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07 outubro, 2008

Deolinda, Kimmo Pohjonen, Varttina e Cristóbal Repetto em Concertos Próximos


Os portugueses Deolinda, as finlandesas Varttina (na foto), o igualmente finlandês Kimmo Pohjonen - com o seu projecto Kluster - e um dos nomes mais importantes do novo tango, Cristóbal Repetto, têm todos concertos e digressões marcados para Portugal nas próximas semanas, com organização da Sons em Trânsito. É (para) ver:

Deolinda

17 Outubro - Teatro Aveirense, Aveiro
18 Outubro - Aula Magna, Lisboa
23 Outubro - Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
05 Novembro - CAEP, Portalegre
13 Dezembro - Casa das Artes, Famalicão


Kimmo Pohjonen "Kluster"

30 Outubro - Teatro Aveirense, Aveiro
01 Novembro - Fundação Oriente, Lisboa
02 Novembro - Casa da Música, Porto


Varttina

02 Novembro - Casa da Música, Porto


Cristóbal Repetto

03 Novembro - Culturgest, Lisboa

28 fevereiro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XIII.1 - Salif Keita



O maliano Salif Keita (nascido a 25 de Agosto de 1949, em Djoliba) é na actualidade um dos mais famosos cantores e compositores africanos, com a sua junção única - e por vezes mal-amada - de música mandinga, pop, soul, funk, jazz, etc, etc... Mas a sua origem não fazia adivinhar uma carreira na música: nascido albino - sinal de azar e desgraças iminentes na sua região - e no seio de uma família nobre (Salif descende do fundador do Império Mandinga, Sundiata Keita), as suas ambições musicais foram no início tolhidas pela família, que via a música como uma actividade menor, reservada aos griots. Mas tudo muda quando, em 1967, se instala em Bamako e começa a actuar com grupos como a Rail Band (ao lado de Kante Manfila) e, na continuação, Les Ambassadeurs. Em 1984 muda-se para Paris e a sua carreira internacional cresce, fulgurante. Audições aconselhadas: «Soro», «Destiny of a Noble Outcast» e «M'Bemba».


Cromo XIII.2 - Värttinä



Grupo fundamental da folk escandinava, as finlandesas Värttinä iniciaram a sua carreira em 1983, em Raakkyla, na região da Karelia. Fundado pelas irmãs Sari e Mari Kaasinen (que continua a liderar o grupo), as Värttinä tiveram variadíssimas formações ao longo dos anos (chegaram a incluir um coro de 21 crianças), cantoras entraram e saíram, as portas abriram-se aos homens (actualmente, as Värttinä incluem seis músicos homens na sua formação), mas nunca perderam o contacto com a música tradicional da sua Karelia-natal, apesar de nos últimos anos a sua música se ter aproximado perigosamente da pop, principalmente quando o grupo trocou os temas tradicionais pelas suas próprias canções. Mais recentemente, trabalharam com o famoso compositor indiano A.R. Rahman (o mesmo da banda-sonora de «Quem Quer ser Bilionário») no musical «O Senhor dos Anéis». Audições aconselhadas: os álbuns «Värttinä» e «Oi Dai».


Cromo XIII.3 - Michel Giacometti



Às vezes, há estrangeiros que são mais portugueses do que muitos portugueses. E Michel Giacometti (na foto, durante as gravações com um gaiteiro) é disso um dos maiores e melhores exemplos. O etnomusicólogo corso (nascido em 1929, falecido em 1990) foi o responsável pela recolha de centenas de obras musicais portuguesas achadas nas aldeias de norte a sul do país, pela gravação de cantos, aboios, música de instrumentos em vias de desaparecimento, pela captação escrita e fotográfica de uma realidade e diversidade portuguesa riquíssima. Andarilho do mundo (Córsega, África, Suécia, Paris...), Giacometti fixou-se em Portugal em finais dos anos 50. Material de audição aconselhado: a caixa de CDs «Antologia da Música Regional Portuguesa» (em conjunto com Fernando Lopes-Graça), também conhecida originalmente, aquando da sua edição em vinil, como os «Discos da Serapilheira», e a histórica série televisiva «Povo Que Canta».


Cromo XIII.4 - Culcha Candela



Os Culcha Candela são um grupo multi-racial berlinense que se tem destacado com uma poderosa e irresistível mistura de hip-hop, reggae, música latina e dancehall. Cantando em três línguas - espanhol, alemão e inglês - os Culcha Candela formaram-se em 2002, tendo na sua formação os cantores e MCs Jonny Strange (Uganda), Mr.Reedoo (Alemanha), Larsito (Colômbia), Don Cali (Colômbia), Lafrotino (Colômbia) e Itchyban (Polónia) e o DJ Chino con Estilo (Coreia). Com uma fortíssima componente de intervenção política (vd. o seu DVD «Kein Bock auf Nazis», em que confrontam directamente os movimentos nacionalistas e neo-nazis alemães), os Culcha Candela são senhores de um culto cada vez mais alargado na Alemanha e noutros países europeus. Audições aconselhadas: os álbuns «Union Verdadera» e «Next Generation».

31 julho, 2006

FMM Sines 2006 (ou Isto Não É Uma Reportagem)


Flashs dispersos de seis dias no FMM (ou seja, daquilo de que me consigo lembrar, ao jeito «quem diz que se lembra dos anos 60 é porque não os viveu»):

- O set de DJ na segunda-feira correu muito melhor do que seria de esperar, atendendo a que era uma estreia absoluta. É uma sensação estranha, mas muito boa, ver dezenas de freaks a dançar à minha frente, depois de terem levado com uma bela ponta final do concerto dos Vaguement La Jungle... Eu e o Gonçalo acabámos por nos divertir imenso. Só foi pena o catering já estar fechado depois da nossa actuação (actuação?) movida a muitas águas e, no meu caso, cigarros, o que nos impediu de nos vingarmos violentamente depois em licores vários. (em resposta ao «comment» de Manel Calapez, que desapareceu misteriosamente nas profundezas deste blog sabe-se lá porquê, e aos outros que eventualmente também queiram saber...)

- Os licores, no entanto, não perderam pela demora. Um dia depois, a rapaziada do nº 3, 3º esq. - 5 gajos com algum jeito para a cozinha, e mais um, eu, a ver de longe -, decidiu improvisar um chili que tinha quase tantas malaguetas quanto feijão (e uns enchidos, arroz e couves para disfarçar). Estava delicioso, mas a actividade vulcânica da coisa era tal que o fogo, durante o jantar e nas horas que se seguiram, só conseguiu ser apagado à custa de três garrafas de tinto e várias palettes de cerveja. Ficámos a bezerrar por casa e nem fomos a Porto Covo ver os Dazkarieh e o Elisio Parra.

- Uma das vantagens de não se estar em trabalho num festival como o FMM de Sines é a quantidade de coisas que não é preciso levar para o recinto: uma caneta (ou duas, para o caso de uma falhar), o bloco-notas, o gravador das entrevistas e... alguns milhares de neurónios, os neurónios que nos obrigam a identificar ou tentar identificar imediatamente uma versão de um tema mais ou menos conhecido, ir depois confirmar à net o nome de alguns instrumentos estranhos, saber na perfeição o género ou sub-género musical em que os músicos estão a navegar em determinado momento. E esta sensação é muito boa!!!

- O FMM de Sines é conhecido como o melhor festival de world music do país. Mas o FMM também é, para além de um festival de world music, um festival de jazz... Ou da fusão dos dois universos (que já têm, em si, milhões de outros universos). Este ano houve jazz, ok, com muitos outros géneros à mistura, em Jacques Pellen e a sua «Celtic Procession», no trio de Rabih Abou-Khalil com o extraordinário pianista Joachim Kuhn e o baterista Jarrod Cagwin (um dos melhores concertos do festival), nos delirantes Alamaailman Vasarat (onde, ok, o jazz não podia faltar porque eles têm lá tudo, incluindo ainda klezmer, ska, speed-metal, ciganadas balcânicas, progs vários), nos Bad Plus (estava na cavaqueira nos bastidores e só reconheci, à distância, uma versão do tema-título de «Chariots of Fire», de Vangelis, mas o resto estava a soar bem), na música da extraordinária cantora iraquiana Farida (que substituiu Thomas Mapfumo... e encabeça este parágrafo, em foto de Mário Pires - ver o seu site Retorta, aqui nos links ao lado), na música circular de Trilok Gurtu (o músico que, provavelmente, fará desistir qualquer pessoa que o veja de alguma vez tentar tocar tablas, de tão bom que ele é!), e há jazz, mais do que devia, em Ivo Papasov (cujo ensaio-de-som, ouvido na praia ao lado às cinco da tarde foi muito melhor do que o concerto propriamente dito).

- Depois da experiência incendiária do primeiro jantar, a rapaziada do nº3, 3º esq., decidiu mudar de táctica e tentar descobrir um restaurante simpático na vila. E «descobrimos» (palavra que fica sempre bem dizer na terra do Vasco da Gama) o Jorge Russano, Churrasqueira, que tem uma garagem simpática ao lado, onde fomos principescamente tratados e servidos vários dias com espetadas, frangos enormes, bacalhaus assados, entremeadas a pingar uma gordura deliciosa, etc, etc, etc, tudo regado com um piri-piri violentíssimo... Pois.

- Últimos neurónios espremidos de onde pingam muito boas lembranças dos Gaiteiros de Lisboa (sim, deu outra vez para dois ex-BLITZ e um BLITZ voltarem ao mosh durante o «Trângulo Mângulo», como já é tradição), do para mim desconhecido mas muito bom rapper somali K'naan, da maravilha que é ouvir a kora de Toumani Diabaté (e de como foi curioso ouvir, apesar do resultado musical não ter sido especialmente brilhante, uma cantora de tonalidades fadistas e a cantar em português num dos temas finais - ver, sff, texto «O Fado Nasceu no Mali?», mais em baixo neste blog), do senegalês mas com muito gnawa à mistura Nuru Kane, da proposta agora normal mas há alguns anos ousada de misturar os cantos do Sahara com os blues e o psicadelismo de Mariem Hassan, da poesia bruta e lindíssima e da música rude da excelente surpresa que foram os brasileiros Cordel de Fogo Encantado, e do final de festa arrasador no sábado, já o sol tinha nascido, do Bailarico Sofisticado (três rapazes da rapaziada do nº3, 3º esq., estes não com algumas dezenas mas com muitas centenas de freaks a dançar à frente deles...).

- E outras, menos boas: o baterista Tony Allen (sim, eu sei que o afro-beat é muitas vezes assim mesmo, mas aquilo foi muito igual do princípio ao fim... com a ressalva, nota de, ok, reportagem, de que o senhor Allen, velhinho, velhinho - ele que foi baterista de Fela Kuti e que, quando foi despedido pelo patrão, este se viu obrigado a contratar três bateristas para o substituírem - ter andado a tocar saxofone com os donos dos djembés na praia, já passava das sete da manhã - informação que parte da rapaziada resistente do nº 3, 3º esq. passou à rapaziada que já estava a dormir a essa hora, via sms), Seun Kuti (não por ter sido igual do princípio ao fim, não foi, mas porque a sua música é demasiado igual à do pai, Fela Kuti, pecadilho em que não cai, e bem, Femi Kuti), e as... Varttina, cada vez mais uma quase vulgar banda pop e já não tanto os «passarinhos» deliciosos que há doze anos - foi há doze? - encantaram o Intercéltico do Porto.

- Ah!! Ganhei um didgeridoo de prenda, para juntar à minha colecção de instrumentos étnicos... Agora só me faltam umas tablas (ok, é melhor não...).