08 julho, 2010

E Quantos Caminhos Tem a Música Indiana?


No seguimento da recuperação de vários textos publicados na «Time Out Lisboa» ao longo dos últimos meses -- e se nos próximos textos eu não referir a fonte é porque ela já aqui está bem explícita! -- aqui ficam mais algumas críticas a discos que têm como origem o imenso e misterioso continente indiano: o cantor Paban das Baul (na foto), o músico (aquilo é uma sitar? é uma pedal steel? é a mistura das duas? é o quê, afinal?) Debashish Bhattacharya e mais uma imensa colectânea de canções de Bollywood...


Debashish Bhattacharya
"O Shakuntala!"
(World Music Network/Megamúsica)

Se Ry Cooder tivesse composto e gravado a música para um filme chamado, imagine-se, “Havai, India”, em vez de um outro de nome “Paris, Texas”, o primeiro tema - “Megha Re” - do novo álbum do mestre da slide-guitar indiana Debashish Bhattacharya entraria imediatamente nessa banda-sonora. E a comparação, que poderia parecer despropositada se se pensasse que se está aqui à procura de uma simples contextualização ocidental para uma música oriental, até ganha algum fôlego se pensarmos que a slide-guitar é um instrumento de eleição nos blues ou na country e não tanto naquilo que estamos habituados a ouvir (sitar, tamboura, harmonium ou tablas...) na música indiana. Mas com Bhattacharya a slide-guitar (mesmo que uma slide-guitar que tem como base instrumentos de cordas locais) passou a ser, e “O Shakuntala!” é a sua obra-prima!, um instrumento indiano por direito próprio.

(****)



Vários
"The Bollywood Funk Experience"
Nascente/Megamúsica

Mais um disco da série "The... Funk Experience" da Nascente (que também inclui volumes dedicados a Cuba, ao Brasil e aos trópicos), este "The Bollywood Funk Experience" é capaz de ser o mais curioso de todos, tanto pelo elenco que apresenta – importantes compositores de clássicos do cinema de Bombaim (Mumbai) como RD Burman e estrelas maiores da arte do play-back do cinema indiano como a fabulosa cantora Asha Bhosle – como pela riqueza desta música híbrida que tanto deve à música clássica e tradicional indiana como a inúmeras contaminações externas: aqui o funk, claro, mas também coisas tão diversas como as bandas-sonoras do 007, o cha-cha-cha ou (oiça-se esta versão sublime) o “Twinkle Twinkle Little Star”.

(****)




Paban das Baul
"Music of The Honey Gatherers"
World Music Network/Megamúsica

Desde há muitos anos radicado no Ocidente, o cantor e percussionista indiano Paban das Baul tem deixado bem vincada a sua arte (produto de uma cultura milenar que mistura ensinamentos tântricos, sufis e budistas, entre outros) tanto nos seus álbuns a solo como em colaboração com gente como os State of Bengal ou Sam Mills. Neste novo álbum, Paban das Baul surge acompanhado apenas por instrumentos tradicionais da sua região natal de Bengala e não há aqui distracções eléctricas ou electrónicas: tanto a voz como a restante instrumentação estão ao serviço de uma função: o transe sagrado, a celebração da vida e da natureza, a circularidade de todas as coisas. "Music of The Honey Gatherers" sabe a mel, sim, mas também a algo muito antigo e de uma enorme sabedoria.

(****)

06 julho, 2010

Cacharolete de Discos - Chicha Libre, Hanggai, L'Enfance Rouge e The Ukrainians


Este texto já tem quase um ano de publicação original (na "Time Out Lisboa") em cima, mas é agora aqui recuperado:

Rockers de Todo o Mundo, Uni-vos!

A world music está cheia de rock. E o rock tem cada vez mais world music lá dentro. Os Chicha Libre, Hanggai, L'Enfance Rouge (na foto) e The Ukrainians sabem isto muito bem.

Por coincidência – ou talvez não – todas estas quatro bandas estiveram na edição deste ano do FMM de Sines. E talvez não porque é sabido como o FMM gosta de correr riscos e apostar, muitas vezes, em nomes que só muito vagamente poderão estar encaixados no conceito – e tão alargado que ele é! - de world music. E ainda bem. Um excelente exemplo disto mesmo foi o concerto dos L'Enfance Rouge no palco da praia, que dividiu radicalmente as opiniões: “que horror!”, diziam alguns; “grande banda!”, contrapunham muitos outros. Eu fui daqueles que gostei. Muito. Deles foi agora distribuído em Portugal o álbum “Trapani – Halq Al Waady” (T-Rec/Wallace/Mbari; ****), em que esta trupe formada por italianos, franceses e tunisinos tanto abraça o noise mais extremo quanto as desconstruções harmónicas dos Sonic Youth ou o metal experimental de uns Isis ou Mastodon. E a world music? Está lá, pois: oud, qanún, nay, violinos árabes, bendir e darabuka dão uma trágica/brilhante/épica cor magrebina e mediterrânica a tudo o resto.

Outra incursão brilhante por músicas que não eram “suas” na origem, os norte-americanos Chicha Libre deixaram as suas raízes rock de lado (mas não completamente) para recriarem a chicha, género peruano dos anos 60 que fundia a música andina (pois, mas aqui sem flautas de Pã) com o rock'n'roll. O resultado, bem audível em “Sonido Amazonico” (Crammed Discs/Megamúsica, ****) é um divertimento constante, um baile de aldeia com órgão vintage – Farfisa, Moog... - e guitarra surf, com canções tradicionais andinas ou versões de coisas tão manhosas como o “Popcorn” ou sublimes como a “Gnossienne Nº1”, de Satie (aqui em versão... dançável!).

Do outro lado do mundo, encontraram-se punks de Pequim e músicos da Mongólia – alguns deles também peritos no canto gutural das estepes mongóis (muito semelhante ao canto de Tuva, ali ao lado, na Sibéria). São os fabulosos Hanggai, um bando de chineses dados a conhecer pelo álbum “Introducing Hanggai” (World Music Network/Megamúsica, *****) que tanto cantam – e arranham e assobiam... - sobre o amor como sobre a lenta passagem das estações do ano ou o prazer do álcool (na poguesiana “Drinking Song”).

Finalmente, uma breve passagem pelo álbum de regresso dos históricos Ukrainians, grupo anglo-ucraniano que neste “Diaspora” (Zirka Records/Megamúsica, ****) que teve o seu apogeu durante os anos 80 e que voltam agora para mostrar quem é que, muito antes dos Gogol Bordello, dos Leningrad, dos Nogu Svelo, dos Balkan Beat Box, dos A Hawk and A Hacksaw ou dos Beirut, fazia e faz – e sempre bem! - a ponte entre o rock anglo-saxónico e as músicas do leste europeu. Já tínhamos saudades.

04 julho, 2010

Sons do Atlântico, Bons Sons, Intercéltico de Sendim e Povo que Lavas no Rio Águeda: o Verão 2010 Tem Tudo!

Ora bem! Há tanta informação para dar (e tanta outra que fica de fora!) que temos que ir por partes...



Parte 1:

SONS DO ATLÂNTICO (5, 6 e 7 de Agosto, Porches, Lagoa)

Os tuaregues malianos Tinariwen que actuam no FMM de Sines a 30 de Julho participam, uma semana depois, no Festival algarvio Sons do Atlântico, que se realiza este ano entre os dias 5 e 7 de Agosto, no promontório de Nossa Senhora da Rocha, Porches, Lagoa.

Os tuaregues malianos terão a companhia no primeiro dia (quinta-feira, dia 5) do guineense e lisboeta Kimi Djabaté que inaugura esta edição do Sons do Atlântico.

Na sexta-feira, dia 6, encontra-se duas distintas vozes nacionais. A algarvia que Viviane que funde fado com tango e uma das mais interessantes novas vozes do fado: Carminho (na foto).

No sábado, dia 7, o Sons do Atlântico encerra com a fanfarra sintrense Kumpania Algazarra e com o cabo-verdiano Tito Paris.(Fonte: Crónicas da Terra)

Nota: Não está aqui em cima, mas o Clube Conguito (DJs António Pires e Rodrigo Madeira) encerra o Sons do Atlântico com um set que tem por mote provisório - e provisório porque se calhar vamos mesmo acelerar até cair! - "Devagar se vai ao Lounge" :)




Parte 2:

BONS SONS (20, 21 e 22 de Agosto, Cem Soldos, Tomar)

Neste ano o BONS SONS faz a festa da multiculturalidade com Princezito (Cabo Verde), Melech Mechaya, Drama & Beiço e Terrakota. Explora, transforma as linguagens da música portuguesa com Danças Ocultas (na foto), Diabo na Cruz, Dazkarieh, Diabo a Sete ou com o consagrado Fausto. Celebra manifestações vivas do património musical português com Adufeiras de Monsanto e Cantares Alentejanos de Serpa. Brinda-nos com momentos mais acústicos com os concertos de Norberto Lobo, Dead Combo, Lula Pena e B Fachada, e alarga as noites com os DJ’s com Nuno Coelho, MissBoopsieCola e BlackBambi.

Mas há mais! Para além dos concertos ao ar livre, estarão disponíveis outras formas de vivência da música e da aldeia. Falamos de espectáculos de dança, música para bebés, exposições de artes gráficas, projecção de curtas-metragens, feira das marroquinarias, entre outras propostas.

Bilhetes à venda: Sede do SCOCS em Cem Soldos, Turismo de Tomar, Fnac, Ag. ABREU, Worten, C.C. Dolce Vita, Megarede, El Corte Inglês (Lisboa e Gaia) e em www.tickeline.sapo.pt / Reservas: 707 234 234.

Bilhete diário: 6€*
Bilhete geral: 10€*
*Com acesso gratuito ao Parque de Campismo.




Parte 3:

FESTIVAL INTERCÉLTICO DE SENDIM (30 e 31 de Julho, Sendim, Terras de Miranda)

...porque a folk merece um festival assim!


Para iniciarmos uma nova década de celebrações musicais intercélticas em terras de Sendim, na finisterra mirandesa de Trás-os-Montes, a opção fundamental da programação recaiu maioritariamente sobre jovens formações musicais provenientes de distintas geografias ibéricas apostadas em contribuir, com as suas múltiplas propostas, para se alargarem as margens expressivas da música de matriz folk dos nossos dias.
Interessaram-nos sobretudo aqueles projectos que olham o futuro a partir das raízes e que se acercam das encruzilhadas não para se instalarem no conforto dos limites mas antes para descobrirem o sortilégio da partilha intercultural.
Arrancamos com uma afirmação de vontade de tocar e de reinventar a música portuguesa de raiz tradicional (Diabo a Sete), detemo-nos nas seduções das rotas do contrabando cultural que recusa as fronteiras que não raro ignoram contextos de afinidades com seculares origens (Xarnege; na foto) e logo mais acabamos rendidos à sedução de um grito interno que se afirma como expressão actual de uma respiração cultural que resgata das memórias a essência vital do presente (Mercedes Péon). Nas transumâncias destes dias (re)descobrimos quão reconfortantes são as rotas da interculturalidade (Uxu Kalhus), porventura hesitando entre os apelos das terras e os chamamentos das costas de renovadas navegações (Garma), mas com a certeza de que longa vida da Oysterband é um poderoso tónico para a folk dos nossos dias e de sempre.
No final das viagens que propomos bastar-nos-á a confirmação de uma daquelas certezas (ou verdades?) que adoptamos como princípio orientador da saga em terras de Sendim: quem não semeia o progresso faz morrer a tradição.
Cumpram-se, pois, as celebrações sendintercélticas em 2010 sob o signo da (re)descoberta permanente dos sons que fazem vibrar o cristal de um tempo que queremos viver com a máxima plenitude intercultural. Acreditamos - continuamos a acreditar! - que esta é a grande verdade do Festival Intercéltico de Sendim - Terras de Miranda.

PARQUE DAS EIRAS
€ 12,50 por noite

30 Julho
22h30: Diabo a Sete (Portugal)
23h30: Mercedes Péon (Galiza)
00h30: Xarnege (Euskadi/Gasconha)

31 Julho
22h30: Uxu Kalhus (Portugal)
23h30: Oysterband (Inglaterra)
00h30: Garma (Cantábria)


CONCERTOS PARALELOS

Oficina de Danças Tradicionais (Uxu Kalhus)
31 Julho: 16h00 - Local: Largo da Igreja

Gaiteiricos Mirandeses
31 Julho: 18h00 - Local: Largo da Igreja

Animação de Rua: Gaiteiricos Mirandeses
31 Julho: 21h30 - Desfile: Largo da Igreja/ Parque das Eiras


BARDOFOLK

Poções mágicas para todas as sedes....
Parque das Eiras: 30 e 31 de Julho e 1 de Agosto...

OUTRAS ACTIVIDADES

Curso de Iniciação à Língua Mirandesa
Salão dos Bombeiros Voluntários
31 Julho: 10h30/12h30 - 15h00/19h00
1 Agosto: 10h30/13h00

Passeio Pedestre: La Ruta de ls Celtas
31 Julho - Saída: Junta de Freguesia: 9h00

Lançamento de Livros e Discos
31 Julho: 11h30 - Local: Balões da Cooperativa Ribadouro

Homenagem ao Gaiteiro da Póvoa Delfim de Jesus Domingues
31 Julh0: 16h00 - Local: Casa do Pauliteiro

Pintura de Luís Ferreira: Um Artista Sendinês
Local: Casa da Cultura de Sendim
30/31 Julho e 1 Agosto: 15h00/20h00


Parte 4:

POVO QUE LAVAS NO RIO ÁGUEDA (Águeda, 16 e 17 de Julho)

O imponente espectáculo inter-associativo que Águeda constrói, a cada ano, sobre as águas do seu rio, tem nova edição em 2010. Um musical exuberante, contemporâneo e visual, inspirado no repertório musical de todos os tempos dedicado ao imaginário ribeirinho: “Povo Que Lavas no Rio Águeda” (na foto: Mário Abreu/d'Orfeu 2009). A 16 e 17 de Julho de 2010, na antiga piscina fluvial, terá lugar mais um evento para a história cultural de Águeda.

[ler apresentação integral em http://povoquelavasnorioagueda.blogspot.com/]

POVO QUE LAVAS NO RIO ÁGUEDA
2 únicas apresentações: 16 e 17 Julho 2010, 22h00

lotação máxima de 1200 lugares por noite

BILHETES À VENDA
preço único 3€
na Câmara Municipal de Águeda
na Biblioteca Municipal Manuel Alegre
nas Piscinas Municipais de Águeda
no Agitágueda (a partir de 3 Julho)

01 julho, 2010

MED de Loulé - Bregovic, Vieux e... A Música Portuguesa


A última edição do festival MED de Loulé voltou a registar vários enormes momentos de música. E, para além de grandes concertos de Goran Bregovic (um concerto em que dancei e fiz mosh, gritei e cantei, arrepiei-me e chorei com "Ederlezi"), Vieux Farka Touré (já liberto do fantasma do pai genial, a trilhar caminhos próprios mais próximos do rock e, agora, um fabuloso guitarrista) e Orchestra Baobab (os velhos embondeiros continuam de pé e a namorar-nos de uma forma cada vez mais sedutora e descarada), o MED teve como grande destaque deste ano o espaço e respeito que deu à música portuguesa, muita dela nova e arriscada. É a esse assunto que eu dedico a minha crónica de hoje no jornal "i" - edição online: http://www.ionline.pt/conteudo/67233-loule-e-musica-portuguesa -- e que aqui também transcrevo:

"No fim-de-semana passado tive a honra de encerrar como DJ - juntamente com o meu companheiro do Clube Conguito, Rodrigo Madeira - o MED de Loulé, um festival que está a crescer de forma sustentada em público, qualidade intrínseca de programação e prestígio internacional. E, o mais importante, a crescer na aposta que fez este ano em muitos nomes da música portuguesa, alguns já conceituados, outros novos. Do veterano Zeca Medeiros, que terá finalmente um álbum que lhe faz justiça no Outono, aos fabulosos Diabo na Cruz, que homenagearam, em rock, a Brigada Victor Jara e os Gaiteiros de Lisboa. Dos cada vez melhores (mais telúricos, complexos e misteriosos) Galandum Galundaina aos Orelha Negra, que vão à música negra americana mas transportam uma portugalidade intrínseca. Dos já quase consagrados, e muito justamente, Mazgani -- que resistiu galhardamente às interferências de um jack traiçoeiro (na foto) --, Anaquim e Virgem Suta aos prometedores Macacos do Chinês (há uma guitarra portuguesa no hip-hop!), Atma e Pucarinho. Para grande pena minha, não vi os Andersen Molière (tocaram à mesma hora que Goran Bregovic, que deu um dos melhores concertos que vi em toda a minha vida e não consegui arredar de lá pé), 3 Pianos (coincidiu com os Galandum Galundaina) e The Legendary Tiger Man (estava uma tal enchente que não consegui entrar no palco Castelo)".

20 junho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (V)


Os poetas que vão ao rock
por António Pires, Publicado em 06 de Agosto de 2009

O rock e a poesia sempre andaram de mãos dadas. E, em muitos casos, com resultados que fazem do rock a melhor plataforma "editorial" para os poemas dos seus autores, sejam eles também os seus cantores/intérpretes ou não. Mais especificamente, há poetas para quem a música foi o veículo encontrado para assim darem a conhecer o seu trabalho a muito mais gente do que aquela que habitualmente lê poesia: Leonard Cohen, Laurie Anderson, Gil Scott-Heron ou Ursula Rucker (para além de um número infindável de MC do hip-hop) são apenas alguns exemplos.

Em Portugal, nos últimos meses, três poetas "de raiz" - ou, se se preferir, três escritores que também são poetas - editaram temas em que se revelam como declamadores ou cantores. Tiago Gomes - já há muito ligado ao circuito musical, quer como letrista (A Naifa/Linha da Frente), quer como performer/diseur (Os Inspectores), lançou com Tó Trips (Dead Combo) um álbum dedicado a Jack Kerouac, "Vi-os Desaparecer na Noite", com textos de "On the Road" adaptados ou "improvisados" por Tiago Gomes. Jacinto Lucas Pires editou o EP de estreia d'Os Quais (na foto), "Meio Disco", onde também canta, e muito bem!... E valter hugo mãe surpreende igualmente com a sua voz - muito semelhante à de Antony Hegarty - no tema "Meio Bicho e Fogo" da banda Governo, em que é acompanhado por músicos dos Mão Morta. É tão bom ouvi-los quanto lê-los, ou um bocadinho ainda melhor.




Nova música tradicional portuguesa
por António Pires, Publicado em 13 de Agosto de 2009

Desde há alguns meses, nesta coluna, têm sido referidos vários nomes de artistas e grupos portugueses que cruzam, sem complexos, o fado com outras linguagens musicais (de Mísia aos Deolinda e OqueStrada) ou a chamada música ligeira portuguesa dos anos 60 e 70 com a modernidade (Real Combo Lisbonense, Rui Reininho, David Fonseca). Hoje chegou a vez de uma outra tendência actual, e mais que saudável, de mistura de uma música enraizadamente portuguesa - do interior, das aldeias, de um canto antigo, e agora de novo tão actual - com o rock e seus derivados.

Filhos de José Afonso, das recolhas de Michel Giacometti e de outros, da Brigada Victor Jara e dos Gaiteiros de Lisboa, de Júlio Pereira e de Rui Júnior, do festival Andanças e do Intercéltico do Porto, grupos como os Dazkarieh, Assobio, Uxu Kalhus, Fadomorse (na foto), Toques do Caramulo, Pé na Terra, Marenostrum, Mandrágora ou Diabo a Sete (entre muitos outros) mantêm viva, porque renovada, a memória da música tradicional portuguesa. Há quem electrifique os instrumentos e da tradição faça uma bela distorção (Dazkarieh); há quem inclua mil músicas - do hip-hop ao funk e a Frank Zappa - nesta nova música portuguesa (Fadomorse ou Uxu Kalhus); há quem recupere o rock progressivo para revificar a nossa e outras músicas (Mandrágora).

E há cada vez mais gente do rock, do rock mesmo, a seguir as mesmas ou semelhantes pisadas: B Fachada, Diabo na Cruz, Virgem Suta ou Ludo. Mas estes ficam para a próxima semana.


Nova música tradicional portuguesa (II)
por António Pires, Publicado em 20 de Agosto de 2009

Se a semana passada se falou de grupos que partem da música tradicional portuguesa para chegar ao rock, aqui fala-se de outros grupos e artistas, que partem do rock para chegar à música tradicional, uma linhagem que teve em nomes do passado como o Conjunto Mistério (nos anos 60), a Banda do Casaco (nos 70), António Variações (nos 80) e os Sitiados (anos 90), exemplos maiores de gente que tinha um pé na modernidade e outro na memória da música portuguesa rural.

Actualmente, uma nova fornada de nomes vem juntar-se a este clube: os algarvios Ludo, que fazem uma excelente e actualíssima pop, mas deixam bem expressa a sua portugalidade no início do EP "Nascituro", com uns bombos que partem de Lavacolhos para o espaço. Os Virgem Suta, que na canção "Vovó Joaquina" mergulham na tradição via António Variações (e... Ornatos Violeta). João Coração, que finaliza o seu magnífico álbum "Muda Que Muda" (em que passa pelos Talking Heads, Jorge Palma, a country-americana...) com "Abre a Janela", uma canção em que se ouve música tradicional portuguesa revista por Fausto e Júlio Pereira. B Fachada, com a sua releitura brilhante do centenário - e sangrento, como muitos outros poemas do romanceiro nacional - romance "D. Filomena". E, acima de todos, os Diabo na Cruz (na foto), um supergrupo nacional que junta Jorge Cruz, B Fachada e Bernardo Barata, entre outros, na união definitiva e quase perfeita do melhor rock com a tradição portuguesa que se pode ouvir. Bastam os quatro temas do "Dona Ligeirinha EP" para nos rendermos a essa evidência.

16 junho, 2010

FMM de Sines - O Programa Completo!


Aqui vai!

"FMM SINES 2010

Entre 28 e 31 de Julho, a grande música do mundo volta a Sines,
capital nacional da “world music”

Considerado “o mais arriscado festival nacional” na sua programação
(Público, 2009), o FMM Sines – Festival Músicas do Mundo prepara-se
para voltar a surpreender os espectadores com os 26 espectáculos da
12.ª edição, marcada para quatro intensos dias de música - 28, 29, 30
e 31 de Julho de 2010 - nos palcos do Castelo medieval e da Praia
Vasco da Gama, em pleno coração do centro histórico de Sines.

Os congoleses Staff Benda Bilili, o mais premiado grupo do ano, a
lenda do reggae U-Roy, The Mekons, banda britânica que partiu do
pós-punk para a fundação do movimento alt-country, e Tinariwen (na foto),
expoente contemporâneo dos blues do deserto, são alguns destaques da
programação.

Menção especial ainda às norte-americanas Las Rubias del Norte e aos
timorenses Galaxy, que fazem em Sines a sua estreia europeia, e aos
vários projectos que pisam no FMM pela primeira vez palcos nacionais,
conjunto em que se incluem o fenómeno brasileiro Forro in the Dark,
uma das maiores “cantaoras” do flamenco, Lole Montoya, os peruanos
Novalima, o “joiker” finlandês Wimme e a mais subversiva orquestra
latina da actualidade, Grupo Fantasma.

ALINHAMENTO COMPLETO DE CONCERTOS

28 de Julho (quarta-feira)

Em 2010, cabe a Vitorino, um dos maiores criadores e intérpretes da
música portuguesa, iniciar o alinhamento de concertos com um
espectáculo na quarta-feira, dia 28 de Julho, às 18h00, no Castelo.
Nesta presença no FMM, Vitorino faz a estreia nacional do seu novo
projecto, dedicado ao cante alentejano, na companhia de um grupo coral
do Redondo. É também a estreia dos concertos vespertinos no Castelo,
que ao longo do FMM 2010 permitirão ao público desfrutar de uma das
horas em que este palco tem maior beleza cénica, o cair da tarde, em
espectáculos de entrada livre.

A Vitorino segue-se a banda luso-moçambicana Cacique ’97, que actua às
19h30, no palco da Av. Vasco da Gama, marginal da praia do mesmo nome.
Uma das grandes revelações recentes da música feita em Portugal,
Cacique’97 celebra a mestiçagem lisboeta através do cruzamento do
afrobeat de Fela Kuti com várias tradições lusófonas.

Às 21h30, o palco do Castelo recebe o projecto Nat King Cole en
Espagnol. Dirigido pelo saxofonista e director David Murray, figura
central do jazz contemporâneo, celebra a veia latina da obra de Nat
King Cole com a participação de um grupo de elite de músicos cubanos e
da Sinfonieta de Sines, uma orquestra de cordas formada no seio da
Escola das Artes de Sines. Trata-se de um concerto integrado no
Programa de Regeneração Urbana de Sines.

Às 23h00, é a vez das nova-iorquinas Las Rubias del Norte, que fazem
em Sines a sua estreia em palcos europeus. Com “Ziguala”, o disco que
lançaram em Março, na bagagem, mostram a sua visão de como seria hoje
a expressão global da música se a revolução do rock n’ roll não
tivesse derrubado o poder latino de meados do séc. XX.

Na melhor tradição da MPB, em diálogos com o reggae e a música
electrónica, Céu é uma estrela da nova música brasileira, aclamada
pela crítica e responsável pela melhor posição de um artista
brasileiro na tabela principal da Billboard desde Astrud Gilberto, nos
anos 60. Às 00h30, mostra no palco do Castelo o seu novo disco,
“Vagarosa”.

O primeiro dia de música termina na praia, no palco da Av. Vasco da
Gama, às 02h30, com Novalima, projecto peruano que junta um grupo de
músicos da nova geração aos melhores músicos tradicionais da
comunidade negra para trazer para as pistas música de dança assente na
rica herança afro-peruana. É uma estreia em Portugal.

29 de Julho (quinta)

Na quinta-feira, 29 de Julho, o concerto vespertino do Castelo
(18h00), traz-nos tango. O quinteto argentino 34 Puñaladas regressa a
Sines para apresentar “Bombay Bs.As.” (2009), um dos discos do género
mais aclamados dos últimos anos.

A seguir, com o sol ainda a pôr-se no horizonte, o público desce à
praia para ouvir o finlandês Wimme. Revelação dos “charts” europeus de
música do mundo em 2010, com o disco “Mun”, o “joiker” Wimme Saari e o
seu grupo transportam para o palco da Av. Vasco da Gama o poder
xamânico do canto do povo Sami, num concerto marcado para as 19h30.
Estreia nacional.

A segunda noite de música no Castelo arranca às 21h30 com uma grande
diva das músicas do mundo. Considerada “uma das melhores cantoras do
Médio Oriente” (The Guardian), a israelita Yasmin Levy promove o
encontro entre a música de tradição judaico-espanhola e o flamenco. O
repertório do seu último disco, “Sentir” (2009), estará em evidência.

Às 23h00, é a vez de uma aposta do FMM 2010, o projecto de fusão
N’Diale, onde o quarteto do violinista Jacky Molard, um dos maiores
músicos bretões, se junta ao trio da cantora maliana Founé Diarra num
espectáculo acústico de excelência. O disco de estreia, que tem o nome
do projecto, foi lançado em Março, e será a base do espectáculo. Mais
uma estreia em Portugal.

Às 00h30, sobe ao palco uma banda que marca a música popular dos
últimos 35 anos. Grupo de vanguarda do pós-punk e, numa segunda vida,
fundadores do movimento alt-country, os britânicos The Mekons são
conhecidos pelas suas grandes apresentações ao vivo e este concerto já
deverá trazer canções do seu 27.º disco, a lançar nos próximos meses.

Como de costume, a música acaba na praia, às 02h30. Do Texas para o
mundo, Grupo Fantasma, a mais subversiva orquestra latina da
actualidade, “versão séc. XXI do groove latino” (Boston Globe), faz a
festa com a sua mistura explosiva de “latinidad”, jazz, funk e rock
psicadélico, bem patente no seu quinto disco “El Existencial”, que
editaram em Maio. É a primeira vez que actuam em Portugal.

30 de Julho (sexta)

Sexta-feira, dia 30, a música começa com Kimi Djabaté, às 18h00, no
Castelo. Um dos artistas emergentes do circuito das músicas do mundo,
o cantor e guitarrista guineense sobe ao palco com o disco “Karam” na
mão para demonstrar por que está a conseguir colocar a Guiné-Bissau na
1.ª divisão do panorama competitivo da música de tradição mandinga.

Responsável por “Music Maelström”, um dos discos surpresa de 2010, a
jovem artista francesa Dorothée (que tem no anagrama The Rodeo o seu
nome artístico) apresenta, às 19h30, no palco da praia, uma
reinterpretação muito pessoal da grande tradição musical
norte-americana.

Às 21h30, no Castelo, o guitarrista nova-iorquino Dan Kaufman e a sua
banda Barbez, formada em 1997 por músicos com um percurso no jazz, no
rock e na música clássica, oferecem um espectáculo com música de
ambientes nocturnos que busca inspiração em referências tão diferentes
quanto Kurt Weill, Black Sabbath e Godspeed You! Black Emperor.

Considerada a melhor artista asiática nos prémios da BBC Radio 3 em
2008, Sa Dingding é uma das vozes mais importantes da música chinesa
contemporânea com raízes na tradição. O álbum que a traz ao FMM,
“Harmony” (2009), centra-se na relação entre os homens e a natureza e
junta as raízes chinesas com a música electrónica. A descobrir a
partir das 23h00.

Os tuaregues malianos Tinariwen hipnotizam o Castelo às 00h30.
Superando Bob Dylan, Animal Collective e Grizzly Bear, entre outros,
para conquistar o prémio da revista Uncut para melhor disco de 2009,
“Imidiwan”, a mais genial banda do deserto do Sahara faz a síntese
entre as músicas da África Ocidental e do Magrebe, o rock e os blues.

A noite continua às 02h30, na praia, com mais uma estreia nacional.
Formado por quatro músicos brasileiros a viver em Nova Iorque, o grupo
Forro in the Dark abriu os horizontes do forró nordestino, cruzando-o
com o dub, o indie rock, o funk e outras músicas para produzir um som
que já é um fenómeno global. O disco “Light a Candle” (2009) é o prato
forte.

Às 04h00, o palco da praia encerra com o trio de DJ’s português
Bailarico Sofisticado, conhecido pelos seus “sets” eclécticos, onde as
músicas do mundo dialogam sem complexos com outras vertentes da música
popular, numa presença que é já habitual nas noites de dança do FMM e
que este ano traz como convidada a Dj Selecta Alice.

31 de Julho (sábado)

O último dia do FMM 2010 começa no Castelo, às 18h00, com Guadi
Galego. Autora de “Benzón”, vencedor do prémio de disco folk do ano
nos prémios Opinión da Música, em 2009, a antiga cantora dos
Berrogüetto, grupo de referência da folk europeia, é a grande voz
galega da nova geração.

Na praia, o concerto das 19h30 é especial. Mistura de ritmos
tradicionais do povo Fataluku, clássicos da resistência, reggae, rap,
funk e rock, Galaxy é o grupo mais importante da música moderna
timorense e faz a sua estreia portuguesa e europeia em Sines, com o
alto patrocínio da Presidência e do governo de Timor-Leste.

Uma das maiores “cantaoras” da história do flamenco, par de Manuel
Molina no duo mítico Lole y Manuel e no arranque do movimento Novo
Flamenco, Lole Montoya apresenta no FMM o seu projecto a solo, no
Castelo, a partir das 21h30. “Metáfora”, o seu disco mais recente,
nomeado para um Grammy latino, é a base do alinhamento. Estreia em
Portugal.

Às 23h00, o maliano Cheick Tidiane Seck, o maior teclista da música
africana, além de um excelente cantor e guitarrista, junta-se a Mamani
Keita, uma das melhores vozes do seu país, numa fusão entre as raízes
mandingas e a música afro-americana, do jazz à música soul e ao
hip-hop. O disco “Sabaly” (2008) é o ponto de partida do espectáculo.

Às 00h30, o Castelo recebe, mais do que um concerto, um acontecimento.
Formado por músicos de rua paraplégicos, o grupo congolês Staff Benda
Bilili, Prémio Womex 2009, é uma das grandes revelações da música
africana da última década. Considerado o grupo do ano pela revista
Songlines, apresentam em Sines as canções de “Très Très Fort”, o
melhor disco editado em 2009 na opinião das publicações de referência
fRoots e Mojo. Estreia nacional.

A apoteose de Staff Benda Bilili prolonga-se no palco da praia. Depois
de ter acolhido nomes como Black Uhuru feat. Sly & Robbie, The
Skatalites e Lee ‘Scratch’ Perry, o FMM prossegue a sua história
ilustrada do reggae, às 02h30, com U-Roy, o expoente máximo do
“toasting”, o estilo artístico de DJing que o colocou entre os grandes
da música da Jamaica.

Ainda na praia, às 4h00, o projecto luso-angolano Batida, nascido no
seio do colectivo Radiofazuma, leva a dança até ao sol nascer. O
milagre mais recente da produção afro-lusitana, Batida traz para o
século XXI a melhor música angolana dos anos 60 e 70 e proporciona o
encerramento perfeito para o 12.º Festival Músicas do Mundo.

Os bilhetes para as noites de música no Castelo (a partir das 21h30)
custam 12,5 euros por dia, com opção de aquisição de passe de 40 euros
para os quatro dias. Todos os concertos na Av. Vasco da Gama são de
entrada livre, o mesmo acontecendo com os três concertos das 18h00 no
Castelo."

15 junho, 2010

Andanças 2010 - O site já está a "andar"


A edição deste ano do festival Andanças já tem (quase) toda a informação necessária no seu site oficial: www.andancas.net/

Mais informação:

"ANDANÇAS 2010: SITE DISPONÍVEL
A PédeXumbo já colocou on-line o site oficial
do Festival Andanças, com quase todas as informações



Um Site Novo para uma Nova Edição
O festival Andanças já tem o seu site oficial na internet: www.andancas.net
Nele podem encontrar-se informações sobre o programa, transportes,
preços, bilhetes, objectivos e conceito do festival: desde os
autocarros disponíveis, à filosofia sustentável e ecológica,
actividades para vários públicos, concertos, bailes, oficinas, bandas
convidadas e muito mais.

Venda de Bilhetes com Desconto
Como novidade neste ano, a partir do dia 17 de Junho já poderão ser
comprados on-line os bilhetes do festival, em venda antecipada, que dá
direito a 20% de desconto.

BUS Andanças
Este ano criámos um serviço de transportes em Bus de 50 lugares, de e
para o Andanças, a partir de Lisboa e a partir do Porto, para
Carvalhais. É uma boa maneira de fazer amigos, reduzir a pegada de
carbono e limitar o número de carros que entram no recinto todos os
anos.

Sempre a Crescer...com atenção e cuidado.
Organizado desde 1996 pela PédeXumbo, este festival contou com 25.000
participantes na edição de 2009 e espera vir a a receber muitos mais
em 2010, de 2 a 8 de Agosto – num espaço sempre marcado pela
sustentabilidade, preocupações ecológicas e impacto mínimo na paisagem
e na terra que o acolhe durante uma semana.

Organização: Associação Pédexumbo.
Parceiros: Câmara Municipal de São Pedro do Sul, Junta de Freguesia de
Carvalhais e Centro de Promoção Social de Carvalhais.

A PédeXumbo é uma estrutura apoiada pelo Ministério da Cultura /
Direcção Geral das Artes."

Na foto: Magic Folk Pills

09 junho, 2010

Terrakota Festejam Dez Anos no S. Jorge


E as razões para os Parabéns estão aqui:


"A grande festa da multiculturalidade ...


TERRAKOTA CELEBRAM 10 ANOS COM CONCERTO E DOCUMENTÁRIO

9 Junho :: Cinema São Jorge (Lisboa) :: 22h00 :: bilhetes 12€


2010 é um ano muito especial para os Terrakota. Pioneiros da multiculturalidade em Portugal, o grupo celebra 10 ANOS repletos de inúmeros encontros com outras culturas, cores e aromas.

Outro momento alto reservado para este ano é a edição do tão aguardado 4º álbum de originais, cujo ponto de partida é uma viagem à Índia, onde os TERRAKOTA foram convidados a tocar, em Agosto de 2009, nos Himalayas, a 3.500 metros de altitude.

Estes 10 anos vão ser celebrados com um concerto especial no dia 9 de Junho no Cinema S. Jorge em Lisboa. Aqui irão cruzar-se o passado e o futuro da banda: serão revisitados alguns dos melhores momentos da sua carreira e será aberta a janela sobre o seu próximo trabalho discográfico.
Eis o plano das festas:
SALA 3

22h00 - projecção do documentário "Terrakota no Topo do Mundo - Diário da Viagem aos Himalaias", realizado por Pedro Coquenão.

SALA 1

23h00 - espectáculo de celebração dos 10 anos, com a participação de convidados como Francisco Rebelo, João Gomes e Nuno Reis (Cool Hipnoise), Trinta e Kiko (Kumpania Algazarra), entre outras surpresas.
Neste momento, os Terrakota encontram-se na fase final de misturas do seu 4º álbum, cozinhando novos pratos e usando cada vez mais especiarias na procura de um som próprio, orgânico e sem fronteiras. Este próximo disco propõe uma viagem que parte do Oriente e segue para Ocidente, através do deserto, rumo ao Senegal. Pelo caminho, cruza-se com muitas etnias africanas no seu percurso de "djagandjay" até Angola, onde apanha um navio negreiro até ao Caribe com escala no Brasil.


Uma viagem com mensagem afirmada de multiculturalidade, consciência,amor e liberdade!

O novo álbum conta com uma série de convidados ligados a diferentes universos musicais, caminhando para uma abordagem mais adulta da música de raiz, oriunda de lugares como a Índia, Angola, Senegal ou o Sahara. A sua edição a nivel mundial acontecerá no princípio do Outono. "WORLD MASSALA" É O novo single e videoclip.

Os Terrakota encontram-se na fase final de misturas do seu 4º álbum, cozinhando novos pratos e usando cada vez mais especiarias na procura de um som próprio, orgânico e sem fronteiras. O novo álbum conta com uma série de convidados ligados a diferentes universos musicais, caminhando para uma abordagem mais adulta da música de raiz, oriunda de lugares como a Índia, Angola, Senegal ou o Sahara. A sua edição a nivel mundial acontecerá no princípio do Outono.

O primeiro single "World Massala" e respectivo videoclip já rodam nas radios e tv’s nacionais. O tema é um delicioso groove punjabi reggae construído em cima duma ragga clássica indiana (rag Malkauns do mestre Gurugi Jamini Das). No videoclip, seguimos a banda movendo-se de rickshaw (mototaxi) nas multi-povoadas ruas de Nova Delhi. Prova de que o Mundo é uma grande Massala!!!

O tema é um apelo à aceitação da multiculturalidade em toda a sua plenitude. A diversidade cultural é um facto, evidente em cada continente, cada pais, cada cidade, cada povo... cada pessoa.

Para o cantor Júnior, "a multiculturalidade é um pilar do desenvolvimento social da humanidade. Neste tema o reggae faz uma ponte entre a India clássica do cantor carnático Mahesh Vinayakram e a India folklorica dos Rajasthan Roots.”

A cantora angolana Romi Anauel aponta para uma sociedade mais sensivel e feminina defendendo "o regresso a valores intemporais de ligação entre as pessoas e a natureza seguindo o rio das leis naturais da vida. A felicidade não vem de fora mas de dentro de cada um ".


Recordamos que em 2007, com a edição do seu completamente auto-produzido terceiro album "Oba Train", os Terrakota passaram a marcar uma posição de destaque dentro da world music a nível mundial. O album foi unanimemente elogiado e considerado o melhor do grupo, tendo levado o colectivo numa preenchida "Oba Train tour" por mais de 2 anos, que passou pelos maiores festivais europeus: Etnosur, La Mercé e Mercat de Vic (Espanha), Couleur Café, Polé Polé e Esperanzah (Bélgica), Amsterdam Roots (Holanda), Exit Festival (Sérvia), Rototo Sunsplash (Itália), Babel Med (França) entre outros.



Terrakota

ROMI: voz

JUNIOR: voz, guitarra

ALEX: guitarra

DAVIDE RODRIGUES: bateria, backing vocals

NATANIEL MELO: percussão

FRANCESCO VALENTE: baixo

MARC PLANELLS: sitar, backing vocals


FEATURING

Mahesh Vinayakram: canto carnático

Vasundhara Das: canto carnático

Kulta Khan (Rajasthan Roots): morchang, khurtal and bhapang

Roshan (Rajasthan Roots): dholak

Kusumakar Pandya (Rajasthan Roots): bansuri


DiscograFIA

World Massala (outubro 2010), Oba Train (2007), Humus Sapiens (2004), Terrakota (2002)"

07 junho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (IV)


O povo que canta e dança no rio
por António Pires, Publicado em 16 de Julho de 2009

Quase a completar quinze anos de existência, a d'Orfeu - associação que pôs Águeda no mapa dos grandes festivais de música (e não só, estendendo as suas iniciativas a outras artes como a dança, o teatro, a mímica, o vídeo, etc...) em Portugal, além de funcionar também como escola e instituição agregadora de muitos músicos locais e exteriores (portugueses e estrangeiros) - voltou a ser a responsável por um espectáculo de características únicas no país: a reunião de centenas de músicos (este ano eram quase quatrocentos) e cantores da cidade e dos seus arredores, no Povo que Lavas no Rio Águeda (na foto, de Marilyn Marques), desta vez assim chamado porque teve como mote a canção "Povo que Lavas no Rio" (popularizada por Amália Rodrigues), do poeta Pedro Homem de Mello. Terra de poetas - Homem de Mello e também Manuel Alegre -, Águeda é também um local em que parecem existir mais músicos por metro quadrado do que em qualquer sítio do país. E a presença de grupos de rock e de blues, de hip-hop experimental e de percussões selvagens numa ceifeira "fluvial" ao lado de ranchos folclóricos, vários coros e dançarinas, barqueiros e manipuladores de vídeo - todos interagindo muitas vezes uns com os outros - num local mágico e encantado (o próprio leito do rio e as suas margens) e usando sempre reportório musical local contribuíram para que as duas apresentações, sexta e sábado passados, sejam inesquecíveis. Era tão bom que Portugal fosse todo assim!




Mas porque é que eles voltam?
por António Pires, Publicado em 23 de Julho de 2009

Numa altura em que a música portuguesa fervilha de criatividade e de novas propostas que nos fazem voltar a ter orgulho em muitos dos artistas e bandas que estão agora a emergir - novos nomes do fado (Carminho) e dos seus desvios (OqueStrada, Deolinda...), o eixo Flor Caveira/Amor Fúria (B Fachada, João Coração, Tiago Guillul, Os Golpes, Os Quais...), a pop visceralmente portuguesa do Real Combo Lisbonense, Virgem Suta e Os Tornados ou a ponte entre Lisboa e as cidades africanas em que ainda se fala português feita pelos Buraka Som Sistema, Makongo ou Batida, só para dar alguns exemplos -, é duvidosa a utilidade do regresso ao nosso universo musical de nomes como os Trabalhadores do Comércio (na foto), os Táxi ou os Ban, os dois primeiros com álbuns novos editados nos últimos meses, a banda de João Loureiro com álbum anunciado para breve. Não está em causa a legitimidade, ou até as boas razões, deste retorno às lides destes grupos (por coincidência, todos do Porto; mas até poderiam ser os Salada de Frutas, os Iodo ou os NZZN, de Lisboa e arredores, que o raciocínio seria o mesmo). Acredito até que nenhum deles - com carreiras profissionais de sucesso noutras áreas - precisa da música para fazer dinheiro e foi mesmo por amor que voltaram às canções, aos palcos, aos fãs que ainda lhes restam e à adrenalina dos bastidores. Mas a grande questão é: será que a música portuguesa precisa mesmo deles em 2009?




A canção ligeira portuguesa está a ser reabilitada
por António Pires, Publicado em 30 de Julho de 2009

Houve gente a abrir o caminho: os Delfins, com a sua versão de "O Vento Mudou" (com que Eduardo Nascimento venceu o Festival RTP da Canção em 1967), e os Xutos & Pontapés com "A Minha Casinha" (sucesso de Milú no filme "O Costa do Castelo"). Mas agora há muito mais gente a fazê-lo. O novo single de David Fonseca, "A Cry 4 Love", é, para além de uma belíssima canção (na linha de muitos outros temas compostos por ele, tanto nos Silence 4 como a solo), uma homenagem subtil a uma outra canção, "Pensando em Ti", dos Gemini, por sua vez inspirada num tema de Ástor Piazzolla. Tanto a entrada da secção de cordas como a linha melódica do refrão são devedoras directas desse tema gravado por Tózé Brito, Mike Sergeant, Teresa Miguel e Isabel Ferrão em 1976. Recentemente, também Rui Reininho (com "Bem Bom", das Doce, e igualmente com o dedo de Tózé Brito na composição), o Real Combo Lisbonense (na foto) - com standards esquecidos (passe o paradoxo!) da música ligeira e do ié-ié dos anos 60 como "A Borracha do Rocha", "Sensatez" ou "O Fado É Bom Para Xuxú!", entre outros - ou a fadista Kátia Guerreiro (com "Menina do Alto da Serra", popularizado por Tonicha) editaram versões de temas da chamada "música ligeira portuguesa", tantas vezes mal-amada e mal vista e, por isso.. temos de reconhecer que algo de importante está a acontecer: uma cada vez maior abertura e liberdade e um saudável reavivar da memória de muita - e não só de alguma - da nossa música.

06 junho, 2010

Ollin Kan - As Culturas da Resistência em Vila do Conde


A edição portuguesa deste ano do festival Ollin Kan está quase a começar. Aqui ficam o comunicado oficial e o programa completo:


«OLLIN KAN, o lugar do movimento, volta novamente a Portugal, à cidade de Vila do Conde, nos dia 10, 11 e 12 de Junho de 2010.

O Festival Internacional das Culturas em Resistência Ollin Kan é uma aproximação a um outro olhar, aquele que resistiu e defendeu as suas heranças e alternativas culturais, sendo um dos festivais mais importantes do mundo.

O Festival Ollin Kan é assim um encontro vigoroso entre os povos que nos brindam com músicas e danças provenientes de todos os continentes.

Sonoridades provenientes do mundo/espaço árabe, flamenco, do fado, da música celta, do reggae, da rumba, da salsa, dos sons jarochos, do Caribe, da música mandinga, do samba, da bossa nova, do tango, da música dos Balcãs e todas as expressões de raiz na sua forma mais pura e nas suas múltiplas fusões com o mundo moderno.

Organizado pela Câmara Municipal de Vila do Conde e pela produtora independente Bartilotti Produções, o Festival Ollin Kan, abre a sua primeira sede alternativa em território europeu.

Com o apoio da produtora independente Bartilotti Produções, o Festival Ollin Kan, abre a sua primeira sede alternativa em território europeu.

Foi o início da internacionalização de um festival que se tornou itinerante, levando consigo a mensagem do mundo alternativo a diversas cidades e países do Planeta; Mali, Colômbia, Portugal e México.

O Festival Ollin Kan Portugal terá lugar em Vila do Conde de 10 de Junho a 12 de Junho de 2009.

Os concertos realizam-se no Centro Histórico, no Cais da Alfândega, junto à Nau Quinhentista, com 2 palcos que funcionarão alternadamente das 22h00 às 02h00.

EM TODOS OS LOCAIS OS CONCERTOS TÊM ENTRADA LIVRE.

10.Junho.2010 _ das 22.00h às 2.00h

Toques Do Caramulo (Portugal)
Pibo Marquez (Venezuela)
Rare Folk (Andaluzia)
Che Sudaka (Colômbia / Argentina)



11.Junho.2010 _ das 22.00h às 2.00h

Angela Maria (Peru)
Cacique 97 (Portugal / Moçambique)
Malick Pathé Sow (Senegal)
Moya Kalongo (Moçambique)




12.Junho.2009 _ das 22.00h às 2.00h

Elisabeth Vatn (Noruega; na foto)
Seistanto Mundo (Portugal / México)
Bilan (Cabo Verde)
Marenostrum (Portugal)
Batucada Sound Machine (Nova Zelândia)»

02 junho, 2010

Festa do Fado (em diálogo com outras músicas)


É em Lisboa, durante todo o mês de Junho. O programa oficial completo:

«CASTELO S. JORGE – PRAÇA DE ARMAS

04 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

CRISTINA BRANCO convida JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA e CARLOS BICA


O Fado, João Paulo Esteves da Silva e Carlos Bica

Não seria mais a propósito e tenho a certeza que, mais cedo ou mais tarde, o Fado havia de nos juntar!

Afinal, no passado (sempre presente) já trabalhámos juntos: O Bica mais recentemente compôs o “Longe do Sul” e o João tocou no meu segundo disco “Post-scriptum”, como que antevendo a entrada, anos mais tarde, do piano na minha música!

Juntos, assim, é que nunca tinha acontecido. O “mentor” desta graça foi o Robert Shumman. Logo, convidá-los para este momento da Festa do Fado foi um passo natural, um entendimento que vibra muito alto na senda da minha música. Se eles compõem há tanto e comungam do mesmo respeito que eu tenho pela música tradicional - e que aprendi com o Ricardo (Dias) -, porque não aproximar tudo isto de uma forma consciente e sensata e simplesmente participar nesta grande Festa da Música, do senhor Fado, e deixar a imaginação apreender e crescer, porque isso nos deixa felizes? E felizardos somos todos por poder escutá-los.

Cristina Branco



05 JUNHO | Sábado | 22H00 |

A NAIFA convida CELESTE RODRIGUES


Depois de um ano de luto, A Naifa (na foto) volta à luta. A vontade de continuar a fazer esta música sobrepôs-se à dor da perda e uma nova Naifa nasceu no espectáculo de homenagem a João Aguardela, em Novembro último no CCB. Luís Varatojo e Maria Antónia Mendes têm agora a companhia de Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria, para lançar de novo à terra a semente que já deu frutos.

O reencontro com o público acontecerá já em Maio com a edição de um livro/dvd biográfico dos primeiros quatro anos de carreira e uma digressão nacional, que passará por dez cidades e chegará a Lisboa, a 5 de Junho, para um concerto na Festa do Fado no Castelo de São Jorge.

O livro retrata o universo d’A Naifa, visto de dentro e de fora - os poemas que deram origem às canções dos três discos e as obras gráficas que fizeram as capas; fotografias de mais de uma centena de espectáculos e os testemunhos do público que, em muitos casos, criou com a banda laços afectivos que se prolongaram muito para além do momento dos concertos.

O dvd contém um concerto, gravado na digressão 2008, e um documentário produzido em 2006.

A Naifa «a rasgar a vida»


Especialmente para a noite de 05 de Junho, na Praça de Armas do Castelo de São Jorge, A Naifa convida uma das mais importantes referências de sempre do fado, Celeste Rodrigues, no ano em que a fadista comemora 65 anos de carreira, dedicados a espalhar a sua arte pelos quatro cantos do mundo e a fazer da sua voz e da sua alma. É uma referência intemporal para uma série de gerações na História do fado.




11 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

PEDRO MOUTINHO & TIAGO BETTENCOURT


Pedro Moutinho é um dos intérpretes mais representativos da nova geração do fado.

Na sua discografia conta com três discos gravados em nome próprio: "Primeiro Fado" (Som Livre - 2003), Prémio Revelação da Casa da Imprensa, “Encontro” (Iplay - 2006), Prémio Amália Rodrigues para o melhor disco do ano, e “Um Copo de Sol” (Iplay 2009) aclamado pela critica como um dos melhores discos dos últimos 10 anos. Com 34 anos de idade, participou já em vários festivais e tournées pelo mundo fora em representação da música portuguesa, destacando-se nos últimos anos a sua participação no Filme “Fados” de Carlos Saura.


Tiago Bettencourt editou 2 discos com os Toranja e um com os Mantha; já recebeu Globos de Ouro e foi nomeado para os prémios MTV. Descobrimos que o Tiago Bettencourt descobriu que os Mantha seriam um excelente meio para ir mais além nas suas composições.
Ou seja, o Tiago Bettencourt quis saber o que poderia acontecer depois dos Toranja e com os Mantha obteve a resposta. “O Jardim” foi editado em Outubro de 2007 e é simultaneamente um álbum de ressaca e descoberta. De ressaca, porque o sucesso dos Toranja ainda estava muito presente e a pressão natural de querer fugir às fórmulas era maior, existindo a tentação de criar um distanciamento quase obrigatório. De descoberta, porque os Toranja haviam ficado para trás e tocar com os Mantha obrigava a um novo começo. O resultado já todos sabemos (ou pelo menos os que quiseram ouvir o disco): um punhado de canções maduras e a revelação de um Talento seguro, que soube contornar a ressaca e conviver com a descoberta.



Dois géneros completamente diferentes, mas que se juntam pela cumplicidade das palavras cantadas, pela força que estas mesmas imprimem na forma de estar na arte e na vida. Juntos estarão num palco onde a música não conhece fronteiras, onde a expressão que ambos têm se une numa mensagem com vista sobre a alma da música portuguesa: seja ela Fado ou Pop, antiga ou nova, é acima de tudo intemporal.



18 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

PAULO DE CARVALHO convida ANA SOFIA VARELA


É um dos mais importantes cantores/intérpretes de todos os tempos, aquele a quem muitos apelidam de “A Voz” e um dos mais conceituados compositores da história da música portuguesa.


Não existe nenhum português que não conheça Paulo de Carvalho. Isto porque para além de tudo, a cantar e a compor, atravessou todas as fronteiras, sejam elas geográficas ou temporais nos últimos 48 anos.


Na sua carreira contam-se grandes êxitos como “Flor Sem Tempo”, “Nini dos Meus Quinze Anos”, “E Depois do Adeus” (que marcou um dos momentos mais importantes da nossa história, nos anos 70), mais tarde “Lisboa Menina e Moça” e “Fado do Cacilheiro” foram as suas primeiras abordagens à canção de Lisboa. Já no final dos anos 80, surge com alguns dos seus temas mais emblemáticos, como “Meninos do Huambo” e, mais tarde, “Mãe Negra”, onde revela a versatilidade da sua voz. Ao longo de 48 anos de carreira a sua viagem musical leva-o através de variados estilos musicais, desde a música ligeira, ao fado, à world music ou ao jazz.


Consigo traz uma convidada: “Ana Sofia Varela”. Uma das mais emblemáticas fadistas da geração que surgiu nos últimos 20 anos. Representou Portugal na "Womex" (The World Music Expo) realizando um concerto que encantou a comunidade internacional da "World Music", e que tem resultado em vários convites para actuações no estrangeiro.

Integrou projectos como “A Guitarra e Outras Mulheres” de António Chainho, “Sal” com José Peixoto, Fernando Júdice e Viki. Participou no filme “Fados”, de Carlos Saura e no Espectáculo “Casa de Fados” que resultou a partir da última cena deste filme.

O seu último trabalho discográfico, “Fados de Amor e Pecado”, lançado em Outubro de 2009, é um projecto idealizado e composto na totalidade por João Gil e João Monge. Tem sido aclamado pela crítica especializada como um marco na história do fado na última década.


No Palco estarão duas formações: de um lado, Piano, Bateria e Baixo; do outro, Guitarra Portuguesa, Viola de Fado e Contrabaixo. No contexto, as duas formações que se unem numa viagem ao universo musical do Cantor, do Jazz ao Fado. O caminho é a alma, o veículo é a voz e a sua musicalidade. O ponto de partida é a sua história, o fim da viagem não existe, porque a sua música é intemporal.




19 JUNHO | Sábado | 22H00 |

JOÃO FERREIRA ROSA, MARIA DA FÉ, BEATRIZ DA CONCEIÇÃO e MARIA DA NAZARÉ convidam ARGENTINA SANTOS


João Ferreira Rosa, Beatriz da Conceição, Maria da Fé e Maria da Nazaré, fazem parte de uma das gerações mais importantes da História do Fado. Contam já com aproximadamente 50 anos de carreira e são nos dias de hoje vistos como umas das mais importantes testemunhas da história da Canção de Lisboa. Foram e ainda continuam a ser referências para a maior parte dos fadistas que têm surgido nos últimos anos.

Juntos convidam uma das mais antigas vozes do Fado da actualidade: Argentina Santos que está a comemorar 60 anos de carreira e que receberá em Julho de 2010 a medalha da Cidade de Lisboa.




25 JUNHO | Sexta-feira | 22H00 |

RICARDO PARREIRA convida cantores de Coimbra: PROF. MACHADO SOARES, DR. LUÍS GÓIS e ANTÓNIO ATAÍDE


“CANCIONÁRIO” é o novo trabalho discográfico e espectáculo do guitarrista “Ricardo Parreira”. Depois do seu disco de estreia “Nas Veias de uma Guitarra – Tributo a Fernando Alvim”, considerado pela crítica e comentadores como um dos mais importantes documentos sobre os grandes compositores da história da guitarra portuguesa dos últimos anos, prossegue agora numa nova viagem: um trabalho com base no fado, ainda que mais dedicado à música tradicional e popular portuguesa.

Este novo disco, que será também um novo espectáculo, tem três vozes convidadas, baixo e percussões. Tem ritmo, balanço e diversidade, numa viagem sem sacrifícios pela história da nossa alma: “É preciso ter vontade de dançar mesmo que não seja o caso…”

Ricardo Parreira nasceu em Paço de Arcos há apenas 23 anos, no seio de uma família ligada ao Fado e à Guitarra Portuguesa. Filho de António Parreira (professor na escola do Museu do Fado) e irmão de Paulo Parreira, ambos instrumentistas de referência. Iniciou os seus estudos, ainda muito novo, primeiro pela mão de seu pai e, depois, no Conservatório Nacional.


Machado Soares e Luís Góis dispensam apresentações. São as mais importantes referências do Fado de Coimbra da actualidade. Cada um com uma carreira de aproximadamente 50 anos, percorreram o mundo inteiro em representação da Música Portuguesa. António Ataíde, uma das mais brilhantes vozes da nova geração, integrou uma série de projectos relacionados com a canção de Coimbra e tem vindo a fazer um dos percursos mais dignos pelo mundo fora.


Esta é a primeira vez que o fado de Coimbra é convidado a participar na Festa do Fado, concluindo assim uma viagem aos caminhos da música portuguesa, que vai desde a música tradicional e popular e onde se cruza o fado de Coimbra e Lisboa numa noite com vista sobre o Tejo e a Cidade.




26 JUNHO | Sábado | 22H00 |

KATIA GUERREIRO & MARISA LIZ


Com dez anos de carreira, Katia Guerreiro é, hoje, uma intérprete consagrada e reconhecida como uma notável embaixadora da música portuguesa. Como corolário da excelência do seu trabalho recebeu, em Fevereiro de 2006, o prémio PERSONALIDADE FEMININA 2005, disputado pelos nomes mais importantes do panorama musical português. O público que a elegeu considerou-a “uma das mais bonitas vozes da actualidade, aliada a uma invulgar capacidade vocal”. Desde o início da sua carreira, Katia tem apresentado o Fado um pouco por todo o mundo: França, Marrocos, Bélgica, Inglaterra, País de Gales, Egipto, Suíça, Espanha, Noruega, Polónia, Suécia, Grécia, Coreia do Sul, Japão, Itália, Tunísia, Nova Caledónia, Turquia e Índia, para além de Portugal, são países que já aplaudiram as suas actuações nos mais belos Palcos e nos mais importantes Festivais de música.



Marisa Liz é, segundo alguns dos mais importantes comentadores, uma das mais prestigiadas e consideradas intérpretes da nova geração da cena World/Pop Portuguesa.

Nasceu em Lisboa e, desde muito nova, veio a abraçar grandes projectos musicais dos quais se destacam, “XL Fame”, “Donna Maria”, “Tributo a Carlos Paião” e as suas participações com grandes músicos e cantores como Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Rui Veloso, Júlio Pereira, Rão Kiao, Vitorino, Paulinho Mosca (Brasil) Pedro Luís e a Parede (Brasil), entre outros.


Na noite de encerramento da Festa do Fado juntam-se o Fado e a World Pop para um concerto onde mais uma vez o que conta é a cumplicidade das palavras e acima de tudo das palavras cantadas em português.



ENTRADA: 12,50 € (preço único)

Bilhetes à venda na ticket line e bilheteira do Castelo de S. Jorge

(telefone: 21 880 06 20)

M/ 3 anos




PÔR-DO-FADO

Quatro Concertos, Quatro Reportórios é o mote para este conjunto de instrumentais ao final de tarde, onde a guitarra portuguesa é a protagonista. E a carta-branca foi entregue a José Manuel Neto, um dos mais importantes guitarristas da actualidade.

Com 20 anos de carreira, são inúmeras as suas participações nas mais prestigiadas salas de espectáculos e festivais nacionais e por todo o mundo, ao lado dos mais importantes interpretes de fado, como Camané, Cristina Branco, Carlos do Carmo, Mísia, Ana Moura, Marisa, Argentina Santos, Maria da Fé, entre outros.


03, 10, 17 e 24 JUNHO | Quintas - feiras | 19H00

ENTRADA: 5,00 € (preço único)

Bilhetes à venda no Museu do Fado (21 882 34 70)

M/3 anos


FÁBRICA DO BRAÇO DE PRATA

O ambiente é o de uma noite de fados: três músicos e um fadista que canta e faz as honras da casa, convidando outros fadistas espontâneos que vão aparecendo e são convidados a cantar ou a tocar. Tudo vale, até um instrumentista de outra área que se atreva a entrar na “Jam Session Fadista” que a noite propõe.


Voz e anfitrião: Helder Moutinho | Guitarra Portuguesa: Ricardo Parreira | Viola de Fado: Marco Oliveira | Baixo: Yami


05, 12, 19 e 26 JUNHO | Sábados | 00H00

ENTRADA: 8 € por pessoa (preço único)

Bilhetes à venda na Fábrica do Braço de Prata

Rua da Fábrica do Material de Guerra, n.º 1 (em frente aos correios do Poço do Bispo)

M/ 16 anos


CHAPITÔ

Às terças no Bartô (Bar do Chapitô), Ricardo Rocha (guitarra), Marco Oliveira (viola) e João Penedo (contrabaixo) acompanham as mais diversas vozes do fado tradicional. Noites de tertúlia onde o fado acontece.


08, 15 e 22 JUNHO | Terças – Feiras | 23H00

ENTRADA: Gratuita

M/ 16 anos


NA IGREJA DE SANTO ESTEVÃO

Rodrigo

Na igreja de Santo Estêvão | Junto ao cruzeiro do adro | Houve em tempos guitarradas … Mal que batiam trindades | Reunia a fadistagem | No adro da santa igreja | Fadistas, quantas saudades | Da velha camaradagem … Santo Estêvão, padroeiro | Desse recanto de Alfama | Faz um milagre sagrado | Que voltem ao teu cruzeiro | Esses fadistas de fama | Que sabem cantar o fado…

Rodrigo não é apenas sinonimo de tradição e popularidade no panorama do fado, é também um testemunho vivo de todos os percursos que este género musical teve ao longo da sua existência. É esta a imagem com que ficamos quando estamos em frente de um homem com 68 anos de idade, simples e directo, exactamente como esta canção que, ao longo dos tempos e também por causa de Artistas como ele, se tornou num dos expoentes máximos da cultura do nosso País.

Rodrigo é uma das vozes mais populares do Fado Tradicional.


06, 20 E 27 JUNHO | Domingos | 19h00 | RODRIGO

ENTRADA: Gratuita

M/ 3 anos »

31 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (III)


O rock português no retrovisor
por António Pires, Publicado em 26 de Junho de 2009

Durante dezenas de anos, os grupos e artistas portugueses que se dedicaram - e dedicam - ao rock tiveram como principais modelos os grandes nomes estrangeiros do género. O mesmo se passa, obviamente, em muitos outros países de produção musical periférica, mas no nosso caso não é preciso fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos de quem, ao longo de cinquenta anos de história do rock, imitou por cá o Elvis e os Shadows, os Beatles e os Stones, os Sex Pistols e os Clash, os Joy Division e os Echo & The Bunnymen, os Nirvana e os Pearl Jam... É até duvidoso que alguma vez tenha havido um rock português, sendo mais correcto falar-se de um rock cantado em português ou de rock feito em Portugal. Porém, curiosamente, e no espaço de pouquíssimas semanas, três novos grupos nacionais - todos eles muito diferentes entre si e de origens geográficas díspares (Porto, Lisboa e Beja) - editam os seus álbuns de estreia e, espanto!, assumem como influências maiores nomes do rock... feito em Portugal. Os Tornados fazem rock'n'roll, rockabilly, surf-rock, twist e ié-ié alimentados pelo Conjunto Mistério, o Conjunto Académico João Paulo ou o Quarteto 1111. Os Golpes atiram-se descaradamente à música e à estética dos Heróis do Mar (nem lhes falta um tambor que tem escrito "Amor"). E, na sua música, os Virgem Suta (na foto) citam sem vergonha - e ainda bem - os Ornatos Violeta (e Sérgio Godinho e José Afonso e Variações). E isso é bom.



Novos Talentos e uma boa causa
por António Pires, Publicado em 03 de Julho de 2009

Henrique Amaro (o maior divulgador radiofónico de música portuguesa) é o responsável, desde 2007, pela selecção de grupos e artistas nacionais que têm integrado as colectâneas "Novos Talentos FNAC". Já no terceiro volume, o "Novos Talentos FNAC 2009" faz mais uma vez justiça ao seu subtítulo, "O Futuro da Música Portuguesa", e lança, para quem os quiser ouvir, 33 novos nomes, ao mesmo tempo que se associa à AMI - Assistência Médica Internacional, para a qual reverte a totalidade das receitas angariadas. E, apesar de não encontrar momentos fracos nesta colectânea e não havendo espaço para falar de todos, atrevo-me a eleger cinco ou seis que, numa primeira audição, me pareceram os mais originais de todos: Orelha Negra (Sam The Kid, DJ Cruz Fader e elementos dos Cool Hipnoise, entre outros, fazedores de um som que cruza com sabedoria o hip-hop, a soul, o funk, o disco...); The Bombazines (que recuperam duas das melhores vozes nacionais - Marta Ren, ex-Sloppy Joe, e Gon, ex-Zen; na foto); Márcia (uma cantautora magnífica!); GNU (pós-rock, noise, free-jazz, prog-metal, energia punk e tudo isto à tareia); Samuel Úria (poema de homenagem rock-desconstrutivista sobre guitarra); You Can?t Win, Charlie Brown (com uma pop suave, inteligente e incrivelmente apelativa); B Fachada (o melhor letrista da nova geração de compositores nacionais); Oh! Shiva (psicadelismo pesado entre George Harrison/Ravi Shankar, Os Mutantes, Led Zeppelin e Tom Zé). Há futuro.



Os Jogos da Lusofonia (em Música)

Num fim-de-semana em que Lisboa está dominada pelos Jogos da Lusofonia, é bom lembrar que a capital portuguesa e os seus arredores - cadinhos de culturas em que milhões de falantes lusófonos se cruzam e cruzaram - podem oferecer, para além do desporto, muita música em português com sotaques vários e crioulos incluídos. Apenas alguns exemplos, ficando muitos outros de fora: Terrakota, Cool Hipnoise, Lindú Mona, Tama Lá, Djumbai Jazz (fusões de várias culturas); Kussondulola, Mercado Negro, Prince Wadada (reggae africano); Alap (música indiana); Bei Gua (música e danças timorenses); Cyz, Couple Coffee (música brasileira); Lura - na foto -, Sara Tavares, Dany Silva, Tito Paris, Celina Pereira, Bana, Ana Firmino, Kola San Jon (música cabo-verdiana); Anaquiños da Terra (música galega e que ficam aqui referidos apesar da Galiza não entrar em jogo); Chullage, Valete, Nigga Poison, SP & Wilson, Conjunto Ngonguenha (rap de intervenção); Bonga, Waldemar Bastos, Filipe Mukenga (música angolana); Juka (São Tomé e Príncipe); Guto Pires, Manecas Costa, Kimi Djabaté, Braima Galissá, N'Dara Sumano (Guiné-Bissau); Buraka Som Sistema, Makongo (kuduro transformado); André Cabaço, Mariza (Moçambique); Cacique'97 (afro-beat luso-moçambicano); Irmãos Verdades (kizomba angolana). Entre os jogos das bolas, o atletismo e as artes marciais, talvez reste um tempo para se descobrirem algumas destas músicas.

28 maio, 2010

Festim - Segunda Edição Arranca na Próxima Semana


Aproxima-se mais uma edição do Festim, festival de world music com epicentro em Águeda (d'Orfeu) e braços estendidos a vários municípios vizinhos. O último comunicado oficial reza assim:

«Terem Quartet (Rússia), Rare Folk (Espanha), Renato Borghetti (Brasil), Kilema (Madagáscar), Mahala Raï Banda (Roménia), Minyeshu (Etiópia), Serenata Guayanesa (Venezuela)

Todo o mundo no Festim, a partir de 2 Junho!


O Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo apresenta, este ano, sete nomes em cartaz, registando-se duas estreias absolutas em Portugal: Terem Quartet e Minyeshu. Do Índico ao Mediterrâneo, do Cáucaso ao Chifre de África, dos Balcãs à América Latina, esta programação em rede aposta no fascínio da diversidade.

A partir de 2 Junho, o mundo em música, nos palcos e plateias do Festim! Cinco municípios vizinhos partilham um cartaz comum: Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar e Albergaria-a-Velha. A iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural, além da parceria intermunicipal como factor decisivo, conta ainda com o apoio do Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes.

O festival inicia a 2 de Junho com os russos Terem Quartet e inclui ainda, até 17 de Julho, concertos de Rare Folk (Espanha), Renato Borghetti (Brasil), Kilema (Madagáscar) - que substitui os Narasirato, cuja tournée europeia foi cancelada - , Mahala Raï Banda (Roménia), Minyeshu (Etiópia) e Serenata Guayanesa (Venezuela). Os bilhetes para os concertos de sala estão já à venda. Toda a informação está disponível em www.festim.pt, sítio oficial do festival.

Universidade de Aveiro estuda impactos do Festim

A Universidade de Aveiro vai desenvolver, por ocasião desta 2ª edição do festival intermunicipal, um Estudo de Impactos e caracterização de públicos do Festim. Muito além do objecto artístico, interessa aprofundar um conhecimento sobre a dimensões socioeconómicas do evento e as mais-valias que um festival desta natureza aporta a cada um dos Municípios. Esta parceria da Universidade de Aveiro surge ao segundo ano do quadriénio previsto para o Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo, com edições garantidas até 2012.

Programa dos 19 concertos no sítio oficial:
http://www.festim.pt/»

27 maio, 2010

Clube Conguito (António Pires/Rodrigo Madeira) no MED de Loulé


Quando as danças europeias, as fanfarras balcânicas, o klezmer, o bhangra, o kuduro, o baile carioca, o dancehall ou o kwaito do DJ António Pires se encontram com a música africana vintage, a exotica latino-americana, o jazz, a soul, o funk e o hip-hop do DJ Rodrigo Madeira, isso é o... Clube Conguito! A nova dupla de DJs já apurou a fórmula no Chapitô e no Bacalhoeiro, em Lisboa, e estreia-se oficialmente com esta designação na noite de encerramento do festival MED de Loulé, dia 26 de Junho. E, pronto, agora que já dei brilho ao ego, posso avançar com todos os outros nomes já confirmados do MED deste ano, que promete ser novamente um grande festival:

Quarta-feira, 23 de Junho:

* Amparo Sánchez
* Femi Kuti & The Positive Force
* Vieux Farka Touré
* Zeca Medeiros
* Macacos do Chinês

Quinta-feira, 24 de Junho:

* King Khan & The Shrines
* Goran Bregovic and His Wedding & Funeral Band
* Cacique 97
* Mazgani
* Andersen Molière

Sexta-feira, 25 de Junho:

* Orchestra Baobab
* Watcha Clan
* 3 Pianos
* Anaquim
* Galandum Galundaina
* The Legendary Tiger Man

Sábado, 26 de Junho:

* Mercan Dede & The Secret Tribe
* Boom Pam
* Virgem Suta
* René Aubry
* Orelha Negra
* Diabo na Cruz
* Clube Conguito

23 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (II)


A edição também é uma missão
por António Pires, Publicado em 05 de Junho de 2009

Numa altura de profunda crise da indústria discográfica, são cada vez mais os artistas e grupos musicais que optam pela edição às suas próprias custas. São as chamadas "edições de autor"; uma resposta de muita gente ao crescente desinvestimento em novos nomes por parte de grandes (e pequenas) companhias discográficas. Mas também há aqueles, artistas e músicos, que querem editar a música dos outros. Não que o fenómeno seja novo em Portugal: nos anos 80 surgiram em Portugal, entre outras, a Fundação Atlântica (criada por Pedro Ayres Magalhães, Ricardo Camacho e Miguel Esteves Cardoso), a Dansa do Som (ligada ao mítico Rock Rendez Vous e igualmente dirigida por Mário Guia, que tinha sido baterista d'Os Ekos) e a Ama Romanta (liderada por João Peste, vocalista dos Pop Dell'Arte). Em anos mais recentes - e deixando de parte também outros exemplos - Rui Veloso criou a Maria Records (que editou Os Azeitonas e Jorge Vadio), e já este ano, Pedro Abrunhosa apostou nos Varuna para inaugurarem o catálogo da sua editora Boom Studios. Mas, para o fim, ficam os melhores exemplos desta tendência: com um verdadeiro espírito de missão (não por acaso, ambas as editoras têm também motivações religiosas por trás), a FlorCaveira (do cantor e compositor Tiago Guillul: na foto) e a Amor Fúria (liderada por Manuel Fúria, agora n'Os Golpes) estão a provocar uma pequena revolução na música portuguesa com a sua quantidade - e qualidade! - de boas edições num muito curto espaço de tempo. Graças a Deus.


João Aguardela: uma homenagem
por António Pires, Publicado em 12 de Junho de 2009

Uma turma de Produção e Marketing de Eventos da Restart vai apresentar no dia 3 de Julho, no MusicBox (Lisboa), um espectáculo de homenagem a João Aguardela (na foto, de Alexandre Nobre), cantor, músico e compositor falecido há alguns meses, com apenas 40 anos e no auge da criatividade, fosse n'A Naifa, fosse no Megafone. O espectáculo - que vai incluir bandas e artistas a fazerem versões de temas dos vários grupos de Aguardela, além de DJ, projecções vídeo, um fanzine a ele dedicada ... - chama-se Evento Megafone. O Megafone, para quem não sabe - ou para quem conhecia apenas os trabalhos mais mediáticos de Aguardela nos Sitiados ou depois n'A Naifa - era mais uma, senão a maior, declaração de amor de João Aguardela às raízes da música portuguesa. Aí, geralmente, ele pegava em recolhas feitas nas aldeias por Michel Giacometti e outros e mergulhava-as num caldo de programações electrónicas e outros instrumentos, sempre com uma paixão enorme pela tradição, mas igualmente com os olhos postos no futuro. E, apesar de não ser o único a fazê-lo, nestes ou em moldes semelhantes - exemplos: antes, a Banda do Casaco e a Sétima Legião fizeram-no; mais recentemente, os Chuchurumel e os Omiri também... -, a verdade é que os CDs do Megafone são edições limitadas e que chegaram a menos gente do que aquilo que deviam. É obrigatória uma reedição alargada e cuidada desses discos.



Novo Fado antes do Novo Fado
por António Pires, Publicado em 19 de Junho de 2009

Muito antes d'A Naifa, Deolinda, OqueStrada, Donna Maria, Fado em Si Bemol, M-Pex, Atlantihda e outros projectos que procuram novos caminhos para o fado - um fado rejuvenescido por outras linguagens como o rock, as electrónicas, as influências mais acústicas do jazz ou de outras "músicas do mundo" -, já outros nomes faziam um caminho paralelo, e pioneiro, na busca de novos caminhos para o fado. Nos anos 80 e início dos anos 90, artistas como Anamar, Paulo Bragança (na foto, de Rui Vasco) e o projecto Ovelha Negra desenvolveram uma obra que abria o fado a outras linguagens musicais sem nunca deixarem de fazer uma música profundamente portuguesa, nossa e imediatamente reconhecível como fado, apesar dos desvios. Anamar, nas gravações para a Ama Romanta e em outras posteriores, abriu o fado à modernidade. Paulo Bragança - fadista trágico de corpo e alma - abriu completamente o peito às balas dos puristas. E os Ovelha Negra - projecto de Paulo Pedro Gonçalves (Corpo Diplomático/Heróis do Mar/LX-90/Kick Out The Jams) - puseram Miguel Gameiro (Pólo Norte) e Rita Guerra a cantar fado como nunca se ouviu e a cantar como nunca nenhum deles tinha cantado, e tão bem!, antes ou depois. Se calhar ou, de certeza, apareceram todos antes do tempo. E desaparecerem da vida pública quase a seguir. Os Ovelha Negra lançaram apenas um álbum. Bragança anda em parte incerta. E Anamar, apesar de editar de vez em quando, raramente tem a exposição que merece. Voltem todos, se faz favor.

19 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (I)

Faz este mês um ano que comecei a colaborar com o jornal «i», sendo o responsável por uma coluna de opinião sobre música portuguesa. Hoje e nos próximos tempos - a conselho de uma mente sábia - publicarei aqui muitos dos textos que, semanalmente, foram por lá nascendo em suporte papel-e-tinta. Não é só world music, tradição e folk, mas como este blog tem andado demasiado órfão sempre é uma maneira de ir ocupando aqui os pixéis disponíveis de uma forma, hermmmm, útil...


A vingança do kuduro
por António Pires, Publicado em 15 de Maio de 2009

Na longa lista de aberrações convidadas para os seus programas televisivos - o Vítor Peter, a Pomba Gira, a Natália de Andrade, o Professor Alexandrino... -, Herman José incluiu há alguns anos o duo de kuduro Salsicha & Vaca Louca, ridicularizando os seus ritmos selvagens e os seus requebros opulentos. Poucos anos depois, o kuduro, via Buraka Som Sistema (na foto, de Hilary Harris), mas não só,é um fenómeno de sucesso mundial. Angolano na sua origem mas com ligações ao miami bass, ao baile funk brasileiro, ao kwaito sul-africano, ao reggaeton porto-riquenho e ao dancehall jamaicano, o kuduro foi adoptado por vários produtores e músicos dos PALOPs e de Portugal (Dog Murras, DJ Znobia, Makongo, Batida ou o cabo-verdiano que junta funaná com kuduro Izé, entre muitos outros) e de fora da esfera lusófona como M.I.A. (a voz principal da oscarizada banda-sonora do filme "Quem Quer Ser Bilionário?"), o DJ e produtor francês Frédéric Galliano ou o norte-americano Diplo. E os Buraka Som Sistema actuam nos principais festivais do mundo (Glastonbury, Roskilde, Coachella...) e têm feito digressões, com tremendo sucesso, no Japão, na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos. Os Buraka Som Sistema (uma mistura de portugueses, angolanos e indo-moçambicanos e um espelho perfeito do caldo de culturas em que Lisboa se transformou nos últimos anos) são, aliás, considerados - ao lado de Mariza, uma fadista nascida em Moçambique - os maiores embaixadores actuais da música... portuguesa. Está na altura de reescrever a entrada "kuduro" na "enciclopédia" do Herman.



Um musical para José Cid
por António Pires, Publicado em 22 de Maio de 2009

Aterra-se no aeroporto de Gatwick, chega-se a Londres de comboio e a primeira coisa que se vê é o enorme cartaz de "We Will Rock You", o musical dedicado aos Queen, em cena no Dominion Theatre, ali mesmo ao lado (e que tem no elenco um cantor e actor português, Ricardo Afonso, que, ao que parece, é uma emulação quase perfeita de Freddie Mercury). E, para além dos outros, milhentos, exemplos de musicais dedicados a grandes nomes da música, assistimos desde há alguns anos à febre "Mamma Mia": de repente os ABBA são a coisa melhor do mundo, há peças de teatro, filmes, concursos, karaokes e discos a mitificar as canções do grupo sueco. Agora, a circular na net, corre uma petição a pedir um musical dedicado à vida e obra de José Cid (na foto, de Rita Carmo). Sou suspeito quando falo dele - tive a honra de escrever a biografia do Quarteto 1111, que tinha como líder José Cid -, mas acho que posso dizer, em consciência, que era mais que justo fazer-se esta homenagem. Pelo 1111, pelos Green Windows, pela sua valiosíssima obra a solo, do disco "da palha" a "10 000 Anos depois entre Vénus e Marte" e muitos outros. E também pelos deslizes e apesar dos deslizes... Mas há uma diferença fundamental entre Cid e os outros: o Freddie Mercury já morreu, os ABBA acabaram há muito e sabe-se que nunca voltarão a reunir-se, mas José Cid está vivinho da costa! Logo, o actor principal que proponho para esse musical baseado no José Cid não poderia ser outro senão... o próprio José Cid.



O fado que há nos Joy Division
por António Pires, Publicado em 29 de Maio de 2009

Em alguns círculos mais apertados do fado continua a gritar-se "heresia!" sempre que há alguns desvios mais atrevidos ao género. O último caso deu-se com as canções dos Joy Division e dos Nine Inch Nails interpretadas - de forma excelente, digo eu - por Mísia (na foto, de Youssef Nabil) no álbum "Ruas": porque são cantadas em inglês; porque têm bateria e guitarra eléctrica a acompanhar; porque vêm de um reportório do rock, rock mesmo. Mas estas críticas perdem fulgor quando se pensa que a canção portuguesa de maior sucesso mundial é "Coimbra" - traduzida e adaptada para francês e inglês como "Avril au Portugal" e "April in Portugal", respectivamente, e cantada por Louis Armstrong, Bing Crosby, Eartha Kit ou Liberace - ou que Amália Rodrigues, que cantava frequentemente noutras línguas, gravou um álbum inteiro em inglês, "Amália na Broadway" (onde interpretava temas como "Long Ago and Far Away", "Blue Moon" ou "Summertime"). Mais alguns exemplos: a deliciosa versão de "Hey Jude", dos Beatles, por Carlos Bastos (editada no final dos anos 60, com arranjo para guitarra portuguesa de António Chainho e cantada por Carlos Bastos com uma pronúncia divertidíssima); a arrepiante versão de "Sorrow's Child", de Nick Cave, por Paulo Bragança; ou as "Outras Canções" de Camané, que já incluíram temas de Frank Sinatra ou Divine Comedy.