlântico, que decorre dias 8, 9 e 10 de Agosto no promontório de N.Sra. da Rocha, em Lagoa, Algarve, e muito bem acompanhada! Num concentrado de excelentes propostas musicais, o Sons do Atlântico apresenta este ano concertos do cantor e compositor açoriano Zeca Medeiros e de Mayra Andrade (dia 8), dos jovens sevilhanos La Selva Sur e do importantíssimo colectivo fusionista anglo-indo-paquistanês Transglobal Underground (dia 9), da folk à portuguesa dos Diabo a Sete e do klezmer revisto à luz das novas músicas pelos Oi Va Voi (na foto). Estaremos lá, claro!

10 abril, 2008

Mayra Andrade Vence Prémio Revelação da BBC Radio 3


Mas que bela notícia!!! A cantora cabo-verdiana Mayra Andrade é a vencedora do mais recente Prémio Revelação de World Music da BBC Radio 3, levando de vencida os outros nomeados, todos de grande gabarito e todos eles também já várias vezes referidos neste blog: Balkan Beat Box, Bassekou Kouyate & Ngoni Ba e Vieux Farka Touré. O prémio deve-se, claro, ao seu álbum de estreia «Navega» mas também, sem dúvida, aos seus concertos memoráveis que, nos últimos anos, têm passado pelos melhores palcos e festivais de world music. A notícia da agência Lusa que - antecipando-se à «revelação» oficial - avança a vitória de Mayra Andrade nesta categoria dos «World Music Awards» inclui ainda uma breve biografia de Mayra Andrade que transcrevo a seguir:

«O seu álbum de estreia, "Navega", foi distinguido em 2007 com o Deutscheschalplatten pela crítica alemã. Mayra iniciou a sua carreira aos 16 anos no Canadá, quando ganhou a Medalha de Ouro nos Jogos da Francofonia. Filha de cabo-verdianos, nascida em Cuba, Mayra já partilhou palcos com cantores como Cesária Évora, Chico Buarque, Caetano Veloso, Ernesto Puentes e ainda Charles Aznavour, com quem gravou um duo para o seu disco "Insolitement Votre". Mayra Andrade, 22 anos, considera que faz "parte de um leque de artistas que tem dado à música cabo-verdiana oportunidade de renovar e conquistar novos horizontes".

Adenda: «Segu Blue», o álbum de estreia de Bassekou Kouyate & Ngoni Ba (ver igualmente crítica neste blog), ganhou o prémio de «Melhor Álbum», enquanto o seu autor ganhou também o prémio de «Melhor Artista da África Sub-Sahariana». Outros artistas vencedores: a chinesa Sa Dingding («Melhor Artista da Ásia/Pacífico»), o recentemente falecido Andy Palacio com o Garifuna Collective («Melhor Artista das Américas»), os espanhóis Son de La Frontera («Melhor Grupo da Europa»), o argelino Rachid Taha («Melhor Artista do Norte de África»), o duo de Justin Adams e Juldeh Camara («Cruzamento de Culturas»), os Transglobal Underground («Dança Global») e Francis Falceto - o compilador da série de discos «Éthiopiques» («World Shaker»).

14 dezembro, 2007

Yashila, Alms For Shanti e Transglobal Underground - Quando o Ocidente Chega à Índia (e Vice-Versa)


A «contaminação» musical entre o Ocidente e o Oriente é uma coisa antiga e bastante conhecida. Mas, mais recentemente, essas «contaminações» são cada vez mais evidentes e generalizadas - tanto em nomes indianos que vêm ao Ocidente buscar instrumentos e inspirações - como nos casos dos Yashila e dos Alms For Shanti (na foto), mesmo que estes dois grupos tenham sonoridades completamente diferentes - como em grupos fixados no Ocidente mas que têm membros de origem indiana (e/ou paquistanesa) como os seminais Transglobal Underground. Três excelentes exemplos de como as músicas estão cada vez mais misturadas, e ainda bem.


YASHILA
«DRIVE EAST»
Sense World Music

Os Yashila são um maravilhoso grupo indiano formado pela violinista Kala Ramnath e pelos percussionistas Abhijit Banerjee e Somnath Roy. E o título do álbum de estreia do projecto, «Drive East», é logo uma «carta de intenções» - porque no álbum estão lá, fundas, a música tradicional e erudita indianas mas também alusões a muitas outras músicas - flamenco e música latino-americana, música árabe... -, numa atitude assumida de fusão cujo resultado é uma música viva, sempre em mutação, variadíssima. Os dois percussionistas - Abhijit mais nas tablas (embora também toque outros instrumentos) e Somnath mais numa bilha de barro da qual tira sonoridades inacreditáveis (e noutros instrumentos) - são muito bons, mas quem brilha mais neste álbum é mesmo a violinista Kala, pertencente a uma família que há várias gerações toca o violino ocidental (igualzinho ao europeu), mas adaptando-o à música indiana, sendo tocado numa posição diferente e com uma afinação diferente daquela a que estamos habituados. E o resultado final é um deslumbramento completo, em que, no cruzamento de músicas indianas e ocidentais (tanto de raiz tradicional quanto clássica), se adivinham muitas músicas de um futuro utópico, pacificado, global. (9/10)


ALMS FOR SHANTI
«KASHMAKASH»
Blue Flame Records

É curioso ouvir «Kashmakash», o primeiro tema e tema-título deste álbum dos Alms For Shanti, a seguir ao álbum dos Yashila: o tema começa com percussões tradicionais indianas e um... violino antes de avançar para um rock musculado, e, a seguir, funks pulsantes e electrónicas poderosas ou ambientais e que fazem lembrar, por vezes, os U2, de outras os New Order, de outras os Chemical Brothers ou os Air. Mas sempre com ligações óbvias e profundas às músicas indianas. E basta ver os instrumentos tocados pelos dois membros deste grupo de Bombaim - Jayesh Gandhi (guitarras eléctricas e acústicas, slide guitar, teclas, programações) e Uday Benegal (voz, teclas, programações mas também percussões tradicionais) - e pelos seus inúmeros convidados neste álbum, que tocam instrumentos indianos como tablas, bansuri, ghungroo ou sarangi, para se perceber até onde o grupo leva a sua música. Mas é preciso ouvir-se a música (do irresistível tema dançante «Superbol», presença constante em muitos dos meus sets de DJ, até ao canto konokol locomovido a funk de «Nag Ghum»), para se perceber a riqueza desta música, híbrida sim, misturada sim, mas com tudo a fazer sentido e a soar sempre, sempre, a verdadeiro. (8/10)


TRANSGLOBAL UNDERGROUND
«MOONSHOUT»
Mule Satellite Recordings/Tumbao

Desde há muitos anos na linha da frente da «invasão» indo-paquistanesa na música produzida em Inglaterra - juntamente com os Fun-da-Mental, os Asian Dub Foundation, Nitin Sawhney... -, os Transglobal Underground regressam este ano com um álbum fabuloso, este «Moonshout», em que levam o seu riquíssimo conceito de fusão ainda mais longe. A música do local de origem de alguns dos seus membros continua bem presente (do bhangra a drones mágicos directamente vindos das ragas e aos musicais de Bollywood) assim como o dub, o rock (oiçam-se as fabulosas guitarras shoegazing de «Quit Mumblin'»), a música árabe, o hip-hop, numa mistura sólida, hiper-consistente, de tantas músicas diferentes. Mas estão lá também algumas novidades deliciosas: a primeira, claro!, é a colaboração entre os Transglobal Underground e os «nossos» Blasted Mechanism no fortíssimo «Total Rebellion» (tema comum a este «Moonshout» e a «Sound In Light», dos Blasted Mechanism, e um entre outros dos muitos líbelos políticos de «Moonshout»); outra, igulamente surpreendente, é a participação da cantora búlgara Yanka Rupkina (do Trio Bulgarka) no belíssimo tema «Spice Garden». E, quase inevitavelmente, também a «velha» companheira Natacha Atlas participa num tema, «Awal», ao lado do rapper iraquiano Naufalle. Excelentíssima música esta que põe em confronto - e em união - tantas músicas, tantos lugares, tantas gentes. (9/10)

16 outubro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXVIII.1 - Miriam Makeba


A sul-africana Miriam Makeba - considerada, sem grandes dúvidas, a mais importante cantora africana das últimas décadas - teve a sua vida marcada por uma extrema coerência em toda a sua carreira, pela visibilidade que deu à música africana e pelo seu empenhamento político. Miriam Makeba (aka Mama Afrika) nasceu nos subúrbios de Joanesburgo, a 4 de Março de 1932, e iniciou a sua carreira nos anos 50 com os Manhattan Brothers e The Skylarks, mas o ano de arranque a sério foi 1959, quando conheceu Hugh Masekela e participou no filme anti-apartheid «Come Back, Africa». Exilou-se no estrangeiro nesse mesmo ano e, a partir daí, foi uma voz activa contra o regime sul-africano. Pela mão do cantor Harry Belafonte, conquistou os Estados Unidos, de onde também sairia devido ao seu casamento com o activista dos Panteras Negras Stokely Carmichael. O racismo existe em todo o lado. Mas a música, felizmente, também. Voltou a viver no país-natal, a convite de Nelson Mandela, até à sua morte, a 10 de Novembro de 2008.


Cromo XXVIII.2 - Transglobal Underground


Saídos da mesma vaga de fundo de que também fazem parte os Asian Dub Foundation ou os Fun-Da-Mental, os Transglobal Underground são um dos exemplos mais felizes de como se podem misturar tantas músicas diferentes (hip-hop, electrónicas, música indiana e africana...). Criados em 1990 por Tim Whelan (aka Alex Kasiek), Hamid Mantu (aka Man Tu) - que se mantêm na banda - e Count Dubulah, pelos Transglobal Underground passaram também a cantora Natacha Atlas (que conta quase sempe com alguns dos seus ex-companheiros nos seus trabalhos a solo), Johnny Kalsi, o rapper Coleridge, TUUP, o percussionista Neil Sparkes (que sairia, juntamente com Dubulah, para formar os Temple of Sound) ou a sitarista Sheema Mukherjee. Ao longo da sua carreira trocaram colaborações e remisturas com os nossos Blasted Mechanism mas também com os Dreadzone, Youth, Banco de Gaia e Pop Will Eat Itself, entre outros. O laboratório global continua agora em pleno funcionamento.


Cromo XXVIII.3 - Chumbawamba


Os Chumbawamba são um exemplo curiosíssimo de como muitas músicas diferentes - do punk absoluto à pop mais límpida, passando por canções tradicionais - podem ser experimentadas em fases diferentes de um percurso musical, mas sempre coerentemente ao serviço de uma causa. Formados numa casa ocupada em Leeds, Inglaterra, em 1984, o grupo sempre se manteve fiel à sua ideologia anarquista (próxima dos seus ideólogos Crass) mesmo quando a sua música se açucarou ou quando assinaram por uma multinacional, a EMI, em 1997, e tiveram um grande sucesso com o single «Tubthumping». Anti-Thatcher no início, anti-censura e anti-fascistas sempre depois, os Chumbawamba envolveram-se (e envolvem-se) frequentamente em manifestações políticas e em concertos em... casas ocupadas. Em 1989 editaram o histórico, belíssimo e inesperado disco «English Rebel Songs 1391-1914», com canções tradicionais (e, surpresa!, de protesto) inglesas.


Cromo XXVIII.4 - Lord Kitchener


Lord Kitchener (nascido a 18 de Abril de 1922, falecido a 11 de Fevereiro de 2000) foi um dos mais conhecidos nomes do calipso e também, apesar de ter renegado essa música nova e considerada «bastarda» no início, da soca. De seu verdadeiro nome Aldwin Roberts, Kitchener nasceu em Arima, Trinidad e Tobago, mas chegou à fama em Inglaterra, nos anos 50, onde era um ídolo musical para os imigrantes das Antilhas. De regresso a casa, nos anos 60, Kitch (como também era conhecido) espalhou o seu talento por centenas de canções compostas ao longo da sua vida. E continua a ser o autor favorito de muitas steel-bands (as bandas que tocam em instrumentos feitos de bidões de gasolina) do seu país-natal. Durante trinta anos, geriu uma discoteca, a Calypso Revue, onde se lançaram as maiores vedetas desta música. Tem uma estátua em sua memória em Port of Spain.