19 março, 2009

Cromos Raízes e Antenas XLVIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)

Cromo XLVIII.1 - Rupa and The April Fishes


Ainda só têm um álbum editado no circuito internacional, mas são já uma das maiores promessas - OK, são já uma certeza! - daquilo que de melhor e mais abrangente se pode esperar de um grupo de «world music». E, aqui, o termo até está bem aplicado. Com base em San Francisco, Estados Unidos, Rupa and The April Fishes são liderados pela compositora, cantora e guitarrista Rupa, sendo os April Fishes formados por Marcus Cohen (trompete), Isabel Douglass (acordeão e voz), Aaron Kierbel (percussões), Safa Shokrai (contrabaixo) e Ara Anderson (trompete). Com influências que vêm da música indiana (Rupa, que é médica de profissão, tem as suas raízes no Punjab e viveu alguns anos em França), do tango, da canção francesa, do jazz (inclusive na sua variante cigana à Django, o jazz manouche), da cumbia, da pop... Rupa and The April Fishes lançaram em 2008 o álbum de estreia «eXtraOrdinary rendition», e já fazem parte, por direito próprio, do firmamento mais brilhante da música actual.


Cromo XLVIII.2 - Franco


Franco (aka Franco Luambo, François Luambo Makiadi e L'Okanga La Ndju Pene Luambo Lwanzo Makiadi; nascido a 6 de Julho de 1938, em Sona Bata, no Congo Belga, actual Zaire; falecido a 12 de Outubro de 1989) foi o mais importante compositor, cantor e guitarrista congolês do Séc. XX. Ao longo da sua carreira, deixou - em discos a solo ou com os grupos OK Jazz e TPOK Jazz - mais de mil canções gravadas, espalhadas por cerca de 150 álbuns. Com um estilo muito pessoal de tocar guitarra - era cognominado «O Feiticeiro da Guitarra» -, Franco misturou na sua música sonoridades africanas, jazz, ritmos latino-americanos (muito em especial a rumba), funk e soukous. Um fenómeno musical desde a adolescência - Franco gravou o seu primeiro single, «Bolingo Na Ngai Beatrice», com apenas 15 anos -, em 1956 fundou o OK Jazz (mais tarde rebaptizado TPOK Jazz), que rapidamente se tornou o grupo mais importante do Congo e com o qual tocou até à sua morte. Era um ídolo no seu país (e noutros países de África) e o seu funeral foi acompanhado por dezenas de milhares de pessoas.


Cromo XLVIII.3 - DJ Click


Membro do colectivo electro-jazz-world UHT, director da editora No Fridge, DJ e remisturador apaixonado por inúmeras músicas do mundo - e como ele as conhece bem! -, o francês DJ Click é um dos melhores, talvez mesmo o melhor, exemplo de como se podem transportar muitas músicas tradicionais para um futuro em que a música de judeus e muçulmanos, de ciganos espanhóis e do leste da Europa, de negros, de brancos e de mestiços de várias origens conseguem conviver, cruzar-se e obrigar toda a gente a dançar numa nave espacial utópica e cheia de músicas novas. E em que músicas novas como o dub, o electro ou o drum'n'bass e músicas antigas como o gnawa, o klezmer ou a música cigana dos Balcãs têm o mesmo espaço e importância. Com DJ Click já se cruzaram (em remisturas ou colaborações) nomes como Mitsoura, Gnawa Njoum Experience, Transglobal Underground, Rachid Taha, Leontina Vaduva, Burhan Öçal, Recycler, Tziganiada ou Estelle Goldfarb. (1)


Cromo XLVIII.4 - Pentangle


Um dos mais importantes grupos da folk britânica de sempre, os Pentangle nasceram em 1967, em Londres, à volta de Bert Jansch e John Renbourn - dois guitarristas geniais que já tinham um passado comum na folk -, uma cantora apaixonada pela tradição, Jacqui McShee, e dois músicos de jazz, Danny Thompson (baixo) e Terry Cox (bateria). E o resultado desse encontro foi explosivo: canções que iam à folk, aos blues, ao psicadelismo, ao jazz, ao rock progressivo ou à música barroca; canções que se encaixavam perfeitamente na música do seu tempo mas que também deixavam - pelo grau de abertura que demonstravam - muitas pistas para o futuro. Os Pentangle separaram-se em 1973 e ressurgiram nos anos 80, tendo passado inúmeros outros músicos pelas suas várias formações. E em 2007 os cinco membros fundadores voltaram a reunir-se para receber o Prémio Carreira dos Folk Awards atribuídos pela BBC Radio 2 e, no ano seguinte, fizeram uma digressão de enorme sucesso pelas Ilhas Britânicas. Audição aconselhada: os álbuns «The Pentangle», «Sweet Child», «Basket of Light» e «Solomon's Seal».

(1) - Texto adaptado de uma prosa anterior minha acerca do álbum «Flavour», de DJ Click.

2 comentários:

rui g disse...

Os Pentangle já mereciam entrar nos "cromos". Muito bom gosto, António. Comprei há um par de anos a caixa "The Time Has Come" que é uma pequena maravilha! Um abraço.

António Pires disse...

Rui G:

Obrigado! E sim, a caixa «The Time Has Come» é um excelente resumo dos primeiros anos dos Pentangle! :)

Um grande abraço...