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25 junho, 2008

Vinicio Capossela no FMM de Sines e Concha Buika no Med de Loulé


Este post tem boas e... más notícias. As más são os cancelamentos dos concertos dos Konono Nº1 e dos Master Musicians of Jajouka no Festival Med de Loulé - que começa já hoje - e dos Antibalas Afrobeat Orchestra e dos Kasai All Stars no FMM de Sines, por razões que mais à frente se perceberão. As boas são a inclusão da fabulosa cantora afro-espanhola Concha Buika (na foto) no cartaz do Med de Loulé e a entrada do genial cantautor italiano Vinicio Capossela e do trio - um trio de peso! - de Jean-Paul Bourelly no programa do FMM de Sines. Nos parágrafos em baixo podem ler-se os comunicados oficiais das respectivas organizações acerca deste assunto. Mas antes disso, só uma nota: revolta-me cada vez mais o facto de - como dizia alguém num comentário nas Crónicas da Terra - que a Europa se esteja a transformar numa «fortaleza» onde os naturais ou habitantes de outros continentes têm cada vez mais dificuldade em entrar, sejam eles artistas ou não.

COMUNICADO DO MED DE LOULÉ

«Konono n.º 1 e Master Musicians of Jajouka falham MED por razões consulares

Loulé, 24 de Junho de 2008 - A espanhola Concha Buika é a última presença confirmada no cartaz da 5ª edição do Festival Med 2008, que arranca já amanhã, no centro histórico de Loulé. A cantora, que participou no novo álbum de Mariza, "Terra", sobe ao palco do Med no domingo, 29 de Junho, às 22h45, onde vai apresentar o seu último
trabalho "Niña de Fuego", editado já este ano.

No mesmo dia estava prevista a actuação dos congoleses Konono n.º1, que por razões consulares, foram obrigados a cancelar a passagem por Portugal e, concretamente, pelo Med de Loulé. Também por falta de autorização para entrar na União Europeia, os Master Musicians of Jajouka, outro dos colectivos que estava no alinhamento dos palcos principais do Festival Med, viram cancelada a sua actuação, prevista para sábado, 28 de Junho».


COMUNICADO DO FMM DE SINES:

«Vinicio Capossela e Jean-Paul Bourelly no Festival Músicas do Mundo de Sines


O cantautor italiano e o trio liderado pelo músico americano actuam no lugar de Kasaï Allstars e Antibalas, cujos concertos foram cancelados.

O grupo americano Antibalas e o grupo da República Democrática do Congo Kasaï Allstars já não vão marcar presença na décima edição do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo, que se realiza entre 17 e 26 de Julho, em Porto Covo e Sines.

O cancelamento do concerto dos Kasaï Allstars deve-se à não obtenção de visto de entrada na Europa.

A ausência dos Antibalas é motivada pelo incumprimento do compromisso assumido pelo agente europeu da banda.

Com a ausência dos Kasaï Allstars, a noite de 23 de Julho (quarta-feira), no Castelo, ganha um novo protagonista, o italiano Vinicio Capossela, uma das maiores figuras da música italiana contemporânea.

Nascido na Alemanha, em 1965, mas residente em Milão desde muito cedo, Vinicio é, desde 1990, quando lançou o disco de estreia "All'Una E Trentacinque Circa", um cantautor de referência, comparado a Paolo Conte e Tom Waits pela voz rouca, pelo "pathos" criativo e pela capacidade comovente de nos fazer encontrar com a verdade do lado menos luminoso da experiência humana.

Depois de no início da sua carreira se ter interessado pela estética underground norte-americana (Kerouac, Bukowski e, sobretudo, Waits), a partir do quarto álbum deixa-se fascinar pelo som e mistério do imaginário rural italiano, no modo "pasoliniano".

Incorporando influências de géneros com o tango, os blues, a rebetica, a morna ou o cabaret, Capossela venceu, com o seu último disco, “Ovunque Proteggi”, o prémio Tenco para melhor álbum do ano 2006. Em Sines, realiza um concerto com muitas surpresas.

A entrada de Vinicio no programa do dia obriga a um rearranjo do alinhamento dos concertos no Castelo no dia 23, que passa a ser: Waldemar Bastos (21h30), Vinicio Capossela (23h00) e Justin Adams & Juldeh Camara (00h30).

No lugar da orquestra Antibalas, sábado, dia 26 de Julho, às 2h30, na Avenida Vasco da Gama, actua um trio de luxo da música norte-americana, Jean-Paul Bourelly meets Melvin Gibbs & Will Calhoun.

Jean-Paul Bourelly é um dos melhores guitarristas de blues contemporâneos, com um som eléctrico e fortes aproximações ao funk e ao rock. Também cantor, Bourelly já trabalhou com músicos como Miles Davis, no álbum “Amandla”, e Vernon Reid, dos Living Colour.

É precisamente desta banda pioneira do rock negro que chega Will Calhoun, eleito por várias revistas da especialidade o melhor baterista do mundo. A sua bateria poderosa tem dado coração rítmico a grandes nomes, do rapper Mos Def a B. B. King.

Se Calhoun foi considerado o melhor baterista do mundo, Melvin Gibbs, terceiro elemento do grupo, foi eleito o melhor baixista. O seu baixo lendário tem um historial de quase 200 discos de diferentes géneros.

Embora alheia aos factos que as motivaram, a organização do Festival Músicas do Mundo pede desculpa aos espectadores pelas alterações registadas no programa anteriormente anunciado».

10 dezembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXIII.1 - Mari Boine


A extraordinária cantora norueguesa Mari Boine (nascida a 8 de Novembro de 1956, em Finnmark, Noruega) é, ao mesmo tempo que carrega consigo as tradições mais antigas do povo sami (a designação correcta dos lapões), uma criadora aberta a diversas influências - rock, jazz, electrónicas -, que inclui na sua música. Dona de uma voz moldada no estudo e na prática do canto yoik - comum ao povo sami, que se espalha pela Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia -, Boine soube sempre fazer a ponte entre músicas diferentes e, sempre também, pôr o todo ao serviço da defesa do seu povo, vítima de abusos por parte das diversas autoridades escandinavas, à semelhança do que se passa com os índios da Amazónia e da América do Norte ou os aborígenes australianos. O seu primeiro álbum internacional, «Gula Gula» (1989), foi editado pela Real World e parte do mundo tomou conhecimento dela, e através dela, da música dos samis.


Cromo XXXIII.2 - Antibalas Afrobeat Orchestra


Grupo nova-iorquino, de Brooklyn, mas com músicos de várias origens, a Antibalas Afrobeat Orchestra (agrupamento também conhecido, simplesmente, como os Antibalas e, mesmo no início, como Conjunto Antibalas) foi formada em 1998 por músicos que tinham tocado na banda Africa 70 (do lendário Fela Kuti) e da Eddie Palmieri's Harlem River Drive Orchestra. E, naturalmente, a base da sua sonoridade é o afro-beat tal como desenhado por Kuti, mas integrando também outras influências (música mandinga, música cubana, funk, jazz, dub, hip-hop...). Incluindo nas letras dos seus originais fortes mensagens políticas - à semelhança do seu «mentor» nigeriano -, os Antibalas editaram o seu primeiro álbum, «Liberation Afrobeat Vol. 1», em 2000, ao qual se seguiram «Talkatif» (2002), «Who is This America?» (2004) e «Security» (2007), este último surpreendentemente produzido John McEntire (dos Tortoise).


Cromo XXXIII.3 - Nitin Sawhney


Nitin Sawhney (nascido em Rochester, Kent, em 1964) é inglês mas de origem indiana e um verdadeiro cidadão do mundo, no sentido em que busca inúmeras sonoridades para as incluir na sua música. Nitin é um mago das electrónicas mas também toca piano, guitarra clássica (chegou a estudar flamenco na sua juventude), sitar e tablas. É produtor, compositor, DJ, arranjador, remisturador... e sempre com um bom-gosto acima de qualquer suspeita. A sua chegada à alta-roda musical deu-se quando começou a fazer parte do grupo de acid-jazz The James Taylor Quartet, do qual saiu para formar a sua própria banda The Jazztones. Outro marco fundamental da sua carreira foi a colaboração com outra luminária, Talvin Singh, no Tihai Trio. Depois, chegou a fazer comédia - com sucesso - na BBC, antes de se ter lançado numa frutuosíssima carreira musical a solo, em 1993, com o álbum «Spirit Dance». Temas de Sting, Natacha Atlas, Nusrat Fateh Ali Khan ou Paul McCartney - que também canta num tema do seu último álbum, «London Undersound» (2008) - já foram remisturados por ele.


Cromo XXXIII.4 - Spaccanapoli


Spaccanapoli é a enorme avenida que separa Nápoles em duas metades. Mas é também o nome de uma banda musical que tem as suas origens longínquas num grupo operário de intervenção criado durante os anos 70, o ‘E Zezi, de Pomigliano D’Arco, onde se reuniam trabalhadores da indústria automóvel para fazer teatro, música, política... E a base teórica da sua música é a pesquisa exaustiva de canções tradicionais napolitanas, de outras regiões italianas e da bacia do Mediterrâneo. Mas dizer isso é dizer muito pouco para se caracterizar a música dos Spaccanapoli: uma música viva, pulsante, actualíssima. Formados por Marcello Colasurdo (voz e tammorra - uma enorme pandeireta), Monica Pinto (voz), Antonio Fraioli (violino e percussão), Oscar Montalbano (baixo e guitarra) e Emilio De Matteo (guitarra), os Spaccanapoli tiveram no seu álbum «Lost Souls - Aneme Perze», publicado pela Real World, um marco da folk europeia.

13 julho, 2006

Música no Castelo e Sons e Ruralidades - Festivais em Outros Formatos


Um é mais ambicioso, o outro é mais simples e discreto, mas é sempre interessante assistir ao nascimento de novos conceitos de festivais de música e ao alargar de fronteiras entre géneros musicais e até da música com outras actividades...

O 1º Festival Música no Castelo decorre amanhã e depois (dias 14 e 15) no Castelo de Montemor-o-Velho e, segundo refere o comunicado da organização, a Lado B, «o Festival Música no Castelo é descomprometido com um género musical ou com uma classificação musical mais generalista. Não se trata de um festival de world music. Nem de um festival de música urbana». E é por isso que nele cabem actuações, dia 14, dos Tchakare Kanyembe (Portugal/Moçambique), Lenine (Brasil), Antibalas Afrobeat Orchestra (Estados Unidos) e, em after-hours, dos DJs Marcos Cruz e Rui Murka, enquanto no dia 15 actuam os Chirgilchin (de Tuva - na foto), a enormíssima Laurie Anderson (Estados Unidos), e, para acabar a festa, os Micro Audio Waves (Portugal) e o DJ Morpheus (Israel/Bélgica). Ver o site www.musicanocastelo.pt

Outra direcção é tomada pelo Festival Sons e Ruralidades - dias 28, 29 e 30 de Julho, em Vimioso -, festival que pretende «alcançar a fusão entre a Natureza e a Ruralidade através da expressão artística conferida pela Música Tradicional, inserida no contexto etnográfico e ambiental que a vai criando e inovando ao longo dos tempos». O festival inclui concertos dos Dazkarieh, Dites 34, Cibo Mosari e Roncos do Diabo e muitas actividades paralelas: «oficinas de construção de instrumentos musicais direccionadas para crianças, oficinas de danças tradicionais portuguesas, europeias e "lhaços" de pauliteiros; aprendizagem e interpretação de alguns instrumentos musicais tradicionais do Nordeste Transmontano; palestras e tertúlias sobre etnografia e antropologia relacionadas com a música tradicional; e arraiais tradicionais». Ver os sites www.aepga.pt e www.aldeia.org