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12 abril, 2012

Gaiteiros de Lisboa e a recuperação do GAC no MusicBox


Quando se aproxima mais um aniversário da Revolução de 25 de Abril, o Musicbox, no Cais do Sodré, apresenta mais uma edição do original e desviante festival "Lisboa, Capital, República, Popular". A notícia fresquinha, sacada ao Juramento Sem Bandeira, do camarada Vítor Junqueira:

«De 19 a 21 deste mês, o Musicbox volta a receber o festival "Lisboa, Capital, República, Popular". Na quarta edição, o destaque vai para a recuperação de canções do GAC (Grupo de Acção Cultural) por músicos da nova geração, para o regresso aos concertos dos Gaiteiros de Lisboa e para os Ladrões do Tempo, a banda que reúne Zé Pedro, Tó Trips, Pedro Gonçalves, Paulo Franco e Samuel Palitos. Como sempre, vai também ser editado o jornal de distribuição gratuita, este ano com a manchete "Ser Solidário", que serve ainda de tema geral ao debate que decorrerá no Povo, no primeiro dia do festival, com a participação de dois bloggers (Francisco Silva e Pedro Marques Lopes) e a moderação de Nuno Miguel Guedes, coordenador da edição do jornal.

Quinta-feira, 19:
Ladrões do Tempo
Luís Varatojo (DJ set na 1ª parte)

Sexta-feira, 20:
Toca'Andar
Omiri
Gaiteiros de Lisboa (na foto)

Sábado, 21
GAC - VOZES NA LUTA
Filho da Mãe, Manuel Fúria, Cão da Morte, Vicente Palma, Bob da Rage Sense, Bruno Vasconcelos, Inês Pereira, Diego Armês, Afonso Cabral, Hélio Morais + Quim Albergaria e Elisa Rodrigues + Júlio Resende c/ banda residente: Flak, Nuno Pessoa e Filipe Valentim.»

25 abril, 2008

Efeméride...


Daqui a bocadinho estarei num debate sobre música de intervenção e o seu papel na revolução de 25 de Abril de 1974. Ainda não sei muito bem o que vou dizer, mas tenho a certeza que não teria havido a revolução - pelo menos, da maneira que nós a recordamos - sem a música que a antecedeu e que se lhe seguiu, nem tanta música sem a revolução (a música que antes a sonhava; a música que depois a celebrou; e a música que, depois do depois, se desencantou - e «desencantar» é, se virmos bem, uma palavra com vários sentidos quando se fala de música). Celebremos a efeméride...

(Nota: esta imagem, de Eduardo Gageiro, foi retirada do blog Ana de Amsterdam e está aqui porque, para além de ser belíssima, faz um excelente raccord com a anterior: José Afonso-com-gato/revolução-com-flores)

24 abril, 2008

«20 Canções Para Zeca Afonso» - Celebrar Abril, Sempre!


Recordar a revolução de 25 de Abril de 1974 passa, inevitavelmente, por recordar as canções de José Afonso (na foto). E depois da vaga de edições, homenagens e concertos do ano passado, surge agora uma nova proposta de reinvenção da sua música: amanhã, dia 25, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apresenta o espectáculo «20 Canções Para Zeca Afonso», dirigido por Rafael Fraga e João Paulo Esteves da Silva. O elenco completo do espectáculo integra os cantores João David Almeida e Alexandra Ávila, Jorge Reis (saxofone), Rafael Fraga (guitarras), Augusto Macedo (baixo), Bruno Pedroso (bateria), João Paulo Esteves da Silva (piano) e um quarteto de cordas. Segundo refere o site do CCB, «20 Canções para Zeca Afonso reflecte o olhar da geração mais jovem sobre a obra do saudoso músico, numa alternativa rica e original de homenagem ao seu trabalho... Em 20 Canções para Zeca Afonso, a raiz popular sempre presente na música de Zeca Afonso é recriada num contexto inovador que concilia as melodias das canções, os timbres característicos do trio de jazz que acompanha os instrumentos solistas e a ambiência subtil do quarteto de cordas, numa fusão única de universos musicais que se complementam e enriquecem. O repertório seleccionado inclui canções originalmente editadas entre 1962 e 1987, representando estética e cronologicamente uma parte significativa da obra de Zeca Afonso». Para outros concertos deste fim-de-semana, consultem também o excelente «cardápio» das Crónicas da Terra, que dá conta de inúmeros espectáculos comemorativos do 25 de Abril que decorrem hoje e amanhã por todo o país.

(Nota: a inusitada foto que encabeça este post foi «pilhada» no blog Alentejanando. O autor é Alexandre Carvalho e a fotografia é uma delícia, mesmo!)

25 abril, 2007

E Se... (ou O Monólogo do Censor Neste Dia de 2007)



(O Censor, vestido casualmente, entra, senta-se e liga o computador onde os seus funcionários gravaram, digamos, previamente, os ficheiros a analisar durante o longo dia de trabalho que o espera... Pormenor importante: o rato do computador é azul. Fora de cena está, presumivelmente, uma outra personagem que nunca aparece)


- Mas o que é isto? Estes Gaiteiros de Lisboa estão a gozar com o nosso folclore; só pode! Proibido.

- Uxu Kalhus? A mesma coisa (e onde é que eles foram aprender a escrever, hem?, nem devem ter a quarta classe, o que, pensando bem, nem é lá muito má ideia). Proibido.

- Uiiiiiiiiiiiiiiiii... Estes Moonspell tocam mas é coisas do Diabo... Proibido.

- E os Roncos do Diabo... Roncos do Diabo? Pois, estava-se mesmo a ver. Proibido.

- A Ruth Marlene mostra demasiado as pernas - eh, pá, são boas, mas é para arquivar - arquiva aí na letra G - é de quê?, perguntas tu, é de gajedo, porra! Proibido.

- Os GNR porque se chamam GNR (ah, e, se bem me lembro, também já fizeram pouco da Nossa Senhora). Proibido.

- O que é que a rapariga d'A Naifa, bem gira por sinal, está para aqui a cantar?... Ela está mesmo a dizer «Foder»? Proibido (mas arquiva aí a foto dela).

- E este Pedro Abrunhosa agora vem com esta dos sem-abrigo. Mas quais sem-abrigo, porra? Em Lisboa não há nenhum sem-abrigo. O quê, o gajo é do Porto? Mas no Porto também não há, porra. Huuum, e ele também já cantou algo com a palavra «foder», huuuuum, mas é homem, não é?, e isso torna o caso diferente... huuum, ou não?, deixa cá ver... Proibido.

- E como é que se chamam mesmo estes gajos? Orgasmo?... Proibido.

- Este DJ Vibe passa música que incita ao consumo de drogas. Proibido.

- The Vicious 5? Drogas. Proibido.

- Xutos & Pontapés? Mais drogas (ah, pois, e as letras). Proibido.

- Os Madredeus invocam o Santo Nome de Deus em vão. Proibido.

- Uma mulata moçambicana a cantar fado?!?... Como é que ela se chama mesmo, Mariza? Ná! Ná!! Proibido.

- O Sérgio Godinho e o José Mário Branco, deixem-nos lá estar porque lá em França é que estão bem. Proibidos, sempre.

- Linda Martini? Martini? Eh lá!!!! Então e a promoção do Vinho do Porto e do Vinho da Madeira? Proibido.

- O quê? E também há uns Smartini? Porra, que obsessão! E o nosso tintol, hem? Proibido.

- O Legendary Tiger Man mostra gajas nuas nas capas dos discos e usa calças demasiado apertadas. Arquiva aí as capas na letra que já te disse. Proibido.

- Brigada Victor Jara? Victor Jara?, eh lá, comunas!!! Proibido.

- Cindy Cat? Cindy Cat?, eh lá, comunas!!! Proibido.

- E que porra é esta de andarem a gravar canções do Zeca Afonso? Quantos são, afinal? Vejo aqui: Frei Fado d'El Rei, Erva de Cheiro, Couple Coffee, Cristina Branco, Drumming, Jacinta, Banda Futrica... Já chega, porra! Estás a dizer que ainda há mais?... Proibidos, todos proibidos.

- E em que língua é que cantam mesmo os Blasted Mechanism?... Karkoviano? Língua de Karkov? Isso não existe, pá! Isso é russo, não é? Ah, pode ser polaco? Olha lá, mas não será antes húngaro?... Ou é código?... Que se foda, vi logo que era língua de comunas... Proibido.

- The Great Lesbian Show? The Great Lesbian Show?, eh lá, isto agora pode ser interessante - junta aí à Ruth Marlene e às outras no gajedo; o quê?, há só uma gaja no grupo? Então, então, então... Proibido.

- Mas que barulheira assustadora e incompreensível vem a ser esta dos Caveira? Não têm letras? Sim, eu sei que não têm letras, foda-se! Proibido.

- Ala dos Namorados? Mas estão a gozar com a nossa História ou quê?... Proibido.

- Mão Morta?... Insurreição absoluta. Pop Dell'Arte?... Também... Todos Proibidos.

- Buraka Som Sistema, eh pá, isto lembra-me as festas em Luanda em 2003... Que saudades dos tempos da tropa, pá, até me vêm as lágrimas aos olhos. Mas na Buraca não quero isto, porra! Proibido.

- O quê? Mais pretos? Eh pá, não estou para ouvir estes discos todos, chiça, porra, tantos!!! Eles que vão fazer hip-hop e reggae e essas porras todas p'rá Holanda ou para os Estados Unidos. E que fumem ceruma e que a coca-cola lhes faça bom proveito... Proibido.

- Isto sim, isto agora é que é, um grupo chamado Dr.Salazar! Isto sim! Isto é que é! Respeito!... Mas espera lá, que merda de chinfrineira é esta?... Como é que chamam a esta merda? Rock industrial? Se é industrial, eles que vão mas é trabalhar para a CUF, a Lisnave e a Siderurgia... Eles devem é estar a gozar. Ou não?... Por via das dúvidas, proibido.

A Bem da Nação...


(Nota: a imagem incluída neste post apresenta carimbos usados pela Censura em Portugal durante o Estado Novo e foi encontrada no site Galeria Virtual da Censura. Nota 2: todos os grupos e artistas referidos existem neste momento)

23 abril, 2007

Fausto, Godinho, Afonso, Vitorino, Branco - Barrigada de Boa Música na RTP

É tão raro a RTP - e, já agora, a SIC e a TVI - dar espaço à boa música portuguesa que a programação desta semana da RTP (e logo a 1 e a 2) é motivo para festejar. Ora veja-se: à «boleia» de duas efemérides, os vinte anos da morte de José Afonso e o 25 de Abril, a RTP 2 vai transmitir concertos de José Afonso, Fausto, José Mário Branco, Vitorino (na foto) e Sérgio Godinho. E a RTP 1 vai transmitir dois programas dedicados a José Afonso. E assim, aquilo que não deveria ser notícia - a passagem de concertos e programas dedicados aos grande nomes da nossa música (se fosse isso que acontecesse normalmente) - é, mais do que uma boa notícia, um luxo.

Hoje, segunda-feira, à noite, a RTP 2 transmite o histórico espectáculo «José Afonso ao Vivo no Coliseu» (gravado em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios de Lisboa). E no resto da semana, há ainda concertos de José Mário Branco (terça-feira; o concerto de apresentação de «Resistir É Vencer», de 2004, também no Coliseu de Lisboa), Sérgio Godinho (quarta-feira; o concerto «De Volta ao Coliseu», com Camané, Jorge Palma, Vitorino e David Fonseca como convidados), Fausto (quinta-feira; num concerto gravado em 1990) e Vitorino (sexta-feira; concerto gravado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em 1993). Sempre nas «Noites da 2». Por sua vez, a RTP 1 transmite, dia 24, o concerto de homenagem a José Afonso recentemente realizado na Galiza - «Sempre Abril» (Gala Homenaxe a Zeca) em que participaram artistas espanhóis, galegos, portugueses e africanos - Luis Pastor, Uxia, Faltriqueira, Antón Reixa, Dulce Pontes, Vitorino, Janita Salomé, Sérgio Godinho, Júlio Pereira, Tito Paris e Manecas Costa, entre muitos outros. E no dia 25 de Abril, às 17h45, passa, também na RTP 1, o documentário «Não Me Obriguem a Vir Para a Rua Gritar/Tributo a Zeca Afonso», em que a «SubFilmes convidou vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso», desafios aceites por músicos de estilos diferentes - Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5 e Raquel Tavares - e artistas de outras áreas: «a companhia de teatro Primeiros Sintomas, a dupla de videojamming Daltonic Brothers, Target e Mosaik no street art, Quebra-Diskos no turntablism», entre outras colaborações e tertúlias de reflexão à volta da obra de José Afonso.