23 abril, 2012

Otis Taylor, Socalled, Lofti Bouchnak e L’Enfance Rouge no FMM de Sines

Soma e segue: «O americano Otis Taylor é um dos mais premiados cantores e criadores de blues da última década. Socalled é um artista canadiano transgressor com ligações aos universos do hip-hop e da música judaica. O projeto L’Enfance Rouge & Lofti Bouchnak (na foto) junta um dos maiores cantores do mundo árabe a uma das principais bandas do rock progressivo europeu. Estão confirmados no 14.º FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines, no final de julho. • OTIS TAYLOR BAND (EUA) Nascido em Chicago em 1948, o “bluesman” Otis Taylor é praticante de um estilo de blues criado por si, o “trance-blues”, onde a crueza da canção negra americana se cruza com o rock psicadélico e o jazz e ganha uma componente não menos genuína mas mais hipnótica em palco. Cantor, guitarrista, banjista e tocador de harmónica, Otis Taylor é também um criador de canções, bebendo, nas histórias, principalmente na riqueza da experiência histórica dos afroamericanos. A sua carreira teve um interregno entre 1977 e 1995, mas desde que se dedicou por completo à música a sua produção discográfica tem sido impressionante, ao ritmo de quase um álbum por ano desde a estreia, em 1997, com “Blue Eyed Monster”. “White African” (2001) foi o disco que o estabeleceu na cena blues norte-americana, acumulando a partir de aí prémios e nomeações para prémios, incluindo o mais prestigiado do género, o prémio W. C. Handy, e várias distinções da revista DownBeat. Em 2004, foi considerado o melhor “entertainer” de blues do ano pelos leitores da revista Living Blues, ex-aequo com a lendária Etta James. “Contraband”, o seu 12.º álbum, lançado em fevereiro de 2012, é mais um testemunho dos blues como força contra a violência e como género capaz de se reinventar sem perder os princípios. A Otis Taylor Band faz a sua estreia em Portugal no FMM Sines. • SOCALLED (CANADÁ) O artista canadiano Socalled (Josh Dolgin) não podia ser mais diversificado e inclassificável. A sua lista de ocupações criativas inclui pianista, acordeonista, produtor, compositor, arranjador, rapper, cantor, jornalista, fotógrafo, cineasta, mágico, cartoonista e construtor de fantoches. Com formação clássica de piano, começou muito cedo a interessar-se pelo jazz e depois pelo hip-hop, um género que considera universal devido à elasticidade com que se funde com músicas de todas as origens e tradições. A descoberta da sua voz aconteceu precisamente quando começou a misturar o rap com as músicas dos seus antepassados judeus. Hoje, ele que trabalhou com um dos mestres do revivalismo klezmer, o clarinetista David Krakauer, situa-se neste território hebraico urbano, mas a sua música transpõe outros horizontes. Colaborador prolífico com outros artistas e noutros projetos, tem quatro discos em nome próprio: “HiphopKhasene” (2003), “The So Called Seder” (2005), “Ghettoblaster” (2007) e “SleepOver” (2011). A sua vinda a Sines representa, como no caso de Otis Taylor, uma estreia absoluta em Portugal. • L’ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK (FRANÇA / ITÁLIA / TUNÍSIA) O projeto «At-tufuula al-hamra’» nasceu da iniciativa do cantor tunisino Lofti Bouchnak, quando viu a banda franco-italiana L’Enfance Rouge a atuar na televisão Al Jazeera e ouviu o seu álbum de fusão rock / música árabe “Trapani-Halq al Waady”(2008). Lofti Bouchnak é um dos maiores, se não o maior cantor árabe vivo. Nasceu em 1952 e foi criado na medina de Tunis entre músicos de rua, encantadores de serpentes e cafés cantantes. Além do “malouf” tunisino, estilo musical com raízes andaluzas, domina a música de todo o mundo árabe como cantor, alaudista e compositor. Com François Cambuzat (voz e guitarra), Chiara Locardi (voz e baixo) e Jacopo Andreini (bateria), L’Enfance Rouge é, desde 1995, um dos mais aclamados grupos de rock progressivo da Europa. Presente já uma vez no FMM Sines, em 2009, a sua música tem uma componente política assumida e um interesse especial pelas relações Norte-Sul, sobretudo as relações entre as duas margens do Mediterrâneo (Europa e Norte de África). O projeto com Lofti Bouchnak vai ser apresentado pela primeira vez em Portugal no palco de Sines. O FESTIVAL O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição acontece nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho. Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Marc Ribot y Los Cubanos Postizos (EUA), Mari Boine (Noruega – Povo Sami), JuJu (Gâmbia / Reino Unido), Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Gurrumul (Austrália – Cultura Aborígene), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue), Dhafer Youssef Quartet (Tunísia), Narasirato (Ilhas Salomão) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo) e Astillero (Argentina). O FMM Sines 2012 é cofinanciado por fundos FEDER / União Europeia no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013. Mais informações www.fmm.com.pt www.facebook.com/fmmsines» www.fmm.com.pt www.facebook.com/fmmsines

12 abril, 2012

Gaiteiros de Lisboa e a recuperação do GAC no MusicBox


Quando se aproxima mais um aniversário da Revolução de 25 de Abril, o Musicbox, no Cais do Sodré, apresenta mais uma edição do original e desviante festival "Lisboa, Capital, República, Popular". A notícia fresquinha, sacada ao Juramento Sem Bandeira, do camarada Vítor Junqueira:

«De 19 a 21 deste mês, o Musicbox volta a receber o festival "Lisboa, Capital, República, Popular". Na quarta edição, o destaque vai para a recuperação de canções do GAC (Grupo de Acção Cultural) por músicos da nova geração, para o regresso aos concertos dos Gaiteiros de Lisboa e para os Ladrões do Tempo, a banda que reúne Zé Pedro, Tó Trips, Pedro Gonçalves, Paulo Franco e Samuel Palitos. Como sempre, vai também ser editado o jornal de distribuição gratuita, este ano com a manchete "Ser Solidário", que serve ainda de tema geral ao debate que decorrerá no Povo, no primeiro dia do festival, com a participação de dois bloggers (Francisco Silva e Pedro Marques Lopes) e a moderação de Nuno Miguel Guedes, coordenador da edição do jornal.

Quinta-feira, 19:
Ladrões do Tempo
Luís Varatojo (DJ set na 1ª parte)

Sexta-feira, 20:
Toca'Andar
Omiri
Gaiteiros de Lisboa (na foto)

Sábado, 21
GAC - VOZES NA LUTA
Filho da Mãe, Manuel Fúria, Cão da Morte, Vicente Palma, Bob da Rage Sense, Bruno Vasconcelos, Inês Pereira, Diego Armês, Afonso Cabral, Hélio Morais + Quim Albergaria e Elisa Rodrigues + Júlio Resende c/ banda residente: Flak, Nuno Pessoa e Filipe Valentim.»

09 abril, 2012

Marc Ribot, Astillero e Dhafer Youssef Também no FMM de Sines


E mais três nomes a juntar à já extensa (e suculenta!) lista do FMM de Sines 2012. O comunicado:

«O americano Marc Ribot, um dos grandes guitarristas contemporâneos, traz a Sines o seu projeto mais emblemático, “Los Cubanos Postizos”. Astillero é uma das orquestras mais inovadoras do tango argentino atual. Dhafer Youssef cruza a tradição musical da Tunísia com o jazz europeu. Estão confirmados no programa do 14.º FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines, no final de julho.

• MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS (EUA)

O norte-americano Marc Ribot (na foto; de Barbara Rigon) é um dos maiores guitarristas do mundo. Depois de uma presença em Sines em 2005, volta ao FMM para apresentar um dos projetos mais bem-sucedidos da sua carreira, “Los Cubanos Postizos”, criado em 1998 com a edição do disco do mesmo nome, e recentemente refundado.

Na sua encarnação original, Marc Ribot Y Los Cubanos Postizos era um espetáculo criado em torno de arranjos do líder de orquestra cubano Arsenio Rodriguez, inovador do “son montuno”. Nesta nova vida do projeto, os Postizos vão além de Cuba e assimilam influências de todas as Américas.

Com 25 anos de carreira e 19 discos gravados (o último dos quais, “Silent Movies”, em 2010), Ribot tem a sua base na cena “underground” nova-iorquina mas uma atenção permanente à música que se faz em todo os géneros e em todas as partes do mundo. Deixou a sua marca numa das obras-primas de Tom Waits, “Rain Dogs” (1985), e tem colaborado com alguns dos melhores artistas do nosso tempo, como Robert Plant, Alison Krauss, Elvis Costello, John Zorn e Cyro Baptista.

Os “Cubanos Postizos” que o acompanham a Sines são os norte-americanos Anthony Coleman (piano), Brad Jones (baixo) e EJ Rodriguez (bateria e percussões) e o cubano Horacio "El Negro" Hernandez, um dos bateristas afro-cubanos mais reconhecidos e que mais contribuiu para aprofundar a relação entre o jazz, o rock e música daquela ilha.

• ASTILLERO (ARGENTINA)

Formado em 2005, Astillero é um dos agrupamentos mais importantes do tango de vanguarda, encabeçando o movimento “tango de rutura”.

Com sólido conhecimento da tradição, assume como princípio apenas interpretar repertório novo, descomplexadamente complexo, onde o tango se cruza com o jazz, a música experimental contemporânea e uma crueza no modo de expressão que podemos associar ao rock.

O seu ponto de vista sobre o tango é jovem e urbano, procurando transmitir, através de instrumentos acústicos, os movimentos da vida quotidiana e a experiência vertiginosa de viver na Buenos Aires do século XXI, a segunda maior área metropolitana da América do Sul.

Referência do novo tango, o pianista Julián Peralta, fundador da Orquesta Típica Fernández Fierro, presente no FMM Sines 2009, é o líder e compositor do grupo, responsável pelo papel central que o ritmo ocupa na sua estética.

Além de Julián Peralta, a formação de Astillero é composta por Miguel Suárez (voz), Martijn van der Linden (violino), Luciano Falcón (violoncelo), Daniel Ruggiero (bandoneón), Mariano González Calo (bandoneón) e Federico Maiocchi (contrabaixo).

Aos dois discos já gravados – “Tango de Astillero” (2006) e “Sin Descanso en Bratislava (Glosas Fuera de Tempo)” (2008) – deverá juntar-se em breve um terceiro.

• DHAFER YOUSSEF QUARTET (TUNÍSIA)

O projeto musical do tunisino Dhafer Youssef é uma síntese entre a tradição árabe, em especial na vertente mística sufi, e a cultura jazz europeia.

Nascido numa pequena cidade costeira da Tunísia, escolheu o alaúde (oud) como principal meio de expressão por considerá-lo o instrumento que mais autenticamente o liga à cultura árabe.

Muezzin numa mesquita durante algum tempo e cantor em casamentos, é também um vocalista de grande qualidade, contando-se os seus solos vocais entre os momentos mais memoráveis dos seus concertos.

Desde 1990, com a sua mudança para Viena e depois para Paris, este pano de fundo árabe foi ganhando cambiantes pela sua formação e vasta experiência e colaborações no jazz europeu.

Hoje, a sua música, meditativa e experimental, situa-se num lugar só seu onde convivem tradição magrebina, canções folclóricas norueguesas (o nu-jazz escandinavo é uma das suas principais influências) e explorações sonoras contemporâneas de várias naturezas.

Depois de experiências eletrónicas em anos anteriores, o quarteto que traz a Sines traduz na formação a preferência que tem vindo a mostrar recentemente pelo jazz acústico, sendo acompanhado ao piano pelo estónio Kristjan Randalu, no baixo pelo canadiano Chris Jennings e na bateria pelo holandês Chander Sardjoe.

Tem cinco discos gravados, o último dos quais, “Abu Nawas Rhapsody”, editado em 2010.

O FESTIVAL

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição acontece nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Mari Boine (Noruega – Povo Sami), JuJu (Gâmbia / Reino Unido), Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Gurrumul (Austrália – Cultura Aborígene), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue), Narasirato (Ilhas Salomão) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

O FMM Sines 2012 é cofinanciado por fundos FEDER / União Europeia no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013.

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28 março, 2012

Gurrumul e Narasirato no FMM de Sines 2012


E mais dois grandes nomes para o FMM Sines 2012, a juntar a todos os outros já conhecidos, com os blues aborígenes de Gurrumul (na foto) e a música tradicional das Ilhas Salomão, via Narasirato. O comunicado:

«Gurrumul e Narasirato representam Oceania no FMM Sines 2012

O cantautor Gurrumul foi considerado a voz mais importante da Austrália contemporânea pela revista Rolling Stone. O grupo Narasirato é o embaixador da música tradicional das Ilhas Salomão nos palcos do mundo. Estão confirmados no programa do 14.º FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, que decorre em Sines, no final de julho.

GURRUMUL (AUSTRÁLIA – CULTURA ABORÍGENE)

O músico Geoffrey Gurrumul Yunupingu é o maior fenómeno da música australiana dos últimos anos. A revista Rolling Stone não hesitou em trazê-lo para a sua capa intitulando-o “a voz mais importante da Austrália” e o Sydney Morning Herald designou-o a maior voz que aquele país alguma vez gravou.

Cantor, guitarrista, pianista e autor, Gurrumul nasceu cego no seio do clã Gumatj, na ilha Elcho, junto à costa norte da Austrália.

De grande riqueza melódica, harmónica e emocional, a sua voz e as suas canções sobre a identidade aborígene comoveram o público australiano e internacional e conseguiram fazer de um artista de perfil “anti-celebridade” um artista capaz de vender meio milhão de discos em todo o mundo, como aconteceu com o seu álbum de estreia, “Gurrumul” (2008).

“Rrakala”, o seu segundo álbum, lançado em 2011, tem sido recebido com o mesmo entusiasmo pelo público e pela crítica.

É com orgulho que o FMM Sines anuncia que será no seu palco que Gurrumul dará o seu espetáculo de estreia em solo português.

NARASIRATO (ILHAS SALOMÃO)

O grupo Narasirato representa o melhor da música com ligações ao um modo de vida, uma tradição e uma paisagem.

A formação, iniciada em 1991 e reformada em 2008, é composta por um grupo de pescadores e agricultores originários do povo Are’are de Malaita, uma das mais de 1000 ilhas do diversificado arquipélago de Salomão, no Pacífico Sul.

As suas canções têm como temas a natureza e a memória dos antepassados, mas também preocupações contemporâneas, como a subida dos oceanos, consequência do aquecimento global, que está a pôr em causa a sobrevivência de muitas comunidades (por vezes países inteiros) no Pacífico.

As principais componentes da sua música são as flautas de bambu, várias percussões tradicionais e as harmonias vocais. Os instrumentos são, na sua maioria, fabricados à mão.

Em palco, cobertos por vestuário e pinturas corporais tradicionais, fazem música de grande poder rítmico e festivo capaz de pôr a dançar gente de todas as “tribos” estéticas (não foi por acaso que grandes festivais de rock europeus como Glastonbury e Roskilde os incluíram nos seus alinhamentos em 2011).

Depois do EP ao vivo “Tangio Tumas”, editado em 2011, lançam em breve “Warato’o”, o seu primeiro disco de longa duração.

O FESTIVAL

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição acontece nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Mari Boine (Noruega), JuJu (Gâmbia / Reino Unido), Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

O FMM Sines 2012 é cofinanciado por fundos FEDER / União Europeia no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013.

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Memórias de Cesária em Serpa e Gwendal em Sendim


Olhem só as duas recentes (e belas) notícias que o camarada Luís Rei tem nas suas Crónicas da Terra:


«Homenagem a Cesária Évora passa pelo Encontro de Culturas de Serpa

A IX edição do Encontro de Culturas de Serpa, que decorre este ano entre 2 e 17 de Junho, recebe, dia 8, o espectáculo de homenagem a Cesária Évora. Reunião de antigos membros da banda com as vozes de Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora.

O espectáculo produzido pelo antigo amigo e editor da diva dos pés descalços, José da Silva, das editoras Harmonia e Lusafrica, foi estreado este mês em Cabo Verde, durante a cerimónia de renomeação do aeroporto Internacional do Mindelo na Ilha de Sal ao qual foi atribuido o nome da malograda cantora, bem como inaugurada uma estátua de três metros de altura, da autoria do artista cabo-verdiano Domingos Luísa.

Serpa terá pois a honra de receber esta homenagem musical que deverá também passar por Lisboa e correr mundo.

A programação dos Encontros de Cultura de Serpa é a seguinte:

Praça da República

Espetáculos musicais com início sempre às 21h30

Dia 7, quinta-feira
Espetáculo enREDE . Portugal, Espanha, Cabo Verde, Brasil . Produção de Malu Aires

Dia 8, sexta-feira
Homenagem a Cesária Évora . SEMBA/COLADERAS/MORNAS. Cabo Verde
Com Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora

Dia 9, sábado
Zeca Baleiro . MPB. Brasil

Dia 10, domingo
Dia do Cante . CANTE ALENTEJANO. Portugal

Dia 13, quarta-feira
Magic Slim & The Teardrops BLUES. EUA

Dia 14, quinta-feira
Otava Yo . . Rússia

Dia 15, sexta-feira
Camané .FADO. Portugal

Dia 16, sábado
Virgem Suta . CANÇÃO POPULAR . POP . Portugal

Dia 17, domingo
Luz Casal . Espanha»


«Gwendal e Nuevo Mester de Julgaria no Intercéltico de Sendim

O Intercéltico de Sendim, que celebra este ano a sua 13ª edição, realiza-se entre os dias 3 e 5 de Agosto. Aos habituais dois dias de animação folqueira com seis espectáculos no Parque das Eiras, adiciona-se mais uma noite de tradição mirandesa. Cortesia da Comissão Festas de Santa Bárbara 2012 e a Associação de Pauliteiros de Sendim.

Programa principal:

sexta-feira, dia 3 de Agosto


Nuevo Mester de Julgaria (Castela / Espanha)
Le vent du Nord (Quebeque / Canadá)
Toques do Caramulo (Águeda)
Sábado, dia 4 de Agosto


Gwendal (Bretanha / França)
Assembly Point (Portugal, Galiza, Irlanda)
Realejo (Coimbra)
Domingo, dia 5 de Agosto


Lenga- Lenga
Trasga
La Çaramontaina
No Facebook da organização do Intercéltico é possível ler o seguinte:

A décima terceira edição do Festival Intercéltico de Sendim ficará desde logo marcada pelos concertos de dois grandes grupos da folk europeia que são verdadeiras instituições musicais, com um longo trajecto de permanência activa na frente cultural: GWENDAL (grupo proveniente da Bretanha francesa, a celebrar 40 anos de vida!…) e NUEVO MESTER DE JUGLARIA (fundados em finais de 1969, oriundos das vizinhas terras de Castilla y Léon). Duas apostas fortíssimas, às quais não podemos deixar de acrescentar a vinda de um dos mais aclamados grupos no que se refere a concertos ao vivo, os LE VENT DU NORD (vindos das longínquas paragens do Quebéc canadiano). Bem menos remotas mas bastante diversificadas são as terras de origem dos elementos do grupo ASSEMBLY POINT (Portugal, Galiza e Irlanda), numa “mistura” musical verdadeiramente explosiva. E, para representarem a folk portuguesa, nada mais nada menos do que dois grupos da respectiva frente de excelência: os REALEJO e os TOQUES DO CARAMULO.

Mas os concertos vão acontecer também fora do Parque das Eiras, como será, por exemplo, o caso da verdadeira embaixada musical mirandesa que se apresentará na noite de domingo (5) no Largo da Igreja – TRASGA, LENGA-LENGA e LA ÇARAMONTAINA –, numa noite mirandesa inteiramente gratuita organizada pela Mordomia de santa Bárbara 2012!

Numa Taberna dos Celtas totalmente remodelada, acontecerão os inefáveis encontros sob o signo das gaitas – com gaiteiros e gaiteiricos (que continuarão a apresentar-se, como de costume, no convívio no Largo da Igreja), evocações e homenagens, lançamentos de discos e de livros, exibição de filmes… Mas não faltarão as caminhadas pelas arribas – La Ruta de ls Celtas – os bailes mirandeses na Praça (sob a batuta do grupo Lenga-Lenga), a leitura integral de Ls Lusiadas, (assim, em mirandês, com gravação para futura edição fonográfica), a missa intercéltica (dita em mirandês, com toques tradicionais de fraita e tamboril). E um festival ibérico de danças de pauliteiros (organizado pela Associação de Pauliteiros de Sendim).

É assim em Sendim: a festa acontece em tons maiores de celebração. E, em 2012, com mais um dia para… o que der e vier!»

22 março, 2012

Kimmo Pohjonen, Blowzabella e Riccardo Tesi no Festim 2012


Anuncia-se mais um belo Festim para os próximos tempos e com mais um elenco de luxo: o acordeonista-maravilha Kimmo Pohjonen (na foto), os históricos Blowzabella e um habitué das organizações d'Orfeu (e padrinho putativo do cão-mascote desta associação cultural) Riccardo Tesi. O comunicado:

«Festim anuncia datas e os primeiros nomes da 4ª edição!

http://www.festim.pt/



1 de Junho a 26 de Julho: eis as datas da 4ª edição do “Festim - festival intermunicipal de músicas do mundo”, rede partilhada entre os municípios de Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga, numa iniciativa da d’Orfeu Associação Cultural. Estão já confirmados concertos de Riccardo Tesi & Banditaliana (Itália), Kimmo Pohjonen (Finlândia) e Blowzabella (Inglaterra) na programação do Festim 2012, num total de sete grandes nomes e vinte concertos.

O Festim tem vindo a consolidar-se como uma referência na programação cultural em Portugal, tendo já passado pelos seus palcos, desde 2009, nomes como Hermeto Pascoal, Kepa Junkera e Carlos Núñez, entre muitos outros, dos cinco continentes. Um evento que se destaca pelo seu singular modelo de programação em rede, unindo sinergias intermunicipais para uma festiva viagem à diversidade.

A par do crescente reconhecimento no país, o Festim é o mais recente membro do “European Forum of Worldwide Music Festivals”, tornando-se o único festival português a figurar neste organismo à escala europeia, com as respectivas oportunidades de programação a reflectirem-se já na edição de 2012.

Toda a programação do Festim 2012 estará brevemente disponível em http://www.festim.pt, sítio oficial do festival. O melhor das músicas do mundo vai celebrar-se de 1 de Junho a 26 de Julho, em Águeda, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Ovar e Sever do Vouga. Vem aí um mais grande festim!

http://www.dorfeu.pt/
http://dorfeu.blogspot.com/
http://www.facebook.com/dOrfeuAC»

Uma (Enorme) Homenagem da Galiza a José Afonso


Os nossos irmãos e irmãs da Galiza não esquecem a vida e obra de José Afonso -- que tantas vezes actuou lá e lá deixou tantos amigos -- e este super-concerto que se aproxima é mais um exemplo de como os galegos continuam a mantê-lo bem vivo na sua memória. O propósito é celebrar os 40 anos sobre a estreia ao vivo de «Grândola, Vila Morena» -- na Galiza, exactamente. O comunicado:

«Artistas galegos rendirán tributo a Zeca Afonso nun festival multicisciplinar, colaborativo e autoxestionado

• Máis de 30 actuacións e de 100 artistas conformarán o festival Terra da Fraternidade, que terá lugar o 10 de maio no Auditorio de Galiza
• Conmemóranse os 40 do estreo público da canción Grândola, Vila Morena en Santiago de Compostela

Santiago, 22 de marzo. Un grupo de artistas galegos, co apoio de compañeiros portugueses e brasileiros, farán o 10 de maio no Auditorio de Galiza a súa particular homenaxe ao cantautor portugués Zeca Afonso e a canción Grândola, Vila Morena, himno dunha xeración e dunha revolución.
Esta mañana no parque Zeca Afonso de Santiago presentouse o cartel do festival Terra da Fraternidade, composto por máis de 30 actuacións e 100 artistas que colaboran de forma gratuita nesta homenaxe. Terra da Fraternidade é unha gala colaborativa, multidisciplinar e chea cariño cara o cantautor portugués.
Na presentación pública estiveron arroupando o proxecto, un dos seus creadores Xoán Quintáns, de Caramuxo, a cantante Uxía, o cantante Xurxo Souto, o paiaso Fran Rei e o deseñador de moda Gonzalo Vázquez.

O 10 de marzo de 1972, Zeca Afonso interpretou por primeira vez en público a súa canción Grândola, Vila Morena, no Burgo de Santiago de Compostela. De seguida esta melodía converteuse no símbolo da loita contra a dictadura e do compromiso social dos artistas. Ainda que este 2012 tamén se conmemora o 25 aniversario da morte de Zeca Afonso, este grupo de creadores optou por celebrar o seu valor e a súa arte, máis que o súa desaparición.
“Como dicía Díaz Pardo, Galiza é un soño e para nós Terra da Fraternidade é tamén un soño colectivo. Un acto autoxestionado, que naceu da base e onde están involucrados todos os sectores culturais do pais”, enfatizou Xoán Quintáns.

Máis de 100 artistas, entre músicos, poetas, escritores, actores, cineastas, artistas cincenses ou deseñadores decidiron emprender este proxecto común, vencellados todos eles por un espírito colaborativo e horizontal, o mesmo que Zeca Afonso demostrou durante a súa vida. Non hai empresas polo medio, só xente a título persoal que se suma a causa. Un amigo tras outro amigo.
“A idea facía tempo que a tiñamos, pero foi tomando forma gracias ao aporte de todas as persoas que decidiron colaborar con esta gran festa”, afirma Xoán Quintáns, o creador do festival xunto a Bea Bugalho.
Os artistas aportar o seu talento de forma gratuita, para demostrar que as cousas poden facerse igual de forma autoxestioanda, sen necesidade do aporte de fondos públicos ou privados. Neste festival, a organización só abonará o aluguer do Auditorio, a xestíón das entradas e a impresión do material promocional.
Uxía asegurou que é de xustiza farcelle unha nova homenaxe a Zeca Afonso e amosou a súa ledicia por poder participar activamente nunha actividade coma esta. “Grândola Vila Morena é o himno máis fermoso que se fixo a unha revolución”, engadiu. Uxía destacou o carácter diverso e interxeracional dos artistas que participarán na gala, acompañados polas bandas Utopía e Fura Fura. Tamén terá unha presenza destacada o sobriño de Zeca Afonso, Joao Afonso, encantado de participar nesta celebración.

Os artistas que forman parte do cartel e que donan o seu talento a este homenaxe son: Quico Cadaval, Banda Utopía, García e Leo, Joao Afonso, Ugía e Fred Martins, Guadi Xabier e Guille Fernández, Tiago Gomes, Ico e Xurxo Souto, Carlos Blanco, Budiño, Ses e Bocixa, Ze Rui, Trópico de Grelos, Aline Frazao, Fran Pérez, Uxía, Sergio Tannus, Vituco, Adrián Beiroa, Najla Shami, Brais Morán, Chévere, Banda Fura Fura e os 7 Magníficos máis 1... e moitas sorpresas máis.

Ainda que no cartel só figuran os artistas do ámbito da música, hai moitos outros que aportarán o seu talento a festa. Tanto Fran Rei coma Gonzalo Vázquez destacaron a importancia de que a este festival se convidase a disciplinas como o circo, a moda e a literatura, que complementan a homenaxe musical.

Xurxo Souto e Peter Punk, de Pallasos en Rebeldía, agasallaron ao público presente cunha pequena actuación de música e de globoflexia para rematar a presentación.

A web www.terradafraternidade.com será a plataforma na que se poidan adquirir as entradas e os produtos de promoción. As entradas teñen un prezo único de 10 euros e pódense adquirir dende hoxe. Tamén editarase un xornal con textos de escritores galegos e portugueses, que poderá descargarse da web ou adquirirse impreso a 1 euro. Os xornais Praza Pública, Sermos Galiza e Diovo colaboran con este proxecto.

A gala, que terá unha duración aproximada de dúas horas, transmitirase en streaming por Internet para que as persoas que non teñan a oportunidade de acudir a festa, poidan presenciala en directo on line. Os organizadores pretenden que sexa un transcurrir de actuación de distintos ámbitos, sen presa, pero sen pausa. Á música folque, sucederalle un poema, para continuar cunha presentación circense, cun pase de moda ou cunha actuación de rock. Os músicos compartirán escenario, misturaranse uns cos outros, compartirán letras, instrumentos e equipo, para facer do 10 de maio do 2012 una gran festa da cultura galega e portuguesa. Unha unión fraternal, como eles cren teríalle gustado ao propio Zeca Afonso. “Zeca Afonso dicía que Galicia tamén era a súa patria, pero a verdade é que para moitos galegos a música de Zeca tamén e símbolo da súa patria”, rematou Xurxo Souto.

Máis información:
Organización/Xoán Quintáns: 645842160
Organizacíón/Uxía Senlle 609061806
Comunicación/Lorena Seijo: 616054138
Correo: terradafraternidade@gmail.com
Web: www.terradafraternidade.com
Facebook: www.facebook.com/terradafraternidade
Twitter:@dfraterna_terra»

20 março, 2012

XIII Fest-i-Ball -- A Bailar no Braço de Prata


Até os dedinhos dos pés já se retorcem todos! Veja-se só o comunicado:

«XIII FEST-i-BALL
aonde há festa, há baile...

22 a 25 de Março - Fábrica Braço Prata, Lisboa
PROGRAMA DO XIII FEST-i-BALL
(sujeito a alterações)

Quinta, 22 Março

Concer-Trad
22H00: CAPAGRILOS - Sala 3
23H30: DJ MATi@S - Sala 3

Sexta, 23 Março

Concer-Trad
22H00: ASSOBIO - Sala 1
23H00: Ó ÁI D IR - Sala 3

Ball-Trad
22H30: GIRASOL - Sala 4
24H00: TRÈS TRISTES TRILOS - Sala 2
01H00: PARASOL (fra) - Sala 4

Sábado, 24 Março

Ball-Dados
14H30: Danças de Leste | Hilde Van Hemelrijck - Sala 4
15H00: Danças Gregas | Miguel Angel - Sala 2
16H00: Valsas Assimétricas | Gerard Godon - Sala 4
16H30: Danças Europeias | Rute Mar - Sala 2

Ball-Toques
15H00: Musica Ensemble | Mario Dias e Vitor Cordeiro - Sala 3

Contos
21H30: Histórias da Maré Viva | Maré Martinez - Sala 1

Documentários
21H30: Documentários - Sala 3

Ball-Trad
22H00: FROL - Sala 2
22H30: UXU KALHUS - Sala 4
24H00: PARASOL (fra) - Sala 2
01H00: MARTINA QUIERE BAILAR (esp) - Sala 4

Domingo, 25 Março

Ball-Dados
14H30: Búlgaras | Marlene - Sala 4
15H00: Mixers | Hilde Van Hemelrijck - Sala 3
16H00: Escocesas | Roger & Sue Picken - Sala 4
17H30: Pilates | Alexandra Amorim - Sala 1

Ball-Trad
15H00: BAILE DAS CRIANÇAS - Sala 2
18H30: SÈRGIO COBOS - Sala 4

Legenda de Salas:
Sala 1 - Sala Nietzsche
Sala 2 - Sala Eduardo Prado Coelho
Sala 3 - Sala Visconti
Sala 4 - Sala Wittgenstein (1º Andar)

:::::::::::::::::::::::::::::::

Preços & Horários do FEST-i-BALL:

Quinta, 22 Março
Noite: 22H00 às 02H00 - 5 Balls

Sexta, 23 Março
Noite: 22H00 às 04H00 - 12 Balls

Sábado, 24 Março
Dia+Noite: 14H30 às 04H00 - 20 Balls
Noite: 22H00 às 04H00 - 12 Balls

Domingo, 25 Março
Dia: 14H30 às 20H00 - 12 Balls
Baile das Crianças: 15H00 às 17H00 - 6 Balls
Baile: 18H30 às 20H00 - 6 Balls

Bilhete Geral
De 22 a 25 de Março (4 noites+2 dias): 40 Balls

info/organização: www.tradballs.pt»

14 março, 2012

Mari Boine e JuJu Também em Sines


Soma e segue! O FMM de Sines 2012 tem mais dois pesos-pesados confirmados: a cantora e activista sami Mari Boine (na foto) e o o projecto JuJu, de Justin Adams e Juldeh Camara. O comunicado:

«Mari Boine e JuJu confirmados
no FMM Sines 2012

Uma das maiores figuras da folk europeia e um dos projetos de fusão mais interessantes da música atual enriquecem o programa do festival de referência da “world music” em Portugal.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2012, a realizar em julho próximo em Sines, Alentejo Litoral, tem a presença confirmada de Mari Boine (Noruega – Povo Sami) e JuJu (Gâmbia / Reino Unido).

MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)

Mari Boine é uma das cantautoras mais importantes da folk europeia das últimas três décadas.

Nascida em 1956, numa pequena aldeia da regiões árticas da Noruega, esta antiga professora estreia-se na música no início dos anos 80 com a motivação principal de divulgar a cultura dos Sami, povo nativo, de cultura animista pré-cristã, do norte da Escandinávia.

O seu álbum de estreia, “Jaskatvuođa Manná”, é editado em 1985, mas é com “Gula Gula”, lançado em 1989, que se destaca nos panoramas musicais norueguês e internacional. A sua discografia conta atualmente com cerca de uma dezena de álbuns, o último dos quais “Sterna Paradisea”, lançado em 2009.

Cantora e percussionista, a música de Mari Boine é um cruzamento entre tradição Sami (em especial o estilo de canto “joik”), jazz, eletrónica e rock contemporâneo.

No FMM Sines, Mari Boine será acompanhada em palco por uma formação que acentua o lado mais “extrovertido” da sua música, com Kjetil Dalland (baixo), Ole Joern Myklebust (trompete), Roger Ludvigsen (guitarra e percussão) e Aage Gunnar Augland (bateria e percussão).

JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)

JuJu é um dos projetos mais importantes da música de fusão na atualidade.

O seu coração é a dupla formada por Juldeh Camara (Gâmbia), mestre do violino de uma corda “ritti” e vocalista poderoso, e Justin Adams (Reino Unido), guitarrista de Robert Plant e produtor dos Tinariwen, veterano dos cruzamentos do rock com a música africana.

O seu primeiro disco em conjunto, “Soul Science” (2007), que trouxeram ao FMM Sines em 2008, venceu o prémio de “world music” da BBC Radio 3 na categoria "Cruzamento de culturas", e o segundo, “Tell No Lies” (2009), ganhou o prémio da mesma categoria dos Songlines Music Awards.

Em 2011, a banda reforçou-se na secção rítmica com Billy Fuller (baixo) e Dave Smith (bateria e percussões) e passou a dedicar-se a longas peças de música de transe onde confluem origens africanas, do jazz, do dub reggae e do rock psicadélico.

O disco que regista esta nova dimensão, mais hipnótica, da dupla Adams / Camara é
“In Trance” (2011), aclamado pela crítica (publicações como o The Guardian ou a Songlines deram-lhe 5 estrelas em 5, por exemplo) e prenúncio de um dos concertos mais explosivos da edição de 2012 do festival.

O FESTIVAL

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

Mais informações

www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»

24 fevereiro, 2012

Fatoumata Diawara, Bombino e Jupiter & Okwess International no FMM de Sines


A juntar a Oumou Sangaré & Béla Fleck e Hugh Masekela, há mais três nomes confirmados para FMM de Sines 2012, ainda com o azimute virado a África: Fatoumata Diawara (na foto, de Phil Sharp), Bombino e Jupiter & Okwess International. O comunicado:

«A nova geração de África está em Sines, com Fatoumata Diawara, a jovem estrela da música do Mali, e o “bluesman” do deserto Bombino. Jupiter & Okwess International representa uma das mais ricas e sofisticadas nações musicais do mundo, a República Democrática do Congo.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2012, a realizar em julho próximo em Sines, Alentejo Litoral, tem a presença confirmada de Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

FATOUMATA DIAWARA (MALI)

A cantautora Fatoumata Diawara é a nova estrela da música do Mali, na grande tradição de divas daquele país como Oumou Sangaré (que volta ao FMM Sines este ano, com o norte-americano Béla Fleck) e Rokia Traoré (que se estreou em Portugal também neste festival, em 2004).

Nascida em 1982, começa a sua carreira como atriz, primeiro no Mali, e depois em França, para onde emigra aos 20 anos. É durante as suas digressões teatrais que começa a cantar, ainda sem a pretensão de enveredar pela música como principal ocupação. Passado pouco tempo a atuar nos bares e clubes parisienses, viaja com Cheikh Tidiane Seck ao Mali, onde colabora no disco “Seya”, de Oumou Sangaré, e “Red Earth”, da cantora de jazz Dee Dee Bridgewater, vencedor de um Grammy.

De volta a França, integra o musical “Kirikou et Karaba”, compra uma guitarra e começa a aprender a tocar e a compor, bebendo da fonte inesgotável dos blues ancestrais da região de Wassoulou, entre outras influências.

O seu percurso de aprendizagem e amadurecimento culmina com a gravação do EP “Kanou” e do seu álbum de estreia, “Fatou”, editado em setembro de 2011 pela World Circuit, uma das editoras mais prestigiadas da “world music”.

A sua voz suave e a delicadeza acústica das suas composições colocam-na na linha da frente da música africana contemporânea e fazem dela uma das mais requisitadas artistas do continente na atualidade.



BOMBINO (NÍGER – CULTURA TUAREGUE)

Nascido em 1980 numa família de pastores nómadas tuaregues da região de Agadez, no Níger, Omara Moctar, mais conhecido como Bombino, é um dos mais importantes cantores, guitarristas e compositores do Sahara e do Sahel.

Agadez é uma das regiões mais pobres de África e, nas últimas duas décadas, tem estado no centro das lutas independentistas dos tuaregues. Nos anos 90, durante uma dessas rebeliões, a sua família exila-se na Argélia, onde Bombino aprende a tocar guitarra, influenciado por músicos como Ali Farka Touré, Jimi Hendrix, entre outros.

A sua carreira começa como cozinheiro e trovador, viajando com grupos de turistas que visitavam as dunas do deserto perto de Agadez. Em 1998, integra o grupo Tidawt e, em 2004, estreia-se em disco com “Agamgam”.

“Agadez”, o seu segundo disco, com edição Cumbancha, lançado em 2011, mostra um artista na plena posse das suas capacidades criativas e interpretativas. O seu som, entre os blues, o rock e a música tradicional tuaregue segue o caminho aberto por bandas como Tinariwen e Tartit (ambas já presentes em edições passadas do FMM) na divulgação da nova música do coração do deserto.

JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL (R. D. CONGO)

Depois de Konono n.º 1 (2005), Kasaï Allstars (2009), Staff Benda Bilili (2010) e Congotronics vs Rockers (2011), a presença de Jupiter & Okwess International em Sines é mais um contributo do FMM para mostrar em Portugal a música popular, ao mesmo tempo fundada na tradição e profundamente moderna e experimental, da República Democrática do Congo.

Jupiter Bokondji nasceu em Kinshasa, há 50 anos, numa família de “griots” da região de Mongo, e desde cedo acompanhou a avó, curandeira tradicional, tocando percussões em funerais e casamentos.

Em adolescente, passa algum tempo em Berlim-Leste, onde o seu pai trabalhava no corpo diplomático. Nessa cidade descobre a música ocidental e forma uma primeira banda onde junta as percussões Mongo a guitarras de rock.

Quando, aos 20 anos, volta a Kinshasa, ganha a vida como músico em funerais e em várias orquestras locais, ao mesmo tempo que viaja pelo seu país à procura de novos sons. A pouco e pouco, constrói o estilo musical a que chamou “Bofenia Rock”, cruzamento entre o tribal e ancestral e o urbano e cosmopolita.

Em 2004, conhece os cineastas franceses Renaud Barret e Florent de la Tullaye, os mesmos que descobriram os Staff Benda Bilili. Renaud e Florent registam as aventuras musicais de Jupiter no filme documentário “The Dance of Jupiter” (2007) e tornam-no conhecido em todo o mundo.

O seu primeiro disco com edição internacional, “Hotel Univers”, totalmente elétrico, será lançado em março de 2012.

Apresenta-se no FMM Sines com a orquestra Okwess International, composta por músicos de 11 províncias diferentes do Congo.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA) e Hugh Masekela (África do Sul).


Mais informações

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23 fevereiro, 2012

José Afonso -- 25 Anos Depois...


Passam hoje 25 anos redondos sobre a morte de José Afonso e algumas celebrações estão agendadas para hoje e para os próximos dias. Um "cheirinho" tirado do jornal Público:

«José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, em Setúbal, onde morava. Sofria de esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa progressiva e fatal que o afastou dos palcos a partir de 1983. Os derradeiros concertos foram os dos coliseus de Lisboa e Porto. Galinhas do Mato, de 1985, é o seu último álbum, que teve de ser completado pelos amigos José Mário Branco, Sérgio Godinho, Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já muito debilitado, ainda apoiou a candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo.

A maior parte das iniciativas publicitadas pela AJA acontecem no dia 23, quinta-feira. A própria associação preparou um espectáculo de celebração da obra de José Afonso para Lisboa. Terá lugar na Academia de Santo Amaro, em Alcântara, às 21h. A apresentação estará a cargo do encenador Hélder Costa (que partilha a direcção de A Barraca com Maria do Céu Guerra) e contará com nomes de palco como Francisco Fanhais, Zeca Medeiros, Francisco Naia, Pedro Branco ou Couple Coffee.

Também em Lisboa, mas mais cedo (18h), no espaço da Cidade Universitária da Biblioteca-Museu República e Resistência, o jornalista e escritor Viriato Teles vai promover uma sessão de evocação. Recordar José Afonso é a palavra de ordem e é o mesmo que se fará em Setúbal, no La Bohème, a partir das 22h, com António Galrinho e Rui Lino a lerem 25 poemas de “Zeca”.

Ainda na quinta-feira, em Braga, o Theatro Circo abre as portas a um tributo conjunto: de José Afonso e de Adriano Correia de Oliveira, cujo desaparecimento aconteceu há 30 anos (a 16 de Outubro). Com apresentação e declamação de Camilo Silva e Maria Torcato, o Canto D’Aqui convidou vários artistas para subir ao palco nessa noite (21h30) e na próxima, para o mesmo espectáculo.

No dia 24, sexta-feira, o itinerário passa pelo Seixal e pelo Barreiro, à hora de jantar. No Seixal, Luís Pires, Pedro Branco, Vítor Sarmento actuam no restaurante O Bispo. No Barreiro, a associação “Grupo dos Amigos do Barreiro Velho” vai ao restaurante O Pial mostrar como as canções de José Afonso “mantêm toda a actualidade”, 25 (ou mais) anos depois. “Zeca Afonso sempre esteve e continua a estar com os que lutam por um mundo melhor”, lê-se no convite.

Por fim, Barcelona. A capital catalã vai acolher dois concertos no L’Auditori, a 25 de Fevereiro e a 3 de Março. O primeiro será da responsabilidade dos Drumming, grupo português de percussão com sede no Porto. O segundo é do projecto “20 canções para Zeca Afonso”, que propõe “um novo olhar sobre a música” do autor de Grândola, Vila Morena.»

Mais pormenores e outras homenagens no site da Associação José Afonso, aqui.

Helder Moutinho Selecciona... no Vinyl


O fadista Helder Moutinho é o programador do Vinyl -- espaço situado em Alcântara -- para os próximos dias. A selecção é excelente... e assim houvesse muitos mais espaços e programadores. O comunicado:

«A proposta de Helder Moutinho, programador do Vinyl para o mês de Fevereiro, é uma viagem à denominada “Música do Mundo”, reflectindo as viagens, as influências e as culturas mais representativas de algumas regiões do mundo lusófono. Além dos vários concertos com voz que Helder Moutinho programou para o Vinyl, vai haver também concertos instrumentais, por toda a cumplicidade que têm com a “música do mundo lusófono”.


23 | Quinta-feira
Início do Espectáculo: 22h30

ATLANTIHDA

A história dos Atlantihda é contada por seis músicos e uma fadista. Oriundos dos mais distintos géneros musicais, os Atlantihda viajaram pelo mundo da música nacional e internacional, absorvendo várias influências para se encontrarem num projecto que acabaria por ligar a música de raiz tradicional e rural, com aquela que é a nossa música popular urbana: O Fado. Também aqui se encontram a guitarra braguesa, os adufes, as formas, as melodias e os ritmos que todos vieram a adquirir nas suas “Viagens”, mas numa atitude consciente de que se pode fazer música de raiz popular (escrita ou não), usando uma linguagem contemporânea que parte das vivências de músicos dos nossos dias (…) criando assim “Uma canção genuinamente portuguesa”.


24 | Sexta-feira
Início do Espectáculo: 22h30

HELDER MOUTINHO & OS FADISTAS (FADO)

Um Espectáculo de Fado com Arranjos de Daniel Schvetz para uma formação de Guitarra Portuguesa, Viola, Piano, um Quarteto de Cordas e um Contrabaixo. Baseado no repertório do Fadista Helder Moutinho, com alguns temas do panorama musical do Fado, criando ao mesmo tempo uma homenagem a alguns dos grandes interpretes de Fado no masculino.

Arranjos: Daniel Schvetz
Piano: Daniel Schvetz
Guitarra Portuguesa e Direcção Musical: Ricardo Parreira
Viola de Fado: Marco Oliveira
Quarteto de Cordas: Tempus Quarteto de Cordas
Contrabaixo: Miguel Menezes

25 | Sábado
Início do Espectáculo: 22h30


RITINHA LOBO


Ritinha Lobo (na foto) é a mais recente grande voz a emergir da respeitadíssima família Lobo, que leva já cinco gerações a dar à música cabo-verdiana alguns dos seus mais respeitados cantores. E o seu primeiro álbum a solo, “Jóia Creola”, fazendo justiça ao nome, é a revelação de uma autêntica pérola até aqui desconhecida da generalidade dos apreciadores de música. Com produção de Yami, “Jóia Creola” dá-nos a conhecer a esplendorosa voz de Ritinha Lobo, que interpreta aqui temas assinados por alguns dos mais respeitados compositores cabo-verdianos – Paulino Vieira, Orlando Pantera, Boy Gé Mendes e Ramiro Mendes --, originais de Yami e um axé do compositor brasileiro Lula Moreno.

29 | Quarta-feira
Início do Espectáculo: 22h30

COUPLE COFFEE

Norton Daiello (baixo) e Luanda Cozetti (voz) são a essência dos Couple Coffee, duo residente em Lisboa desde 2000 e com quatro álbuns gravados. Lançam em 2010 “Quarto Grão”, primeiro disco de originais e que marca a estreia de Luanda Cozetti como letrista ao lado de Tiago Torres da Silva. No Vinyl, e em duo, os Couple Coffee viajarão pelo reportório dos seus quatro discos - “Puro”, “C´As Tamanquinhas do Zeca”, “Young and Lovely – 50 Anos de Bossa Nova” e “Quarto Grão” – quando se preparam para entrar em estúdio brevemente para a gravação do quinto álbum, voltando às raízes; o diálogo entre o baixo de Norton Daiello e a voz de Luanda Cozetti. Um concerto intimista e arrebatador, a não perder!»

21 fevereiro, 2012

Mistico Mediterraneo: Esta Sexta, no CCB


É já esta sexta-feira, dia 24, que o CCB, em Lisboa, recebe um inesperado -- mas excitante -- projecto que junta o bandoneon de Daniele di Bonaventura, o trompete de Paolo Fresu (na foto, de Andrea Boccalini) e os mestres do canto polifónico corso A Filetta. O comunicado:


«MISTICO MEDITERRANEO leva-nos ao mais profundo da alma.
Passeio interior, reflexão íntima, sonoridades encantadoras e cativantes,
é uma das mais belas surpresas do ano.
LA DÉPÉCHE




Reunião improvável do conceituado trompetista de jazz Paolo Fresu, colaborador habitual de músicos como Ralph Towner, Uri Caine ou Carla Bley, com o bandoneon de Daniele di Bonaventura e com as vozes únicas dos cantores do grupo A Filetta, originário da Córsega.

Um hino ao Mediterrâneo e a tudo o que ele simboliza e uma homenagem de grande força e espiritualidade a esta mística e rica tradição popular, baseada na polifonia vocal destes extraordinários cantores e nos rasgos de lirismo bem característicos do trompete de Fresu.

Mistico Mediterraneo
ECM Lisbon Series
24 de Fevereiro 2012
CCB, Grande Auditório, 21h00
Paolo Fresu, trompete e fliscorne
A Filetta, vozes
Jean-Claude Acquaviva, seconda
Paul Giansily, terza
Jean-Luc Geronimi, seconda
José Filippi, bassu
Jean Sicurani, bassu
Maxime Vuillamier, bassu
Ceccè Acquaviva, bassu
Daniele di Bonaventura, bandoneón

SONGS OF THE ISLANDERS (Canções dos Ilhéus)

“Filetta” é uma palavra corsa que quer dizer “feto, filifolha”, e a perenidade dos fetos é uma boa metáfora para a resiliência da tradição defendida pelo grupo vocal A Filetta. O próprio grupo, com raízes na areia, no solo e na história da sua ilha de granito, é um vigoroso sobrevivente. Há mais de três décadas que A Filetta está no primeiro plano do ressurgimento da polifonia na Córsega.
O grupo tinha apenas um mês de existência, quando Jean-Claude Acquaviva se lhe
juntou, em 1978. Ele tinha então 13 anos, mas acabaria por se tornar o director do
agrupamento e o seu principal compositor e letrista. Se o impulso original para a
formação do grupo fora o de proteger um estilo vocal ameaçado, essas prioridades
foram há muito reformuladas. Entretanto, os A Filetta tornaram-se talvez o mais
conhecido expoente contemporâneo de uma linguagem polifónica corsa agora
florescente e estão empenhados no seu desenvolvimento através da criação de novas
peças. Não há no grupo nenhum museólogo nem nenhum purista das práticas de
execução histórica.
Acquaviva insiste que “considerar a tradição como um belo objecto que tem de ser
protegido seria uma ilusão absurda. A nossa tradição reflecte um povo vivo. Por isso, é importante resistir à tentação de uma mera duplicação daquilo que já foi feito.
Vivemos na música e a música vive em nós, e ela evolui através da criação, como
sempre aconteceu ao longo dos tempos. O que propomos nas nossas composições é
uma possível extensão desta estética vocal.”
No que diz respeito ao ciclo de canções que é Mistico Mediterraneo, Acquaviva afirma
que “estas peças reflectem fielmente a trajectória dos A Filetta ao longo dos últimos
vinte anos. Não só, naturalmente, uma música com raízes na tradição, mas também
uma música muito inspirada por inúmeros encontros com outras linguagens musicais,
‘étnicas’ ou não.” Consequentemente, e citando a musicóloga Caroline Bithell, o
cenário mudou da tradição oral para a cena mundial. A “estética vocal” corsa que
Acquaviva destaca, com os seus melismas e ornamentação instável, foi em tempos um
fenómeno puramente local. Hoje em dia, pode ser desfrutada por todo o planeta, e o
itinerário dos A Filetta nas últimas temporadas levou-os desde o Mediterrâneo até à
América do Sul, Japão, Escandinávia e Médio Oriente.
O encontro de Paolo Fresu com os cantores foi, todavia, “em casa”. Ele já não tem a
certeza do ano, “mas era o mês de Maio, com a murta e as estevas em flor” a exalarem
o seu aroma das charnecas, tranquilizadoramente familiares para um visitante vindo
da Sardenha como ele. O encontro de Fresu com a música provocou-lhe um outro tipo
de sobressalto de reconhecimento. A Sardenha tem também uma linguagem vocal em
que coexistem expressão refinada, fraseologia arcaica e pronúncia gutural – todas elas presentes na música corsa. No entanto, era igualmente evidente para ele que os A
Filetta tinham encontrado a sua própria maneira de abordar uma polifonia
contemporânea complexa, ao mesmo tempo que perseguiam antigas melodias
melismáticas pelos corredores do tempo. O equilíbrio dramático entre “novo” e
“velho” exerceu uma grande atracção sobre o trompetista que, no seu próprio
trabalho, gosta de reavaliar as relações com a tradição.
Em Outubro de 2006, Fresu e o bandoneonista italiano Daniele di Bonaventura, juntamente com dois outros improvisadores de jazz (o saxofonista André Jaume e o percussionista Philippe Biondi), foram convidados pelo encenador Francis Aïqui para um evento comemorativo no teatro L’Aghja em Ajaccio, na Córsega, tendo-se assim estabelecido uma base para futuras colaborações. Ao longo dos últimos quatro anos, os músicos têm vindo a apurar o ciclo de canções hoje conhecido por Mistico Mediterraneo, e Bonaventura passou a trabalhar com os cantores noutros contextos. Segundo Acquaviva, “a comunicação entre os músicos baseia-se em códigos um pouco diferentes dos de um contexto de jazz puro. As nossas intervenções cantadas são fixas e constituem a base a partir da qual o Paolo e o Daniele podem improvisar com grande liberdade.”
Neste sentido, o ciclo Mistico Mediterraneo pode ser considerado parte de um
contínuo histórico que se estende desde a abordagem de Miles Davis a Rodrigo e de
Falla em Sketches of Spain até à colaboração Garbarek/Hilliard em Officium, projectos
onde uma improvisação com raízes no jazz encontrou o seu espaço em contextos
ostensivamente “alienígenas”, quer se trate de arranjos de canções populares, música
de câmara ou música sacra. E, ao mesmo tempo que o fraseado de Fresu conserva
ainda ecos das suas influências formativas, Miles e Chet Baker, o seu trompete
transporta consigo o jazz, quer se erga acima dos cantores ou teça o seu caminho por
entre as linhas vocais.
Ao longo de todo o álbum, a parceria com Daniele di Bonaventura revela grande
sensibilidade. Na visão de Fresu do ciclo de canções, o bandoneonista do continente
(natural de Fermo, na região italiana de Marche) é o poeta dos perímetros, sugerindo
os seus sons “lugares distantes, partidas, desembarques”. Além de ser um colorista e
um definidor das margens das coisas, Bonaventura contribui com três composições
para Mistico Mediterraneo. O seu trabalho Gradualis tem letra de Jean-Claude
Acquaviva. Corale e Sanctus são duetos arrebatados para bandoneon e trompete.
As outras peças do ciclo provêm de uma grande variedade de fontes, que no seu
conjunto projectam algumas das preocupações dos A Filetta. Há aqui temas sacros e
seculares, peças que tocam a redenção espiritual ou a identidade nacional-cultural,
coisas do coração. As vozes ressonantes dos sete cantores (talvez mais no jogo de sons harmónicos) movem-se facilmente entre línguas - corso, francês, latim – e o significado emocional das canções transcende uma leitura literal dos textos.
De entre as composições de Acquaviva, Rex tremendae e Figliolu d’ella têm origem
num Requiem escrito em 2004, Di Corsica riposu, requiem pour deux regards,
executado pela primeira vez na Basílica de Saint-Denis, nos subúrbios de Paris.
U Sipolcru é um cântico criado para uma Paixão levada à cena em Calvi, no início da
década de 1990. Liberata provém de um documentário sobre o movimento de
resistência corso durante a Segunda Guerra Mundial. Os filmes têm sido um
importante meio de divulgação da mensagem dos A Filetta, e eles trabalharam com o
compositor parisiense de música para filmes, Bruno Coulais, nas bandas sonoras e
música incidental de uma dúzia de filmes e obras cénicas. O cântico Le lac, baseado
num mantra tibetano, foi composto por Coulais para o filme de Eric Valli, Himalaya,
l’enfance d’un chef (1999), enquanto Gloria e La folie du Cardinal são do filme de
Gabriel Aghions, Le libertin (2000). Três destas peças foram escritas para os A Filetta por Jean-Michel Giannelli, compositor de canto polifónico contemporâneo e ocasional instrumentista do grupo. Da tè à mè e Scherzi veranili têm textos do poeta corso Petru Santucci.»

Mais informações sobre cada um dos artistas e grupos envolvidos, aqui.

20 fevereiro, 2012

Urgente! Procura-se Mochila com CDs (ou Pistas)

Queridos amigos,

Como alguns dos leitores deste blog já sabem, na noite de sábado (por volta das quatro e meia), fui assaltado à porta de casa -- em Massamá -- depois de uma sessão de DJ no Povo, Cais do Sodré. Estou bem (não me agrediram), mas roubaram-me uma mochila cheia de CDs --. cerca de 50 a 60 --, todos originais, à exepção de um ou dois. Entre os CDs contam-se discos de fado e outra música portuguesa (Oquestrada, Real Combo Lisbonense...), inúmeras colectâneas de música africana, latino-americana e world music em geral, alguns discos de reggae (Bob Marley, Alpha Blondy, colectâneas), Manu Chao (dois), Freshlyground, Miriam Makeba, Rachid Taha, Caravane Palace, Amy Winehouse, La MC Malcriado, Os Tubarões, M.I.A., Major Lazer, Tom Jones, Marvin Gaye, etc, etc, etc... E, como era sábado de Carnaval, até coisas como "Sambas de Enredo", "Disco Fever", "Divas Exotica", "Como Fazer Strip Para o Seu Marido"... Se, por acaso, detectarem algumas coisas destas que chamem mais a atenção em lojas de discos em segunda mão (virtuais ou as Carbonos ou Cash Converters), na Feira da Ladra (onde eu irei amanhã) ou assim, digam-me por favor. E-mail: pires.ant@gmail.com

Muito obrigado, beijos e abraços e que Deus vos abençoe!!!

António

17 fevereiro, 2012

OuTonalidades: Inscrições Abertas!


Para pôr de sobreaviso os artistas e grupos interessados (na foto, de Alexandre Lima: Uxu Kalhus na edição do ano passado). Todos os pormenores:


«A 16ª edição do OuTonalidades começa agora!

ABERTO O PERÍODO DE INSCRIÇÃO DE GRUPOS
até 4 Março 2012

Está oficialmente aberto o período de inscrições para os grupos musicais, de todos os géneros, portugueses ou estrangeiros, que pretendam integrar a bolsa de espectáculos da 16ª edição do OuTonalidades, circuito de música ao vivo que vai dar novos tons ao próximo Outono português!

INSCREVE O TEU GRUPO ONLINE:
http://www.dorfeu.pt/outonalidades
- INSTRUÇÕES NO PDF ANEXO -

INSCRIÇÕES DE GRUPOS | Para os grupos que se inscrevem pela primeira vez, será necessário criar uma conta de utilizador no portal da d’Orfeu. Os grupos que já se registaram em edições anteriores poderão aceder à plataforma e simplesmente actualizar os dados (receberão, entretanto, um e-mail a relembrar o seu registo de acesso).

PROJECTO SUSTENTÁVEL | Nesta 16ª edição, o OuTonalidades persegue a sua sustentabilidade e introduz uma filosofia de participação contributiva. Cada inscrição de grupo terá uma jóia simbólica de 10€, com vista à viabilização deste projecto único e singular no panorama musical nacional. Instruções no decorrer da inscrição online.

NOVAS PARCERIAS | Depois de quatro edições em parceria com a Galiza (continuidade não confirmada para 2012), o circuito continua a consolidar-se na geografia nacional e acaba de estabelecer acordos com circuitos congéneres em França e na Bélgica, para intercâmbio de grupos. As oportunidades continuarão a surgir.

GRUPOS NACIONAIS E ESTRANGEIROS | O OuTonalidades continua também aberto a grupos não portugueses, desde que assegurem directamente as suas deslocações a Portugal. Uma vez programados, o circuito assegura iguais condições a grupos portugueses ou estrangeiros: cachet consoante escalão (máx 700€/concerto), jantares, alojamento e rider técnico.

Junta o teu grupo ao OuTonalidades 2012!
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Perante quaisquer dúvidas que surjam, contactar ou utilizar o formulário de esclarecimentos existente na plataforma online.

http://www.dorfeu.pt/
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16 fevereiro, 2012

Madredeus: Nova Formação e... O Regresso à Essência


Sejam bem-vindos de novo (e boa sorte para a Beatriz, que eu conheço desde bebé)! O comunicado oficial:

«Madredeus apresenta "Essência"
Celebrando o 25º aniversário


No ano em que o Madredeus celebra o 25º aniversário, estão previstas uma série de iniciativas:

O regresso do grupo com uma nova formação:
Beatriz Nunes - Voz
Pedro Ayres Magalhães - Guitarra Clássica
Carlos Maria Trindade - Sintetizadores
Jorge Varrecoso - Violino
António Figueiredo - Violino
Luis Clode - Violoncelo


Uma tour mundial - Primeiras confirmações:

14 de Abril | Centro Cultural e de Congressos | Caldas da Rainha | Portugal - Ante-estreia
16 Abril | Barbican Centre| Londres | Inglaterra
26 Abril | Is Sanat | Istambul |Turquia
27 Maio | Casa da Musica | Porto | Portugal - *bilhetes já à venda*
31 Maio | CCB |Lisboa | Portugal - *bilhetes já à venda*
12 Junho | Festival Rio Loco |Toulouse | França
13 Junho | Festival Rio Loco |Toulouse |França
09 Outubro | Konzerthaus | Viena | Austria
11 Outubro | Philharmonie | Luxemburgo | Luxemburgo
14 Outubro | Glocke | Bremen | Alemanha
20 Outubro | Philharmonie | Colónia | Alemanha
27 Outubro | Konzerthaus | Dortmund | Alemanha
30 Outubro| AVO Session | Basel | Suiça
01 Novembro | Prinzregententheater | Munique | Alemanha
Um novo disco:
"Essência" - a ser editado em Portugal a 2 de Abril pela Sony Music


Diz a metafísica que a essência de uma coisa se constitui das suas propriedades imutáveis, daquilo que permanece e que nada, nem o tempo, altera. Terá certamente sido com esta noção por perto que Pedro Ayes Magalhães escolheu a palavra Essência para título do novo álbum do Madredeus, uma colecção de treze canções seleccionadas de um cancioneiro de quase duas centenas que o grupo construiu ao longo de um quarto de século recheado de sucessos.
O sucesso do Madredeus, no entanto, não se pode medir apenas em números: nem de discos vendidos, nem de países arrebatados em incontáveis digressões, nem de ovações de pé ou até de prémios que procuraram distinguir o carácter profundamente único da música que o grupo foi oferecendo ao mundo nestes 25 anos. O sucesso pode também ser mensurável com outra régua - a que mede o alcance da música, a permanência na memória, a vocação universalista.
Jorge Varrecoso, violinista da Orquestra do São Carlos que agora integra também a nova formação do Madredeus, terá dado o primeiro passo na direcção desta Essência quando propôs a Pedro Ayres que se vestisse o repertório clássico deste ensemble com novos arranjos. Primeiramente para um novo espectáculo, que depois desembocou naturalmente neste novo registo.
A guitarra clássica de Pedro Ayres de Magalhães e os sintetizadores de Carlos Maria Trindade juntam-se então às cordas de Varrecoso e ainda António Figueiredo e Luís Clode. A voz de Beatriz Nunes foi a derradeira peça nesta nova equação de câmara proposta para a música do Madredeus. Trata-se, explica Pedro Ayres, de "recriar através de um novo ensemble: a melodia fica muito mais apoiada, mas preservámos muito, a melodia, o ritmo, as passagens harmónicas". Ou seja, a essência.
As treze músicas eleitas percorrem os registos Os Dias da Madredeus (1987), Existir (1990), Espírito da Paz (1994), O Paraíso (1997), Movimento (2001) e Metafonia (2008) detendo-se sobretudo na primeira década dos Madredeus. A selecção, que é afinal uma amostra da nova vida dos Madredeus em palco, recaiu sobre clássicos absolutos e tesouros um pouco mais secretos como "Ao Longe o Mar", "O Pomar das Laranjeiras", "Palpitação", "A Sombra", "A Confissão", "O Navio", "Coisas Pequenas" ou, entre outros temas, "Adeus e Nem Voltei".
São canções que representam o melhor do Madredeus, a essência profunda da sua magia singular que feita música conquistou o mundo. "As palavras", garante ainda Pedro Ayres, "não perdem nada e a Beatriz respeita a mise en scéne original das frases". Porque há de facto marcas imutáveis nesta música. O fundador e líder do Madredeus tem o cuidado de sublinhar o palco como "habitat natural" destas composições que foram sendo aperfeiçoadas ao vivo, através da sua execução em frente de culturas diferenciadas, através das múltiplas formas de apreensão, de fruição, de sentir que o Madredeus foi encontrando ao longo do seu percurso pelos cinco continentes.
Ou seja, Essência resulta da evolução histórica do Madredeus, de 25 anos de uma vida intensa, sobretudo em cima dos palcos. E Pedro Ayres fala da modernidade do reportório, de como todas as músicas se foram "tornando peças da nossa nave". Peças diferentes que cumprem diferentes papeis nesse drama essencial que a música do Madredeus contem, entre o apelo universal, o âmago português, as melodias e o passo que cada tema exige. De todos esses cruzamentos, emerge uma nova ideia para o Madredeus, que aqui revisita com uma nova alma um repertório que todos vão poder reencontrar sob outra luz e com um novo alento.


www.madredeus.com
www.facebook.com/MadredeusOfficial»

10 fevereiro, 2012

Sétima Legião Comemora 30 Anos com Digressão Nacional


E outra bela notícia!!! As datas já confirmadas são 29 de Abril na Casa da Música, Porto, e 4 de Maio no Coliseu de Lisboa O comunicado:

«A Sétima Legião regressa aos palcos, 30 anos depois de ter dado os primeiros passos que levaram o grupo a criar alguns dos mais memoráveis hits dos anos 80. O grupo promete agora, em 2012, revisitar todos os clássicos, dando especial atenção aos primeiros registos da sua celebrada discografia.
Foi em 1982 que a Sétima Legião surgiu no então agitadíssimo panorama musical português, apresentando uma visão singular da música sintonizada com as experiências mais avançadas da pop alternativa da época, mas sem esquecer a identidade portuguesa. 30 anos depois, a Sétima Legião de Pedro Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Leão (baixo e teclas), Nuno Cruz (bateria, percussão), Gabriel Gomes (acordeão), Paulo Marinho (gaita de foles, flautas), Ricardo Camacho (teclas), Paulo Abelho
(percussão, samplers) e Francisco Menezes (letras, coros) prepara grandes apresentações no Porto e Lisboa inseridas numa digressão de cerca de 10 datas com que pretendem assinalar o percurso efetuado. Trata-se do regresso de um grupo de amigos para quem a música foi sempre causa para celebração e resultado dessa mesma amizade.
Os Sétima Legião referem que o plano já existia há algum tempo e que sempre que a banda se reúne para tocar «para 100 ou 200 amigos naqueles concertos que fazemos para aí de dois em dois anos no Frágil» a ideia volta a ser colocada em cima da mesa. No momento em que as condições estão finalmente reunidas, celebram-se também três décadas passadas desde os primeiros passos do grupo, com Rodrigo Leão, Pedro Oliveira e Nuno Cruz.
A Sétima Legião deixou uma marca vincada na produção musical nacional dos anos 80 e 90. Esta digressão promete revisitar toda a discografia do grupo, mas o grupo revela que haverá um especial cuidado com os três primeiros álbuns do grupo, os clássicos A Um Deus Desconhecido (1984), Mar D’Outubro (1987) e ainda De Um Tempo Ausente (1989), os trabalhos que permitiram à Sétima Legião conseguir um lugar de destaque na cena musical nacional, graças ao sucesso de temas como «Sete Mares» ou «Por Quem Não Esqueci». O single inaugural da discografia do grupo, «Glória», com letra de
Miguel Esteves Cardoso, acabou ele próprio por ganhar um estatuto algo mítico com o passar do tempo depois de uma importante mas discreta edição com selo da Fundação Atlântica em 1983.
Os anos 90 foram igualmente importantes para a Sétima Legião, que lançou os álbuns O Fogo (1992), Auto de Fé (1994) e Sexto Sentido (1999). Os dois volumes d’A História da Sétima Legião e duas compilações de sucessos permitiram à banda manter-se firme na memória coletiva durante a década passada. A rádio, no entanto, nunca permitiu que a música do grupo se afastasse demasiado da memória, continuando a tocar os maiores clássicos do grupo até aos dias de hoje.
A Sétima Legião revela que paralelamente à digressão de 2012 deverá ter lugar uma reedição da obra completa do grupo, voltando assim a música que conceberam a marcar encontro com o presente. Uma música onde os ecos de Manchester e os sons próprios da portugalidade se combinavam de uma forma muito própria, contribuindo assim para a profunda originalidade que a música da Sétima Legião sempre foi capaz de oferecer, facto que em última análise justifica toda esta longevidade e culto fervoroso.
De assinalar que da Sétima Legião saíram músicos que se envolveram em projetos ímpares da música portuguesa como os Madredeus, Gaiteiros de Lisboa ou Cindy Kat, além claro, da notável carreira a solo de Rodrigo Leão..
30 anos depois, a Sétima Legião volta a encontrar-se em cima de um palco, com a sua música e com o seu público. Uma ocasião imperdível.»

09 fevereiro, 2012

Hugh Masekela, Béla Fleck e Oumou Sangaré no FMM de Sines 2012


Hurra! Já há três nomes -- e que nomes! -- confirmados para a edição deste ano do FMM, que decorre em dois fins-de-semana consecutivos de Julho: de 19 a 21 e de 26 a 28. O comunicado oficial:


«Uma lenda sul-africana, o músico que deu novos horizontes ao banjo e uma das mais importantes cantautoras de África confirmados na edição de 2012 do maior evento português de “world music”.

O primeiro conjunto de confirmações da 14.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é composto por três dos melhores representantes da música mundial com raízes na tradição.

O norte-americano Béla Fleck é considerado o melhor e mais inovador tocador de banjo da atualidade. Nascido em Nova Iorque em 1958, já aventurou o banjo em composições que vão do bluegrass à pop instrumental, ao jazz e à música clássica, com a sua banda The Flecktones ou em colaborações com músicos dos géneros mais variados. Ganhou 14 Grammys e foi nomeado para 30, sendo o artista nomeado para mais categorias diferentes na história deste prémio.

Uma das mais celebradas e internacionais cantoras e compositoras africanas, Oumou Sangaré (na foto, de Ed Alcock) é originária da região do Wassoulou, no sul do Mali. “Mulheres” (“Moussolou”), o título do seu primeiro disco a solo, gravado em 1989, foi um clássico instantâneo da música africana e um corajoso manifesto pelos direitos femininos, fio de continuidade em todo o seu trabalho, que já inclui a gravação de cinco discos a solo, o mais recente dos quais “Seya”, em 2009, nomeado para um Grammy. Vencedora do prémio de música da UNESCO em 2001, esteve presente no FMM Sines 2007, onde deu um dos concertos mais elogiados da 9.ª edição do festival.

Béla Fleck e Oumou Sangaré apresentam-se no palco do FMM Sines num projeto conjunto. A parceria entre os dois músicos teve início em 2005, quando Béla Fleck levou o banjo de volta às suas origens africanas e colaborou com alguns dos melhores músicos do continente. Dessa experiência resultou o documentário multipremiado "Throw Down Your Heart", vários discos e o projeto ao vivo que faz a sua estreia em Portugal no FMM.

Um dos discos resultantes desta colaboração de Béla Fleck com músicos africanos, "Throw Down Your Heart, Africa Sessions Part 2", com a participação de Oumou Sangaré, ganhou o Grammy para melhor álbum contemporâneo de “world music” em 2011.

UM GIGANTE AFRICANO EM SINES

O trompetista, cantor e compositor Hugh Masekela é um dos nomes históricos da música sul-africana, a par de lendas como Miriam Makeba e Ladysmith Black Mambazo.

Na sua música cruzam-se, entre outras, as tradições africanas e afro-americanas, sendo especialmente marcantes no seu som o jazz bebop, o afrobeat e o funk.

Exilado durante anos devido ao apartheid, a sua canção “Bring Him Back Home”, um apelo à libertação de Nelson Mandela, é um dos hinos da África do Sul moderna.

Ganhou dois Grammys, o primeiro pelo single “Grazing in the Grass”, no final dos anos 60, e o segundo, em conjunto com Mboneni Ngema, pelo disco “Sarafina”, em 1987.

Admirado por artistas e milhões de apreciadores de música de todo o mundo, recebeu o prémio Womex 2011, uma homenagem a uma carreira ímpar onde se junta excelência musical, relevo social e impacto político.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Mais informações:
www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»

31 janeiro, 2012

A Naifa - Oiça Os Novos Sons!


Já se podem ouvir alguns segundos das novas canções d'A Naifa (na foto, de Nuno Carvalho) e ficar a saber por onde passa a digressão do novo álbum. Mas, antes disso, leia o comunicado:

«Tour de Apresentação do Disco d’A NAIFA percorre Teatros do País
ouça em 1ª mao excertos de “não se deitam comigo corações obedientes”

Está já confirmado que passará por Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Portimão, Ílhavo, Caldas da Rainha, Arcos de Valdevez, Loulé, Almada e Açores, a Tour que levará a música d’A NAIFA, aos palcos de vários Teatros portugueses, entre Março e Maio de 2012.

Depois da Tour realizada em 2010, a banda de Luís Varatojo (Guitarra Portuguesa) e Maria Antónia Mendes (Voz), que conta agora com Sandra Baptista (Baixo) e Samuel Palitos (Bateria), volta a pisar os palcos de vários Teatros portugueses para apresentar as músicas do seu novo álbum de originais “não se deitam comigo corações obedientes”.

O novo disco tem 11 canções, compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho. Ilustram o disco imagens seleccionadas das diversas propostas chegadas, na sequência do desafio lançado pela Banda a artistas plásticos, gráficos, ilustradores, fotógrafos, etc.

O disco será inicialmente disponibilizado em edição on-line, durante o mês de Fevereiro e só terá edição física no inicio do mês de Março, com venda exclusiva nos locais dos concertos. A edição física de “não se deitam comigo corações obedientes”, só no final do mês de Março estará disponível nas lojas.

TOUR “não se deitam comigo corações obedientes”

2 Março – Arcos de Valdevez – Casa das Artes
3 Março – Braga – Theatro Circo
7 Março – Lisboa – Teatro S. Luiz
9 Março – Coimbra – Oficina Municipal de Teatro
17 Março – Portimão – Teatro Municipal
31 Março – Caldas da Rainha – Centro Cultural e de Congressos

7 Abril – Ílhavo – Centro Cultural
12 Abril – Porto – Casa da Música
14 Abril – Loulé – Cineteatro Louletano
20 Abril – Almada – Teatro Municipal

5 Maio – Faial – Cineteatro»


Para ouvir os primeiros cheirinhos da nov'A Naifa, clique aqui.

30 janeiro, 2012

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXVII


Carecas, dreadlocks e carapinhas...

Há muitos anos, a televisão portuguesa (que nessa altura se resumia à RTP) passava o famoso anúncio do Restaurador Olex: "Um branco de carapinha e um preto de cabeleira loira não fica bem nem é natural". Mensagem devedora de um país fechado e obscurantista, onde a ditadura, o colonialismo e o racismo deixavam a sua marca até na publicidade dirigida aos homens que ficavam com cabelos brancos - e, veja-se só a ironia, no caso dos cabelos... os pretos eram melhores e mais saudáveis que os brancos! -, a verdade é que ainda hoje muita gente recorda a frase e a repete nas mais variadas situações. Isto vem a propósito de três discos recentes de malta branca, portuguesa, toda com nomes estrangeirados e uma música deveras cafrealizada. E, ainda por cima, três excelentes discos que merecem toda a atenção e carinho. Primeiro, "Hats & Chairs", dos Soaked Lamb (tradução livre: Ensopado de Borrego), um magnífico álbum de blues do mais negro que há, mas também com as doses certas de country, folk, jazz, surpresa e divertimento para que não seja apenas mais um mero (embora magnífico) disco de blues. Depois, a surpresa que é o EP de estreia e homónimo de Frankie Chavez (na foto), um homem de belíssima voz (entre Paul McCartney e John Lennon, ou vice-versa), mas cujas influências maiores são também Ben Harper e Jimi Hendrix. E, por último, "Seek Your Truth", de Freddy Locks, cada vez mais fiel às raízes do reggae e às suas mensagens. E, como se sabe, no reggae isso é sempre o mais importante.


Há (muita) música portuguesa nas rádios

A Lei da Rádio, que impôs a obrigatoriedade de uma percentagem considerável de música portuguesa nas rádios nacionais - e locais e regionais -, apesar de na sua base estar uma permissa contestável, tem de facto contribuído para uma muito maior divulgação de música nacional, muitas vezes nova e de, voltamos a repeti-lo, também muitas vezes de inegável qualidade. E isso é bom, principalmente quando é uma realidade, desde há muitos anos e devido à "ditadura" das playlists, o descréscimo do número de programas de autor dedicados à música portuguesa. Mas ainda os há, desde o incontornável "Portugália" (Antena 3), de Henrique Amaro, até a programas de rádios universitárias - "Santos da Casa" (RUC), de Fausto da Silva e Nuno Ávila; "Português Suave" (RUM), de José Reis; "H(À) Escuta"(RUA), de Leila Leiras... - ou o "Portugal Rebelde", de António Manuel Almeida, que é transmitido pela Douro FM. Um programa que lançou agora uma excelente colectânea homónima que toma o pulso a muita da música portuguesa actual e é um espelho perfeito de como a nossa música, em 2010 (ou só um bocadinho antes), está a viver um ano de ouro! Em "Portugal Rebelde", o disco, ouve-se um novo tema dos veteranos Trabalhadores do Comércio mas tudo o resto é de grupos e artistas bastante recentes, muitos deles a cantar em português - Diabo na Cruz, Os Golpes, Os Tornados, Márcia (na foto), Ludo, Feromona - e também, e muito bem, em inglês - A Jigsaw, Minta, Noiserv, Partisan Seed - ou, no caso do instrumental de M-Pex, a levar a guitarra portuguesa e o fado para um futuro radioso. Edição feita fora das esferas habituais da indústria discográfica - majors ou independentes - e com o apoio de estruturas locais, este é mais um belo exemplo de amor à música portuguesa e a quem a faz. Devia haver mais discos assim.




Músicos de sete ofícios

Este ano só comprei dois livros na Feira do Livro: "Diário da Bicicleta", de David Byrne, e "As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy", novela gráfica com argumento de Filipe Melo (na foto). Ainda estive para comprar um terceiro, "Os Livros Que Devoraram o Meu Pai", de Afonso Cruz, mas havia tanta gente na área da Leya que adiei a aquisição para um futuro breve. E só depois reparei numa coincidência curiosa: todos estes livros têm músicos como autores. E músicos que não são só músicos e escritores: Byrne - formado numa escola de artes, no que foi e é uma tradição de muito rock anglo-saxónico (os seus Talking Heads, assim como os Doors, Velvet Underground, Pink Floyd ou Roxy Music saíram de escolas de design, artes plásticas ou cinema) - é também escritor, fotógrafo, realizador de cinema, editor... E, de regresso aos outros dois casos, Filipe Melo é pianista de jazz, realizador de cinema ("I'll See You In My Dreams", "Um Mundo Catita") e professor; enquanto Afonso Cruz é guitarrista dos Soaked Lamb, escritor, ilustrador e realizador de filmes de animação. Mas não estão sós como "novos homens do renascimento e músicos dos sete ofícios" na música portuguesa: relembre-se o caso do artista plástico João Paulo Feliciano, agora a tocar no Real Combo Lisbonense, que financiou a gravação do álbum dos Tina & Top Ten com o dinheiro de uma exposição sua no CCB (o disco era a banda-sonora da exposição). E outros: David Fonseca (também fotógrafo e realizador de clips), Tó Trips (dos Dead Combo; designer) ou Manuel João Vieira (cantor, pintor, actor e candidato à Presidência da República).




As guitarras portuguesas que se abrem ao mundo

O que é que une o jovem, mas já carismático, intérprete de guitarra portuguesa Ricardo Parreira, o novo grupo de "world music made in Portugal" Atma (na foto a capa do álbum de estreia) e os imediatamente bi-consagrados Deolinda? Passe a frase feita, aparentemente nada. Mas, ouvindo-se os três recentíssimos álbuns destes artistas, há muito mais a uni-los do que a separá-los. Vamos por partes... Parreira, depois de "Nas Veias de Uma Guitarra", um álbum em parceria com o mítico Fernando Alvim (o "viola" que acompanhou Carlos Paredes) em que homenageava mestres da guitarra portuguesa como Carlos Paredes, Artur Paredes ou Armandinho, editou agora um lindíssimo disco em que liberta a guitarra portuguesa dos jugos do fado e em que, muitas vezes, vai em busca de uma música tradicional rural - corridinhos, saias, romances, viras, um tema da Galiza... - em que a guitarra dialoga, emocionalmente, com outros instrumentos e outras vozes. O álbum chama-se "Cancionário" e é já um dos melhores deste ano. Os Atma, se bem que sem a mesma centelha de génio, vão ainda mais longe geograficamente no álbum "Com a Mesma Alma", e unem uma guitarra portuguesa quase ominipresente ao fado mas também à África moura e à África negra, às Índias orientais e ocidentais, ao flamenco e a outras topologias ciganas... E, finalmente, os Deolinda - sem guitarra portuguesa mesmo que ela se consiga imaginar lá muitas vezes, por entre as filigranas das outras cordas - assinam um segundo álbum, "Dois Selos e Um Carimbo", em que mais uma vez a música portuguesa (seja dos fados, das marchas ou do.... "Bellevue" dos GNR) abraça o mundo.

(Textos publicados no jornal "i" em Maio de 2010)

20 janeiro, 2012

Hootenanny (E os... Blues) de Volta à Culturgest


Para voltar a "estar com os azuis":

"Hootenanny

Comissário: Ruben de Carvalho

De sábado 28 de janeiro a sexta 3 de fevereiro

Grande e Pequeno Auditório

Preço: Grande Auditório – 18€; até aos 30 anos – 5€

Pequeno Auditório – 5€ (preço único)






“Os blues são a verdade sobre as realidades da vida traduzida em palavras e música, inspiração, sentimento e compreensão.” Willie Dixon





Sugar Blue
Debbie Davies (na foto)
Eeco Rijken Rapp e David Herzel


Ruben de Carvalho apresenta assim esta terceira edição do Hootenanny:

“No terceiro Hootenanny dedicado aos blues, de todo se justifica que novamente se procure a palavra daquele a quem chamaram o «laureado poeta dos blues» (e também «pai dos modernos Chicago blues»!): Willie Dixon, desaparecido exactamente há duas décadas, em janeiro de 1992.
Empenhado não apenas na criação e gravação, mas também na conservação dos blues tradicionais, Dixon escreveu, entre as várias soberbas sínteses que lhes dedicou: Os blues são as raízes e as outras músicas os frutos. E é necessário conservar vivas as raízes porque isso significa que as outras músicas poderão continuar. Os blues são as raízes da música americana. Enquanto a música americana viver, assim também viverão os blues».
Se por aqui seria possível deixar a razão de ser deste novo ciclo e se aos seus participantes se podia confiantemente deixar a demonstração da verdade do que escreveu o autor do incontornável Hoochie Coochie Man, acresce que o Hootenanny abre o seu programa de 2012 com um músico que de 1981 a 1983 integrou a Willie Dixon's Chicago Blues All Stars e a ele continuou ligado durante toda a sua carreira: Sugar Blue.
Mas, para este ano propõe-se uma viagem com alguns aspectos particulares.
Por um lado, a citada presença de Sugar Blue, uma figura que bem representa o retrato feito por Dixon, na sua versatilidade de bluesman premiado e de músico de estúdio participante em registos que vão dos Rolling Stones a Bob Dylan. Os blues são as raízes...
Mas teremos também uma pouco habitual apresentação: uma presença feminina - instrumental.
A esmagadora maioria das mulheres que largamente contibuiram para o panorama da música nascida no Delta do Mississipi destacaram-se sobretudo como cantoras. Sem elas não seria mesmo possível pensar a sua história. Acompanhando-se por vezes ao piano, menos frequentemente à guitarra, a voz tem sido o instrumento feminino de eleição. Durante muitas décadas o ambiente acentuadamente masculino e mesmo machista da cena blues contribuiu e consagrou largamente esta situação, mas, nomeadamente após os anos 70/80 a situação modificou-se - contudo com um aspecto curioso: ainda hoje a maioria das intérpretes instrumentais de blues são - brancas!
Trata-se de um percurso já bastante estudado que, reflectindo naturalmente o processo geral de emancipação feminina, apresenta traços comuns: mais do que o caminho (que pareceria lógico) do rock para os blues, ele acaba por ser essencialmente o do início na folk branca, cantada e acompanhada com guitarra acústica (e de larga presença nos mais liberais campus universitários), e, depois, a crescente paixão pelos blues e a transição para a guitarra eléctrica e uma manifesta predileção pelos estilos mais electrificados, nomeadamente Chicago, Debbie Davis aí estará para o demonstrar.
Finalmente, uma outra comprovação do pensamento de Willie Dixon: um concerto de boogie woogie!
Para quem faça um desconfiado franzir de festa, socorremo-nos do incontornável Dictionaire de Jazz de Philippe Carles para a Bouquins:
Boogie-woogie (...) O boogie-woogie é originariamente uma forma especial de interpretar os blues ao piano que terá surgido nas barrelhouses e honky tonks no início do século XX, especialmente no Texas.
Porquê Texas, falar-se-á adiante. O intérprete, considerado uma autoridade mundial, vem... da Holanda: Eeco Rijken Rapp!
Para quem sabe que a Holanda é, há muitos anos, uma espécie de «sucursal» europeia de New Orleans - não admirará!
E Dixon continua a ter razão: os blues são a raiz...”

Programa:

Sábado 28 de janeiro, 21h30, Grande Auditório
Sugar Blue
Preço: 18€ • Até aos 30 anos: 5€

Harmónica, voz Sugar Blue
Guitarra, voz Rico McFarland
Contrabaixo, voz Ilaria Lantieri
Teclados, voz Sonny Axell
Bateria Pooky Styx


Nascido no Harlem e baptizado James Whiting, pode dizer-se que Sugar Blue começou a sua carreira mesmo antes de a iniciar... Sua mãe era cantora e bailarina do lendário Apollo Theater e ali foi criado entre música e músicos, conhecendo e convivendo com celebridades que incluiram mesmo uma amiga de sua mãe - Billie Holiday.
Presenteado ainda adolescente por um tio com uma harmónica, a sua formação musical é algo invulgar num bluesman: as primeiras tentativas com a sua blues harp andaram bastante à volta dos hits da época, que incuiam tanto o R&B/soul de Stevie Wonder como o folk de Bob Dylan, mas, a influência do meio musical que o rodeava, cedo o despertou para o jazz. Com destaque para Dexter Gordon e Lester Young. Tal facto marcou decisivamente o seu estilo: a harmónica não é um instrumento habitual nas formações de jazz, mas Sugar Blue introduziu no seu estilo uma evidente e inconfundível marca jazzy, e especialmente de sax. Acrsce que tambem desde os primeiros passos revelou uma voz cheia e expressiva e um talento de compositor que lhe proporcionou criar composições a seu gosto. Há, por exemplo, quando canta e depois toca, uma sonoridade e uma continuidade invulgares que abrem caminho a diálogos ou figuras rítmicas de especial riqueza.
A conselho do veterano Memphis Slim e já depois de ter gravado com figuras como Brownie McGhee (outra significativa influência), no final dos anos 70 rumou a Paris. Já era entretanto Sugar Blue, nome artístico cuja divertida adopção ele próprio conta:
- Precisava de um nome (...) mas os bons já estavam todos usados! «Muddy», «Blind Lemon», «Sonny Boy»... até que uma noite eu e um amigo vínhamos de um concerto - de Doc Watson - e alguém atirou pela janela fora uma caixa de velhos 78 rotações; apanhei um e era «Sugar Blues» pelo Sidney Bechet. É isto, disse eu, é perfeito! E assim fiquei...
Em Paris, Sugar travou-se de amizades com alguns dos músicos dos Rolling Stones que o convidaram para várias das suas gravações, a mais famosa das quais é o famoso solo de harmónica em «Miss You», do álbum «Some Girls». Até 1982 participou em diversas gravações de grupos europeus e em espectáculos, mas nesse ano resolveu regressar aos Estados Unidos e, um ano depois, organizava a sua própria banda para a qual recebeu um Grammy em 1985 pela gravação do seu espectáculo em Montreux.
Art Blakey, B.B. King, Muddy Waters, Lionel Hampton, Fats Domino, Ray Charles, são apenas alguns dos nomes com os quais Sugar tem partilhado o palco, simultaneamente com 11 álbuns gravados.





Quarta 1 de fevereiro, 21h30, Pequeno Auditório
Debbie Davies
Preço único: 5€


Guitarra Debbie Davies
Bateria Don Castagno
Contrabaixo Mathew Lindsey


Pouco se pode acrescentar sobre um guitarrista de blues - neste caso, uma guitarrista - depois de se dizer que já partilhou palcos e estúdios com lendas como Coco Montoya, Duke Robbillard, James Cotton, Charles Musselwhite e, muito em particular, que integrou os lendários Icebreakers de Albert Collins. Acrescente-se que foi galardoada em 1997 com o prestigiado W.C. Handy Award para Melhor Artista Feminina Contemporânea e em 2010 com o igualmente importante Blues Music Award para a Melhor Artista Tradicional e ter-se-á uma ideia bastante geral de Debbie Davis, sobre quem coco Montoya disse que «é um dos laços diectos à origem desta música. Sabe tudo sobre o que os blues são e podem escutá-lo na paixão com que toca».
Contudo, não é apenas por ser branca que Debbie é um caso pouco frequente no panorama dos blues. Nascida na California (mais exactamente em Los Angeles) e filha de músicos profissionais, com doze anos começou a tocar guitarra o que, ao tempo, significava quase inevitavelmente guitarra acústica. Embora desde sempre atraída pela sonoridade de Ray Charles ouvida nos discos familiares, tudo se modificou quando começou a ouvir Eric Clapton e os Bluesbreakers de John Mayall.
Este facto de nos anos 70 ter sido através da invasão pop/rock inglesa que muitos jovens brancos da West Coast se familiarizaram com música do seu próprio país (de que nascera afinal a novidade britânica!) reflecta a realidade californiana e verificou-se com muitos outros artistas e grupos que descobriram as blues... via Londres!
Após uma estadia em S. Francisco, Debbie regressou a Los Angeles e acabou em 1984 a integrar o grupo Cadillac, uma então invulgar banda feminina de blues dirigida por Maggie Mayall, mulher de John e que entretanto se fixara na Califórnia. As coisas desenvolveram-se de tal forma que, quatro anos depois, Albert Collins convidava-a para integrar os seus Icebreakers, o que, como ela própria disse, «tornou os blues uma coisa verdadeiramente tridimensional para mim».
Em 1991 o pouco conhecido entre nós (mas notória celebridade nos EUA) cantor country Jimmy Bufett convidou-a para montar o espectáculo Ladyfingers Revue, abertura da tournée que Bufett realizou então por toda a América, após o que Debbie se dedicou a uma carreira a solo ou como acompanhante de outros solistas e trabalho para bandas sonoras.
Ao longo da sua carreira, gravou doze álbuns entre os quais a crítica entusiasticamente saudou Blues Blast, registado em 2007 que dá não só uma vibrante imagem do seu virtuosismo, como igualmente da expressividade da sua voz, qualidade muitas vezes ocultada pelo vigor da sua execução instrumental.


Sexta 3 de fevereiro, 21h30, Pequeno Auditório
Eeco Rijken Rapp e David Herzel
Preço único: 5€

Piano Eeco Rijken Rapp
Bateria David Herzel


Em 2006 um jovem holandês iniciou uma presença no YouTube que rapidamente se transformou num êxito internacional: dedicada integralmente ao boogie-woogie, incui não apenas excertos de filmes de executantes históricos como uma bem elaborada sequência de vídeos de instrução sobre o estilo. A foto do autor, Ecco Rijken Rapp, que igualmente ilustra coloca-o de pé, junto a uma velha linha férrea. Fica assim desde logo demonstrado que a sua ligação ao boogie-woogie não é puramente musical, mas que perfeitamente sabe que entre esse estilo de executar blues ao piano e as velhas locomotivas de caminho de ferro a vapor há muito em comum. Estamos, assim, face a um apaixonado - e a um estudioso
Assim é, de facto. Nascido na Holanda, em Apeldoorn, Rijken Rapp começou a aprender piano clássico aos seis anos, estudo que prosseguiu durante mais de dez anos. Sucedeu contudo que, com 16 anos, assistiu a um concerto de boogie-woogie, coisa natural no País europeu onde seguramente mais jazz se ouve por habitante.
A opção foi imediata e o nosso pianista lançou-se sobre todas as gravações e pautas dos grandes executantes, acabando por, com toda a naturalidade, se fixar no inimitável estilo de Albert Ammons. A sua vida modificou-se por completo desde então e, além da presença na net que faz dele um repeitado divulgador internacional do estilo, começou a apresentar-se em concertos por toda a Europa, umas vezes a solo, outros em duo (na boa tradição de Ammons e Pete Johnson).
Em muitos desses concertos (como será o caso do Hootenanny) Eco faz-se acompanhar pelo baterista David Herzel - consituindo um grupo que baptizaram de Boogielicious - duo de resto comum, nomeadamente após a era do swing dos anos 30 e a importância assumida pela bateria nas grandes orquestras: o estilo boogie-woogie com os seus poderosos e marcantes baixos (a left hand like God, a designação cunhada para o percursor William Turk por Eubie Blake) pode prescindir do contra-baixo, mas ganha subtileza com a presença da bateria.»