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14 março, 2012

Mari Boine e JuJu Também em Sines


Soma e segue! O FMM de Sines 2012 tem mais dois pesos-pesados confirmados: a cantora e activista sami Mari Boine (na foto) e o o projecto JuJu, de Justin Adams e Juldeh Camara. O comunicado:

«Mari Boine e JuJu confirmados
no FMM Sines 2012

Uma das maiores figuras da folk europeia e um dos projetos de fusão mais interessantes da música atual enriquecem o programa do festival de referência da “world music” em Portugal.

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2012, a realizar em julho próximo em Sines, Alentejo Litoral, tem a presença confirmada de Mari Boine (Noruega – Povo Sami) e JuJu (Gâmbia / Reino Unido).

MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)

Mari Boine é uma das cantautoras mais importantes da folk europeia das últimas três décadas.

Nascida em 1956, numa pequena aldeia da regiões árticas da Noruega, esta antiga professora estreia-se na música no início dos anos 80 com a motivação principal de divulgar a cultura dos Sami, povo nativo, de cultura animista pré-cristã, do norte da Escandinávia.

O seu álbum de estreia, “Jaskatvuođa Manná”, é editado em 1985, mas é com “Gula Gula”, lançado em 1989, que se destaca nos panoramas musicais norueguês e internacional. A sua discografia conta atualmente com cerca de uma dezena de álbuns, o último dos quais “Sterna Paradisea”, lançado em 2009.

Cantora e percussionista, a música de Mari Boine é um cruzamento entre tradição Sami (em especial o estilo de canto “joik”), jazz, eletrónica e rock contemporâneo.

No FMM Sines, Mari Boine será acompanhada em palco por uma formação que acentua o lado mais “extrovertido” da sua música, com Kjetil Dalland (baixo), Ole Joern Myklebust (trompete), Roger Ludvigsen (guitarra e percussão) e Aage Gunnar Augland (bateria e percussão).

JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)

JuJu é um dos projetos mais importantes da música de fusão na atualidade.

O seu coração é a dupla formada por Juldeh Camara (Gâmbia), mestre do violino de uma corda “ritti” e vocalista poderoso, e Justin Adams (Reino Unido), guitarrista de Robert Plant e produtor dos Tinariwen, veterano dos cruzamentos do rock com a música africana.

O seu primeiro disco em conjunto, “Soul Science” (2007), que trouxeram ao FMM Sines em 2008, venceu o prémio de “world music” da BBC Radio 3 na categoria "Cruzamento de culturas", e o segundo, “Tell No Lies” (2009), ganhou o prémio da mesma categoria dos Songlines Music Awards.

Em 2011, a banda reforçou-se na secção rítmica com Billy Fuller (baixo) e Dave Smith (bateria e percussões) e passou a dedicar-se a longas peças de música de transe onde confluem origens africanas, do jazz, do dub reggae e do rock psicadélico.

O disco que regista esta nova dimensão, mais hipnótica, da dupla Adams / Camara é
“In Trance” (2011), aclamado pela crítica (publicações como o The Guardian ou a Songlines deram-lhe 5 estrelas em 5, por exemplo) e prenúncio de um dos concertos mais explosivos da edição de 2012 do festival.

O FESTIVAL

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” realizado em Portugal. A sua 14.ª edição realiza-se nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.

Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue) e Jupiter & Okwess International (R. D. Congo).

Mais informações

www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»

28 dezembro, 2007

Rabih Abou-Khalil, Mari Boine, Balanescu Quartet... - Os Primeiros Concertos de 2008


O ano de 2008 promete muitos e bons concertos, muitos e ainda melhores festivais. O 10º aniversário do FMM de Sines - que decorre de 17 a 26 de Julho e para o qual está já confirmada a presença dos congoleses Kasai Allstars -, o crescimento sustentado de outros festivais como o MED de Loulé ou o Intercéltico de Sendim, só para referir alguns dos mais óbvios, são garantias de doze meses de programação variada e rica de surpresas nestas «áreas» da world music, da folk e das músicas tradicionais. Mas, para já - e fazendo uso de informações já disponibilizadas pelas Crónicas da Terra -, para os primeiros meses do ano novo estão previstos concertos com o mestre do alaúde libanês Rabih Abou-Khalil (na foto), dia 18 de Janeiro no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, e um dia depois, na Culturgest, em Lisboa; com a fabulosa cantora norueguesa Mari Boine (ver «Cromo» de há alguns dias neste blog), dia 15 de Fevereiro no Teatro Municipal da Guarda e um dia depois na Culturgest, em Lisboa; com o ecléctico quarteto de cordas Balanescu Quartet, também em Fevereiro, dia 7 no Centro Cultural de Belém, dia 8 no Theatro-Circo de Braga e dia 9 no Cine-Teatro de Alcobaça; e com o multi-instrumentista norueguês Karl Seglem, dia 15 de Maio, na Casa da Música, Porto. Lá mais para a frente, a Casa da Música recebe também a visita de outro colectivo congolês, os Konono Nº1, dia 29 de Junho, durante o Festival Mestiço, colectivo que se apresenta também em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, dia 1 de Agosto.

10 dezembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXXIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXXIII.1 - Mari Boine


A extraordinária cantora norueguesa Mari Boine (nascida a 8 de Novembro de 1956, em Finnmark, Noruega) é, ao mesmo tempo que carrega consigo as tradições mais antigas do povo sami (a designação correcta dos lapões), uma criadora aberta a diversas influências - rock, jazz, electrónicas -, que inclui na sua música. Dona de uma voz moldada no estudo e na prática do canto yoik - comum ao povo sami, que se espalha pela Noruega, Finlândia, Suécia e Rússia -, Boine soube sempre fazer a ponte entre músicas diferentes e, sempre também, pôr o todo ao serviço da defesa do seu povo, vítima de abusos por parte das diversas autoridades escandinavas, à semelhança do que se passa com os índios da Amazónia e da América do Norte ou os aborígenes australianos. O seu primeiro álbum internacional, «Gula Gula» (1989), foi editado pela Real World e parte do mundo tomou conhecimento dela, e através dela, da música dos samis.


Cromo XXXIII.2 - Antibalas Afrobeat Orchestra


Grupo nova-iorquino, de Brooklyn, mas com músicos de várias origens, a Antibalas Afrobeat Orchestra (agrupamento também conhecido, simplesmente, como os Antibalas e, mesmo no início, como Conjunto Antibalas) foi formada em 1998 por músicos que tinham tocado na banda Africa 70 (do lendário Fela Kuti) e da Eddie Palmieri's Harlem River Drive Orchestra. E, naturalmente, a base da sua sonoridade é o afro-beat tal como desenhado por Kuti, mas integrando também outras influências (música mandinga, música cubana, funk, jazz, dub, hip-hop...). Incluindo nas letras dos seus originais fortes mensagens políticas - à semelhança do seu «mentor» nigeriano -, os Antibalas editaram o seu primeiro álbum, «Liberation Afrobeat Vol. 1», em 2000, ao qual se seguiram «Talkatif» (2002), «Who is This America?» (2004) e «Security» (2007), este último surpreendentemente produzido John McEntire (dos Tortoise).


Cromo XXXIII.3 - Nitin Sawhney


Nitin Sawhney (nascido em Rochester, Kent, em 1964) é inglês mas de origem indiana e um verdadeiro cidadão do mundo, no sentido em que busca inúmeras sonoridades para as incluir na sua música. Nitin é um mago das electrónicas mas também toca piano, guitarra clássica (chegou a estudar flamenco na sua juventude), sitar e tablas. É produtor, compositor, DJ, arranjador, remisturador... e sempre com um bom-gosto acima de qualquer suspeita. A sua chegada à alta-roda musical deu-se quando começou a fazer parte do grupo de acid-jazz The James Taylor Quartet, do qual saiu para formar a sua própria banda The Jazztones. Outro marco fundamental da sua carreira foi a colaboração com outra luminária, Talvin Singh, no Tihai Trio. Depois, chegou a fazer comédia - com sucesso - na BBC, antes de se ter lançado numa frutuosíssima carreira musical a solo, em 1993, com o álbum «Spirit Dance». Temas de Sting, Natacha Atlas, Nusrat Fateh Ali Khan ou Paul McCartney - que também canta num tema do seu último álbum, «London Undersound» (2008) - já foram remisturados por ele.


Cromo XXXIII.4 - Spaccanapoli


Spaccanapoli é a enorme avenida que separa Nápoles em duas metades. Mas é também o nome de uma banda musical que tem as suas origens longínquas num grupo operário de intervenção criado durante os anos 70, o ‘E Zezi, de Pomigliano D’Arco, onde se reuniam trabalhadores da indústria automóvel para fazer teatro, música, política... E a base teórica da sua música é a pesquisa exaustiva de canções tradicionais napolitanas, de outras regiões italianas e da bacia do Mediterrâneo. Mas dizer isso é dizer muito pouco para se caracterizar a música dos Spaccanapoli: uma música viva, pulsante, actualíssima. Formados por Marcello Colasurdo (voz e tammorra - uma enorme pandeireta), Monica Pinto (voz), Antonio Fraioli (violino e percussão), Oscar Montalbano (baixo e guitarra) e Emilio De Matteo (guitarra), os Spaccanapoli tiveram no seu álbum «Lost Souls - Aneme Perze», publicado pela Real World, um marco da folk europeia.

14 novembro, 2006

Mari Boine, Frigg, Suden Aika e Gjallarhorn - Auroras Boreais


A música folk escandinava assiste, desde há muitos anos, a uma constante renovação e reinvenção, sempre feita a partir das raízes mais profundas das suas músicas tradicionais mas sempre, também, com os olhos postos no futuro. Hedningarna, Garmarna, Vasen, Varttina e Kimmo Pohjonen são apenas alguns exemplos dessa revolução. Outros quatro nomes fundamentais - a veterana Mari Boine, os Gjallarhorn (na foto), as Suden Aika e os mais novinhos Frigg, todos com álbuns recentes - contribuem bastante para esta belíssima e eterna aurora boreal.


MARI BOINE
«IDJAGIEDAS»
Lean/Universal Music Norway

A cantora e compositora norueguesa Mari Boine é a maior embaixadora da música do povo sami, da Lapónia, levando a todo o mundo este canto ancestral, o yoik, por vezes próximo do dos índios norte-americanos e dos esquimós, e sempre, sempre, extremamente belo. Dada a conhecer noutros países da Europa e nos Estados Unidos pelo álbum «Gula Gula» (1989), editado pela Real World, a música de Mari Boine tem-se afastado, em termos de arranjos, da tradição pura e dura, nunca temendo incluir na sua música elementos do jazz, do rock ou das electrónicas. No seu novo álbum, «Idjagiedas», o seu canto parece voltar a um estado de pureza inicial (as canções foram escritas na sua maioria por Rauni Magga Lukkari e Karen Anne Buljoe, duas importantes poetisas bastante empenhadas - tal como Mari Boine - nos direitos do povo sami), mas a sua envolvência está aberta a muitas outras formas musicais: andam por aqui electrónicas mas nunca em demasia e, entre outros instrumentos, uma guitarra eléctrica nas mãos do mago do jazz Terje Rypdal, koras, darabukas e kissanges vindos de África, um cavaquinho (!) e duas vozes femininas adicionais a contribuir decisivamente para o efeito final (estas duas principalmente no estranho e lindíssimo tema bleep-hop-experimental «Uldda Nieida»). Mas todo o álbum está, sempre, num nível altíssimo. (9/10)


FRIGG
«KEIDAS»
North Side Records

Grupo instrumental em que se juntam músicos noruegueses e finlandeses, os Frigg mostram ao segundo álbum uma maturidade e um bom-gosto raramente atingíveis. Com três (por vezes quatro) violinos incendiários, o septeto parte da música tradicional da Kaustinen (na Finlândia) e Nord-Trondelag (Noruega) para se atirar a polskas, valsas e outras danças tradicionais, adicionando-lhes pitadas de jazz, country, música do Québec e folk de inspiração «céltica», com a ajuda dos violinos e de outros instrumentos como bandolim, contrabaixo, bouzouki, nickelharpa, viola d'arco, saltério, guitarra, órgão de igreja, algumas percussões e uma gaita-de-foles no último tema. Sempre com uma alegria, um saber e um sentido de divertimento enormes (a que também não falta bastante sentido de humor: o tema-título «Keidas», que significa «oásis», tem como comentário «don't look back in Tanger», trocadilho com o famoso tema dos... Oasis). E sempre, também, com um apuramento técnico ao alcance de pouquíssimos músicos - a conferir, por exemplo, na velocidade estonteante de «Fantomen» ou «Solberg» -, fruto dos seus estudos na respeitadíssima Academia Sibelius e junto de Mauno Jarvela, dos JPP, pai de dois dos membros dos Frigg. (8/10)


GJALLARHORN
«RIMFAXE»
Vindauga Music/Westpark Music

Finlandeses - mas com as canções a serem interpretadas em sueco -, os Gjallarhorn são, cada vez mais, o projecto pessoalíssimo da fabulosa cantora (e flautista) Jenny Wilhelms. Neste quarto álbum, «Rimfaxe», quase todos os músicos, à excepção, claro, de Jenny, têm pouco tempo de grupo - até Tommy Mansikka-Aho, que com o seu didgeridoo dava os drones mágicos de muita da música dos Gjallarhorn, foi recentemente substituído por Goran Manssonjoined num estranho, mas por vezes com um efeito próximo do didgeridoo, «sub contrabass recorder». Mas isso não impede que a música dos Gjallarhorn - quarteto que é completado por Adrian Jones (violino e bandola) e Petter Berndalen (percussões) - continue a ser uma maravilha onde vale quase tudo e tudo é bem-vindo. Da pop do tema-título às recriações da música tradicional sueca (ou nascida na região da Finlândia em que o sueco é a língua dominante) à maneira dos Hedningarna (como no segundo tema, «Kokkovirsi»), de uma folk que evoca Sandy Denny e os Fairport Convention em «Systrarna» ao rock progressivo de «Blacken», do encantamento hipnótico de «Hymn» à beleza pura de ««Norafjelds», do estranhíssimo mas vibrante «aboio» de «iVall» à música irlandesa em «Graning» (cantada por Jenny em gaélico)... Muitos dos temas do álbum vêm directamente da Idade Média mas, através dos Gjallarhorn, já estão num futuro qualquer. (9/10)


SUDEN AIKA
«UNTA»
Zen Master/Rockadillo Records

Ouvir «Unta», das Suden Aika, é ouvir um rio que corre e salta sem parar, quatro sereias a tirar férias das coisas más que as sereias fazem usualmente, o som de mil pássaros escondidos numa floresta cerrada estranhamente cheia de sol, o reflexo de raios estelares a baterem num vitral com imagens rendilhadas de cavaleiros heróicos, sangrentos e galãs, runas decifradas em canto gregoriano... As finlandesas Suden Aika são quatro cantoras - Tellu Turkka (ela que já foi Tellu Virkkala, quando cantava nos suecos Hedningarna; também em moraharpa, sanfona, saltério, oud e percussões), Liisa Matveinen (que substituiu Tellu nos Hedningarna e que com ela - depois do regresso de Tellu ao grupo sueco - protagonizou duelos vocais inesquecíveis; também em saltério), Nora Vaura (também em flauta) e Katariina Airas. «Unta» é o terceiro álbum das Suden Aika, grupo que se formou a partir do álbum a solo com o mesmo nome que Tellu protagonizou depois da sua saída (e antes do seu regresso, depois seguido por nova saída...) dos Hedningarna, álbum em que Liisa Matveinen já colaborava e que marcou o início de uma profícua colaboração entre as duas: os «duelos» nos Hedningarna e a composição repartida pelas duas dos temas das Suden Aika. E «Unta», apesar de ter alguns momentos fracos, é na sua maior parte de uma beleza única, frágil e incisiva. (7/10)