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17 agosto, 2011

Festa do Avante 2011 - O Programa Completo


A Festa do «Avante» comemora 35 anos de existência e tem, mais uma vez, uma programação musical bastante apelativa. Dias 2, 3 e 4 de Setembro de 2011, na Quinta da Atalaia, Seixal -- e com a EP a custar 20 euros (até 01/09) e 30 euros (dias da festa) -- sobem aos palcos principais:

Sérgio Godinho (que comemora 40 anos de carreira discográfica)
Trovante (que comemoram 35 anos de carreiura, iniciada exactamente na primeira Festa do Avante)
X-Wife
Xutos & Pontapés
Virgem Suta
The Underdogs
Tim e Companheiros de Aventura
The Poppers
The Happy Mothers
Terrakota
Susana Santos Silva Quinteto
Rock Alentejano (comédia/música)
Ritinha Lobo (Cabo Verde)
Quempallou (Galiza)
Sean Riley & The Slowriders
Pé na Terra
Nuno Dias
Mosto
Mayra Andrade (Cabo Verde)
Mário Alves
Maria Anadon Latin Jazz Quartet
Marco Rodrigues
Luísa Rocha
Luís Rodrigues
La Chiva Gantiva (Colômbia)
L.U.M.E
João Pedro Cabral
Inês Thomas Almeida
Gattamolesta (Itália)
Júlio Resende International Quartet
Expensive Soul & Jaguar Band
David Rovics (Estados Unidos)
Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras
Clã (em conncerto normal e num espectáculo para crianças)
Coro do Tejo
Danças Ocultas
Coro da Câmara da Lisboa
Bela Nafa (Guiné-Bissau)
Budda Power Blues
Ana Paula Russo
Amor Eletro
Camané
Anxo Lorenzo (Galiza)
4uatro ao Sul
Ópera dos 5 Cêntimos
Caminhos do Mar
Che Sudaka (Argentina/Colômbia/Catalunha; na foto)
Daniel Shvetz Tango Trio
Gonçalo Sousa
Gala de Ópera (espectáculo de abertura)





11 julho, 2011

Da Restart... Para o Mundo: Lisboa Que Amanhece


Desde há quase dez anos, sempre senti muito orgulho nas minhas turmas de Produção e Marketing Musical da Restart (e numa de Produção e Marketing de Eventos, no único ano em que dei aulas neste curso), às quais tenho leccionado a cadeira de História da Indústria Discográfica, o primeiro módulo deste curso. E, mais uma vez, a turma 2010/2011 volta a surpreender com um trabalho final que, desta vez, não se fica por aqui e lança sementes para o futuro: a net label Nó Cego, que agora lança o seu primeiro trabalho, a colectânea "Lisboa". Vai haver festa no S. Jorge, em Lisboa, dia 18 de Julho:


"Lisboa Que Amanhece

As turmas de Produção e Marketing Musical e Produção e Marketing de Eventos da Restart - Instituto de Artes, Criatividade e Novas Tecnologias vão realizar um evento que pretende realçar a importância da língua portuguesa e a forte relação cultural existente entre os países lusófonos.

O evento “Lisboa que Amanhece” terá lugar no dia 18 de Julho nas salas 1, 2 e 3 do Cinema São Jorge e conta com diversas acções a decorrer entre as 18h e as 24h. Apresentando Lisboa como capital de um movimento multicultural, o “Lisboa que Amanhece” leva ao palco do Cinema São Jorge 8 artistas/grupos oriundos de diferentes países de expressão portuguesa: JP Simões (PT), Cabace (PT, ANG, CV), Ana Lains (PT), Mixtafari (PT, BRA, ANG), Ritchaz y Keky (PT, CV), Chullage (CV), Couple Coffee (BR; na foto) e Circo das Atrocidades (PT).

A par dos concertos, será exibido o documentário “Lusofonia a (R)Evolução”, seguido de um debate, cujo título é “Lusofonia: Potencialidades e Futuro”. No mesmo evento, será apresentada a net label “Nó Cego” (inserida no projecto Report –
plataforma online direccionada para a indústria musical), acompanhada do lançamento da compilação “Lisboa", incluindo, entre outros, temas de artistas que vão actuar na noite de 18 de Julho. Confirmados até agora estão: NBC (STP), HMB (PT), Canela (PT), Vinicius Terra (BR), MV4 (STP), Ritchaz e Keke (PT, CV), Ana Lains (PT), Mixtafari ( PT, BR,
ANG) , Circo das Atrocidades (PT) e DJ Ride (PT).

O lançamento da compilação contará ainda com um DJ set de Irie + Cruzfader, que precederá os concertos acima referidos, agendados para o principal momento da noite.


http://www.facebook.com/NoCegoNetlabel"


Lista actualizada de projectos presentes na colectânea "Lisboa":

ORELHA NEGRA feat O. SANTOS
VINICIUS TERRA
ANA LAÍNS
MIXTAFARI
RITCHAZ Y KEKE
TERRAKOTA
NBC
COUPLE COFFEE
CANELA
XAFU
CIRCO DAS ATROCIDADES
MV4
HMB
DJ RIDE
CACIQUE 97

No debate estarão presentes:

António Pires (jornalista; Raízes e Antenas)
Carlos Martins (músico; Sons da Lusofonia)
José Mussuali (jornalista)
Mário Pereira ou Manuel Acácio (jornalistas da TSF)
Vinicius Terra (artista brasileiro; via skype)

14 junho, 2011

Festival Ollin Kan - Agora Com Sumo!


Depois de aqui ter publicado o calendário do Festival Ollin Kan -- que decorre na Casa da Música, Porto, de 22 a 24 de Juloho -- aqui vai informação mais sumarenta (e oficial) sobre os vários artistas e grupos (com alterações de nomes relativamente ao inicialmente previsto):

"FESTIVAL OLLIN KAN CLUBBING OPTIMUS

www.ollinkanportugal.com

22 DE JULHO
RAKIA |SUR LE NIGER |JAUNE TOUJOURS|WATCHA CLAN e DJ GRINGO DA PARADA



RAKIA (Portugal)

Os RAKIA encontram a sua identidade na fusão das raízes tradicionais portuguesas e nos diferentes estilos musicais, partindo assim para a exploração dos instrumentos e ambientes da música do mundo. Os seus instrumentos são os mais variados, oriundos de várias partes do mundo: viola campaniça, violino, flauta transversal, bateria, derbouka, cajon, guitarra e baixo.

SUR LE NIGER (Cabo Verde/Mali)

Projecto de criação iniciado em Fevereiro de 2011 que resultou do convite do Festival SUR LE NIGER, de Segou, Mali ao músico cabo verdiano BILAN. Este é o resultado de um encontro feliz entre dois músicos da mesma geração que partilham uma visão musical comum. A amizade e a grande cumplicidade musical tornou fácil este encontro onde a música flui com grande naturalidade, para um lado espiritual resultado da Kora de Madou Sidiki Diabaté, com as cordas crioulas de Bilan. O Festival OLLIN KAN PORTUGAL orgulha-se de apresentar em estreia absoluta este trabalho resultado da primeira criação artística promovido e patrocinado pela rede de Festivais OLLIN KAN.

WATCHA CLAN (França)

Em 2008 permaneceram três meses no Top 20 da World Music. Este é o resultado de uma fusão feliz entre samplers e batidas electrónicas, sons ancestrais e instrumentos tradicionais do caldeirão cultural da sua cidade natal, Marselha. O trabalho dos WATCHA CLAN (na foto) é influenciado por música judaica, cigana, flamenga e sufi e o seu som estende-se desde o Gnawa trance e drum'n'bass ao hip-hop, metal e folk dos Balcãs sefarditas.

JAUNE TOUJOURS (Bélgica)

Aqui está uma banda de culto que, com sua mistura explosiva urbana de géneros musicais, ritmos, linguagens e culturas evoluiu para uma marca de alta qualidade, apreciada tanto pela imprensa internacional como por plateias de todo o mundo. Adicione-se a isso o toque tipicamente belga de escárnio e de auto-atenuação e o resultado é uma banda com a energia do rock (sem guitarras!), o toque de jazz improvisado, o espírito de abertura da música do mundo e a ânsia de uma banda de rua.

DJ Gringo da Parada (França)

Após ter conquistado a sua cidade, Paris, com uma fusão funk de toda a música brasileira: samba, hip hop, bossa nova, batucada, house e drum n bass, conquista agora a cena musical europeia. Este DJ é também um grande performer, apaixonado pela música tradicional brasileira e pela pop britânica, com uma rara mistura de sons brasileiros, rock e um inesperado groove. A ideia principal deste projecto é fazer uma ligação entre a pureza da tradição e a modernidade da música brasileira, reflectindo o caos harmonioso da arquitectura das favelas.

23 DE JULHO
SOFIANE HAMMA| AS 3 MARIAS | CHICO TRUJILLO |DIOM DE KOSSA| DJ’S TOMMI & BARRIO



SOFIANE HAMMA (Argélia)

SOFIANE HAMMA e a sua banda suporte, os Kifna, trazem um novo som que mistura o 'gnawa', tradicional argelino, com toques de rock e soul jazz. O projecto SOFIANE HAMMA é original e intransigente combinando a tradição e os sons urbanos, mantendo o sentido profundo das músicas provenientes das margens da sociedade.
Nos fins da década de 90, SOFIANE HAMMA era líder de uma das bandas mais respeitadas de hip hop, no Norte de África, com as suas letras de intervenção contra o regime militar corrompido, o terrorismo e o fundamentalismo islâmico.

AS 3 MARIAS (Portugal)

Sendo o tango uma mistura de vários ritmos, de diferentes tendências dentro deste género musical, este novo projecto do Porto opta pelo tango canção, onde a letra tem a mesma relevância que a parte instrumental, aliás característica deste estilo musical. As letras são interpretadas em espanhol ou até mesmo em outros idiomas. Assim sendo, sente-se neste trabalho as influências de recursos clássicos do próprio tango misturados com o flamenco, boleros e outros imaginários musicais. A guitarra, a voz, o acordeão, o contrabaixo ou percussão, são os instrumentos que acompanham este trabalho de fusão. Para além destes instrumentos, AS 3 MARIAS socorrem-se de outra parafernália para produzir som, como, por exemplo, a máquina de escrever ou o isqueiro para deslizar nas cordas da guitarra.

CHICO TRUJILLO (Chile)

Esta banda formada em 1999, é o expoente máximo da cumbia chilena. CHICO TRUJILLO, enche estádios um pouco por todo o mundo contagiando públicos. O seu som é uma mistura de cumbia clássica, rock e ska ao qual se adere de uma forma espontânea.

DIOM DE KOSSA (Costa do Marfim)

A sua música tem origem nas densas florestas do norte da Costa do Marfim, onde viveu e começou por tocar Yadoh. Mais tarde tornou-se Mestre Percussionista no Ballet Nacional da Costa do Marfim, o que lhe proporcionou diversas colaborações com músicos europeus. Actualmente vive na Noruega onde formou uma banda que utiliza sons do seu país de origem com um toque jazzístico cujo resultado é extraordinário.

DJ’S TOMMI & BARRIO (Holanda)

Este dois dj’s Holandeses são mestres em FIESTA GLOBAL. No Festival Ollin Kan Portugal vão tocar uma das suas especialidades: Cross Over Latino! Não apenas a tradicional Salsa y Merengue, Reggaeton ou Ska Latino, Música Meztiça ou os ritmos da nova Cumbia, tudo misturado num Burrito muito quente.
TOMMI & BARRIO, são Dj’s residentes dos melhores clubs holandeses, como o Melkweg Amsterdam e o Tivoli Utrecht, e artistas assíduos em festivais, entre os quais se encontra o Lowlands. Já trabalharam com bandas como os Panteon Rococo, Gogol Bordello, Mala Vita, Che Sudaka e muitas mais que tocaram nas suas festas sempre lotadas e com as pessoas ao rubro.
A busca interminável por batidas dançáveis. Velhas, novas ou auto-produzidas resulta sempre numa grande festa inesquecível.

24 DE JULHO
SVER|JOHANNA JUHOLA|TERRAKOTA|RETROVISOR


SVER (Noruega)

Este quinteto oferece um enérgico banquete de melodias de dança juntamente com uma presença em palco extrovertida e cheia de humor. OsSVER conseguem trazer do passado a música tradicional e acrescentar-lhe uma faísca enérgica mas preservando sempre a sua herança cultural.

JOHANNA JUHOLA (Finlândia)

Os traços característicos do grupo incluem uma espontânea e subtil comunicação musical, que alterna entre aconchego e humor pouco irreais, a valorização da simplicidade desinibida e improvisação.

TERRAKOTA (Portugal)

Os TERRAKOTA são uma banda de música portuguesa com uma sonoridade diversificada da África negra, das Caraíbas e da Índia. Têm como ponto de partida a música orgânica da África Negra, misturada com as sonoridades frescas das Caraíbas, das Índias e do Ocidente. As guitarras eléctricas, o baixo e a bateria cruzam-se com instrumentos tradicionais como o n'goni, o ballafon, os sabares, o djambé, o sitar, as m'biras ou o alaúde para criar uma fusão cosmopolita única. Nos TERRAKOTA, a variedade de ritmos é a palavra-chave que permite transpor a energia.

RETROVISOR (Colômbia)

Este é um projecto musical que mistura rock, electrónica com influências latinas e colombianas. Utilizam o apoio de recursos visuais onde a música não é só ouvida mas também vista. O projecto não está parado na experimentação simples, a banda quer transmitir uma consciência social e ambiental, uma reflexão sobre o papel da tecnologia na vida contemporânea e um contraste entre o velho e o novo juntando efeitos visuais produzidos em tempo real. Sons e estéticas urbanas da grande cidade Bogotá."

06 maio, 2011

Ollin Kan 2011 com Watcha Clan, Johanna Juhola e Retrovisor


Mais uma vez recorrendo à rapidez de antecipação das Crónicas da Terra, aqui fica o programa completo da extensão portuguesa do festival mexicano Ollin Kan, que este ano decorre de 22 a 24 de Julho na Casa da Música, Porto, e não em Vila do Conde:


"Programa completo do Ollin Kan na Casa da Música

22 de Julho

Rakia (Portugal)
Sur le Niger (Cabo Verde/Mali)
Watcha Clan (França)
Jaune Toujours (Bélgica)
Dj Chris Tofu (Inglaterra)

23 de Julho

Sofiane Hamma (Argélia)
As 3 Marias (Portugal)
Chico Trujillo (Chile)
La Mojarra Electrica (Colômbia)
Dj’s Tommi & Barrio (Holanda)

24 de Julho

Sver (Noruega)
Johanna Juhola (na foto; Finlândia)
Terrakota (Portugal)
Retrovisor (Colômbia)"

15 novembro, 2010

Clube Conguito no Festival Lisboa Mistura


O Clube Conguito (DJs António Pires e Rodrigo Madeira; na foto, de António Pedro Ferreira) encerra as festividades da edição 2010 do Festival Lisboa Mistura, uma organização da Associação Sons da Lusofonia, que decorre no Teatro Municipal de S.Luiz, em Lisboa, de 3 a 5 de Dezembro. Um Festival que, ao longo desses três dias, mostra muitas e desvairadas músicas de todo o mundo! Mais informações pertinentes:

"Lisboa Mistura é um espaço de encontro, no centro da cidade, entre pessoas e entre artes e entre artistas de várias proveniências geoculturais. Lisboa Mistura músicas, dança, vídeo, poesia: artistas contadores de estórias em formatos variados. Lisboa Mistura pessoas e convida-as a conhecer outros convidados, pessoas de bairros tão próximos dos nossos e que muitas vezes não "vemos". Mistura jovens que vêm em autocarros e de outras formas menos volumosas, amigos, familiares e apoiantes de Associações dos bairros a que estes pertencem. É a O.P.A. a Lisboa! E a alegria de nos reconhecermos em cada rosto que olha a partilha, o ser intercultural.

Lisboa Mistura é o 1º evento intercultural organizado pelos lisboetas de todos os lugares. Esta 5ª edição é feita para ouvir em silêncio os sons do Mundo, para dançar livremente os sons da Terra, para nos envolvermos em causas de todos, para nos divertirmos e para pensar no futuro enquanto comunidade. É mesmo um espaço de debate e celebração. E convidamos todos, não a irem aos bairros, mas a virem ao centro de Lisboa assistir a uma grande peça, com dramaturgias variadas, em que "Nós" somos os protagonistas.

Na Sala Principal teremos desde o lançamento em Lisboa do novo álbum dos Terrakota (um êxito antes de começar), passando pela voz quente da brasileira Adriana Miki, da "pop" tribal do senegalês Nuru Kane, a subtileza melódica e rítmica do guineense Kimi Djabaté, até ao Lisnave que este ano junta no mesmo palco a nova música portuguesa com a experiência dos Dead Combo & Bateria Siamesa dos Paus, Galandum Galundaina (prémio 2010 Megafone), Diabo na Cruz e as imagens de Tiago Pereira e António Jorge Gonçalves, até ao "Void" de Clara Andermat.

Mas a Mistura continua e intercala os concertos do Jardim de Inverno com as participações dos novos projectos de produtores e DJ´s como Bordell, Octapush, Clube Conguito, Dj Dinis ou a alegria do Anónima Nuvolari que abrem a festa no primeiro dia. E claro teremos uma mostra muito séria e animada do que é feito pelos jovens dos bairros de Lisboa, a Grande claro, que vêm ao Teatro São Luiz com as suas mensagens e urgências. Para que todos possam participar organizámos uma Festa Intercultural com grupos mais ou menos amadores compostos por chineses, indianos, africanos, portugueses, brasileiros, ucranianos...onde nos vamos conhecer melhor."

09 junho, 2010

Terrakota Festejam Dez Anos no S. Jorge


E as razões para os Parabéns estão aqui:


"A grande festa da multiculturalidade ...


TERRAKOTA CELEBRAM 10 ANOS COM CONCERTO E DOCUMENTÁRIO

9 Junho :: Cinema São Jorge (Lisboa) :: 22h00 :: bilhetes 12€


2010 é um ano muito especial para os Terrakota. Pioneiros da multiculturalidade em Portugal, o grupo celebra 10 ANOS repletos de inúmeros encontros com outras culturas, cores e aromas.

Outro momento alto reservado para este ano é a edição do tão aguardado 4º álbum de originais, cujo ponto de partida é uma viagem à Índia, onde os TERRAKOTA foram convidados a tocar, em Agosto de 2009, nos Himalayas, a 3.500 metros de altitude.

Estes 10 anos vão ser celebrados com um concerto especial no dia 9 de Junho no Cinema S. Jorge em Lisboa. Aqui irão cruzar-se o passado e o futuro da banda: serão revisitados alguns dos melhores momentos da sua carreira e será aberta a janela sobre o seu próximo trabalho discográfico.
Eis o plano das festas:
SALA 3

22h00 - projecção do documentário "Terrakota no Topo do Mundo - Diário da Viagem aos Himalaias", realizado por Pedro Coquenão.

SALA 1

23h00 - espectáculo de celebração dos 10 anos, com a participação de convidados como Francisco Rebelo, João Gomes e Nuno Reis (Cool Hipnoise), Trinta e Kiko (Kumpania Algazarra), entre outras surpresas.
Neste momento, os Terrakota encontram-se na fase final de misturas do seu 4º álbum, cozinhando novos pratos e usando cada vez mais especiarias na procura de um som próprio, orgânico e sem fronteiras. Este próximo disco propõe uma viagem que parte do Oriente e segue para Ocidente, através do deserto, rumo ao Senegal. Pelo caminho, cruza-se com muitas etnias africanas no seu percurso de "djagandjay" até Angola, onde apanha um navio negreiro até ao Caribe com escala no Brasil.


Uma viagem com mensagem afirmada de multiculturalidade, consciência,amor e liberdade!

O novo álbum conta com uma série de convidados ligados a diferentes universos musicais, caminhando para uma abordagem mais adulta da música de raiz, oriunda de lugares como a Índia, Angola, Senegal ou o Sahara. A sua edição a nivel mundial acontecerá no princípio do Outono. "WORLD MASSALA" É O novo single e videoclip.

Os Terrakota encontram-se na fase final de misturas do seu 4º álbum, cozinhando novos pratos e usando cada vez mais especiarias na procura de um som próprio, orgânico e sem fronteiras. O novo álbum conta com uma série de convidados ligados a diferentes universos musicais, caminhando para uma abordagem mais adulta da música de raiz, oriunda de lugares como a Índia, Angola, Senegal ou o Sahara. A sua edição a nivel mundial acontecerá no princípio do Outono.

O primeiro single "World Massala" e respectivo videoclip já rodam nas radios e tv’s nacionais. O tema é um delicioso groove punjabi reggae construído em cima duma ragga clássica indiana (rag Malkauns do mestre Gurugi Jamini Das). No videoclip, seguimos a banda movendo-se de rickshaw (mototaxi) nas multi-povoadas ruas de Nova Delhi. Prova de que o Mundo é uma grande Massala!!!

O tema é um apelo à aceitação da multiculturalidade em toda a sua plenitude. A diversidade cultural é um facto, evidente em cada continente, cada pais, cada cidade, cada povo... cada pessoa.

Para o cantor Júnior, "a multiculturalidade é um pilar do desenvolvimento social da humanidade. Neste tema o reggae faz uma ponte entre a India clássica do cantor carnático Mahesh Vinayakram e a India folklorica dos Rajasthan Roots.”

A cantora angolana Romi Anauel aponta para uma sociedade mais sensivel e feminina defendendo "o regresso a valores intemporais de ligação entre as pessoas e a natureza seguindo o rio das leis naturais da vida. A felicidade não vem de fora mas de dentro de cada um ".


Recordamos que em 2007, com a edição do seu completamente auto-produzido terceiro album "Oba Train", os Terrakota passaram a marcar uma posição de destaque dentro da world music a nível mundial. O album foi unanimemente elogiado e considerado o melhor do grupo, tendo levado o colectivo numa preenchida "Oba Train tour" por mais de 2 anos, que passou pelos maiores festivais europeus: Etnosur, La Mercé e Mercat de Vic (Espanha), Couleur Café, Polé Polé e Esperanzah (Bélgica), Amsterdam Roots (Holanda), Exit Festival (Sérvia), Rototo Sunsplash (Itália), Babel Med (França) entre outros.



Terrakota

ROMI: voz

JUNIOR: voz, guitarra

ALEX: guitarra

DAVIDE RODRIGUES: bateria, backing vocals

NATANIEL MELO: percussão

FRANCESCO VALENTE: baixo

MARC PLANELLS: sitar, backing vocals


FEATURING

Mahesh Vinayakram: canto carnático

Vasundhara Das: canto carnático

Kulta Khan (Rajasthan Roots): morchang, khurtal and bhapang

Roshan (Rajasthan Roots): dholak

Kusumakar Pandya (Rajasthan Roots): bansuri


DiscograFIA

World Massala (outubro 2010), Oba Train (2007), Humus Sapiens (2004), Terrakota (2002)"

31 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (III)


O rock português no retrovisor
por António Pires, Publicado em 26 de Junho de 2009

Durante dezenas de anos, os grupos e artistas portugueses que se dedicaram - e dedicam - ao rock tiveram como principais modelos os grandes nomes estrangeiros do género. O mesmo se passa, obviamente, em muitos outros países de produção musical periférica, mas no nosso caso não é preciso fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos de quem, ao longo de cinquenta anos de história do rock, imitou por cá o Elvis e os Shadows, os Beatles e os Stones, os Sex Pistols e os Clash, os Joy Division e os Echo & The Bunnymen, os Nirvana e os Pearl Jam... É até duvidoso que alguma vez tenha havido um rock português, sendo mais correcto falar-se de um rock cantado em português ou de rock feito em Portugal. Porém, curiosamente, e no espaço de pouquíssimas semanas, três novos grupos nacionais - todos eles muito diferentes entre si e de origens geográficas díspares (Porto, Lisboa e Beja) - editam os seus álbuns de estreia e, espanto!, assumem como influências maiores nomes do rock... feito em Portugal. Os Tornados fazem rock'n'roll, rockabilly, surf-rock, twist e ié-ié alimentados pelo Conjunto Mistério, o Conjunto Académico João Paulo ou o Quarteto 1111. Os Golpes atiram-se descaradamente à música e à estética dos Heróis do Mar (nem lhes falta um tambor que tem escrito "Amor"). E, na sua música, os Virgem Suta (na foto) citam sem vergonha - e ainda bem - os Ornatos Violeta (e Sérgio Godinho e José Afonso e Variações). E isso é bom.



Novos Talentos e uma boa causa
por António Pires, Publicado em 03 de Julho de 2009

Henrique Amaro (o maior divulgador radiofónico de música portuguesa) é o responsável, desde 2007, pela selecção de grupos e artistas nacionais que têm integrado as colectâneas "Novos Talentos FNAC". Já no terceiro volume, o "Novos Talentos FNAC 2009" faz mais uma vez justiça ao seu subtítulo, "O Futuro da Música Portuguesa", e lança, para quem os quiser ouvir, 33 novos nomes, ao mesmo tempo que se associa à AMI - Assistência Médica Internacional, para a qual reverte a totalidade das receitas angariadas. E, apesar de não encontrar momentos fracos nesta colectânea e não havendo espaço para falar de todos, atrevo-me a eleger cinco ou seis que, numa primeira audição, me pareceram os mais originais de todos: Orelha Negra (Sam The Kid, DJ Cruz Fader e elementos dos Cool Hipnoise, entre outros, fazedores de um som que cruza com sabedoria o hip-hop, a soul, o funk, o disco...); The Bombazines (que recuperam duas das melhores vozes nacionais - Marta Ren, ex-Sloppy Joe, e Gon, ex-Zen; na foto); Márcia (uma cantautora magnífica!); GNU (pós-rock, noise, free-jazz, prog-metal, energia punk e tudo isto à tareia); Samuel Úria (poema de homenagem rock-desconstrutivista sobre guitarra); You Can?t Win, Charlie Brown (com uma pop suave, inteligente e incrivelmente apelativa); B Fachada (o melhor letrista da nova geração de compositores nacionais); Oh! Shiva (psicadelismo pesado entre George Harrison/Ravi Shankar, Os Mutantes, Led Zeppelin e Tom Zé). Há futuro.



Os Jogos da Lusofonia (em Música)

Num fim-de-semana em que Lisboa está dominada pelos Jogos da Lusofonia, é bom lembrar que a capital portuguesa e os seus arredores - cadinhos de culturas em que milhões de falantes lusófonos se cruzam e cruzaram - podem oferecer, para além do desporto, muita música em português com sotaques vários e crioulos incluídos. Apenas alguns exemplos, ficando muitos outros de fora: Terrakota, Cool Hipnoise, Lindú Mona, Tama Lá, Djumbai Jazz (fusões de várias culturas); Kussondulola, Mercado Negro, Prince Wadada (reggae africano); Alap (música indiana); Bei Gua (música e danças timorenses); Cyz, Couple Coffee (música brasileira); Lura - na foto -, Sara Tavares, Dany Silva, Tito Paris, Celina Pereira, Bana, Ana Firmino, Kola San Jon (música cabo-verdiana); Anaquiños da Terra (música galega e que ficam aqui referidos apesar da Galiza não entrar em jogo); Chullage, Valete, Nigga Poison, SP & Wilson, Conjunto Ngonguenha (rap de intervenção); Bonga, Waldemar Bastos, Filipe Mukenga (música angolana); Juka (São Tomé e Príncipe); Guto Pires, Manecas Costa, Kimi Djabaté, Braima Galissá, N'Dara Sumano (Guiné-Bissau); Buraka Som Sistema, Makongo (kuduro transformado); André Cabaço, Mariza (Moçambique); Cacique'97 (afro-beat luso-moçambicano); Irmãos Verdades (kizomba angolana). Entre os jogos das bolas, o atletismo e as artes marciais, talvez reste um tempo para se descobrirem algumas destas músicas.

02 dezembro, 2009

Etnias - O Contagiarte Mexe Outra Vez (no Sá da Bandeira)!


O Raízes e Antenas - que tem andado um bocado ao abandono por manifesta falta de tempo (e alguns espirros) do seu autor - regressa para dar conta da nova edição do festival Etnias, uma organização do Contagiarte que, desta vez... decorre no Teatro Sá da Bandeira, no Porto. O comunicado do camarada Osga (programador do festival):

«Chegou o Inverno e como de costume o FESTIVAL ETNIAS!

Pessoalmente fico imensamente feliz nesta época, onde o desconforto do frio nos recolhe, nos faz reflectir no verão que passou, nas noites quentes ao som dos tambores, uma fogueira acesa, aquela dança, aquela viagem...

... e poder transmitir este evento que tanto me preenche como ser humano, é também um convite a todos/as para durante 3 dias reviver e viajar pelas músicas e as danças do mundo num espaço idílico recheado de história que é o Teatro Sá da Bandeira na cidade do Porto!

Em meu nome pessoal, e com todo o apoio dos MU - Associação Cultural, um bem haja a todos!

... 7 dias da semana, 7 notas musicais, 7 vidas do gato, 7 cores do arco-íris, 7 velas do candelabro, 7 os pecados, 7 os cadeados, 7 as maravilhas do mundo, 7 é o número... mágico!

Até breve,
Agradeço toda a divulgação
Hugo Osga


FICA AQUI O PRESS RELEASE DO FESTIVAL:


FESTIVAL ETNIAS

ETNIAS – Festival de Músicas do Mundo
7ªedição / Dez. 2009
Nos dias 10, 11 e 12 de Dezembro o CONTAGIARTE está no Teatro Sá da Bandeira com a 7ª edição do festival de músicas do mundo - ETNIAS

Os ritmos e culturas que não queremos ver perdidos, tesouros da humanidade, traduz-se, para nós, no Etnias, um festival que celebra as sonoridades e danças das culturas de povos do mundo, desejando aproximar-se cada vez mais do propósito da world music, ou seja, promover a harmonia e o entendimento entre culturas.

A programação da edição deste ano assenta fortemente em projectos com sons de raíz africana, mesclados por outros sons como os das Caraíbas, da Índia, do Oriente, Austrália, Cuba, Uruguai ou Brasil. Contudo contempla também projectos direccionados a outro tipo de sons e etnias, como os Karrossel, um recente projecto nascido na cidade do Porto, dedicado à recolha e pesquisa, que ensina danças tradicionais, essencialmente portuguesas, mas também do resto da Europa.

O Etnias celebra também o aniversário do Contagiarte, foi este o evento que abriu as portas a um espaço cultural que se transformou num dos mais emblemáticos da cidade e do país. Durante três dias consecutivos, 10, 11 e 12 de Dezembro, o Contagiarte e o Etnias celebram seis anos de cultura.

QUINTA- FEIRA 10 DEZEMBRO

-KARROSSEL (na foto)
-OLIVETREEDANCE
-DJ OSGA - NOITES FOLK

SEXTA-FEIRA 11 DEZEMBRO

-SEMENTE
-ESCOLA SEMENTINHA
-NAÇÃO VIRA LATA
-DJ GOLDENLOCKS - WORLD MUSIC

SABADO 12 DEZEMBRO

-KILANDUKILU
-WINGA KAN
-TERRAKOTA
-DJ XIBATA -REGGAE, WORLD, DANCEHALL


Programação: Hugo Osga
Direcção de Produção: Ana Saltão
Direcção Técnica Rui Oliveira
Design: Paulo Gomes
Fotografia: Hugo Lima
Produção e Logística: Thomas Gawrisch
Comunicação: Daniela Reis
Técnicos: João P. Jorge e Rui Reis
Produção: Acaro».

Mais informações, aqui.

21 outubro, 2008

Terrakota Terminam Digressão Europeia em Barcelona (e... na Covilhã)


Depois de mais de trinta concertos em Portugal, Espanha, Italia, França, Holanda, Bélgica, Estónia, Polónia e Sérvia - e tendo passado por festivais como o Amsterdam Roots Festival, o Festival Esperanzah, na Bélgica, o Etnosur, na Andaluzia, o Exit Festival, na Sérvia, e o Mercat de Vic, na Catalunha - os Terrakota terminam hoje, dia 21, a sua digressão europeia de 2008 com um espectáculo na Sala Apolo 1, em Barcelona. Mas para que os catalães não se fiquem a rir ainda há mais um concerto da banda por terras portuguesas, dia 31 deste mês, na Covilhã.

Para além disso, e segundo um press-release do grupo, «o videoclip do single "É verdade", realizado pela Droid, entrou na selecção oficial do Fantasporto, foi eleito “melhor video português do ano” pelo Brand New da MTV, ganhou o prémio especial do juri no Vimus (Festival Internacional de Videos Musicais) e está em Playlist no Nat Geo Music». E esta semana, a MTV Portugal dedica-lhes vários especiais: «MTV BRAND NEW TAPETE TERRAKOTA - 23\10 às 21.30 e 28\10 às 00.30 -
FAZUMATV TERRAKOTA (reportagem do concerto Apolo 2 – Abril 2008); 27\10 às 22.30 -MTV VJBLOG TERRAKOTA; 22\10 às 21.55 - TERRAKOTA OBA TRAIN TOUR 2008».

09 julho, 2008

Terrakota e Ponto de Equilíbrio - Pontes Luso-Afro-Brasileiras


É uma grande festa do reggae (e uma grande festa para além do reggae...): dia 15 de Julho, no Domus, em Braço de Prata, Lisboa, há concertos dos afro-italo-portugueses Terrakota (na foto) e dos brasileiros Ponto de Equilíbrio, seguindo-se depois um sound-system e DJs que também fazem do reggae (e de outras músicas) o pretexto perfeito para continuar a dançar nestas quentes noites de Verão. Mas o melhor mesmo é deixar a nota de imprensa desta grande festa - organizada pela Crew Hassan e pelos Terrakota - na íntegra:

«No dia 15 de Julho, o espaço Domus vai ser palco do encontro explosivo de duas bandas muito especiais, de coração aberto e consciência elevada : os

TERRAKOTA, banda referência de "World mestiça" e os PONTO DE EQUILÍBRIO, grupo de reggae roots brasileiro que está a explodir agora no Brasil e no Mundo. Dois grupos irmãos que nunca deixaram de colaborar, apesar da distância desde o seu primeiro encontro em finais de 2005. Finalmente, conseguiram criar-se as condições para se cruzarem na estrada durante as suas intricadas tournées de verão: juntos ao vivo, pela 1ª vez, num evento organizado pelos TERRAKOTA e a CREW HASSAN.

Os TERRAKOTA, já bem conhecidos do público português, são um grupo pioneiro em Portugal pelo carisma e multiculturalidade do seu trabalho. A energia quente e cativante dos seus espectáculos transformam-nos em autênticas celebrações de um Mundo sem Fronteiras em perfeita sintonia com o planeta. Esta grande festa marca o regresso da banda aos palcos lisboetas, após cerca de um ano em tournée europeia, com passagem por uma dezena de países e por importantes festivais de worldmusic.

O álbum "Oba Train", terceiro de originais e o primeiro disco do colectivo a ter distribuição mundial, tem sido muito bem acolhido pelos media e pelo público em geral: registou entrada no World Music Europe Chart e foi classificado como um plot de culturas rico e surpreendente. A publicação britânica FRoots acaba de dedicar-lhes um artigo de 3 páginas intitulado "Novos sons de Lisboa". Fruto de um longo trabalho e espírito de sacrifício desmedido, os TERRAKOTA conseguem agora espalhar a sua mensagem mestiçada - o respeito pela mãe Natureza e a crença num Mundo diferente, em harmonia e sem fronteiras - por palcos europeus, reflectindo e expandindo a grande mistura de povos que caracteriza Lisboa, mostrando que de Portugal não vem só o Fado.

Mais informações:

www.myspace.com/terrakota

Os PONTO DE EQUÍLIBRIO, nascidos e criados em Vila Isabel (zona norte carioca), são hoje uma das principais referências do Reggae no Brasil ao resgatarem as suas raízes e utilizarem a música com arma socio-cultural. O próprio nome da banda revela tudo: "o equílibrio entre o céu e a terra, o positivo e o negativo, o bem e o mal. Esse é o ponto que todos nós buscamos e para onde todos retornaremos, quando for terminada nossa missão nessa vida" explicam os músicos.

O grupo acabou de lançar o segundo álbum de originais intitulado "Abre a janela", que surge como uma continuidade natural do primeiro, um roots reggae genuíno, com grande clareza e frontalidade ao nível da mensagem e um instrumental muito rico e enérgico. Um excelente disco que marca também a estreia do selo próprio da banda – Kilimanjaro – com edição em Portugal pela Warner Music.

Um concerto de Ponto de Equilibrio é tambem uma grande celebração de positividade e da crença num Mundo sem diferenças, movendo já grandes massas de pessoas no nosso país irmão. Para ouvir alguns dos êxitos da banda brasileira – "Janela da favela", "Verdadeiro valor" ou "Coisa feia", visite

www.bandapontodeequilibrio.com.br e www.myspace.com/pontodeequilibrio

Pela visão do mundo que comungam, a paixão por África, a forte ligação à Mãe Terra, este espectáculo promete ser uma grande celebração numa noite plena de boas vibrações. Depois dos concertos, e porque o calor já convida à festa, preparem-se para dançar pela noite dentro, ao som do reggae, funk, worldbeat power dos colectivos Riddim Culture Sound System (www.myspace.com/riddimculturesound) e DJ 2 Old4School/Dj Parkinson (www.crewhassan.org)».

03 julho, 2008

Boom Festival - Atear um Fogo Sagrado


De 11 a 18 de Agosto, em Idanha-a-Nova, na Beira Baixa, vai decorrer mais uma edição do Boom Festival. Com inúmeros palcos e actividades, o Boom - que começou por se dedicar essencialmente ao trance mas evoluiu depois para muitas outras áreas musicais e artísticas - tem este ano, no seu palco Sacred Fire, o espaço privilegiado para os concertos de world music e géneros colaterais. Segundo o press-release do festival, o Sacred Fire é «uma zona para concertos onde impera a world music. Mas a Sacred Fire é mais do que um palco. Integra-se numa área ajardinada por arquitectos paisagistas cujo objectivo é recriar jardins enquanto espaço de sociabilidade e contacto com a natureza. A par da beleza estética podem ouvir-se géneros musicais como rumba, afro-beat, funk, reggae ou folk e a participação especial de uma das bandas de culto em Portugal, os Blasted Mechanism». No palco Sacred Fire vão actuar os já referidos Blasted Mechanism (Portugal), 3ple-D (Holanda), Gocoo (Japão; na foto), Barcelona Afrobeat International Orchestra (Espanha), Atma (Portugal), Buritaca 200 (Colômbia), Charrascos da Citânia (Portugal), Jahmin (Portugal), Mu (Portugal), Napalma (Brasil), OCO (Portugal), Orquid Star (Reino Unido), Raspa (Espanha/América Latina), Shiva Sound (Espanha), Teresa Gabriel (Portugal), Terrakota (Portugal), Yemanjaz (Portugal), Wild Marmelade (Austrália) e Velha Gaiteira (Portugal). Todo o programa do festival - que integra ainda mais umas boas dezenas de nomes - e mais informações, aqui.

04 dezembro, 2007

Blasted Mechanism, Terrakota, Tora Tora Big Band... Todos no Mundo Dakar


O Rally Dakar, organizado pelo Euromilhões, tem uma grande festa de apresentação marcada para este fim-de-semana, na zona ribeirinha de Santos, em Lisboa, transformada para o efeito num local «mítico» algures no deserto do Sahara, cheio de dunas, de camelos, de chá de menta, de tatuagens de hena, de comida do norte de África e de muitas músicas e muitos sons: concertos, no sábado, dia 8, com os Blasted Mechanism (na foto), Terrakota e Kumpa'nia Al-gazarra; e no domingo, dia 9, com a Tora Tora Biga Band, Orquestra de Jazz de Matosinhos e Led On (projecto de tributo aos Led Zeppelin). Em ambos os dias há sessões temáticas de DJing: «Músicas do Mundo» (com Raquel Bulha e, hermmmm, pois, António Pires) e «Rock do Asfalto ao Deserto» (com Luís Filipe Barros e António Freitas). O Mundo Dakar - assim se chama a iniciativa -, está aberto das 14h00 à meia-noite e inclui ainda uma exposição de motos, jipes e camiões participantes no Rally e outra de bólides clássicos.

20 novembro, 2007

Musidanças - É Já Esta Semana!


Uma notícia genérica sobre o Musidanças já tinha ficado aqui publicada há algumas semanas, mas desta vez - e aproximando-se rapidamente o início desta celebração da Lusofonia - aqui fica outra mais alargada e com as datas de todos os concertos: a edição deste ano do Musidanças - Festival de Artes do Mundo Lusófono decorre de 22 de Novembro a 1 de Dezembro, no Institut Franco-Portugais, em Lisboa. No arranque, dia 22, há concertos de Braima Galissa (Guiné-Bissau) e Terrakota (Portugal/Angola/Itália), dia 23 de Pascoal Silva (Cabo Verde) e Jovens do Hungu(Angola); dia 24 de Fernando Terra (Brasil) e Dazkarieh (Portugal; na foto); dia 29 é o Dia Musidanças com um super-grupo formado para a ocasião que reúne André Cabaço (Moçambique), Guto Pires (Guiné-Bissau), Lindú Mona (Angola), Francisco Naia (Portugal) e Tonecas (S. Tomé), havendo ainda teatro-dança por Robson Vieira; dia 30 há mais concertos com Puzzle (Portugal) e Melo D (Angola); e dia 1, o festival encerra com espectáculos de Jorge Dissonnancia (Brasil) e Uxía (Galiza) e um recital de poesia de Elsa de Noronha. Paralelamente, o festival integra uma exposição de pintura de Lívio de Morais - que também dará uma conferência sobre máscaras africana tradicionais - e workshops por Elsa de Noronha, Rosana António, Robson Vieira e Cláudio Silva. Mais informações aqui.

01 outubro, 2007

Musidanças - Lusofonias à Solta no Franco-Português



Depois do «aquecimento» no Maxime, com as Noites Mestiças, o Musidanças - Festival de Artes do Mundo Lusófono -, dá o salto para o Institut Franco-Portugais, em Lisboa, de 22 de Novembro a 1 de Dezembro, com uma programação bastante diversificada. Veja-se então: Terrakota (Portugal/Angola/Itália; na foto), Grupo Musidanças (constituído por André Cabaço, Lindú Mona e Guto Pires, entre outros músicos lusófonos), Dazkarieh (Portugal), Uxia (Galiza), Wilmar Silva (Brasil - poesia), Pascoal Silva (Cabo Verde), Jovens do Hungu (Angola), Fernando Terra (Brasil), Braima Galissa (Guiné-Bissau), Puzzle (Portugal), Jorge Dissonnancia (Brasil), Melo D (Angola), Elsa Noronha (Moçambique - poesia), Robson Vieira (Brasil - teatro/dança) e uma exposição de Lívio de Moraes (Moçambique); havendo ainda lugar para poesia, dança e workshops. O Musidanças, recorde-se, é um festival anual idealizado por Firmino Pascoal que se realiza desde 2001. Mais informações aqui.

12 julho, 2007

Festa da Diversidade - Sem Fronteiras e sem Preconceitos e sem Barreiras



Este fim-de-semana, Lisboa acolhe mais uma Festa da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades, com inúmeros concertos (desde a folk à música tradicional africana, passando pelo reggae, o gnawa ou o hip-hop...), espectáculos de dança, artesanato, gastronomia, exposições, workshops, debates e outras actividades. É nos dias 13, 14 e 15 de Julho, na Praça do Comércio, e o programa cultural (que inclui concertos, performances e espectáculos de dança) é preenchido por actuações de Kilate, Red Chikas, Pedrinhas de Arronches, Ballet Brasil, Grito Silencioso, Gnawa Bambara, Glória Lopo, Chullage e Tucanas (dia 13, das 19h00 às duas da manhã); Moulin Rouge, Cantares Mistos de Beja, Bazas d'lum, Raízes, Chocolate Lusófono, Black Roses, Schakas, Lúmen G, Netas di Bidinha Cabral, Terra Batida, The Guibs Dancers, As Estrelas do Mocho, Geração Viva, Batoto Yetu (na foto), Pé na Terra, Mistura Pura, Vera Cruz e Freddy Locks & The Groove Missions (dia 14, das 16h00 às duas da manhã); e Dança Cigana, um rancho folclórico, Plural, Tarrachinha, Mães Solteiras, Afrostyle Models, Nácia Gomi, As Rapicadas, Cabo Djura, O Pôr do Sol, um recital de poesia, Focolitus, Kumpa'nia Al-gazarra e Terrakota (dia 15, das 16h00 à meia-noite). Por sua vez, os debates - dedicados aos temas Religião, Deficiência, Género, Idade, Racismo e Orientação Sexual, decorrem ali muito perto, no Welcome Center. Todas as informações aqui.

28 maio, 2007

Terrakota - Próxima Estação: Aula Magna



A propósito do lançamento do álbum «Oba Train» e do concerto de apresentação do disco, dia 31, próxima quinta-feira, na Aula Magna, em Lisboa, a cantora Romi e o guitarrista Alex deram uma entrevista ao Raízes e Antenas. Um resumo da conversa segue aqui em baixo como mais um aperitivo para a audição do álbum (ver também crítica ao disco) e/ou para o concerto...

Quais são as principais motivações para continuarem a lutar pela vossa música?

Alex - Para já, continuamos todos muito apaixonados por aquilo que fazemos. E também recebemos muitos estímulos das pessoas que nos ouvem que nos motivam a continuar. Quando fazes o que gostas e percebes que a coisa também passa para o público, isso dá muita força. Também temos tido oportunidade, graças ao nosso trabalho, de não estarmos fechados numa carreira apenas em Portugal. E os nossos concertos no estrangeiro, perante públicos novos, e apesar do cansaço, vai-nos estimulando.

Romi - Se só tocássemos em Portugal, tenho a sensação de que estaríamos muitas vezes a andar em círculos fechados. O facto de tocarmos lá fora é importante para essa motivação e também para tentar melhorar sempre.

Este álbum dos Terrakota estreia uma nova editora, a Gumalaka, associada à Matarroa e à Rádio Fazuma. como é que surgiu essa associação de vontades?

Alex - O trabalho das grandes editoras, que são cada vez menos, é um trabalho repetitivo e feito com pouca paixão. E então nós fomos ter com pessoas que, ao longo dos anos, gostam daquilo que fazem e daquilo que nós fazemos. Fomos falar com a Rádio Fazuma e, a partir dali, o processo foi correndo: fomos falar com a Matarroa e também sentimos muito boa energia. E isto alargou-se às outras pessoas que trabalharam connosco, os técnicos, as pessoas do estúdio, as pessoas que acreditam em nós e contribuíram com dinheiro. E isso nota-se no disco: há, por exemplo, uma voz que é de uma das pessoas da Rádio Fazuma...

Romi - Reuniu-se aqui um grupo alargado de pessoas que têm a mesma forma de sentir, de estar; o mesmo gosto. E uma maneira de fazer as coisas que tem mais a ver com a cultura verdadeira e não com o comércio.

O vosso técnico nas gravações foi, mais uma vez, o Dominique Borde. Ele é quase um membro honorário dos Terrakota, ou não?

Alex - Quando vamos para estúdio, sim. Não sei se mais alguém teria paciência para suportar aquela quantidade de pistas que nós gravamos. «Olha, vamos pôr mais um instrumento; olha...». E o estúdio dos Blasted Mechanism, em que o nosso álbum foi gravado, tem muito bom som. Tem uma ligeira reverberação que é muito melhor para os nossos instrumentos acústicos do que outros estúdios, de acústica mais seca e abafada, em que já gravámos.

Há, pelo menos, uma grande diferença neste álbum em relação ao anterior («Húmus Sapiens»): o Junior tem novamente uma presença importante nas vozes, a juntar à Romi...

Romi - Sim, no primeiro álbum nós dividíamos muito as vozes entre os dois, mas no segundo fui eu que cantei mais. Neste novo voltámos um pouco à espontaneiade do primeiro e as coisas aconteceram assim naturalmente, mas com mais maturidade...

A vossa música passa por imensos géneros e o novo álbum ainda passa por mais alguns que nunca tinham visitado. Mas há, aqui, uma presença maior do chamado «som mestiço» (Manu Chao, etc.) e de temas cantados em espanhol...

Romi - Nós estivemos em Barcelona e gostamos imenso do trabalho do Manu Chao, mas tudo isso foi por acaso. Lisboa também seria o lugar ideal para se fazer um «som mestiço», à semelhança de Barcelona ou de Paris, mas isso não acontece porque cá ainda há muitos preconceitos a vários níveis. É quase como se fosse uma borbulha que Lisboa tem e que tenta esconder com base em vez de a extrair e tentar curá-la.

Mas, ao menos, já há alguns casos em Lisboa de mestiçagem musical...

Romi - Sim, mas as mais visíveis são mais na área da electrónica. Se se meter um bocadinho de drum'n'bass já a coisa vai, como no caso dos Buraka Som Sistema... Mas o mesmo já não acontece em relação a outros grupos. Esta situação poderá mudar: a minha filha é filha de um pai italiano e de uma mãe semi-angolana semi-portuguesa e, assim, a mente dela é mais aberta em termos culturais e de linguagens.

Alex - Mas tens razão em relação ao «som mestiço»... Nós somos um grupo de «global-fusion», como dizem os ingleses; somos uma coisa híbrida, numa sociedade híbrida, a fazer uma música híbrida.

Romi - E, ainda em relação ao cantar em espanhol, digo-te que, a primeira vez que ouvi flamenco, aquilo tocou-me tanto quanto a música africana. Eu acredito que já fui cigana numa outra vida... O flamenco tem uma energia vital.

Qual foi a intenção de convidarem tanto os rapazes do hip-hop angolano quanto o lendário U-Roy para as gravações do álbum?

Alex - O Ikonoklasta e o Conductor do Conjunto Ngonguenha têm um trabalho que está muito à frente em termos de mensagem e há entre nós uma grande identificação na leitura do mundo. A colaboração correu muito bem e ainda havemos de fazer mais coisas juntos. Quanto ao U-Roy, houve, para além da admiração que temos por ele, uma oportunidade única que foi o facto de ele vir cá a um festival. E gravámos a participação dele no quarto de hotel porque ele tinha que ir para Espanha umas horas depois. Mas foi muito giro.

Há agora alguns concertos de apresentação do álbum...

Alex - Já houve um, em Milão, que correu muito bem! Tínhamos três mil pessoas a ver-nos. E agora há o de apresentação oficial na Aula Magna, dia 3, produzido por nós, por uma associação cultural, a Bigorna, e a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa. Vão lá!!! O bilhete custa só 5 euros!!! É simbólico... E vai acabar antes de o Metro terminar. Depois vamos ao Porto, ao Festival Mestiço, dia 8 de Junho. Em Lisboa vamos ter como convidado o Conductor e no Porto vamos ter os dois: o Conductor e o Ikonoklasta. E a seguir, os Terrakota fazem de banda de suporte de um concerto deles...

17 maio, 2007

Blasted Mechanism, Terrakota, Tora Tora Big Band - Fusão, Fusão (Sem Confusão)



Uns vão mais ao rock e às electrónicas, outros mais ao reggae, outros mais ao jazz, mas estes três grupos portugueses (ou de músicos de variadíssimas nacionalidades radicados em Portugal) têm sempre muitas outras músicas deste mundo como elementos fundamentais da sua música, nela integrados com propriedade e saber. E, diga-se, também por isso são dos melhores grupos musicais que existem no nosso país. Para conferir em disco e, ainda mais, nos fabulosos concertos que todos eles - os Blasted Mechanism, os Terrakota (na foto) e a Tora Tora Big Band - dão.


BLASTED MECHANISM
«SOUND IN LIGHT»
Toolateman/Universal Music Portugal

Já não é novidade para ninguém que os Blasted Mechanism são uma das mais amadas e acarinhadas bandas, digamos, rock, em Portugal, donos de um culto e de uma paixão que arrasta atrás de si dezenas de fãs por todo o lado. A sua história, já com cerca de quinze anos, é feita de uma música híbrida, excitante, verdadeira (e verdadeira mesmo quando se possa pensar em eventuais «artifícios» como os fatos ou as encenações), que já os levou a milhentos caminhos musicais, do rock ao trance ou à música balcânica; de uma mensagem que faz, sempre, as pessoas pensar (por muitos mistérios e esoterismos que contenha); de uma ideia global de música, imagem, palavra e ideologia. Uma arte global. E «Sound in Light», o novo álbum, é mais um capítulo daquela que, esperamos, seja a «never ending story» dos Blasted. Neste álbum - e falando apenas do CD «oficial», não do segundo que é possível descarregar da net -, os BM apuram, com subtileza e «savoir faire», vários caminhos já trilhados e avançam por alguns outros, fundindo coerentemente rock tribal e charangas balcânicas, banghra e punk, glam e guitarra portuguesa, som mestiço e rock progressivo, transes hipnóticos, dub, psicadelismo, shoegazing e variadíssimos delírios globais. E, ainda por cima, se garimparmos bem pelo meio dos arranjos quase «wall of sound» de cada tema, encontraremos, sempre, grandíssimas canções! (9/10)


TERRAKOTA
«OBA TRAIN»
Gumalaka/Matarroa

Grupo-irmão (ou, pelo menos, primo) dos Blasted Mechanism - alguns dos Terrakota estiveram no início dos Blasted, o novo álbum foi gravado no Toolateman, estúdio pertença dos BM, e os dois grupos partilham o mesmo engenheiro-de-som (Dominique Borde) -, os Terrakota assinam em «Oba Train», o seu terceiro álbum oficial, o melhor disco que alguma vez fizeram. Em «Oba Train» a música dos Terrakota está mais encorpada, coerente, realista (no sentido de «mais próxima das realidades musicais que visitam»), riquíssima em variações, nuances e inesperadas misturas. E com um cada vez maior domínio dos muitos instrumentos «étnicos» que os músicos tocam e da voz (nunca Romi cantou tão bem como neste disco!). Sempre com uma fortíssima carga política e interventiva nas suas canções (que falam de corrupção, emigração, racismo... e em variadíssimas línguas), os Terrakota viajam por variadíssimos territórios musicais, muitas vezes unindo dois ou mais continentes diferentes: salsa, música mandinga, som mestiço, hip-hop (com a ajuda de Ikonoklasta, do Conjunto Ngonguenha, e Conductor, do Conjunto Ngonguenha e dos Buraka Som Sistema), uma sitar a dar colorações indianas, a utilização de separadores-unificadores (à maneira de Manu Chao ou Radio Zumbido), gnawa, flamenco, variadíssimo ritmos jamaicanos (com o inesperado U-Roy a «toastar» num tema) e africanos, etc, etc... Uma viagem que é de viajante e não de turista - e acho que se percebe perfeitamente qual é a diferença. (9/10)


TORA TORA BIG BAND
«TORA TORA CULT»
Music Mob


E mais um raccord, óbvio, entre estas três bandas: o italiano Francesco (contrabaixo) e os portugueses Davide (bateria) e Junior (percussões) são peças fundamentais dos Terrakota e da... Tora Tora Big Band, um colectivo transnacional que ainda integra músicos vindos do Brasil, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos. São seis nações e doze músicos, mas os números ainda se inflacionam mais se às contas juntarmos os convidados presentes em «Tora Tora Cult», o segundo álbum do colectivo, e as músicas por onde eles passam. Quase todos com escola feita no jazz - e o nome de família Big Band não engana -, a Tora Tora Big Band não se fecha no swing que a designação indicia (embora haja swing e outras formas de jazz com fartura) e abre-se convictamente a outras músicas. Mais global ainda do que o álbum de estreia, homónimo, o novo álbum da TTBB leva-os do jardim do Éden a vários «jazzes» (como o jazz de fusão à Herbie Hancock, com uma «mano» dada pela espanholíssima cantora Silvia, dos Bad Lovers & Hysteria Ibérica) e também à música brasileira («Velho Samba», com a cantora Kika Santos, que também «protagoniza» o fabuloso «Elephants Run»), ao reggae, à música africana (com o cantor moçambicano André Cabaço a brilhar em «Moca Man»), a uma milonga fumarenta, uma valsa saída do Metro do Martim Moniz e remisturas electrónicas, no disco-bónus, a dar um final feliz a isto tudo. (9/10)

Nota: o concerto de lançamento do álbum dos Terrakota é na Aula Magna, em Lisboa, dia 31 deste mês.

16 maio, 2007

Festival Mestiço - Um Porto Para a World, o Hip-Hop, o Kuduro...



E com este são três posts seguidos dedicados a concertos no Porto (ou a inveja, felizmente saudável, de um «mouro» a falar): segundo adianta o sempre atento Crónicas da Terra, a segunda edição do Festival Mestiço decorre no parque de estacionamento da Casa da Música, dias 7, 8 e 9 de Junho, com um programa variadíssimo e invejável. Ora veja-se só: na primeira noite actuam os turco-austríacos Coup de Bam (que fundem electrónica com música tradicional turca), o francês Sergent Garcia (e a sua «salsamuffin», mistura de rock, reggae e ritmos latino-americanos; na foto) e o alemão Shantel com a sua Bucovina Club Orkestar (música cigana dos Balcãs com electrónicas). Na segunda noite há concertos do fabuloso grupo franco-magrebino Orchestre National de Barbès (fusão de rai, gnawa, funk, jazz...), dos luso-italo-africanos Terrakota (com a sua música global) e de um contingente alargado de hip-hop com Sagas & Family Complow, Ikonoklasta & Amigos e Nigga Poison. Na terceira noite as coisas acalmam um bocadinho com o flamenco-chill dos espanhóis Chambao (liderados pela carismática cantora Mari) e a cantora brasileira Fernanda Abreu, mas promete-se festa rija com os kuduristas angolanos Nacobeta, Puto Português e Gata Agressiva. Mais informações aqui.

16 abril, 2007

Terrakota - Num Comboio (Ascendente)



Os Terrakota - um dos mais importantes grupos de música híbrida, mestiça, multireferencial nascidos no nosso país - lança em Maio o seu terceiro álbum, «Oba Train». Caracterizado como um álbum «com inspirações de várias geografias - Jamaica, Cuba ou Brasil - e com uma diversidade de sonoridades - árabes, flamencas ou indianas - que recorre à musicalidade própria de muitas línguas - português, yoruba, wollof, francês, inglês ou o espanhol» e gravado nos estúdios Toolateman (dos Blasted Mechanism), nele participam como convidados, segundo avança o blog A Trompa, o jamaicano U-Roy (que tem como cognome «The Originator», por ser considerado como o precursor dos MCs), Conductor (dos Buraka Som Sistema e Conjunto Ngonguenha) e Ikonoklasta (do Conjunto Ngonguenha). O primeiro single retirado de «Oba Train» é o tema «A Verdade», um entre vários temas do novo disco que os Terrakota vão mostrar proximamente no Club Mau Mau, Porto, dia 21 de Abril, durante o festival de reggae Roots & Culture. O festival celebra dois anos do Portal do Reggae, com receitas a reverter a favor da Comunidade Aldeias S.O.S. - Crianças de Portugal e nele participam ainda Quaiss Kitir, Human Chalice e Stepacide. «Oba Train» tem edição da Gumalaka, é distribuído pela Compact Records e promovido através da Rádio Fazuma, que já tem disponível muita informação sobre o álbum, aqui.

19 setembro, 2006

Folk em Portugal - Mergulho em 2002


Mais uma descida à memória recente da música folk - e híbridos e escapadelas e paralelos - feita em Portugal. Desta vez, com álbuns saídos em 2002 e criticados nesse ano, em conjunto, no BLITZ: Dazkarieh, Roldana Folk, Terrakota (na foto), Macacos das Ruas de Évora e Manuel d'Oliveira. E, como adenda, uma entrevista com os Terrakota, também de 2002, a propósito do seu álbum de estreia.


TRADICIONAL EXTRA

A história de uma possível música de fusão - e usemos o termo sem o sentido, redutor, de jazz de fusão dos anos 70 - em Portugal, já é longa, rica e excitante o suficiente para que dela se dê aqui - e a propósito de cinco novos discos editados nos últimos meses - apenas uma breve pincelada. E, passando por cima de mistérios mais ou menos insolúveis como «de onde vem o fado?», «o cante alentejano deve mais à música árabe ou ao canto gregoriano?» ou «a música transmontana é celta ou nem por isso?», vêm-nos à memória, como possível quadro geral da «fusão», nomes como Amália Rodrigues, José Afonso, Sérgio Godinho, Banda do Casaco, Heróis do Mar, Sétima Legião, Ocaso Épico, Trovante, entre outros artistas e grupos que nunca se limitaram a um estilo (e tivessem ou não como base a música portuguesa de «raiz», urbana ou rural... e com todas as dúvidas ou confusões ou intersecções que estas palavras implicam). Mais recentemente, os Gaiteiros de Lisboa - os mais fantásticos estilhaçadores de barreiras da actual música portuguesa -, Amélia Muge, Né Ladeiras (a solo), Vai de Roda ou Realejo, começaram também a inscrever o seu nome no rol dos aventureiros.

E, já em 2002, há cinco discos de estreia que vão - corajosamente - pelo mesmo caminho. Quer venham do emergente movimento folk do Porto (os Roldana Folk), do cadinho de mistura de culturas de Lisboa (os Terrakota e os Dazkarieh), de uma escola de jazz em Évora (Os Macacos das Ruas de Évora) ou do Minho (o fado/flamenco/e tudo o mais que se verá de Manuel d'Oliveira), em todos eles se nota uma vontade imensa de saltar fronteiras - estilísticas, geográficas... - e, quase sempre, quando as saltam, não deixam que o corpo toque na fasquia e sejam, por isso, eliminados. Saltam mesmo, com distinção, paixão, estilo, amor, e uma vontade, óbvia, de saltar ainda mais alto (ou longe), um dia. Fala-se, aqui, portanto, de mistura, fusão, sincretismo ou miscigenação.


ROLDANA FOLK
«VOAR NO FOLE»
Açor

Do Porto - e tendo como base músicos que passaram, ou ainda passam, pelos Frei Fado D'el Rei e Ceia dos Monges -, os Roldana Folk avançam para uma área (estranhamente ainda pouco visível em termos de edições discográficas nacionais) próxima da chamada música celta e de algumas sonoridades comuns ao norte de Portugal, Galiza, Bretanha, Irlanda... Mas «Voar no Fole», o álbum, não se limita a ser um repositório de ensinamentos colhidos nesse universo. Com o acordeão de Helena Soares (que faz lembrar, por vezes, a liberdade dos foles de Kepa Junkera) e a voz, suave, de Isabel Martinho (também dos Chamaste-m'ó?) como as faces mais em evidência da sua música, os Roldana Folk passeiam, com estilo, pelo «celtismo», sim, mas também vão a nomes da música portuguesa como os Trovante e Adriano Correia de Oliveira («Barca do Mar»), à Penguin Cafe Orchestra («À Luz do Sol»), a África e à América Latina, aos blues e ao reggae («Baila a Dor»), a José Afonso, Banda do Casaco e a algum folk-punk à la Oysterband («Sem Convite»). E, aqui e ali, há cheirinhos de jazz, de África, de rumbas, merengues, cumbias e bachatas. Sem medos e com alegria. Há até um aflorar, tímido, da música de dança em «Barca do Mar (versão remix)». E a folk - mesmo quando realmente entendida como uma ida ao folclore (de Trás-os-Montes, da Irlanda...) - é apresentada com bom-gosto e saber. (7/10)


TERRAKOTA
«TERRAKOTA»
Zona Música

Trezentos quilómetros a sul, os Terrakota são produto daquele enorme caldeirão de culturas que, cada vez mais, é a cidade de Lisboa. Com músicos de origem portuguesa, angolana, moçambicana e italiana, os Terrakota deram que falar nos inúmeros concertos e festivais em que participaram (arrastando consigo um assinalável grupo de fãs) antes de se atirarem à gravação de «Terrakota», aquele que é, até ao momento, o melhor álbum de música portuguesa (com todas as dúvidas que, aqui, se podem colocar à palavra «portuguesa») do ano. Usando, por vezes quase «abusando», da fusão - ou com «tudo na mesma panela» (como os Terrakota explicam, em jeito de manifesto, logo no primeiro tema do álbum, «Curruputu») -, os Terrakota socorrem-se de sons vindos um pouco de todo o mundo, com particular incidência na música africana (desde a música mandinga do Senegal e arredores até à música gnawa marroquina) e num dos seus afluentes maiores, o reggae jamaicano. Em «Inch Allah» há música árabe que desce até ao Mali e evolui para um reggae cantado em francês e italiano. Em «Sonhador» mistura-se África com Cuba, em «Bouge de Lá» há mais música árabe, uma parte da vocalização que parece, estranhamente, um fado tal como soaria na voz de Anabela Duarte e funk rasgado, em «Mali» há uma inspiração óbvia que é Ali Farka Touré (numa descida à eventual nascente dos blues), e em «Bolomakoté» há música mandinga em luta permanente com a escola jamaicana toda - ska, dub, reggae, ragga -, tudo numa celebração absoluta de liberdade estilística. Aqui e ali, a América Latina, o rock, os Balcãs, juntam-se à festa. E à riqueza tímbrica do conjunto - os instrumentos étnicos (djembé, steel drum, balafon, kissange ou sabar) e os instrumentos típicos do rock - somam-se letras (em várias línguas) de intervenção: contra a «xenofobia, nacionalismo, racismo», por uma Terra-Mãe mais justa, mais igual, mais limpa, mais bela, mais aquilo que queremos que uma mãe seja. (9/10)


DAZKARIEH
«DAZKARIEH»
Bigorna

Ainda em Lisboa, e num caminho paralelo ao dos Terrakota (passa-palavra, concertos cheios de admiradores...), os Dazkarieh assinam um disco, «Dazkarieh», vivo, solto, livre, em que as músicas vêm de muitas músicas e há um espaço deixado para o silêncio, para ambientes (sons de água, o crepitar de uma fogueira...), para experimentações e misturas. Em «Dazkarieh», a música nunca está muito tempo no mesmo lugar, há dinâmica e variações, há viagens constantes. E há uma vontade evidente de transmitir estados próximos da magia e do encantamento a quem ouve a sua música. E o que é a sua música? É, em «Abour Safar», música árabe com algo aparentado a fado (uma eventual boa banda-sonora para um filme sobre a batalha de Alcácer-Kibir). É, em «Kriamideah», ora ambiental e suave - a lembrar Dead Can Dance e Banda do Casaco da primeira metade dos anos 80 - ora feito de percussões frenéticas em competição com uma tin whistle pastoril. É, em «Elgtue», uma gaita-de-foles encantatória, vagamente transmontana, com uma voz (a de Marie Beatriz) a voar lá dentro. É, em «Troligh Ol'jighil», música medieval, folk das ilhas britânicas tal como poderia ter sido tocada, repete-se o nome, pela Banda do Casaco, uma batucada africana e uma dança irlandesa estranhamente arraçada de flamenco. É, em «Miafarê Boi», uma viagem cinemática pelo Mar Negro (Grécia, Turquia, Balcãs). «Dazkarieh» é beleza em estado quase puro. (8/10)


MACACOS DAS RUAS DE ÉVORA
«MACACOS DAS RUAS DE ÉVORA»
Associ'arte

E agora, uma banda de metais portuguesa!... Outra coisa rara. É que, apesar da tradição dos «cavalinhos», das bandas de bombeiros (e outras) e das charangas de aldeia, há pouquíssima música gravada de bandas de metais portuguesas e, se pensarmos bem, temos quase a ideia de que ela não existe. Mas existe (lembro-me agora, já com saudade, da fabulosa e divertidíssima Bandinha da Alegria, que actuou nas últimas Cantigas do Maio). E Os Macacos das Ruas de Évora (no disco sem o artigo «Os») são um belíssimo exemplo do que pode ser uma «brass band» à portuguesa (apesar de o grupo ter mais estrangeiros que portugueses). Os Macacos fazem animação de rua e, no disco, esse lado festivo está bem vincado. Neles, o jazz está, obviamente, presente, mas a improvisação não apaga a base celebratória e as linhas melódicas, imediatamente reconhecíveis, das canções que eles interpretam. Canções como «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades», de José Mário Branco, aqui transformada numa festa semi-klezmer, semi-ska, semi-jazzy, o tradicional alentejano «Passarinho» (numa versão divertidíssima, com assobios a imitar passarinhos, ou serão passarinhos a sério?), «Dona» (dos Ena Pá 2000!), duas de José Afonso - «Os Vampiros» em be-bop e «Grândola, Vila Morena» numa versão cool -, mas também «Janko Partner» (sacado ao carnaval de Nova Orleães, um dos berços do jazz e das «brass bands») ou «Fiju Fiju Kolo» (uma homenagem, natural digamos, às bandas de metais dos Balcãs), entre muitos outros. Os arranjos são alegres e os instrumentos brilham à vez, geralmente sobre uma base rítmica dada pelas percussões e pela tuba. «Macacos das Ruas...» tem dezanove temas (!), mas mais espaço houvesse no CD e mais temas estariam lá, por certo, numa viagem interminável. (7/10)


MANUEL D'OLIVEIRA
«IBÉRIA»
Ultimatum

Finalmente, uma surpresa: «Ibéria», de Manuel d'Oliveira, guitarrista que se atreveu a fazer a ponte entre o fado, a música tradicional portuguesa e o flamenco, num álbum instrumental que tem como vedetas a guitarra acústica e a viola braguesa, tocadas por d'Oliveira com virtuosismo - mas não em demasia, isto é, sem aquele «demais» que é «de menos» e que impede os virtuosos de captar a «alma» nas cordas das guitarras, sentindo-lhes apenas o «corpo». Em «Ibéria», d'Oliveira mistura a saudade do fado e o sangue na guelra do flamenco, com a ajuda de apontamentos, dispersos, de bossa-nova, música «celta», música tradicional portuguesa (obviamente com vantagem para o Minho, a terra da braguesa), a pop, o jazz (a sombra de um Pat Metheny apaixonado pelo flamenco paira sobre o tema «Viagens») e do tratamento dado por Júlio Pereira aos cordofones tradicionais portugueses (o cavaquinho ou a própria braguesa). Trabalhando com a ajuda de uma banda fixa que lhe dá outras guitarras (acústicas e eléctricas, um baixo acústico, bateria e percussões) e de alguns convidados especiais - António Chaínho (na guitarra portuguesa), dois espanhóis (ligados ao flamenco e ao jazz), Carles Benavent (baixo) e Jorge Pardo (saxofone), e o acordeonista Ricardo Dias (da Brigada Victor Jara) -, d'Oliveira mostra neste disco, pelo menos, três temas fantásticos: «O Momento Azul» (perto do fado; também muito à custa da presença de mestre Chaínho), «Obrigado Paco» (presumível homenagem a Paco deLucia, com os dois espanhóis no barco; entre o flamenco e o jazz) e «Nicolinas» (um tema inspirado numa festa vimaranense em honra de S.Nicolau, e aqui numa fusão dos dois universos - fado/flamenco - bastante bem conseguida). Como curiosidade - e como mais um exemplo da largueza de vistas de d'Oliveira - , refira-se que «Brisa Mediterrânea» (a faixa-extra) é uma remistura jazzy, electrónica e dançante do guitarrista dos Rádio Macau, Flak, e de Carlos Morgado (isto é, os dois Micro Audio Waves). (7/10)


TERRAKOTA
ESPALHAR A PALAVRA

A palavra passou. Ensaio a ensaio, concerto a concerto, festival a festival, uma maqueta roufenha ali, um tema numa compilação acolá. E a palavra cresceu: Terrakota. Sempre com público à frente. É um grupo hippie, ou então são freaks, sei lá, diziam uns. É reggae, garantiam outros. Não, aquilo é mais música africana - tem djembés e kora e balafon e kissanges. É world, é fusão, é uma máquina de dança. É um grupo de intervenção política&ecológica&social. E é muito alegre e policromático... Etc, etc. O tira-teimas chama-se «Terrakota» e pode agora ser levado para casa, em digipack colorido, com treze canções lá dentro. A entrevista - outras palavras que passam - é com Romi, Alex, Humberto e Francesco.

O álbum «Terrakota» é um bom espelho do trabalho de dois ou três anos do grupo?

É claro que, como músicos, sonhamos sempre com grandes meios, uma grande produção... E pensámos em quem poderia trabalhar connosco naqueles pormenores e em todos os sons que nós temos. E acabámos por trabalhar com o Dominique Borde, que nos acompanhou do princípio ao fim - foram muitas horas de trabalho e ele foi inexcedível. Não foi um trabalho fácil, principalmente ao nível da equalização da dinâmica dos instrumentos - principalmente os acústicos... A nossa grande dúvida era saber se conseguíamos passar a energia, o calor que conseguimos transmitir ao vivo para uma rodela de plástico. E, no geral, estamos satisfeitos, embora tenha havido coisas que não resultaram como nós queríamos.

Para quem não conhece os Terrakota, poderiam dizer de onde vem esta música que se ouve no disco?

Vem da Terra (risos). E esta é apenas uma pequena parte de estilos de músicas de vários lugares do mundo que nós queremos tentar abarcar no futuro. Nós partimos de estudos no terreno ou, pelo menos, de muitas audições de discos em casa de cada um de nós. Precisamos de estudar as rítmicas, de estudar técnicas - por exemplo, se queremos usar um baixo da música gnawa, temos que ir a Marrocos para estudar como se toca da maneira certa; neste momento tocamos esse instrumento mas ainda não correctamente.

Os Terrakota nasceram de uma viagem a África que alguns de vocês fizeram...

Mas antes da viagem já havia a ideia de iniciar qualquer coisa musicalmente. Ainda não sabíamos exactamente o que era, nem como seria, mas sabíamos que algo iria acontecer. Os três que fizemos essa viagem - Alex, Humberto e Júnior - já estávamos ligados à música há alguns anos, como percussionistas, e tínhamos um contacto grande com músicos da Guiné-Bissau que estavam aqui em Portugal. Depois fomos à origem...

E porquê esse gosto específico por África?

É uma questão de afinidade. Um de nós nasceu em Moçambique, outro em Angola... Há música e instrumentos riquíssimos em Portugal - a guitarra portuguesa, as gaitas-de-foles... - mas nós não temos que nos restringir a um território demarcado. E sentimos a necessidade de descobrir de onde vinha este calor, esta energia que nos faz ficar alegres.

Quando viajam, não se sentem por vezes como o ocidental que vai roubar a música dos outros?

Não. Para nós, o fundamental é a relação humana. Não vamos com aquela ideia de ir lá roubar os sons ou comprar um instrumento barato. Em África, fizemos amigos, que ficaram amigos, com quem partilhámos músicas e emoções. E agora ainda fazemos trocas de instrumentos, e ainda lhes enviamos coisas... Mas sabemos de histórias de roubos absolutos, de gente que vai para lá gravar em estúdios móveis, que promete pagar-lhes e depois não paga nada.

Disseram há bocado que muitos de vocês foram percussionistas... A base dos Terrakota é o ritmo - ou vários ritmos - e tudo o resto vem por acréscimo?


Muitas vezes é, mas outras não. Podemos começar a trabalhar numa canção com uma base de percussão mandinga, mas também podemos partir de uma frase de guitarra. E, depois, experimenta-se muito. Dá-nos um grande gozo partir de um estilo e começar a ir para outros, mesmo com grandes discussões entre nós. Por exemplo, o tema «Sonhador» parte de uma base africana mas surgiu uma zona do meio que é cubana. Levámos seis meses a chegar aí.

Quando vocês estão em cima do palco nota-se uma grande cumplicidade entre todos vós. Vocês funcionam mesmo em colectivo?

Há muito trabalho colectivo. Existe um grande equilíbrio entre nós e temos uma grande ligação uns aos outros. Há uns mais amigos que outros, mas quando trabalhamos estamos todos a trabalhar para o mesmo... Fomos três vezes a Itália, numa carrinha, e vamos voltar agora, com passagem por Espanha (NR: a entrevista foi feita antes da última partida do grupo para o estrangeiro), para uma digressão de seis ou sete datas. E isto só pode acontecer quando há uma grande unidade entre todos nós. Nós tratamos de quase tudo: para além da música, há os contactos, backlines, PAs, transportes, um stress constante... Neste momento já temos pessoas que nos estão a ajudar, mas durante dois anos vivemos quase em exclusivo para os Terrakota. E nos concertos as pessoas sentem o amor que nós pomos nisto tudo.

Há várias canções vossas que falam de questões políticas e ecológicas...

Quando formámos os Terrakota, para além de todo o colorido musical que queríamos transmitir, também tivemos a preocupação de falar de uma série de problemas que nos afectam pessoal e colectivamente. A Romi (Nota: vocalista principal do grupo) é discriminada por ser africana e teve problemas para se legalizar em Portugal... Não nos vamos «queixar» dessas coisas directamente, mas tentamos arranjar uma maneira de falar delas de uma forma eficaz. Não usamos slogans nem frases feitas, mas as ideias estão lá. Às vezes partimos de questões que nos dizem respeito directamente, outras vezes, há notícias que nos sugerem outros temas como o «Inch Allah» - que tem que ver com o Afeganistão - ou o «Dear Mama», que fala de questões ecológicas. Depois, cada música é cantada em duas ou três línguas diferentes. Usamos o inglês, francês, português, italiano, árabe, espanhol, dialectos africanos e o terrakotense, que é uma língua que nós inventámos. Às vezes, para transmitir uma emoção não é preciso falar numa língua conhecida.

A capa do vosso álbum é extraordinária...

A capa demorou imenso tempo a fazer. Foi um trabalho do Feijão (Nota: pintor e gráfico que trabalha habitualmente com os Terrakota), em conjunto connosco, que também tem que ver muito com viagens. Ele esteve seis meses no Brasil e trazia aquelas cores todas na cabeça.

Há pouco falaram dos vossos concertos no estrangeiro. Vocês estão a começar a tocar mais vezes lá fora do que em Portugal.

Mas isso também se deve à situação política que se vive em Portugal, com muitas Câmaras a acabar com festivais de música. O Santana Lopes, em Lisboa, acabou com montes de coisas, incluindo o Multimúsicas, que era um festival importantíssimo e que estava a crescer. Mas acabou. Ele está mais preocupado com as festas da noite e discotecas do que com qualquer outra coisa qualquer. Quando é preciso cortar, corta-se nas verbas para a cultura. Nós tínhamos concertos marcados antes das eleições que foram desmarcados depois...

Em contrapartida, estão a aumentar os convites lá de fora.

Sim, nós queremos viajar com este projecto... E é possível que consigamos licenciar o álbum para outros países europeus. Em Portugal o disco sai pela Zona Música, mas é possível que em Itália saia por uma subsidiária da Sony. E também é possível que seja licenciado para Espanha e França.