O Festival Lisboa Mistura -- sempre organizado pela Sons da Lusofonia -- integra este ano o programa das Festas de Lisboa. Aqui vai:
«Lisboa Mistura – Músicas do Mundo
O Lisboa Mistura, desde 2006 um projecto intercultural com um sólido percurso, renova-se em 2013 integrando o programa das Festas de Lisboa. Para este desafio, a Associação Sons da Lusofonia e a EGEAC convidaram um grupo de consultores para a programação do Lisboa Mistura – Músicas do Mundo. Deste colectivo nasce um Lisboa Mistura renovado e assume-se como um novo espaço cultural, destinado ao conhecimento e à inscrição de novas linguagens e tendências culturais. Num diálogo intemporal entre o Castelo, metáfora de todas as origens, e o Martim Moniz, novo fórum de uma cidade contemporânea e diversa, em Junho, o Lisboa Mistura, que volta a trazer, com as Oficinas Portáteis de Arte os bairros da periferia ao centro, reafirma inequivocamente a nossa vocação de cidade-mundo.
Programa:
13 Junho
22h, Martim Moniz
Kiran Ahluwalia (Índia; na foto)
23h30, Martim Moniz
Baloji (Congo)
14 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Aziz Sahmaoui & The University of Gnawa (Marrocos)
15 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Tony Allen (Nigéria)
20 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Kouyate – Neerman (Mali)
21 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Zap Mama (Bélgica)
22 Junho
22h, Martim Moniz
Family Atlantica (Venezuela)
23h30, Martim Moniz
Omar Souleyman (Síria)
14 > 22 Junho
18h30, Martim Moniz
OPA – Oficinas Portáteis de Arte
Preços
Castelo de S. Jorge: 8€
Praça Martim Moniz: Gratuito
Mais informações
http://www.sonsdalusofonia.com/
https://www.facebook.com/associacaosonslusofonia
http://www.festasdelisboa.com/festas2013/evento/lisboa-mistura-festival-musicas-do-mundo/
Mostrar mensagens com a etiqueta Tony Allen. Mostrar todas as mensagens
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03 junho, 2013
E Agora... O Lisboa Mistura!
O Festival Lisboa Mistura -- sempre organizado pela Sons da Lusofonia -- integra este ano o programa das Festas de Lisboa. Aqui vai:
«Lisboa Mistura – Músicas do Mundo
O Lisboa Mistura, desde 2006 um projecto intercultural com um sólido percurso, renova-se em 2013 integrando o programa das Festas de Lisboa. Para este desafio, a Associação Sons da Lusofonia e a EGEAC convidaram um grupo de consultores para a programação do Lisboa Mistura – Músicas do Mundo. Deste colectivo nasce um Lisboa Mistura renovado e assume-se como um novo espaço cultural, destinado ao conhecimento e à inscrição de novas linguagens e tendências culturais. Num diálogo intemporal entre o Castelo, metáfora de todas as origens, e o Martim Moniz, novo fórum de uma cidade contemporânea e diversa, em Junho, o Lisboa Mistura, que volta a trazer, com as Oficinas Portáteis de Arte os bairros da periferia ao centro, reafirma inequivocamente a nossa vocação de cidade-mundo.
Programa:
13 Junho
22h, Martim Moniz
Kiran Ahluwalia (Índia; na foto)
23h30, Martim Moniz
Baloji (Congo)
14 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Aziz Sahmaoui & The University of Gnawa (Marrocos)
15 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Tony Allen (Nigéria)
20 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Kouyate – Neerman (Mali)
21 Junho
22h, Castelo de São Jorge
Zap Mama (Bélgica)
22 Junho
22h, Martim Moniz
Family Atlantica (Venezuela)
23h30, Martim Moniz
Omar Souleyman (Síria)
14 > 22 Junho
18h30, Martim Moniz
OPA – Oficinas Portáteis de Arte
Preços
Castelo de S. Jorge: 8€
Praça Martim Moniz: Gratuito
Mais informações
http://www.sonsdalusofonia.com/
https://www.facebook.com/associacaosonslusofonia
http://www.festasdelisboa.com/festas2013/evento/lisboa-mistura-festival-musicas-do-mundo/
11 maio, 2012
FMM de Sines -- Agora, as Trocas e Misturas
Veja-se só:
«Colaborações intercontinentais em destaque no FMM Sines
A 14.ª edição do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, a realizar em Sines em julho, é marcada por vários projetos de colaboração entre músicos de continentes diferentes. Entre eles estão as novas confirmações do programa: a estreia dos portugueses Dead Combo ao vivo com o americano Marc Ribot, o projeto Zita Swoon Group, do belga Stef Kamil Carlens com dois griots do Burkina Faso, a parceria entre a orquestra suíça Imperial Tiger Orchestra e a cantora etíope Hamelmal Abaté, a dupla franco-maliana Kouyaté-Neerman e o encontro de duas grandes cidades musicais do mundo, Detroit (EUA) e Lagos (Nigéria), através do baterista Tony Allen.
21 DE JULHO: DEAD COMBO feat. MARC RIBOT (Portugal / EUA)
O FMM Sines 2012 recebe o primeiro concerto do duo português Dead Combo (na foto) com o guitarrista americano Marc Ribot, uma das suas referências estéticas. Formados em 2003, os Dead Combo (Tó Trips e Pedro Gonçalves) são um dos melhores projetos musicais portugueses da última década, com cinco discos amados pelo público e reconhecidos pela crítica em Portugal e fora de portas. “Lisboa Mulata”, o álbum de 2011 centrado na identidade multicultural da capital portuguesa, teve a colaboração de Marc Ribot em algumas das suas faixas, mas essa colaboração foi feita à distância, utilizando as novas tecnologias. Aproveitando a presença do músico americano em Sines, para um concerto no mesmo dia com o seu projeto Los Cubanos Postizos, é possível juntá-los pela primeira vez ao vivo.
21 DE JULHO: IMPERIAL TIGER ORCHESTRA & HAMELMAL ABATÉ (Suíça / Etiópia)
A Imperial Tiger Orchestra é uma orquestra de jovens músicos suíços inspirada na série “Éthiopiques”, que revelou ao público ocidental a riqueza da música popular etíope feita nos anos 1960 e 1970. Raphaël Anker, trompetista de Genebra, foi o mentor do projeto, acompanhado por um conjunto de instrumentistas vindos do free jazz, do prog rock, da soul e do funk. A orquestra recria o repertório da era dourada da música etíope, mas igualmente das ricas décadas de 1980 e 1990. Em Sines, a orquestra, uma estrutura exuberante com músicos, bailarinos e instrumentos etíopes e ocidentais, tem a participação da cantora Hamelmal Abaté, uma das maiores estrelas da música etíope, com oito discos gravados e uma carreira feita no seu país e nos EUA. O disco “Mercato”, gravado pela orquestra em 2011, é a base do repertório.
27 DE JULHO: KOUYATÉ-NEERMAN (França / Mali)
O projeto Kouyaté-Neerman cria música nova nas fronteiras entre o jazz, o rock alternativo e a música tradicional. No balafon oeste-africano temos Lansiné Kouyaté, griot maliano residente em Paris. No vibrafone temos David Neerman, francês com formação clássica em piano e percussões. Juntos há oito anos, procuraram deste o início desenvolver uma estética em que, mais do que procurar raízes comuns, a prioridade é inventar novos territórios. Depois da estreia em disco com “Kangaba” (2008), acabam de lançar “Skyscrapers & Deities”, um álbum em que as suas culturas principais são estruturantes, mas onde há influências de rock, música de cinema, dub e música etíope. A secção rítmica é constituída por Antoine Simoni (baixo) e David Aknin (bateria).
27 DE JULHO: ZITA SWOON GROUP (Bélgica / Burkina Faso)
O projeto mais recente do Zita Swoon Group junta o músico belga Stef Kamil Carlens (ex-dEUS) aos griots Awa Démé (cantora) e Mamadou Diabaté Kibié (balafon), oriundos do Burkina Faso. Depois de um período de permanência e trabalho conjunto naquele país africano, o encontro resultou na gravação do disco “Wait for Me”, com edição Crammed, um dos discos de 2012 na área do cruzamento de culturas. As canções, com a simplicidade estrutural de canções pop, tratam de aspetos da experiência da vida em África e são cantadas pela voz de Awa, na língua mandinga Dioula, e em inglês, pela voz de Stef, que traduz, comenta e acrescenta. A paleta instrumental oferece cores de África e de blues colhidas em guitarras, balafon, harmónica, banjo, órgão, bateria e outras percussões.
28 DE JULHO: TONY ALLEN’S “BLACK SERIES” FEAT. AMP FIDDLER & TY (Nigéria / EUA / Reino Unido)
“Black Series” é um projeto entre duas cidades: Detroit (EUA), um dos centros essenciais da soul e da música negra em geral, e Lagos (Nigéria), berço do Afrobeat. O seu mentor é um dos génios rítmicos da música mundial, o baterista nigeriano Tony Allen, braço funk de Fela Kuti durante a revolução Afrobeat e, na sua carreira a solo, um exemplo de longevidade na criatividade. O representante de Detroit é Amp Fiddler, teclista e cantor cujo talento já ajudou a brilhar gente tão importante quanto Prince, Maxwell e George Clinton, este último nas teclas dos Parliament-Funkadelic durante uma década. No palco de Sines serão acompanhados pelo londrino Ty, um dos mais importantes rappers britânicos da atualidade, pelo baixista Cesar Anot, pelo guitarrista Oghene Kologbo e pela voz de Audrey Gbaguidi.
O FESTIVAL
O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é o maior evento de “world music” e outras músicas realizado em Portugal. A sua 14.ª edição acontece nos próximos dias 19, 20, 21, 26, 27 e 28 de julho.
Além dos artistas mencionados nesta nota, já está também confirmada a presença de Marc Ribot y Los Cubanos Postizos (EUA), Mari Boine (Noruega – Povo Sami), JuJu (Gâmbia / Reino Unido), Oumou Sangaré & Béla Fleck (Mali / EUA), Hugh Masekela (África do Sul), Otis Taylor Band (EUA), Gurrumul (Austrália – Cultura Aborígene), Fatoumata Diawara (Mali), Bombino (Níger – Cultura Tuaregue), Dhafer Youssef Quartet (Tunísia), L’Ensemble Rouge & Lotfi Bouchnak (França / Itália / Tunísia), Narasirato (Ilhas Salomão), Jupiter & Okwess International (R. D. Congo), Socalled (Canadá) e Astillero (Argentina). De Portugal chegam Amélia Muge & Michales Loukovikas, Osso Vaidoso, Couple Coffee, Uxu Kalhus, Orquestra Todos e Diabo a Sete.
O FMM Sines 2012 é cofinanciado por fundos FEDER / União Europeia no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013.
Mais informações
www.fmm.com.pt
www.facebook.com/fmmsines»
21 setembro, 2009
Cacharolete de Discos - Tinariwen, Tony Allen e Madredeus

Mais três textos meus recuperados ao acervo da «Time Out Lisboa» nos último meses: as críticas aos novos álbuns dos Tinariwen, de Tony Allen e dos Madredeus & A Banda Cósmica (na foto).
TINARIWEN
«IMIDIWAN: COMPANIONS»
Independiente/Megamúsica
Apesar de existirem como banda desde 1982 - na altura ainda eles faziam parte das milícias tuaregues apoiadas e armadas por Muammar Khadafi e, segundo a história oficial, andavam com uma metralhadora a tiracolo num ombro e uma guitarra eléctrica no outro -, a verdade é que «Imidiwan: Companions» é apenas o quarto álbum em CD dos tuaregues malianos Tinariwen (sim, houve outras gravações durante os anos 80 e 90, mas só saíram em, hermmm, cassete). Mas basta uma audição deste disco para se perceber que «Imidiwan» é uma obra-prima absoluta, ainda maior que as anteriores, em que aos momentos de groove imenso (como se Jimi Hendrix gravasse com Booker T. and The M.G.'s e com Ali Farka Touré como cantor solista) se sucedem canções que podiam ser de Ry Cooder, fase «Paris, Texas», mas em que os desertos norte-americaos são substituídos pelo deserto do Saara. Perfeito! (*****)TONY ALLEN
«SECRET AGENT»
World Circuit/Megamúsica
Já velhote - quase com 70 anos! -, o baterista nigeriano Tony Allen teve nesta década o reconhecimento que há muito merecia. Fez parte dos The Good The Bad and The Queen (ao lado de Damon Albarn, dos Blur, e do ex-The Clash Paul Simonon), gravou com Sébastien Tellier, os Air e Charlotte Gainsbourg, os gurus da world music não se cansam de dizer que, se não fosse Tony Allen não haveria afro-beat, no que têm toda a razão já que Allen, na verdade, pôs o «beat» onde o seu patrão de muitos anos, Fela Kuti, pôs o «afro». E no seu novo álbum, «Secret Agent», Tony Allen deturpa uma das regras sagradas do afro-beat - o tamanho dos temas é quase pop (quatro, cinco minutos) em vez dos longos dez, quinze minutos que são normais no género - para fazer um excelente álbum de canções, sejam cantadas por ele ou pela maravilhosa Orobiyi Adunni (aka Ayo, a autora do magnífico álbum «Joyful»). (****)MADREDEUS & A BANDA CÓSMICA
«A NOVA AURORA»
Farol
Nove meses depois da edição de «Metafonia», o álbum de renovação/rejuvenescimento/reinvenção dos Madredeus – na sua formação alargada Madredeus e A Banda Cósmica, com duas novas e excelentes cantoras e vários instrumentos eléctricos – chega o «segundo» álbum, «A Nova Aurora». E, se alguns dos bons sinais deixados pelo anterior nele continuam – uma muito maior abertura do som do grupo em termos tímbricos, estilísticos, de género (as idas às músicas do Brasil e de Cabo Verde, aos blues e ao Havai, à África Continental e à Europa dita celta, para além de se manterem, a espaços, as bases de ligação à música portuguesa e à «matriz» melódica dos Madredeus antigos) - alguns outros, os piores, também neste «A Nova Aurora» saem reforçados: uma perigosíssima aproximação ao rock sinfónico, à new age, a algumas facilidades pop que não são, de todo, necessárias num grupo com o nome e o peso e a marca Madredeus. Disco conceptual – que fala de uma nova era de harmonia em todo o universo, em letras que fazem uma estranha ponte entre «Eram os Deuses Astronautas?», Paulo Coelho e o Padre António Vieira -, «A Nova Aurora» começa com uma bela canção, «Não Estamos Sós”» (entre o «Zen» da Rokia Traoré e Madredeus vintage, com uma harpa a soar a kora mandinga). O segundo tema, «Suspenso no Universo», remete directamente, mas sem destoar, para os Heróis do Mar. E, lá para a frente, «Vai Sem Medo» é José Afonso em formato cocktail lounge, o que – por estranho que pareça - até soa bastante bem. Mas também há muitos outros temas (com letras declamadas - !!! -, guitarras eléctricas pinkfloydianas da pior fase, teclados gongóricos à Jean Michel Jarre ou... a rockalhada completamente escusada que encerra o álbum, «Baloiçando nas Estrelas») que fazem «A Nova Aurora» desequilibrar-se para uma «twilight zone» qualquer em que ficamos sem perceber que música é, afinal, esta. (**)
Etiquetas:
Discos,
Madredeus,
Tinariwen,
Tony Allen
12 dezembro, 2007
U2 - Um Tributo Africano!

Agora que passam vinte anos sobre a edição de «The Joshua Tree» - o álbum em que os U2 (na foto, de Anton Corbijn) vão em busca das raízes negras e africanas do rock (os blues e o gospel) e em que na poesia de Bono passa a ter lugar uma reflexão continuada sobre as questões do chamado Terceiro Mundo -, data assinalada com a remasterização e várias reedições luxuosas desse álbum, chega também a notícia - via, mais uma vez, Crónicas da Terra - de que vários artistas africanos vão lançar um álbum só com versões de temas da banda irlandesa. O álbum, «In The Name Of Love: Africa Celebrates U2», é uma edição da Shout! Factory e parte da receita angariada com a sua venda reverterá para a Global Fund. Com edição prevista para Abril de 2008, no disco participam alguns dos maiores nomes - consagrados ou emergentes - da música africana: Angélique Kidjo («Mysterious Ways»), Vieux Farka Touré («Bullet The Blue Sky»), Ba Cissoko («Sunday Bloody Sunday»), Vusi Mahlasela («Sometimes You Can't Make It On Your Own»), Tony Allen («Where The Streets Have No Name»), Cheikh Lô («I Still Haven't Found What I'm Looking For»), Keziah Jones («One»), Les Nubians («With Or Without You»), Soweto Gospel Choir («Pride [In The Name Of Love]»), Sierra Leone's Refugee All Stars («Seconds»), African Underground All-Stars («Desire») e Waldemar Bastos («Love Is Blindness»). Promete!
04 setembro, 2007
Músicas do Mar - Um Festival de Boas Ondas

A Póvoa de Varzim está de parabéns pelo nascimento de mais um festival da chamada «world music», Músicas do Mar, que decorreu este fim-de-semana sempre com boas assistências e com excelentes concertos dos nomes congregados - alguns em estreia absoluta no nosso país - no programa. Não cheguei a tempo de ver o concerto de Joel Xavier, mas o primeiro dia, quinta-feira, compensou largamente a longa viagem (três horas e meia de comboio e uma hora de metro entre Campanhã e a Póvoa) com um fabuloso concerto, no palco principal, do baterista nigeriano Tony Allen - aquele que Fela Kuti teve que substituir por três bateristas depois de o despedir -, muito bem acolitado por uma banda mista de músicos negros e brancos que serviram um poderosíssimo cocktail de afro-beat, funk, soul e jazz on the rocks, sempre com o mestre Allen a comandar a «orquestra» com mãos... de veludo. No segundo dia, no Diana Bar, a abertura deu-se com um maravilhoso espectáculo semi-musical semi-teatral dos almadenses O'QueStrada, desconstrução e reinvenção de fados, mornas, bossas e outras músicas, com a cantora Miranda a seduzir o público e o guitarrista a rappar e a raggar e a dançar. Para continuar, no palco principal, com uma grande surpresa: o cantor cipriota grego Alkinoos Ioannidis, que começou o concerto com algumas alusões ao rock progressivo mas seguiu depois por um caminho mais lírico, mais etéreo e encantatório que revelou momentos de uma beleza imensa. A noite terminou com a dupla de DJs Raquel Bulha e Álvaro Costa, que - num belíssimo anfiteatro também perto da praia - misturaram world, rock e pop, explicando sempre, em jeito radiofónico e didáctico, o que estavam a passar. No sábado, e depois de uma actuação bailante e contagiante dos italianos Anonima Nuvolari perto da praia e na Rua Junqueira - que terminou com muita gente a dançar o «Bella Ciao» - e do excelente jazz subtilmente contaminado pelo tango e pelas milongas dos argentinos Escalandrum, no Diana Bar, outra surpresa: os brasileiros Eddie tomaram de assalto o palco principal com a sua visão personalizada do mangue beat, em que se podem encontrar pontos de contacto com a Nação Zumbi, Carlinhos Brown ou os Mestre Ambrósio, mas sempre com uma frescura e uma alegria contagiantes. Uma festa que seguiu depois para o Anfiteatro com mais uma sessão furiosa, inventiva e movimentadíssima do grande Bailarico Sofisticado (e a festa não terminaria sem um after-hours, madrugada fora, numa esplanada e na... praia com os Anónima Nuvolari a comandar a jam). Domingo, último dia, mais festa pelas ruas da cidade com os sintrenses Kumpa'nia Al-gazarra, trupe pseudo-balcânica que «engana» toda a gente com as suas vestimentas, caras farruscas e instrumentos já muito bem oleados na arte de mimar as «ciganadas» de Leste. E, para terminar o Festival em beleza, o melhor concerto de todos: os fabulosos catalães La Troba Kung-Fú (na foto, de Marta Pujol), alguns deles saídos dos seminais Dusminguet, que pegaram fogo ao recinto com muitos ritmos latino-americanos (salsa, son, cumbia, mariachi, ranchera...) à mistura com punk, ska, alusões a manhosices eighties como o... «Eye of The Tiger»; e tudo isto ao serviço de uma rumba catalã que está mais viva do que nunca! Um festival que também foi feito da companhia de bons amigos; de uma ementa rica em rojões, tripas, francesinhas, filetes de polvo e pescada; e com o mar ali ao lado (ali ao lado das músicas). Pode querer-se melhor?
07 agosto, 2007
Músicas do Mar - Novo Festival de World Music

É só a primeira edição, mas é um bom balão-de-ensaio para outras que aí podem vir: o nóvel festival Músicas do Mar decorre de 30 de Agosto a 2 de Setembro, na Póvoa de Varzim, com organização da autarquia local, e apresenta um programa bastante variado onde se incluem concertos e sessões de DJ em vários locais da cidade. O festival arranca, dia 30, com concertos do guitarrista português Joel Xavier (Diana Bar, 21h00) e do lendário baterista de Fela Kuti e um dos papas do afro-beat Tony Allen (na foto; Passeio Alegre, 22h15). No dia 31 há concertos dos almadenses O'QueStrada (Diana Bar, 21h00) e do cantautor cipriota Alkinoos Ioannidis (Passeio Alegre, 22h15) e uma sessão de DJs por Raquel Bulha e Álvaro Costa (auditório ao ar livre, meia-noite). Dia 1, o festival prossegue com concertos dos italianos Anonima Nuvolari (nas ruas da cidade, 18h30), dos argentinos Escalandrum, liderados pelo neto de Ástor Piazzolla, Daniel «Pipi» Piazzolla (Diana Bar, 21h00) e da banda Eddie, brasileiros do mangue-beat de Olinda (Passeio Alegre, 22h15) e uma sessão de DJs de outro colectivo de amigos, o Bailarico Sofisticado (auditório ao ar livre, meia-noite). Finalmente, no dia 2, há concertos da Kumpa'nia Al-gazarra (ruas da cidade, 18h30) e da banda catalã de «son mestizo» La Troba Kung-Fú (Passeio Alegre, 22h15). Mais informações aqui.
31 julho, 2006
FMM Sines 2006 (ou Isto Não É Uma Reportagem)

Flashs dispersos de seis dias no FMM (ou seja, daquilo de que me consigo lembrar, ao jeito «quem diz que se lembra dos anos 60 é porque não os viveu»):
- O set de DJ na segunda-feira correu muito melhor do que seria de esperar, atendendo a que era uma estreia absoluta. É uma sensação estranha, mas muito boa, ver dezenas de freaks a dançar à minha frente, depois de terem levado com uma bela ponta final do concerto dos Vaguement La Jungle... Eu e o Gonçalo acabámos por nos divertir imenso. Só foi pena o catering já estar fechado depois da nossa actuação (actuação?) movida a muitas águas e, no meu caso, cigarros, o que nos impediu de nos vingarmos violentamente depois em licores vários. (em resposta ao «comment» de Manel Calapez, que desapareceu misteriosamente nas profundezas deste blog sabe-se lá porquê, e aos outros que eventualmente também queiram saber...)
- Os licores, no entanto, não perderam pela demora. Um dia depois, a rapaziada do nº 3, 3º esq. - 5 gajos com algum jeito para a cozinha, e mais um, eu, a ver de longe -, decidiu improvisar um chili que tinha quase tantas malaguetas quanto feijão (e uns enchidos, arroz e couves para disfarçar). Estava delicioso, mas a actividade vulcânica da coisa era tal que o fogo, durante o jantar e nas horas que se seguiram, só conseguiu ser apagado à custa de três garrafas de tinto e várias palettes de cerveja. Ficámos a bezerrar por casa e nem fomos a Porto Covo ver os Dazkarieh e o Elisio Parra.
- Uma das vantagens de não se estar em trabalho num festival como o FMM de Sines é a quantidade de coisas que não é preciso levar para o recinto: uma caneta (ou duas, para o caso de uma falhar), o bloco-notas, o gravador das entrevistas e... alguns milhares de neurónios, os neurónios que nos obrigam a identificar ou tentar identificar imediatamente uma versão de um tema mais ou menos conhecido, ir depois confirmar à net o nome de alguns instrumentos estranhos, saber na perfeição o género ou sub-género musical em que os músicos estão a navegar em determinado momento. E esta sensação é muito boa!!!

- O FMM de Sines é conhecido como o melhor festival de world music do país. Mas o FMM também é, para além de um festival de world music, um festival de jazz... Ou da fusão dos dois universos (que já têm, em si, milhões de outros universos). Este ano houve jazz, ok, com muitos outros géneros à mistura, em Jacques Pellen e a sua «Celtic Procession», no trio de Rabih Abou-Khalil com o extraordinário pianista Joachim Kuhn e o baterista Jarrod Cagwin (um dos melhores concertos do festival), nos delirantes Alamaailman Vasarat (onde, ok, o jazz não podia faltar porque eles têm lá tudo, incluindo ainda klezmer, ska, speed-metal, ciganadas balcânicas, progs vários), nos Bad Plus (estava na cavaqueira nos bastidores e só reconheci, à distância, uma versão do tema-título de «Chariots of Fire», de Vangelis, mas o resto estava a soar bem), na música da extraordinária cantora iraquiana Farida (que substituiu Thomas Mapfumo... e encabeça este parágrafo, em foto de Mário Pires - ver o seu site Retorta, aqui nos links ao lado), na música circular de Trilok Gurtu (o músico que, provavelmente, fará desistir qualquer pessoa que o veja de alguma vez tentar tocar tablas, de tão bom que ele é!), e há jazz, mais do que devia, em Ivo Papasov (cujo ensaio-de-som, ouvido na praia ao lado às cinco da tarde foi muito melhor do que o concerto propriamente dito).
- Depois da experiência incendiária do primeiro jantar, a rapaziada do nº3, 3º esq., decidiu mudar de táctica e tentar descobrir um restaurante simpático na vila. E «descobrimos» (palavra que fica sempre bem dizer na terra do Vasco da Gama) o Jorge Russano, Churrasqueira, que tem uma garagem simpática ao lado, onde fomos principescamente tratados e servidos vários dias com espetadas, frangos enormes, bacalhaus assados, entremeadas a pingar uma gordura deliciosa, etc, etc, etc, tudo regado com um piri-piri violentíssimo... Pois.
- Últimos neurónios espremidos de onde pingam muito boas lembranças dos Gaiteiros de Lisboa (sim, deu outra vez para dois ex-BLITZ e um BLITZ voltarem ao mosh durante o «Trângulo Mângulo», como já é tradição), do para mim desconhecido mas muito bom rapper somali K'naan, da maravilha que é ouvir a kora de Toumani Diabaté (e de como foi curioso ouvir, apesar do resultado musical não ter sido especialmente brilhante, uma cantora de tonalidades fadistas e a cantar em português num dos temas finais - ver, sff, texto «O Fado Nasceu no Mali?», mais em baixo neste blog), do senegalês mas com muito gnawa à mistura Nuru Kane, da proposta agora normal mas há alguns anos ousada de misturar os cantos do Sahara com os blues e o psicadelismo de Mariem Hassan, da poesia bruta e lindíssima e da música rude da excelente surpresa que foram os brasileiros Cordel de Fogo Encantado, e do final de festa arrasador no sábado, já o sol tinha nascido, do Bailarico Sofisticado (três rapazes da rapaziada do nº3, 3º esq., estes não com algumas dezenas mas com muitas centenas de freaks a dançar à frente deles...).
- E outras, menos boas: o baterista Tony Allen (sim, eu sei que o afro-beat é muitas vezes assim mesmo, mas aquilo foi muito igual do princípio ao fim... com a ressalva, nota de, ok, reportagem, de que o senhor Allen, velhinho, velhinho - ele que foi baterista de Fela Kuti e que, quando foi despedido pelo patrão, este se viu obrigado a contratar três bateristas para o substituírem - ter andado a tocar saxofone com os donos dos djembés na praia, já passava das sete da manhã - informação que parte da rapaziada resistente do nº 3, 3º esq. passou à rapaziada que já estava a dormir a essa hora, via sms), Seun Kuti (não por ter sido igual do princípio ao fim, não foi, mas porque a sua música é demasiado igual à do pai, Fela Kuti, pecadilho em que não cai, e bem, Femi Kuti), e as... Varttina, cada vez mais uma quase vulgar banda pop e já não tanto os «passarinhos» deliciosos que há doze anos - foi há doze? - encantaram o Intercéltico do Porto.
- Ah!! Ganhei um didgeridoo de prenda, para juntar à minha colecção de instrumentos étnicos... Agora só me faltam umas tablas (ok, é melhor não...).
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