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10 agosto, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" (VIII)


A Rosa (e os Enjeitados)
por António Pires, Publicado em 08 de Outubro de 2009

António Variações cantava, em "Todos Temos Amália na Voz": "Dei o teu nome à minha terra/Dei o teu nome à minha arte/A tua vida é primavera/A tua voz é eternidade", antes de, no refrão, dizer "Todos nós temos Amália na voz". E Variações, nesta canção composta muitos anos antes da morte de Amália Rodrigues - ele, aliás, viria a morrer muito mais cedo que a sua musa -, resumiu na perfeição o amor, o respeito e a admiração que milhões de portugueses sentiram e sentem pelo ícone maior do fado de Lisboa. Não são de mais, portanto, as inúmeras iniciativas que nesta e nas últimas semanas homenagearam a memória de Amália. A edição em CD de temas inéditos dos primeiros tempos da cantora; extensas colecções de discos; concertos de tributo (de gente do fado e de fora dele); conferências; exposições; o filme "Amália" a passar na RTP... Tudo isso é mais que justo, e se calhar ainda é pouco. Mas não deixa de ser triste - como o fado - pensar que homenagear Amália é importante, mas que igualmente importante seria homenagear muitos outros. Há dois anos passaram 25 anos sobre a morte de Alfredo Marceneiro (na foto). O ano passado, 20 sobre o falecimento de Francisco José. Alguém os recordou? Neste mesmo ano de 2009 passam dez anos, tal como com Amália, sobre o desaparecimento de Lucília do Carmo. Onde estão as comemorações? Max morreu em Maio de 1980. Alguém sabe de alguma coisa que esteja a ser feita para a celebração dos 30 anos da sua morte, daqui por alguns meses?




O Segredo da Mandrágora
por António Pires, Publicado em 15 de Outubro de 2009

Se Michel Giacometti - e alguns outros - fez um trabalho extraordinário na preservação do património musical português, também é importante que, neste início de novo século, se ponham em diálogo as tradições com a modernidade. E isso está a ser feito por muitos nomes da música portuguesa que têm sido referidos nesta coluna ao longo das últimas semanas. Mas esse diálogo é ainda mais visível - e aqui "visível" é a palavra correcta - na obra videográfica de Tiago Pereira, que em filmes como "11 Burros Caem no Estômago Vazio", "Arritmia" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea" - tem sempre feito a ponte, ao mesmo tempo que a questiona muitas vezes de forma irónica, entre a nossa música tradicional e a nossa música moderna. O culminar deste processo é um filme/instalação multimedia/intervenção em tempo real e ao vivo... novo e absolutamente maravilhoso: "Mandragora Officinarum". Nele, Tiago Pereira parte da nossa religião tradicional (mistura de paganismo antigo, judaísmo mal-amanhado, resquícios da cultura muçulmana, um catolicismo temeroso e medicina popular) para, com esse mote, pôr em confronto responsos, ladaínhas, orações, benzeduras e receitas de mezinhas tradicionais com a música de gente como Tó Trips, B Fachada, Tiago Guillul, Márcia, Ernst Reijseger, Pedro Mestre, Paulo Meirinhos, Vasco Casais, Walter Benjamin, Jorge Cruz, Luís Fernandes, Lara Figueiredo ou BiTocas. "Mandragora Officinarum" é um marco maior do nosso cinema e da nossa música.



O fado não é só português!
por António Pires, Publicado em 29 de Outubro de 2009

Anda a circular na net um texto de Fernando Zeloso (será pseudónimo?) que parte dos Amália Hoje - sobre os quais já dei a minha opinião nesta coluna -, para depois defender, entre outras tomadas de posição xenófobas e nacionalistas (inclusive acerca dos luso-brasileiros da selecção portuguesa de futebol e terminando o texto com um revelador... "A Bem da Nação Fadista"), que o fado deve ser única e exclusivamente cantado por portugueses. A mesma posição tomaram algumas pessoas a propósito do filme "Fados", realizado por um espanhol, Carlos Saura, e onde apareciam Lila Downs (na foto), Caetano Veloso, Cesária Évora e Miguel Poveda, entre outros, a cantar fado. Ora esta ideia, para além de perigosa ideologicamente e mesquinha moralmente, é sem dúvida ridícula. Pela mesma ordem de ideias, e entre variadíssimos exemplos possíveis, Vitorino não poderia gravar tangos, Luís Represas não poderia cantar música cubana nem os Mind da Gap fazer hip-hop - e a própria Amália Rodrigues nunca poderia ter interpretado flamenco, napolitanas, canções francesas, as maravilhosas letras de Vinicius de Moraes ou standards de jazz. Em tempos fiz um apanhado de cantores e instrumentistas de fado não portugueses. E são às dezenas: no Japão, no Brasil, na Itália, na Espanha, na Argentina, na Índia, no México, na Holanda, na Croácia, na Polónia, na França... O que, ao contrário do que defende Zeloso, nos deveria, isso sim, encher de orgulho.

18 novembro, 2008

Imagens Sobre Música - Documentários Musicais na Fonoteca de Lisboa


A partir de hoje, dia 18, e até dia 22, a Fonoteca Municipal de Lisboa apresenta um ciclo de documentários portugueses (ou do círculo da lusofonia) sobre música, um ciclo alargado que mostra «Imagens sobre Música», do kuduro ao fado, das músicas tradicionais aos Heróis do Mar (na foto, de João Bafo). A notícia que se segue foi sacada directamente no blog Sons Vadios:

«Imagens sobre Música
Mostra de Filmes Documentários
(4ª edição)

18 a 22 de Novembro de 2008

Entrada Livre
Na prossecução dos seus objectivos de divulgar a música em geral, e a portuguesa em particular, nas suas várias expressões, a Fonoteca Municipal de Lisboa promove, pela quarta vez consecutiva, [12] Imagens sobre Música Mostra de Filmes Documentários.

A África da kizomba e do kuduro está fortemente representada nesta edição, com três filmes que são também três perspectivas complementares sobre a crescente afirmação da música angolana no panorama actual. Mas também a Lisboa do encontro de culturas; o fado "de aquém e além-mar"; as danças como expressão local e paixão universal; a paisagem enquanto moldura sonora; a literatura como fonte inspiradora da composição; o tempo entre um "Portugal antigo e um Portugal moderno", ao som de uma banda rock. São diversas as dimensões que se cruzam nestas [12] Imagens sobre Música.

Imagens sobre Música - Mostra de Filmes Documentários (4ª edição) irá decorrer entre os dias 18 e 22 de Novembro nas instalações da Fonoteca Municipal, com entrada livre. Em cada dia serão projectados dois filmes, a partir das 18h, à excepção de Sábado, último dia da mostra,
onde serão apresentadas quatro projecções, com início às 17h30.

Programa

____18 Novembro (Terça-feira)

[18:00] Mãe Ju ( 55' )
realiz. Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade,
prod. Noland Films, 2007.

[19:00] Margem Atlântica ( 57' )
realiz. Ariel de Bigault,
prod. FMC, Filmoblic e Real Ficção, 2006.


____19 Novembro (Quarta-feira)

[18:00] Canção d'Além-Mar: O Fado na Cidade de
Santos pela Voz de seus Protagonistas ( 55' )
realiz. e prod. Eduardo de A. Teixeira e
Heloísa de A. Duarte, 2008.

[19:00] É Dreda ser Angolano ( 65' )
realiz. e prod. Fazuma, 2007.


____20 Novembro (Quinta-feira)

[18:00] Kuduro, Fogo no Museke ( 50' )
realiz. Jorge António, prod. Lx Filmes, 2008.

[19:00] A Terra Antes do Céu ( 60' )
realiz. João Botelho, prod. Ar de Filmes, 2007.


____21 Novembro (Sexta-feira)

[18:00] Arritmia ( 44' )
realiz. Tiago Pereira, prod. Pé de Xumbo, 2007.

[19:00] Brava Dança ( 80' )
realiz. Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro,
prod. Filmes do Tejo II, em assoc. com A Ventura
Humana e Nervo , 2006.

____22 Novembro (Sábado)

[17:30] Soundwalkers ( 30' )
realiz. Raquel Castro , prod. Bazar do Vídeo, 2007.

[18:05] Paisagens Sonoras ( 15' )
realiz. e prod. Pedro Gil e José Ceia Leitão, 2007

[18:25] Manda Adiante (27')
realiz. Tiago Pereira, prod. Pé de Xumbo, 2007.

[19:00] Fados ( 90' )
realiz. Carlos Saura, prod. Fado Filmes, 2007»

18 fevereiro, 2008

Pepe Habichuela, Miguel Poveda e Fuensanta «La Moneta» - Quando o Flamenco Vem a Lisboa


O flamenco - género maior da música espanhola de raiz - vai ter uma bela mostra em Lisboa, talvez a maior e mais abrangente que alguma vez teve em território português. Com organização da Alto & Bom Som Produções, o Festival de Flamenco inclui três espectáculos musicais - dedicados à guitarra, ao canto e à dança flamenca - e ainda exposições, filmes, palestras e workshops. Os espectáculos, todos marcados para a Aula Magna, são protagonizados pelo guitarrista Pepe Habichuela (dia 29 de Março), pelo cantor Miguel Poveda (dia 19 de Abril) e pela bailarina Fuensanta «La Moneta» (na foto; dia 17 de Maio). O programa fica completo com os filmes «Herencia Flamenca», dedicado aos Ketama, «Flamenco», de Carlos Saura, e «Tributo a Carmen Amaya», a exposição «Arte Flamenco», do fotógrafo Mario Pacheco, palestras sobre «Os Novos Flamencos», «Guitarra Flamenca», «Compreender o Flamenco» e «Fronteiras do Flamenco» e workshops de guitarra, canto e dança. Mais informações aqui e aqui.

17 janeiro, 2008

Carlos do Carmo É Candidato aos Prémios Goya


Desta vez, a notícia é sacada aos Sons Vadios, o excelente e sempre bem informado blog de Sara Vidal (cantora portuguesa que brilha à frente dos galegos Luar na Lubre): «Fado da Saudade», tema interpretado por Carlos do Carmo em «Fados» (na imagem, um fotograma do filme, com Carlos do Carmo, Mariza e, de costas, Camané), de Carlos Saura, nomeado para os Prémios Goya na categoria de «Melhor Canção Original». Os vencedores dos Prémios Goya - os «oscares» da indústria cinematográfica espanhola - serão conhecidos dia 3 de Fevereiro na Gala da sua 22ª edição. «Fado da Saudade», da autoria de Fernando Pinto do Amaral, é interpretado no filme por Carlos do Carmo, acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Carlos Manuel Proença e no baixo por Marino de Freitas. Em «Fados», recorde-se, participaram ainda, para além dos cantores e músicos já citados, Argentina Santos, Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela, Pedro Moutinho, Carminho, Catarina Moura, Kola San Jon, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lura, SP&Wilson e Lila Downs, entre outros.

31 outubro, 2007

«Fados» de Carlos Saura - Da Tela Para o Palco



Para além de uma digressão em Espanha, com alguns dos nomes mais sonantes do fado - Mariza e Camané, entre outros -, como contraponto «ao vivo» do filme «Fados», de Carlos Saura, outro espectáculo prepara-se para subir ao palco à boleia do filme do realizador espanhol, segundo informa a agência Lusa: o espectáculo «Casa de Fados», inspirado na cena que encerra o filme e que reúne os fadistas Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela (na foto), Pedro Moutinho e Carminho, sendo esta - que se encontra agora fora de Portugal - substituída ao vivo por Tânia Oleiro e contando ainda com a participação especial de Margarida Bessa. «Casa de Fados» - produzido pela Uguru e pela El Caiman - tem estreia em Portugal marcada para dia 29 de Novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com uma cenografia que incluirá a projecção de imagens do filme de Saura. A direcção musical é do guitarrista Pedro Castro, acompanhado por José Luís Nobre Costa (guitarra portuguesa), Jaime Santos (viola) e Joel Pina (viola-baixo). O mesmo espectáculo foi anteriormente apresentado em Espanha, em Julho, no Festival de Músicas de La Mar, em Cartagena, e a 19 e 21 de Outubro, em Las Palmas da Grande Canária. Antes disso, «Fados» terá uma projecção muito especial, com entrada gratuita, amanhã, quinta-feira, às 19h00, na Associação Cultural Moinho da Juventude, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, inserido nas comemorações dos vinte anos desta Associação, da qual faz parte o colectivo cabo-verdiano Kola San Jon, igualmente presente no filme.

26 fevereiro, 2007

«Fados» - Carlos Saura Filma a Canção de Lisboa (e do Mundo)



Por estes dias deve estar a terminar a rodagem do novo filme do realizador espanhol Carlos Saura, «Fados», ele que tem feito um trajecto cinematográfico que já o levou a filmar sevilhanas, o flamenco e o tango. Apaixonado pelo fado de Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Lucília do Carmo desde há muitos anos, Saura conta em «Fados» com um elenco de luxo onde se integram fadistas como Mariza, Carlos do Carmo, Argentina Santos, Camané ou Carminho (cantora ainda sem discos editados que é, possivelmente, a maior revelação do fado dos últimos anos), os guitarristas Ricardo Rocha e Fontes Rocha, e um elenco internacional em que se incluem os brasileiros Caetano Veloso e Chico Buarque, as cabo-verdianas Cesária Évora e Lura, o cantor espanhol de flamenco Miguel Poveda ou, um pouco mais surpreendentemente, a maravilhosa cantora mexicana Lila Downs (na foto). No filme há uma busca das raízes do fado - em África, com passagem pelo Brasil - e dos seus possíveis parentescos com outras músicas como o flamenco ou os mariachis, sem esquecer a figura mítica da lisboeta Severa. O filme tem produção conjunta da Zebra Producciones, da Duvideo e da Fado Filmes.