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14 outubro, 2008

Festival Ruada - Uma Boa Supresa em Lisboa!


Quem diria! E assim, sem se esperar, está marcado para dias 24 e 25 deste mês um belo festival em Lisboa: o Festival Ruada, que decorre na Tenda do Instituto Português da Juventude, Parque das Nações e que inclui concertos dos Gaiteiros de Lisboa, Roncos do Diabo (na foto), Nozes & Vozes, Cramol e Sebastião Antunes Trio, para além de workshops de dança tradicional, percussão e canto, jam-sessions, uma exposição de instrumentos tradicionais e música para bebés... A organização é dos Nozes & Vozes e da Associação Gulliver. Olh'ó programa completo!

«SEXTA-FEIRA, 24 DE OUTUBRO

19:00 – Abertura do Evento, com Inauguração de uma Exposição de Instrumentos Tradicionais Portugueses e breve reflexão acerca da música tradicional portuguesa com Sebastião Antunes


Concertos:

21:00 – Nozes&Vozes

21:30 – Cramol

22:30 – Gaiteiros de Lisboa

00:00 – Jam-Session (participantes e elementos dos grupos)


SÁBADO, 25 DE OUTUBRO


Música Tradicional para bebés (dos 0 aos 3 anos)

10:00 - 11:00 – 1ª Sessão

11:30 - 12:30 – 2ª Sessão


Workshops Tradicionais

Canto Tradicional – com Sebastião Antunes

Percussão – com Tiago Pereira

Danças Tradicionais – com Matias

15:00 - 16:00 – 1ª Sessão

16:30 - 17:30 – 2ª Sessão

(Workshops a decorrer em simultâneo em cada sessão, em 3 espaços distintos, possibilitando aos participantes a realização de 2 workshops)


Concertos:

21:00 – Sebastião Antunes Trio

22:30 – Roncos do Diabo

00:00 – Jam-Session (com participantes e elementos dos grupos)

01:00 - Encerramento do Festival.


CONCERTOS – Venda de bilhetes no local a partir das 14h de dia 24 Outubro

1 noite: € 7

2 noites: € 10


WORKSHOPS – Marcação obrigatória

Venda de bilhetes no local a partir das 14h de dia 24 Outubro ou reserva antecipada, por SMS (92 729 84 33) ou E-MAIL (festivalruada@gmail.com) com as seguintes informações:

NOME + Nº DE PARTICIPANTES + Workshop(s) pretendido(s) + CONTACTO TELEFÓNICO

Workshops tradicionais:

1 Workshop: € 3

2 Workshops: € 5


Música Tradicional para bebés:

1 Adulto + 1 Bebé: € 10

Pessoa extra (adulto ou bebé): € 5


LOCALIZAÇÃO

Tenda do Instituto Português da Juventude - Parque das Nações

R. de Moscavide, 47-101

1998-011 Lisboa».

11 janeiro, 2008

Os Ganhões de Castro Verde, Ronda dos Quatro Caminhos e Cramol - A Tradição (E Só Alguns Desvios)


Os leitores habituais deste blog sabem que não sou um fanático da «tradição», pelo contrário: também gosto de desvios, caminhos paralelos, fusões, avanços para o futuro, misturas... Mas é tão bom, tão bom!, mergulhar de vez em quando num caldo de tradição (quase) absoluta. E os álbuns mais recentes dos alentejanos Os Ganhões de Castro Verde (na foto), da Ronda dos Quatro Caminhos e das Cramol levam-nos de volta à tradição, mesmo quando há lugar para alguns «desvios».


OS GANHÕES DE CASTRO VERDE
«TERRA»
(Ed. de Autor/Megamúsica)

«Terra - Os Ganhões de Castro Verde - Antologia 1972-2006» é um documento imprescindível para quem quer conhecer o que de mais profundo, verdadeiro e único tem o cante alentejano, polifonias mágicas que se espalham pela planície marcando os ciclos da natureza, do trabalho, do convívio dos «ganhões», de um sonho bonito chamado Revolução de Abril, aqui cantado por este grupo de homens com uma luz de esperança imensa. Não por acaso, a antologia - que agrupa gravações do grupo dispersas por vários LPs e CDs ao longo das últimas três décadas e ainda dois inéditos - começa com canções dedicadas a Catarina Eufémia e à revolução, para além de uma versão de «Grândola, Vila Morena», de José Afonso, antes de avançar para originais e inúmeros tradicionais alentejanos. O álbum, duplo, contém um luxuoso livreto com textos que contextualizam a história d'Os Ganhões, do próprio cante alentejano e do Alentejo. De um deles, do escritor José Luís Peixoto, cito aqui: «O cante é a voz dessa terra infinita (o Alentejo). Os homens descem pelas ruas quando voltam do campo ao fim da tarde. Nos olhares, trazem o pó queimado pelo sol. Nessa hora, pouco antes do sol-pôr, nasce uma aragem nos rostos dos homens. Essa aragem fresca passa pelas pedras das ruas, pela cal das casas onde houve vida e morte, pelos sorrisos, pelas crianças que brincam na rua. O cante é essa aragem». (9/10)


RONDA DOS QUATRO CAMINHOS»
«SULITÂNIA»
Ocarina

Os últimos anos de produção artística da Ronda dos Quatro Caminhos têm sido uma surpresa, boa!... De um grupo urbano de música popular, a Ronda tem vindo gradualmente a transformar-se numa verdadeira instituição - no bom sentido da palavra - que congrega em si, ou à sua volta, muitos outros músicos e grupos, tanto estrangeiros (cf. no álbum «Terra de Abrigo») como portugueses e... de diversas áreas, da música tradicional à música erudita. E essa «fórmula» está ainda mais refinada no novo álbum, «Sulitânia» (o trocadilho é um achado!), em que a Ronda pega em temas tradicionais alentejanos e da Beira Baixa (principalmente de Monsanto, zona em que os adufes são tão «árabes» quanto as músicas do sul de Portugal) e os embala numa produção de extremo bom gosto em que estão bem presentes a música popular urbana, a música de raiz tradicional e os elementos «clássicos». Com colaborações das Adufeiras de Monsanto, do grupo alentejano Coral Guadiana de Mértola, do coro clássico Eborae Musica, do Quarteto Opus 4 e dos Cantares de Évora, «Sulitânia» é um bom exemplo de como se pode «estilizar» a tradição sem que a tradição se perca. Nunca. (8/10)


CRAMOL
«VOZES DE NÓS»
(Ocarina)

Lembro-me como se fosse hoje de uma das mais belas (e aterradoras!) experiências sónicas que já tive: há muitos anos, as Cramol editaram o seu primeiro álbum (e este «Vozes de Nós» é só o segundo num percurso de muitos, muitos anos...) e fui entrevistá-las ao local em que ensaiavam: a Biblioteca Operária Oeirense, em Oeiras. Antes da entrevista, a Margarida Antunes da Silva convidou-me a assistir a parte do ensaio do grupo e eu concordei. De repente, tinha vinte mulheres a cantar canções das Beiras, do Minho, do Alentejo..., todas à minha volta, sem amplificação alguma que não as suas cordas vocais. Juro: é mais forte, mais violento, que assistir a um concerto dos Sonic Youth ou dos Caveira na fila da frente!... Não é bem a mesma coisa, mas ao ouvir agora «Vozes de Nós» tive quase a mesma sensação: a de que estas mulheres (mesmo sendo mulheres da cidade) transportam em si um saber tão antigo, tão arrepiante, tão... nosso, nas suas vozes que cantam canções de um país inteiro. Vozes que nos 46 temas (46 temas!) deste álbum nos vão entrando pela pele como uma memória boa e verdadeira. (8/10)