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14 junho, 2007

Viseu a 15 do 6 - É Para a Maratona!



Infelizmente, e ao contrário do que tinha prometido a alguns amigos, não vou poder ir a Viseu nos próximos dias. Um compromisso inadiável - e que pode vir a dar um blog, se não irmão pelo menos primo do Raízes e Antenas, para além de vir a ter um formato, digamos, mais clássico - obriga-me a ficar por casa, em regime de clausura e de escravatura intensa se bem que voluntária, até à próxima semana. Para me auto-flagelar e ficar a roer-me todo por dentro, aqui fica novamente parte do post que publiquei a 10 de Maio, a propósito do festival Viseu a 15 do 6 (que raiva!): nos dias 15 e 16 de Junho o Teatro Viriato, em Viseu, apresenta uma maratona de música (36 horas de programação!) que inclui concertos do fabuloso grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado, do interessantíssimo projecto Mountain Tale (que reúne o coro feminino búlgaro - na foto - Angelite, o grupo de Tuva Huun-Huur-Tu e o o grupo russo Moscow Art Trio), da divertidíssima trupe de música italiana retro Anonima Nuvolari e os blues sentidos e antigos dos Nobody's Bizness; uma homenagem ao músico viseense José Valor (Centro de Pesquisas Ruído Branco/Lucretia Divina/Major Alvega), falecido em 2004; uma sessão de DJ dos Dezperados (acompanhada por projecções vídeo dos Daltonic Brothers) e, a encerrar, outra sessão de DJ - esta previsivelmente avassaladora, como todas as que eles assinam - do colectivo Bailarico Sofisticado. Os palcos do festival repartem-se pelo Teatro Viriato, o Adro da Sé, o Largo Mouzinho de Albuquerque, o Parque Aquilino Ribeiro e as ruas da cidade.

E, agora, com um acrescento de actualidade: o festival tem um blog «privado», que pode ser consultado aqui. À Petra (e Luís e Catman); ao Vítor, Pedro e Bruno; ao Francesco e aos outros «bella ciao»; e, claro, ao Carlos S.: arrasem com isso, toquem, cantem, bebam, divirtam-se, pintem a manta!!

08 junho, 2007

Tom Zé, Cordel do Fogo Encantado e Bebel Gilberto - O Brasil Tem Tantos Brasis!



A música brasileira é um mundo inteiro dentro da música do mundo inteiro. E, dentro do mundo que é a música brasileira, ainda há continentes, ilhas, arquipélagos, e neles - se o foco do telescópio se aproximar mais e do mundo se fizer país - florestas e rios, modernas cidades de betão e favelas de lata e cartão, aldeias perdidas e minas de ouro, árvores de raízes profundas e imensas antenas parabólicas. Hoje, o Raízes e Antenas fala de mais três discos de artistas brasileiros em que as músicas locais se fundem com a música global mas sempre com uma fortíssima identidade própria e tão diferentes entre si: os novos álbuns de Tom Zé, Cordel do Fogo Encantado (na foto; eles que vão por certo protagonizar mais um momento inesquecível no festival Viseu a 15 do 6) e de Bebel Gilberto.


TOM ZÉ
«DANÇ-ÊH-SÁ»
Irará/Trama

Quando se parte para a escuta de um álbum de Tom Zé já se sabe de antemão que temos que estar de espírito aberto e disponíveis para quaisquer surpresas que dali possam vir. E «Danç-Êh-Sá - Dança dos Herdeiros do Sacrifício» não foge à regra, antes a sublinha. Álbum surpreendente, de som novo, de músicas feitas essencialmente de ritmos (mesmo quando há instrumentos melódicos por lá) e sem as habituais letras fabulosas de Tom Zé - há muitas vozes neste disco (masculinas, femininas) mas sempre em exercícios monossilábicos, onomatopeias, interjeições, explosões guturais... Musicalmente, o álbum é extraordinário, fazendo pontes entre variadíssimos ritmos antigos e recentes, brasileiros ou anglo-saxónicos. Samba e forró e outros ritmos nordestinos, hip-hop, drum'n'bass, pós-punk (oiça-se «Triú-Trii» e «Cara-Cuá» e veja-se se não era disto mesmo que grupos como os Talking Heads ou os A Certain Ratio andavam à procura), tudo embrulhado numa liberdade formal que faz mais lembrar o free-jazz que outra coisa qualquer. Longe do espartilho do formato canção - formato a que Tom Zé, de qualquer maneira, há muito tempo não dá grande importância -, «Danç-Êh-Sá» é mais uma etapa seguríssima deste génio de 70 anos de idade, cantor-maldito do tropicalismo e um dos «loucos» mais lúcidos que existem neste mundo. É um álbum de tese, mas quem nos dera que todos os álbuns de tese fossem assim. (9/10)


CORDEL DO FOGO ENCANTADO
«TRANSFIGURAÇÃO»
Escambo/Rec Beat

O grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado é uma mistura fabulosa de música, teatro, performance, artes circenses, luminotecnia, um espectáculo total que só pode ser bem fruído e apreendido quando tudo isto é observado num palco - tal como se viu o ano passado em Sines e, presumivelmente (mas com um grau de certeza quase absoluto), em Viseu, na próxima semana. Ouvida em disco, a música do Cordel perde muita da sua magia e encanto. Mas não perde tanto quanto se poderia temer: porque é, agora, uma música sólida, madura, personalizada e que vale por si mesma mesmo quando o elemento «visual» ou o elemento «ao vivo» não estão presentes. Em «Transfiguração», Lirinha - o talentosíssimo cantor-poeta e cantor/intérprete de outros poetas como Manoel Filó, cujas palavras dão o mote a este disco logo no início - e seus companheiros dão-nos a ponte perfeita entre músicas nordestinas brasileiras e géneros como o funk, o rock psicadélico, o progressivo ou o «renascimento do rock americano» oitentista dos Green on Red, Guadalcanal Diary ou Violent Femmes (cf. em «Pedra e Bala»), sempre com as palavras únicas de Lirinha como fio-condutor da «narrativa» musical. Por vezes, ao ouvir «Transfiguração», podemos pensar em tropicalismo - nomeadamente d'Os Mutantes - ou em álbuns conceptuais dos anos 70, mas isso é bom, sempre bom. (9/10)


BEBEL GILBERTO
«MOMENTO»
Ziriguiboom/Crammed Discs/Megamúsica

Filha do mestre da bossa-nova João Gilberto e da cantora Miúcha, sobrinha de Chico Buarque, Bebel Gilberto tinha o destino traçado desde o berço (e só não escrevo dourado porque a rima seria terrível). Estando a assumir-se a pouco e pouco como a principal candidata a nova Diva do Brasil, com uma carreira curta mas feita de passos seguros e parcerias bem escolhidas - até Mike Patton, dos Faith No More e de tudo o resto, já se rendeu a ela -, Bebel chega a «Momento» com ideias bastante bem definidas acerca da música que quer protagonizar: uma mistura consistente, elegante, contemporânea, de música brasileira - com a bossa-nova a servir, naturalmente, de base teórica ou estrutural a várias canções - e de novas sonoridades, tudo envolto numa leve patine electrónica que nunca estraga o conjunto e levando-a para caminhos próximos de Cibelle, dos Forro In The Dark e de mais alguns nomes que tentam uma fórmula semelhante. Mas com a vantagem de ter uma voz lindíssima, aveludada, quente, maleável... Cantando em português e em inglês, Bebel atreve-se neste álbum a compor ou co-compor vários temas, para além de fazer versões de «Caçada» (de Chico Buarque), «Tranquilo» (de Kassin) e «Night and Day» (de Cole Porter), uma «cover» maravilhosa que leva a canção de Porter para Ipanema, nos anos 50 (e oiça-se o saxofone e pense-se imediatamente em... Stan Getz). (8/10)

10 maio, 2007

Viseu a 15 do 6 - Maratona de Música no Viriato (e Redondezas)



O Crónicas da Terra deu as primeiras informações. E agora foi o Juramento Sem Bandeira que as completou: nos dias 15 e 16 de Junho o Teatro Viriato, em Viseu, apresenta uma maratona de música (36 horas de programação!) que inclui concertos do fabuloso grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado, do interessantíssimo projecto Mountain Tale (que reúne o coro feminino búlgaro Angelite, o grupo de Tuva Huun-Huur-Tu e o o grupo russo Moscow Art Trio), da divertidíssima trupe de música italiana retro Anonima Nuvolari (na foto, de Rui Palha) e os blues sentidos e antigos dos Nobody's Bizness; uma homenagem ao músico viseense José Valor (Centro de Pesquisas Ruído Branco/Lucretia Divina/Major Alvega), falecido em 2004; uma sessão de DJ dos Dezperados (acompanhada por projecções vídeo dos Daltonic Brothers) e, a encerrar, outra sessão de DJ - esta previsivelmente avassaladora, como todas as que eles assinam - do colectivo Bailarico Sofisticado. Os palcos do festival repartem-se pelo Teatro Viriato, o Adro da Sé, o Largo Mouzinho de Albuquerque, o Parque Aquilino Ribeiro e as ruas da cidade. Mais informações aqui.

14 abril, 2007

Cordel do Fogo Encantado em Viseu



E mais uma boa nova colhida directamente no Crónicas da Terra: o extraordinário grupo brasileiro Cordel do Fogo Encantado - que, o ano passado, encantou (ui, usei mesmo a palavra «encantou»?) a multidão que os via no FMM de Sines - regressa ao nosso país para um concerto no Teatro Viriato, em Viseu, dia 15 de Junho. O concerto do Cordel do Fogo Encantado - grupo do Pernambuco cuja música, indefinível, cresce até aos céus ou aos infernos através do elevadíssimo jogo poético e teatral do seu vocalista, Lira Paes - faz parte de um festival em que, ainda segundo o Crónicas da Terra, também actua o grupo vocal feminino búlgaro Angelite, os mestres da música de Tuva Huun-Huur-Tu e o grupo russo Moscow Art Trio, todos no dia 16 de Junho. Mais informações, quando as houver, aqui.

31 julho, 2006

FMM Sines 2006 (ou Isto Não É Uma Reportagem)


Flashs dispersos de seis dias no FMM (ou seja, daquilo de que me consigo lembrar, ao jeito «quem diz que se lembra dos anos 60 é porque não os viveu»):

- O set de DJ na segunda-feira correu muito melhor do que seria de esperar, atendendo a que era uma estreia absoluta. É uma sensação estranha, mas muito boa, ver dezenas de freaks a dançar à minha frente, depois de terem levado com uma bela ponta final do concerto dos Vaguement La Jungle... Eu e o Gonçalo acabámos por nos divertir imenso. Só foi pena o catering já estar fechado depois da nossa actuação (actuação?) movida a muitas águas e, no meu caso, cigarros, o que nos impediu de nos vingarmos violentamente depois em licores vários. (em resposta ao «comment» de Manel Calapez, que desapareceu misteriosamente nas profundezas deste blog sabe-se lá porquê, e aos outros que eventualmente também queiram saber...)

- Os licores, no entanto, não perderam pela demora. Um dia depois, a rapaziada do nº 3, 3º esq. - 5 gajos com algum jeito para a cozinha, e mais um, eu, a ver de longe -, decidiu improvisar um chili que tinha quase tantas malaguetas quanto feijão (e uns enchidos, arroz e couves para disfarçar). Estava delicioso, mas a actividade vulcânica da coisa era tal que o fogo, durante o jantar e nas horas que se seguiram, só conseguiu ser apagado à custa de três garrafas de tinto e várias palettes de cerveja. Ficámos a bezerrar por casa e nem fomos a Porto Covo ver os Dazkarieh e o Elisio Parra.

- Uma das vantagens de não se estar em trabalho num festival como o FMM de Sines é a quantidade de coisas que não é preciso levar para o recinto: uma caneta (ou duas, para o caso de uma falhar), o bloco-notas, o gravador das entrevistas e... alguns milhares de neurónios, os neurónios que nos obrigam a identificar ou tentar identificar imediatamente uma versão de um tema mais ou menos conhecido, ir depois confirmar à net o nome de alguns instrumentos estranhos, saber na perfeição o género ou sub-género musical em que os músicos estão a navegar em determinado momento. E esta sensação é muito boa!!!

- O FMM de Sines é conhecido como o melhor festival de world music do país. Mas o FMM também é, para além de um festival de world music, um festival de jazz... Ou da fusão dos dois universos (que já têm, em si, milhões de outros universos). Este ano houve jazz, ok, com muitos outros géneros à mistura, em Jacques Pellen e a sua «Celtic Procession», no trio de Rabih Abou-Khalil com o extraordinário pianista Joachim Kuhn e o baterista Jarrod Cagwin (um dos melhores concertos do festival), nos delirantes Alamaailman Vasarat (onde, ok, o jazz não podia faltar porque eles têm lá tudo, incluindo ainda klezmer, ska, speed-metal, ciganadas balcânicas, progs vários), nos Bad Plus (estava na cavaqueira nos bastidores e só reconheci, à distância, uma versão do tema-título de «Chariots of Fire», de Vangelis, mas o resto estava a soar bem), na música da extraordinária cantora iraquiana Farida (que substituiu Thomas Mapfumo... e encabeça este parágrafo, em foto de Mário Pires - ver o seu site Retorta, aqui nos links ao lado), na música circular de Trilok Gurtu (o músico que, provavelmente, fará desistir qualquer pessoa que o veja de alguma vez tentar tocar tablas, de tão bom que ele é!), e há jazz, mais do que devia, em Ivo Papasov (cujo ensaio-de-som, ouvido na praia ao lado às cinco da tarde foi muito melhor do que o concerto propriamente dito).

- Depois da experiência incendiária do primeiro jantar, a rapaziada do nº3, 3º esq., decidiu mudar de táctica e tentar descobrir um restaurante simpático na vila. E «descobrimos» (palavra que fica sempre bem dizer na terra do Vasco da Gama) o Jorge Russano, Churrasqueira, que tem uma garagem simpática ao lado, onde fomos principescamente tratados e servidos vários dias com espetadas, frangos enormes, bacalhaus assados, entremeadas a pingar uma gordura deliciosa, etc, etc, etc, tudo regado com um piri-piri violentíssimo... Pois.

- Últimos neurónios espremidos de onde pingam muito boas lembranças dos Gaiteiros de Lisboa (sim, deu outra vez para dois ex-BLITZ e um BLITZ voltarem ao mosh durante o «Trângulo Mângulo», como já é tradição), do para mim desconhecido mas muito bom rapper somali K'naan, da maravilha que é ouvir a kora de Toumani Diabaté (e de como foi curioso ouvir, apesar do resultado musical não ter sido especialmente brilhante, uma cantora de tonalidades fadistas e a cantar em português num dos temas finais - ver, sff, texto «O Fado Nasceu no Mali?», mais em baixo neste blog), do senegalês mas com muito gnawa à mistura Nuru Kane, da proposta agora normal mas há alguns anos ousada de misturar os cantos do Sahara com os blues e o psicadelismo de Mariem Hassan, da poesia bruta e lindíssima e da música rude da excelente surpresa que foram os brasileiros Cordel de Fogo Encantado, e do final de festa arrasador no sábado, já o sol tinha nascido, do Bailarico Sofisticado (três rapazes da rapaziada do nº3, 3º esq., estes não com algumas dezenas mas com muitas centenas de freaks a dançar à frente deles...).

- E outras, menos boas: o baterista Tony Allen (sim, eu sei que o afro-beat é muitas vezes assim mesmo, mas aquilo foi muito igual do princípio ao fim... com a ressalva, nota de, ok, reportagem, de que o senhor Allen, velhinho, velhinho - ele que foi baterista de Fela Kuti e que, quando foi despedido pelo patrão, este se viu obrigado a contratar três bateristas para o substituírem - ter andado a tocar saxofone com os donos dos djembés na praia, já passava das sete da manhã - informação que parte da rapaziada resistente do nº 3, 3º esq. passou à rapaziada que já estava a dormir a essa hora, via sms), Seun Kuti (não por ter sido igual do princípio ao fim, não foi, mas porque a sua música é demasiado igual à do pai, Fela Kuti, pecadilho em que não cai, e bem, Femi Kuti), e as... Varttina, cada vez mais uma quase vulgar banda pop e já não tanto os «passarinhos» deliciosos que há doze anos - foi há doze? - encantaram o Intercéltico do Porto.

- Ah!! Ganhei um didgeridoo de prenda, para juntar à minha colecção de instrumentos étnicos... Agora só me faltam umas tablas (ok, é melhor não...).