Mostrar mensagens com a etiqueta Youssou N'Dour. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Youssou N'Dour. Mostrar todas as mensagens

22 junho, 2007

Darfur - Que Se Faça Barulho!



O horrível desastre humanitário em que se transformou a guerra no Darfur, Sudão - com um balanço trágico de 400 mil mortos e dois milhões e quinhentos mil desalojados em quatro anos -, tem motivado o lançamento de várias campanhas de apoio às vítimas deste conflito armado. Uma das mais consistentes e importantes dessas campanhas, «Make Some Noise», é promovida pela Amnistia Internacional e nela estão envolvidos muitos artistas e grupos de variadíssimas áreas musicais, que cederam canções para esta causa (e que podem ser descarregadas no site da organização). No seguimento desta acção, vai ser editado agora um duplo-álbum, «Make Some Noise - The Amnesty International Campaign to Save Darfur» (nos Estados Unidos e Grã-Bretanha o título é «Instant Karma») com versões de temas de John Lennon (na foto) interpretadas por conhecidos nomes do pop-rock e da world music como os U2, R.E.M., The Cure, Lenny Kravitz, Ben Harper, The Flaming Lips, Green Day, Black Eyed Peas, Youssou N'Dour e Sierra Leone's Refugee All Stars (estes em colaboração com os... Aerosmith). Os lucros obtidos pelo álbum - que é editado em Portugal pela Farol, dia 2 de Julho - revertem integralmente para esta campanha da Amnistia Internacional. O alinhamento completo do álbum é: CD1 - U2 («Instant Karma»), R.E.M. («#9 Dream»), Christina Aguilera («Mother»), Aerosmith feat. Sierra Leone's Refugee All Stars («Give Peace A Chance»), Lenny Kravitz («Cold Turkey»), The Cure («Love»), Corinne Baley Rae («I’m Loosing You»), Jakob Dylan feat. Dhani Harrison («Gimme Some Truth»), Jackson Browne («Oh, My Love»), The Raveonettes («One Day At A Time»), Avril Lavigne («Imagine»), Big & Rich («Nobody Told Me»), Eskimo Joe («Mind Games») e Youssou N'Dour («Jealous Guy»). CD2 - Green Day («Working Class Hero»), Black Eyed Peas («Power To The People»), Jack Johnson («Imagine»), Ben Harper («Beautiful Boy»), Snow Patrol («Isolation»), Matisyahu («Watching The Wheels»), Postal Service («Grow Old With Me»), Jaguares («Gimme Some Truth», cantado em espanhol), The Flaming Lips («[Just Like] Starting Over»), Jack's Mannequin («Gold»), Duran Duran («Instant Karma»), A-Ha («#9 Dream»), Tokio Hotel («Instant Karma») e Regina Spektor («Real Love»). Para saber mais sobre a campanha «Make Some Noise» da Amnistia Internacional clique aqui. Sobre uma outra campanha paralela, também bastante importante, «Save Darfur», clique aqui.

22 novembro, 2006

«No Child Soldiers» - Desmobilizem As Crianças!


São carne para canhão. Tenra e barata. Muitas vezes esfomeada. Outras vezes com sede de vingança. Crianças entre os seis e os dezassete anos que brincam às guerras nas guerras a sério. Do lado de bandos rebeldes ou dos exércitos governamentais, sem direito a soldo nem ao remorso dos seus comandantes. Muitos morrem. Outros ficam estropiados. Outros viciados nas drogas que os chefes lhes dão para melhor os controlar. Muitos outros ficam com danos psicológicos irreversíveis. Neste momento são mais de 300 mil - 300 mil, santo Deus! - em todo o mundo. E há outras estatísticas: mais de um milhão de crianças passou por esta experiência; mais de dois milhões de crianças morreram em consequência de guerras nos últimos anos; mais de seis milhões ficaram estropiadas ou foram gravemente feridas; há dez milhões de crianças refugiadas, órfãs ou seriamente traumatizadas por guerras recentes. Os números, cruéis, estão no livreto do álbum «No Child Soldiers», que reúne inúmeras vedetas da música africana numa causa comum: a desmobilização das crianças-soldados. O resultado das vendas do disco - uma ideia da organização francesa Aikah a que se associaram outras entidades - reverte para organizações de desmobilização e reinserção de crianças-soldados. A fotografia que encima este texto é de Antony Njuguna, da Reuters.


VÁRIOS
«NO CHILD SOLDIERS»
O+ Music/Harmonia Mundi

Apesar do problema das crianças-soldados ser universal - do Sri Lanka à Palestina, da América Latina ao Afeganistão - «No Child Soldiers», o álbum, é totalmente protagonizado por artistas africanos, nascidos no mesmo continente em que há dezenas de milhar (centenas de milhar?) de crianças-soldados. E o tema é logo referido no início do álbum, no hino afro-reggae-soul ««Benamou (Enfants Soldats)», composto por Ange Yao e Madéka, em que intervêm também vários dos protagonistas deste álbum - Alpha Blondy, Angélique Kidjo, Lokua Kanza, Ben Okafor, Aicha Koné, Charlotte M'Bango, Monique Séka, Mama Keita, Diane Solo e Bibi); canção que é repegada, numa versão reduzida, no final. E o álbum, riquíssimo, está cheio de excelentes artistas e temas africanos. Vejamos... Tété num tema bluesy, «Le Meilleur des Mondes», que faria inveja a Ben Harper. O enorme Geoffrey Oryema nos afro-blues luminosos do clássico «Yé Yé Yé». Outro «monstro», Alpha Blondy, no reggae quente e interventivo de «Peace In Liberia». Aicha Koné cruzando a música mandinga com swing eléctrico em «Kanawa». Madeleine «Madéka» Kouadio numa canção lindíssima, puxada a violino e percussões, «Miwa». Angélique Kidjo a fazer a ponte sonora entre África, Cuba, Jamaica e Estados Unidos no festivo «Mutoto Kwanza». Os balafons a servir de cama à fabulosa voz de Rokia Traoré em «Sakanto». Outro clássico incontornável, «Tekere», do nobre trânsfuga Salif Keita. Koras, percussões e secção de metais em roda livre no absolutamente dançável «Sinebar», de Youssou N'Dour. E ainda, para compor o ramalhete, temas de Corneille, Ben Okafor, Mama Keita, Bibie, Extra Bokaya e Lokua Kanza. Tudo por uma causa urgente, num álbum muito, muito bom. Só falta aqui Emmanuel Jal... (9/10)

Links:

No Child Soldiers
UNICEF
Amnistia Internacional
Handicap International

27 agosto, 2006

Cacharolete de Discos (Parte 425)


E mais uma colecção de críticas de discos, dispersas, a álbuns de Keziah Jones, dos Urban Trad, de Youssou N'Dour (na foto) e de Tito Puente. Para conhecer...


KEZIAH JONES
«BLACK ORPHEUS»
Delabel/EMI-VC

Pensa-se num cantor e guitarrista e compositor oriundo de Lagos, na Nigéria, e é em Fela Kuti que se pensa logo. Mas depois sabe-se que é de Keziah Jones que se fala e o caso muda de figura: Keziah (Olufemi Sanyaolu de verdadeiro nome) deixou a Nigéria quando tinha oito anos e foi viver para Londres, onde fez a sua formação com toda a música negra... feita fora de África. E mais tarde é acolhido em Paris, na editora Delabel, o espaço perfeito para mostrar a sua música - uma mistura viva e pulsante de música africana de variadas proveniências, afro-beat, funk, soul, jazz, blues, bossa-nova, tudo apimentado por letras que misturam o inglês com o yoruba. Keziah chamou-lhe blufunk, mas podia ter-lhe chamado afrosoul ou yorusurrealism, que seria a mesma coisa. Em «Black Orpheus», o seu quarto álbum, Keziah Jones transporta as suas influências a um estado de depuração máxima. Quando se ouve o álbum ouvem-se ecos de Fela Kuti (até na apropriação de um termo por este inventado, «kpafuca»), sim, mas também de Manu Dibango e Salif Keita, de Jimi Hendrix e de Frank Zappa, de Sly & The Family Stone e de Stevie Wonder (da primeira metade dos anos 70), de João Gilberto e de Prince e de Miles Davis. Mas tudo embrulhado numa música nova, excitante, personalizada - e a letra do tema «72 Kilos», em que Keziah (explícita ou implicitamente) assume todas as influências, explica bem o que por aqui se passa. O último tema, «Orin O'Lomi», só com voz, guitarra e som de chuva, é um lindíssimo espaço de paz (antes de revelar, minutos depois, uma faixa escondida que parece um «rewind» até aos cantos dos escravos levados de África...). (7/10)

URBAN TRAD
«ELEM»
Mercury/Universal

Oriundos da Bélgica, os Urban Trad fazem uma curiosa mistura de folk europeia – da escola «céltica» irlandesa, escocesa e especialmente da nossa irmã Galiza – com rock e electrónicas, notando-se a influência do «efeito» Hedningarna em linguagens folk aqui mais a sul. Resulta muitas vezes bem e de uma forma extremamente interessante - com as programações e os sintetizadores a não encharcarem em demasia os instrumentos tradicionais (gaitas-de-foles, flautas irlandesas, concertina, violino…). Mas também há aqui alguns temas escusadamente ligeiros (um segundo lugar dos Urban Trad num Festival da Eurovisão deixou marcas!) que desequilibram a coisa, outras vezes, para um lado mais pop e «festivaleiro». Um melhor equilíbrio entre os vários elementos constituintes do som Urban Trad não lhes fazia mal nenhum. (6/10)


YOUSSOU N’DOUR
«HEY YOU! – THE ESSENTIAL COLLECTION»
Nascente/Megamúsica

Recordação do astro senegalês nos anos da discórdia.

Youssou N’Dour não é uma personagem consensual. Como se refere – com uma honestidade de assinalar – no livreto deste álbum, muita gente considera-o demasiado africano para atingir o mainstream da pop ocidental, outros acham-no demasiado pop para ser um verdadeiro músico africano. E esta condição dúbia está especialmente patente em «Hey You!», que reúne temas dos álbuns «The Lion» e «Set» (ambos da viragem dos anos 80 para os 90), que lançaram definitivamente o inventor do mbalax no circuito internacional e lhe valeram temas de sucesso como «The Lion», «Shakin' The Tree» ou «Medina». Eu gosto; os outros que decidam também por si. (7/10)

TITO PUENTE
«THE ROUGH GUIDE TO...»
World Music Network/Megamúsica

Tito Puente foi um dos maiores músicos do Séc. XX. Percussionista, compositor, arranjador, chefe de orquestra, «compagnon de route» de alguns dos nomes maiores do jazz nova-iorquino (ele que era nova-iorquino de ascendência porto-riquenha), Tito Puente passou dezenas de anos da sua vida com uma missão: dar dignidade aos géneros musicais latino-americanos, mostrando – através das suas orquestrações que misturavam, em boa dose, poderosas secções de metais e muitas percussões (com um violino aqui e ali; com vozes algumas vezes – e neste disco estão as de La Lupe, Célia Cruz, Vicentico Valdes...) – que se pode dançar com muitas e desvairadas músicas. Neste álbum ouvem-se mambos, salsas, bossa-nova («Meditação», de Tom Jobim), boogaloos... e latin-jazz e funk de vez em quando. E os pés saltam, saltam sempre. (8/10)