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16 novembro, 2011

Lisboa Mistura -- A Capital Volta a Ser Um Caldeirão (Mágico)


Ora, veja-se só: no programa musical estão Hamid El Kasri, Yogistragong, Irmãos Makossa, DJ Azzedine Berhilia, Fadomorse, Cacique 97 (na foto), Omiri, Virgem Suta, Samuel Úria, Márcia, Pinto Ferreira e o que mais se verá. É no último fim-de-semana de Novembro, no S. Luiz, em Lisboa.

"25 A 27 NOV
FESTIVAL LISBOA MISTURA
SEXTA A DOMINGO A PARTIR DAS 17H30
SALA PRINCIPAL E JARDIM DE INVERNO
M/3 (salvo quando classificada especificamente)

Cidade diversa, Lisboa pode também ser uma cidade de ilhas que não se encontram. Lisboa Mistura funciona como uma espécie de agitador que baralha os percursos e faz afluir ao centro aquilo que todos jurariam que é da periferia. E assim mostra uma via para o cumprimento da missão de um Teatro Municipal.

Lisboa Mistura é um espaço de encontro, no centro da cidade, entre pessoas e artes e artistas de várias proveniências geoculturais. Lisboa Mistura músicas, dança, vídeo, poesia: artistas contadores de estórias em formatos variados. Lisboa Mistura pessoas e dá-lhes a conhecer outros convidados, pessoas de bairros tão próximos dos nossos e que muitas vezes não ‘vemos’ ou viajantes de outros países que se encontram em Lisboa. Mistura também jovens, amigos, familiares e apoiantes de Associações dos bairros a que estes pertencem. Lisboa Mistura é o primeiro encontro intercultural organizado pelos lisboetas de todos os lugares. Esta 6ª edição é feita para ouvir os sons do Mundo, para dançar livremente os sons da Terra, para nos envolvermos em causas de todos, para nos celebrarmos e para pensar no futuro enquanto comunidade. É também um espaço de debate. E convidamos todos, não a irem aos bairros, mas a virem ao centro de Lisboa assistir a uma grande peça, com dramaturgias variadas, em que nós e os outros somos os protagonistas. Mistura o Mundo em Lisboa.
Carlos Martins, director Associação Sons da Lusofonia

Produção Associação Sons da Lusofonia

Preçário
Jardim de Inverno: entrada livre
Sala Principal: € 10 (por dia e com os habituais descontos São Luiz Teatro Municipal)
Passes Lisboa Mistura: 2 dias €15 / 3 dias €20 (não acumuláveis com outros descontos)

PROGRAMA:

SEXTA, 25
19H30: ABERTURA (JI)
21H30: HAMID EL KASRI (SP)
22H30: DJ AZZEDINE BERHILIA (JI)

SÁBADO, 26
16H00: A NOSSA VOZ (JI)
17H00: FADO MORSE (SP)
18H00: DOCUMENTÁRIO “DAMAIA FILME MAKING PROJECT” (JI)
19H00: CACIQUE 97 (SP)
20H00: A NOSSA VOZ (JI)
21H30: LIS-NAVE COM: SAMUEL ÚRIA+ MÁRCIA, PINTO FERREIRA E VIRGEM SUTA (SP)
23H30: OMIRI (JI)
00H15: DJ MAKOSSA (JI)

DOMINGO, 27
16H30: FESTA INTERCULTURAL (JI)
18H30: YOGISTRAGONG (SP)


(JI) JARDIM DE INVERNO (SP) SALA PRINCIPAL
lisboa mistura 2011
Lisboa Mistura é um espaço de debate e de celebração que surgiu em 2005, fruto da necessidade de criação de um fórum intercultural na cidade de Lisboa. Alegra-nos o facto de termos inspirado outros eventos que fazem um trabalho complementar ao nosso. Muitos mais deveriam brotar desta maravilhosa oportunidade criada pela diferença e curiosidade. E todos devemos trabalhar para a construção do ‘espaço’ comum. A vivência entre culturas e mundos diferentes é tão importante para a harmonização evolutiva da vida conjunta como o talento ou a tecnologia. Todos os anos criamos pontes entre as comunidades que habitam a Grande Lisboa e os públicos de dentro e fora da cidade. Os elencos que temos mostrado, nacionais e internacionais, amadores e profissionais, são uma prova da vitalidade criativa que surge dos encontros e celebrações que a cidade inspira. Acreditamos que o Lisboa Mistura virá futuramente para a rua, alargar o seu público, com performances e outras formas de representação da diversidade social e cultural de Lisboa como uma grande ‘praça pública’ do Mundo.
Vivemos nestes dias (como há muito vivemos) vizinhanças em que há um desconhecimento íntimo. Somos próximos geograficamente e historicamente mas com a nossa falta de curiosidade e excesso de televisão, desconhecemos culturas que divergiram estruturalmente de nós ao longo do séc. XX, mesmo que mantenhamos contactos desde há mais de 500 anos... Isto acontece ao nível de vizinhanças urbanas, à volta de Lisboa por exemplo, e de países. Sobre as primeiras o Lisboa Mistura e a Associação Sons da Lusofonia têm trabalhado ao longo dos últimos 15 anos. No que diz respeito às segundas vizinhanças, de países, quisemos relembrar a todos que a capital mais próxima de Lisboa é Rabat, inaugurando esta edição com a Noite de ‘Marrocos em Lisboa’.
O programa dos seguintes dias é pautado pela celebração da vida multicultural nacional com projectos de grande nível performativo e de produção. Projectos como Fado Morse, Cacique 97 e Lisnave (Samuel Uria e Márcia; Pinto Ferreira e Virgem Suta) mostram a transversalidade de influências da cultura portuguesa e a riqueza que daí advém. Como é habitual, há espaço para uma mostra de talento jovem, através da apresentação do CD ‘A Nossa Voz’, do Projecto Escolhas e do documentário ‘A Realidade na Tela’, fruto do Projecto Damaia Film Making. Acabamos o Lisboa Mistura com a incontornável Festa Intercultural, a que se segue a ‘Viagens Exóticas - Gamelão e Dança’, um projecto liderado pela percussionista inglesa Elizabeth Davies, que conta com a participação especial da bailarina Indiana Lajja Sambhavnath. Elizabeth e Lajja são dois exemplos no feminino de como é benéfico para Lisboa manter na vida cultural da cidade emigrantes com nível performativo muito alto.
Convidamos todos, mais uma vez, a assistir a uma grande peça, com dramaturgias variadas, em que ‘nós’ somos os protagonistas. É um convite irresistível que Lisboa vos faz quando mostra o que de melhor e alternativo habita ao nosso lado, na cidade ou num país, nos vizinhos que por vezes desconhecemos intimamente.
Carlos Martins
Associação Sons da Lusofonia
Noite ‘Marrocos em Lisboa’
“No mundo em que vivemos, a diferença cultural é sinónimo de riqueza, mas não é menos sinónimo de descriminação e muitas vezes de incompreensão.” Neste sentido, foi feito um convite à Embaixada do Reino de Marrocos em Lisboa – que foi prontamente aceite pela Senhora Embaixadora – para participarem no Lisboa Mistura. O objectivo é celebrar a relação com os nossos vizinhos do Mediterrâneo e o que de comum nos aproxima, os laços de amizade que há tanto nos fascinam mutuamente e que se sobrepõem às questões religiosas, politicas ou socioculturais. “A arte, em todas as suas variações, é uma das muitas janelas que os nossos dois países se comprometem a abrir, o mais rapidamente possível”.

Hamid El Kasri
Hamid El Kasri tem uma voz poderosa e conseguiu estabelecer-se como uma verdadeira referência da música Gnawa marroquina. Graças ao seu perfeito entendimento e domínio deste estilo musical espiritual, Hamid El Kasri desenvolveu a mistura perfeita entre a música Gnawa do Norte e Sul de Marrocos, imprimindo um novo estilo com esta fusão. A sua música deriva do folclore marroquino, apresentando canções com nuances religiosas, interpretadas com emoção e eloquência. Sendo ele próprio descendente de uma longa linhagem ligada à música Gnawa, a sua filha de 13 anos também já colabora no seu repertório, procurando transmitir a sua herança cultural. Entre outras colaborações, Hamid El Kasri surge na compilação de 2007 "Gnawa House Songs" e no dueto de 2010 com Cheb Khaled, com a música "Mimoun".

Dj Azzedine Berhilia
Azzedine Berhilia faz parte dos Darga, um dos mais importantes grupos musicais da cena musical contemporânea de Marrocos. Darga é conhecido pela sua originalidade e fusão musical, com influências tão distintas como o reggae, gnawa, funk, rock, ska, ragga, dub ou jazz. Assim, podemos esperar um set de música bastante eclético, cheio de ritmo e energia, com a música árabe como ponto de partida.

CD ‘A Nossa Voz’
No ano em que se comemoram os 10 anos do Programa Escolhas e o Ano Internacional da Juventude, o Lisboa Mistura apresenta ao vivo e na íntegra o cd “A Nossa Voz” com as participações dos projectos vencedores do concurso de jovens talentos: Ana Cabral, K-One, Sena 1 MC, Key Money, Redrum, SoulJah, 2aRegra, Skill i9, Zé di Piku, Mentes Em Progresso, Manga Del, Sally.


Documentário ‘Realidade na Tela’
O projecto Damaia Film Making Workshop, dinamizado pela Associação Máquina do Mundo em parceria com a Embaixada dos E.U.A em Portugal, ofereceu a possibilidade a 12 jovens (entre os 15 e os 19 anos de idade) de desenvolverem as suas competências nas áreas da comunicação, imagem e produção de vídeo. Entre os dias 22 de Agosto e 2 de Setembro, Jared Katsiane (realizador dos E.U.A.) apresentou um workshop que resultou num documentário, desenvolvido pelos jovens participantes no workshop, intitulado ‘Realidade na Tela’, no qual estão espelhadas as percepções e inquietações destes jovens, perante a realidade que há tanto conhecem, mas que gostariam de ver alterada.

Fadomorse
Os Fadomorse celebram treze anos de música genuinamente embebida nas raízes portuguesas e no expoente contemporâneo da sonoridade do mundo. Como prenda, um novo disco de originais ‘ Magala Invisível’, que os conduz a um concerto singular com estreias absolutas e o revisitar do lado mais conceptual da sua arte sonora.

Cacique 97
Os grandes percussores dos Afrobeat em Portugal encerram a tour do seu primeiro disco homónimo com este concerto, e apresentam alguns dos temas do próximo algum de originais. Este colectivo Portugal/Moçambique apresentará ainda uma homenagem, juntamente com alguns convidados especiais, ao Zé da Guiné, figura incontornável da interculturalidade de Lisboa.

Lis-Nave
Quatro artistas da vaga de grupos e cantautores da nova música portuguesa apresentam-se em concertos intimistas, misturando influências e canções: Samuel Múria e Márcia em duo acústico, seguidos dos Pinto Ferreira e dos Virgem Suta que vão cruzar vozes, instrumentos e canções num espectáculo único especialmente concebido para o Lisboa Mistura.

Omiri
Omiri é, acima de tudo, remix, a cultura do século XXI, ao misturar num só espectáculo práticas musicais já esquecidas, tornando-as permeáveis e acessíveis à cultura dos nossos dias, isto é, sincronizando formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana. Com recolhas de imagem realizadas por Tiago Pereira, transformadas e manipuladas em tempo real, servindo de base para a composição e improvisação musical de Vasco Ribeiro Casais.

Irmãos Makossa
Da amizade nasceu o nome Irmãos, da paixão pela música, surgiu Makossa e juntos, Paolo e Nelson formam os Irmãos Makossa. Do Afrobeat à Marrabenta, do Soukous ao Funk, passando pelo caloroso Semba e sem esquecer o Samba, dança e alegria são sempre bons motivos para uma grande festa!!!

Festa Intercultural
O Lisboa Mistura apresenta o tradicional encontro de culturas, que este ano contará com a participação de grupos oriundos da Ucrânia, Índia, Guiné e Brasil, entre outros, numa festa para todas as idades, pautada pelo humor de Jel, o ‘homem da luta’, como Mestre de Cerimónias.

Viagens Exóticas – Gamelão e Dança
Trata-se de um espectáculo inédito, que oferece ao público a possibilidade de sentir o sabor de uma viagem exótica e cativante, entre a Indonésia (Ilha de Java), a Índia e o Ocidente, através da música, imagem e dança. Tudo isto vai criar um espectáculo único, misturando nesta viagem duas culturas orientais com a cultura ocidental. Uma fusão cheia de poesia e linguagem corporal e musical, uma ponte entre culturas e pessoas. Yogistragong é um grupo Lisboeta de Gamelão de Java, dirigido por Elizabeth Davis e que neste espectáculo contará com a colaboração da bailarina Lajja Sambhavnath e da Compania de Dança Diana Rego."

01 julho, 2010

MED de Loulé - Bregovic, Vieux e... A Música Portuguesa


A última edição do festival MED de Loulé voltou a registar vários enormes momentos de música. E, para além de grandes concertos de Goran Bregovic (um concerto em que dancei e fiz mosh, gritei e cantei, arrepiei-me e chorei com "Ederlezi"), Vieux Farka Touré (já liberto do fantasma do pai genial, a trilhar caminhos próprios mais próximos do rock e, agora, um fabuloso guitarrista) e Orchestra Baobab (os velhos embondeiros continuam de pé e a namorar-nos de uma forma cada vez mais sedutora e descarada), o MED teve como grande destaque deste ano o espaço e respeito que deu à música portuguesa, muita dela nova e arriscada. É a esse assunto que eu dedico a minha crónica de hoje no jornal "i" - edição online: http://www.ionline.pt/conteudo/67233-loule-e-musica-portuguesa -- e que aqui também transcrevo:

"No fim-de-semana passado tive a honra de encerrar como DJ - juntamente com o meu companheiro do Clube Conguito, Rodrigo Madeira - o MED de Loulé, um festival que está a crescer de forma sustentada em público, qualidade intrínseca de programação e prestígio internacional. E, o mais importante, a crescer na aposta que fez este ano em muitos nomes da música portuguesa, alguns já conceituados, outros novos. Do veterano Zeca Medeiros, que terá finalmente um álbum que lhe faz justiça no Outono, aos fabulosos Diabo na Cruz, que homenagearam, em rock, a Brigada Victor Jara e os Gaiteiros de Lisboa. Dos cada vez melhores (mais telúricos, complexos e misteriosos) Galandum Galundaina aos Orelha Negra, que vão à música negra americana mas transportam uma portugalidade intrínseca. Dos já quase consagrados, e muito justamente, Mazgani -- que resistiu galhardamente às interferências de um jack traiçoeiro (na foto) --, Anaquim e Virgem Suta aos prometedores Macacos do Chinês (há uma guitarra portuguesa no hip-hop!), Atma e Pucarinho. Para grande pena minha, não vi os Andersen Molière (tocaram à mesma hora que Goran Bregovic, que deu um dos melhores concertos que vi em toda a minha vida e não consegui arredar de lá pé), 3 Pianos (coincidiu com os Galandum Galundaina) e The Legendary Tiger Man (estava uma tal enchente que não consegui entrar no palco Castelo)".

20 junho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (V)


Os poetas que vão ao rock
por António Pires, Publicado em 06 de Agosto de 2009

O rock e a poesia sempre andaram de mãos dadas. E, em muitos casos, com resultados que fazem do rock a melhor plataforma "editorial" para os poemas dos seus autores, sejam eles também os seus cantores/intérpretes ou não. Mais especificamente, há poetas para quem a música foi o veículo encontrado para assim darem a conhecer o seu trabalho a muito mais gente do que aquela que habitualmente lê poesia: Leonard Cohen, Laurie Anderson, Gil Scott-Heron ou Ursula Rucker (para além de um número infindável de MC do hip-hop) são apenas alguns exemplos.

Em Portugal, nos últimos meses, três poetas "de raiz" - ou, se se preferir, três escritores que também são poetas - editaram temas em que se revelam como declamadores ou cantores. Tiago Gomes - já há muito ligado ao circuito musical, quer como letrista (A Naifa/Linha da Frente), quer como performer/diseur (Os Inspectores), lançou com Tó Trips (Dead Combo) um álbum dedicado a Jack Kerouac, "Vi-os Desaparecer na Noite", com textos de "On the Road" adaptados ou "improvisados" por Tiago Gomes. Jacinto Lucas Pires editou o EP de estreia d'Os Quais (na foto), "Meio Disco", onde também canta, e muito bem!... E valter hugo mãe surpreende igualmente com a sua voz - muito semelhante à de Antony Hegarty - no tema "Meio Bicho e Fogo" da banda Governo, em que é acompanhado por músicos dos Mão Morta. É tão bom ouvi-los quanto lê-los, ou um bocadinho ainda melhor.




Nova música tradicional portuguesa
por António Pires, Publicado em 13 de Agosto de 2009

Desde há alguns meses, nesta coluna, têm sido referidos vários nomes de artistas e grupos portugueses que cruzam, sem complexos, o fado com outras linguagens musicais (de Mísia aos Deolinda e OqueStrada) ou a chamada música ligeira portuguesa dos anos 60 e 70 com a modernidade (Real Combo Lisbonense, Rui Reininho, David Fonseca). Hoje chegou a vez de uma outra tendência actual, e mais que saudável, de mistura de uma música enraizadamente portuguesa - do interior, das aldeias, de um canto antigo, e agora de novo tão actual - com o rock e seus derivados.

Filhos de José Afonso, das recolhas de Michel Giacometti e de outros, da Brigada Victor Jara e dos Gaiteiros de Lisboa, de Júlio Pereira e de Rui Júnior, do festival Andanças e do Intercéltico do Porto, grupos como os Dazkarieh, Assobio, Uxu Kalhus, Fadomorse (na foto), Toques do Caramulo, Pé na Terra, Marenostrum, Mandrágora ou Diabo a Sete (entre muitos outros) mantêm viva, porque renovada, a memória da música tradicional portuguesa. Há quem electrifique os instrumentos e da tradição faça uma bela distorção (Dazkarieh); há quem inclua mil músicas - do hip-hop ao funk e a Frank Zappa - nesta nova música portuguesa (Fadomorse ou Uxu Kalhus); há quem recupere o rock progressivo para revificar a nossa e outras músicas (Mandrágora).

E há cada vez mais gente do rock, do rock mesmo, a seguir as mesmas ou semelhantes pisadas: B Fachada, Diabo na Cruz, Virgem Suta ou Ludo. Mas estes ficam para a próxima semana.


Nova música tradicional portuguesa (II)
por António Pires, Publicado em 20 de Agosto de 2009

Se a semana passada se falou de grupos que partem da música tradicional portuguesa para chegar ao rock, aqui fala-se de outros grupos e artistas, que partem do rock para chegar à música tradicional, uma linhagem que teve em nomes do passado como o Conjunto Mistério (nos anos 60), a Banda do Casaco (nos 70), António Variações (nos 80) e os Sitiados (anos 90), exemplos maiores de gente que tinha um pé na modernidade e outro na memória da música portuguesa rural.

Actualmente, uma nova fornada de nomes vem juntar-se a este clube: os algarvios Ludo, que fazem uma excelente e actualíssima pop, mas deixam bem expressa a sua portugalidade no início do EP "Nascituro", com uns bombos que partem de Lavacolhos para o espaço. Os Virgem Suta, que na canção "Vovó Joaquina" mergulham na tradição via António Variações (e... Ornatos Violeta). João Coração, que finaliza o seu magnífico álbum "Muda Que Muda" (em que passa pelos Talking Heads, Jorge Palma, a country-americana...) com "Abre a Janela", uma canção em que se ouve música tradicional portuguesa revista por Fausto e Júlio Pereira. B Fachada, com a sua releitura brilhante do centenário - e sangrento, como muitos outros poemas do romanceiro nacional - romance "D. Filomena". E, acima de todos, os Diabo na Cruz (na foto), um supergrupo nacional que junta Jorge Cruz, B Fachada e Bernardo Barata, entre outros, na união definitiva e quase perfeita do melhor rock com a tradição portuguesa que se pode ouvir. Bastam os quatro temas do "Dona Ligeirinha EP" para nos rendermos a essa evidência.

31 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (III)


O rock português no retrovisor
por António Pires, Publicado em 26 de Junho de 2009

Durante dezenas de anos, os grupos e artistas portugueses que se dedicaram - e dedicam - ao rock tiveram como principais modelos os grandes nomes estrangeiros do género. O mesmo se passa, obviamente, em muitos outros países de produção musical periférica, mas no nosso caso não é preciso fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos de quem, ao longo de cinquenta anos de história do rock, imitou por cá o Elvis e os Shadows, os Beatles e os Stones, os Sex Pistols e os Clash, os Joy Division e os Echo & The Bunnymen, os Nirvana e os Pearl Jam... É até duvidoso que alguma vez tenha havido um rock português, sendo mais correcto falar-se de um rock cantado em português ou de rock feito em Portugal. Porém, curiosamente, e no espaço de pouquíssimas semanas, três novos grupos nacionais - todos eles muito diferentes entre si e de origens geográficas díspares (Porto, Lisboa e Beja) - editam os seus álbuns de estreia e, espanto!, assumem como influências maiores nomes do rock... feito em Portugal. Os Tornados fazem rock'n'roll, rockabilly, surf-rock, twist e ié-ié alimentados pelo Conjunto Mistério, o Conjunto Académico João Paulo ou o Quarteto 1111. Os Golpes atiram-se descaradamente à música e à estética dos Heróis do Mar (nem lhes falta um tambor que tem escrito "Amor"). E, na sua música, os Virgem Suta (na foto) citam sem vergonha - e ainda bem - os Ornatos Violeta (e Sérgio Godinho e José Afonso e Variações). E isso é bom.



Novos Talentos e uma boa causa
por António Pires, Publicado em 03 de Julho de 2009

Henrique Amaro (o maior divulgador radiofónico de música portuguesa) é o responsável, desde 2007, pela selecção de grupos e artistas nacionais que têm integrado as colectâneas "Novos Talentos FNAC". Já no terceiro volume, o "Novos Talentos FNAC 2009" faz mais uma vez justiça ao seu subtítulo, "O Futuro da Música Portuguesa", e lança, para quem os quiser ouvir, 33 novos nomes, ao mesmo tempo que se associa à AMI - Assistência Médica Internacional, para a qual reverte a totalidade das receitas angariadas. E, apesar de não encontrar momentos fracos nesta colectânea e não havendo espaço para falar de todos, atrevo-me a eleger cinco ou seis que, numa primeira audição, me pareceram os mais originais de todos: Orelha Negra (Sam The Kid, DJ Cruz Fader e elementos dos Cool Hipnoise, entre outros, fazedores de um som que cruza com sabedoria o hip-hop, a soul, o funk, o disco...); The Bombazines (que recuperam duas das melhores vozes nacionais - Marta Ren, ex-Sloppy Joe, e Gon, ex-Zen; na foto); Márcia (uma cantautora magnífica!); GNU (pós-rock, noise, free-jazz, prog-metal, energia punk e tudo isto à tareia); Samuel Úria (poema de homenagem rock-desconstrutivista sobre guitarra); You Can?t Win, Charlie Brown (com uma pop suave, inteligente e incrivelmente apelativa); B Fachada (o melhor letrista da nova geração de compositores nacionais); Oh! Shiva (psicadelismo pesado entre George Harrison/Ravi Shankar, Os Mutantes, Led Zeppelin e Tom Zé). Há futuro.



Os Jogos da Lusofonia (em Música)

Num fim-de-semana em que Lisboa está dominada pelos Jogos da Lusofonia, é bom lembrar que a capital portuguesa e os seus arredores - cadinhos de culturas em que milhões de falantes lusófonos se cruzam e cruzaram - podem oferecer, para além do desporto, muita música em português com sotaques vários e crioulos incluídos. Apenas alguns exemplos, ficando muitos outros de fora: Terrakota, Cool Hipnoise, Lindú Mona, Tama Lá, Djumbai Jazz (fusões de várias culturas); Kussondulola, Mercado Negro, Prince Wadada (reggae africano); Alap (música indiana); Bei Gua (música e danças timorenses); Cyz, Couple Coffee (música brasileira); Lura - na foto -, Sara Tavares, Dany Silva, Tito Paris, Celina Pereira, Bana, Ana Firmino, Kola San Jon (música cabo-verdiana); Anaquiños da Terra (música galega e que ficam aqui referidos apesar da Galiza não entrar em jogo); Chullage, Valete, Nigga Poison, SP & Wilson, Conjunto Ngonguenha (rap de intervenção); Bonga, Waldemar Bastos, Filipe Mukenga (música angolana); Juka (São Tomé e Príncipe); Guto Pires, Manecas Costa, Kimi Djabaté, Braima Galissá, N'Dara Sumano (Guiné-Bissau); Buraka Som Sistema, Makongo (kuduro transformado); André Cabaço, Mariza (Moçambique); Cacique'97 (afro-beat luso-moçambicano); Irmãos Verdades (kizomba angolana). Entre os jogos das bolas, o atletismo e as artes marciais, talvez reste um tempo para se descobrirem algumas destas músicas.

27 maio, 2010

Clube Conguito (António Pires/Rodrigo Madeira) no MED de Loulé


Quando as danças europeias, as fanfarras balcânicas, o klezmer, o bhangra, o kuduro, o baile carioca, o dancehall ou o kwaito do DJ António Pires se encontram com a música africana vintage, a exotica latino-americana, o jazz, a soul, o funk e o hip-hop do DJ Rodrigo Madeira, isso é o... Clube Conguito! A nova dupla de DJs já apurou a fórmula no Chapitô e no Bacalhoeiro, em Lisboa, e estreia-se oficialmente com esta designação na noite de encerramento do festival MED de Loulé, dia 26 de Junho. E, pronto, agora que já dei brilho ao ego, posso avançar com todos os outros nomes já confirmados do MED deste ano, que promete ser novamente um grande festival:

Quarta-feira, 23 de Junho:

* Amparo Sánchez
* Femi Kuti & The Positive Force
* Vieux Farka Touré
* Zeca Medeiros
* Macacos do Chinês

Quinta-feira, 24 de Junho:

* King Khan & The Shrines
* Goran Bregovic and His Wedding & Funeral Band
* Cacique 97
* Mazgani
* Andersen Molière

Sexta-feira, 25 de Junho:

* Orchestra Baobab
* Watcha Clan
* 3 Pianos
* Anaquim
* Galandum Galundaina
* The Legendary Tiger Man

Sábado, 26 de Junho:

* Mercan Dede & The Secret Tribe
* Boom Pam
* Virgem Suta
* René Aubry
* Orelha Negra
* Diabo na Cruz
* Clube Conguito