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02 dezembro, 2011

O Povo É Quem Mais Ordena!


Isto de não ter tempo nem para me coçar (ou só mesmo na zona da... zona), dá nisto: há duas semanas que eu e outros DJs dão música a uma nova casa de fados (e não só!) no Cais do Sodré, em Lisboa. É mesmo ao lado do Music Box, os donos são os mesmos, o ambiente é excelente e há petiscos maravilhosos: pataniscas, pimentos de Padron (uns picam, outros non), salada de polvo, pica-pau, etc, etc... E muita música: fados durante os dias de semana -- no mês inicial a fadista tem sido a jovem e hiper-talentosa Inês Pereira -- e muita world music, ora mais ambiental ora mais dançável, nas noites de sexta e sábado. Passem por lá que serão bem-vindos! Todas as informações sobre o Povo na sua página de Facebook: http://pt-br.facebook.com/povolisboa.

11 janeiro, 2011

"Raízes e Antenas" - O Lançamento Oficial!


O livro "Raízes e Antenas - Mistérios e Maravilhas da World Music", de António Pires e com edição Formalpress/Media XXI, tem o seu lançamento oficial marcado para terça-feira, dia 18 de Janeiro, às 18h00, na livraria Leya/Ce Buchholz (R. Duque de Palmela, perto do Marquês de Pombal, em Lisboa). E, como seria de esperar, também se vai ouvir alguma música (gravada, neste caso). Está toda a gente convidada a aparecer!

28 maio, 2010

Festim - Segunda Edição Arranca na Próxima Semana


Aproxima-se mais uma edição do Festim, festival de world music com epicentro em Águeda (d'Orfeu) e braços estendidos a vários municípios vizinhos. O último comunicado oficial reza assim:

«Terem Quartet (Rússia), Rare Folk (Espanha), Renato Borghetti (Brasil), Kilema (Madagáscar), Mahala Raï Banda (Roménia), Minyeshu (Etiópia), Serenata Guayanesa (Venezuela)

Todo o mundo no Festim, a partir de 2 Junho!


O Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo apresenta, este ano, sete nomes em cartaz, registando-se duas estreias absolutas em Portugal: Terem Quartet e Minyeshu. Do Índico ao Mediterrâneo, do Cáucaso ao Chifre de África, dos Balcãs à América Latina, esta programação em rede aposta no fascínio da diversidade.

A partir de 2 Junho, o mundo em música, nos palcos e plateias do Festim! Cinco municípios vizinhos partilham um cartaz comum: Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar e Albergaria-a-Velha. A iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural, além da parceria intermunicipal como factor decisivo, conta ainda com o apoio do Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes.

O festival inicia a 2 de Junho com os russos Terem Quartet e inclui ainda, até 17 de Julho, concertos de Rare Folk (Espanha), Renato Borghetti (Brasil), Kilema (Madagáscar) - que substitui os Narasirato, cuja tournée europeia foi cancelada - , Mahala Raï Banda (Roménia), Minyeshu (Etiópia) e Serenata Guayanesa (Venezuela). Os bilhetes para os concertos de sala estão já à venda. Toda a informação está disponível em www.festim.pt, sítio oficial do festival.

Universidade de Aveiro estuda impactos do Festim

A Universidade de Aveiro vai desenvolver, por ocasião desta 2ª edição do festival intermunicipal, um Estudo de Impactos e caracterização de públicos do Festim. Muito além do objecto artístico, interessa aprofundar um conhecimento sobre a dimensões socioeconómicas do evento e as mais-valias que um festival desta natureza aporta a cada um dos Municípios. Esta parceria da Universidade de Aveiro surge ao segundo ano do quadriénio previsto para o Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, com edições garantidas até 2012.

Programa dos 19 concertos no sítio oficial:
http://www.festim.pt/»

28 setembro, 2009

Há Saldos na VGM!


A VGM, na Rua Viriato (Picoas), em Lisboa, continua a ser a melhor loja de world music, música clássica, antiga e algum jazz e muito reggae de Lisboa. E, em início de Outono, volta a ter saldos bastante apetecíveis... Aqui fica a notícia do meu compincha das Crónicas da Terra:

«Discos Soul Jazz a preço de saldo na VGM (em Lisboa), até dia 10 de Outubro

A loja de discos VGM, que possui dos mais interessantes fundos de catálogo ao nível de música étnica, clássica, antiga e jazz, situada na Rua Viriato 12, em Lisboa (mesmo em frente ao edifício do Jornal Público), propõe a todos os seus clientes melómanos reduções entre 25% e os 52% em todos os títulos (editados até ao final de 2008) dos seguintes catálogos: Soul Jazz, World Circuit, Crammed Discs, World Music Network, Demon Music group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, Roir, Ponderosa, Park,Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, Music and Words, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me, Sterns, Weatherbox e muitos outros, num total de mais de 150 etiquetas.

Jordi Savall, Peter Hammill, Hector Zazou, Bassekou Kouyaté, Buena Vista Social Club, Orchestra Baobab, Fanfare Ciocarlia, Etran Finatawa, Kroke, Cibelle, DJ Dolores, Shantel, Boom Pam, Bembeya Jazz, Waterson Carthy, Maddy Prior, Steelye Span, são alguns dos artistas cujas obras discográficas poder ser adquiridas a preços simpáticos, até ao próximo dia 10 de Outubro».

16 junho, 2009

Tinariwen e Sun Ra Arkestra no Arrábida World Music Festival


Os malianos Tinariwen (na foto, de Eric Mullet) - que vão apresentar o seu novo álbum, «Imidiwan: Companions» -, a Sun Ra Arkestra (que agrupa músicos que acompanharam o mítico, e místico!, teclista Sun Ra), o cabo-verdiano Tcheka, o iraniano-português Mazgani, Paulo Furtado na pele de The Legendary Tiger Man, os Heavy Trash (a fabulosa explosão de blues eléctricos de Jon Spencer e Matt Verta-Ray) e DJ Café del Mar são os nomes que integram o cartaz do nóvel Arrábida World Music Festival, que decorre no Forte de S.Filipe, Setúbal, nos dias 3 e 4 de Julho. Seguem-se as informações mais relevantes sobre o festival:

«Dia 3 de Julho

PALCO WORLD
Tinariwen
Tcheka

PALCO BLUES
Legendary Tiger Man

LOUNGE - CAFÉ DEL MAR(IBIZA)
DJ Café del Mar

Dia 4 de Julho

PALCO WORLD
Sun Ra Arkestra
Mazgani

PALCO BLUES
Heavy Trash


O AWM - Arrábida World Music Festival 2009 assume-se como um desafio da Câmara Municipal de Setúbal no sentido de projectar a região e as suas potencialidades geográficas, culturais e sociais, bem como, criar e associar à mesma um evento de culto que se pretende diferenciado e capaz de se afirmar como um dos principais acontecimentos temáticos a nível nacional.

Criar um projecto único para uma região em permanente evolução, com qualidades reconhecidas, contribuirá decisivamente para a captação de novos públicos e para a afirmação da Península de Setúbal numa vertente cultural e de entretenimento indispensável à valorização da mesma.

O cenário sugerido é o da Serra da Arrábida que lhe dá o nome, propondo-se o mítico Forte de S. Filipe com o Rio Sado como pano de fundo como palco principal deste projecto.

Proporcionar emoção e uma experiência única com algum arrojo, através de uma abordagem "vegetal", orgânica e global, constitui a motivação para a criação de uma identidade própria.

O Arrábida World Music Festival é o evento da marca "Setúbal. É um Mundo".

O recinto idílico do Forte de S. Filipe envolvido numa mística única foi programado criteriosamente por uma equipa de produção que definiu o layout numa perspectiva de total convívio com os diversos momentos do Festival. Para isso foram criados 2 espaços específicos:
Zona 1 - Zona Lúdica

Área lúdica de acesso para o grande público conviver directamente com o espírito do festival. Aqui irá encontrar artesanato e restauração do mundo e um playground para os mais jovens. Poderá ainda fazer uma visita às catacumbas do castelo numa viagem em que tudo pode acontecer».

Mais informações, aqui.

29 abril, 2009

Mor Karbasi, Portico Quartet, Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat no FMM de Sines


Mais quatro nomes confirmados para o FMM de Sines: Mor Karbasi (na foto) e Portico Quartet confirmados pela organização do festival e Rupa and The April Fishes e Alamaailman Vasarat (estes num regresso que se saúda ao FMM!)avançados pelas imparáveis Crónicas da Terra. O comunicado oficial do FMM acerca dos primeiros dois nomes (e as datas dosoutros dois a seguir):

«Mor Karbasi, cantora israelita radicada no Reino Unido, e Portico Quartet, a revelação do jazz britânico em 2008, são as duas novas confirmações do Festival Músicas do Mundo de Sines 2009. Actuam ambos, no Centro de Artes de Sines, na noite de 20 de Julho.

Mor Karbasi

Na linha de Ofra Haza e Yasmin Levy, Mor Karbasi é o novo milagre da galeria dourada das vozes femininas do mundo judaico.
Com pouco mais de 20 anos, esta cantora israelita radicada no Reino Unido seduz o espectador com o poder delicado do seu desempenho vocal e com a riqueza das suas canções em hebraico, castelhano e Ladino, a língua extinta dos judeus da Península Ibérica.
A fonte de inspiração é a música dos judeus sefarditas, cabendo no seu repertório temas tradicionais do séc. XV e novas canções baseadas no Ladino compostas por si.
O flamenco é também referência, presente nos melismas da sua voz e na filigrana da guitarra de Joe Taylor.
Instrumentista e director musical, este artista britânico foi decisivo para a consistência que Mor Karbasi revela no seu álbum de estreia - “The Beauty and the Sea” (2008) - e mostra nos seus espectáculos ao vivo, ao mesmo tempo intimistas e electrizantes.
Quando já trabalha no segundo disco, Mor Karbasi chega ao FMM Sines com o estatuto firmado de “uma das grandes jovens divas da cena musical global” (The Guardian).



Portico Quartet

Nomeado para o Mercury Prize e considerado o melhor álbum de jazz, “world music” e folk pela revista Time Out, o disco “Knee-Deep In The North Sea” foi um dos fenómenos da música britânica em 2008.
O seu “som original” (The Times) é a criação inimitável do Portico Quartet, um quarteto de músicos na casa dos 20 anos com aspecto de banda “indie” que toca uma música que busca elementos sobretudo no jazz, mas também no rock, no minimalismo e em várias matrizes tradicionais do mundo.
Formado em 2005, o grupo foi descoberto a tocar na rua frente ao National Theatre de Londres pelo clube The Vortex, que criou uma etiqueta discográfica só para lançar a sua música.
O alinhamento é composto por Jack Wyllie, nos saxofones e na electrónica, Duncan Bellamy, na bateria e no “glockenspiel”, Milo Fitzpatrick, no contrabaixo, e Nick Mulvey, no “hang”, um instrumento de percussão criado em 2000 na Suíça que domina o som do grupo com a sua sonoridade exótica, entre os “steel drums” das Caraíbas e os gamelões indonésios.
Depois de Lee “Scratch” Perry (Jamaica), Chucho Valdés Big Band (Cuba), Debashish Bhattacharya (Índia) e James Blood Ulmer (EUA), Mor Karbasi (Israel / Reino Unido) e Portico Quartet (Reino Unido) são os quinto e sexto nomes oficialmente confirmados da programação do Festival Músicas do Mundo 2009, onde está prevista a realização de 36 espectáculos e iniciativas paralelas.
Realizado todos os meses de Julho, em vários espaços da cidade e do concelho de Sines, o FMM é o maior evento nacional no seu género, tendo já acolhido um total de 164 projectos musicais, vistos por mais de 325 mil espectadores, ao longo de dez anos.
A edição 2009 realiza-se entre 17 e 25 de Julho».

Por sua vez, os norte-americanos Rupa and The April Fishes (ver «Cromo Raízes e Antenas» referente a este projecto um pouco mais abaixo neste blog) actuam a 17 de Julho, no dia inaugural do festival, enquanto os absolutamente delirantes finlandeses Alamaailman Vasarat tocam no último dia, a 25 de Julho.

28 abril, 2009

DJing em Maio e Junho - Muita World Dançável em Lisboa, Porto e Loulé


E mais seis sessões de DJ minhas confirmadas, desta vez em três locais diferentes de Lisboa e também no Porto e em Querença (Loulé):

- Dia 2 de Maio no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto dos Latin & Brasil.

- Dia 10 de Maio no Onda Jazz, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho) e numa parceria inédita com Tam Tam Zaiko (isto é, os dois DJs com percussões ao vivo).

- Dia 16 de Maio no Chapitô, em conjunto com Toni Polo (aka DJ Cucurucho), depois do concerto d'Uxu Kalhus.

- Dia 23 de Maio, novamente no Love Supreme (terraço do Ateneu Comercial de Lisboa), depois de banda a anunciar.

- Dia 9 de Junho no Festival de Dança de Querença, Loulé, um novo evento organizado pela imparável Pé de Xumbo.

- Dia 12 de Junho no Festival Granitos Folk, Contagiarte, Porto , na mesma noite em que actuam os Melech Mechaya (reencontro!) e os franceses dJAL na concha acústica do Palácio de Cristal. Nestas duas últimas vão ouvir-se umas poucas mazurkas e valsas, algum neo-swing, jazz manouche, klezmer, balcanadas e o que mais vier à rede...

E, para relembrar: lá mais para a frente haverá sessões de muita música variada na Fábrica do Braço de Prata, em Lisboa (com Toni Polo, se entretanto ele não «fugir» para o Mali), dias 5, 12, 19 e 26 de Setembro e dia 3 de Outubro.

02 abril, 2009

Cromos Raízes e Antenas L


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo L.1 - Khaled


Outrora conhecido como Cheb Khaled («cheb» significa «jovem» e não é um nome próprio, sendo comum a outros artistas norte-africanos como Cheb Mami ou Cheb i Sabbah), o cantor, compositor e multi-instrumentista argelino Khaled é um dos artistas mais representativos do género tradicional rai, na sua forma modernizada. De nome completo Khaled Hadj Brahim (nascido a 29 de Fevereiro de 1960, em Sidi-El-Houri, Argélia), Khaled mistura na sua música as raízes do rai com muitos outros géneros como o jazz, o funk, a pop, o r'n'b, as electrónicas, onde instrumentos tradicionais como o ney (flauta) ou a darabuka se fundem com sintetizadores, instrumentos eléctricos e uma secção de metais. Khaled - que toca banjo, acordeão, bateria, teclados, guitarra... - começou a sua carreira com apenas catorze anos, no grupo Les Cinq Étoiles e, ainda na Argélia, foi perseguido pelo teor da sua música, considerada demasiado ocidentalizada e com letras impróprias. Fixou-se em França em 1986 e, a partir daí, a sua fama nunca mais parou de crescer. Audição aconselhada: «Khaled» (1992), «1, 2, 3 Soleils» (1999; em parceria com Rachid Taha e Faudel) e «Ya-Rayi» (2004).


Cromo L.2 - Los de Abajo


Exemplo maior entre os maiores de uma música viva, dinâmica, empenhada politicamente e onde muitas músicas se cruzam sem que, por isso, a música final perca um pingo de identidade própria, o grupo Los de Abajo (formado na capital mexicana, Cidade do México, em 1992) é capaz de misturar ska, punk, cumbia, mariachi, son jarocho e muitos outros géneros de uma forma fluida, natural, orgânica. Também activos social e politicamente, ao longo do seu trajecto Los de Abajo defenderam causas como a do EZLN (Ejército Zapatista de Liberación Nacional), dos Jóvenes en Resistencia Alternativa e a dos presos políticos de Atenco. Gostando de caracterizar o seu som como «tropipunk», Los de Abajo já se encontraram criativamente com o catalão Macaco e, mais recentemente, com Neville Staples (Fun Boy Three) e a dupla Neil Sparkes/Count Dubulah (os Temple of Sound), no álbum de remisturas «LDA v The Lunatics» (2006). Outro álbum aconselhado: o histórico «Cybertropic Chilango Power» (2002).


Cromo L.3 - Gigi Shibabaw


Gigi (aka Ejigayehu Shibabaw) é uma cantora e compositora etíope que chegou à fama internacional através da mão de Bill Laswell - Gigi, aliás, viria a casar com este activíssimo produtor e músico - e de outro nome mítico da música, Chris Blackwell, patrão da editora Palm Pictures e o antigo responsável pela fama de muitos grandes artistas de reggae (como Bob Marley), quando liderava a Island Records. E, apesar de ter chegado a gravar anteriormente nos Estados Unidos, Gigi chegou ao sucesso internacional com os álbuns editados pela Palm Pictures: «Gigi» (2001), «Zion Roots» (assinado pelo grupo Abyssinia Infinite; 2003) e «Gold & Wax» (2006), onde à música de raiz - muitas vezes inspirada pelas Genna, celebrações do Natal na Etiópia - se juntam electrónicas, dub, funk, rock ou jazz (em «Gigi», ela foi acompanhada por nomes graúdos do jazz como Herbie Hancock, Wayne Shorter e Pharoah Sanders). Outros artistas com quem já se cruzou: Buckethead, Karsh Kale, Tabla Beat Science, Nils Petter Molvaer, Foday Musa Suso e Jah Wobble.


Cromo L.4 - The Zydepunks


Nova Orleães, é sabido, foi há cerca de cem anos o berço ideal de uma música nova, o jazz, onde muitas outras músicas - africanas e europeias - namoravam entre si: os blues, o gospel, o ragtime, as valsas, o klezmer, etc, etc... E é, agora, o berço de uma banda singular, os Zydepunks - onde também muitas músicas convergem: o zydeco e o cajun originários da Louisina, o punk, a country, a música cigana dos Balcãs, a música «celta» revista pelos Pogues, o klezmer... e cantando em seis línguas diferentes. Criados em 2003, os Zydepunks usam um baixo eléctrico (mas não guitarras) e baseiam o seu som num violino e num acordeão endiabrados, voz e bateria. E - conta a lenda - são capazes de dar concertos absolutamente arrebatadores. Formados por Denise Bonis (violino, voz), Juan Christian Küffner (acordeão, rabeca, voz principal), Joe Lilly (bateria, voz), Scott Potts (baixo, voz) e Eve (acordeão, melódica, voz), os Zydepunks lançaram até agora os álbuns «9th Ward Ramblers», «...And The Streets Will Flow With Whiskey», «Exile Waltz» e «Finisterre».

Nota: A primeira série dos «Cromos Raízes e Antenas» termina aqui. São 50 «carteirinhas» de quatro Cromos cada, o que soma o bonito número de 200 entradas. Os meus agradecimentos a quem sugeriu nomes, fez reparos, emendou gralhas e asneiras... Se tudo correr bem, uma nova série se seguirá...

31 março, 2009

Sky Fest - Com Lila Downs, Nneka, Edson Cordeiro e The Dynamics


Na sua segunda edição, o Sky Fest, mini-festival que decorre no Casino de Lisboa, de 14 a 17 de Maio, apresenta desta vez concertos com Lila Downs, Nneka (na foto), Edson Cordeiro e The Dynamics. Não se sabe ainda se, à semelhança do ano passado, haverá outros nomes nas primeiras partes, mas seria desejável que sim. O texto de apresentação do festival:


«SKY FEST - 14 a 17 MAIO - Casino Lisboa

Horário

Concertos às 22h

Preço

25€ e 30€

Local de Venda


Casino Lisboa, FNAC, Worten, El Corte Inglés, Bliss, Bulhosa, Abreu, Megarede
WWW.TICKETLINE.SAPO.PT
RESERVAS 707 234 234


Depois do sucesso em Abril de 2008, o SKY FEST está de regresso ao Casino Lisboa para uma 2ª edição.

Um festival multicultural que junta o Jazz, a World Music e o Blues no mesmo espaço, o SKY FEST reúne nomes consagrados com novos talentos, garantindo grande abrangência de sonoridades e revelação de novas tendências nas áreas musicais em destaque.

14 Maio - Edson Cordeiro & Klazz Brothers
Auditório dos Oceanos

Edson Cordeiro é um daqueles casos raros de sucesso, considerado por muitos um "músico de culto", devido à sua abrangência e à-vontade em géneros tão diversos como a ópera, o rock, a MPB, o funk, o gospel, o jazz, o flamenco e o samba, cantando em português, inglês, francês, espanhol e alemão. Com os Klazz Brothers, 3 virtuosos músicos de Dresden, Edson Cordeiro apresenta um espectáculo de fusão onde Konigin der Nacht, de Mozart, e Garota de Ipanema, de Jobim, se harmonizam com grande perfeição num alinhamento surpreendentemente encantador.


15 Maio - Nneka
Auditório dos Oceanos

Cantora e compositora, a nigeriana Nneka está de regresso com um novo álbum, No Longer at Ease, um projecto que evidencia os seus instintos criativos, explorando-os num vasto leque de sonoridades inovadoras, numa verdadeira odisseia Afrobeat. Com produção de DJ Farhot, este álbum é muito pessoal e, apesar de musicalmente mais ambicioso, não se afasta do estilo ou rumo habituais de Nneka.


16 Maio - The Dynamics
Arena Lounge - Entrada gratuita

Existem desde 2004 e o seu sucesso internacional já bateu recordes. Com origem em Lion, França, a música dos Dynamics é fortemente marcada pelo soul americano harmonizado com os ritmos jamaicanos. O seu estilo único caracteriza-se pela fusão de sonoridades estabelecidas com as mais modernas técnicas de produção, permitindo um sabor vintage que surpreende qualquer público, por muito exigente que seja.


17 Maio - Lila Downs
Auditório dos Oceanos

De origem mexicana, Lila Downs é um fenómeno internacional. Em parceria com o músico e produtor americano, Paul Cohen, Lila Downs assina as próprias composições caracterizadas pela mescla perfeita entre o tradicional folclore mexicano (charangos, kenachos e zampoñas) e os sons modernos das guitarras eléctricas, baixos e baterias. Com 7 álbuns editados, Lila Downs tem conseguido anular fronteiras, apresentando-se como uma cantora e compositora global capaz de esgotar salas por todo o mundo. No Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa, apresenta Ojo de Culebra, o seu mais recente projecto.

27 março, 2009

Festim - Um Grande Festival Espalhado Por Sete Municípios


Mais uma iniciativa saída da cabeça da d'Orfeu, o Festim é um novo festival que desenvolve e alarga algumas das iniciativas que esta associação de Águeda tem apresentado nos últimos anos, espalhando-as também pelos municípios vizinhos. O programa oficial:

«festim - festival intermunicipal de músicas do mundo

29 Maio a 24 Julho 2009 | 1ª edição
20 concertos em 7 municípios

Hermeto Pascoal (Brasil; na foto) | Kepa Junkera (País Basco, Espanha) | Manecas Costa (Guiné-Bissau) | Le Vent du Nord (Québec, Canadá) | Musafir - Gypsies of Rajasthan (Índia) | Amsterdam Klezmer Band (Holanda) | Antonio Rivas & sus Vallenatos (Colômbia)

ÁGUEDA - SEVER DO VOUGA - ESTARREJA – OVAR
OLIVEIRA DO BAIRRO - ALBERGARIA-A-VELHA - AVEIRO



O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, em 1ª edição, chega ao público de 29 de Maio a 24 de Julho, com um cartaz partilhado que inclui nomes grandes vindos de vários continentes. O festival percorrerá, durante dois meses, os municípios de Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, numa iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural em parceria com as autarquias envolvidas.

Este novo festival intermunicipal recebe a herança dos festivais temáticos de músicas do mundo - uma área de paixão nas programações d’Orfeu -, que esta associação vinha programando em Águeda desde 2002. O festival doravante em rede, estrutura-se numa programação partilhada entre municípios vizinhos - Águeda, Sever do Vouga, Estarreja e Ovar são os pioneiros, num projecto a quatro anos -, a que se juntam mais três municípios nesta edição de 2009 (Oliveira de Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro). Um cartaz à escala mundial promete singular festa em toda a região: a programação inclui, nesta 1ª edição, grandes nomes vindos do Canadá, Colômbia, Brasil, Holanda, Espanha, Guiné-Bissau e Índia.

O festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, que decorrerá anualmente nos meses de Junho e Julho, é fruto de uma parceria abrangente com as quatro autarquias principais, suportada por um Acordo Tripartido com o Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes. O objectivo é expandir o know-how cultural da d’Orfeu a um tecido de municípios vizinhos, incluindo Águeda como origem incontornável e principal beneficiária do projecto, e aplicar no terreno as suas teses de trabalho em rede, nomeadamente na extensão dos seus formatos e largamente reconhecidas práticas culturais.

O novo festival intermunicipal é o laço que une esta parceria intermunicipal.
Vem aí um verdadeiro festim!




PROGRAMAÇÃO 2009

Hermeto Pascoal
(Brasil)

O multi-instrumentista Hermeto Pascoal é uma autêntica força da natureza. Homem dos sete instrumentos, a sua criatividade é inesgotável. Valendo-se de todo e qualquer objecto capaz de produzir sons - além de tocar instrumentos convencionais como o piano, as flautas ou os cordofones, todos magistralmente apresenta um incrível carácter experimental. O inesperado acontece sempre nos concertos deste mago brasileiro que, no festim, se apresenta em duo com Aline Morena. Mais que da música do mundo, Hermeto é figura maior do mundo da Música!


Kepa Junkera
(País Basco, Espanha)

O notável músico de Bilbau, mago da concertina basca - a trikitixa -, regressa a
território luso, mais propriamente à terra que mais se deslumbrou, alguma vez, com as suas vertiginosas performances. Kepa Junkera reproduz uma música sem fronteiras, mas orgulhosamente basca, na qual despontam os diálogos com a txalaparta, instrumento composto de toros de madeira tocado a quatro mãos. Kepa, além de grande compositor, é dono de um virtuosismo ímpar. Os dedos do basco vão entrar, outra vez, pelo público dentro.


Manecas Costa
(Guiné-Bissau)

Manecas Costa é uma das mais belas vozes de origem africana na actualidade, um brilhante compositor e virtuoso guitarrista da Guiné-Bissau. A sua música carrega as vibrações quentes e a sensualidade do “gumbe”, música crioula nascida em Bissau. Um dos seus grandes êxitos, o álbum “Paraíso di Gumbe”, de edição britânica, reúne os sons vibrantes e crus do seu país natal, com uma virtuosa técnica na guitarra acústica e uma voz carismática e apaixonada. São concertos imperdíveis, os do grande embaixador musical da Guiné-Bissau para o mundo, Manecas Costa.


Le Vent du Nord
(Québec, Canadá)

Le Vent du Nord retrata a excelência da actual música folk do Québec, com
fortíssimas influências da música celta irlandesa e da Bretanha francesa. Assistir a um concerto destes quatro virtuosos é deixar-se envolver numa teia de raízes sonoras em constante viagem entre a herança europeia e a velho Canadá francófono, onde a percussão com os pés é imagem singular. ‘Le Vent du Nord’, cuja curta carreira conta já inúmeros prémios, representa o mais genuíno e empolgante folk do Atlântico Norte!


Musafir - Gypsies of Rajasthan
(Índia)

Das paisagens exóticas da Índia, os Musafir trazem-nos uma quente e inovadora interpretação dos ritmos e sonoridades milenares da cultura hindu, num espectáculo que ultrapassa o espectro musical. O grupo desvenda as mais profundas raízes do Rajastão. Encantadoras de cobras, acrobacias com fakirs, engolidores de sabres e cuspidores de fogo. A palavra “musafir” que significa em sentido literal itinerância”, reflecte o modo de vida que inspira estes músicos ciganos vindos do deserto indiano: o transe das tablas é festa para todos.


Amsterdam Klezmer Band
(Holanda)

Os holandeses prometem um espectáculo electrizante, num cocktail sonoro de música cigana dos Balcãs e sonoridade Klezmer. Esta é a imagem de marca da Amsterdam Klezmer Band, formação holandesa de talentosos músicos com raízes judias que dá um novo brilho às músicas de leste. Tal como indica o título do seu último álbum “Zaraza”, que em língua eslava significa “contagiante”, também durante os enérgicos concertos do grupo só restará ao público uma opção: dançar até cair.


Antonio Rivas & sus Vallenatos
(Colômbia)

O som da ‘cumbia’ colombiana por um dos seus mais virtuosos instrumentistas. Antonio Rivas, à concertina, apresenta-se com ‘sus Vallenatos’, característica formação de sexteto latino preparada para concertos de festa contagiante. Além da sedutora presença musical de Rivas, no palco explodem as prestações rítmicas da típica “guacharaca” e da “caja vallenata”, numa orquestra que promete grandes noites de festim!


PROGRAMA COMPLETO


Sex 29 Maio Manecas Costa ESTARREJA
Sex 5 Jun Antonio Rivas OVAR
Sáb 6 Jun Antonio Rivas SEVER DO VOUGA
Qua 10 Jun Amsterdam Klezmer Band ESTARREJA
Sex 12 Jun Amsterdam Klezmer Band OVAR
Sáb 13 Jun Amsterdam Klezmer Band SEVER DO VOUGA
Qui 18 Jun Hermeto Pascoal ESTARREJA
Sex 19 Jun Hermeto Pascoal OVAR
Sáb 20 Jun Hermeto Pascoal SEVER DO VOUGA
Sex 26 Jun Le Vent du Nord OVAR
Sáb 27 Jun Le Vent du Nord SEVER DO VOUGA
Sex 3 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan ESTARREJA
Sáb 4 Jul Musafir - Gypsies of Rajasthan SEVER DO VOUGA
Qui 9 Jul Kepa Junkera ÁGUEDA
Qua 15 Jul Manecas Costa OLIVEIRA DO BAIRRO
Qui 16 Jul Manecas Costa ÁGUEDA
Sex 17 Jul Manecas Costa OVAR
Sáb 18 Jul Manecas Costa ALBERGARIA-A-VELHA
Qui 23 Jul Amsterdam Klezmer Band ÁGUEDA
Sex 24 Jul Amsterdam Klezmer Band AVEIRO

Informações:

http://www.dorfeu.com/
http://dorfeu.blogspot.com/»

26 março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLIX


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLIX.1 - Serge Gainsbourg


Polémico, provocador, alcoólico, pianista, pederasta, poeta genial, namorado de algumas das mulheres mais bonitas do mundo, realizador de cinema, fumador compulsivo, pintor, actor, compositor de muitas e desvairadas músicas (e com flirts... musicais variadíssimos, da chanson ao rock, ao reggae e ao jazz), Serge Gainsbourg (de verdadeiro nome Lucien Ginsburg, nascido a 2 de Abril de 1928; falecido a 2 de Março de 1991) foi uma das personagens mais importantes da música francesa do Séc.XX. Nascido numa família de judeus russos exilados em França, Gainsbourg iniciou a sua carreira como pianista em bares mas, durante os anos 60 e 70, firmou o seu nome como um dos cantores e, principalmente, compositores mais criativos da sua geração. Compôs - e com elas por vezes fez duetos e com elas, muitas vezes, se envolveu sentimentalmente - para cantoras e actrizes como Brigitte Bardot, Jane Birkin, Juliette Gréco, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis e, para disfarçar, para alguns homens como Alain Bashung ou Jacques Dutronc. Canções inesquecíveis: a sexualmente explícita «Je T'Aime... Moi Non Plus», «Bonnie and Clyde», «La Javanaise» ou a sua versão reggae, «Aux Armes et cetera», do hino francês.


Cromo XLIX.2 - «Il Canto di Malavita»


Envolta em controvérsia quando foi editada em Itália (e também, junto da comunidade italo-americana, nos Estados Unidos) por alegadamente fazer a apologia da Máfia, a colectânea «Il Canto de Malavita - La Musica Della Mafia» não deixa, por isso, de ser um extraordinário mostruário de uma música antiga, secreta, também ela cheia de códigos internos - à semelhança da organização que canta - e, sempre, de uma grande beleza. Feitas de raiva e tristeza, vingança e amor, sangue e honra, interpretadas muitas vezes num calão próprio, as canções de «Il Canto di Malavita» (editada em 2000 pela PIAS) foram resgatadas às ruas, casas e caves da Calábria pelos produtores Francesco Sbano, Maximillian Dax e Peter Cadera. Em «Il Canto di Malavita» ouvem-se ecos de tarantelas e canções napolitanas, rembetika e fado, amplificados pela voz de alguns intérpretes extraordinários como El Domingo, F. Cimbalo, Franco Caruso ou Salvatore Macheda. Uma segunda colectânea com a mesma temática, «Omertà, Onuri e Sangu — La Musica della Mafia Vol.2», foi editada dois anos depois.


Cromo XLIX.3 - DJ Dolores


Na música do brasileiro DJ Dolores, os géneros musicais do seu país, tradicionais ou não - frevo, baião, forró, maracatú, emboladas, música brega, ciranda, tropicalismo, samba, bossa-nova e muito mais... - cruzam-se com géneros exteriores - reggae, funk, rock, hip-hop, dancehall, surf music, klezmer, dub, house... - como se tivessem surgido, desde sempre!, para se cruzarem assim. DJ Dolores (de seu verdadeiro nome Helder Aragão) é DJ, produtor, compositor, chefe de «orquestra» - são inesquecíveis as suas actuações com a Orquestra Santa Massa - e faz isso tudo por igual e muitíssimo bem. Começando a sua carreira, no Recife, como designer gráfico, produtor de cinema e autor de bandas-sonoras, foi como DJ que o seu nome se tornou mundialmente conhecido, tendo - para além da sua obra em nome próprio - feito remisturas para nomes como os Taraf de Haidouks, Gilberto Gil, Fernanda Porto ou Tribalistas. Audição aconselhada: os álbuns «Contraditório» (2002), «Aparelhagem» (2005) e «1 Real» (2008).


Cromo XLIX.4 - L'Ham de Foc



Objecto raro e originalíssimo no meio da folk feita em Espanha, o duo valenciano L'Ham de Foc atirou-se com saber e mestria - e sempre ao longo dos seus vinte anos de existência - a uma música que vai beber a sua inspiração à música medieval, árabe, grega e sefardita transportando-as para a modernidade, podendo ser encontrados vários pontos de contacto entre o grupo e os Dead Can Dance, os Hedningarna ou até os Corvus Corax. Criados em 1998, em Valência, pela cantora e multi-instrumentista Mara Aranda e o multi-instrumentista Efrén López, os L'Ham de Foc fizeram um percurso sempre ascendente nos meandros da folk europeia, mercê da sua coerência na utilização apenas de instrumentos acústicos - sanfonas, alaúdes, sitar, harpa, vários saltérios e gaitas-de-foles a inúmeras percussões, europeias, asiáticas ou norte-africanas (num total de mais de trinta instrumentos). Em 1999 editaram o álbum de estreia, «U», seguido por «Cançó de Dona i Home» (2002) e «Cor de Porc» (2005). Desfeita a dupla, os seus membros encontram-se agora ligados a grupos como os Aman Aman, Sabir, Saba, Capella de Ministrers, Mara Aranda & Solatge ou Al Andaluz Project. (1)

(1) - Texto adaptado de um outro escrito por mim para o Festival MED de 2007.

19 março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLVIII.1 - Rupa and The April Fishes


Ainda só têm um álbum editado no circuito internacional, mas são já uma das maiores promessas - OK, são já uma certeza! - daquilo que de melhor e mais abrangente se pode esperar de um grupo de «world music». E, aqui, o termo até está bem aplicado. Com base em San Francisco, Estados Unidos, Rupa and The April Fishes são liderados pela compositora, cantora e guitarrista Rupa, sendo os April Fishes formados por Marcus Cohen (trompete), Isabel Douglass (acordeão e voz), Aaron Kierbel (percussões), Safa Shokrai (contrabaixo) e Ara Anderson (trompete). Com influências que vêm da música indiana (Rupa, que é médica de profissão, tem as suas raízes no Punjab e viveu alguns anos em França), do tango, da canção francesa, do jazz (inclusive na sua variante cigana à Django, o jazz manouche), da cumbia, da pop... Rupa and The April Fishes lançaram em 2008 o álbum de estreia «eXtraOrdinary rendition», e já fazem parte, por direito próprio, do firmamento mais brilhante da música actual.


Cromo XLVIII.2 - Franco


Franco (aka Franco Luambo, François Luambo Makiadi e L'Okanga La Ndju Pene Luambo Lwanzo Makiadi; nascido a 6 de Julho de 1938, em Sona Bata, no Congo Belga, actual Zaire; falecido a 12 de Outubro de 1989) foi o mais importante compositor, cantor e guitarrista congolês do Séc. XX. Ao longo da sua carreira, deixou - em discos a solo ou com os grupos OK Jazz e TPOK Jazz - mais de mil canções gravadas, espalhadas por cerca de 150 álbuns. Com um estilo muito pessoal de tocar guitarra - era cognominado «O Feiticeiro da Guitarra» -, Franco misturou na sua música sonoridades africanas, jazz, ritmos latino-americanos (muito em especial a rumba), funk e soukous. Um fenómeno musical desde a adolescência - Franco gravou o seu primeiro single, «Bolingo Na Ngai Beatrice», com apenas 15 anos -, em 1956 fundou o OK Jazz (mais tarde rebaptizado TPOK Jazz), que rapidamente se tornou o grupo mais importante do Congo e com o qual tocou até à sua morte. Era um ídolo no seu país (e noutros países de África) e o seu funeral foi acompanhado por dezenas de milhares de pessoas.


Cromo XLVIII.3 - DJ Click


Membro do colectivo electro-jazz-world UHT, director da editora No Fridge, DJ e remisturador apaixonado por inúmeras músicas do mundo - e como ele as conhece bem! -, o francês DJ Click é um dos melhores, talvez mesmo o melhor, exemplo de como se podem transportar muitas músicas tradicionais para um futuro em que a música de judeus e muçulmanos, de ciganos espanhóis e do leste da Europa, de negros, de brancos e de mestiços de várias origens conseguem conviver, cruzar-se e obrigar toda a gente a dançar numa nave espacial utópica e cheia de músicas novas. E em que músicas novas como o dub, o electro ou o drum'n'bass e músicas antigas como o gnawa, o klezmer ou a música cigana dos Balcãs têm o mesmo espaço e importância. Com DJ Click já se cruzaram (em remisturas ou colaborações) nomes como Mitsoura, Gnawa Njoum Experience, Transglobal Underground, Rachid Taha, Leontina Vaduva, Burhan Öçal, Recycler, Tziganiada ou Estelle Goldfarb. (1)


Cromo XLVIII.4 - Pentangle


Um dos mais importantes grupos da folk britânica de sempre, os Pentangle nasceram em 1967, em Londres, à volta de Bert Jansch e John Renbourn - dois guitarristas geniais que já tinham um passado comum na folk -, uma cantora apaixonada pela tradição, Jacqui McShee, e dois músicos de jazz, Danny Thompson (baixo) e Terry Cox (bateria). E o resultado desse encontro foi explosivo: canções que iam à folk, aos blues, ao psicadelismo, ao jazz, ao rock progressivo ou à música barroca; canções que se encaixavam perfeitamente na música do seu tempo mas que também deixavam - pelo grau de abertura que demonstravam - muitas pistas para o futuro. Os Pentangle separaram-se em 1973 e ressurgiram nos anos 80, tendo passado inúmeros outros músicos pelas suas várias formações. E em 2007 os cinco membros fundadores voltaram a reunir-se para receber o Prémio Carreira dos Folk Awards atribuídos pela BBC Radio 2 e, no ano seguinte, fizeram uma digressão de enorme sucesso pelas Ilhas Britânicas. Audição aconselhada: os álbuns «The Pentangle», «Sweet Child», «Basket of Light» e «Solomon's Seal».

(1) - Texto adaptado de uma prosa anterior minha acerca do álbum «Flavour», de DJ Click.

13 março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLVII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLVII.1 - Billy Bragg


Não são raros os exemplos de punks britânicos que se viraram depois para a folk ou para a «world» - os Pogues, os Chumbawamba e até Joe Strummer (dos Clash) são alguns desses exemplos, entre muitos outros... -, mas Billy Bragg é, sem dúvida, um dos maiores expoentes dessa tendência. Billy Bragg (Stephen William Bragg, nascido a 20 de Dezembro de 1957, nos subúrbios de Londres, Inglaterra) começa a sua carreira em 1977, na banda punk Riff Raff, com a qual não obtém sucesso. Mas em 1981 inicia uma profícua trajectória musical a solo em que os seus extraordinários dotes de cantautor (inspirado pela folk britânica e norte-americana mas sem nunca esquecer o seu passado punk) e o seu activismo político anti-fascista e anti-racista também o levaram a colaborações memoráveis com músicos dos R.E.M., Johnny Marr (The Smiths), Michelle Shocked, Kirsty MacColl ou, mais recentemente, o projecto The Imagined Village. É uma referência incontornável.


Cromo XLVII.2 - Cornershop

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A cantora Sinéad O'Connor teve o seu pico de projecção mediática quando queimou uma fotografia do Papa João Paulo II. E o grupo indo-britânico Cornershop - uma referência às «lojas de esquina» dos imigrantes indianos e paquistaneses em Inglaterra - deram visibilidade à sua música quando queimaram uma foto de Morrissey, depois deste cantor ter assumido ideias racistas (inclusive nas letras de algumas canções). Surgidos em Leicester, Inglaterra, em 1992 - e ainda hoje em actividade -, os Cornershop, desde sempre liderados por Tjinder Singh e Ben Ayres, caracterizam-se por uma fusão consistente de canções infecciosamente pop, algumas electrónicas e referências discretas à música indiana (instrumentos como a sitar, harmonium, dholaki, tamboura e tablas fazem parte do seu «kit» habitual). O seu tema «Brimful of Asha» (de 1997; uma homenagem a Asha Bhosle) e a respectiva remistura de Fatboy Slim vão ficar para sempre na história da world music.


Cromo XLVII.3 - Naftule Brandwein


Ouve-se, agora, Woody Allen a tocar jazz no seu clarinete e sente-se, sem a menor dúvida, que aquele clarinete deve tudo à música klezmer. Ou ouvia-se, antes, o clarinetista Benny Goodman ou o início do «Rhapsody In Blue», de Gershwin, e sentia-se que as bases destas músicas estavam nas suas raízes judaicas. Actualmente não há banda de klezmer que não tenha um clarinete. E, em todas elas, são nítidas as influências do maior clarinetista klezmer de todos os tempos: o lendário Naftule Brandwein. Tendo nascido em Przemyslany (no actual território da Ucrânia), em 1884, no seio de uma família de músicos judeus, emigrou para os Estados Unidos em 1908. Conhecido como «O Rei da Música Judaica», gravou variadíssimos discos de 78 rpm durante os anos 20. E embora a sua carreira tenha decaído desde essa altura e até à sua morte, em 1963, a sua música foi depois recuperada, amada e emulada por todas as novas vagas de músicos klezmer.


Cromo XLVII.4 - Krakabs


As krakabs (ou quaquabou, chkacheks, krakebs e garbag) apresentam-se, ao lado do gimbri (ou guembri, um baixo acústico rectangular), como o instrumento mais emblemático da música gnawa, sendo utilizado por grupos como os Nass Marrakech, Gnawa Impulse ou na banda acompanhante da grande Hasna El-Becharia, entre muitos outros. Também conhecidas como castanholas de metal, as krakabs são o instrumento de percussão fundamental para a criação (e sustentação) dos ritmos transe-hipnóticos do gnawa, género - e também a designação da comunidade sufi que o pratica - do sul de Marrocos, criado pelos descendentes dos escravos da África Ocidental levados para o lado norte do Sahara pelos árabes. Fazendo parte da família dos idiofones, as krakabs são crótalos feitos de ferro, em forma de 8, e o seu som tenta imitar o galope de um cavalo.

06 março, 2009

VGM - Muita World Music em Saldos!


A melhor loja de world music (e também de jazz e música erudita) de Lisboa, a VGM - que fica na Rua Viriato, nº 12, em Picoas - tem agora, e até dia 28 deste mês, mais de 150 títulos em saldos. Discos lançados até 31 de Outubro de 2008 por editoras como a World Circuit, Crammed Discs, World MusicNetwork, Demon Music Group, Sterns, Asphalt Tango, Dreyfuss Music, Network Medien, ROIR, Ponderosa, Park, Topic, Alia Vox, Essay Recordings, Chesky, Arion, Knitting Factory, Nocturne, Sundance, Mr.Bongo, Materiali Sonori, MusicandWords, Felmay, Picwick, Oriente, BMC, Cypres, Effendi, Magda, Voices Me e Weatherbox, entre outras, têm descontos entre os 25 e os 60 por cento. É de aproveitar, portanto!

27 fevereiro, 2009

Cacharolete de Discos - Seun Kuti, Nitin Sawhney e Maria João & Mário Laginha


Depois de uma ausência prolongada - uma pneumoniazita que já está a passar -, o R&A regressa hoje para recuperar algumas críticas publicadas há algum tempo originalmente na «Time Out Lisboa». Desta vez, ao álbum de estreia de Seun Kuti (o filho mais novo de Fela Kuti), ao surpreendente novo disco de Nitin Sawhney (na foto) e ao disco de regresso ao jazz da dupla Maria João/Mario Laginha.



SEUN KUTI + FELA'S EGYPT 80
«MANY THINGS»
Tôt ou Tard

Transportar o nome – e a herança – de um dos nomes maiores da música nunca é fácil. Não o foi para os filhos de gente como John Lennon ou Bob Marley, de Frank Zappa ou de Charles Mingus (apesar de alguns deles terem construído uma carreira bastante decente em nome próprio). No caso de haver vários filhos a competirem no mesmo território a questão ainda se torna mais complicada, como é o caso de Seun e do seu irmão Femi, ambos filhos de uma das figuras mais importantes da música africana, o inventor do afro-beat Fela Kuti. Porque para além de competirem com a memória e o peso do nome do pai , ainda têm que «competir» entre si, para ver qual deles pode continuar a carregar a bandeira da família e/ou eventualmente a levá-la mais longe e a hasteá-la mais alto. Neste exemplo específico, a herança é encarada de maneiras diferentes pelos dois manos em compita: Femi (o mais velho), com uma carreira mais longa e já com o seu nome bem firmado no circuito da world music, é o que diverge mais da linha firmada pelo pai: nele, o afro-beat é a base, sim, mas nele incorpora sem problemas outras linguagens como o reggae, o hip-hop, o jazz, o R&B, até canções no seu sentido mais clássico. Já Seun (o mais novo), não se atreve a divergir e neste seu álbum de estreia, «Many Things», aquilo que se ouve é afro-beat puro e duro, sem grandes (nem pequenos) desvios aos ensinamentos paternos. O lado positivo é que os fãs de Fela podem ver aqui uma continuação lógica do trabalho do mestre – e Seun faz questão de ser acompanhado, para que não haja dúvidas, por muitos músicos que tocaram com o pai, os Egypt 80, e que a ligação seja imediatamente reconhecida. O lado negativo é que já ouvimos esta música antes, há 30 anos atrás, e não há aqui, mesmo!, grandes (nem pequenos) acrescentos. (***)


NITIN SAWHNEY
«LONDON UNDERSOUND»
Cooking Vinyl/Edel

Um dos nomes maiores da cena musical indo-britânica, Nitin Sawhney está de volta com um álbum (o oitavo, e o primeiro desde «Philtre», saído em 2005) surpreendente. Um álbum sério, maduro, mais pop e muito menos dançável do que é habitual. Tendo como mote os atentados de extremistas islâmicos ao metropolitano londrino a 7 de Julho de 2005, dos quais resultaram 52 vítimas e 700 feridos (daí o trocadilho do título do álbum, «London Undersound», com o London Underground), o disco é uma elegia aos mortos e a uma parte da cidade de Londres que «também morreu nesse dia». E o álbum é uma surpresa! Começa com dois temas pop («Days of Fire», com a participação de Natty, e «October Daze», com Tina Grace) e um terceiro («Bring It Home», com Imogen Heap) já com uma pulsão dançável mais imediatamente reconhecível de Nitin Sawhney. E depois entra... Paul McCartney, mas com uma voz quase irreconhecível, envelhecida, cansada mas cheia de alma na faixa «My Soul» – um tema com alusões a «A Day in the Life», dos Beatles (tema que encerra o álbum «Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band»), e uma certa atmosfera indiana. Numa outra canção há uma pulsão brasileira, a lembrar que este álbum também foi inspirado pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes às mãos da polícia inglesa, que o confundiu com um terrorista. E a seguir há rumba catalã e tablas indianas em «Shadowland», tema de colaboração com os Ojos de Brujo. E, à medida que o álbum avança, a presença da música indiana sente-se cada vez mais, com o canto tradicional konokol, a voz que parece saída de um filme de Bollywood de Reena Bhardwaj, ou a maravilhosa sitar de Anoushka Shankar no tema que encerra o disco. (*****)

MARIA JOÃO & MÁRIO LAGINHA
«CHOCOLATE»
Universal Music Portugal

Há comemorações e... comemorações. Há comemorações chatas, institucionais, preguiçosas, previsíveis e, logo, inúteis. E há comemorações vivas, felizes, brilhantes, inesperadas e, logo, inesquecíveis. E, na música, são cada vez mais raras as comemorações - sejam elas quais forem - que se enquadram na segunda categoria. Mas «Chocolate», o novo álbum de Maria João e Mário Laginha, entra de caras e directamente nesse segundo grupo. Porque é um disco que comemora 25 anos de trabalho e criação em conjunto - duas décadas e meia depois do pioneiro álbum do Quinteto de Maria João - mas, muito mais do que isso, é um álbum com um som novo, fresquíssimo, espelho mais que perfeito daquilo que os dois fizeram - e já fizeram tanto! - antes... e de tudo aquilo que ainda poderemos esperar deles, para um depois qualquer. Entre vários clássicos de sempre do jazz e derivados («Goodbye Pork Pie Hat», «I've Grown Accustomed to His Face», «I'm Old Fashioned», «When You Wish Upon a Star»...) e alguns originais compostos pelo duo, o álbum viaja, de forma perfeita, por vários géneros de jazz - alguns mais clássicos, outros mais free ou mais experimentais ou mais contemporâneos... -, e deixando sempre brilhar a voz de Maria João (nas palavras, nos sussurros, no scat, numa mais ampla e aberta gama de frequências que a faz chegar a inesperados e absolutamente bem-vindos registos graves), o piano excelentíssimo - e qual «grilo falante» em diálogo com a voz de Maria João - de Mário Laginha, o saxofone voador (seja ele gaivota, seja ele moscardo) de Julian Arguelles, as percussões mágicas de Helge Norbakken, e os seguríssimos cimentos que são o contrabaixo de Bernardo Moreira e a bateria de Alexandre Frazão. Mais que uma comemoração, «Chocolate» é uma... celebração. (*****)

11 fevereiro, 2009

Morreu Cachaito - O Bater do Coração do Buena Vista Social Club


Orlando «Cachaito» López, o contrabaixista do Buena Vista Social Club, faleceu esta semana devido a problemas cardíacos - ele que era tido como o «pulsar do coração» do colectivo e de muitos discos a solo dos seus colegas do Buena Vista. Em homenagem à sua vida e à sua arte, a Megamúsica - distribuidora dos discos da World Circuit em Portugal - enviou-nos o texto que se pode ler em baixo e um link para o pequeno filme que se pode ver em cima: um ensaio de Cachaito com Miguel «Angá» Díaz, o percussionista do Buena Vista Social Club (também ele já falecido; em 2006).

«É com imenso pesar que comunicamos a morte de Cachaito López, vítima de paragem cardiaca aos 76 anos. Orlando Cachaito Lopez de seu nome completo, era baixista do projecto Buena Vista Social Club incluindo este último duplo cd ao vivo no Carnegie Hall editado no passado mês de Novembro. Cachaito López era considerado o(bater do) coração do BVSC e o único totalista, tocando em todos os CDs/LPs "Buena Vista Social Club presents... Omara Portuondo, Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzalez, Guajiro Mirabal etc. Ultimamente integrava a Orquestra Buena Vista Social Club, a qual tinha aberto uma digressão europeia, para Abril e Maio, estando previsto 2 datas em Portugal. Para além de todos os discos BVSC em que participou, Cachaito tem um disco de originais, de título genérico "Cachaito", de 2001, em que o artista cruza o "son cubano" com a música electrónica, num trabalho, por alguns considerado experimental, mas verdadeiramente aclamado por todos. Eis a nossa homenagem neste "footage" enviado pela World Circuit».

05 janeiro, 2009

Groovalizacion - Uma Rádio (das Músicas) do Mundo


Antes deste blog iniciar uma série especial de referências aos melhores, mais surpreendentes e mais ousados discos de world music, folk, etc, etc... publicados o ano passado, o Raízes e Antenas tem o prazer de dar a conhecer - a quem ainda não conhece - uma excelentíssima estação de rádio on-line dedicada à world music, a Groovalizacion, que tem como responsáveis o DJ, jornalista, músico e produtor francês iZem, actualmente a viver na Argentina, e o DJ e realizador de cinema espanhol Toni Cucurucho, agora radicado em Lisboa. A estação de rádio - cujo site inclui também muitos textos sobre músicas do mundo, alguns deles repescados aqui do R&A - pode ser ouvida em:

www.groovalizacion.com/

01 dezembro, 2008

Concha Buika - Concerto em Lisboa (e com Mariza como Convidada)


Outra excelente notícia, na sequência de outras muito boas aqui em baixo: a cantora espanhola Concha Buika - da qual foi editada recentemente a edição especial de «Niña de Fuego», com um disco-bónus e um livro com muitas fotografias e poemas inéditos - regressa a Portugal, desta vez para um espectáculo em Lisboa, depois de há alguns meses ter assinado um dos momentos mais altos do festival Med de Loulé. Mas, desta vez com banda e com uma convidada especial, Mariza. Uma notícia da Lusa dá conta do essencial:

«A cantora espanhola Concha Buika, nomeada para os Grammy latinos deste ano com o álbum "Niña de Fuego", actua dia 16 de Dezembro no Centro Cultural de Belém em Lisboa, anunciou a sua produtora.


"Niña de Fuego" está nomeado na categoria "Melhor Álbum", e o seu produtor, Javier Limón, o mesmo do álbum "Terra" de Mariza, na categoria Folclore, está também a concurso para o Grammy Latino “Melhor Produtor”.

O espectáculo em Lisboa de Concha Buika conta com a participação especial de Mariza.

Em palco acompanham a cantora de Palma de Maiorca Ivan 'Melón' Lewis ao piano, Danny Noel no baixo, Ramón Porriña nas percussões flamencas e Horacio 'El Negro' Hernandez na bateria.

Concha Buika, de origem guineense, colaborou na década de 1990 em projectos de hip hop e com os La Fura dels Baus.

Editou o seu primeiro disco, "Buika", em 2005, mas foi com o segundo álbum, "Mi Niña Lola", que saltou para a ribalta da música espanhola.

Buika gravou com Mariza o tema "Pequenas Verdades", um original de Limón, no último álbum da cantora portuguesa».

27 novembro, 2008

Gatham Brothers - Música do Sul da Índia na Aula Magna


É já hoje, quinta-feira, às 21h00, que os Gatham Brothers, legítimos representantes da música carnática, actuam na Aula Magna, em Lisboa. O comunicado de imprensa, a seguir:

«Os Ghatam Brothers, constituídos pelos irmãos Prathap e Prakash, naturais de Bangalore e actualmente radicados em Londres, já actuaram em algumas das mais conceituadas salas da Europa, tais como o Royal Albert Hall e a Royal Opera House de Londres e apresentam-se agora em Portugal pela primeira vez para um espectáculo único de música carnática, ou seja, música clássica do sul da Índia e Sri Lanka.
Artistas versáteis, embora de formação clássica participam regularmente em projectos de jazz e de música de fusão, tendo já colaborado com, entre muitos outros, Massive Attack, Talvin Singh e Shivanova».

26 novembro, 2008

Natacha Atlas (de Surpresa!) no Estoril...


Assim, de surpresa, surge a notícia de que Natacha Atlas vai actuar no Centro de Congressos do Estoril. No comunicado da organização do concerto, a Everything Is New, pode ler-se:

«Natacha Atlas actua dia 7 de Dezembro no Auditório do Centro de Congressos do Estoril, onde apresentará o novo álbum, “Ana Hina”, editado no início do ano.

A cantora belga de origem egípcia, Natacha Atlas, começou a dar que falar como vocalista (e bailarina de dança do ventre) dos Transglobal Underground, um reputado projecto britânico que mistura electrónica com World Music.

A carreira a solo começou em 1995 com o álbum, “Diáspora”, também produzido pelos Transglobal Underground, que conferiu, imediatamente, à cantora o estatuto de artista de culto.

A tremenda voz de Natacha Atlas levou-a a colaborações com artistas tão importantes como Jean-Michel Jarre e Belinda Carlisle, bem como a versões únicas de grandes clássicos como “I Put a Spell on You” de Screamin' Jay Hawkins, celebrizada pelos Birthday Party de Nick Cave.

O oitavo disco a solo chegou em Maio deste ano. “Ana Hina” inclui várias versões acústicas de canções originais de Fairuz (cantora libanesa popularizada na década de 70) e Abdel Halim Hafez (um dos mais populares cantores e actores egípcios)».

Mais informações sobre este concerto de Natacha Atlas, aqui.