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09 maio, 2011

Afrocubism, Magnifico e DakhaBrakha no MED de Loulé


Depois da confirmação de George Clinton, Seun Kuti & Egypt 80, Lula Pena, Muchachito Bombo Infierno, Sean Riley & The Slowriders e Luísa Sobral, chega agora a confirmação de mais seis nomes para a ementa do MED de Loulé deste ano: Afrocubism, Magnifico, DakhaBrakha (na foto), António Zambujo, Marrokan e Pinto Ferreira. O novo comunicado, já com o calendário (ainda não completo, claro) de actuações:

"Loulé, 9 de maio de 2011 – Estão confirmados mais seis nomes para a 8ª edição do Festival Med, o primeiro festival de música do verão e um dos mais conceituados festivais nacionais de world music. De 22 a 25 de junho, o centro histórico da cidade de Loulé veste as cores do mundo e transforma-se num palco de sons e sabores, experiências culturais, e de fusão das mais variadas manifestações artísticas.

Magnifico, AFROCUBISM, DakhaBrakha, António Zambujo, Marrokan e Pinto Ferreira juntam-se aos primeiros nomes anunciados: GEORGE CLINTON Parliament Funkadelic, Muchachito Bombo Infierno, SEUN KUTI & EGYPT 80, Luisa Sobral, Sean Riley & The Slowriders e Lula Pena.

O esloveno Roberto Pesut é quem encarna, desde criança, “Magnifico, the Divine”. Excêntrico, exuberante e dramático, Magnifico aposta em surpreender: em cada video, uma nova imagem, em cada álbum, uma provocação. A sua excentricidade levou-o a ser chamado a “Madonna Eslovena”. Um fenómeno que ultrapassa o universo musical, Magnifico é um animal de palco, um verdadeiro homem-espetáculo. Com um estilo único e uma performance original, Magnifico é uma mistura de conceitos e também de géneros musicais: do funk ao techno, do twist ao R&B, passando pelo turbofolk ou pelos ritmos das Balcãs. Uma fórmula invulgar que convence a crítica e os mais variados públicos. O esloveno protagonizará uma das mais aguardadas atuações desta edição do Med, a 23 de junho.

AFROCUBISM é um dos projetos de world music mais aclamados de sempre. O criador é Nick Gold, produtor da editora inglesa World Circuit, que decidiu provocar um encontro entre músicos cubanos e do Mali, em 1996. Apenas 17 anos depois este projeto ganhou vida, originando um álbum homónimo em que participam alguns dos melhores e mais premiados músicos de Cuba e África, como Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkara, Kasse Mady Diabeté & Grupo Pátria, Toumani Diabeté & Eliade Ochoa. A 25 de junho, no palco Med, será possível constatar porque valeu a pena a espera de quase duas décadas para conhecer o melhor da fusão ambiciosa destas duas culturas.

DakhaBrakha, coletivo ucraniano criado em 2004 por Vladyslav Troitskyi, sobe ao palco Med a 25 de junho. Sempre com atuações cenicamente fortes, este quarteto começou por apostar na música folk ucraniana, mas evoluiu para ritmos e sonoridades de todo o mundo, sendo o resultado verdadeiramente inesperado. Os DakhaBrakha são hoje conhecidos pela imensa variedade de instrumentos tradicionais, oriundos dos quatro cantos do mundo, a que recorrem e que assumem o papel principal nas composições da banda. Apesar das raízes ucranianas, o som dos DakhaBrakha ultrapassa fronteiras, assumindo a sua transnacionalidade. Tendo já realizado mais de 300 concertos, a banda já tem no curriculum participações em inúmeros festivais de música, da França ao Reino Unido, da Áustria à Holanda, República Checa e Alemanha, da China à Austrália. Em junho, têm encontro marcado com o público português no Med, em Loulé.

António Zambujo é um dos mais talentosos fadistas da nova geração. Com uma história desde sempre ligada à música, António Zambujo editou o seu primeiro trabalho, “O mesmo fado”, em 2002, e foi desde logo considerado um jovem promissor do género, tendo sido distinguido com o prémio “Melhor Nova Voz do Fado” (já atribuído a nomes como Mariza, Camané ou Mafalda Arnauth)., da Rádio Nova FM. Com o seu segundo trabalho, “Por meu Cante” ganhou o Prémio Amália Rodrigues (atribuído pela Fundação Amália Rodrigues) na categoria de "Melhor Intérprete Masculino de Fado". As distinções continuam e em 2008, a Songlines distingue o seu “Outro Sentido” (editado na Europa e EUA) como Top of The World Album. António Zambujo sobe ao palco Med a 22 de Junho para apresentar o seu quarto trabalho, “Guia”.

A morna, o soul, o reggae e o fado unem-se na alquimia dos sons criada por Marrokan. O músico, que rumou a solo após ter fundado a banda Manif3stos, lançou-se numa aventura multicultural, com paragens nas terras de África e Médio Oriente. "Complications in Every Relation" é o primeiro single do álbum "Glorius to Link Us", com edição marcada para Outubro deste ano. Gravado entre Paris e Lisboa, conta com as participações especiais de Abou e Charles, respetivamente baixista e baterista de Alpha Blondy, Charly Martinez - ex-teclista de Tiken Jah Fakoly - Alpha Blondy, Souls Of Fire, Junior dos Terrakota e uma das grandes referências do Reggae europeu, Gentleman. Marrokan sobe ao palco Castelo a 22 de junho.

Pinto e Ferreira juntaram-se e formaram uma banda, a Pinto Ferreira. Lançaram um primeiro álbum, homónimo, que remete para o universo imaginário de um escritório enfadonho. Chamaram a atenção com um primeiro single, “Violinos no Telhado”, e continuaram a surpreender com o segundo, “Elogio da Estupidez”. Pela primeira vez no Med, sobem ao palco Castelo a 25 de junho.

Os bilhetes estarão à venda a partir de dia 1 de junho no Cine-Teatro Louletano. O bilhete diário custa 12,00 €, o passe de festival (4 dias) são 40,00 €.

AGENDA MED 2011



22 de junho, 4ª feira
Muchachito Bombo Infierno
António Zambujo
Lula Pena
Marrokan

23 de junho, 5ª feira
SEUN KUTI & EGYPT 80
Magnifico
Sean Riley & The Slowriders

24 de junho, 6ª feira
GEORGE CLINTON Parliament Funkadelic
Luísa Sobral

25 de junho, sábado
AFROCUBISM
DakhaBrakha
Pinto Ferreira

22 março, 2011

Desert Slide, Mamer, Ayarkhaan e Shunsuke Kimura x Etsuro Ono no FMM Sines 2011


Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble “Desert Slide” (Rajastão - Índia), Mamer (China), Ayarkhaan (República da Yakutia – Rússia; na foto) e Shunsuke Kimura x Etsuro Ono (Japão) são as quatro novas confirmações do programa do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2011.

VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE - “DESERT SLIDE” (Rajastão – Índia)

No dia 28 de Julho, o Castelo acolhe o projecto “Desert Slide”, que junta Vishwa Mohan Bhatt, um dos maiores mestres da slide guitar, e o grupo cigano Divana Ensemble.

Primeiro aluno de Ravi Shankar, Vishwa Mohan Bhatt é um dos músicos indianos mais reconhecidos no mundo. Compositor e improvisador de excelência, criou o seu próprio instrumento, a “Mohan Veena”, um cruzamento de vários instrumentos de cordas indianos com a slide guitar norte-americana.

Venceu o Grammy para Melhor Disco de World Music em 1994, com o CD “A Meeting by the River”, em parceria com Ry Cooder.

Encontra-se nomeado para o prémio de melhor colaboração intercultural nos prémios Songlines 2011 pelo seu disco "Sleepless Nights on World Village", com Matt Malley.

Originário, como Vishwa, do Rajastão, o maior e mais desértico estado da Índia, o quinteto cigano The Divana Ensemble inscreve-se na tradição das antigas castas de músicos dos rajás. É composto por Anwar Khan Manganiar (voz), Prithviraj Suresh Mishra (tablas), Gazi Khan Barna (kartâl - percussão), Feiruz Khan Manghaniyar (dholak - percussão) e Ghewar Khan Manghaniyar (kamanchiya – instrumento de arco).

MAMER (China)

Mamer é um dos artistas mais originais e influentes da nova música da China, um trovador na tradição folk.

Nascido e criado na província de Xinjiang, busca inspiração na cultura dos pastores nómadas de etnia cazaque que vivem naquela região do noroeste da China.

O seu álbum de estreia, “Eagle”, editado em 2009 pela Real World, combina elementos tradicionais, folk e rock.

As canções do seu repertório, provenientes no folclore local e originais de Mamer, são cantadas com uma voz grave inconfundível e acompanhadas de forma virtuosa na guitarra, no “dombra” (alaúde dos povos cazaques da Ásia Central) e noutros instrumentos tradicionais.

Mamer, que esteve programado para o FMM 2009, mas não chegou a actuar devido a problemas de vistos, sobe ao palco do Castelo na noite de 23 de Julho.

AYARKHAAN (República da Iacútia – Rússia)

O trio feminino Ayarkhaan recupera a tradição musical da Iacútia (ou Sakha), república asiática da Federação Russa.

Formado em 2002, é composto por Albina Degtyareva, Yuliana Krivoshapkina e Olga Podluzhnaya, cantoras e intérpretes de “khomus”, um tipo de berimbau metálico tocado com a boca, instrumento nacional usado pelos xamãs nos seus rituais.

Utilizam o estilo de canto gutural "d'ieretii", semelhante ao utilizado por coros búlgaros e russos.

Proveniente de uma das mais desoladas e espectaculares paisagens do mundo, entre a estepe e o Árctico, a música de Ayarkhaan inspira-se nos poderes da natureza, figurando, nalguns momentos, o som do vento, dos cavalos, dos pássaros e outros sons naturais.

O concerto de Ayarkhaan no Castelo de Sines realiza-se na noite de 29 de Julho.

SHUNSUKE KIMURA x ETSURO ONO (Japão)

O projecto Shunsuke Kimura x Etsuro Ono explora as qualidades do “Tsugaru Shamisen”, um estilo virtuoso, com forte componente percutiva, de tocar o shamisen, instrumento de três cordas omnipresente na cultura do Japão.

Formado em 2008, o duo é constituído por Shunsuke Kimura (que além de Tsugaru Shamisen, toca flauta “fue” e percussões) e Etsuro Ono (Tsugaru Shamisen e percussão).

Shunsuke Kimura nasceu em 1969 e é um dos mais aclamados compositores e intérpretes de instrumentos tradicionais japoneses. Etsuro Ono, nascido em 1972, estudou “Tsugaru Shamisen” na prefeitura de Aomori, no norte da ilha de Honshu, o coração deste género musical, e tem desenvolvido um trabalho consistente com diversas companhias de teatro.

Premiados pela qualidade da sua inovação na música tradicional, Kimura e Ono levam o Tsugaru Shamisen a extremos de dinamismo e improvisação, em concertos em que a energia libertada transcende em muito os recursos aparentes do instrumento acústico.

Actuam no Castelo de Sines na noite de 28 de Julho.

VÍDEOS DOS GRUPOS

Desert Slide: http://www.youtube.com/watch?v=xIb1M1sp4tI
Mamer: http://www.youtube.com/watch?v=dloDUzRe1Yc
Ayarkhaan: http://www.youtube.com/watch?v=gNoYD0X_b0Q
Kimura x Ono: http://www.youtube.com/watch?v=XKbfjk_dz_4

TAMBÉM JÁ OFICIALMENTE CONFIRMADOS

Congotronics vs. Rockers (RD Congo / EUA / Argentina / Suécia)
Ebo Taylor & Afrobeat Academy (Gana)
Blitz the Ambassador (Gana)
António Zambujo (Portugal)

O FMM

A edição de 2011 do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo realiza-se na cidade de Sines em dois fins-de-semana de Julho: 22 a 24 (sexta a domingo) e 27 a 30 (quarta a sábado).

Mais informações sobre o festival em www.fmm.com.pt e www.facebook.com/fmmsines.

17 dezembro, 2010

Cantos na Maré - Amanhã, com Lenine, Guadi Galego, António Zambujo e Aline Frazão


O notável projecto anual Cantos na Maré, desenvolvido pela cantora galega Uxia, tem amanhã mais um novo capítulo no desenvolvimento de um conceito de cultura lusófona abrangente e agregadora de uma língua e uma cultura comuns a vários povos. A seguir, seguem dois textos retirados do site oficial, em bom galego, que é o mesmo que dizer, em excelente português:


UNHA PONTE COA LUSOFONÍA EN CANTOS NA MARÉ

Cantos na Maré, Festival Internacional da Lusofonía chega á súa oitava edición. O Pazo de Cultura de Pontevedra acolle este sábado 18 de decembro ás 21 horas un espectáculo único que volve xuntar algunhas das voces máis interesantes da actualidade nos países lusófonos. De Brasil chega Lenine (na foto), un artista de referencia nas últimas décadas; de Portugal participa António Zambujo, renovador do fado e unha das estrelas do último Womex; de Angola a novísima Aline Frazão; e de Galiza Guadi Galego, unha voz imprescindible no panorama musical do país.

En palabras de Uxía, directora artística do proxecto desde a súa primeira edición, “aínda que esta é unha cita xa consolidada, nós temos sempre o compromiso de sorprender; non é fácil, pero este ano imos logralo”. Uxía cre que se vai producir unha “comunicación especial entre os convidados”, que como cada ano compartirán temas sobre o escenario. No espectáculo haberá espazo para unha sentida homenaxe musical ao escritor portugués José Saramago, ademais dunha atención especial ao concepto de “ponte”.

Cantos na Maré, Festival Internacional da Lusofonía tende pontes entre os países lusófonos na súa oitava edición. O Pazo de Cultura de Pontevedra será o escenario ao que se subirán o sábado 18 de decembro ás 21 horas catro das voces máis persoais da música lusófona actual. O brasileiro Lenine, un dos músicos máis admirados da escena brasileira das últimas décadas, é unha das propostas máis destacadas dunha edición na que tamén participan Guadi Galego, co seu achegamento contemporáneo á música galega de raíz; o portugués António Zambujo, o último renovador do fado; e a angolana Aline Frazão, que será o gran descubrimento desta edición.

Cantos na Maré é unha produción de Nordesía, organizado polo Concello de Pontevedra, co patrocinio da Axencia Galega das Industrias Culturais e a colaboración de Caixanova, o Instituto Camões e Ponte… nas Ondas!. A nova edición presentouse este domingo en Pontevedra, no marco do Culturgal, Feira das Industrias Culturais. Na presentación participaron Lola Dopico, concelleira de Cultura de Pontevedra; José Carlos F. Fasero, director de Agadic; Quique Costas, director de Nordesía; e Uxía, directora artística de Cantos na Maré, que pechou o acto interpretando tres temas acompañado do músico brasileiro Sérgio Tannus.

O espectáculo desenvolverase baixo a dirección artística de Uxía e a dirección musical de Paulo Borges. “En Cantos na Maré sempre logramos que sexa unha noite máxica, e cremos que esta nova edición no vai frustrar esa espectativa”, sinalou Uxía. Animou ao público a acudir e divertirse, citando a Emma Goldman: “Se não posso dançar não é minha revolução”. A edición deste ano tamén renderá tributo ao escritor José Saramago. Lola Dopico destacou que “o carácter diferenciador márcao esa lingua común que fai de lazo sensitivo” e engadiu que Cantos na Maré e “un referente tanto na súa calidade artística como na súa capacidade de xerar novos proxectos”.

Quique Costas, que abriu a presentación lembrando a Francisco Fernández del Riego, explicou que o evento debe ser “un punto de encontro para crear conciencia da lusofonía, non só como espazo cultural senón como mercado de intercambio das nosas culturas”. Nese sentido destacou que este ano Cantos na Maré recupera o encontro profesional, como un punto de coñecemento e intercambio entre axentes culturais de Brasil, Portugal, Francia, Alemaña e Polonia especializados en músicas lusófonas. Fernández Fasero salientou a aposta de Agadic “por fortalecer estes encontros empresariais dos que poden saír novas actuacións e proxectos.

As entradas están á venda na web de Servinova. Tedes toda a información de Cantos na Maré e dos músicos participantes en www.cantosnamare.org"

27 julho, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (VII)


O futuro do fado no masculino
por António Pires, Publicado em 17 de Setembro de 2009


Quando se fala de fado - e, principalmente, de novo fado ou de novos fadistas - pensa-se geralmente na geração de novas cantoras, muitas delas excelentíssimas, que o fado de Lisboa gerou nos últimos quinze ou vinte anos: Mísia, Mariza, Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Ana Sofia Varela, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Carminho... A lista é quase infindável. Fala-se menos dos homens, alguns deles com uma qualidade idêntica à de algumas das mulheres referidas, ou por vezes maior. Quando se fala dos homens, vêm sempre à baila - e com justiça, aliás - os irmãos Moutinho: Camané, Hélder e Pedro. Mas não é deles que se fala aqui hoje. É de dois fadistas menos conhecidos mas que merecem ser seguidos com a máxima atenção nos próximos anos: Ricardo Ribeiro e António Zambujo (na foto). Com apenas um álbum, homónimo, em nome próprio - mas com uma parceria fundamental no surpreendente e histórico álbum "Em Português", do mestre do oud libanês Rabih Abou-Khalil, em que o fado se cruza com a música árabe e faz também algumas tangentes ao flamenco -, Ricardo Ribeiro é dono de uma voz (ia escrever "vozeirão") única e completamente arrepiante. Já António Zambujo é o homem que tem na sua voz não apenas as vozes do fado mas também outras vozes (Cateano Veloso, Brel, Antony Hagerty...), e isso faz do seu fado um outro fado, fresco e originalíssimo. É necessário descobri-los e ouvi-los.





Estamos todos com os azuis
por António Pires, Publicado em 24 de Setembro de 2009

Um dos maiores segredos da música feita em Portugal é um grupo que se prepara agora para editar o seu primeiro álbum de estúdio, depois de um outro gravado ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines. Chama-se Nobody's Bizness e faz dos melhores blues que se podem ouvir em qualquer parte do mundo. Quem já teve o privilégio de os ver nas suas (agora raras) residências mensais no Catacumbas, Bairro Alto, ou em mais alguns sítios, sabe com o que vai contar. Ou talvez não, porque os Nobody's Bizness também apresentam no disco temas originais, e excelentes!, em que os blues se cruzam com a folk norte-americana, o jazz ou a música country de uma forma original, emotiva e, de certa forma, portuguesa: os blues não estão distantes, na essência e talvez na sua origem ancestral, do fado (como também não o estarão da morna, da milonga ou do chorinho). E os Nobody's Bizness não estão sós nesta releitura à portuguesa dos blues, da country, da folk e de outras formas musicais cristalizadas nos Estados Unidos no século XIX ou inícios do século XX: The Soaked Lamb é outro grupo que parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu; Old Jerusalem é um cantautor de enorme talento que vai à folk ianque para a personalizar e transformar; os Unplayable Sofa Guitar pegam na country e fazem dela gato-sapato, electrificando-a e distorcendo-a em rock; e os A Jigsaw (na foto) fazem canções maravilhosas a partir das mesmas bases musicais. Estamos muito bem servidos.




Amália Hoje, Rão Kyao Amanhã?
por António Pires, Publicado em 01 de Outubro de 2009

O incrível sucesso do projecto Hoje - embora muito mais relevante do ponto de vista comercial que artístico, tal como aponta uma das melhores "críticas de música" jamais feitas em Portugal, num sketch d'Os Contemporâneos - é, pelo menos, revelador de que o fado, quando mudado com profissionalismo, tem tantas potencialidades de renovação como o tango (via Gotan Project), o jazz manouche (via Caravan Palace), o flamenco (via Ojos de Brujo) ou a música balcânica (via Shantel), etc. No entanto, o colectivo que já vendeu mais de 40 mil exemplares do seu disco "Amália Hoje" - e que inicia hoje, dia 1, uma mini-digressão de apresentação do disco que o leva à Figueira da Foz, aos Coliseus de Lisboa e Porto e a Vila do Conde - não descobriu a pólvora. No já longínquo ano de 1983, Rão Kyao (na foto), directamente saído do circuito do jazz, teve igualmente um enorme sucesso com o álbum "Fado Bailado", em que o saxofone substituía a voz na interpretação de muitos fados e, muitos deles, bem conhecidos na voz de... Amália Rodrigues. O mesmo Rão Kyao que depois gravaria álbuns próximos do fado como "Viva o Fado", "Fado Virado a Nascente" ou o novíssimo "Em'Cantado", editado esta semana, em que o músico conta com as vozes de fadistas como Camané, Carminho, Ricardo Ribeiro ou Ana Sofia Varela. Vai ser curioso observar como "Em'Cantado" poderá ou não sofrer - para o bem e para o mal - os efeitos do furacão Hoje.

08 julho, 2009

Uma Casa Portuguesa - Reabre Hoje, No Porto, a Unir Brasil e Portugal


Depois do frio nórdico - mas com alguns espectáculos maravilhosos e bastante quentes - do ano passado, o festival Uma Casa Portuguesa, da Casa da Música, Porto, recebe a partir de hoje, dia 8, a sua edição dedicada ao Brasil, em que actuam nomes como Renata Rosa, Hamilton de Holanda ou Siba e A Fuloresta. Mas, esta noite, o palco está por conta de dois grupos portugueses: as regressadas às lides, e ainda bem!, Segue-me à Capela (na foto) e os alentejanos Adiafa. Outros nomes incluídos no programa são: Galandum Galundaina, Pauliteiros de Miranda, Mário Laginha e Bernardo Sassetti (numa homenagem a Amália Rodrigues), Ricardo Parreira, Helder Moutinho, Cristina Branco, António Zambujo e Amélia Muge. O programa completo:


«No Ano Brasil na Casa da Música, a 3ª edição do festival Uma Casa Portuguesa, entre 8 de Julho e 2 de Agosto, cruza a música popular e tradicional do nosso país com algumas revelações da música brasileira. É o caso de Renata Rosa e de Siba e a Fuloresta que nos trazem os ritmos e os cantares do folclore nordestino. Também do Brasil vem o quinteto do bandolinista Hamilton de Holanda.

De Trás-os-Montes ao Alentejo, vários sons populares dominam os quatro primeiros dias do Festival: segue-me à Capela, Adiafa, Pauliteiros de Miranda e Galandum Galundaina.

Uma Casa Portuguesa apresenta ainda Amélia Muge, num registo retrospectivo da sua carreira.

Entre 23 e 26 de Julho, o festival ganha novas sonoridades, sendo dedicado ao fado. Num concerto a dois pianos, Mário Laginha e Bernardo Sassetti homenageiam Amália Rodrigues no décimo aniversário da sua morte. Ricardo Parreira, Hélder Moutinho e Cristina Branco integram também este programa de Uma Casa Portuguesa, onde se destaca António Zambujo, uma das mais recentes revelações do fado. A Banda Sinfónica Portuguesa está presente num concerto ao Meio-Dia dedicado aos compositores nacionais. O festival encerra com um encontro que reúne nove bandas filarmónicas da região, celebrando a importância destes agrupamentos.





Quarta, 08 de Julho

Segue-me à Capela

Adiafa

22h00| Sala 2 | €10

Sete vozes femininas cantam, à capela, clássicos da música tradicional portuguesa. Segue-me à Capela distingue-se pelos arranjos concebidos em torno da voz, com utilização esporádica de instrumentos de percussão como o adufe, a pandeireta, as pinhas ou as castanholas. O repertório, escolhido a partir de recolhas feitas por Michel Giacometti, Alberto Sardinha e G.E.F.A.C. (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra), reparte-se pelas canções de trabalho, de amor ou religiosas.



As Meninas da Ribeira do Sado foi o tema que tirou os Adiafa da Vidigueira e os deu a conhecer ao mundo. Sete anos depois, o grupo de cante alentejano está de volta aos grandes palcos com a sua viola campaniça, adufes e outros instrumentos tradicionais.





Quinta, 09 de Julho

Pauliteiros de Miranda

Hamilton de Holanda Quinteto

22h00| Praça | €15

Com espectáculos por todo o mundo e vários prémios na bagagem, Hamilton de Holanda é uma das figuras de proa da chamada música instrumental brasileira, sendo considerado um dos melhores músicos do mundo por figuras de renome da música brasileira como Hermeto Pascoal, Maria Bethânia ou Djavan. O jovem bandolinista vem ao Porto com o seu premiado quinteto apresentar música do último registo da banda, Brasilianos 2.



Constituído, na sua maioria, por elementos naturais de Terras de Miranda e ex-dançadores de outras formações do género, o grupo Pauliteiros de Miranda recuperou a experiência, o entusiasmo, a cultura, a magia da gaita de foles Mirandesa, o ritmo natural dos paulitos e o exotismo dos laços com que dança a vida de um povo.





Sexta, 11 de Julho

Amélia Muge

Siba e a Fuloresta Música de Pernambuco

22h00| Praça | €10

Com cinco álbuns editados, Amélia Muge apresenta uma abordagem inédita do seu repertório, recuperando 15 dos mais de 200 temas que criou, e oferece dois inéditos ao público da Casa da Música. O reconhecimento surgiu em 1999, quando começou a ser convidada a compor para outros intérpretes. Desde então, escreveu para Mísia, Mafalda Arnauth, Ana Moura, Cristina Branco, Hélder Moutinho, entre outros. Em 1 Autora, 202 Canções, Amélia Muge recupera para a sua voz alguns desses temas, já cantados e registados por outros.



Natural do Recife, Siba cresceu entre a cidade e o interior, dois mundos que o levaram a trabalhar os fundamentos da poesia ritmada, tornando-se num dos principais mestres da nova geração do maracatu e dos cirandeiros. Toda vez que eu dou um passo/ O mundo sai do lugar é um disco dançante e bem humorado. As percussões e os metais estão no centro das atenções da sonoridade deste registo onde o cheiro a Carnaval paira no ar.





Sábado, 12 de Julho

Banda Sinfónica Portuguesa

12h00| Sala Suggia

Criada no final de 2004, no Porto, a Banda Sinfónica Portuguesa é composta por perto de 60 instrumentistas de sopro e percussão, violinos e contrabaixos, com uma média de idades de 24 anos. A 1 de Janeiro de 2005, a Banda estreou-se no grande auditório do Teatro Rivoli do Porto, onde gravou o seu primeiro CD, com o apoio da Culturporto. Dois anos depois, o grupo foi convidado pela Fundação Casa da Música a apresentar-se na Sala Suggia, onde tem vindo a interpretar um conjunto de obras originais de compositores de renome mundial, em estreia nacional.





Sábado, 12 de Julho

Galandum Galundaina

Renata Rosa

22h00| Praça | €10

Procurando recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e língua das Terras de Miranda, nasceram, em 1996, os Galandum Galundaina. O grupo tem feito a ligação entre a antiga geração de músicos e os mais jovens, assegurando a continuidade da tradição musical desta terra. Os elementos do grupo nasceram e cresceram nas Terras de Miranda onde adquiriram conhecimento directo da música que interpretam através do ambiente familiar e do convívio com os velhos gaiteiros.



Representante da nova geração de músicos de Pernambuco, Renata Rosa, cantora-compositora-actriz, tem vindo a desenvolver o seu trabalho com músicos do interior e da capital do Estado. O álbum de estreia, Zunido da Mata (2003), valeu a Renata Rosa o prémio Choc de L’Année (Melhor Disco do Ano), concebido pela revista mensal Le Monde de la Musique, em 2004. Para além do Nordeste brasileiro, a cantora é influenciada pela música indiana, árabe, ibérica, cigana e indígena.





Quinta, 23 de Julho

Ricardo Parreira

António Zambujo

22h00| Sala Suggia | €10

“O que se ouve em Zambujo é algo que vai mais fundo. É um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos de seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo que veio à música brasileira por causa dele”, escreve Caetano Veloso no seu blog Obra em Progress, sobre o fado de António Zambujo. O reconhecimento acontece também na Europa. Outro Sentido, o seu terceiro álbum, ocupa o terceiro lugar de vendas da Fnac Paris e é considerado um dos 10 melhores de 2008 pelo jornal Libération. Na Grã-Bretanha, foi distinguido como um dos melhores na world music no «Top of The World Album», da revista SongLines.



Depois da homenagem ao mestre da viola Fernando Alvim, Ricardo Parreira regressa à Casa da Música com um espectáculo especial que se divide em duas partes: uma homenagem ao disco Com que Voz, de Amália Rodrigues, e a interpretação de temas da música popular portuguesa. Com apenas 21 anos, o guitarrista português tem vindo a conquistar a admiração de todos com quem tem partilhado o palco e a sua mestria interpretativa.







Sábado, 25 de Julho

Trago Fado nos Sentidos

Mário Laginha e Bernardo Sassetti

22h00| Sala Suggia | €15

No regresso à Casa da Música, Mário Laginha e Bernardo Sassetti prestam homenagem a Amália Rodrigues. No 10.º aniversário da morte da fadista, a Casa da Música encomendou à dupla de pianistas um espectáculo que se antevê especial. Os músicos trabalharam a partir de algumas canções celebrizadas por Amália, nomeadamente as que marcaram a história da música portuguesa. Vão ainda celebrar o lado genuinamente português que caracteriza a voz de Amália, apresentando duas peças originais, uma da autoria de Mário Laginha, a outra de Bernardo Sassetti.





Domingo, 26 de Julho

Cristina Branco

Hélder Moutinho

22h00| Praça| €10

O tempo foi o tema escolhido por Cristina Branco para o seu novo álbum, Kronos, que é apresentado na Casa da Música. Em 12 anos de carreira, Cristina Branco, uma das mais sedutoras vozes nacionais, editou 10 álbuns e multiplicou-se em digressões pelo mundo. Já apresentado em França, Bélgica, Holanda, Áustria, Alemanha e Suíça, Kronos é um álbum constituído por canções inéditas da autoria de diferentes criadores. É o décimo disco de uma longa carreira iniciada em Amesterdão, que sucede a dois trabalhos de homenagem a duas das maiores influências de Cristina Branco: Live, dedicado a Amália Rodrigues; e Abril, com versões de canções de José Afonso.



Dez anos passados sobre a edição do seu álbum de estreia, Sete Fados e Alguns Cantos, e seis do premiado Luz de Lisboa (Prémio Amália Rodrigues 2005), Hélder Moutinho regressa aos originais com Que Fado É Este Que Trago, que apresenta na Casa da Música. Uma viagem imaginária ao mundo do fado, que conta com a assinatura do fadista na maioria das letras das canções e ainda na composição da música para um poema de David Mourão Ferreira.







Sábado/Domingo, 1 e 2 de Agosto

Encontro de Bandas Filarmónicas

18h00| Praça| Entrada livre

As bandas filarmónicas são um excelente espaço comunitário de sociabilização, ensino e produção musical nos cerca de 800 agrupamentos que existem espalhados pelo país. O movimento filarmónico português, cujas raízes provêm principalmente da zona litoral e urbana, encontra-se actualmente mais difundido nas regiões rurais e especialmente a norte do país, de onde são as bandas presentes neste encontro. Com um inestimável valor cultural e social, as bandas apresentaram-se durante muitas décadas como o único instrumento de divulgação e aprendizagem da música em Portugal fora dos centros urbanos e acessível a todas as classes sociais.

Desde Janeiro de 2007, a Casa da Música inclui na sua programação um concerto mensal dedicado às bandas de música, dando a conhecer algum repertório original de compositores internacionais e nacionais que dedicam obras a esta formação».

Mais informações, aqui.

17 abril, 2008

Mercado Mundo Mix e Festival Lisboa-Porto de Abrigo - World Music em Lisboa


O Mercado Mundo Mix - que decorre no Castelo de S.Jorge, em Lisboa, dias 9, 10 e 11 de Maio - vai incluir este ano o Festival World Mix Music, com concertos da divertidíssima trupe de italianos Anonima Nuvolari (na foto; dia 10) e dos marroquinos Gnawa Sahara Soul (dia 11), para além de sessões de DJing por Raquel Bulha (dia 10), o nosso camarada das Crónicas da Terra Luís Rei (dia 11) e, hermmmm, António Pires (dias 10 e 11). Paralelamente, no espaço Eastpak Urban Jam
há mais música com DJ Ride & DJ Kwan e no espaço Timezone actuam Os Moranguitos (um trio do Porto composto por um DJ, um baterista e um violinista), o Nubai Sound System e um concerto de didgeridoo. Para além da música, o Mercado Mundo Mix inclui inúmeros stands de moda e artesanato e mostra exposições e filmes.

Também em Maio e em Lisboa, mas no Teatro da Trindade, decorre o festival Lisboa - Porto de Abrigo, que apresenta concertos do músico e cantor angolano Yami (dia 1), da fadista Raquel Tavares (dia 7), do fadista António Zambujo (dia 14), da cantora cabo-verdiana Titina (dia 21) e dos Donna Maria (dia 28). A organização é da HM Música e do Inatel.

30 maio, 2007

Festa do Fado - No Castelo Ponho o Cotovelo...



O Castelo de S.Jorge - sobranceiro a Alfama, à Mouraria, ou um pouco mais além, ao Bairro Alto e ao africano S.Bento - é o cenário natural de mais uma Festa do Fado, que ocupa o mês de Junho, integrada nas Festas de Lisboa, e que, mais uma vez, tem uma programação que procura juntar ao fado músicas próximas ou distantes e promover algumas parcerias mais ou menos inesperadas. No Castelo, a Festa do Fado começa dia 8 de Junho e prolonga-se até ao fim do mês, todas as sextas e sábados, com concertos de Pedro Moutinho com Teresa Salgueiro (vocalista dos Madredeus e agora também em viagens musicais por esse mundo fora), no dia 8; do grupo Sal com o fadista Ricardo Ribeiro (marido de Ana Sofia Varela, vocalista dos Sal), dia 9; de Maria Ana Bobone com o grupo masculino a capella Tetvocal, dia 15; da fadista Ana Maria (angolana e um dos raros exemplos de uma mulher negra a cantar o fado) com a cantora cabo-verdiana Maria Alice, dia 16; Ana Moura (na foto) com Amélia Muge (Amélia que compôs um dos temas do novo álbum de Ana Moura), dia 22; Raquel Tavares com o cantor e guitarrista cabo-verdiano Tito Paris, dia 23; Paulo Parreira (guitarra portuguesa) e o músico argentino Ramón Maschio (ligado ao tango e à milonga) com a respeitadíssima fadista Beatriz da Conceição, dia 29; e, a finalizar, o fadista António Zambujo com Luís Represas, dia 30. Mas ainda há mais fado no mês de Junho em Lisboa: o eléctrico 28 - Prazeres/Martim Moniz - é o palco swingante e radical (pelo menos na descida de Belas Artes para a Baixa) do «Fado no Eléctrico», de 7 de Junho a 1 de Julho, às quintas-feiras e domingos; e no Chapitô, paredes meias com o Castelo, continuam as cantorias e guitarradas depois dos espectáculos no Castelo, dias 8, 9, 15, 16, 29 e 30, nestas últimas quatro datas com as «Tertúlias de Fado», conduzidas por Hélder Moutinho.

(o título deste post é uma homenagem a Carlos do Carmo, cantor de «Lisboa, Menina e Moça»)