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04 abril, 2011

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXIV


Em busca das arcas perdidas...
Publicado em 18 de Fevereiro de 2010

A Movieplay vai editar, dia 1 de Março, uma colecção de fado com dezenas de temas inéditos em CD "descobertos" no acervo da antiga editora Alvorada, etiqueta da Rádio Triunfo. O trabalho de recuperação do tesouro foi feito por José Manuel Osório e, nos três volumes de "Os Fados da Alvorada", estão gravações de Amália Rodrigues, José Afonso, Artur Paredes (na foto), Carlos Paredes, Luís Piçarra, João Villaret, Tereza Siqueira (mãe de Carminho), Maria de Lurdes Resende e Madalena Iglésias, entre muitos outros. Trata-se de mais um passo importantíssimo - a juntar-se a outros - para a preservação da nossa memória musical. Mas ainda há muito por fazer. Há alguns dias, no âmbito de um trabalho não estritamente musical, um amigo meu "descobriu" (e continuo a usar as aspas porque estas coisas já lá estão, à espera de ver de novo a luz) valiosíssimas gravações ao vivo de artistas e grupos importantes do pré e pós-25 de Abril que é urgente dar a conhecer. Numa conversa recente com um etnomusicólogo veio à baila o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, quer em vinil quer em CD. Se juntarmos a isto o facto, entre outros, de não ter sido dada continuidade à colecção Do Tempo do Vinil (que previa, por exemplo, o lançamento em CD do primeiro álbum a solo de José Cid), vemos que esse trabalho de recuperação é gigantesco mas absolutamente necessário.


E as arcas já reveladas...
Publicado em 25 de Fevereiro de 2010


Um leitor deste jornal fez-me chegar, simpaticamente, via email, o reparo de que uma frase contida na minha última crónica - "o facto de dezenas de horas de recolhas feitas por Michel Giacometti (e mais algumas feitas por Ernesto Veiga de Oliveira) nunca terem sido disponibilizadas em disco, nem em vinil nem em CD" - poderia induzir em erro e ser entendida como a afirmação de que nada daquilo que Giacometti recolheu alguma vez esteve disponível em disco. Tem razão, mas não era essa, obviamente, a minha intenção: o que eu quis dizer era que, para além das muitas horas já editadas, há ainda muitas outras que nunca foram passadas a disco. Como a semana passada se falou aqui de "arcas perdidas" de gravações de música tradicional portuguesa, fala-se hoje de algumas (e apenas de algumas) daquelas que já foram abertas e estão disponíveis em suporte CD: "Música Regional Portuguesa", recolhas de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça (Strauss/PortugalSom), cinco CD; "Portugal Raízes Musicais", recolhas de José Alberto Sardinha (BMG/JN), seis CD; "Música Tradicional dos Açores" (Açor), quatro caixas de CD; "Musical Traditions of Portugal" (Smithsonian/Folkways), CD com 30 temas; "Música Tradicional - Terra de Miranda" (Saga, numa colecção que inclui também regiões espanholas); "Voix de Femmes de Portugal" (Ethnic); variadíssimos CD com recolhas de Mário Correia (Sons da Terra), etc. Conclusão: há muita música de raiz tradicional rural já revelada, mas há muito mais ainda por revelar.

Um outro mapa necessário
Publicado em 04 de Março de 2010


Não quero alongar-me muito sobre o estado do ensino da Música nas escolas oficiais, realidade que, sublinho, apenas conheço pela rama, mas da qual tenho a percepção, talvez errada talvez não, de que é extremamente pobre se comparada com a de muitos outros países, principalmente no que toca ao ensino das nossas músicas tradicionais - carência que é, em parte, colmatada pela existência de escolas privadas ou associações em que esse ensino existe, vivo e dinâmico. Estou convicto, no entanto, de que essa realidade poderá mudar, pelo menos um bocadinho, se todas as salas de aula em que se ensina Música ostentassem na parede, com orgulho e galhardia, o belíssimo Mapa Etno-Musical de Portugal. Espelho imediato da diversidade, da riqueza e da originalidade de géneros musicais, instrumentos tradicionais, formações vocais ou antigos saberes do povo português, o Mapa Etno-Musical é uma criação do músico Júlio Pereira, com a ajuda de João Luís Oliva, Sara Nobre e Henrique Cayatte, e nele estão, de forma simples e imediata, retratados variadíssimos instrumentos musicais portugueses, uns conhecidos e outros que poderão abrir imediatamente o apetite a miúdos e professores: mas que raio é um rajão ou uma viola campaniça, que música é essa do aboio ou do leva-leva? No site do Instituto Camões, onde o mapa também está alojado, podem ainda ouvir-se os sons respectivos. Apesar de não ser exaustivo, o mapa é bem capaz de aguçar a curiosidade por muita da nossa música.

07 abril, 2009

Procura-se o Autor Desta Foto! (Repost)

Encontrados já os autores das outras três fotos (da Banda do Casaco, Carlos Paredes e Farinha Master), fica só a faltar a do José Afonso... Assim, prezados leitores do Raízes e Antenas! Se alguém souber qual é o autor desta foto (ou tenha algum palpite sobre quem poderá ser ou... saber), por favor contacte-me na caixa de comentários deste post ou através do meu e-mail: pires.ant@gmail.com

Não é um concurso nem passatempo, mas é importante (a seu tempo revelarei a razão). Muito obrigado!


José Afonso - uma dica, foi a partir desta foto que foi desenhado o logotipo da AJA (Associação José Afonso).

21 novembro, 2007

Norberto Lobo, Pedro Jóia, Ricardo Parreira e Fernando Alvim - A Nossa Alma nas Cordas das Guitarras


Abençoado país este - e digo-o sem ponta nenhuma de nacionalismo serôdio e passadista - que estas músicas e estas emoções e estas guitarras tem (e que tem numa conjugação improvável: três guitarras acústicas «contra» uma guitarra portuguesa, mesmo que as acústicas às portuguesas vão beber a sua inspiração)! É tão bom ouvir estes discos que, entre versões (muitas) e originais (alguns) estão cheios de grande música. Música portuguesa, da melhor que alguma vez se ouviu ou re-ouviu: Pedro Jóia em tributo a Armandinho; Ricardo Parreira e Fernando Alvim em homenagem a Carlos Paredes e a outros guitarristas; e Norberto Lobo (na foto) a fazer de Carlos Paredes as pontes para muitas outras músicas.


PEDRO JÓIA
«À ESPERA DE ARMANDINHO»
HM Música

Ouvir «À Espera de Armandinho», de Pedro Jóia, é, só!, ouvir-se uma das mais belas homenagens que um músico pode fazer a outro músico (e compositor) seu antecessor. O álbum ouve-se e lá vai ele, fluindo, fluindo, entrando nos ouvidos como faca quente em manteiga. É tão bonita esta homenagem, em que um jovem músico presta tributo e vassalagem a Armandinho (Armando Freire Salgado, um dos mais importantes compositores para guitarra portuguesa e para fado de Lisboa da primeira metade do séc. XX). Neste álbum, todas as composições são de Armandinho (à excepção de «Maldito Fado», de Camané), transpostas, adaptadas, revivificadas para guitarra clássica - e não guitarra portuguesa, apesar de muitas vezes, ao ouvir-se «À Espera de Armandinho», não nos apercebermos da diferença entre os dois instrumentos (oiça-se «Fado Conde da Anadia», por exemplo), tal é o brilho transmitido às cordas da guitarra - por Pedro Jóia com um amor, uma sabedoria, uma execução técnica e uma alma ímpares. Nada que espante: Jóia é um dos melhores guitarristas portugueses, com escola feita no flamenco (o flamenco que por vezes ainda o assombra aqui, e bem, nomeadamente em «Variações em Lá menor II»), nos últimos anos residente no Brasil (onde tem feito parte da selecta banda acompanhante de Ney Matogrosso e onde «desenhou» este álbum) e o autor de outro fabuloso álbum de homenagem a outro mestre da guitarra portuguesa, este de Coimbra, Carlos Paredes (no álbum «Variações sobre Carlos Paredes»). E, se é bonito ter amor e respeito pela arte que ficou para trás, ainda é mais bonito tê-lo desta maneira, quando o amor e o respeito se conjugam com um brilhantismo enorme. (9/10)


RICARDO PARREIRA/FERNANDO ALVIM
«NAS VEIAS DE UMA GUITARRA»
HM Música

«E, se é bonito ter amor e respeito pela arte que ficou para trás...», escrevia-se aqui em cima e continua a escrever-se aqui, a propósito de outro álbum lindíssimo, este de um jovem executante de guitarra portuguesa, Ricardo Parreira, que fez uma viagem semelhante à de Jóia há alguns anos: ir em busca da música de Carlos Paredes - e de outros mestres da guitarra portuguesa como... Armandinho - e transportá-la para a actualidade: foi um risco enorme, assumido sem medos por um «miúdo» que, para além da diferença de (várias) gerações em relação aos compositores tinha outro «impedimento» em cima: a sua escola é a guitarra portuguesa de Lisboa e não a de Coimbra, de onde provém a maior parte do reportório do álbum «Nas Veias de Uma Guitarra». Mas o risco foi ultrapassado e o resultado, se não é sempre brilhante, é pelo menos mais uma grande prova de amor. A Carlos Paredes e a... Fernando Alvim, o homem da viola que acompanhou Paredes durante os seus anos de maior produção discográfica e que aqui acompanha - em belíssima forma apesar da sua avançada idade - Parreira, dando assim a sua bênção a esta aventura que tem, muito justamente, o sub-título de «Homenagem a Fernando Alvim». No álbum há composições de Artur Paredes (uma), Carlos Paredes (cinco), Afonso Correia Leite (uma), Armandinho (uma), José Nunes (duas), Francisco Carvalhinho (uma) e do homenageado Fernando Alvim (uma). E o resultado é, quase sempre, um encantamento permanente pela forma como um discípulo ouve (e interage!) com os seus mestres. (8/10)


NORBERTO LOBO
«MUDAR DE BINA»
BorLand

Diga-se desde já, e para não haver confusões, que «Mudar de Bina», o primeiro álbum a solo de Norberto Lobo (membro dos Norman e dos Munchen), é para mim o melhor álbum português deste ano e, se lhe quiser puxar mais um bocadinho pelo lustro (mais que merecido!), o melhor álbum português de muitos dos últimos anos. E digo-o em plena consciência das minhas faculdades mentais, podendo jurar por ele em tribunal. «Mudar de Bina» é um álbum simples - e simples na mesma acepção de «Uma História Simples» de David Lynch - e quase fácil e estupidamente explicável numa crítica discográfica: em «Mudar de Bina» há uma guitarra acústica, a de Norberto Lobo, sempre, uma guitarra acústica em que há ecos de Carlos Paredes (não muitos mas os suficientes para que o título do álbum e outras coisas lá dentro façam sentido), Nick Drake, John Fahey, Leonard Cohen, Sérgio Godinho, The Beatles, Neil Young (fase «Harvest»), Papa M (e outros da pandilha alt-country e/ou rock indie lo-fi e/ou neo-folk), Django Reinhardt, Bert Jansch... Isto é, os melhores ecos que um guitarrista poderia ter! E o tema «Mudar de Bina» - «bina» é petit-nom para bicicleta - é apenas vagamente inspirado em «Mudar de Vida», de Carlos Paredes, enquanto a versão aqui presente do próprio «Mudar de Vida» é uma declaração de amor, uma coisa linda e viva e frágil e bela, que leva o tema do mestre da guitarra portuguesa para o Oriente e para uma country marada e para a estratosfera... Num álbum constituído na sua maioria por originais ainda há lugar, para além de «Mudar de Vida», de Paredes, para dois temas tradicionais - «Cantiga da Ceifa» e «Ó Ribeira» - tocados, obviamente, de forma não tradicional, mas a fazer pontes entre a música alentejana (se se preferir, a música portuguesa), o flamenco e a música árabe... E ao longo do álbum há imperfeições, falhas, notas ao lado mas que soam tão bem, assim como soam bem o «corta» e o contrabaixo do primeiro tema, o canto dos pássaros e o som dos automóveis lá mais para a frente. E há uma slide-guitar - tocada a faca afiada??? - a encher de dissonâncias os blues do fabuloso «Jogo do Bicho». E há uma guitarra free em «Festa do Fim da Folque» (sim, o título é irónico) e há uma luz imensa no matinal e lindíssimo «Laura» (marcado pelo cantar de galos e por sinos e por uma música que nunca antes se tinha ouvido - apesar das alusões a Penguin Cafe Orchestra e... ao «Natal dos Simples» de José Afonso? - ou, pelo menos, que nunca antes se tinha ouvido desta maneira até aqui). É uma maravilha, este álbum! (10/10)

26 dezembro, 2006

Dossier Guitarra Portuguesa - 4º Fascículo
























Um dos trabalhos que mais prazer me deu fazer durante os meus muitos anos de BLITZ foi este dossier sobre a Guitarra Portuguesa, em finais de 2004. Ao longo destas semanas, e espaçadamente (para não cansar e porque há outras coisas para falar), aqui vão ficar entrevistas com guitarristas da nova geração e um construtor de guitarras que com ele transporta o saber de gerações, uma possível História da Guitarra Portuguesa, uma discografia básica, etc... Fiz este trabalho com muito amor. Leiam-no também assim, por favor.


GUITARRA PORTUGUESA
CORDAS UMBILICAIS

Pode um instrumento musical espelhar - com o seu som, o seu timbre, a sua respiração e movimento e vibração - a alma de um povo? Pode. Ouve-se um didgeridoo na Austrália, um berimbau no Brasil, uma kora no Senegal, uma flauta de Pã nos Andes, um tambor taiko no Japão, e sabemos que aquele instrumento específico está a ser tocado pela alma certa, mesmo que possa ser tocado por «corpos» de toda a gente em todo o mundo.

Pode a guitarra portuguesa espelhar a alma do povo português? Pode. Há guitarra portuguesa de Lisboa e guitarra portuguesa de Coimbra e guitarra portuguesa do Porto e Braga. E há gente a tocá-la em todo o país. E há um género (dois?, se falarmos de Lisboa e de Coimbra separadamente) que lhe está colado como uma segunda pele, o Fado - ou, dizem os mais críticos, em vez de uma pele, um casaco grande e grosso que por vezes lhe abafa o respirar. E há intérpretes e compositores que fizeram da guitarra portuguesa um instrumento maior. João Maria dos Anjos, Antero Alte da Veiga, o clã Paredes - Gonçalo, Artur e Carlos -, Armandinho, Raúl Nery, António Portugal, António Brojo, Fontes Rocha, Augusto Hilário, Pedro Caldeira Cabral, António Chaínho e muitos, muitos outros... E, mais recentemente, há músicos mais novos que se atiram à guitarra sem complexos e com vontade de a levar para o futuro como Ricardo Rocha, Paulo Parreira, Custódio Castelo ou Paulo Soares... E algumas mulheres, como Marta Costa, perderam o medo de tocar este instrumento difícil e extremamente exigente em termos físicos (a posição; a dureza das cordas...). E há gente do rock a virar-se para ela: na invenção e recriação física do instrumento através das «guitarras portuguesas mutantes» de Nuno Rebelo; na paixão com que Luís Varatojo (ex-Peste & Sida e Despe e Siga) trocou a guitarra eléctrica pela guitarra portuguesa e contribuiu para fazer A Naifa; na aventura que é usar guitarra portuguesa no heavy-metal (os Thragedium, cujo líder, Eclipse, também toca guitarra portuguesa). E os ecos do instrumento não ficam por aqui. Mesmo que não estejam lá, fisicamente, estão nos samples de Sam The Kid ou nas guitarras eléctricas dos Dead Combo, de The Legendary Tiger Man e de Gonçalo Pereira (cf. na versão de «Movimentos Perpétuos», de Carlos Paredes, no álbum «Upgrade»).

A guitarra portuguesa, dizem alguns historiadores, evoluiu a partir de uma fusão da cítara com a guitarra inglesa e faz parte de uma imensa família de cordofones. Pelo som, e pelo sentimento, é irmã do oud (o alaúde árabe), é prima do bouzouki grego (que, por uma estranha emigração, foi adoptado também pelos irlandeses) e do bandolim siciliano, e é vizinha da guitarra espanhola - tão vizinha que, geralmente, para cada guitarra portuguesa há uma viola - uma guitarra espanhola - ali mesmo ao pé. Mas as ligações genealógicas dos cordofones podem ir mais além no tempo e longe no espaço: podem ir ao shamisen das gueixas japonesas, à sitar indiana, à balalaika russa, ao ukelele havaiano (neto dos cavaquinhos portugueses), à kora dos griots mandingas, às violas de lata dos blues do Mississippi.

São cordas que prendem a música, as canções, à terra onde nascem, como cordões umbilicais que nunca são cortados, como fios de Ariadne que nos servem de bússola permanente, como uma teia de relações que se prendem - e nos prendem - a um tempo, a um espaço, a uma poesia, a um gosto, a um destino. E à alma dos povos que as dedilham.

22 dezembro, 2006

Dossier Guitarra Portuguesa - 3º Fascículo


Um dos trabalhos que mais prazer me deu fazer durante os meus muitos anos de BLITZ foi este dossier sobre a Guitarra Portuguesa, em finais de 2004. Ao longo destas semanas, e espaçadamente (para não cansar e porque há outras coisas para falar), aqui vão ficar entrevistas com guitarristas da nova geração e um construtor de guitarras que com ele transporta o saber de gerações, uma possível História da Guitarra Portuguesa, uma discografia básica, etc... Fiz este trabalho com muito amor. Leiam-no também assim, por favor.


GUITARRA PORTUGUESA
DISCOGRAFIA BÁSICA

A guitarra portuguesa está, quase sempre, escondida atrás de um fadista ou de uma fadista. E não são muitos os registos discográficos existentes que dêem ao instrumento o protagonismo absoluto. O BLITZ foi à procura dos discos que julga serem os que mais e melhor justiça fazem à nossa guitarra:

António Brojo e António Portugal - «Variações Inacabadas» (CD 1994 EMI). Dois dos mais importantes guitarristas de Coimbra colaboram num álbum que foi deixado inacabado devido ao falecimento dos dois intervenientes. Neste disco, Brojo e Portugal interpretam temas próprios e de Artur Paredes, Gonçalo Paredes, Augusto Hilário e Flávio Rodrigues, entre outros.

António Chaínho - «A Guitarra e Outras Mulheres»(CD 1998 Movieplay). Acompanhante de fadistas como Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo e Carlos do Carmo, entre outros, Chaínho mostra neste disco que também é um talentoso compositor de originais. É aqui acompanhado por cantoras como Teresa Salgueiro, Marta Dias, Elba Ramalho ou Filipa Pais e músicos como Fernando Alvim, Vinicius Cantuária, Greg Cohen, Peter Sherer e Eyvind Kang.

Artur Paredes - «Artur Paredes» (LP 1961 Alvorada, CD 2003 Movieplay). Filho de Gonçalo Paredes e pai de Carlos Paredes, Artur Paredes foi «o génio revolucionário da guitarra coimbrã» (diz José Niza). Neste disco, Artur Paredes interpreta originais seus acompanhado por Carlos Paredes (também na guitarra portuguesa) e Arménio Silva (viola).

Carlos Paredes - «Guitarra Portuguesa» (LP 1968 Columbia, CD 1987 EMI-VC) e «Movimento Perpétuo» (LP 1971 Columbia, CD 1988 EMI-VC). Se Artur Paredes, pai de Carlos, revolucionou a guitarra coimbrã, Carlos Paredes revolucionou toda a música nacional e fez da guitarra portuguesa um instrumento maior na galáxia dos sons. Génio absoluto, Carlos Paredes - acompanhado nestes dois álbuns pela viola de Fernando Alvim - lança as sementes do futuro para o instrumento em temas imortais por si compostos e interpretados («Canção Verdes Anos», «Movimento Perpétuo», «Mudar de Vida»...).

Domingos Camarinha e Santos Moreira - «Guitarras Portuguesas» (LP 1960 Decca, CD 2001 EMI-VC). O guitarrista Domingos Camarinha (neste disco acompanhado à viola por Santos Moreira) foi acompanhante e autor de músicas para Amália Rodrigues e um dos mais importantes intérpretes de guitarra de Lisboa. Neste álbum toca temas de Lisboa mas também de Coimbra e do folclore nacional.

José Nunes - «O Melhor de José Nunes» (CD 2001 EMI-VC). Acompanhador de fadistas (nomeadamente Amália) mas também solista, José Nunes foi o melhor exemplo de como a guitarra portuguesa é mesmo... portuguesa. Nascido no Porto, é tido como um genial fusionista entre os estilos de Coimbra e Lisboa. Neste disco interpreta temas seus e de outros (Raul Ferrão, Max, populares...).

Pedro Caldeira Cabral - «Memórias da Guitarra Portuguesa/A Guitarra do Século XVIII» (CD 2003 Tradisom). Instrumentista, investigador, especialista em música antiga, Pedro Caldeira Cabral (na foto) é também um apaixonado pela guitarra portuguesa. Neste disco duplo, Cabral vai em busca de formas clássicas/eruditas (embora não se resuma a isto) interpretadas em guitarra portuguesa: pavanas, sonatas, tocatas, minuetos...

Ricardo Rocha - «Voluptuária» (CD 2003 Vachier & Associados) e «Tributo à Guitarra Portuguesa» (CD 2004 Público/Vachier & Associados). O mais talentoso guitarrista de Lisboa da nova geração, Ricardo Rocha tanto inova, revoluciona e leva a guitarra para novos e inexplorados territórios (no álbum em solo absoluto - excepto quando é acompanhado por cravo e violino - e maioritarimente com composições suas, «Voluptuária») como é respeitoso e reverente na transmissão de temas de compositores do passado como Armandinho, José Nunes, Domingos Camarinha, José Cavalheiro ou Jaime Santos (em «Tributo à Guitarra Portuguesa», em que é acompanhado pela viola de Paquito).

Vários - «Guitarra Diversa» (CD 2004 Músicactiva). Álbum editado com o apoio de Coimbra - Capital Nacional da Cultura, inclui participações de Ricardo Rocha, Pedro Caldeira Cabral, Nuno Rebelo, Cândido Lima e Paulo Soares.

Vários - «Guitarras do Fado - Ao Vivo na Aula Magna» (CD 2001 EMI-VC). Inclui gravações ao vivo de Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Mário Pacheco, Manuel Mendes, Paulo Parreira e Ricardo Rocha.

13 novembro, 2006

Cromos Raízes e Antenas IV



Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo IV.1 - Nusrat Fateh Ali Khan



O cantor paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan (nascido a 13 de Outubro de 1948, em Faisalabad, Paquistão; falecido a 16 de Agosto de 1997, em Londres, Inglaterra) foi o maior embaixador do qawwali, o canto sagrado dos sufis (um dos ramos do islamismo). Amado no seu país natal e no Ocidente (onde colaborou com gente como Peter Gabriel, Michael Brook ou Eddie Vedder, dos Pearl Jam, para além de ter sido homenageado por Jeff Buckley, no álbum «Live at Sin-é», em que se ouve Buckley dizer «Nusrat é o meu Elvis»), era também muitíssimo admirado na Índia - país «inimigo» do Paquistão -, onde fez duetos com vedetas de Bollywood como Asha Bhosle. Com uma voz potente, incrivelmente bem timbrada e inimitável, Nusrat foi o continuador - apesar de ter dado passos decisivos para a renovação do género - de uma tradição musical que, na sua família, remonta a seis séculos de interpretação de qawwali, seguindo as pisadas do pai, o também respeitadíssimo cantor Ustad Fateh Ali Khan. Deixou inúmeros continuadores, nomeadamente os seus sobrinhos agrupados no Rizwan-Muazzam Qawwali.


Cromo IV.2 - Djembé



O djembé é, provavelmente, um dos mais antigos instrumentos de percussão da humanidade. Com um corpo oco de madeira e coberto por uma pele de bovídeo,, o djembé desenvolveu-se na região ocidental de África, sendo um dos instrumentos mais importantes da música mandinga (juntamente com a kora, o balafon e o n'goni) e, desde há algumas décadas, um instrumento emblemático de toda a música africana em geral e de muita «world music» exterior a África, jazz e até algum rock. A sua invenção é atribuída a antiquíssimos artesãos mandingas (os «numus»), que teriam difundido o djembé por toda a África Ocidental durante o primeiro milénio antes de Cristo. Uma lenda comum a vários povos refere que o djembé contém três almas: a da árvore que cedeu a madeira, a do animal que cedeu a pele e a do homem que o fabricou. Alguns intérpretes importantes de djembé: Mamady Keita, Thione Diop, Abdoulaye Diakite, Babatunde Olatunji e Famoudou Konaté. E um filme que lhe presta justiça: «O Visitante», realizado por Thomas McCarthy.


Cromo IV.3 - Carlos Paredes



Génio absoluto da guitarra portuguesa, Carlos Paredes (nascido em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925; falecido em Lisboa a 23 de Julho de 2004) foi o maior responsável pela emancipação deste instrumento e pela percepção de que a guitarra não tem que ser necessariamente o humilde acompanhante dos cantores de fado. Apesar de antes dele já ter havido, em Lisboa e em Coimbra - onde o pai de Carlos, Artur Paredes, foi um dos pioneiros da autonomização da guitarra portuguesa -, outros músicos a fazer o mesmo movimento, foi Carlos Paredes que deu à guitarra portuguesa uma voz própria, brilhante, inventiva, a um mesmo tempo terna, mágica e revoltada. E apesar de ter gravado com outros músicos (de Charlie Haden a António Victorino d'Almeida e os Madredeus) era sempre sozinho, ou com os seus companheiros mais íntimos, como Fernando Alvim ou Luísa Amaro (a discípula e companheira que agora transporta e reinventa muito do seu legado) que se sentia melhor. Álbuns aconselhados: «Guitarra Portuguesa», «Movimento Perpétuo» e «Espelho de Sons».


Cromo IV.4 - Firewater



Liderados por Tod A. (Tod Ashley, ex-Cop Shoot Cop), os Firewater formaram-se em 1995 e deram um abanão na cena musical nova-iorquina ao destilarem uma música negra e sombria, mas a espaços iluminada - e com que luz! - por sonoridades geralmente estranhas ao rock como a música de cabaret, de circo e de strip-tease, jazz, klezmer, mariachis e blues sangrentos. Com Nick Cave, Tom Waits, Henry Mancini, Lee Hazlewood e Johnny Cash como referências maiores, os Firewater lançaram alguns álbuns - «Get Off The Cross (We Need The Wood For The Fire)», «The Ponzi Scheme», «Psychopharmacology», «The Man on the Burning Tightrope» e «Songs We Should Have Written» -, antes de Tod A. ter partido para a Índia, alegadamente por já não suportar viver no país liderado por George W Bush. O último álbum da banda, «The Golden Hour» (2008), mostra-a num pico de forma absoluto!