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03 agosto, 2010

FMM de Sines - Cada Vez Mais a Acabar Com Preconceitos


O FMM de Sines deste ano foi mais um belíssimo festival de música e, também, mais um excelentíssimo exemplo de como se pode dar completamente cabo de preconceitos recorrendo apenas à música. Tendo começado, na quarta-feira, com o rejuvenescimento do aparentemente intocável cante alentejano por Vitorino e Janita Salomé, e terminado na madrugada de sábado para domingo com a luso-angolana Batida, outro projecto de cruzamento de sonoridades antigas - gravações dos anos 60 e 70 feitas em Angola - trazidas para a modernidade com a ajuda de kuduros, hip-hops e bailes funk, o FMM 2010 ajudou a quebrar estas barreiras temporais e/ou espaciais, mas também muitas outras... Só mais alguns exemplos: a bandeira palestiniana agitada durante todo o maravilhoso concerto da cantora israelita, judia, Yasmin Levy; o amor com que foram recebidos os fabulosos Barbez, que só muito vagamente poderão eventualmente inscrever-se naquilo que é normalmente considerado world music (a repetição do "mente" é propositada); a classe das vozes de formação clássica de Las Rubias del Norte, aqui posta ao serviço de outras músicas; o surpreendente - e tão bem conseguido! - cruzamento da música da Bretanha com a música do Mali do colectivo N'diale; os genuínos Galaxy, rapazes timorenses que têm as antenas apontadas para o reggae e o metal; e, acima de todos, os Staff Benda Bilili (na foto; de Mário Pires/FMM de Sines), que deram o melhor concerto do festival e um dos melhores de todos os FMM, e símbolo maior do que é lutar contra todos os preconceitos: musicais, de cor de pele, de forma do corpo, de estatuto social. O FMM faz-nos sentir melhores pessoas ou, pelo menos, ajuda-nos a sê-lo. E isso nunca teve, nem terá, preço.

Nota: o pré-lançamento do livro "Raízes e Antenas" correu muito bem! Estive rodeado de muitos e bons amigos; tive direito a um abraço prévio do Carlos e da Marta; o Paulo Faustino, da Media XXI, esteve lá a dar-me todo o apoio necessário e a ajudar-me na apresentação do livro que, sim!, está mesmo muito bonito. A todos o meu muito obrigado! Um agradecimento extensível, e ainda maior, a quem me acompanhou desde o início, e cada um à sua maneira, neste processo todo: o Guilherme Pires, o Rodrigo Madeira e a Laura Alves.

29 julho, 2009

Festa do «Avante» Com Mais Um Cartaz Bastante Apetecível


Dias 4, 5 e 6 de Setembro, na Quinta da Atalaia, Seixal, a Festa do «Avante» vai voltar a ter um excelente programa musical: uma Grande Gala da Ópera, Seth Lakeman (Irlanda; na foto), Willie Nile (Estados Unidos), Hazmat Modine (Estados Unidos), Guy Davis (Estados Unidos), The Men They Couldn't Hang (Irlanda), Ska P (Espanha), Maria Alice (Cabo Verde), Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), Voces del Sur (Chile), Clã, Maria João e Mário Laginha, Tereza Salgueiro (aka Teresa Salgueiro, ex-Madredeus), Aldina Duarte, Peste & Sida, Vitorino (acompanhado pelos Cantadores do Redondo), Blind Zero, David Fonseca, Gazua, João Lencastre's Communion, Laurent Filipe, Nelson Cascais, The PostCard Brass Band, The Soaked Lamb, Carla Pires, Vanessa Alves, Skalibans, Ciganos d'Ouro, Roda de Choro de Lisboa, Bandarra, Francisco Naia, Frei Fado d'El Rei, Luísa Amaro, Samuel e Telectu são os nomes já confirmados para os palcos principais.

18 março, 2008

Homenagem às Vozes de Abril (Ou... Ainda É Possível Cantar a Liberdade?)


Os leitores deste blog sabem que não é comum eu vir para aqui falar de questões políticas. Às vezes acontece (como já aconteceu...), mas é raro. Mas também não escondo as minhas convicções e as minhas ideias, muitas delas comuns às de muitos links que tenho no fundo desta página, links chamados «Boas Causas» - e se lá estão por alguma razão é. Mas a verdade é que, por vezes, me apetece mesmo pôr a música de lado e falar sobre coisas que me preocupam como, desta vez, a minha - e de muita gente! - crescente sensação de que estamos, cada vez mais, a viver num país cujo Estado se está a aproximar perigosamente de um estado repressivo, policial, ditatorial. A «lei do tabaco», a ASAE, a ideia peregrina da proibição de piercings e tatuagens, a visita de polícias a escolas, a propagação da ideia de que os lugares vigiados por câmaras são mais seguros, o novo cartão de identificação electrónico, etc, etc, são apenas exemplos de como as liberdades individuais de cada pessoa estão cada vez mais a ser postas em causa. E é por isso - sim!, vamos acabar por falar de música - que é importante que haja, que haja ainda, concertos como o que vai decorrer, dia 4 de Abril, no Coliseu dos Recreios de Lisboa: a «Homenagem às Vozes de Abril», promovida pela Associação 25 de Abril e que, segundo a agência Lusa, juntará no mesmo palco José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Waldemar Bastos, Brigada Victor Jara, Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Ermelinda Duarte, João Afonso, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Janita Salomé, Tino Flores, José Jorge Letria e Manuel Freire, entre outros, e ainda «as bandas dos três ramos das forças armadas». O espectáculo - que também servirá para recordar José Afonso e Adriano Correia de Oliveira - será transmitido pela RTP no dia 25 de Abril. Será que algum dos nossos governantes estará lá no meio do público?

17 dezembro, 2007

Cristina Branco - As Voltas do Fado (Mudado)


Desde o início da sua carreira, Cristina Branco (na foto; de Luís Barros) nunca se deixou prender apenas nas malhas do fado. E surpreendeu, sempre, pelo reportório escolhido para os seus álbuns. Hoje, dia 17, Cristina Branco termina a primeira fase da sua digressão «Abril» no mesmo local em que o álbum homónimo, inteiramente dedicado à obra de José Afonso, nasceu: o Teatro Municipal de S.Luiz, em Lisboa. E, a acompanhar a notícia deste «intermezzo» da digressão, vem outra: no próximo álbum, já em preparação, Cristina Branco volta a surpreender, ao convidar compositores exteriores ao fado para escreverem as canções do disco. Com um mote comum que lhes foi dado pela cantora - o «Tempo» -, estão já arrolados para o álbum temas originais de Sérgio Godinho (letra e música), Jorge Palma (letra e música), Vitorino (letra e música), Pedro Abrunhosa (letra e música), Janita Salomé (música para um poema de Hélia Correia) e, ainda, uma participação do pintor Júlio Pomar (autor da capa?; fica a dúvida). Já a digressão «Abril» volta à estrada em... Maio.

23 abril, 2007

Fausto, Godinho, Afonso, Vitorino, Branco - Barrigada de Boa Música na RTP

É tão raro a RTP - e, já agora, a SIC e a TVI - dar espaço à boa música portuguesa que a programação desta semana da RTP (e logo a 1 e a 2) é motivo para festejar. Ora veja-se: à «boleia» de duas efemérides, os vinte anos da morte de José Afonso e o 25 de Abril, a RTP 2 vai transmitir concertos de José Afonso, Fausto, José Mário Branco, Vitorino (na foto) e Sérgio Godinho. E a RTP 1 vai transmitir dois programas dedicados a José Afonso. E assim, aquilo que não deveria ser notícia - a passagem de concertos e programas dedicados aos grande nomes da nossa música (se fosse isso que acontecesse normalmente) - é, mais do que uma boa notícia, um luxo.

Hoje, segunda-feira, à noite, a RTP 2 transmite o histórico espectáculo «José Afonso ao Vivo no Coliseu» (gravado em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios de Lisboa). E no resto da semana, há ainda concertos de José Mário Branco (terça-feira; o concerto de apresentação de «Resistir É Vencer», de 2004, também no Coliseu de Lisboa), Sérgio Godinho (quarta-feira; o concerto «De Volta ao Coliseu», com Camané, Jorge Palma, Vitorino e David Fonseca como convidados), Fausto (quinta-feira; num concerto gravado em 1990) e Vitorino (sexta-feira; concerto gravado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em 1993). Sempre nas «Noites da 2». Por sua vez, a RTP 1 transmite, dia 24, o concerto de homenagem a José Afonso recentemente realizado na Galiza - «Sempre Abril» (Gala Homenaxe a Zeca) em que participaram artistas espanhóis, galegos, portugueses e africanos - Luis Pastor, Uxia, Faltriqueira, Antón Reixa, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Tito Paris e Manecas Costa, entre muitos outros. E no dia 25 de Abril, às 17h45, passa, também na RTP 1, o documentário «Não Me Obriguem a Vir Para a Rua Gritar/Tributo a Zeca Afonso», em que a «SubFilmes convidou vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso», desafios aceites por músicos de estilos diferentes - Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5 e Raquel Tavares - e artistas de outras áreas: «a companhia de teatro Primeiros Sintomas, a dupla de videojamming Daltonic Brothers, Target e Mosaik no street art, Quebra-Diskos no turntablism», entre outras colaborações e tertúlias de reflexão à volta da obra de José Afonso.