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30 junho, 2009

O Amor É Fogo... (ou o Picante da Língua Portuguesa em Festival)


Imagine-se só, alguns dos melhores da lusofonia inteira, num único festival: O'QueStrada, João Gil com Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel, Buraka Som Sistema (na foto), Tito Paris, Ghorwane, Tucanas... E imagine-se que tudo isto acontecia num mais que improvável festival dedicado a Camões. Mas é que acontece mesmo, e com estes nomes todos, vesgos ficamos nós... O programa, na íntegra:


«FESTIVAL "O Amor é Fogo"

Dias 17,18 e 19 de Julho | 21h30

ESTÁDIO MUNICIPAL DE OEIRAS


Integrado nas comemorações dos 250 anos do Concelho de Oeiras vai
realizar-se o Festival "O Amor é Fogo" nos dias 17, 18 e 19 de Julho, no
Estádio Municipal de Oeiras.

João Gil + Shout, Chico César, Ana Moura, Sara Tavares, Da Weasel e Buraka
Som Sistema são alguns dos artistas que constituem o cartaz deste Festival,
com um programa abrangente que pretende privilegiar a Língua Portuguesa nas
suas mais variadas expressões, assim como homenagear o maior de todos os
poetas portugueses Luís Vaz de Camões. Por esta razão todos os
intervenientes encerram a sua participação musicando o poema "Amor é Fogo".

Preço dos Bilhetes: 1 dia 10 € | Passe para os 3 dias 20 €

Locais de Venda: Ticketline ( www.ticketline.pt),
Lojas Fnac, Lojas Worten, Lojas Bliss, Livraria Bulhosa, Agências Abreu,
Megarede, ABEP, Agência Alvalade, C.C. Dolce Vita (Coimbra, Ovar, Vila Real
e Porto), El Corte Inglés, Postos de Turismo de Oeiras.

CARTAZ

Dia 18 de Julho

TITO PARIS

Grande como compositor, guitarrista e cantor, a sua discografia encontra-se
à venda em Nova Iorque, em Paris, por esse mundo fora.



Tito foi um dos artistas responsáveis por colocar no mapa Cabo Verde, um
arquipélago batido pelos ventos a 500 km ao largo de Dakar, que escondia um
tesouro, uma música envolvente de uma excepcional originalidade.



Com a sua voz doce e um swing quente, acompanhado em palco por 6 elementos
Tito Paris vai percorrer toda a sua carreira, oferecendo a todos os
presentes um espectáculo contagiante de energia, onde os ritmos quentes de
Cabo Verde apelam de imediato à dança.



JOÃO GIL e SHOUT

João Gil é sem dúvida um dos maiores compositores do nosso tempo.



Ao longo da sua vasta carreira já integrou muitos e importantes grupos,
como: Trovante, Cabeças No Ar, Rio Grande, Ala dos Namorados, Filarmónica
Gil entre outros. Compôs para muitos artistas e a música é a sua verdadeira
paixão.



Os Shout um grupo de 13 elementos são uma referência do gospel em Portugal.
Juntos em palco vão percorrer a carreira de João Gil lembrando temas como:
"Perdidamente", "125 Azul", "Loucos de Lisboa", "Saudade" e "Fim do Mundo"
só para citar alguns.






GHORWANE

Os Ghorwane são uma banda natural de Moçambique que foi buscar o seu nome ao
pequeno lago Gorhwane situado na escaldante e poeirenta província de Gaza em
Moçambique que mesmo no tempo mais quente nunca seca.



Formados em 1983 a sua música que mistura fusão e afro -pop com os ritmos
tradicionais moçambicanos, e as letras de intervenção politica e social
torna-os um dos mais respeitados grupos moçambicanos.



No ano de 1990 Peter Gabriel convida-os para actuarem no WOMAD Festival e a
partir daí são presença assídua em muitos outros.



Actuando um pouco por todo o mundo os Gorhwane vêm agora ao "Festival Amor é
Fogo" onde não vão passar despercebidos.





CHICO CÉSAR

Este é um concerto obrigatório, e uma oportunidade de ver e ouvir um artista
que quando entra em palco a sua presença é hipnotizante, a voz um
instrumento que manuseia na perfeição, e que usa para conseguir uma perfeita
comunhão com o público.



O seu humor e energia, a par da sua voz mágica e o respeito pelas suas
raízes são coisas raras de se encontrar em espectáculos ao vivo.





Dia 18 de Julho



TUCANAS

As Tucanas são um quinteto feminino formado em 2001.



O seu principal objectivo é o uso de instrumentos percussivos:

De Bidões de plástico a Djambés, ao próprio corpo.



As suas harmonias vocais dão uma garra feminina muito curiosa.

Desde cedo começaram a chamar a atenção dos média e do público devido às
suas actuações, mas o primeiro disco (por opção própria) apenas foi editado
em 2007 com o título "Maria Café".



Os espectáculos das Tucanas assentam numa forte componente cénica "brincam e
jogam com o ritmo e a harmonia" dentro de um visual muito próprio que se
situa entre a sensibilidade feminina e a força rude de tocar percussão.





ANA MOURA

Filha de Santarém, localidade que a viu nascer, Ana Moura é uma fadista
reconhecida internacionalmente.



No ano de 2007 foi convidada a participar no concerto que os Rolling Stones
deram no Estádio de Alvalade para cantar em dueto com Mick Jagger o tema "No
Expection". Nesse mesmo ano recebeu o prémio Amália para melhor intérprete.



Em 2008 é nomeada para os Globos de Ouro na categoria de melhor intérprete
individual, que acabou de perder para Jorge Palma.



Neste espectáculo Ana Moura vai apresentar o seu último trabalho "Para Além
da Saudade" de onde se destaca o belíssimo tema "Búzios".



SARA TAVARES

Com quatro álbuns na bagagem e muitas actuações por esse mundo fora, a
música de Sara Tavares tornou-se uma música do mundo, alimentada pelos
encontros e viagens que ela fez ao longo dos anos.

À medida que Sara Tavares viajava e que as suas experiências enriqueciam a
sua música, ela descobria também uma nova simplicidade, uma confiança cada
vez maior na sua voz.



Mas todas as viagens implicam um regresso a casa para descansar, recuperar
energias e decidir o próximo destino. E é exactamente neste regresso a casa
que Sara nos vai apresentar ao vivo o seu novíssimo trabalho Xinti (Sente).



E é isso que vamos fazer. Sentir a emoção e bom feeling que sempre sentimos
quando vemos e ouvimos Sara Tavares.





Dia 19 de Julho





OQUESTRADA

A banda revelação do momento vai apresentar o seu álbum de estreia "Tasca
Beat".



Os Oquestrada actuam juntos há sete anos e atrevemo-nos a chamar-lhes uma
banda de "Fado dos Subúrbios".



No entanto, para entender a força e o carisma deste grupo que tem actuado um
pouco por Portugal inteiro, é necessário assistir a um concerto, só assim se
pode perceber toda a energia da banda que em palco se tornam completamente
hipnóticos e electrizantes ao juntarem Voz, música e encenação.



DA WEASEL

São sem qualquer dúvida a maior banda portuguesa na área do Hip Hop e não
precisam de apresentações.



Multiplatinados, galardoados com a Medalha de Ouro - Mérito Cultural da
Cidade de Almada, vencedores de três globos de ouro nas categorias de
"Canção do Ano" (2005) e "Melhor Grupo do Ano" (2005 e 2008), são ainda
vencedores do MTV Music Award no ano de 2007.



Com centenas de concertos dados, encheram o pavilhão Atlântico num concerto
inesquecível de luz, côr e energia em Novembro de 2007.



Os Da Weasel são a garantia de um grande espectáculo, onde quase todas as
suas músicas são hinos. Senão vejamos: "Toda a Gente", "Duia", "Outro
Nível", "Tas Na Boa", "Casa (Vou Fazer de Conta)", "Dialectos de ternura" ou
ainda o incontornável "Re-Tratamento", vulgarmente conhecido por "Nina".





BURAKA SOM SISTEMA

Os Buraka Som Sistema são a banda com mais foco do momento.



Acabados de chegar de uma digressão nos Estados Unidos, e vencedores de um
Globo de Ouro na categoria de Melhor Grupo, os Buraka tem uma sonoridade que
se integra no género musical Kuduro. São frequentemente apelidados como os
fundadores do novo som electrónico Kuduro Progressivo.



Preparem-se para um concerto enérgico, electrizante e muito dançável onde o
álbum de estreia "Black Diamond" vai ser a estrela principal».

11 junho, 2008

Folk e World Feitas em Portugal - Relatório de Existências


Os últimos meses têm sido riquíssimos em edições de música portuguesa que navega pela música tradicional, seja ela portuguesa ou de outras proveniências - e muita dela também pelo rock ou pelo hip-hop ou por onde quer que seja... - mas toda ela feita em Portugal. Hoje, fala-se aqui dos discos, novos, dos Gnomon, Pé na Terra, Fadomorse, Mu, Kumpa'nia Al-gazarra, Tucanas, Mandrágora, Melech Mechaya, Dead Combo, Projecto Fuga (na foto), Joana Pessoa e Navegante. Uma dúzia inteira de discos!!


DEAD COMBO - «LUSITÂNIA PLAYBOYS» (Dead & Company/Universal Music Portugal)


E, ao terceiro álbum, os Dead Combo têm um disco que roça a perfeição. A sua linguagem está completamente estruturada e com um léxico cada vez mais próprio... Continuam por lá, é certo, as referências primordiais a Morricone, a Badalamenti e Ry Cooder, a Carlos Paredes e ao fado de Lisboa, mas avançando cada vez mais para outras paisagens sonoras onde se encontram a música «exotica» (na extraordinária e encantatória versão de «Like a Drug», dos Queens of The Stone Age, com a cantora Ana Lains a brilhar lá em cima), o son cubano transformado em fado e Durutti Column (em «Cuba 1970») ou a recolha de Michel Giacometti do «Canto de Trabalho» dos pescadores de Ovar usada como mote para uns blues ácidos (em «Canção do Trabalho D.C.»). A presença de convidados ilustres como Howe Gelb, Kid Congo Powers, Nuno Rafael, Carlos Bica ou Alexandre Frazão ajudam a dar a este «Lusitânia Playboys» os «efeitos especiais» que um filme destes precisa.


FADOMORSE - «FOLKLORE HARDCORE» (Hepta Trad/Compact Records)


O Hugo Correia é um génio, um louco, um Frank Zappa de alguma forma reencarnado num rapaz transmontano que tanto gosta de músicas tradicionais de várias proveniências como de jazz, de rock, de hip-hop, de música clássica?... Se calhar é isso tudo, mas ainda bem... Hiper-activo, mentor, músico e compositor de não se sabe bem quantos projectos musicais - Só Vicente, Triste Sistre, Upsz Jazz, DeusSémen, Vipassana, entre outros -, Hugo Correia tem nos Fadomorse o seu projecto mais conhecido. Um projecto que, ao fim de vários álbuns, cristaliza em «Folklore Hardcore» o melhor que antes já tinha «ameaçado» fazer. E se nos discos anteriores, o cacharolete interminável de referências musicais dos Fadomorse dava por vezes uma amálgama confusa e atabalhoada, neste novo álbum tudo - e quando se diz tudo é mesmo tudo, de recolhas de temas tradicionais ao hip-hop, de gaitas-de-foles a sitares, de uma voz feminina que parece a Dulce Pontes sem os trejeitos a citações dos Procol Harum ou do «Avé Avé Maria» até ao kuduro arraçado de música transmontana e galega (!!) ou ao drum'n'bass arraçada de ragas indianas e riffs punk hardcore (!!!) - faz sentido e contribui por igual para um álbum fresco, inventivo e surpreendente. E com um sentido de humor, felizmente, incorrigível.

GNOMON - «GNOMON» (Edição de Autor)


É um EP de estreia com apenas três temas (embora o terceiro tenha vários «actos»), mas que deixam água na boca para o que vem aí a seguir. Os Gnomon são um grupo de Joane que vai à música tradicional portuguesa e à folk - e vai lá tanto via nomes portugueses como José Afonso, Trovante, Brigada Victor Jara e Banda do Casaco como via folk britânica da tendência mais psicadélica, jazzy e progressiva - sem medos nem preconceitos. Soam de alguma forma a anos 60 e 70, mas soam muito bem. Neste EP promocional estão os temas «Paz do Gerês», «Uvas do Monte» e os lindíssimos «actos» de «Rosa dos Ventos». Os Gnomon são Tiago Machado (guitarra acústica), Carlos Ribeiro (guitarra eléctrica), Mário Gonçalves (bateria), Carlos Barros (percussão), Rui Ferreira (piano, acordeão e cavaquinho), David Leão (flauta transversal e gaita-de-foles) e João Guimarães (baixo eléctrico) e deles se espera agora um álbum inteiro.


JOANA PESSOA - «FLUIR» (iPlay)


O trabalho de renovação da música portuguesa de raiz tradicional já passou por várias fases - de José Afonso à Banda do Casaco, dos Ocaso Épico aos Madredeus, dos Trovante aos Sitiados, de Né Ladeiras e dos Gaiteiros de Lisboa aos Chuchurumel ou aos Xaile... - e tem agora, em Joana Pessoa, mais uma tentativa de tornar o antigo... novo. Uma tarefa que neste álbum de estreia da cantora, produzido por Rodrigo Serrão, fica pela metade: há nele uma tentativa honesta de revitalização de temas tradicionais já conhecidos noutras vozes («Este Linho É Mourisco», «Altinho» ou o romance «Oh Laurinda, Linda Linda») e de uma versão de José Afonso («Era Um Redondo Vocábulo»), mas às vezes as programações electrónicas, a secção de cordas ou uma guitarra portuguesa deslocada dão ao «todo» um lado artificial que o «todo» não merecia. (texto originalmente publicado na revista «Time Out Lisboa»)


KUMPA'NIA AL-GAZARRA - «KUMPA'NIA AL-GAZARRA» (Edição de Autor)


A vida da Kumpania Algazarra (ou, se não nos perdermos entre apóstrofos e hífens, Kumpa'nia Al-gazarra) tem sido feita nas ruas, em praças, em festivais - um dos primeiros concertos do grupo, no Andanças, foi um marco deste festival - e muita da sua arte perde-se quando transposta para o formato CD. É que se uma fotografia do Homem-Estátua da Rua Augusta não é muito diferente de assistir a uma performance do Homem-Estátua da Rua Augusta, num CD perde-se boa parte daquilo que a Kumpania Algazarra é ao vivo: a espontaneidade, a interacção com as pessoas, a improvisação, a dança compulsiva. Mas, felizmente, o fundamental da arte da Kumpania até está preservado neste álbum de estreia do grupo: a sua alegria a fazer música, o seu domínio de instrumentos - muitos sopros, acordeão, contrabaixo, percussões, voz -, o seu sentido de humor (oiça-se, por exemplo, «Supercali», uma balcanice cantada em português com o «Mary Poppins» como referência), as suas influências vindas de vários pontos do globo, mas perfeitamente digeridas por este bando de portugueses (e alguns estrangeiros): a música cigana dos Balcãs, o son cubano, o afro-beat, o ska, o reggae, o swing, o klezmer, o gnawa, o rock da antiga esfera soviética (da Rússia, da Ucrânia, da ex-Jugoslávia), tudo separado ou tudo junto em alguns «cocktails» de música inesperada e excitante. Um belo exemplo é «Maribor», onde vários géneros convivem facilmente e como se sempre tivessem estado assim unidos. Os Kumpania Algazarra podem facilmente agradar a fãs dos Clash, Madness, Fela Kuti, Klezmatics, Gogol Bordello, Buena Vista Social Club, Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Fanfare Ciocarlia, Blasted Mechanism, Manu Chao, Bob Marley, Rachid Taha, Nogu Svelo ou Leningrad. Isto é, a tudo quanto é festa pegada. (texto originalmente publicado na revista «Time Out Lisboa»)



MANDRÁGORA - «ESCARPA» (Hepta Trad/Compact Records)



Oiço este segundo álbum dos Mandrágora e não consigo deixar de pensar como seria bom ler um texto do Fernando Magalhães sobre ele. Porque está aqui, neste álbum, tudo o que o Fernando mais gostava: um amor imenso à música tradicional portuguesa mas um amor que não se fecha em si próprio, antes abrindo-se a muitas, tantas, outras músicas: a folk galega, inglesa, irlandesa, escocesa e escandinava, o rock progressivo e psicadélico, as derivações jazz, as doses certas de experimentalismo, aventura e arrojo. «Escarpa», dos Mandrágora, eleva este grupo portuense ao patamar dos grandes grupos folk europeus da actualidade. E é justo que eles lá estejam! Para além de Filipa Santos (flautas, saxofone e gaita-de-foles), Ricardo Lopes (percussões, flautas e throat-singing), Pedro Viana (guitarra clássica), Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki e nyckelharpa) e João Serrador (baixo), em «Escarpa» colaboraram Simone Bottasso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), a cantora Helena Madeira, do Projecto Iara, no hipnótico e selvático «Turbilhão», e Francisco Silva (aka Old Jerusalem) a dar a voz e a guitarra à deliciosa canção - canção mesmo! - que é «Abaixo Esta Serra».


MELECH MECHAYA - «MELECH MECHAYA» (Edição de Autor)


Que se saiba nenhum dos almadenses Melech Mechaya é judeu, mas isso também não interessa nada (não é preciso ser jamaicano para fazer reggae ou de Liverpool para se fazer música influenciada pelos Beatles): a verdade é que o grupo toca klezmer e que o toca muitíssimo bem!! Eles ao vivo são uma maravilha e neste EP de estreia, com cinco temas, está apenas uma amostra daquilo que eles são: festivos, inventivos, dançantes, por vezes doidos varridos, a irem à música dos judeus do centro e norte europeu como se esta fosse a coisa mais natural para quem vive na margem sul do Tejo. Em três temas originais do grupo - «Noite Tribal», «Zemerl Biffs» e «Fresta Fresca» - e duas versões - «Bulgar de Odessa» (Ucrânia) e «Miserlou» (o tema grego que Dick Dale popularizou) -, o quinteto passa pelo klezmer e por alusões a outras músicas suas irmãs, da música árabe à música cigana dos Balcãs, com uma facilidade e uma alegria contagiantes. Não é tão bom ouvir o EP quanto é vê-los ao vivo, mas já é uma aproximação.


MU - «CASA NOSTRA» (Edição de Autor)


De onde é que vem esta música que não se sabe bem de onde vem?... Nos Mu - e, recorde-se, Mu era o nome de um mítico continente perdido, terra de atlantes, sereias e outros seres míticos - a música parece vir de todo o lado e de um lado só deles, dali de dentro, das suas almas e dos seus corações. Se calhar, os Mu recriam sem o saber temas tradicionais de Mu, o continente do Oceano Pacífico onde se teriam cruzado povos ainda agora existentes e outros que deixaram de existir, seres verdadeiros e imaginários, se é que a verdade e a imaginação não são uma e a mesma coisa, como o são na música dos Mu. Porque uma música que tem tanto de verdade como de... imaginação. E uma alegria e um brilho imensos, um encanto permanente tanto nos temas originais - mas que reflectem tantas e tantas músicas de tantos e tantos lugares! - como nas versões de tradicionais russos ou húngaros. A música dos portuenses Mu serve para dançar, serve agora ao segundo álbum (este «Casa Nostra» em que tem como colaboradores Helena Madeira, do Projecto Iara, o grupo de percussões Semente e Quico Serrano como produtor) como já servia ao primeiro, mas serve também para ensinar a ouvir - a ouvir a sua música e a de muitos outros. E isso é o que torna os discípulos mestres.


NAVEGANTE - «MEU BEM MEU MAL» (Tradisom/iPlay)


«Meu Bem Meu Mal», o novo álbum dos Navegante - ainda e sempre liderados por José Barros, embora tenha deixado cair o seu nome do nome do grupo -, é sem dúvida o melhor de sempre deste projecto. E o facto de José Barros ter contado com José Manuel David (dos Gaiteiros de Lisboa) como cúmplice principal nos arranjos e na produção deste disco foi um trunfo importante. Assim como o alargadíssimo leque de convidados presentes: de vários dos Gaiteiros de Lisboa, Amélia Muge, Rui Júnior, as txalapartistas bascas Ttukunak, Manuel Rocha, Janita Salomé, João Afonso, Edu Miranda, etc, etc... Mas isso não impede, mais uma vez, uma certa sensação de frustração quando se ouve o álbum de início ao fim e se fica com a sensação de que muitas destas canções - tanto os originais de José Barros quanto os tradicionais adaptados - poderiam, e deveriam, ir muito mais longe em arrojo e aventura. Oiçam-se as excepções, como por exemplo «Sábado d'Aleluia», onde o universo é muito mais Gaiteiros de Lisboa do que Navegante, ou o divertido e fresquinho «Fado do Tu Cá Tu Lá» (um dos dois temas co-compostos por Barros e Amélia Muge), para se perceber o que quero dizer.


PÉ NA TERRA - «PÉ NA TERRA» (Açor)


É tão bonito e fresquinho este álbum de estreia dos Pé na Terra! Um álbum em que se sente um amor enorme pela tradição - quer seja a tradição portuguesa (presente em «Menino Ó» e «Maria Faia») quer por outras tradições de outros lugares (e andam por aqui valsas e chapeloises) quer pela «tradição» que já é a música de José Afonso (a lindíssima e, no final, arrojada versão rock de «Balada do Sino) - e uma vontade de, tomando balanço nessa tradição, avançar para temas originais mas que cheiram a terra, a raízes, a aldeias (aldeias portuguesas, sim, mas também aldeias perdidas no interior da Galiza, de França, das ilhas britânicas...). Depois, Cristina Castro é uma excelente cantora e acordeonista, Ricardo Coelho é um fabuloso gaiteiro e flautista - e neste álbum ele usa gaitas de várias proveniências, low whistle, requinta, gralha, numa panóplia de instrumentos interminável - e o resto da banda - Hélio Ribeiro (guitarras), Adérito Pinto (baixo), Tiago Soares (bateria e percussões variadas) e a convidada permanente Silvana Dias (violoncelo) - dá uma consistência única ao som final do grupo. Abertos, livres de preconceitos e hiper-criativos, os Pé na Terra são já uma das mais importantes bandas folk portuguesas.


PROJECTO FUGA - «01» (Fuga/Compact Records)


E que bela surpresa esta!! «01», o primeiro álbum do Projecto Fuga foi um «work in progress» que juntou um trio «nuclear» - Pedro Pereira (principal compositor e teclados, samples, guitarras...), Maria Pedro (principal letrista) e Milton Batera (bateria) com muitíssimos e diferenciados músicos e cantores convidados: Celina da Piedade (acordeão e voz), JP Simões, o guineense José Galissá (kora e voz), Teresa Gabriel), a brasileira Fernanda Takai (Pato Fu), o cantor nigeriano Enjel Eneh, Ana Deus e Adolfo Luxúria Canibal, entre outros. E em «01» há lugar para tudo o que se possa imaginar: há uma valsinha deliciosa, há alusões à música brasileira e a Fausto (em «De Fugida»), à música árabe, ao jazz, à música africana, ao rock de tendência sixties («Verso Inverso», com a voz de Pedro Bonifrate, dos Supercordas) e de outras tendências, ao fado («Outro Tema»), aos blues («Dakun Baby») e até a algum experimentalismo. «01» não é um álbum homogéneo - e ainda bem! - nem é sempre bom... Mas quando é bom é mesmo muito bom!

TUCANAS - «MARIA CAFÉ» (Spot/Farol)


Muitas delas saídas dos Tocá Rufar, as raparigas das Tucanas sempre foram umas excelentes percussionistas - e sempre tiveram nas percussões a sua base de trabalho primordial (percussões tradicionais ou por elas inventadas, os próprios corpos como instrumento de percussão...) -, mas, a pouco e pouco, também as harmonias vocais foram tomando um papel importantíssimo no seu processo de composição. Finalmente, e para acabar de compor o ramalhete, a adição da acordeonista Marina Henriques deu-lhes a «carpete» melódica e harmónica que muitos dos seus temas precisavam. E este intróito todo é necessário para explicar o grau de excelência, de virtuosismo e de criatividade que «Maria Café», o primeiro álbum das Tucanas, conseguiu atingir. Um grau elevadíssimo, mesmo que não tivesse sido necessário gravar tantos temas para o conseguir. Em «Maria Café», as Tucanas passeiam alegremente pela música africana (anda por lá o batuque cabo-verdiano e muitas outras alusões a África), a música brasileira e latino-americana - mesmo quando a latino-americana se une à... música cigana dos Balcãs (na versão de «Peruano» com a Kumpa'nia Al-gazarra) -, os bailes tradicionais europeus (oiça-se o delicioso final de «Domingão/Niará») e o divertimento puro e simples («Kazoo», com Carmen Miranda incorporada), seguindo os ensinamentos do O Ó Que Som Tem - e está lá Rui Júnior (também seu mestre nos Tocá Rufar) - e das Zap Mama, dos Stomp e de Bobby McFerrin. E seguindo-os muito bem!

09 maio, 2008

Festival Portugal a Rufar - Até ao Fim do Mês, no Seixal


O festival já começou no passado fim-de-semana (e, por entre feriados e afazeres vários, deixei passar a data inaugural... Mas não se perdeu tudo: até ao final deste mês e ao princípio do próximo (dia 1 de Junho), a edição deste ano do Festival Portugal a Rufar decorre na nova sede do Tocá Rufar (Parque Industrial do Seixal) e inclui ainda concertos dos WOK - Ritmo Avassalador (cujo novo espectáculo, ao qual assisti no Teatro Mundial, é uma maravilha absoluta; na foto), hoje, dia 9; didgeridoo, o duo Stoyan Yankoulov & Elitsa Todorova (Bulgária) e os portuenses Olivetree, dia 10; Hugo Menezes e Tucanas, dia 16; Djamboonda, dia 17; Baltazar Molina e Nação Vira-Lata, dia 23; Noite Batuko e Bomba d'África, dia 24; o grande percussionista brasileiro Naná Vasconcelos, dia 30; Nélson Sobral e Wolfgang Haffner (Alemanha), dia 31; e o encerramento com o desfile de 1400 Tocadores de Percussão, dia 1 de Junho. E, embora não haja concertos, os domingos são todos dedicados a workshops, artesanato e outras actividades. Segundo o press-release do festival, como sempre organizado pelo Tocá Rufar,«esta quarta edição do Portugal a Rufar insiste na promoção dos instrumentos e dos estilos desta linhagem musical e na divulgação de novas formações artisticas em seu redor». Mais informações aqui.

01 abril, 2008

Festival S.I.R.E.N.E.S. - Sonoridades Singulares


Há um novo festival no horizonte: o Festival S.I.R.E.N.E.S., que pretende ser itinerante mas, para já, tem a sua primeira apresentação marcada para o Cine-Teatro de Estarreja, dias 25 e 26 de Abril, datas escolhidas a dedo pelo seu simbolismo. O festival «quer ser uma mostra de sonoridades singulares no panorama musical» e a sigla S.I.R.E.N.E.S. significa «Soluções Irreverentes Revelam Ao Espectador Novos Estilos Sonoros». Do elenco do festival constam Jorge Cruz (o ex-Superego, agora com um novo disco a solo, «Poeira»), os Deolinda (em tempo de lançamento do seu álbum de estreia, «Canção ao Lado») e as Tucanas (também com álbum de estreia fresquinho, «Maria Café»), todos no primeiro dia, e Couple Coffee (com JP Simões como convidado) e Jacinta (na foto; a interpretar temas do seu álbum «Convexo», dedicado ao reportório de José Afonso), no segundo dia. Integrada no festival está também a exposição «A Cor do Som Português», com fotografias de Jorge Neto. Mais informações aqui e aqui.

15 janeiro, 2008

Tucanas - «Maria Café» Já Está nas Lojas...


O mui aguardado álbum de estreia das Tucanas chegou às lojas ontem, segunda-feira. «Maria Café», assim se chama o disco, apresenta a música das Tucanas - Ana Cláudia Gonçalves (vozes e percussão), Catarina Ribeiro (vozes e percussão), Marina Henriques (vozes e acordeão), Mónica Rocha (vozes e percussão) e Sara Jónatas (vozes e percussão) -, aqui acompanhadas por alguns convidados: o percussionista Rui Júnior (em «Mãos de Calor»), a cantora Amélia Muge (em «Molhar o Pé») e a Kumpa'nia Al-gazarra (em «Peruano», tema que aparece duas vezes, com e sem a participação da charanga sintrense). Os outros temas do álbum são «Tempo Perguntou ao Tempo», «Surdim», «Domingão/Niará», «Tucana», «Amor És», «Áfricca», «Lócus», «Dacanas», «Fusão», «Djidji», «Estruturas Primavera» e «Kazoo». Uma faixa multimédia com uma entrevista ao grupo completa o alinhamento do álbum, que tem edição da Spot e da Farol.

12 julho, 2007

Festa da Diversidade - Sem Fronteiras e sem Preconceitos e sem Barreiras



Este fim-de-semana, Lisboa acolhe mais uma Festa da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades, com inúmeros concertos (desde a folk à música tradicional africana, passando pelo reggae, o gnawa ou o hip-hop...), espectáculos de dança, artesanato, gastronomia, exposições, workshops, debates e outras actividades. É nos dias 13, 14 e 15 de Julho, na Praça do Comércio, e o programa cultural (que inclui concertos, performances e espectáculos de dança) é preenchido por actuações de Kilate, Red Chikas, Pedrinhas de Arronches, Ballet Brasil, Grito Silencioso, Gnawa Bambara, Glória Lopo, Chullage e Tucanas (dia 13, das 19h00 às duas da manhã); Moulin Rouge, Cantares Mistos de Beja, Bazas d'lum, Raízes, Chocolate Lusófono, Black Roses, Schakas, Lúmen G, Netas di Bidinha Cabral, Terra Batida, The Guibs Dancers, As Estrelas do Mocho, Geração Viva, Batoto Yetu (na foto), Pé na Terra, Mistura Pura, Vera Cruz e Freddy Locks & The Groove Missions (dia 14, das 16h00 às duas da manhã); e Dança Cigana, um rancho folclórico, Plural, Tarrachinha, Mães Solteiras, Afrostyle Models, Nácia Gomi, As Rapicadas, Cabo Djura, O Pôr do Sol, um recital de poesia, Focolitus, Kumpa'nia Al-gazarra e Terrakota (dia 15, das 16h00 à meia-noite). Por sua vez, os debates - dedicados aos temas Religião, Deficiência, Género, Idade, Racismo e Orientação Sexual, decorrem ali muito perto, no Welcome Center. Todas as informações aqui.

08 maio, 2007

Tucanas - Finalmente, O Primeiro Álbum!



São cinco mulheres - Ana Cláudia Gonçalves, Catarina Ribeiro, Mónica Rocha, Sara Jónatas e Marina Henriques - e fazem das vozes, de inúmeras percussões e do acordeão (este nas mãos da Marina) uma música viva, pulsante, alegre, divertida e orgânica. Chamam-se Tucanas, têm já numerosíssimas provas dadas em concertos, e estão agora - depois de várias «ameaças» não concretizadas - a gravar o seu primeiro álbum no Estúdio de Vale de Lobos, pertença de Rui Veloso. Como co-produtor, as Tucanas têm Carlos Miguel, como engenheiro-de-som Rui Guerreiro e como arranjadora das vozes Joana Machado, para além de contarem com vários convidados que elas preferem manter em segredo (mas se se for ao myspace delas, o segredo é capaz de ser desvendado nos próximos dias). Nesse mesmo myspace - e através do «diário de bordo» que elas mantêm por lá - fica-se a saber do andamento das gravações e de como já registaram, em audio e por vezes em vídeo, temas como «Robot» (uma peça de percussão corporal), «Mãos de Calor», «Tucana», «Tempo», «Fusão», «Peruano», «Molhar o Pé», «Dacanas», «Domingo», «Estruturas», «Body», «Lócus» e «Surdim». Ficamos ansiosamente à espera.

06 agosto, 2006

Santulhão e Cem Soldos - Mais Festivais


Tempo de notícia para mais dois festivais de música e não só: o Festival de Música Tradicional/Celta de Santulhão, perto de Vimioso, e o Festival Bons Sons, em Cem Soldos, aldeia próxima de Tomar.

O Festival de Música Tradicional/Celta de Santulhão vai já na sexta edição e decorre no próximo dia 14 com uma Oficina de Danças Tradicionais Europeias a cargo de Mercedes Prieto (17h00), uma arruada pelos Gaiteiros de Palaçoulo (20h00) e concertos, a partir das 21h00, dos Ranchada, Paddy B & Celtic Express, Tradere e Monte Lunai. Para ficar com uma boa ideia desta e das edições anteriores consultar o site http://www.santulhao.com/festivais/

Em Cem Soldos, Tomar, o Festival Bons Sons decorre nos dias 18, 19 e 20 deste mês com concertos, teatro, workshops, animação de rua... No festival participam o grupo de teatro Ultimacto, o projecto Canal 0 (música para desenhos-animados), Garac (animação de rua) e os grupos musicais Desbundixie, Toques do Caramulo, Bácoto, Tucanas (na foto), Orquestrinha do Terror e Skareta, para além dos DJs Popkorn e Kitchnette. Pormenores do programa em www.bonssons.com