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15 novembro, 2011

Rotas & Rituais - Este Fim-de-Semana!


O Rotas & Rituais está de regresso ao Cinema S. Jorge, em Lisboa, e decorre de 17 a 20 de Novembro. E, depois de no ano passado o destaque musical do Rotas & Rituais (que chega, em 2011, à sua quarta edição) ter tido como mote “Imigrantes, os Emigrantes que somos” e de nele terem participado muitos músicos radicados em Lisboa mas com origem em África ou no Brasil (Couple Coffee, Cacique 97, Boss AC…), a edição deste ano dá destaque a quatro nomes da África lusófona, todos acompanhados por convidados especiais. O lema, desta vez, é “A Minha Casa É Tua”, o que acaba por fazer todo o sentido. Na quinta-feira, o cantor, guitarrista e compositor cabo-verdiano Tcheka apresenta o seu novo álbum "Dor de Mar", onde mostra uma nova sonoridade pan-africana e cada vez mais pessoal. Terá como convidado o pianista português Mário Laginha. Na sexta é a vez de mais um nome de Cabo Verde: o da cantora Nancy Vieira, que tem um novo álbum de originais previsto para o início de 2012 (os últimos que editou foram "Lus" e, em parceria com o pianista Manuel Paulo, "Pássaro Cego", ambos de 2009) e que conta aqui com a presença do fadista Camané. No sábado há mais Cabo Verde, com o cantor Mirri Lobo (primo de Ildo Lobo, d’Os Tubarões) a fazer uma rara visita ao nosso país e tendo Rui Veloso como companhia. Apresnta o álbum "Caldera Preta". Finalmente, no domingo, o palco é do angolano Waldemar Bastos – que poderá apresentar temas do seu novíssimo álbum, "Classics of My Soul", a editar daqui a pouco tempo e com produção de Derek Nakamoto. É o moçambicano Mingo Rangel que, desta vez, vai partilhar o palco com ele. Também há muito cinema e uma instalação. Veja todos os pormenores, aqui.

10 dezembro, 2008

Cantos na Maré - A edição 2008 Começa Hoje


Com direcção artística da cantora Uxía e direcção musical de Paulo Borges, a edição deste ano do Cantos na Maré - Festival Internacional da Lusofonía, inicia-se hoje, dia 10, em Pontevedra, Galiza, com uma mostra de cinema e continua nos próximos dias com um grande concerto que vai reunir Paulinho Moska (Brasil), Sara Tavares (Cabo Verde), Waldemar Bastos (Angola), Sérgio Godinho (Portugal) e Xabier Díaz (Galiza) - no dia 13 -, encontros com artistas lusófonos e a constituição de uma rede de agentes e produtores ligados à música do espaço lusófono.

Para quem não sabe, o Cantos na Maré - Festival Internacional da Lusofonía «é un proxecto cultural pioneiro e exclusivo no estado español, creado en Galiza cunha singular aposta cultural: trazar a través da lingua, da música, dos ritmos e dos sons un mapa común entre os territorios da lusofonía que comparten raíces.

CNM é unha iniciativa de aproximación de culturas e do fomento da diversidade, da interacción e da apertura de oportunidades á creación artística e ao intercambio.

O espectáculo musical, baseado na investigación e no enriquecemento, representa un dos eixes básicos da estrutura do proxecto. Este intercambio cultural activo é a base da filosofía, resultando un produto musical exclusivo de altísima calidade artística e humana».

Toda a informação, aqui.

29 outubro, 2008

Atlantic Waves - É Esta a Última Edição?


Um e-mail de Miguel Santos recebido há algumas semanas já me tinha alertado para a possibilidade. E, agora, uma notícia da Lusa dá mesmo conta de que o festival Atlantic Waves - cuja edição de 2008 começa dia 1 de Novembro, em Londres - poderá nunca mais vir a acontecer. O que, a concretizar-se, seria uma perda enorme para a divulgação extra-portas da música portuguesa e lusófona. O Atlantic Waves tem sido, tão-só, o mais importante festival temático, feito em terras estrangeiras, centrado na música portuguesa (embora abrindo sempre espaço para músicas e músicos de outros lugares, da lusofonia mas não só) e seria de todo desejável a sua continuação. Do programa deste ano - tal como também se pode ler mais em baixo neste blog e com mais pormenores - constam concertos de Mariza, Gaiteiros de Lisboa, Mafalda Arnauth com Vinicius Cantuária, Berrogüetto, Uxía, Rabih Abou-Khalil (na foto) com o fadista Ricardo Ribeiro, Rodrigo Leão com Vini Reilly, Waldemar Bastos e Neco Novellas. A notícia da Lusa, na íntegra:

«O festival Atlantic Waves, que apresentou Mariza ao público londrino e ao qual a fadista regressa este ano, abre dia 01 de Novembro com o futuro incerto. A delegação em Londres da Fundação Gulbenkian, que até agora financiou o evento dedicado à música lusófona iniciado em 2001, está a ponderar o que irá fazer com a iniciativa, nomeadamente a entrega da sua organização a outra entidade, deixando, no entanto, de a financiar. "Vamos ver se há potenciais parceiros para pegarem no que começámos", disse à agência Lusa o novo director da delegação, Andrew Barnett. A decisão coincide com o fecho do departamento de relações culturais anglo-portuguesas e com a diluição da promocao da cultura portuguesa na estrutura da delegação e a saída do seu responsável, Miguel Santos, que também era o director do Festival.

Andrew Barnett reconhece que o Atlantic Waves "foi um grande sucesso" e reivindica para o Festival o crédito de ter colocado o fado no mapa da música no Reino Unido. "Penso que não é demais dizer que [o Festival] ajudou Mariza a conseguir uma audiência britânica", vincou. Mariza estreou-se nos palcos londrinos em 2002, na 2/a edição do Festival, depois de ter actuado no festival WOMAD, em Reading. Poucos meses depois, em Março do ano seguinte, foi distinguida com o prémio de World Music da BBC3. Desde então Mariza regressou a Londres várias vezes, tendo esgotado a lotação do Royal Festival Hall em 2006, também no âmbito do Atlantic Waves. Este ano, Mariza abre o festival a 01 de Novembro com dois concertos no Barbican e ainda um espectáculo especial para as famílias durante o dia, aberto a crianças. Do programa constam ainda Rodrigo Leão e Durutti Column, Gaiteiros de Lisboa, Mafalda Arnauth, Vinicius Cantuária, estando o encerramento a cargo de Waldemar Bastos e Neco Novellas.

Andrew Barnett, no cargo há um ano, entende que é tempo de a delegação da Gulbenkian em Londres, que tem um orçamento anual de três milhões de euros, avançar para outros projectos. "Temos recursos limitados e é altura de passar à frente", refere, dando como exemplo o prémio britânico para museus e galerias, que a Gulbenkian deixou de patrocinar em 2007 após cinco anos. O mesmo, tudo indica, deverá acontecer com o festival Atlantic Waves.

Nas edições anteriores do festival passaram, entre outros, Madredeus, Mísia, Telectu, Pedro Carneiro, Zé Eduardo, The Raincoats, Lula Pena, Maria João e Mário Laginha, Rodrigo Leão, Blasted Mechanism e Gaiteiros de Lisboa - a maioria dos quais pela primeira vez no Reino Unido.


Um projecto semelhante poderá, entretanto, nascer no próximo ano pelas mãos do fundador e principal impulsionador do Atlantic Waves, Miguel Santos. "Serão quatro dias, seis concertos por dia, no início de Novembro", revelou à Lusa. O modelo, promete, será "mais ambicioso, com músicos portugueses, mas também parcerias internacionais". BM/Lusa»

23 outubro, 2008

Atlantic Waves - Mariza, Gaiteiros de Lisboa e Rodrigo Leão em Londres


Várias prestigiadas salas de espectáculos de Londres recebem, mais uma vez, nas duas primeiras semanas de Novembro, o festival Atlantic Waves, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Um festival que este ano apresenta concertos com alguns nomes maiores da música portuguesa - Mariza (na foto), Gaiteiros de Lisboa, Rodrigo Leão (com Vini Reilly, dos Durutti Column, como convidado-, algumas parcerias suculentas como a já conhecida de Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro ou a inédita de Mafalda Arnauth com Vinicius Cantuária e alguns outros da esfera da lusofonia, com os Berrogüetto e Neco Novellas, entre outros. O programa completo, que segue em inglês e tudo para o caso de um algum «bife» visitar o Raízes e Antenas:

«1–2 Nov
Sat–Sun
7.30pm
£27.50, £25, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2


FADO
Mariza the Terra tour

Three special UK concerts by the queen of fado, the breathtakingly lyrical and melancholic music of Portugal. Adored worldwide for her heartbreaking voice, compelling stage charisma and performances that are full of musical passion and drama, Mariza returns to London for her first UK concerts in two years to premiere material from her eagerly anticipated album Terra, out this autumn on EMI – a richly cosmopolitan mix of flamenco and morna, jazz and folk music through which resonates a constant Portuguese sound.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk
2 Nov
Sun
2.30pm (special family show)
£40 (family ticket), £15, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2

FADO
Mariza the Terra tour

Mariza’s special family concert on Sunday afternoon is for young people (age 7–14) and accompanying adults.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk
4 Nov
Tue
7.30pm
£10 + bkg

Bush Hall
310 Uxbridge Road
London W12

GALICIAN FOLK

Folk with a contemporary edge courtesy of award-winning world music group Berrogüetto, who combine a passion for traditional Galician music with contemporary experimentation and influences well beyond the borders of Galicia – playing an eclectic variety of instruments from bagpipes and hurdy-gurdy to acoustic and synthesized guitar; and Uxía, the Galician diva whose passion for mixing cultures results in a fusion of rhythms and sounds. Uxía’s songs are always tinged with the touch of traditional music, whether latent or explicit, making her one of Galicia’s most valued and popular artists.

Info: www.atlanticwaves.org, www.bushhallmusic.co.uk
Box office: 08700 600 100, www.ticketweb.co.uk
5 Nov
Wed
7.30pm
£10 + bkg

Bush Hall
310 Uxbridge Road
London W12

PORTUGUESE FOLK

Acclaimed Portuguese alternative folk group Gaiteiros de Lisboa (‘Lisbon bagpipers’) make a long awaited return visit to London. This folk-world band of multitalented musicians play songs and tunes from Portuguese and other cultures alongside their own compositions, blending the music of their original wind instruments and vocal polyphonies in a continuous search for new sounds.

Info: www.atlanticwaves.org, www.bushhallmusic.co.uk
Box office: 08700 600 100, www.ticketweb.co.uk

6 Nov
Thu
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Barbican
Silk Street
London EC2

Rodrigo Leão, co-founder of Madredeus, was hailed by Pedro Almodóvar as "one of the most inspired composers in the world". There is a cinematic scale to his work which has attracted collaborators from Ryuichi Sakamoto to Beth Gibbons, and which comes out in his first retrospective work, O Mundo, in which he and his band draw together much of his greatest music as part of an imagined soundtrack. Special guests The Durutti Column, Vini Reilly's legendary Manchester band, play a very rare London show in support of the forthcoming 30 Years of Factory Records box set.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7638 8891, www.barbican.org.uk

9 Nov
Sun
7.30pm
£22, £20, £17.50, £15 + bkg

St John’s
Smith Square
London SW1

OUD MASTER MEETS YOUNG FADISTA

A programme of Portuguese song from Rabih Abou-Khalil’s new album Em Português, featuring the voice of young Fado star Ricardo Ribeiro.

Master Lebanese oud (Arabic lute) player and composer Rabih Abou-Khalil takes inspiration from the poems of contemporary Portuguese writers Mário Raínho, Tiago Torres da Silva, Rui Manuel and José Luís Gordo, and from the free-spirited, amazingly mature voice of young Portuguese Fado star, Ricardo Ribeiro. Still in his twenties, Ribeiro is an authentic singer rooted fully in tradition but open to adventure in new directions. Weaving music around words and words around music, with long-term partners Luciano Biondini (accordion), Michel Godard (tuba and bass) and Jarrod Cagwin (percussion), the warm sounds of oud and voice create moods that are nothing less than exquisitely beautiful, where the saudade of Fado and the yearning of Abou-Khalil’s Middle Eastern melodic sense combine to create a completely new music – a kind of imagined folklore that seems to have existed all along.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 020 7222 1061, www.sjss.org.uk
10 Nov
Mon
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Queen Elizabeth Hall
Southbank Centre
London SE1

BOSSA NOVA MASTER & FADO DIVA

One of the greatest living singer-songwriters, Vinicius Cantuária’s seductive, restless music places him in a lineage that includes the great Tom Jobim and Caetano Veloso and has the subtle, sad beauty of the greatest bossa nova songs. For this very special show, celebrating half a century of bossa nova, Cantuária presents Samba Carioca – inspired by the sounds of the 1950s, when a generation of musicians championed the songs of the great sambistas and were increasingly taken with the jazz sounds emerging from America. It was that mix of influences that gave birth to the sophisticated sounds of bossa nova and Cantuária's Samba Carioca Quartet will perform music from the past and future of Brazilian music. Mafalda Arnauth sweeps away audiences with her singular voice and youthful spontaneity. Her unique re-interpretations of the classics combined with her own original songs make her an essential part of the new fado scene.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 0870 663 2500, www.southbankcentre.co.uk

11 Nov
Tue
7.30pm
£20, £15, £10 + bkg

Queen Elizabeth Hall
Southbank Centre
London SE1

LUSOPHONE AFRICAN NIGHT

Waldemar Bastos is the great voice of Portuguese Africa. A national hero in Angola, he went to Brazil, working closely with Djavan and Chico Buarque, and then made his mark across the world recording for David Byrne’s label Luaka Bop in what he calls his ‘Afropean’ style – because he takes influences from many cultures and makes them his own. London shows are as rare as hen’s teeth, so don’t miss this special concert. Also featuring the first show here by Neco Novellas, a passionate singer from Mozambique who’s soulful music has taken him on a similar journey. The band's songs bring together the complex rhythmical structures of timbila music, Portuguese folklore, church harmonies, classical music, pop, jazz, soul, samba, afrobeat, rock, gospel and local genres.

Info: www.atlanticwaves.org
Box office: 0870 663 2500, www.southbankcentre.co.uk »

18 março, 2008

Homenagem às Vozes de Abril (Ou... Ainda É Possível Cantar a Liberdade?)


Os leitores deste blog sabem que não é comum eu vir para aqui falar de questões políticas. Às vezes acontece (como já aconteceu...), mas é raro. Mas também não escondo as minhas convicções e as minhas ideias, muitas delas comuns às de muitos links que tenho no fundo desta página, links chamados «Boas Causas» - e se lá estão por alguma razão é. Mas a verdade é que, por vezes, me apetece mesmo pôr a música de lado e falar sobre coisas que me preocupam como, desta vez, a minha - e de muita gente! - crescente sensação de que estamos, cada vez mais, a viver num país cujo Estado se está a aproximar perigosamente de um estado repressivo, policial, ditatorial. A «lei do tabaco», a ASAE, a ideia peregrina da proibição de piercings e tatuagens, a visita de polícias a escolas, a propagação da ideia de que os lugares vigiados por câmaras são mais seguros, o novo cartão de identificação electrónico, etc, etc, são apenas exemplos de como as liberdades individuais de cada pessoa estão cada vez mais a ser postas em causa. E é por isso - sim!, vamos acabar por falar de música - que é importante que haja, que haja ainda, concertos como o que vai decorrer, dia 4 de Abril, no Coliseu dos Recreios de Lisboa: a «Homenagem às Vozes de Abril», promovida pela Associação 25 de Abril e que, segundo a agência Lusa, juntará no mesmo palco José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Waldemar Bastos, Brigada Victor Jara, Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Ermelinda Duarte, João Afonso, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, Janita Salomé, Tino Flores, José Jorge Letria e Manuel Freire, entre outros, e ainda «as bandas dos três ramos das forças armadas». O espectáculo - que também servirá para recordar José Afonso e Adriano Correia de Oliveira - será transmitido pela RTP no dia 25 de Abril. Será que algum dos nossos governantes estará lá no meio do público?

12 dezembro, 2007

U2 - Um Tributo Africano!


Agora que passam vinte anos sobre a edição de «The Joshua Tree» - o álbum em que os U2 (na foto, de Anton Corbijn) vão em busca das raízes negras e africanas do rock (os blues e o gospel) e em que na poesia de Bono passa a ter lugar uma reflexão continuada sobre as questões do chamado Terceiro Mundo -, data assinalada com a remasterização e várias reedições luxuosas desse álbum, chega também a notícia - via, mais uma vez, Crónicas da Terra - de que vários artistas africanos vão lançar um álbum só com versões de temas da banda irlandesa. O álbum, «In The Name Of Love: Africa Celebrates U2», é uma edição da Shout! Factory e parte da receita angariada com a sua venda reverterá para a Global Fund. Com edição prevista para Abril de 2008, no disco participam alguns dos maiores nomes - consagrados ou emergentes - da música africana: Angélique Kidjo («Mysterious Ways»), Vieux Farka Touré («Bullet The Blue Sky»), Ba Cissoko («Sunday Bloody Sunday»), Vusi Mahlasela («Sometimes You Can't Make It On Your Own»), Tony Allen («Where The Streets Have No Name»), Cheikh Lô («I Still Haven't Found What I'm Looking For»), Keziah Jones («One»), Les Nubians («With Or Without You»), Soweto Gospel Choir («Pride [In The Name Of Love]»), Sierra Leone's Refugee All Stars («Seconds»), African Underground All-Stars («Desire») e Waldemar Bastos («Love Is Blindness»). Promete!

10 outubro, 2006

Waldemar Bastos - Paz, Pão, Amor


Um dos melhores cantores e compositores angolanos da actualidade - ia escrever «o melhor», e só não o escrevo porque isto é sempre relativo... -, Waldemar Bastos, editou no início deste ano o seu álbum «Renascence» em Portugal. Aqui recupero a entrevista com ele, a propósito desse álbum, feita em Janeiro.


WALDEMAR BASTOS
CANTO UNIVERSAL

Um ano depois de ter sido editado na Holanda (e noutros países), o novo álbum de Waldemar Bastos, «Renascence», chega agora ao mercado português. Um álbum em que o compositor, cantor e músico angolano reflecte a nova realidade do seu país - a Paz – e um som cada vez mais universal.

O seu primeiro álbum, «Estamos Juntos», foi gravado no Brasil. «Angola Minha Namorada» e «Pitanga Madura» foram gravados em Portugal. «Pretaluz» foi gravado em Nova Iorque (com produção de Arto Lindsay) e editado pela Luaka Bop, de David Byrne. «Renascence» é editado pela holandesa World Connection. Não são muitas mudanças para uma carreira só?

Não. São mais as contingências da vida. Não acho que isso me tenha prejudicado, antes pelo contrário. Tenho feito os discos que gosto de fazer. Também não me preocupo muito com essa noção de «carreira». Estou mais preocupado com o que dou às pessoas... Saí do Brasil porque o Brasil não estava aberto a músicas de outras proveniências. Em Portugal, a EMI-VC não soube posicionar os meus discos no mercado internacional... Depois, o David Byrne convidou-me a gravar para a Luaka Bop e estou-lhe muito agradecido por isso. Agora estou na World Connection, em que o presidente da companhia fala directamente comigo, ao telefone. Há uma ligação mais directa.

Pode dizer-se que o seu novo álbum, «Renascence», é mais alegre, luminoso e aberto do que os anteriores? E que isso se deve ao facto de Angola ter, finalmente, encontrado o caminho da paz?

Sem dúvida. Todos os angolanos sofriam com a guerra. Era impossível, numa situação daquelas, abstrair-me do que se passava no meu país. Tenho cerca de 50 anos e a guerra em Angola [primeiro, a guerra colonial; depois a guerra civil] esteve presente em quase todos eles. E quando vejo a paz, porque se vê no rosto das pessoas, isso despoleta um disco com estas características.

Voltou a Angola para o grande concerto, em 2003, que celebrou o fim da guerra em Angola (num espectáculo em que também participaram Jimmy Cliff, Youssou N’Dour, Roberto Carlos...). É escusado perguntar-lhe se foi um momento especial...

Foi, sem dúvida, especial. Eu não ia à minha terra, havia coisas que me limitavam. E chegar à minha terra em liberdade, em paz, cantar e ser aplaudido e acarinhado; tudo isso me fez ficar comovido e feliz.

Sente que a paz veio para ficar em Angola?... Pergunto isto porque, a olhos exteriores, parece que bastou a morte de um homem (Jonas Savimbi) para se chegar à paz...

A paz é uma realidade que não se vai alterar. E não acho que tenha sido por isso [a morte de Savimbi]... Havia era um cansaço muito grande. E houve um momento mágico, espiritual, que determinou que a paz se fizesse. É um lado que nos ultrapassa, talvez de dimensão divina.

Em 2000 participou no concerto «Don’t Forget Africa», organizado pela UNESCO e no projecto «Zero Landmine», a convite de Ryuichi Sakamoto. É impossível separar o Waldemar Bastos músico, cantor e compositor do homem politicamente empenhado que também é?

Não me considero um homem político, mas sim preocupado com a sociedade. E um artista que tenta dar o seu melhor para o desnevolvimento do seu país, do seu continente e do mundo em geral. Não faço música que se possa considerar política. Faço música enquanto arte. Mas o artista tem obrigações do ponto de vista social. E não posso ficar impávido e sereno perante o que se passa à minha volta. O primeiro disco em que participei que já atingiu a marca de disco de platina é o «Zero Landmine», que já vendeu dois milhões de exemplares no Japão e o dinheiro angariado já serviu para desminar campos em Moçambique e no Vietname.

Voltando ao novo álbum: nele participam músicos de vários países africanos, portugueses, turcos... O que é que procurou em «escolas» tão diferentes?

Não procurei. Aconteceu assim naturalmente. Tenho músicos na minha banda de nacionalidades muito diferentes, mas com «feelings» que encaixam. A secção de cordas é turca porque achei que os violinos deles ficavam bonitos ali. Mas foi intencional fazer aquele jogo de guitarras, com guitarristas que vêm de várias zonas de África (Angola, Guiné, Zaire). E essas pontes entre vários estilos musicais sempre aconteceram comigo. Desde quando era jovem e tinha uma banda que tocava de tudo (fandangos, tangos, merengues...). Sempre gostei de música africana mas também de músicas de outras zonas do mundo e de artistas como os Shadows, Jimi Hendrix, Booker T & The MG’s, Led Zeppelin ou Chicago. Às vezes, o colonizado fica com uma cultura mais rica porque tem a sua e ainda absorve a dos outros...

É curioso porque, neste álbum, as suas letras não falam apenas da «paz» ou da situação angolana (apesar de haver um tema chamado «Paz Pão e Amor»), mas também, e ainda mais, das coisas do dia-a-dia...

Porque às vezes é ainda mais importante falar de outras coisas. Por exemplo, na minha canção «Dongo» falo de um pescador e do seu barco [o dongo], de modo a que mais gente conheça esta forma de pesca ancestral...

06 junho, 2006

Ali Farka Touré - À Espera de «Savane»


Enquanto não é editado o novo álbum de Ali Farka Touré, «Savane», recordam-se aqui alguns textos sobre este génio maliano recentemente falecido... O obituário a propósito da sua morte e a reportagem do África Festival do ano passado, em Lisboa, em que Touré foi o indiscutível cabeça-de-cartaz.


ALI FARKA TOURÉ (1939 – 2006)
(originalmente publicado em Março deste ano)

Ali Farka Touré, o genial músico que mostrou os «elos perdidos» entre a música sub-sahariana e os blues, morreu a semana passada. Mas o seu legado musical - e humano – permanecerá para sempre.

O músico e cantor maliano Ali Farka Touré morreu no dia 7 de Março, enquanto dormia, vítima de um cancro nos ossos de que já padecia quando fez a sua última digressão europeia, o ano passado, e que o trouxe a Lisboa para um memorável concerto em Monsanto. Nesse concerto, Ali Farka tocou para cerca de 10 mil pessoas em transe, em encantamento (no sentido mágico da palavra) permanente perante a música deste senhor que sabia que a sua música era uma forma de expressão muito antiga mesmo quando se socorria de uma guitarra eléctrica para a fazer. Ali Farka sabia-o e demonstrava-o na sua música e dizia-o nas raras entrevistas que dava (inclusive no episódio da série documental dedicada aos blues dirigida por Martin Scorsese): os blues norte-americanos (e por arrasto, o rock e muitas das formas «modernas» de música anglo-saxónica) tinham a sua origem ali, na parte de baixo do deserto do Sahara, nas margens do Rio Niger, onde África começa a ser negra. Ali, nas regiões do Império Mandinga onde os negreiros iam buscar os escravos que levavam para as Américas (do Norte e do Sul), indo com eles a sua música que depois se transformou em muitas músicas (os blues nos Estados Unidos e formas musicais sul e centro-americanas noutros países).

Nesse concerto em Monsanto, Ali Farka teve como convidado especial Toumani Diabaté, o mais respeitado instrumentista de kora do Mali, com quem Ali gravou em dueto o último álbum editado em vida, «In The Heart of The Moon» (recentemente premiado com um Grammy, o segundo da carreira de Ali Farka, depois de «Talking Timbuktu»). Para 2006 está prevista a edição de um novo álbum, gravado durante as mesmas sessões de «In The Heart of The Moon», mas com Ali Farka a ser acompanhado por dois tocadores de n’goni (pequena guitarra de madeira com 3 ou 4 cordas). Para trás ficou uma riquíssima discografia, parte dela editada apenas no Mali nos anos 70 e inícios dos anos 80. O reconhecimento internacional chega em meados dos anos 80, com a edição, através da World Circuit, de «Ali Farka Touré» (1987), a que se seguiram «The River» (1990), «The Source» (1992), «Talking Timbuktu» (1994; ao lado de Ry Cooder), «Radio Mali» (1996; que compilava gravações dos anos 70), «Niafunké» (1999), «Red & Green» (2004; recuperando dois álbuns, conhecidos como «Red» e «Green» devido à cor das suas capas, editados originalmente apenas no Mali) e «In The Heart of The Moon» (2005).

Ali Ibrahim Touré nasceu em 1939 (não se sabe ao certo o dia de nascimento), na aldeia maliana de Kanau, tendo sido o único sobrevivente de uma família de dez irmãos. Talvez por isso, os seus pais deram-lhe a alcunha de Farka, que significa «Burro» (e que na tradição do povo Arma, de que Ali era originário, significa «um animal forte e tenaz»). De religião muçulmana (religião que praticou durante toda a sua vida), Ali passou por bastantes dificuldades durante a infância e juventude. Perdeu o pai ainda criança e lançou-se à vida: foi mecânico, condutor de táxis e de ambulâncias. Mas a música surge-lhe como uma necessidade maior no início dos anos 60. Fez parte de várias bandas, foi artista residente na Rádio Mali, começou então a perceber os laços óbvios que uniam a música da sua região com a música norte-americanma que admirava (de John Lee Hooker a James Brown). E, mais importante ainda, sempre se assumiu como um cidadão e artista que, apesar de Arma, respeitava e amava as outras tribos e culturas do Mali. Ali Farka cantava em songhai, peul, bambara, fula, tamaschek e outras línguas da região. Essa abertura permitiu-lhe ser um dos artistas que contribuiu para a reconciliação nacional no Mali depois da mais recente revolta dos tuaregues. Um bom exemplo dessa reconciliação é o Festival no Deserto, que se realiza desde há alguns anos em Niafunké (e onde participam músicos de variadíssimas etnias malianas, para além de «habitués» como Robert Plant ou os franceses Lo’Jo, co-organizadores do festival), a localidade em que Ali Farka viveu durante muitos anos e cuja agricultura ajudou a desenvolver mercê de modernos sistemas de rega que implantou com o dinheiro que ganhava com a música. Ali Farka foi, nos últimos anos, presidente da câmara de Niafunké (facto «celebrado» no tema «Monsieur Le Maire de Niafunké», de «In The Heart of The Moon»).


COMO UMA RELVA QUE ONDULA
(publicado originalmente em Julho de 2005)

África Festival. Anfiteatro Keil do Amaral (Lisboa), 21 a 24 de Julho.

Vê-se a ponte sobre o Tejo, uma Lua enorme, aviões que passam de minuto em minuto ali mesmo em cima. E há 10 mil pessoas (talvez mais) a ondular à frente do palco. Lentamente, em movimentos vagamente circulares - de transe -, muitas de olhos fechados, algumas de mãos abertas, e todas de coração liberto por uma alegria ou uma fé ou uma revelação qualquer. Mas não estamos no Estádio do Restelo durante o encontro anual de uma seita religiosa. Estamos um bocadinho mais acima, em Monsanto, num belíssimo anfiteatro feito de relva e madeira e água e árvores, e ali à nossa frente está Ali Farka Touré, a sua voz e a sua guitarra eléctrica que convocam os espíritos dos músicos mandingas, dos músicos gnawa, dos vizinhos de ali à volta e dos outros, os primos que nos Estados Unidos criaram (ou recriaram) os blues. Ali Farka já está acima da música... está numa esfera diferente, em que a aura, o carisma, o encanto (e como ele está também encantado connosco!) fazem dele, mais do que um músico, um anjo. E um anjo amigo, que se apaga para deixar brilhar Bassekou Kouyaté em ngoni (pequena «guitarra» de duas cordas) e o convidado especial, na segunda «secção» do concerto, Toumani Diabaté, na kora (a harpa dos países mandingas) – e a repetição do tema «Gomni», uma sem e outra com Toumani, serviu para fazer perceber como a mesma canção pode ter formas tão diferentes (e ambas belíssimas). Aquilo a que estas 10 mil pessoas assistiram não foi na realidade um concerto, mas uma celebração religiosa. No final, Ali toca njarka (um «violino» só com uma corda) e diz que este instrumento foi o seu professor (foi da corda única da njarka que passou para as seis da guitarra).

Ali Farka Touré mereceu o «título» de cabeça-de-cartaz do África Festival, mas todos os outros estiveram também em bom nível. E sempre com muita gente a assistir. Manecas Costa mostrou a sua mestria na voz e guitarras, fazendo um concerto mais festivo do que alguns anteriores, com o n’gumbé guineense a sair muito bem servido (ai as bailarinas!!); e as Zap Mama mostraram que estão mais disco, mais funk, mais soul, até mais hip-hop (com um MC/DJ incendiário) e mais Broadway, embora as riquíssimas harmonias vocais das senhoras (e da filha de Marie, agora também integrada no grupo) ainda brilhem de vez em quando (como no encore). Os moçambicanos Mabulu mostraram que é possível fundir bem o antigo (a marrabenta) e o novo (o reggae, o dancehall, o hip-hop...) e fazer uma festa imensa com cada um dos ingredientes. Waldemar Bastos também animou as gentes, principalmente na segunda parte do seu espectáculo (depois do belíssimo coro de «Muxima») com sembas e «merengues» com «açúcar»; e o congolês Ray Lema foi um acólito de luxo (um Mozart-free vindo de África não se ouve todos os dias) no concerto conjunto com o brasileiro Chico César: nordeste brasileiro, jazz, África, reggae; festa sempre. E na última noite, Cabo Verde bem representado por Lura – que é um animal de palco (canta bem, dança bem...) e cruza com bom gosto funanás, coladeiras e batuque, sim, mas também mbalax e música brasileira – e por Tito Paris, acompanhado por banda, orquestra de câmara e secção de metais, um fantástico «wall of sound» a servir de base a temas como «Curti Bô Life», «Dança Ma Mi Criola» ou um sentido «Sodade» (no encore e em – segundo – dueto com o angolano Paulo Flores). A ondulação continua. E às vezes a relva pode crescer viçosa nas margens dos desertos ou no meio dos oceanos.