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26 maio, 2008

Anoushka Shankar Com Novo Projecto no CCB


Anoushka Shankar - filha e discípula do mestre absoluto da sitar Ravi Shankar - regressa a Portugal para um concerto no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, dia 2 de Junho, com um novo projecto. Acompanhada por Tanmoy Bose (tablas), Ravichandra Kulur (flauta bansuri), Leo Dombecki (piano), Barry Phillips (violoncelo) e Nick Able (tampura), Anoushka irá apresentar o seu novo álbum «Breathing Under Water», editado o ano passado, onde funde ragas tradicionais indianas com sonoridades ocidentais. A seguir deixo a biografia de Anoushka, tal como apresentada no press-release relativo a este concerto: «(Anoushka) nasceu em Londres, em 1981, mas desde os 7 anos passou grande parte do tempo em Nova Deli, estudando sitar e tocando com o pai. Com 11 anos, foi viver para Encinitas, na Califórnia, onde terminou o liceu em 1999. Excelente executante em sitar é igualmente uma pianista clássica particularmente dotada. A sua carreira a solo teve início em 2000 e, desde então, apresentou-se em inúmeros concertos nos EUA, Japão, Malásia, Índia e Europa. Anoushka tem interpretado o Concerto n.º 1, para Sitar e Orquestra, em várias ocasiões, desde a sua estreia com a Orquestra Sinfónica de Londres, dirigida por Zubin Mehta, em 1997. Na qualidade de directora de orquestra, estreou-se com a obra “Kalyan”, de Ravi Shankar (seu pai), num concerto memorável. Aos 27 anos, Anoushka Shankar manifesta já uma profunda compreensão da grande tradição musical indiana. Estudou com o pai desde os 9 anos, começando por tocar num sitar de pequenas dimensões especialmente construído para ela. Com apenas 13 anos, deu o seu primeiro concerto em Nova Delhi, participando no final desse ano na gravação de “In Celebration”, com o pai. Dois anos mais tarde, e na qualidade de maestro, participou com Ravi Shankar e George Harrison, na gravação de “Chants of India”. Em 1998, foi editado o primeiro CD em seu nome, “Anoushka”, que recebeu as melhores críticas. Dois anos depois, gravou “Anourag”, participou no disco “Full Circle: Carnegie Hall 2000” do seu pai e ainda em “Sacred Love” de Sting e, a partir de 2001, com o CD “Live at Carnegie Hall”, disco que foi nomeado para os Grammys, o seu nome fica indiscutivelmente ligado ao dos melhores sitaristas mundiais. É autora de uma biografia pictórica de Ravi Shankar, intitulada “Bapi: Love of my Life”. Depois de 2005, escreveu música para a curta-metragem “Ancient Marks”, gravou “Rise” o seu quarto CD a solo e, no ano passado, editou o disco “Breathing Under Water” que tem recebido excelentes críticas. Anoushka Shankar mostra uma plena compreensão da tradição musical indiana, desenvolvendo com grande criatividade os caminhos traçados por seu pai, sendo já considerada uma das mais importantes e influentes figuras do mundo da música».

01 agosto, 2006

Nas Margens...


Mais uma selecção de quatro críticas a discos que se encontram nas margens de tudo isto, um bocadinho mais do lado de lá (da pop, das electrónicas, da country...) do que do lado de cá (da chamada world, da folk, etc...): Kad, Anoushka Shankar (na foto), Cibelle e a banda-sonora de «Brokeback Mountain»... Ou como isto anda tudo junto, de mão dada, e as fronteiras até nem têm importância nenhuma.

KAD
«SOCIÉTÉ»
Beleza/Compact

Cantor franco-argelino mistura jazz suavezinho, electrónicas e world. Às vezes bem.

O álbum «Société», o segundo de Kad (Kad Achouri), é um excelente papel de parede sonoro para um jantar romântico, à luz de velas, em boa companhia. A voz dele é feita de veludo e entronca facilmente na linhagem mais recente da chanson. Também há smooth-jazz servido ao piano, algumas electrónicas que nem chateiam por aí além, as referências «certas» às músicas do mundo (flamenco, música árabe, bossa-nova...) e uma ambiência moderninha sem ser modernaça. O pior é quando Kad se atira a versões dos Nirvana («Come As You Are»), Cole Porter («I Love Paris») ou «Berimbau» (de Baden Powell e Vinicius de Moraes, aqui na versão francesa, «Bidonville», de Claude Nogaro), e transforma cada uma delas numa pastilha um bocadinho difícil de engolir. (6/10)

ANOUSHKA SHANKAR
«RISE»
Angel/EMI Music

Filha de Ravi Shankar em mais uma aproximação à sitar-pop.

Anoushka Shankar (filha do génio da sitar indiana Ravi Shankar e sua discípula no estudo deste instrumento) tem vindo a tentar construir pontes entre a música tradicional indiana e a música ocidental. E, nesse sentido, «Rise», o seu quarto álbum, é o seu melhor trabalho de sempre. Aqui, Anoushka faz conviver a sua sitar e as suas teclas com tablas, bansuris (flautas) e o canto indiano konnokol (percussão feita com a voz, próxima do scat do jazz) com pianos, baixos eléctricos, baterias, violinos e – principalmente nas remisturas (a cargo dos Thievery Corporation e de Karsh Kale) - programações electrónicas. E isto soa quase sempre muito bem – umas vezes é mais ambiental, outras mais violento -, inclusive no tema mais inesperado do álbum, o cruzamento da música indiana com o flamenco em «Soleá». (7/10)

VÁRIOS
«BROKEBACK MOUNTAIN»
Verve/Universal

A banda-sonora de «Brockeback Mountain» é um daqueles raros exemplos de um conjunto de canções (e instrumentais) que faz todo o sentido mesmo sem se ver o filme a que «pertence». Porque flui com coerência; conta uma história com princípio, meio e fim; e, mais importante ainda, porque está cheia, a abarrotar, de boa música – country, folk e algumas releituras destes géneros (como nos temas de Rufus Wainwright). Os temas instrumentais do músico, produtor e compositor argentino Gustavo Santaolalla (ele que é, noutro espectro musical, um dos renovadores mais radicais do tango, com os Bajofondo Tango Club) podem competir, sem medo, com o Ry Cooder de «Paris,Texas» ou o Angelo Badalamenti de «Uma História Simples» (são muito bons, portanto); e as canções dele (algumas com letra de Bernie Taupin, letrista de... Elton John) têm interpretações soberbas nas vozes de Emmylou Harris, Mary McBride ou Jackie Greene. Há também versões espantosas de temas já conhecidos («He Was a Friend of Mine», de Bob Dylan, na voz de Willie Nelson, «King of The Road», de Roger Miller, cantado por Teddy Thompson e Rufus Wainwright; a recuperação de «It’s So Easy», de Buddy Holly, na voz de Linda Ronstad); um tema genial do genial Steve Earle; e um inédito lindíssimo de Rufus Wainwright, «The Maker Makes». (9/10)

CIBELLE
«THE SHINE OF DRIED ELECTRIC LEAVES»
Crammed/Megamúsica

Cantora brasileira põe a voz no microondas e descongela caixinhas-de-música.

«Green Grass», de Tom Waits, cantada por Cibelle em registo Caetano Veloso mavioso, com harpa por trás. «London London», de Caetano Veloso (e, conta a lenda, baseado numa linha melódica que José Afonso lhe ofereceu) e com o freak igualmente velosiano Devendra Banhart a persegui-la com a voz, com guitarra bossinha por trás. «Cajuína», também de Veloso. E «Por Toda a Minha Vida», de Tom Jobim e Vinicius, em electrónica flutuante... E os originais de Cibelle (e alguns acólitos como o brasileiro Appolo Nove ou Spleen, colaborador das CocoRosie), cada vez mais uma excelente compositora de canções. E Seu Jorge em «Arrête Lâ, Menina», com berimbau hipnótico. E colheres e chávenas e beat box vocal no delicioso «Mad Man Song»... Uma surpresa constante e uma delícia sempre. (8/10)