Dia 15 de Junho, o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, é o palco de uma sentida homenagem a Cesária Évora, com músicos e cantores oriundos de Cabo Verde (em natural maioria), Portugal e Angola a recordarem o legado inestimável da «Diva dos Pés Descalços». O comunicado:
«HOMENAGEM A CESÁRIA ÉVORA
15 Junho 2012 | Coliseu dos Recreios
Aquele que viria a ser, o último concerto de Cesaria Evora em Portugal, aconteceu em Maio de 2010 no Coliseu dos Recreios. A emblemática sala de Lisboa, tantas vezes testemunho da sua calorosa presença, é agora escolhida para palco do grandioso espetáculo em sua homenagem, a 15 de Junho 2012.
Como pano de fundo, os seus músicos, aqueles que, tournée após tournée, a acompanharam a levar o seu Cabo Verde à distância da Sodade. O alinhamento, baseado no seu próprio repertório, será alvo de singulares e sentidas interpretações, momentos de espontâneos duetos, nas vozes de Bonga, Celeste Rodrigues, Lura, Maria Alice, Nancy Vieira, Sara Tavares, Teófilo Chantre e Tito Paris.
Lisboa e Mindelo, dois portos de mar no Atlântico, com a Saudade em comum. Dois berços de géneros musicais, que pela comum miscigenação, retratam igualmente a alma e quotidiano dos seus povos: Fado e Morna.
Perpetuar o nome e vontade de Cesaria Evora, continuar a encantar o seu público com as suas melodias, percorrer o caminho que encurtou entre o seu Cabo Verde e o mundo, é hoje também vontade de quantos a rodearam diariamente, da equipa de trabalho, aos músicos, aos artistas, aos próprios produtores de muitas das salas e festivais por onde passou.»
Mais pormenores, aqui.
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10 junho, 2012
Cesária Évora - A Homenagem no Coliseu dos Recreios
Dia 15 de Junho, o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, é o palco de uma sentida homenagem a Cesária Évora, com músicos e cantores oriundos de Cabo Verde (em natural maioria), Portugal e Angola a recordarem o legado inestimável da «Diva dos Pés Descalços». O comunicado:
«HOMENAGEM A CESÁRIA ÉVORA
15 Junho 2012 | Coliseu dos Recreios
Aquele que viria a ser, o último concerto de Cesaria Evora em Portugal, aconteceu em Maio de 2010 no Coliseu dos Recreios. A emblemática sala de Lisboa, tantas vezes testemunho da sua calorosa presença, é agora escolhida para palco do grandioso espetáculo em sua homenagem, a 15 de Junho 2012.
Como pano de fundo, os seus músicos, aqueles que, tournée após tournée, a acompanharam a levar o seu Cabo Verde à distância da Sodade. O alinhamento, baseado no seu próprio repertório, será alvo de singulares e sentidas interpretações, momentos de espontâneos duetos, nas vozes de Bonga, Celeste Rodrigues, Lura, Maria Alice, Nancy Vieira, Sara Tavares, Teófilo Chantre e Tito Paris.
Lisboa e Mindelo, dois portos de mar no Atlântico, com a Saudade em comum. Dois berços de géneros musicais, que pela comum miscigenação, retratam igualmente a alma e quotidiano dos seus povos: Fado e Morna.
Perpetuar o nome e vontade de Cesaria Evora, continuar a encantar o seu público com as suas melodias, percorrer o caminho que encurtou entre o seu Cabo Verde e o mundo, é hoje também vontade de quantos a rodearam diariamente, da equipa de trabalho, aos músicos, aos artistas, aos próprios produtores de muitas das salas e festivais por onde passou.»
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28 março, 2012
Memórias de Cesária em Serpa e Gwendal em Sendim

Olhem só as duas recentes (e belas) notícias que o camarada Luís Rei tem nas suas Crónicas da Terra:
«Homenagem a Cesária Évora passa pelo Encontro de Culturas de Serpa
A IX edição do Encontro de Culturas de Serpa, que decorre este ano entre 2 e 17 de Junho, recebe, dia 8, o espectáculo de homenagem a Cesária Évora. Reunião de antigos membros da banda com as vozes de Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora.
O espectáculo produzido pelo antigo amigo e editor da diva dos pés descalços, José da Silva, das editoras Harmonia e Lusafrica, foi estreado este mês em Cabo Verde, durante a cerimónia de renomeação do aeroporto Internacional do Mindelo na Ilha de Sal ao qual foi atribuido o nome da malograda cantora, bem como inaugurada uma estátua de três metros de altura, da autoria do artista cabo-verdiano Domingos Luísa.
Serpa terá pois a honra de receber esta homenagem musical que deverá também passar por Lisboa e correr mundo.
A programação dos Encontros de Cultura de Serpa é a seguinte:
Praça da República
Espetáculos musicais com início sempre às 21h30
Dia 7, quinta-feira
Espetáculo enREDE . Portugal, Espanha, Cabo Verde, Brasil . Produção de Malu Aires
Dia 8, sexta-feira
Homenagem a Cesária Évora . SEMBA/COLADERAS/MORNAS. Cabo Verde
Com Tito Paris, Nancy Vieira, Maria Alice e Albertino Évora
Dia 9, sábado
Zeca Baleiro . MPB. Brasil
Dia 10, domingo
Dia do Cante . CANTE ALENTEJANO. Portugal
Dia 13, quarta-feira
Magic Slim & The Teardrops BLUES. EUA
Dia 14, quinta-feira
Otava Yo . . Rússia
Dia 15, sexta-feira
Camané .FADO. Portugal
Dia 16, sábado
Virgem Suta . CANÇÃO POPULAR . POP . Portugal
Dia 17, domingo
Luz Casal . Espanha»
«Gwendal e Nuevo Mester de Julgaria no Intercéltico de Sendim
O Intercéltico de Sendim, que celebra este ano a sua 13ª edição, realiza-se entre os dias 3 e 5 de Agosto. Aos habituais dois dias de animação folqueira com seis espectáculos no Parque das Eiras, adiciona-se mais uma noite de tradição mirandesa. Cortesia da Comissão Festas de Santa Bárbara 2012 e a Associação de Pauliteiros de Sendim.
Programa principal:
sexta-feira, dia 3 de Agosto
Nuevo Mester de Julgaria (Castela / Espanha)
Le vent du Nord (Quebeque / Canadá)
Toques do Caramulo (Águeda)
Sábado, dia 4 de Agosto
Gwendal (Bretanha / França)
Assembly Point (Portugal, Galiza, Irlanda)
Realejo (Coimbra)
Domingo, dia 5 de Agosto
Lenga- Lenga
Trasga
La Çaramontaina
No Facebook da organização do Intercéltico é possível ler o seguinte:
A décima terceira edição do Festival Intercéltico de Sendim ficará desde logo marcada pelos concertos de dois grandes grupos da folk europeia que são verdadeiras instituições musicais, com um longo trajecto de permanência activa na frente cultural: GWENDAL (grupo proveniente da Bretanha francesa, a celebrar 40 anos de vida!…) e NUEVO MESTER DE JUGLARIA (fundados em finais de 1969, oriundos das vizinhas terras de Castilla y Léon). Duas apostas fortíssimas, às quais não podemos deixar de acrescentar a vinda de um dos mais aclamados grupos no que se refere a concertos ao vivo, os LE VENT DU NORD (vindos das longínquas paragens do Quebéc canadiano). Bem menos remotas mas bastante diversificadas são as terras de origem dos elementos do grupo ASSEMBLY POINT (Portugal, Galiza e Irlanda), numa “mistura” musical verdadeiramente explosiva. E, para representarem a folk portuguesa, nada mais nada menos do que dois grupos da respectiva frente de excelência: os REALEJO e os TOQUES DO CARAMULO.
Mas os concertos vão acontecer também fora do Parque das Eiras, como será, por exemplo, o caso da verdadeira embaixada musical mirandesa que se apresentará na noite de domingo (5) no Largo da Igreja – TRASGA, LENGA-LENGA e LA ÇARAMONTAINA –, numa noite mirandesa inteiramente gratuita organizada pela Mordomia de santa Bárbara 2012!
Numa Taberna dos Celtas totalmente remodelada, acontecerão os inefáveis encontros sob o signo das gaitas – com gaiteiros e gaiteiricos (que continuarão a apresentar-se, como de costume, no convívio no Largo da Igreja), evocações e homenagens, lançamentos de discos e de livros, exibição de filmes… Mas não faltarão as caminhadas pelas arribas – La Ruta de ls Celtas – os bailes mirandeses na Praça (sob a batuta do grupo Lenga-Lenga), a leitura integral de Ls Lusiadas, (assim, em mirandês, com gravação para futura edição fonográfica), a missa intercéltica (dita em mirandês, com toques tradicionais de fraita e tamboril). E um festival ibérico de danças de pauliteiros (organizado pela Associação de Pauliteiros de Sendim).
É assim em Sendim: a festa acontece em tons maiores de celebração. E, em 2012, com mais um dia para… o que der e vier!»
17 dezembro, 2011
Sodade (Eterna)
Obrigado por tudo, Dona Cesária!!! Que o Céu seja tão grande quanto tu para nele poderes caber...
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30 novembro, 2010
Mais Cinco Mergulhos na Música Cabo-Verdiana

Novamente recuperados do "acervo" de textos escritos há vários meses para a Time Out, aqui deixo críticas a discos de Cesária Évora, Bau, Vasco Martins, Mário Lúcio e Carmen Souza (na foto, de Patrícia Pascal), e ainda uma entrevista com esta magnífica cantora radicada em Londres. Com todos eles a provar, se tal fosse preciso, como são diversos os caminhos da música de Cabo Verde.
Cesária Évora
"Nha Sentimento"
Lusáfrica/Tumbao
No limiar dos 70 anos de idade, Cesária Évora aparece neste "Nha Sentimento" renascida – e, se calhar, “renascer” é a palavra correcta se pensarmos que sofreu um AVC antes de iniciar as gravações do álbum - e com o grão da sua voz num pico elevadíssimo! Com canções escritas, quase todas, por Manuel de Novas (recentemente falecido) e Teófilo Chantre, "Nha Sentimento" mostra a voz de Cesária a voar livremente sobre dançantes coladeiras - que estão aqui em maioria - infectadas pelo samba e por ritmos cubanos, para além de algumas belíssimas mornas que contam com um ás de trunfo: uma orquestra de cordas egípcia, fazendo a ponte entre a música cabo-verdiana e a música árabe. E curiosamente (ou talvez não), uma delas, “Vento de Sueste” chega, via instrumentos árabes, ao... fado. *****Bau
"Café Musique"
Lusáfrica/Tumbao
Bau (pseudónimo de Rufino Almeida) é um dos mais importantes, versáteis e talentosos músicos cabo-verdianos. Multi-instrumentista, brilhante no violino, na guitarra e no cavaquinho, Bau já foi o director musical de Cesária Évora durante alguns anos e a sua música foi usada em coreografias de Pina Bausch e filmes de Pedro Almodovar. E, agora, edita esta colectânea que é bem o espelho de uma carreira coerentíssima em que a sua música, sempre instrumental, faz a ponte entre a música cabo-verdiana e outras músicas – a mazurka do norte da Europa (“Mazurka”), os Andes (“Blimundo”), o flamenco (“Ilha Azul”) ou, muitas vezes, os fados que se escondem nas mornas e vice- versa (p. ex., “Som di Nha Esperança” e “Pescador”). Para provar que não há só boas vozes em Cabo Verde. ****Vasco Martins
"Li Sin"
Lusáfrica/Tumbao
Começa a ouvir-se o novo álbum do músico e compositor Vasco Martins e quase que duvidamos que este disco saia de uma editora de world music, mesmo que essa editora seja a prestigiadíssima Lusáfrica (Cesária Évora and so on, passe o anglicismo). Preconceito? É, pois! É que "Li Sin" bem poderia sair de uma Deutsche Grammophon (clássica, pois) ou de uma ENJA (jazz sofisticado, pois)... Mas, avança-se na audição do disco e percebe-se mais uma vez que a música de Vasco Martins (ele que tem sangue misto, luso e cabo-verdiano) quebra todos os preconceitos e avança, firme, na criação de um corpus sinfónico – digamos assim, por facilidade – que deve tudo ao sal, ao fogo e a todos os santos que fazem de Cabo Verde uma paisagem (musical, cultural e humana) única. Belíssimo! ****Mário Lúcio
"Kreol"
Lusáfrica/Tumbao
Fundador dos Simentera, poeta e político – e por isso mesmo – com uma voz activa na realidade cabo-verdiana, o cantor e compositor Mário Lúcio foi também deputado, membro do governo (na área da cultura) e embaixador do governo de Cabo Verde. Mas a música, no que tem de (en)canto e paixão, sempre foi o seu natural amor primeiro. Já foi assim em "Mar e Luz" (trocadilho fonético com o seu nome), em "Badyo" e, ainda mais, neste "Kreol", onde Mário Lúcio reinventa o perdido conceito de balada (em quase todo o mundo a balada é uma lamechice pegada, nele é todo um novo género musical a descobrir!) e assina duetos memoráveis e históricos com o maliano Toumani Diabaté, os portugueses Pedro Jóia e Teresa Salgueiro, o brasileiro Milton Nascimento ou o norte-americano Harry Belafonte. Maravilha! *****Carmen Souza
"Protegid"
Galileo
É um prazer enorme verificar como a nova geração de cantoras cabo-verdianas – e refiro-me aqui às mais conhecidas, Sara Tavares, Lura, Mayra Andrade e Carmen Souza – está, cada vez mais, a abrir caminhos novos e muito diferentes para a música das ilhas. No caso de Carmen, a opção –- coerente e absolutamente consistente -– é, na maior parte das vezes, levar as mornas, as coladeiras, os funanás ou as mazurkas para o jazz (norte ou latino-americano – não por acaso, Omar Sosa é um dos convidados de honra), através da sua voz originalíssima e da instrumentação – vf., por exemplo, na surpreendente versão de “Sodade”. Mas também há experiências ainda mais radicais como o arrepiante “Mara Marga”, com uma dupla palestiniana presente neste tema: Adel Salameh (oud) e a cantora Naziha Azzouz. ****Sob o Foco
Carmen Souza
Com canções que viajam livremente entre Cabo Verde, o jazz e outros mundos, Carmen Souza é uma das vozes mais originais da nova música cabo-verdiana. Em conversa com António Pires, ela fala do novo álbum e dos concertos que aí vêm.
Como é que te situas, musicalmente, entre a tradição cabo-verdiana e as outras músicas que fazem a tua música?
Há géneros que são absolutamente tradicionais, como a morna – ou o fado -, mas há sempre uma vontade de evoluir. No meu caso, nesse evoluir não se altera nada da estrutura, da essência, mas evolui-se para algo de diferente. Neste disco, "Protegid", transformei uma morna num jazz-swing e, para quem esteja a ouvir de forma desatenta, até é capaz de pensar “isto é um standard de jazz”...
Estás a falar da tua versão do “Sodade”.
Sim, mas quem ouvir detalhadamente, aquilo que está por trás é uma morna. Tento sempre dar o meu cunho pessoal àquilo que eu faço e aí o jazz é uma presença real. No caso do “Sodade”, estava com o pianista Victor Zamora e quisemos dar a esta morna algo de Brad Mehldau ou de Bill Evans...
Tu escreves as letras, és cantora, tocas guitarra e órgão. É importante juntares isso tudo?
Eu quero ser sempre muito verdadeira, muito fiel àquilo que eu sou. E as minhas letras reflectem sempre o que se passa comigo e à minha volta. O título do álbum tem a ver com isso: eu sinto-me protegida e sinto o dever de proteger, alertando as pessoas e levando-lhes uma mensagem de paz. E não me vejo como cantora, mas como músico, porque a minha voz é muito mais instrumental do que cantada. Na minha voz sou muito mais influenciada por solos de piano ou de trompete do que por formas de cantar.
A quase totalidade da música, por sua vez, é composta pelo Theo Pas'cal...
Sim, estamos os dois em Londres há dez anos a desenvolver este projecto, ele é fundamental para isto tudo e já não conseguimos deixar de estar nos projectos um do outro. Ele é do Algarve e, para o futuro próximo, estamos a pensar num trabalho em que juntamos o sul de Portugal, o norte de África e Cabo Verde.
Neste disco já tens, pelo menos, um oud (alaúde árabe)...
Sim, tocado pelo Adel Salameh, que é palestiniano. Acredito que há ligações entre a música cabo-verdiana e a música árabe, assim como já me disseram que os primeiros escravos que chegaram a Cuba eram cabo-verdianos e daí haver semelhanças entre a música cubana e a música cabo-verdiana.
Aliás, para além do Victor Zamora, que é cubano, no disco também tens a presença do grande pianista Omar Sosa...
Sim, e de muitos outros músicos, como o acordeonista francês Marc Berthoumieux, os Tora Tora Big Band e tantos outros que fomos encontrando pelo caminho.
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10 agosto, 2010
Colectânea de Textos no jornal "i" (VIII)

A Rosa (e os Enjeitados)
por António Pires, Publicado em 08 de Outubro de 2009
António Variações cantava, em "Todos Temos Amália na Voz": "Dei o teu nome à minha terra/Dei o teu nome à minha arte/A tua vida é primavera/A tua voz é eternidade", antes de, no refrão, dizer "Todos nós temos Amália na voz". E Variações, nesta canção composta muitos anos antes da morte de Amália Rodrigues - ele, aliás, viria a morrer muito mais cedo que a sua musa -, resumiu na perfeição o amor, o respeito e a admiração que milhões de portugueses sentiram e sentem pelo ícone maior do fado de Lisboa. Não são de mais, portanto, as inúmeras iniciativas que nesta e nas últimas semanas homenagearam a memória de Amália. A edição em CD de temas inéditos dos primeiros tempos da cantora; extensas colecções de discos; concertos de tributo (de gente do fado e de fora dele); conferências; exposições; o filme "Amália" a passar na RTP... Tudo isso é mais que justo, e se calhar ainda é pouco. Mas não deixa de ser triste - como o fado - pensar que homenagear Amália é importante, mas que igualmente importante seria homenagear muitos outros. Há dois anos passaram 25 anos sobre a morte de Alfredo Marceneiro (na foto). O ano passado, 20 sobre o falecimento de Francisco José. Alguém os recordou? Neste mesmo ano de 2009 passam dez anos, tal como com Amália, sobre o desaparecimento de Lucília do Carmo. Onde estão as comemorações? Max morreu em Maio de 1980. Alguém sabe de alguma coisa que esteja a ser feita para a celebração dos 30 anos da sua morte, daqui por alguns meses?
O Segredo da Mandrágora
por António Pires, Publicado em 15 de Outubro de 2009
Se Michel Giacometti - e alguns outros - fez um trabalho extraordinário na preservação do património musical português, também é importante que, neste início de novo século, se ponham em diálogo as tradições com a modernidade. E isso está a ser feito por muitos nomes da música portuguesa que têm sido referidos nesta coluna ao longo das últimas semanas. Mas esse diálogo é ainda mais visível - e aqui "visível" é a palavra correcta - na obra videográfica de Tiago Pereira, que em filmes como "11 Burros Caem no Estômago Vazio", "Arritmia" ou "B Fachada - Tradição Oral Contemporânea" - tem sempre feito a ponte, ao mesmo tempo que a questiona muitas vezes de forma irónica, entre a nossa música tradicional e a nossa música moderna. O culminar deste processo é um filme/instalação multimedia/intervenção em tempo real e ao vivo... novo e absolutamente maravilhoso: "Mandragora Officinarum". Nele, Tiago Pereira parte da nossa religião tradicional (mistura de paganismo antigo, judaísmo mal-amanhado, resquícios da cultura muçulmana, um catolicismo temeroso e medicina popular) para, com esse mote, pôr em confronto responsos, ladaínhas, orações, benzeduras e receitas de mezinhas tradicionais com a música de gente como Tó Trips, B Fachada, Tiago Guillul, Márcia, Ernst Reijseger, Pedro Mestre, Paulo Meirinhos, Vasco Casais, Walter Benjamin, Jorge Cruz, Luís Fernandes, Lara Figueiredo ou BiTocas. "Mandragora Officinarum" é um marco maior do nosso cinema e da nossa música.

O fado não é só português!
por António Pires, Publicado em 29 de Outubro de 2009
Anda a circular na net um texto de Fernando Zeloso (será pseudónimo?) que parte dos Amália Hoje - sobre os quais já dei a minha opinião nesta coluna -, para depois defender, entre outras tomadas de posição xenófobas e nacionalistas (inclusive acerca dos luso-brasileiros da selecção portuguesa de futebol e terminando o texto com um revelador... "A Bem da Nação Fadista"), que o fado deve ser única e exclusivamente cantado por portugueses. A mesma posição tomaram algumas pessoas a propósito do filme "Fados", realizado por um espanhol, Carlos Saura, e onde apareciam Lila Downs (na foto), Caetano Veloso, Cesária Évora e Miguel Poveda, entre outros, a cantar fado. Ora esta ideia, para além de perigosa ideologicamente e mesquinha moralmente, é sem dúvida ridícula. Pela mesma ordem de ideias, e entre variadíssimos exemplos possíveis, Vitorino não poderia gravar tangos, Luís Represas não poderia cantar música cubana nem os Mind da Gap fazer hip-hop - e a própria Amália Rodrigues nunca poderia ter interpretado flamenco, napolitanas, canções francesas, as maravilhosas letras de Vinicius de Moraes ou standards de jazz. Em tempos fiz um apanhado de cantores e instrumentistas de fado não portugueses. E são às dezenas: no Japão, no Brasil, na Itália, na Espanha, na Argentina, na Índia, no México, na Holanda, na Croácia, na Polónia, na França... O que, ao contrário do que defende Zeloso, nos deveria, isso sim, encher de orgulho.
25 novembro, 2008
Cesária Évora Celebra as Origens (em Disco e em Concerto)

É uma grande notícia! Gravações inéditas de Cesária Évora efectuadas durante os anos 60 em Cabo Verde - tinha a cantora cerca de vinte anos de idade - estão agora, e pela primeira vez, reunidas em CD. Algumas destas canções apareceram em singles e EPs editados na altura, algumas reinterpretações de alguns destes temas apareceram em álbuns de Cesária nas décadas seguintes, mas nunca a voz da «diva dos pés descalços» soou tão fresca e feliz como nestas gravações contidas em «Rádio Mindelo». Com mornas e coladeiras clássicas (muitas delas do patrono de Cesária, o lendário Ti Goy, mas também de B.Leza, Morgadinho, Mendes Carvalho, Amândio Duarte ou Abílio Cabral), o alinhamento do disco - que vai ser apresentado em Lisboa, amanhã, quarta-feira, no Cinema S.Jorge - inclui os temas «Cize» (em três versões diferentes), «Oriundina», «Pé di Boi», «Nutridinha», «Vaquinha Mansa», «Belga», «Mar Azul», «Terezinha», «Fruto Proibido», «Falta di Força», «Sayko Dayo», «Sangue de Beirona», «Nho Antone Escaderode», «Mata morte», «Rabolice na Ilha d'Madeira», «Nova Sintra», «Menina d'Fonte Felipe», «Cinturão tem mele», «Dor di Sodade» e «Caminho de São Tomé».
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03 outubro, 2007
Cesária Évora, Lura e Bau - O Triunfo da Lusáfrica

Vinte anos depois da sua fundação, a Lusáfrica e o seu criador, José da Silva, estão mais do que de parabéns! Assim como de parabéns estão todos os artistas que têm gravado para esta editora, que começou por lançar apenas música cabo-verdiana mas alargou o seu catálogo a inúmeros artistas de outras latitudes (cubanos, da África continental, etc.). Mas aqui, a comemoração - mesmo que atrasada - faz-se com três discos de cabo-verdianos, razão primeira da existência da etiqueta e, pela qualidade que os três têm, prova maior de que as editoras independentes, quando nelas há amor, podem fazer muito - tudo! - pela música. Com Bau, a diva Cesária Évora (na foto) e a jovem Lura.
LURA
«M'BEM DI FORA»
Lusáfrica/Tumbao
Depois de um início de carreira ainda a apalpar terreno sobre quais os melhores caminhos para a sua música, a cantora Lura acertou em cheio com o álbum «Di Korpu Ku Alma», onde pegou em géneros tradicionais cabo-verdianos e os recriou à luz da música mais actual. Em «M'bem di Fora», os caminhos percorridos são semelhantes - nele se encontram batuques e funanás e mornas e a celebração do Kola San Jon... - mas com um grau de sofisticação ainda superior ao que já apresentava no álbum anterior. Ouvir «M'bem di Fora» do princípio ao fim é um encantamento constante, em que antigas e novas composições se entrelaçam com coerência e em permanente diálogo: um diálogo que é conduzido pela voz quente, sedutora, sempre a cantar em crioulo, de Lura, e por fabulosos músicos - num grupo em que pontificam João Pina Alves (guitarra), Toy Vieira (piano) ou Paulino Vieira (cavaquinho). E, como convidados muito especiais, o grande acordeonista Régis Gizavo (expoente máximo da música de Madagáscar), o guitarrista Pedro Jóia (com o seu toque de flamenco) e o cantor Zéca di Nha Reinalda (que foi dos míticos grupos de funaná Bulimundo e Finaçon), este no irresistível tema-título do álbum. Com uma música fortemente enraizada na tradição, mas com os braços estendidos também para outras músicas, Lura tem neste álbum o trampolim perfeito para uma frutuosa carreira internacional, que, felizmente, já está a acontecer. (8/10)BAU
«ILHA AZUL»
Harmonia/Lusáfrica/Tumbao
Menos imediato que o álbum de Lura, essencialmente porque é um álbum instrumental e não há uma voz a prender imediatamente o ouvinte, «Ilha Azul», de Bau, não deixa por isso de ser um álbum belíssimo e, mais importante ainda, um fiel representante do que de mais profundo tem a música cabo-verdiana: uma música que viaja entre o continente ali ao lado e Portugal, o Brasil, Cuba ou Estados Unidos, sempre com paragem obrigatória em Cabo Verde. Ouvir o primeiro tema deste álbum, «Ponta do Sol», é, logo, perceber que esat música é feita de muitas músicas, embora sempre unidas entre si: em «Ponta do Sol» há fado, há chorinho, há morna, há son cubano, como ao longo do resto do álbum há sugestões de semba, bossa-nova, jazz, música ranchera mexicana, flamenco e muitas outras músicas exteriores que, na guitarra e no cavaquinho de Bau (aka Rufino Almeida), fazem todo o sentido misturadas com a música tradicional de Cabo Verde (exemplo óbvio é o tema brasileiro «Na Baixa do Sapateiro», de Ary Barroso, aqui recriado com uma alegria e uma inventividade espantosas). Guitarrista virtuoso (no bom sentido da palavra e não no sentido de «conseguir tocar mil notas num minuto»), Bau mostra neste álbum, o sexto da sua carreira, como a música pode ser única e universal, mesmo quando fortemente ancorada numa música «local». (9/10)CESÁRIA ÉVORA
«ROGAMAR»
Lusáfrica/SonyBMG
Embaixatriz da música cabo-verdiana e «porta-bandeira» (se assim se pode dizer) da Lusáfrica, Cesária Évora assina em «Rogamar» mais um passo seguríssimo da sua já longa - e bastante frutuosa - carreira. Dona de uma voz única, marcante, luminosa, Dona Cesária continua a gravar com a urgência de quem chegou aos grandes palcos já quase na terceira idade, mas isso é bom, porque mostra que a necessidade da música e da sua expressão não tem nada a ver com a idade ou o local de nascimento. E, se em relação a Lura se fala de sofisticação, oiça-se este «Rogamar» e tente-se perceber como uma música na sua essência simples e feita com poucos instrumentos se pode transformar - via orquestrações elaboradas, mas nem por isso barrocas ou castradoras da verdade e da essência - numa música riquíssima em nuances e sugestões. E os arranjos, de Fernando Andrade, ainda têm lugar para algumas colaborações de peso: o já referido (a propósito de Lura) Régis Gizavo no acordeão e o cantor senegalês Ismael Lô, numa celebração de africanidade que não se confina aos limites das ilhas de Cabo Verde. Uma africanidade que está também bem explícita em «São Tomé na Equador», um tema de Ray Lema e Teófilo Chantre, aqui reunidos para bem da música, ou no afro-brasileiro «Mas Um Sonho», festa que une naturalmente os dois lados do Atlântico. (8/10)
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10 janeiro, 2007
Cromos Raízes e Antenas IX

Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)
Cromo IX.1 - Ravi Shankar

Há-de ficar para a história da música - da «world music», sim, mas também de todas as músicas - o momento, gravado no álbum «Concert for Bangladesh» (concerto de solidariedade organizado por George Harrison em 1971), em que o público aplaude Ravi Shankar antes deste dizer: «Muito obrigado, estava só a afinar o instrumento...». Shankar (nascido a 7 de Abril de 1920, em Varanasi, Índia) é o mais respeitado mestre da sitar, principalmente no Ocidente, onde granjeou o respeito e a estima de artistas tão diferentes quanto os Beatles ou Philip Glass. Nascido numa família brâmane, Ravindra (Ravi) Shankar foi director musical da Rádio indiana nos anos 50 e a sua fama chegou ao Ocidente nos anos 60, tendo actuado nos lendários festivais de Monterey e Woodstock. Dono de uma impressionante carreira a solo, Shankar gravou também em duo com compositores renomados como Philip Glass («Passages»).
Cromo IX.2 - Luaka Bop

Fundada em 1988 por David Byrne (a cabeça por trás dos Talking Heads e parceiro de Brian Eno no seminal «My Life In The Bush of Ghosts»), a norte-americana Luaka Bop assumiu-se ao longo dos últimos vinte anos como uma das mais importantes editoras da chamada world music - apesar de este «selo» ser bastante redutor em relação à alargada e abrangente política de contratações desta editora -, lançando álbuns de artistas como as Zap Mama, Tom Zé (que através dela conseguiu uma segunda e riquíssima fase da sua carreira, depois de muitos anos de apagamento), Susana Baca, Silvio Rodriguez, Geggy Tah, Los Amigos Invisibles, Nouvelle Vague, Jim White, Paulo Bragança, A.R. Kane, Djur Djura, Cornershop, Waldemar Bastos, Mimi Soak (ex-Hugo Largo), Los de Abajo, Bloque, King Changô, Os Mutantes, do próprio David Byrne a solo e colectâneas de música brasileira, cubana, peruana, africana, asiática e francesa, entre outros.
Cromo IX.3 - Cesária Évora

A Diva dos Pés Descalços, Cesária Évora (nascida a 27 de Agosto de 1941, no Mindelo, Cabo Verde) é a maior embaixadora da música cabo-verdiana da actualidade. Com um gosto especial pelas mornas, a cantora não deixa por isso de experimentar outros géneros cabo-verdianos como a coladeira ou o funaná e de se atirar a versões pessoalíssimas de outros géneros, como a música cubana. Apesar de ter cantado regularmente nos anos 60 e 70 - tendo chegado a gravar um single com o grupo Conjunto -, Cesária passa depois dez anos sem cantar e só grava o seu primeiro álbum a sério, «Cesária Évora», em 1987. Seguem-se o famoso «La Diva aux Pieds Nus» (1988), «Destino di Belita» (1990), «Mar Azul» (1991) e «Miss Perfumado» (1992), que a instalam definitivamente nas rotas dos festivais da world music. O seu último álbum de originais, «Rogamar», foi editado em 2006 e, em 2008, saiu «Radio Mindelo» (querecuperou gravações suas dos anos 60).
Cromo IX.4 - The Nightlosers

Liderados por um realizador de cinema, Hano Hoffer, os Nightlosers são uma banda romena que se dedica à fusão dos blues eléctricos de Chicago com a música tradicional da Transilvânia. Um excelente exemplo - entre milhares de outros - de uma miscigenação cada vez mais efectiva de músicas locais com sonoridades anglo-saxónicas, os Nightlosers são também os protagonistas do filme ««Euroamerican Nightlosers/The Human Hambone», realizado por Sorin Iliesiu e Mark Morgan, que conta a história dos blues desde África aos Estados Unidos e à... Roménia. O seu álbum de 2000, «Plum Brandy Blues», mostra clássicos como «Hoochie Coochie Man», «Stormy Monday Blues», «Everyday I Have the Blues», «Pretty Thing» ou até «Blue Suede Shoes» (de Elvis Presley) infectados por um violino cigano e um cimbalom.
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