E mais uma barrigada de bons concertos se aproxima, todos no magnífico Festim, que decorre em vários concelhos do centro do país. Aliás, com nomes como os de Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro (Líbano/Portugal),
Wazimbo (Moçambique), Susheela Raman (Índia; na foto), D'Callaos (Espanha), The Klezmatics (EUA) e H'Sao (Chade) nem outra coisa seria de esperar.
Este ainda não é o comunicado oficial, mas já dá para ter uma ideia:
«Rabih Abou-Khalil (Líbano)
Com um percurso musical à escala do globo, Rabih Abou-Khalil desconstrói as fronteiras estéticas e mistura a tradição árabe com jazz, rock e música erudita, elevando a interpretação do alaúde a um sublime virtuosismo, em sonoridades atrevidas e, ao mesmo tempo, magnéticas. Foi neste exercício de ousadia musical que surgiu a fusão do músico libanês com o Fado e a voz apaixonante de Ricardo Ribeiro. Este ano no Festim, um encontro a não perder!
Rabih Abou-Khalil alaúde Ricardo Ribeiro voz Luciano Biondini acordeão.
Wazimbo (Moçambique)
Muito calor africano ao ritmo da ‘marrabenta’, género típico de Maputo, é o que podemos esperar dos concertos de Wazimbo no Festim. Uma das maiores vozes de Moçambique, o carismático e veterano artista engrossou a presença da lusofonia na world music nos últimos anos, com várias tournées internacionais. Nas cruzadas influências da música moçambicana com o folk e a pop, Wazimbo traz ao Festim uma performance de "arrabentar"!
Wazimbo voz Deodato Siquir bateria e voz Olli Rantala baixo eléctrico David Back piano.
Susheela Raman (Índia)
Todo o misticismo e ancestralidade da Índia pela voz poderosa e envolvente de Susheela Raman. Criada no contexto urbano ocidental, mas de ascendência cultural Tamil, a música tradicional deste povo indiano ganha nova expressão com a fusão de jazz-folk e pop que a cantora naturalmente provoca. Os seus concertos tanto nos levam a viajar pelos sons mais enigmáticos, como a fazer parte de um verdadeiro transe colectivo. Só mesmo no Festim! Susheela Raman voz Sam Mills guitarra Aref Durvesh tablas Pirashanna Thevarajah percussão.
H’Sao (Chade)
Da aridez do deserto do Chade, no centro de África, chega-nos a cumplicidade a 4 vozes dos H'Sao. Em estreia absoluta em Portugal, estes irmãos e amigos de infância cruzam na perfeição os ritmos afro com o jazz e o gospel. Alternam um impressionante registo a capella com o virtuosismo enquanto instrumentistas. A intensidade e energia vital das suas performances fazem de H’Sao a grande revelação da francofonia africana. Afro-pop a vozes para fechar, da melhor forma, o Festim 2013!
Israel Rimtobaye voz + piano Caleb Rimtobaye voz + guitarra Mossbasss Rimtobaye voz + baixo Dono Bei Ledjebgue voz + bateria.
The Klezmatics (EUA)
O Festim cruza o Atlântico para trazer o mais conceituado grupo de música klezmer do mundo. Oriundos do turbilhão multicultural de Nova Iorque, este quinteto faz de cada concerto uma celebração vibrante das mais antigas melodias judaicas com contagiantes influências contemporâneas, como o rock e o jazz norte-americano. The Klezmatics são uma verdadeira instituição, um nome maior para a galeria do Festim!
Lorin Sklamberg guitarra, acordeão, piano Matt Darriau sax, clarinete, flauta Lisa Gutkin violino Paul Morrissett baixo Richie Barshay bateria.
D’Callaos (Espanha)
Novo flamenco em ebulição. Junte-se a rumba catalana, boas pitadas de jazz e um cheirinho de pop-rock: eis a fusão que chega de Barcelona pela imaginação e talento dos D'Callaos, uma banda que tem na encantadora performance de “La Canija’, cantora de um exuberante talento, a marca da frescura da sua música. Uma performance acústica, directa ao coração do público, sem purismos mas com toda a alma. A reinvenção flamenca invade os palcos do Festim!
Maribel Martín ‘La Canija’ voz Daniel Felices guitarra flamenca Carlos Felices contrabaixo Sergio Martín percussão.
Calendário:
Rabih Abou-Khalil e Ricardo Ribeiro (Líbano/Portugal)
Sex 21 Junho ÁGUEDA
Sáb 22 Junho ESTARREJA
Wazimbo (Moçambique)
Sex 28 Junho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 29 Junho SEVER DO VOUGA
Susheela Raman (Índia)
Sex 5 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 6 Julho SEVER DO VOUGA
D'Callaos (Espanha)
Qui 11 Julho ÁGUEDA
Sex 12 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
The Klezmatics (EUA)
Qui 18 Julho ÁGUEDA
Sex 19 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 20 Julho SEVER DO VOUGA
H'Sao (Chade)
Qui 25 Julho ÁGUEDA
Sex 26 Julho AVEIRO
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16 maio, 2013
Festim 2013 - O Programa Completo!
E mais uma barrigada de bons concertos se aproxima, todos no magnífico Festim, que decorre em vários concelhos do centro do país. Aliás, com nomes como os de Rabih Abou-Khalil com Ricardo Ribeiro (Líbano/Portugal),
Wazimbo (Moçambique), Susheela Raman (Índia; na foto), D'Callaos (Espanha), The Klezmatics (EUA) e H'Sao (Chade) nem outra coisa seria de esperar.
Este ainda não é o comunicado oficial, mas já dá para ter uma ideia:
«Rabih Abou-Khalil (Líbano)
Com um percurso musical à escala do globo, Rabih Abou-Khalil desconstrói as fronteiras estéticas e mistura a tradição árabe com jazz, rock e música erudita, elevando a interpretação do alaúde a um sublime virtuosismo, em sonoridades atrevidas e, ao mesmo tempo, magnéticas. Foi neste exercício de ousadia musical que surgiu a fusão do músico libanês com o Fado e a voz apaixonante de Ricardo Ribeiro. Este ano no Festim, um encontro a não perder!
Rabih Abou-Khalil alaúde Ricardo Ribeiro voz Luciano Biondini acordeão.
Wazimbo (Moçambique)
Muito calor africano ao ritmo da ‘marrabenta’, género típico de Maputo, é o que podemos esperar dos concertos de Wazimbo no Festim. Uma das maiores vozes de Moçambique, o carismático e veterano artista engrossou a presença da lusofonia na world music nos últimos anos, com várias tournées internacionais. Nas cruzadas influências da música moçambicana com o folk e a pop, Wazimbo traz ao Festim uma performance de "arrabentar"!
Wazimbo voz Deodato Siquir bateria e voz Olli Rantala baixo eléctrico David Back piano.
Susheela Raman (Índia)
Todo o misticismo e ancestralidade da Índia pela voz poderosa e envolvente de Susheela Raman. Criada no contexto urbano ocidental, mas de ascendência cultural Tamil, a música tradicional deste povo indiano ganha nova expressão com a fusão de jazz-folk e pop que a cantora naturalmente provoca. Os seus concertos tanto nos levam a viajar pelos sons mais enigmáticos, como a fazer parte de um verdadeiro transe colectivo. Só mesmo no Festim! Susheela Raman voz Sam Mills guitarra Aref Durvesh tablas Pirashanna Thevarajah percussão.
H’Sao (Chade)
Da aridez do deserto do Chade, no centro de África, chega-nos a cumplicidade a 4 vozes dos H'Sao. Em estreia absoluta em Portugal, estes irmãos e amigos de infância cruzam na perfeição os ritmos afro com o jazz e o gospel. Alternam um impressionante registo a capella com o virtuosismo enquanto instrumentistas. A intensidade e energia vital das suas performances fazem de H’Sao a grande revelação da francofonia africana. Afro-pop a vozes para fechar, da melhor forma, o Festim 2013!
Israel Rimtobaye voz + piano Caleb Rimtobaye voz + guitarra Mossbasss Rimtobaye voz + baixo Dono Bei Ledjebgue voz + bateria.
The Klezmatics (EUA)
O Festim cruza o Atlântico para trazer o mais conceituado grupo de música klezmer do mundo. Oriundos do turbilhão multicultural de Nova Iorque, este quinteto faz de cada concerto uma celebração vibrante das mais antigas melodias judaicas com contagiantes influências contemporâneas, como o rock e o jazz norte-americano. The Klezmatics são uma verdadeira instituição, um nome maior para a galeria do Festim!
Lorin Sklamberg guitarra, acordeão, piano Matt Darriau sax, clarinete, flauta Lisa Gutkin violino Paul Morrissett baixo Richie Barshay bateria.
D’Callaos (Espanha)
Novo flamenco em ebulição. Junte-se a rumba catalana, boas pitadas de jazz e um cheirinho de pop-rock: eis a fusão que chega de Barcelona pela imaginação e talento dos D'Callaos, uma banda que tem na encantadora performance de “La Canija’, cantora de um exuberante talento, a marca da frescura da sua música. Uma performance acústica, directa ao coração do público, sem purismos mas com toda a alma. A reinvenção flamenca invade os palcos do Festim!
Maribel Martín ‘La Canija’ voz Daniel Felices guitarra flamenca Carlos Felices contrabaixo Sergio Martín percussão.
Calendário:
Rabih Abou-Khalil e Ricardo Ribeiro (Líbano/Portugal)
Sex 21 Junho ÁGUEDA
Sáb 22 Junho ESTARREJA
Wazimbo (Moçambique)
Sex 28 Junho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 29 Junho SEVER DO VOUGA
Susheela Raman (Índia)
Sex 5 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 6 Julho SEVER DO VOUGA
D'Callaos (Espanha)
Qui 11 Julho ÁGUEDA
Sex 12 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
The Klezmatics (EUA)
Qui 18 Julho ÁGUEDA
Sex 19 Julho ALBERGARIA-A-VELHA
Sáb 20 Julho SEVER DO VOUGA
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30 julho, 2009
CCB Fora de Si Com Susheela Raman, Yungchen Lhamo, Etran Finatawa e Seun Kuti

A recta final do festival CCB Fora de Si apresenta, já a partir de sábado, uma bela mini-programação de world music. Com a anglo-indiana Susheela Raman, a tibetana Yungchen Lhamo, os tuaregues e wodaabe Etran Finatawa (na foto) e o nigeriano Seun Kuti. Ora veja-se o comunicado:
«SUSHEELA RAMAN / Índia
1 Ago - 22:00
PRAÇA MUSEU
ENTRADA LIVRE
Inglesa de origem indiana que passou parte da juventude na Austrália, reúne na sua música os vários continentes que formam a sua identidade. Detentora de uma extraordinária voz, é reconhecida pelas suas performances intensas e únicas. Susheela traz ao CCB uma sonoridade única que reúne a inevitável influência da música tradicional indiana com os ritmos folk, jazz, pop e rock. Surpreendente!
http://www.susheelaraman.com
YUNGCHEN LHAMO “AMA” / Tibete
8 Ago - 22:00
PRAÇA MUSEU
ENTRADA LIVRE
Após mais de uma década de surpreendentes performances, aclamação internacional e colaboração com os músicos Sheryl Crow, Michael Stipe ou Annie Lennox, Yungchen Lhamo tornou-se para muitos a voz do Tibete. Nasceu em Lhasa, mas aos 23 anos fugiu da opressão chinesa, atravessando os Himalaias e estabelecendo-se na Índia. Foi na Índia que iniciou a sua carreira musical, recordando as canções tradicionais que aprendera com a mãe e avó. Hoje, reside em Nova Iorque e a sua música reflecte a confluência da pureza e autenticidade da tradição tibetana e da contemporaneidade das sonoridades urbanas do melting pot nova-iorquino.
http://www.yungchenlhamo.com/discography.html
ETRAN FINATAWA / Níger
22 Ago - 22:00
PRAÇA MUSEU
ENTRADA LIVRE
Oriundo do Níger, um dos países mais pobres do mundo, o grupo Etran Finatawa é uma formação de tuaregues e wodaabe, dois povos nómadas com culturas e sonoridades muito diferentes que coabitam nesta região africana. A música dos Etran Finatawa (literalmente “as estrelas da tradição”) combina a riqueza de duas linguagens: tradicionalmente, os wodaabe não utilizam instrumentos e centram-se na voz e ritmos que convidam à dança; por sua vez, os tuaregues sempre recorreram a violinos e tambores para animar as suas músicas e danças. Blues do deserto na sua forma mais pura.
http://www.etranfinatawa.com
SEUN KUTI / Nigéria
29 Ago - 21:00
GRANDE AUDITÓRIO
PREÇO 5€
Filho do lendário Fela Kuti, dirige a banda Egypt 80. Herdou do seu pai a música por ele criada nos anos sessenta, o afro-beat, uma fusão entre o jazz, o funk e os ritmos africanos. As suas canções revelam uma preocupação pelas graves questões políticas e sociais que afectam a África, mas nem por isso perdem a energia e a alegria que caracterizam o afro-beat. Prepare-se para ficar fora de si!
http://www.myspace.com/seunkuti».
Mais informações, aqui.
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04 janeiro, 2007
Concertos World e Colaterais - 1ª Fornada de 2007

O ano de 2007 promete ser ainda melhor que os anteriores no que se refere a concertos de nomes da chamada world music (e áreas próximas ou periféricas) em Portugal. E, apesar de não se saber ainda se o Intercéltico do Porto se vai realizar este ano (as melhoras e um grande abraço, Avelino: há um grupo de mouros à espera de ser recebido mais uma vez no Porto de braços abertos) e se o Cantigas do Maio irá mesmo ressuscitar de alguma forma, pelos zunzuns que circulam por aí referentes a outros festivais (com o FMM de Sines à cabeça), este ano vai ser mesmo de arromba. Para já, aqui ficam alguns concertos que vão ter lugar já neste e nos próximos meses, quase todos eles tendo como fonte original o Crónicas da Terra, do camarada e amigo Luís Rei.
Já este mês, a cantora revelação da música cabo-verdiana, Mayra Andrade, actua, dia 20, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. E o grupo maior da música klezmer e das suas fusões com outras músicas, The Klezmatics, apresenta-se ao vivo, dia 24, na Culturgest, em Lisboa. A fechar o mês de Janeiro, o pianista dominicano Michel Camilo e o guitarrista espanhol de flamenco Tomatito tocam na Casa da Música, Porto, dia 31.
Em Fevereiro, dia 16, os magníficos e inclassificáveis Tuxedomoon tocam no Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre. E a cantora e compositora brasileira Cibelle (na foto, de Michel Figuet) regressa ao nosso país para quatro concertos: dia 21 no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, dia 22 no Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 23 no Theatro Circo, em Braga, e dia 24 no Teatro Virgínia, em Torres Novas.
Em Março, os delirantes israelitas, radicados nos Estados Unidos, Balkan Beat Box estreiam-se em Portugal com um concerto, dia 3, na Casa das Artes de Famalicão. O músico e compositor francês Yann Tiersen (famoso pelo seu trabalho no filme «Amélie») apresenta o seu novo álbum, «On Tour», dia 6 na Casa das Artes de Famalicão e dia 7 na Aula Magna, em Lisboa. A cantora inglesa de ascendência indiana Susheela Raman dá um concerto no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, no dia 10. E os lendários egípcios Musicians of The Nile sobem ao palco da Casa da Música, Porto, no dia 14. A encerrar em grande as «festividades» de Março, e ainda com o Norte de África como cenário, os marroquinos Master Musicians of Jajouka com Bachir Attar, acompanhados pelo pianista Jeff Cohen, participam numa homenagem aos escritor Paul Bowles, «Paul Bowles - Secret Words: A Suit of Six Songs», dia 31, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Finalmente, em Maio, dia 23, o quarteto de cordas completamente «desalinhado» norte-americano Kronos Quartet actua no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre.
28 setembro, 2006
Susheela Raman - Da Jóia da Coroa

Entre a Índia e o Ocidente, a cantora Susheela Raman tem construído uma carreira coerente e frutuosa. Há alguns meses editou o arriscado álbum «Music For Crocodiles», onde esse instável equilíbrio (estético e até emocional) entre as suas raízes e músicas mais cosmopolitas está bem patente. Esta entrevista - publicada originalmente em Novembro de 2003, aquando da sua vinda ao Sons em Trânsito, em Aveiro - ajuda a explicar os seus caminhos musicais...
SUSHEELA RAMAN
OS BRAÇOS DE KALI
Uma das grandes revelações da chamada world music nos últimos anos, Susheela Raman avança corajosamente pela pop, pelos blues, pela música clássica e pela música popular indiana, por África e Tuva e Espanha e por aí fora... Como se a deusa Kali, nas suas muitas mãos, segurasse diferentes tipos de música em cada uma.
Susheela Raman tem 30 anos. Nasceu em Londres, filha de pais indianos, e emigrou para a Austrália ainda criança. Em 1995 vai para a Índia estudar canto e música clássica indiana com Shruti Sadolikar. Regressa a Inglaterra em 1997, onde conhece Sam Mills, músico e produtor que fez parte dos 23 Skidoo (banda que, no início dos anos 80, foi percursora na fusão de ritmos de dança ocidentais com músicas étnicas) e que tinha acabado de gravar um álbum com o cantor indiano Paban das Baul. O clique entre Susheela e Sam é imediato: companheiros na vida e na criação musical, os dois atiram-se à grande aventura: fundir com bom-gosto, elegância e inventividade a música clássica do sul da Índia com a pop, os blues, o reggae, o jazz, a música do Mali e de outras partes do mundo, e sempre com a voz de Susheela a brilhar por cima. O resultado, «Salt Rain», editado em 2001, é assombroso e valeu-lhe o prémio BBC-Radio 3 na categoria World Music-Revelação e uma nomeação para o Mercury Prize. Dois anos depois, surge «Love Trap», um passo à frente e a descoberta de outras músicas: a música popular indiana (e não só a clássica de compositores oitocentistas como Tyagaraja e Dikshitar), o flamenco, o afro-beat nas peles de Tony Allen (que foi baterista de Fela Kuti) ou o «throat-singing» característico de Tuva levado por dois dos Yat-Kha. Dia 29, em Aveiro, vamos poder ouvi-la em concerto.
Como é que descobriu a música clássica indiana? Na infância?
Sim, era muito nova. A minha mãe tinha um grande interesse nesse género de música e pôs-me em contacto com ele. Gostava muito, mas esse interesse esbateu-se quando tinha quinze anos...
Porquê? Preferia ouvir outro tipo de música na adolescência?
Sim. Comecei a ouvir muito rock, pop; Beatles, Rolling Stones... E comecei a interessar-me por vozes femininas da pop como Annie Lennox (dos Eurythmics) e por cantoras soul como Aretha Franklin.
Também ouvia grupos de origem indiana radicados em Inglaterra como os Asian Dub Foundation ou os Fun-da-Mental?
Nem por isso. Vivi na Austrália muitos anos e só quando voltei a Inglaterra é que conheci o trabalho desses grupos.
E agora, o que é que ouve?
Muita coisa. Gosto muito da cantora peruana Susana Baca e da música de Tuva. Gosto de blues. E também gosto dos Radiohead e de PJ Harvey. Tenho gostos muito variados.
Na início da sua carreira pública cantou com o grupo de etno-house Joi. Isso foi importante?
Na verdade, não. Nos Joi, era apenas uma cantora contratada e não fazia parte do grupo. Limitei-me a pôr a voz em coisas deles.
Quando conheceu Sam Mills, a sua alma-gémea na música, percebeu logo que ele viria a ser importante para si?
Sim, fiquei logo apaixonada. Foi amor à primeira-vista, pelo menos da minha parte (risos).
Mas eu estava a falar de música...
Sim, mas isso só veio depois. Conheci-o num gabinete de «publishers» e ele disse-me aquela frase clássica «Não nos conhecemos de algum lado?». Mas fiquei logo apaixonada. Depois passámos um ano sem trabalhar em música; viajámos pela Índia...
Havia coisas mais importantes para fazer...
Sim (risos).
Há diferenças na maneira de trabalhar quando abordam as canções originais e quando fazem versões de canções indianas ou outras versões (como «Song To The Siren» ou «Save Me»)?
Sim. Numa canção como «Maya», por exemplo, a letra e a melodia são minhas e depois o Sam faz as harmonias e arranjos. Essa é uma maneira de trabalhar. Também podemos pegar numa melodia do Sam e eu trabalho-a depois para a minha voz. Com as canções clássicas indianas, pegamos nas letras e nas músicas originais e o Sam faz as harmonias. O «Song To The Siren» surgiu num outro projecto e fiquei apaixonadíssima por esta canção do Tim Buckley. Adoro-a. E ela vai ficando cada vez mais intensa à medida que a vou cantando, uma e outra vez, ao vivo. Esta canção tem o mesmo grau de espiritualidade que muitas canções indianas.
No seu primeiro álbum, «Salt Rain», canta algumas canções clássicas do sul da Índia. No segundo, «Love Trap», também interpreta canções populares e do norte da Índia. Quais são as diferenças mais significativas entre umas e outras?
Há diferenças de línguas e de construção musical. Mas depende... Por exemplo, «Sakhi Maro» é uma canção devocional, religiosa; não é clássica. Mas há muitas semelhanças entre as canções devocionais em toda a Índia. Já «Ye Meera Divanapan Hai» é uma canção retirada de um filme indiano. As grandes diferenças estão nas músicas clássicas do sul e do norte, mas não canto música clássica do norte...
Mas sente algumas diferenças siginificativas entre o primeiro e o segundo álbum?
Sim. O segundo tem mais ritmo, mais percussões, mais «groove». E é mais denso - no sentido que tem mais elementos musicais -, mais intenso, mais elaborado, com mais energia. Há pessoas que gostam do muito do primeiro mas já não gostam do segundo álbum; que preferiam que não tivesse mudado. Mas não podemos ficar a fazer o mesmo disco para sempre... O próximo álbum também vai ser diferente deste.
Numa entrevista, disse que se via mais como uma cantora pop do que como uma cantora de world music... Mas os músicos com que trabalha e que convida para os seus discos vêm quase todos de diferentes partes do mundo...
Isso é tudo muito relativo. Conhece o Johnny Halliday?
Sim, o rocker francês.
Pois, o outro dia entrei numa loja em Londres e ele estava na secção de world music (risos). Onde é que vocês, em Portugal, metem a Mariza? Ela, para vocês, é world music?
Não; é fado.
É isso que eu quero dizer. Muitas vezes, a designação world music não faz sentido. Muitas das pessoas que trabalham e gravam comigo vêm de géneros musicais diferentes. E muitos vivem em Londres e em Paris. A ideia não é reunir pessoas da world music, mas pessoas de diferentes culturas. Nunca disse: vamos fazer um disco de world music... (risos)
A Susheela canta em inglês mas também em diferentes línguas indianas (hindi, tamil, sânscrito...). Fala alguma delas no seu dia-a-dia ou tem que as aprender para cantar nessas línguas?
Eu falava tamil com os meus pais quando era criança e já cantava nalgumas dessas línguas. Infelizmente, neste momento não falo com ninguém em tamil porque os meus pais foram viver para a Índia. O Sam fala bastante bem uma língua da Índia, bengali, mas estou a pensar ensinar-lhe tamil. Apesar de ser difícil: é difícil dizer palavras como «uárrââparââm» (Nota: tentativa, provavelmente mal conseguida, de transcrição fonética...).
Ganhou um prémio da BBC; já fez várias digressões... Como é que está a lidar com o sucesso?
É um sucesso relativo. Mas é verdade que os últimos anos têm sido muito cansativos. Andar de país em país, de concerto em concerto, de aparição na TV em aparição na TV... Tenho que parar e fazer férias durante um mês. Principalmente para pensar. Mas não acho que esteja uma pessoa diferente... Estou, isso sim, cada vez mais confiante em cima de um palco. Estou a ficar uma melhor performer...
Dentro de alguns dias vai actuar pela primeira vez em Portugal. Quem é que a acompanha e como é o seu som ao vivo?
É mais forte, mais físico, tem mais energia. Não vamos duplicar o som do disco - mais a mais, sairia caríssimo levar os músicos todos para cima do palco (risos). Ao vivo sou eu, o Sam, Djanuno Dabo - percussionista da Guiné-Bissau -, e outro percussionista, Aref Durvesh - mas este é capaz de não ir porque está com alguns problemas. Mas eu gosto da luta de percussões africanas e indianas - é dinamite. E também um baixista.
Tem uma canção, «Woman», dedicada à deusa Kali. A Susheela concorda se eu disser que tem muitos braços e um género musical diferente em cada mão?
Sim, porque não?... Essa é uma boa maneira de ver a minha música...
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22 agosto, 2006
Cacharolete de Discos (Parte 127)

E mais uma selecção de críticas a álbuns saídos há alguns meses, publicadas originalmente no BLITZ. Desta vez, Salif Keita, SambaSunda (na foto), Susheela Raman, DJ Marlboro (e o baile funk das favelas brasileiras) e uma colectânea comemorativa da importantíssima editora africana Syllart.
SALIF KEITA
«M’BEMBA»
Universal
Cantor maliano rodeado de vozes e cordas que o levam ao céu.
O novo álbum de Salif Keita continua a sua viagem de regresso às raízes da música mandinga – tendência já registada no álbum «Moffou» (2002) –, depois de ter flirtado durante muito tempo com géneros, digamos, ocidentais (o jazz, o funk...). Em «M’Bemba» ainda há alguns traços dessa «ocidentalização» - como no segundo tema, o lindíssimo «Laban», com um baixo eléctrico suavemente funk – mas é maioritariamente ocupado por música que só pode vir dali, do Mali e das zonas limítrofes. Rodeado por uma banda fabulosa (onde se inclui Kante Manfila na guitarra acústica) e por alguns convidados de luxo como o cantor de reggae Buju Banton (num tema fortíssimo, «Ladji», que faz naturalmente a ponte entre o Mali e a Jamaica) ou Toumani Diabaté (em kora no maravilhoso tema-título), Keita assina um álbum que é uma festa de vozes (a dele e de coros femininos), cordas (muitas) e percussões. (8/10)SAMBASUNDA
«RAHWANA’S CRY»
Network/Megamúsica
Da Indonésia conhecemos, geralmente, os gamelões (orquestras de xilofones de metal ou de bambu, gongos e outras percussões), a música de Bali (o «kecak» ou «canto dos macacos») e pouco mais. É, por isso, uma surpresa grande depararmo-nos com um álbum como «Rahwana’s Cry». Oriundos do oeste da ilha de Java, os SambaSunda são uma imensa trupe (cerca de quinze elementos) liderada por Ismet Ruchimat, compositor de boa parte dos temas do grupo. E, sem nunca recorrer a instrumentos «modernos» (guitarras eléctricas, sintetizadores...), conseguem criar uma música viva, alegre e de uma modernidade absoluta, cheia de groove e transe e melodias lindíssimas, misturando vários géneros do arquipélago e recorrendo quase sempre a instrumentos locais (o violino e o djembé são excepções). Ah, e têm também uma excelente voz feminina (Rita Tila). (8/10)VÁRIOS
«20 YEARS HISTORY - THE VERY BEST OF SYLLART PRODUCTIONS»
Syllart/Sono/Megamúsica
O produtor e editor Ibrahima Sylla é uma lenda da música africana. Senegalês de origem nobre, falante de várias línguas do seu país e dos países limítrofes (mandinga, bambara, wolof, foula...), irmão e primo-direito de 63 rapazes e raparigas, estudante de economeia e gestão em Paris, Sylla tinha a cabeça bem aberta - quando começa a trabalhar, durante os anos 70, no estúdio Golden Baobab, com a Orchestra Baobab ou a Étoile de Dakar (de Youssou N'Dour). A partir daí, produz, edita dezenas de artistas africanos e inventa, no princípio dos anos 80, o super-grupo Africando. A sua Syllart Productions - aqui representada numa caixa com 5 discos - agrupa muitos dos maiores artistas do Senegal, Mali, Congo, vai às raízes da música africana e atira-se ao futuro, em fusões com muitas outras músicas (o último CD inclui reggae, funk, hip-hop africanos...). Um documento incontornável da música africana. (9/10)SUSHEELA RAMAN
«MUSIC FOR CROCODILES»
Narada/EMI
Cantora de origem indiana grava pela primeira vez com indianos... para fazer um disco ocidental.
Ao terceiro álbum, a cantora inglesa de origem indiana Susheela Raman dá o primeiro semi-passo em falso da sua carreira. Não que o álbum seja mau – não é! – mas porque é um álbum nitidamente desequilibrado. Tem uma primeira parte cantada em inglês, com ambientes entre Sade e Dido e com tablas e sitar a apimentarem o conjunto. É boa pop com caril mas pouco mais. As coisas melhoram bastante a meio do álbum (curiosamente com um tema jazzy-exotica-fumegante em inglês, «Meanwhile», a cheirar a Cassandra Wilson) antes de se atirar, e bem, a canções tradicionais do sul da Índia (e até a uma bonita balada em francês), sabiamente transpostas para a modernidade. A fechar, «Leela» é novamente cantado em inglês mas é uma chave perfeita para um álbum imperfeito. (6/10)DJ MARLBORO
«FAVELA FUNK»
Different World/Musicactiva
O baile funk (também conhecido como funk carioca) nasceu nas favelas do Rio de Janeiro, ainda nos anos 70, então com sound-systems ao jeito jamaicano que debitavam soul, funk e disco-sound em festas comunitárias. Nos últimos anos, no entanto, o estilo conhecido como baile funk deve quase tudo aos ritmos e electrónicas sacados ao Miami Bass, mas com letras «rappadas» em português e um calor que só poderia sair do Brasil. E é um movimento imparável nesse país – à semelhança do que acontece com o reggaeton em Porto Rico, o kuduro em Angola ou o kwaito na África do Sul -, onde desceu da favela para as zonas de classe média do Rio de Janeiro, alastrou a outros pontos do Brasil («o nosso som é de raiz, saiu lá da favela e se espalhou pelo país», diz MC Gallo, em «Funk das Favelas»), e é dançado em festas frequentadas por milhares de pessoas, negras e brancas, ricas e pobres, nos bairros-de-lata ou nas discotecas cariocas ou paulistas da moda. E de que é feito o baile funk? Tal como «Favela Funk», colectânea escolhida por DJ Marlboro (um dos pioneiros e DJs mais respeitados do movimento) elucida bastante bem, é feito de electro, hip-hop, tecno, house, samba, música do nordeste do Brasil, dancehall jamaicano, disco-sound, ritmos africanos e samples variados. Aqui vale tudo, a começar por letras de consciencialização política e social («eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci») e a acabar em letras de forte carga erótica («a minha bochecha está ardendo», diz a Vanessinha do Picatchu, «se eu descer mais um pouquinho você vai ficar querendo...», responde o Krrasco... e não, não é das bochechas mais óbvias que eles falam) ou em descrições das festas ou da forma de dançar o género («bate o pé... bate o bumbum...»). A colectânea integra nomes (as designações são divertidíssimas) como Cidinho e Doca, Força do Rap, Os Tchutchukos, Bonde do Tigrão, Os Krrascos & Vanessinha do Picatchu, Ganga Jump ou Jah Mai. Para ouvir (e, claro, dançar) sem preconceitos de espécie nenhuma... (7/10)
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