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25 julho, 2010

Festival Folk/Celta de Ponte da Barca Regressa em Agosto


Directamente pilhada do blog Sons Vadios,aqui fica a notícia da terceira edição do Festival Folk/Celta de Ponte da Barca, que decorre nos dias 14 e 15 de Agosto:

"Ponte da Barca vai ser palco, no fim-de-semana, dias 14 e 15 de Agosto, pelo 3º ano consecutivo, do Festival Folk/Celta. Este evento pretende, à semelhança das edições anteriores, ser o veículo para o cruzamento de sonoridades musicais folk e celtas, contando para o efeito, com a participação de grupos vindos de Portugal e Espanha. Paralelamente aos espectáculos, haverá animações e diversas outras actividades.

Os espanhóis Keympa são o grupo convidado para abrir esta terceira edição do festival folk celta. Considerados como um dos nomes seguros da música folk em Espanha, afirmam cada vez mais nas suas canções as suas influências celtas, fazendo com que cada concerto seja um espectáculo contagiante de ritmos, em que se descobre um novo caminho, uma via de fusão, um ponto de encontro que não obedece a fronteiras, quer as geográficas quer as dos sentimentos.

A dividir o palco com os keympa no 1º dia de festival vai estar a Brigada Victor Jara, um dos nomes de referência da música popular portuguesa, que ao longo dos anos recolheram músicas de todas as regiões portuguesas, reflectindo nos seus concertos a diversidade sonora de Portugal com as canções mais ritmadas do norte, as belas harmonias do Alentejo e trazendo ainda influências de locais tão díspares como o Norte de África e a Escócia.

No Segundo dia (15 de Agosto), subirão ao palco os Lufa Lufa (na foto), projecto originário do Porto, que têm como cartão de visita “Foledad”, um reportório de temas originais que percorre distintas linguagens musicais e com uma forte componente visual e cénica, transportando o espectador por paisagens imaginárias.

Para encerrar mais uma edição do festival folk celta, que tem dado mostras da sua importância enquanto crescente referência do concelho de Ponte da Barca, vão actuar os Luar na Lubre, uma das mais importantes referências do panorama musical Galego e a que talvez tenha um maior impacto internacional, com uma carreira de mais de 20 anos recheados de êxitos, prémios e distinções um pouco por todo o mundo.

O grupo tem como base de trabalho a preservação da identidade da cultura galega, dedicando uma grande atenção ao cancioneiro tradicional daquela região espanhola que é o seu grande campo de trabalho e pesquisa.

Resta acrescentar que este festival é organizado pelo Município de Ponte da Barca, e pela Adere-PG, inserido no projecto POCTEP, Natura Xurês Gerês, Gestão conjunta do Parque Natural da Baixa Limia Serra do Xurés, Chefe de fila – Xunta de Galicia-Conselleria do Medio Rural- Dirección Xeral de Conservación da Natureza; Parceiro 1 – Departamento de Gestão das Áreas Classificadas do Norte | Parque Nacional da Peneda-Gerês; Parceiro 2 – Associação de Desenvolvimento das regiões do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Todos os espectáculos têm início marcado para as 22h00, com entrada livre."

Mais informações, aqui.

17 junho, 2008

Sete Sóis Sete Luas - Itinerâncias & Cruzamentos


O Festival Sete Sóis Sete Luas, que mais uma vez passa por vários países - incluindo Portugal e, este ano pela primeira vez, chegando aos Açores - mostra muitas músicas de muitos lugares. Para conhecer o programa completo, incluindo o calendário de actuações em Portugal, o melhor é consultar o site do festival, aqui. Mas, só para se ter uma ideia da dimensão do festival, segue-se a lista de artistas e grupos presentes nesta edição 2008 do Sete Sóis Sete Luas: 7SoisOrkestra - projecto liderado pelo italiano Stefano Saletti, com Massimo Cusato (Calábria), Margarida Guerreiro (Portugal), Jamal Ouassini (Marrocos), Miguel Ramos (Andaluzia), Mario Rivera (Sicília) e Eyal Sela (Israel) -, Acquaragia Drom (Itália), Arminda Alvernaz (Açores/Portugal), Argentina (Espanha), Assurd (Itália), Rogelio Botanz (Canárias/Espanha), Custódio Castelo (Portugal), Circo Diatonico (Itália), Homero Fonseca (Cabo Verde), Giuliano Ghelli (Itália, artista plástico), Ana González y Su Gente (Espanha), Gustafi (Croácia), Konstantino Ignatiadis (Grécia), La Compagnie Ilotopie (França, teatro de rua), Mario Incudine (Itália), Judith (Espanha), Samira Kadiri & Arabesque (Marrocos), Kama Fei (Itália), Ramon Kelvink (Itália, equilibrismo), La Gialletta (outro projecto especial do Festival que junta José Barros, dos Navegante, com as bascas Ttukunak e os italianos Mimmo Epifani e Giandomenico Ciaramia), Massimo Laguardia (Sicília/Itália), Lautari (Sicília/Itália), Les Boukakes (França/Tunísia/Marrocos), Carmen Linares (Espanha), Luar na Lubre (Galiza), Maracaibo (Espanha, teatro), Markeliñe (Espanha, teatro), Márcio Matos (Açores/Portugal, artista plástico), Matrimia (Itália), Med'Set Orkestra (e mais um super-grupo nascido neste festival, com o argelino Akim el Sikameya, a espanhola Mara Aranda, a italiana Rita Botto, o português Custódio Castelo, os italianos Marco Fadda e Riccardo Tesi e o grego Vasilis Papageorgiou), Mish Mash (Itália), Hélder Moutinho (Portugal), Navegante (Portugal), Nou Romancer (Espanha), Orchestra di Piazza Vittorio (Itália), Parto delle Nuvole Pesanti (Itália), Piccola Banda Ikona (Itália), Juan Pinilla (Espanha), Mariana Ramos (Cabo Verde), Royal de Luxe (França, marionetas gigantes), Eyal Sela (Israel), Amrbrogio Sparagna (Itália), Toma Castaña (Espanha), Oliviero Toscani (Itália, «Il Asini», projecto do famoso fotógrafo que tem como modelos burros portugueses), Triatriba (Sicília/Itália), Joana Vasconcelos (Portugal, escultura), Nancy Vieira (Cabo Verde), Xaile (Portugal; na foto), Xeremies de Son Roca (Ilhas Baleares/Espanha) e Imán Al Kandousi (Marrocos).

13 fevereiro, 2008

Intercéltico de Sendim - As Nações Unidas de Miranda


E mais uma grande notícia chegada via Crónicas da Terra: a oitava edição do Festival Intercéltico de Sendim - mais uma vez organizado por Mário Correia, do Sons da Terra - decorre de 1 a 3 de Agosto, com algumas escolhas dentro do espírito habitual do festival mas também com algumas novidades absolutas, como a abertura às sonoridades do Leste da Europa! Por Sendim, este ano, vão passar músicas e músicos da Escócia, Portugal, Galiza, Astúrias, Hungria e Ucrânia. Ora veja-se: na primeira noite, a de dia 1, actuam os conimbricenses Ginga, seguidos dos asturianos Skanda e dos respeitadíssimos galegos (com voz portuguesa, a da cantora Sara Vidal, nossa camarada blogosférica nos Sons Vadios) Luar na Lubre. Mas as verdadeiras surpresas ficam reservadas para a segunda noite, a de dia 2, com actuações dos húngaros Kerekes Band (ver crítica ao disco «Pimasz» neste blog) e dos ucranianos Voanerges (na foto), ficando o encerramento oficial por conta da folk-progressiva dos escoceses Shooglenifty. Um encerramento que, como sempre em Sendim, não é bem encerramento já que no dia seguinte, domingo, dia 3, ainda haverá lugar para a «missa céltica» e para mais um concerto, desta vez com o rock cantado em mirandês dos Pica Tumilho. A programação fica completa com jams na Taberna dos Celtas, animação de rua e concertos temáticos com os gaiteiros da família Fernandes e uma evocação do tamborileiro Virgílio Cristal. Mais informações aqui.

16 fevereiro, 2007

Luar na Lubre - Os Nossos Irmãos Galegos



Os Luar na Lubre são um dos mais importantes grupos folk galegos. Com uma carreira que conta agora cerca de vinte anos, o grupo difundiu por todo o mundo a música da nossa irmã Galiza, cruzou-se com muitos e variados músicos - irlandeses e mexicanos, bretões e argentinos e portugueses, da folk ou de outras áreas musicais -, numa busca incessante das raízes da música galega na sua Galiza, sim, mas também em Portugal, nos territórios e países ditos «celtas» e na América Latina. Um grande amor pela obra de José Afonso e, mais recentemente, a entrada na banda da cantora portuguesa Sara Vidal (que substituiu Rosa Cedrón) estreitaram ainda mais os laços entre nós, portugueses, e os Luar na Lubre. Em homenagem à banda, aqui fica uma entrevista publicada originalmente no BLITZ em Abril de 2002.



LUAR NA LUBRE
A LUA É UMA BARQUINHA

Ao longo de dezasseis anos, os Luar na Lubre confirmaram-se como um dos mais importantes nomes da cena folk da Galiza. De A Coruña para o mundo foi um passo, dado com firmeza e classe, por um grupo que respeita a tradição mas não se deixa dominar por ela, abrindo o seu som e ideias a outras músicas e culturas. Nesta conversa com Bieito Romero - gaiteiro, sanfoneiro e acordeonista do grupo - falou-se de tradição, de política, do movimento folk galego, do novo álbum que vem aí - «Espiral» - e do concerto que vão dar em Lisboa, esta semana.

Os Luar na Lubre nasceram em 1986, tendo como ideia-base a recriação do cancioneiro tradicional galego e cantando numa língua, o galego, que centenas de anos de tentativas de unificação espanhola e dezenas de anos de franquismo tinham tentado remeter para um canto esconso da memória. Diz Bieito: «No início começámos com a ideia de trabalhar sobre a cultura tradicional da Galiza. No aspecto da música tradicional havia muitas carências e a ideia era fazer chegar a música tradicional - que na sua origem é mais dura do que a nossa - a muito mais gente. Temos sete discos editados - já contando com "Espiral" - e a nossa trajectória é reconhecível desde o início até agora. Mas é claro que há uma evolução a nível pessoal, como músicos, a nível de grupo e até a nível ideológico - passados todos estes anos podemos falar com mais propriedade sobre muitas coisas». O percurso dos Luar na Lubre - uma viagem em que à música galega se podem juntar a música do norte de Portugal, bretã, irlandesa e escocesa, como se a barca tripulada pelos Luar na Lubre fosse aportar nos centros principais da cultura céltica - é paralelo ao de outros grupos e artistas galegos que partiram em busca de raízes comuns. «A folk, na Galiza, evoluiu mais ou menos da mesma maneira que nós. Há quinze, vinte anos, não havia nada mas acreditava-se que poderia haver um movimento; movimento que, de facto, aconteceu. No final dos anos 90 teve o seu pico, até a nível comercial, com alguns sucessos de vendas, não só na Galiza como em outras regiões de Espanha».

A questão seguinte é tentar saber se há algum posicionamento evidente, em termos políticos, dos Luar na Lubre, coisa que nas suas letras é, muitas vezes, mais indiciada do que declarada. Diz Bieito: «A música, mesmo quando está desligada da política, assume através da cultura um compromisso social, com a terra, com o idioma, com as nossas raízes...». Acrescento que, de uma maneira mais evidente, os autores de quem eles fizeram ou fazem versões, não eram propriamente inocentes em termos de posicionamento político: o português José Afonso, o chileno Victor Jara ou o poeta - assassinado durante a guerra civil espanhola - Federico Garcia Lorca. «Não queria dizê-lo de uma maneira tão óbvia, mas já que tu o dizes... (risos) Não queremos que nos liguem a nenhuma formação política concreta, mas há, de facto, directrizes, uma maneira de trabalhar, umas ideias e uns ideais... Somos galegos e temos um importante compromisso social e, principalmente, cultural com a nossa região. Os 25 anos de democracia em Espanha não trouxeram grande coisa à Galiza. No campo da música, não há o mínimo apoio político ou institucional ao nosso trabalho ou ao trabalho de outros grupos da mesma linha, ao contrário do que aconteceu na Irlanda, onde a música se tornou uma das mais importantes fontes de entrada de divisas. Na Galiza apoia-se a moda, os vinhos, o marisco. Não tenho nada contra, mas porque não a música?... É um valor tão exportável como os outros».

O desinteresse do poder central perante o movimento folk e da música tradicional na Galiza não impediu, contudo, que esse movimento crescesse imenso nos últimos anos, tanto a nível de grupos e artistas, como de escolas e orquestras que pegam nas gaitas-de-foles ou nas pandeiretas para se exprimir e transmitir as músicas ancestrais da Galiza. «A chave está no interesse genuíno das pessoas pelas raízes. Há uma consciência e uma militância muito grandes nas escolas de música tradicional. Antes de nós aparecermos, praticamente esse movimento não existia. Havia gaiteiros dispersos, praticamente não havia pandeireteiras e daí surgiu um mundo que, todavia, estava vivo. Nós surgimos nas cidades, alimentando-nos do património importantíssimo que vem das aldeias mas, ao mesmo tempo, pelo nosso trabalho, esse património regressa às aldeias e cresce».

Num grupo como os Luar na Lubre a etiqueta "música celta" é redutora ou não?... «Nós assumimos a etiqueta de música celta. Pertencemos a um universo atlântico, que engloba uma forma de ser, de viver, de compreender as coisas. E esta é uma cultura universal, ao contrário do que muita gente pensa. Encontramos galegos, irlandeses, etc., e os seus descendentes em muitas partes do mundo. Por exemplo, na América, com descendentes de irlandeses no Norte e de galegos no sul. Um dos nossos próximos projectos é, precisamente, tentar recolher de volta a música que os galegos levaram para a América do Sul e aí se desenvolveu» [Nota actual: projecto que veio a concretizar-se no álbum «Saudade»].

Este eixo «céltico» será ainda mais perceptível no próximo álbum do grupo, «Espiral», que conta com a produção - e gravação de alguns instrumentos - de um dos nomes maiores da folk irlandesa, Donal Lunny (fundador de grupos seminais como os Planxty, Bothy Band e Moving Hearts e produtor e/ou colaborador de gente tão diversa como Elvis Costello, Sinéad O'Connor, Clannad, Mark Knopfler ou Van Morrison), para além do acordeonista Mairtin O'Connor e da violinista Nollaig Casey. E Bieito está encantado: «A nossa música é muito mais bem compreendida em Dublim do que em Madrid. E esta foi a nossa primeira oprtunidade de trabalhar com músicos irlandeses... Donal manteve connosco uma relação de respeito absoluto. Mudou alguns pormenores aqui e ali, mas 99 por cento dos nossos arranjos foram mantidos. Ele - e o técnico de som Tim Martin - deu uma cor especial à nossa música. O som ficou mais aberto». Os Luar na Lubre são muitas vezes caracterizados como «folk de câmara», não sendo tão festivos, dançáveis ou físicos quanto outros grupos galegos. Bieito concorda, mas só até certo ponto: «Isso acontece mais nos discos do que nos concertos. Ao vivo temos essa parte da festa, apesar de termos uma parte lírica que gostamos que seja ouvida. Mas é verdade que por vezes nos acusam disso. Acho que o "Espiral" já se aproxima mais - se não totalmente, pelo menos em parte -, do nosso som ao vivo».

Falando em «som ao vivo», os Luar na Lubre tocam esta semana, dia 14, na Aula Magna, em Lisboa. E aí poderemos constatar a beleza das canções e dos arranjos de um grupo que através da voz e violoncelo de Rosa Cedrón, nas gaitas, acordeão e sanfona de Bieito e nas flautas, percussões, guitarra e bouzouki dos outros músicos do grupo, está com os pés bem plantados na tradição mas com a cabeça posta no futuro. Para Bieito, o concerto vai ser uma revisão de carreira - ao jeito do que se pode ouvir no álbum «Lo Mejor de Luar na Lubre - XV Aniversario», editado o ano passado -, mas também «já com alguns temas de "Espiral"». Da contribuição de Mike Oldfield para o reconhecimento internacional do grupo acabou por não se falar. Mas depois de tantas provas dadas pelo grupo, ainda seria necessário?

05 julho, 2006

Tondela e Montalegre - Outros Festivais


O Tom de Festa - Festival de Músicas do Mundo, em Tondela, já vai na sua 16ª edição e começa este ano com um espectáculo especial, «O Barco Vai de Saída», em que Fausto começa a comemorar (e re-apresentando-o ao vivo) o 25º aniversário do seu seminal álbum «Por Este Rio Acima» (de 1982), um dos discos maiores da música portuguesa. É no dia 19 de Julho, na abertura do festival, no Acert, com os Cantos da Língua na primeira parte. Nos dias que seguem há concertos dos Free Hole Negro e Bumba (junção dos Narf com os Timbila Muzimba), dia 20, de Wysa, Melo D e Rasha, dia 21, e dos Luar na Lubre (na foto), Romano Drom e Kilema, dia 22.

Bem mais a norte, em Montalegre (no Parque de Exposições e Feiras), o Celtirock - Festival Internacional de Música Celta decorre no último fim-de-semana de Julho com concertos dos Niños de los Ojos Rojos, Ginga e Gaiteiros da Espiral (dia 28), Dragan Dautovski Quartet, Paddy -B & Celtic Express e Mu (dia 29) e Gaiteiros de Pitões e Sons da Suévia (dia 30).