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22 maio, 2009

Granitos Folk - Com Amsterdam Klezmer Band, Toques do Caramulo, dJAL, Stygiens, Melech Mechaya...


Está aí à vista mais um grande festival: o VI Granitos Folk decorre de 11 a 13 de Junho, mais uma vez a dividir-se pelos jardins do Palácio de Cristal e pelo Contagiarte. Estes dois espaços do Porto recebem os Toques do Caramulo, os holandeses Amsterdam Klezmer Band, os Tinto e Jeropiga e o DJ Hugo Osga no primeiro dia; Bailebúrdia, Melech Mechaya, Tuttis Carraputtis, os franceses dJAL, Mosca Tosca e o DJ António Pires (pois...) no segundo; Mosca Tosca (de novo), Os Divertidos, Tanira e os italianos Stygiens (na foto) na terceira. Vai ser uma festarola pegada, ai vai vai! Mais informações aqui.

19 setembro, 2008

Hertha - Ainda Mais Dança no Contagiarte


A terceira edição do festival Hertha - Encontro de Sons e Danças do Mundo volta a ocupar o Contagiarte, Porto, no final deste mês. E, desta vez, com workshops de LuJong, danças ciganas, dança africana tribal, dança clássica indiana, dança cabo-verdiana e didgeridoo, um concerto de taças tibetanas e outro de didgeridoo (por Renato, dos OliveTree), as «Noites Folk» do camarada Osga e um baile de danças tradicionais europeias pelos Bailebúrdia. Aqui em baixo segue o programa completo:

«HERTHA

III ENCONTRO DE SONS E DANÇAS DO MUNDO

25, 26 e 27 de Setembro 2008



PROGRAMA:

Dia 25, Quinta-feira:

16h às 18h – Workshop de LuJong por Ana Taboada

Bióloga, massagista em Terapias Orientais, Professora de Yoga Integral e Lu Jong, Monitora de Workshops & Concertos de Sons Sagrados do Oriente em Taças Tibetanas & Gongos.

Lu Jong é uma expressão tibetana que significa, literalmente, treino (Jong) do corpo (Lu), ou movimento do corpo.
Há milhares de anos atrás, os eremitas, que viviam em remotos lugares nas montanhas, longe de qualquer ajuda médica, sentiram necessidade, de criar técnicas de auto-tratamento, que os ajudassem a equilibrar todo o corpo, trabalhando os vários meridianos, os vários órgãos e os vários membros. Assim, com base nos ensinamentos da Medicina Tradicional Tibetana, que eles possuíam, desenvolveu-se o Lu Jong. Conservado e transmitido nos numerosos mosteiros budistas como uma técnica secreta tântrica da tradição Vajrayana que se ensinava e praticava entre os monges budistas.
Pensa-se, portanto, que suas origens são anteriores ao Yoga e ao Chi-Kung, na tradição Bon (religião xamane indígena do Tibete).

http://anataboada.blogspot.com

18h30 às 20h30 – Workshop de Danças Ciganas/Balkan Beat por Mónica Roncon

Este workshop inspirar-se-á nas danças ciganas dos Balcãs e da Roménia

Não só estudaremos a técnica, mas também e sobretudo, como aplicar esta técnica ao nosso estilo pessoal, realizando exercícios de expressão, improvisação e criatividade, numa procura de autonomia e autenticidade no movimento. Cedo deixaremos as formas, para alterar os seus códigos, transformando-os e criando novas possibilidades de linguagem e comunicação. Tudo isto, num ambiente rigoroso mas lúdico, fiel à perspectiva Duende da vida e da dança, ao som dos mais loucos ritmos dos Balcãs….

www.danzaduende.org

www.madrugada-cigana.com/monicaroncon


NOITE: Concerto de Taças Tibetanas por Ana Taboada

Solo de Dança Cigana por Mónica Roncon.

“Noites Folk”


Dia 26, Sexta-feira:

16h às 18h – Workshop de Dança Africana Tribal por Marc N’Dannou

Marc N’Dannou espalha as Danças Africanas Tribais, nomeadamente as de Togo, á anos por Portugal e Estrangeiro.

Pelas suas classes passaram já inúmeros bailarinos de renome e centenas de pessoas que pretendem sentir e apre(e)nder o calor das Danças Africanas que Marc transporta consigo.

Desta vez é no Porto a oportunidade de dançar e sorrir ao som dos ritmos africanos.


18h30m às 20h30m – Workshop de Dança clássica Indiana – Odissi, por Diana Rego

Odissi é o nome da dança do este da Índia; Inicialmente esta dança era realizada dentro dos templos de Orissa, como uma das principais oferendas a deus.

Odissi é caracterizado pelos seus movimentos suaves e líricos contrastando com outros exactos e precisos. Tem um forte lado feminino, devocional, belo e vasta qualidade expressiva, assim como um intricado trabalho rítmico acompanhado pelo pakawaj drum, que é seguido lealmente pelo “sapateado a pé descalço “do bailarino.

Esta dança é uma meditação em movimento

o corpo torna-se uma escultura e dança

contando as historias da mitologia Hindu

Este curso é ainda de interesse para todo o tipo de bailarino e performer pois há um forte trabalho de consciência corporal, rítmica e expressiva (teatral).


http://dianadi-dance.blogspot.com

www.myspace.com/dianadi_dance


NOITE: Solo de Dança Indiana por Diana Rego.

Selecta Clandestino.



Dia 27, Sábado:

16h às 18h – Workshop de Danças Cabo-Verdianas por Tony Tavares


Foi em Cabo Verde, mais exactamente em São Vicente que António Tavares (na foto) iniciou o seu trabalho na área da dança, como bailarino do grupo Mindel Stars. Com este grupo faz a sua primeira digressão internacional em 1986, passando pela Holanda, Senegal, França e Macau. Em 1991 funda os grupos Crêtcheu e Compasso Pilon, desenvolvendo um trabalho de pesquisa sobre a dança africana e, principalmente, as danças tradicionais cabo-verdianas.

Pouco depois, recebe uma bolsa de estudo do Atelier Mar e vem para Portugal, onde estuda na Escola Superior de Dança e na Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo, onde acaba também por leccionar. Além de trabalhar com importantes coreógrafos portugueses - entre outros, com Olga Roriz, Aldara Bizarro, Francisco Camacho, Rui Nunes e José Laginha - desenvolve ao mesmo tempo os seus próprios trabalhos como coreógrafo e bailarino, seguindo uma linha de criação que se poderia designar por afro-contemporânea.

18h30m às 20h30 – Workshop de Didgeridoo por Renato – OliveTreeDance

Renato Oliveira é membro e fundador dos “OliveTreeDance”. Na sua carreira conta já com inúmeras participações com os mais reconhecidos profissionais de Didgeridoo e actuações por todo o mundo.

Reconhecido pelo talento, pela energia e pela técnica, Renato traz neste Workshop um momento de partilha para todos os que quiserem entrar em contacto e comunicar através de um dos instrumentos mais ancestrais que perduram nos nossos tempos.

www.myspace.com/olivetreedance

NOITE: Live Act de Didgeridoo por Renato – OliveTreeDance

Baile de tradição Europeia com os BAILEBÚRDIA


NOTA:

TODOS OS WORKSHOPS SÃO DE NIVEL ABERTO E DIRIGIDOS A HOMENS E MULHERES DE TODAS AS IDADES».

Os workshops podem fazer-se pelo simbólico valor de 30 euros.

Mais informações, aqui e aqui.

18 dezembro, 2007

Festival da Passagem d'Ano - Bailes Tradicionais (e Não Só) em Coimbra


O final de ano no Centro Norton de Matos, em Coimbra, não se vai resumir a um simples réveillon, sendo antes um autêntico festival de música e danças tradicionais que se estende por vários dias. Com organização da Tradballs e do Rodobalho, o Festival de Passagem d'Ano 2007-2008 decorre nos dias 28, 29, 30 e 31 de Dezembro (e, naturalmente, com entrada dia 1 de Janeiro dentro...) com muitos grupos a lançar o baile, workshops de danças e instrumentos musicais, cinema e farto convívio. Dia 28, o festival arranca à noite com uma «tertúlia trad» conduzida pelos Mosca Tosca (no Café Xuven). E, dia 29, já no Centro Norton de Matos, durante a tarde, há workshops de danças - bourrées, portuguesas, poitou e tango -, de instrumentos - concertina e adufe - e uma «tertúlia trad» com os belgas Triple-X, enquanto à noite passa o filme «11 Burros Caem no Estâmago vazio», de Tiago Pereira e há bailes/concertos com os Diabo a Sete (na foto; de Fábio Teixeira) e os Fol&ar. Dia 30 há mais workshops de danças - irlandesas, mazurka e «portuguesas d'arroba» (isto é, as danças «mandadas» pelos Alfa Arroba) -, de expressão dramática e de instrumentos - sanfona e gaita-de-foles - e uma «tertúlia trad» pelos Alfa Arroba, ficando para a noite o filme sobre o Andanças «Arritmia», de Tiago Pereira, e bailes/concertos com os Triple-X e os Bailebúrdia. Dia 31 aprende-se a bailar mais danças irlandesas, scottischs, danças ribatejanas, valsa mandada e danças de grupo, a tocar bandolim e acordeão e há uma «tertúlia trad» com Celina da Piedade, enquanto a noite de passagem d'ano fica por conta de mais um filme de Tiago Pereira, «Manda Adiante», e bailes/concertos pelos Alfa Arroba e Triple-X. Mais informações aqui e aqui.

14 julho, 2007

Festival do Trebilhadouro - Dar Vida a Uma Aldeia



Dias 27, 28 e 29 de Julho, na aldeia de Trebilhadouro, perto de Vale de Cambra, vai decorrer mais um Festival do Trebilhadouro, que visa devolver a vida a esta aldeia perdida. Teatro e música são o prato principal da ementa, com espectáculos dos Bombos de Sandiães, Danças Tradicionais de Moçambique, Quarto Minguante e Folkatrua (dia 27); Teatro do Elefante, Lúmen e os franceses Dites 34 (dia 28); Teatro Dom Roberto, Teatro Assombrado, Bailebúrdia e os russos Dobranotch, na foto (dia 29). Mas há mais: palhaços, danças africanas e europeias, yoga, modelagem em papel, contos tradicionais africanos e ateliers de expressão dramática.

Tudo num cenário lindíssimo, se bem que abandonado, assim descrito pela Rasgo, a cooperativa de teatro organizadora do festival: «Trebilhadouro é uma aldeia perdida nas encostas da Serra da Freita. Rodeada pela serra do Trebilhadouro e o Alto do Galinheiro, é zona de microclima, pois é abrigada dos ventos que sopram do Norte. Do alto destes montes avistam-se o mar e a ria de Aveiro, bem como outras cidades do Litoral, todo o Vale de Cambra e a Serra da Freita. É também aqui que nasce um ribeiro que desagua no rio Caima, cujas águas servem para regar os campos das aldeias vizinhas. O lugar de Trebilhadouro, de cujo nome ainda não se descobriram as origens, é bastante antigo; nas bases de dois canastros de pedra lavrada encontram-se gravadas datas do século passado, mas presume-se que esta aldeia tenha sido habitada em épocas mais remotas devido à sua altitude (cerca de "600 metros" acima do nível médio das águas do mar), e como é virada a Sul e abrigada a Norte é provável que antes da passagem dos povos Romanos por esta zona tenha habitado aqui algum núcleo Lusitano: lembramos que os povos Lusitanos se dedicavam à pastorícia; ora esta área é propícia a essa actividade, mas como não dispomos de documentos comprovativos desse facto deixaremos esse trabalho para outros estudiosos na matéria. Provavelmente é a única aldeia do concelho de Vale de Cambra onde a arquitectura tradicional da casa rural portuguesa ainda se mantém, à excepção de um palheiro que foi restaurado com blocos de cimento. Facto pouco significativo se comparado com outras aldeias, onde as “Maisons” proliferam desordenadamente. O ultimo melhoramento cá feito foi a recuperação do fontanário da aldeia que estava em ruínas em 1987, por Cristina Brás e Aníbal Augusto da Costa, no âmbito do curso de Cantaria que frequentavam no Porto, e com a colaboração da Junta de Freguesia de Rôge, recuperou-se o fontanário que marca o centro da aldeia. Rôge é uma freguesia muito antiga, conta na sua história as marcas de um passado muito rico, deixado pelos povos que a visitaram, desde os Lusitanos que nas montanhas habitaram, aos Mouros que lutaram contra os Romanos que por aqui estiveram e deixaram nesta freguesia pelo menos uma das suas pontes características chamada “Castelo”. Pelo século XVII foi erguido o cruzeiro de Rôge todo em pedra esculpida. Hoje é considerado Monumento Nacional. A igreja de Rôge também é rica em Cantaria. É incrível também, o registo escultórico lá existente,desde os esteios, que são feitos todos de pedra, alguns a recordarem menires; até aos trabalhos de cantaria registados em canastros e algumas casas. O aspecto humano não é tão risonho; até alguns anos a esta data, viviam a tia Maria e a tia Francelina, mãe e filha respectivamente, habitavam em Trebilhadouro: sem luz eléctrica. Sem telefone e nem sequer um caminho satisfatório com que possam comunicar com as aldeias vizinhas, estas duas senhoras sobreviviam à custa de umas ovelhas e umas hortas que cultivavam. Segundo nos contaram, em 1987 (Cristina Brás e Aníbal Costa), os mais novos começaram a fugir para Sandiães, Soutelo, Fuste e para outras aldeias onde existiam escolas primárias, electricidade, telefone e melhores vias de comunicação e condições de vida; foram as últimas pessoas a sair desta aldeia, depois da morte do Sr. Barbosa, que esteve no Brasil e quando para cá veio teve uma trombose que o paralisou, mas ainda fazia colheres de pau artesanalmente; a sua mulher e filha abandonaram Trebilhadouro talvez para sempre. Trebilhadouro, uma aldeia para o alerta para uma situação que afecta muitos monumentos de pedra e as sua raízes culturais, ou são preservados, ou perdem-se definitivamente na voragem dos tempos». Mais informações aqui.

04 julho, 2007

Hertha - Encontro de Sons e Danças no Contagiarte



O Contagiarte, no Porto, não pára! Desta vez a notícia é que o Hertha - II Encontro de Sons e Danças do Mundo vai decorrer por lá de 17 a 21 de Julho, com concertos e workshops variados que podem muito bem servir como «aquecimento» para a maratona do Andanças que aí vem... E mesmo para quem não vai ao Andanças. Citando o comunicado da casa, «durante cinco dias, no espaço Contagiarte, a partir das 15 horas haverá lugar a inúmeros workshops leccionados por diversos formadores e todas as noites, pequenos espectáculos relacionados às temáticas desenvolvidas durante as tardes encherão de cor, música e dança este espaço do Porto. Comércio, artesanato e outras actividades convidarão ainda todo o público a agradáveis momentos neste espaço durante todo este Encontro». O programa inclui workshops de dança afro-sagrada com Tathiana Lobo e de percussão oriental com David Lacerda (Trio Árabe Ensemble) e um espectáculo com Tathiana Lobo (dia 17); workshops de afro-samba e samba-reggae com Cláudia Aurora e percussão em bidons com Hugo Menezes (Cool Hipnoise e Tora Tora Big Band) e um espectáculo de Hugo Menezes (dia 18); workshops de danças tradicionais do Mediterrâneo com Mercedes Prieto (Monte Lunai) e de Pauliteiros de Miranda com Manuel e José Meirinhos (Galandum Galundaina e Pauliteiros de Miranda de Fonte d'Aldeia) e um espectáculo dos Pauliteiros de Miranda de Fonte d'Aldeia (dia 19); workshops de dança indiana (na foto) com Diana Rego (TerraE) e de didgeridoo com Hugo Osga (Mu e Bailebúrdia) e um concerto de Hugo Osga (dia 20); workshops de danças tradicionais do mundo com Alexandre Matias (Mosca Tosca) e Rute Mar (Bailebúrdia) e grande baile de encerramento com as danças tradicionais «mandadas» pelos Bailebúrdia (dia 21). Mais informações aqui e aqui.

29 maio, 2007

Granitos Folk - De Regresso ao Contagiarte...



Juro que amanhã falo sobre umas coisas que vão acontecer na minha cidade, em Lisboa. Mas, para já e já hoje, volto a falar do Contagiarte e da quarta edição do festival Granitos Folk, que decorre de 6 a 9 de Junho neste espaço multicultural da cidade do Porto. Apostando apenas em grupos folk/tradicionais portugueses, o Granitos deste ano apresenta um programa interessantíssimo que junta alguns quase-veteranos destas lides a alguns jovens grupos de elevado potencial. Dia 6, o festival abre com os portuenses Pé na Terra (vencedores do recente concurso Folk and Roll e fazedores de uma música que tanto os leva à tradição portuguesa como ao reggae e ao rock) e Mandrágora (um dos mais importantes grupos portugueses a fundir a folk com o rock progressivo e sons vindos de muitos e desvairados lugares; na foto). Dia 7 é a vez dos belíssimos cantares e sons tradicionais rejuvenescidos da Serra do Caramulo pelos Toques do Caramulo (de Águeda) e do jazz manouche e inventivo dos Comcordas (de Castelo Branco). Dia 8, alguns dos músicos dos Comcordas repetem a presença em palco com um outro projecto, os Ventos da Liria, que vão à música «celta», ao tango e à música balcânica, numa noite em que também actua o grupo de danças tradicionais No Mazurka Band (com viras, corridinhos, chulas, pingacho, mas também valsas, rumbas e paso-dobles). Na última noite, sábado, há mais festa e dança com dois grupos que fazem das danças tradicionais europeias o seu trampolim para uma comunhão absoluta com o público bailante à sua frente: os Mosca Tosca e os Bailebúrdia. Mas, para quem isto não chega, ainda há sessões de DJ de folk e world music, todas as noites, com os DJs Osga, Sérgio, Moustache, Innyanga e Goldenlocks. Assim haja fôlego, coração e uma mezinha qualquer para as bolhas nos pés...

30 abril, 2007

O Intercéltico do Porto Está Vivinho da Costa!



O recuperado Cinema Batalha (vénia aos empregados, desde os do restaurante às do bar e aos porteiros da cave-discoteca, inexcedíveis em simpatia e profissionalismo) foi um excelente cenário para o Intercéltico do Porto, desta vez com a vantagem - sempre reclamada e só agora, felizmente, satisfeita - de ter uma plateia de pé onde se podia dançar e, diga-se, onde a dança nunca faltou. E, refira-se, um Batalha cheio no primeiro dia e quase cheio (havia Boavista-FC Porto nessa noite) no segundo. Nem tudo foi perfeito - Quico, atrás dos botões da mesa de som, queixava-se da reverberação da sala, com paredes ecoantes vivas e muito altas - mas o balanço foi mais que positivo. Na primeira noite actuaram os Lúmen (agora com Cristina Castro a ocupar, e muito bem, o lugar de vocalista), que puseram logo dezenas de pessoas a dançar ao som da sua música híbrida que tanto pode fazer uma abordagem punk da «Saia da Carolina» como pode mergulhar no flamenco ou cruzar o ska com a música «celta». Depois, os irlandeses Téada (diz-se «Têida», o que provocou algumas piadas óbvias entre o círculo de amigos que por lá se formou) mostraram como a maestria no domínio dos instrumentos (com destaque para o violonista Oisín Mac Diarmada) e o apego às raízes, neste caso à música maioritariamente originária de Sligo e também do cancioneiro dos emigrantes irlandeses nos Estados Unidos, pode também ser sinónimo de renovação e emoção e evolução. Depois, num espaço paralelo, os Bailebúrdia (e outros músicos que se quiseram a eles juntar) recuperaram muito bem o velho espírito do Intercéltico, com danças e despiques (chegou a haver cinco gaiteiros, ou mais?, a meter o «Smoke On The Water», dos Deep Purple, pelo meio de temas tradicionais). A noite, já longa, ainda teve uma extensão, como não podia deixar de ser, no Contagiarte. Na segunda noite, a surpresa foi os... Mu (na foto; de Nelson Silva). E surpresa porque, em poucos meses, o grupo cresceu imenso em maturidade, criatividade, coesão, alegria. Os Mu - que já antes faziam uma festa pegada ancorada nas danças tradicionais europeias - continuam nessa linha mas agora, agora que estão prestes a editar o seu segundo álbum e foi neste novo reportório que o concerto se baseou, com alguns acrescentos importantes em termos de formação: do grupo faz agora também parte Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki), que veio dar uma maior consistência ao grupo, e neste concerto tiveram como convidada em três temas a cantora Helena Madeira (ex-Dazkarieh, agora no Projecto Iara), cuja voz entrou que nem uma luva na música dos Mu. Semi-desilusão foram os galegos Pepe Vaamonde Grupo. Tal como os Téada, todos os músicos do PVG - liderados pelo gaiteiro... Pepe Vaamonde - são um portento de técnica, de precisão e da arte de bem recuperar a, neste caso, tradição musical galega. Mas, sabe-se lá porquê, no concerto do Intercéltico o grupo teve um défice de emoção que empobreceu a comunicação com o público e a beleza do espectáculo. Nada de grave, principalmente porque a seguir houve outra dose de Bailebúrdia, desta vez no hall do Batalha e com ainda mais gente a participar nas danças. O fim de noite, esse, ficou reservado para a surrealista incursão na delegação do Sporting no Porto feita por três benfiquistas (eu, o Luís Rei e o Pedro), onde encontrámos música feita por clones bastante credíveis dos Ramones e de Jimi Hendrix enquanto bebíamos as últimas cervejas e picávamos petiscos inesperados como fígado de cebolada e febras com morcela (tudo bastante picante!) preparados por uma senhora cabo-verdiana e... benfiquista. Só faltou a cachupa. Nota final 1: foi bom rever o Avelino Tavares, o mesmo anfitrião de sempre, de excelente saúde e com vontade de mais Intercélticos do Porto (venham eles!). Nota 2: está agora a sair um álbum, editado pela Som Livre, comemorativo dos vinte anos do festival em que estão canções de alguns dos artistas e grupos emblemáticos que já passaram por lá: Fairport Convention, Luar na Lubre, Júlio Pereira, Maddy Prior, Sétima Legião, Tri Yann, Kepa Junkera, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, Uxia, Kila, Brigada Victor Jara, Ghalia Benali & Timnaa, Carlos Nuñez, Galandum Galundaina, entre outros. Faltam muitos (mais de 80 projectos já estiveram no Festival), mas a amostra presente no disco é suficiente para se perceber o que o Intercéltico do Porto já fez pela divulgação de muitas, muitas músicas - e não só a, novamente entre aspas, «celta».

27 abril, 2007

Intercéltico do Porto - Começa Já Hoje!



Já tinha muitas saudades do Intercéltico do Porto. E não há melhor maneira de as matar, às saudades, que ir até lá e mergulhar de cabeça no calor e amizade que aquele Festival sempre nos dá. Vou com amigos, à espera de reencontrar amigos. E isso é bom... O programa do Festival - que decorre no Cinema Batalha - é, como já foi referido neste blog há dois meses, constituído por concertos dos Lúmen (Portugal) e Téada (Irlanda), hoje, dia 27; e dos Mu (Portugal) e Pepe Vaamonde Grupo (Galiza; na foto), amanhã, dia 28. Mas há uma novidade: depois dos concertos há bailes com música tradicional europeia pelos Bailebúrdia (grupo que integra alguns elementos dos Mu), no denominado Folk Club (café-concerto) do Cinema Batalha. Como extensão do Festival Intercéltico, a cidade minhota de Arcos de Valdevez acolhe hoje um concerto da Brigada Victor Jara e, amanhã, dos Téada, na Casa das Artes. E, para acompanhar o Festival, foi criado um blog que se pode encontrar aqui. Até domingo...