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15 dezembro, 2010

Colectânea de Textos no jornal "i" - XXI


Cinco canções no Natal 2009
Publicado em 17 de Dezembro de 2009

Não são propriamente canções de Natal tal como as conhecemos, mas como não passam nas rádios e vão, quase de certeza e injustamente, passar ao lado da fama que merecem, aqui ficam cinco sugestões de temas portugueses recentes para ouvir numa consoada mais consolada: "Tango do Vilão Rufia", tema gingão do grupo portuense As Três Marias (com vozes de Cristina Bacelar e do convidado Sérgio Castro, dos Trabalhadores do Comércio), para dançar e sorrir enquanto o peru cozinha - do álbum "Quase a Primeira Vez". "Os Loucos Estão Certos", dos Diabo na Cruz, para fazer um eventual coro gospel iconoclasta enquanto se ouve a frase "Na igreja de S. Torpes hoje há bacanal" - do álbum "Virou". A lindíssima caixinha-de-música pop, juvenil e semi-africana que é "Mariazinha Luz", de Margarida Pinto (dos Coldfinger, aqui a solo) e, esta sim, com uma citação natalícia óbvia ("brilha, brilha lá no Céu, a estrelinha que nasceu") - do EP "A Aprendizagem de...". Já na voz da luso-cabo-verdiana Danae (na foto), "Bu Rosto" é uma morna nada tradicional, para ouvir quando a consoada já chegou aos doces, e que faz a ponte entre este ritmo de Cabo Verde, o jazz, os blues e algo de absolutamente etéreo e indizível - do álbum "Cafuca". Finalmente, a divertidíssima "Kit de Prestidigitação", de B Fachada, é perfeita para a altura em que se abrem as prendas porque é de prendas que a canção fala... embora sejam aquelas (incluindo velhos LPs do Zeca) que se "herdam" nos divórcios! - do álbum "B Fachada".





Porque é que os protestantes cantam tanto?
Publicado em 24 de Dezembro de 2009

Fui viver para o Barreiro quando tinha quatro anos. O primeiro amigo que lá tive chama-se Jorge Samuel e a sua família é protestante, mais especificamente pentecostal. Eu era miúdo do outro lado, dos católicos e - apesar de o Barreiro ter tido padres bastante progressistas (do padre Fanhais, cantor!, ao saudoso padre Sobral) -, havia uma coisa que me fazia espécie: os meus vizinhos passavam boa parte do dia a cantar. Hinos, salmos, espirituais, etc. Bastante novo, o Jorge aprendeu a tocar guitarra e, se bem me lembro, órgão. Só muitos anos depois percebi a importância que o gospel e os espirituais negros tiveram no desenvolvimento de várias correntes protestantes dos Estados Unidos, passando ainda pelos hinos das lutas pelos Direitos Civis, e a sua transmissão a outras igrejas evangélicas em todo o mundo, sem esquecer que alguns dos maiores cantores e guitarristas de blues eram também pregadores ou pastores (o grande Reverendo Gary Davis, por exemplo, era pastor baptista). Tudo isto para falar, mais uma vez, da trupe da Flor Caveira - e da razão por que dali, do seio dos protestantes, sai tanta música e tão boa. E com uma fé, uma ironia, uma verve, um sentido crítico, uma lucidez e até uma certa iconoclastia que só ficam bem a artistas e bandas de cristãos... mas que também vêm do punk roque. E agora o lead, virado ao contrário: oiça-se com urgência o fabuloso primeiro álbum-síntese de Samuel Úria: "Nem Lhe Tocava". Está lá isto tudo, resumido.




O Balanço (possível) do ano musical português
Publicado em 31 de Dezembro de 2009

Em tempo de balanços, esta coluna semanal que dá conta do que se vai passando na música portuguesa - pelo menos daquela que o seu autor conhece ou mais aprecia - não foge à tradição, e também aqui deixa a lista dos melhores (e de um dos piores) momentos do ano. Canção Mais Surpreendente do Ano: a versão de "Júlia Florista" por Dulce Pontes, pelo seu tio rebaptizada "Júlia Galdéria" e incluída no álbum "Encontros". Melhor Canção do Ano Mesmo: "Mariazinha Luz", de Margarida Pinto (na foto), do EP "A Aprendizagem de Margarida Pinto". Melhor Versão de Um Êxito Obscuro da Década de 60 do Ano: "A Borracha do Rocha", pelo Real Combo Lisbonense. Álbum mais Surpreendente do Ano: "Luminismo", de Ricardo Rocha, com um CD de originais dele (e versões de temas de Artur e Carlos Paredes e de Pedro Caldeira Cabral) para guitarra portuguesa e outro com peças suas para piano. Editora do Ano: a Flor Caveira e a Mbari, ex-aequo, com lançamentos de excelentes discos (às vezes com artistas comuns) dos Diabo na Cruz, B Fachada, Samuel Úria, João Coração, Norberto Lobo e do já referido Ricardo Rocha. Banda mais Popular do Ano ainda sem Disco Editado: Roda de Choro de Lisboa. Canção Que já Não Há Pachorra para Ouvir Mais Este Ano (e Nos Próximos): "Gaivota", de Amália Rodrigues, pelo projecto Amália Hoje, que tornou uma canção simples, sentida e acústica num fogo-de-artifício de estúdio e em que aquilo que no peito "bateria" será mesmo mais uma caixa-de-ritmos.

31 maio, 2010

Colectânea de Textos no jornal «i» (III)


O rock português no retrovisor
por António Pires, Publicado em 26 de Junho de 2009

Durante dezenas de anos, os grupos e artistas portugueses que se dedicaram - e dedicam - ao rock tiveram como principais modelos os grandes nomes estrangeiros do género. O mesmo se passa, obviamente, em muitos outros países de produção musical periférica, mas no nosso caso não é preciso fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos de quem, ao longo de cinquenta anos de história do rock, imitou por cá o Elvis e os Shadows, os Beatles e os Stones, os Sex Pistols e os Clash, os Joy Division e os Echo & The Bunnymen, os Nirvana e os Pearl Jam... É até duvidoso que alguma vez tenha havido um rock português, sendo mais correcto falar-se de um rock cantado em português ou de rock feito em Portugal. Porém, curiosamente, e no espaço de pouquíssimas semanas, três novos grupos nacionais - todos eles muito diferentes entre si e de origens geográficas díspares (Porto, Lisboa e Beja) - editam os seus álbuns de estreia e, espanto!, assumem como influências maiores nomes do rock... feito em Portugal. Os Tornados fazem rock'n'roll, rockabilly, surf-rock, twist e ié-ié alimentados pelo Conjunto Mistério, o Conjunto Académico João Paulo ou o Quarteto 1111. Os Golpes atiram-se descaradamente à música e à estética dos Heróis do Mar (nem lhes falta um tambor que tem escrito "Amor"). E, na sua música, os Virgem Suta (na foto) citam sem vergonha - e ainda bem - os Ornatos Violeta (e Sérgio Godinho e José Afonso e Variações). E isso é bom.



Novos Talentos e uma boa causa
por António Pires, Publicado em 03 de Julho de 2009

Henrique Amaro (o maior divulgador radiofónico de música portuguesa) é o responsável, desde 2007, pela selecção de grupos e artistas nacionais que têm integrado as colectâneas "Novos Talentos FNAC". Já no terceiro volume, o "Novos Talentos FNAC 2009" faz mais uma vez justiça ao seu subtítulo, "O Futuro da Música Portuguesa", e lança, para quem os quiser ouvir, 33 novos nomes, ao mesmo tempo que se associa à AMI - Assistência Médica Internacional, para a qual reverte a totalidade das receitas angariadas. E, apesar de não encontrar momentos fracos nesta colectânea e não havendo espaço para falar de todos, atrevo-me a eleger cinco ou seis que, numa primeira audição, me pareceram os mais originais de todos: Orelha Negra (Sam The Kid, DJ Cruz Fader e elementos dos Cool Hipnoise, entre outros, fazedores de um som que cruza com sabedoria o hip-hop, a soul, o funk, o disco...); The Bombazines (que recuperam duas das melhores vozes nacionais - Marta Ren, ex-Sloppy Joe, e Gon, ex-Zen; na foto); Márcia (uma cantautora magnífica!); GNU (pós-rock, noise, free-jazz, prog-metal, energia punk e tudo isto à tareia); Samuel Úria (poema de homenagem rock-desconstrutivista sobre guitarra); You Can?t Win, Charlie Brown (com uma pop suave, inteligente e incrivelmente apelativa); B Fachada (o melhor letrista da nova geração de compositores nacionais); Oh! Shiva (psicadelismo pesado entre George Harrison/Ravi Shankar, Os Mutantes, Led Zeppelin e Tom Zé). Há futuro.



Os Jogos da Lusofonia (em Música)

Num fim-de-semana em que Lisboa está dominada pelos Jogos da Lusofonia, é bom lembrar que a capital portuguesa e os seus arredores - cadinhos de culturas em que milhões de falantes lusófonos se cruzam e cruzaram - podem oferecer, para além do desporto, muita música em português com sotaques vários e crioulos incluídos. Apenas alguns exemplos, ficando muitos outros de fora: Terrakota, Cool Hipnoise, Lindú Mona, Tama Lá, Djumbai Jazz (fusões de várias culturas); Kussondulola, Mercado Negro, Prince Wadada (reggae africano); Alap (música indiana); Bei Gua (música e danças timorenses); Cyz, Couple Coffee (música brasileira); Lura - na foto -, Sara Tavares, Dany Silva, Tito Paris, Celina Pereira, Bana, Ana Firmino, Kola San Jon (música cabo-verdiana); Anaquiños da Terra (música galega e que ficam aqui referidos apesar da Galiza não entrar em jogo); Chullage, Valete, Nigga Poison, SP & Wilson, Conjunto Ngonguenha (rap de intervenção); Bonga, Waldemar Bastos, Filipe Mukenga (música angolana); Juka (São Tomé e Príncipe); Guto Pires, Manecas Costa, Kimi Djabaté, Braima Galissá, N'Dara Sumano (Guiné-Bissau); Buraka Som Sistema, Makongo (kuduro transformado); André Cabaço, Mariza (Moçambique); Cacique'97 (afro-beat luso-moçambicano); Irmãos Verdades (kizomba angolana). Entre os jogos das bolas, o atletismo e as artes marciais, talvez reste um tempo para se descobrirem algumas destas músicas.

18 junho, 2009

FMM de Sines - Iniciativas Paralelas


Para além do riquíssimo programa de concertos em Porto Covo, no CAS, na Av. da Praia e no Castelo, o FMM de Sines (de 17 a 25 de Julho) apresenta também uma série de outras iniciativas (exposições, DJs, filmes, debates, conversas com artistas, uma estação de rádio própria...). E, como este até é um blog pessoal (para além de informativo), vou puxar a brasa à minha sardinha - ou, em opção, ao meu choco frito - e chamar a atenção para a noite de véspera de encerramento, em que este escriba e o seu amigo espanhol DJ Cucurucho vão animar a festa com uma sessão de DJ que, prevejo eu, com toda a humildade, vai ser uma festa pegada. O encerramento, como sempre, vai ficar a cargo dos meus queridos amigos do Bailarico Sofisticado. E muitos outros amigos estarão igualmente por lá: o Tiago Pereira a mostrar filmes; o Luís Rei e a Raquel Bulha a fazerem rádio para o festival; o José Sérgio e o Mário Pires a mostrarem as suas fotos...

Todos os pormenores no comunicado oficial:


«FMM 2009: INICIATIVAS PARALELAS

“CARAVANÇARAI”, 10 ANOS DE FMM EM FOTOGRAFIA

Centro de Artes de Sines. 11 de Julho a 23 de Agosto. Todos os dias, 14h00-20h00. Entrada livre.

Tal como os caravançarais do deserto, também o Festival Músicas do Mundo é um ponto de encontro que procura ser generoso para os viajantes, oferecendo-lhes guarida e mantimentos para que continuem a sua busca. Oriundos de todas as partes do mundo, reúnem-se aqui os músicos e os espectadores mais aventureiros, unidos por um elo imaterial que se foi formando ao longo dos anos e que faz do FMM hoje, mais do que um evento, uma comunidade. Nesta exposição, os músicos são os protagonistas - especialmente naqueles momentos em que o êxtase da música lhes faz sair a alma pelos poros, pela boca, pelos olhos - mas não são esquecidos todos os outros homens e mulheres que souberam transportar dentro de si o espírito FMM ao longo de 10 anos. É o espectáculo humano do FMM captado por 11 fotógrafos que, nas mais diferentes qualidades, acompanharam o festival: António Melão, Bruno Fonseca, Enrique Vives-Rubio, Fred Huiban, José Manuel Rodrigues, José Sérgio, Mário Pires, Miguel Madeira, Rita Carmo, Sofia Costa e Tiago Canhoto.

CICLO DE CINEMA DOCUMENTAL

Centro de Artes de Sines. 22 a 25 de Julho. Sessões às 15h00. Entrada livre.

22: “B FACHADA, TRADIÇÃO ORAL CONTEMPORÂNEA” E “MANDRAKE”, DE TIAGO PEREIRA

Projecção de dois documentários do jovem realizador Tiago Pereira: o primeiro parte do músico pop B Fachada para reflectir sobre a tradição oral e o que sustenta (ou não) as dicotomias urbano x rural e criação individual x criação colectiva; o segundo sobrepõe e intersecta música feita hoje com recolhas de rituais arcaicos, muitos deles de carácter mágico.

23 E 24: “MUSIC OF RESISTANCE”, DE JASON BRECKENRIDGE - AL JAZEERA

Filmada em vários pontos do mundo, do deserto do Sahara a Lisboa, a série “Music of Resistance”, produzida por Jason Breckenridge para a cadeia de televisão Al Jazeera, aborda a música como força de mudança política. Apresentados por Steve Chandra, figura central da Asian Dub Foundation, veremos no FMM os seis episódios que a compõem: os primeiros três (Asian Dub Foundation, Tinariwen e Seun Kuti), na tarde de 23 de Julho; os restantes (Massoukos, Chullage e AfroReggae), na tarde de 24 de Julho. Cada sessão tripla tem uma duração de 68 minutos.

25: “É DREDA SER ANGOLANO”, PELO COLECTIVO RÁDIO FAZUMA

Inspirado no disco "Ngonguenhação", do Conjunto Ngonguenha, "É Dreda Ser Angolano" propõe uma viagem informal pela paisagem musical e humana da nova Angola em forma de "mambo tipo documentário".

ATELIÊS PARA CRIANÇAS

Centro de Artes de Sines. 20 a 25 de Julho. Às 11h00. Para crianças dos 6 aos 12 anos. Gratuito, mediante inscrição no balcão do Centro de Artes.

20: PORTICO QUARTET

O quarteto revelação do jazz britânico apresenta as suas ideias sobre música e mostra às crianças o misterioso instrumento que torna o seu som tão especial, o “hang”.

21: CARMEN SOUZA

Entre Cabo Verde e Portugal, entre o jazz, a soul e os ritmos africanos, Carmen Souza explica às crianças como é viver entre tantas músicas e tantas culturas.

22: UXÍA

Uxía não é apenas uma das maiores cantoras ibéricas, é também uma artista empática e inspiradora que não vai deixar de cativar as crianças que se inscreverem para o seu ateliê.

23: RAMIRO MUSOTTO

Com um arame, uma vara de madeira e uma cabaça se faz um berimbau. Ramiro Musotto, um dos seus maiores mestres, mostra os encantos de um instrumento fantástico.

24: WARSAW VILLAGE BAND

Filha de Wojtek e Maja, a pequena Lena inspirou uma nova fase da banda polaca Warsaw Village Band. Neste ateliê, os músicos pegam nos seus instrumentos e explicam porquê.

25: BIBI TANGA

Toda a grande música africana e afro-americana encontra espaço dentro do coração de Bibi Tanga (na foto). Agora é altura de partilhar essa paixão num ateliê que vai surpreender os mais novos.

CONVERSAS COM ARTISTAS

Escola das Artes de Sines. 18, 19, 23, 24 e 25 de Julho. Às 14h30. Entrada livre.

18: DELE SOSIMI

Companheiro de Fela e Femi Kuti, o teclista e director de orquestra Dele Sosimi fala do percurso que tem traçado no movimento Afrobeat e de como projecta o seu futuro.

19: DAARA J FAMILY

O “tasso” senegalês é a forma original do rap? Esta e outras perguntas são o ponto de partida para uma conversa com um dos mais estimulantes grupos africanos da actualidade.

23: CHUCHO VALDÉS

Embora pequena, Cuba foi uma das nações que mais contribuiu para o património da música popular do século XX. Chucho Valdés, uma das suas maiores figuras, explica porquê.

24: DEBASHISH BHATTACHARYA

Qual é o papel da “slide guitar” na música indiana? O que torna a música indiana especial e tão fascinante para os ocidentais? O público pergunta e o mestre Debashish responde.

25: CHICHA LIBRE

O que leva músicos nova-iorquinos a iniciar um projecto de recuperação de um estilo nascido na Amazónia peruana dos anos 70? Nesta conversa, resolve-se o mistério.

ATELIÊS DE INSTRUMENTOS

Escola das Artes de Sines. 20, 21 e 22 de Julho. Inscrição na Escola das Artes: 5 euros para alunos da Escola das Artes e 20 euros para não alunos.

20: ZÉ EDUARDO (CONTRABAIXO) 14h30

Poucos contrabaixistas na Europa têm um percurso tão rico quanto Zé Eduardo. Para todos os interessados pelo instrumento, será um privilégio dialogar com ele e colher os seus ensinamentos.

21: JOÃO AIBÉO (TUBA) 14h30

A tuba é o maior e um dos mais expressivos sopros metálicos. Neste ateliê, João Aibéo ajuda a ir mais além na exploração da originalidade sonora de um verdadeiro “bom gigante” musical.

22: JOÃO FRADE (ACORDEÃO) 11h00

Um dos melhores acordeonistas nacionais, primeiro classificado em mais de 20 competições de acordeão em todo o mundo, João Frade mostra a sua visão de um instrumento de grande potencial e modernidade.

22: PEDRO MESTRE (VIOLA CAMPANIÇA) 14h30

Natural de Castro Verde, Pedro Mestre é um apaixonado pela música tradicional alentejana e um perito da viola campaniça, instrumento cujos segredos partilha neste ateliê a não perder.

DJ'S

RÁDIO FMM AO VIVO, COM LUÍS REI E RAQUEL BULHA

Em 2009, vai haver um modelo diferente de animação musical dos finais de tarde. Luís Rei, autor do site mais activo na área das músicas do mundo, www.cronicasdaterra.com, e, nos dias 17 e 18, Raquel Bulha, uma das maiores divulgadoras deste género de música na rádio portuguesa (Antena 3), são DJ’s, MC’s, apresentadores e entrevistadores e tudo o mais que lhes der na gana numa rádio FMM ao vivo instalada em vários espaços urbanos centrais do festival.

17 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

18 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

19 de Julho - Largo Marquês de Pombal (Porto Covo), das 18h00 às 21h00

20 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

21 de Julho - Exterior do Centro de Artes (Sines), das 18h00 às 21h00

22 de Julho - Largo Poeta Bocage (Sines), das 18h00 às 21h00

SETS DE DJ’S

23: RMA (RDP ÁFRICA - ÁFRICA ELÉCTRICA) E MR_MUTE (DEUBREKA)

Avenida Vasco da Gama. 23 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Com o programa África Eléctrica, na RDP África, Rui Miguel Abreu (RMA) tem explorado o legado urbano da África dos anos 60 e 70. Neste Dj set, propõe viajar pelo afrobeat, afro-funk, afro-disco, juju, highlife e seus derivados. Ao seu lado estará Mr_Mute, referência emergente no lado mais funky da noite lisboeta com quem RMA já partilhou muitas viagens.

24: ANTÓNIO PIRES + TONI POLO

Avenida Vasco da Gama. 24 de Julho. 04h00 às 06h00. Entrada livre

Chamam-se os dois Antónios, mas um é espanhol e o outro é português: Toni Polo (aka DJ Cucurucho), dos Groovalizacion DJs, e António Pires. Juntos, cruzam sonoridades de todo o mundo (flamenco, Balcãs, música africana dos anos 60 e 70, bhangra, cumbia, funk carioca, ska, kuduro, hip-hop e muito mais) num alegre, vibrante e dançável duelo ibérico.

25: BAILARICO SOFISTICADO

Avenida Vasco da Gama. 25 de Julho. 04h00 às 07h00. Entrada livre

Tal como vem acontecendo desde 2006, a despedida do FMM 2009 faz-se ao som do trio de DJ’s Bruno Barros, Pedro Marques e Vítor Junqueira. “Imagine-se que durante umas horas poder-se-iam apagar fronteiras com uma borracha, acender fogos com dois calhaus e ser-se de qualquer tribo, da África à Europa de Leste, passando por Brooklyn e praias tropicais. É que desde 1999 que se pode ser cidadão do mundo com um Bailarico Sofisticado assim.” (Joana Batista)

ENCONTRO COM MIA COUTO E JOSÉ EDUARDO AGUALUSA

Centro de Artes de Sines. 20 de Julho. Às 18h00. Entrada livre. Org. Livraria a das artes. Apoio Câmara Municipal de Sines

Numa organização da livraria a das artes, a propósito da comemoração do seu sexto aniversário, o Centro de Artes de Sines acolhe uma apresentação de livros invulgar: Mia Couto apresenta “Barroco Tropical”, o novo romance de José Eduardo Agualusa, e José Eduardo Agualusa apresenta “Jerusalém”, o novo romance de Mia Couto. Angola, Moçambique e todo os espaço da lusofonia, visões cruzadas, cumplicidades, discordâncias, numa ocasião única para conversar com dois dos maiores escritores de língua portuguesa da actualidade.

ANIMAÇÃO DE RUA:

SKALABÁ TUKA SINES, PORTUGAL

Uma das cidades com maior tradição carnavalesca do país, Sines apresenta no FMM o grupo de bateria de samba e batucada Skalabá Tuka, ligado à bateria “Pelicanos da Baia”, criada em 1999 pelas mãos do mestre Reinaldo Nunes, fundador de várias escolas de samba em Portugal. Depois de alguns períodos de paragem, o grupo tem actualmente como mentores João Matos e Alexandre José e desenvolve as suas actividades com a parceria da Escola das Artes de Sines e o apoio da Siga a Festa - Associação de Carnaval. As apresentações programadas são:

Porto Covo: 17 de Julho, 17h30

Porto Covo: 19 de Julho, 21h00

Sines (Lg. Poeta Bocage): 22 de Julho, 17h30 e 21h00

Sines (Av. Vasco da Gama): 23 de Julho, 19h00»

Mais informações, aqui.

15 janeiro, 2009

Tiago Pereira - Dez Anos a Guardar Memórias


OMIRI LIVE - A la Muse from Tiago Pereira on Vimeo.


O realizador Tiago Pereira apresenta a totalidade da sua obra num ciclo que lhe é dedicado e que pode ser visto na Fábrica do Braço de Prata, de 22 a 26 de Janeiro. No ciclo estão também integrados concertos - Omiri (no vídeo em cima) e B Fachada - e conferências. A programação completa, já a seguir... E, muitos parabéns, Tiago!!

«Tiago Pereira faz video há 10 anos, trabalha essencialmente na alfabetização da memória, na necessidade de documentar, preocupado com a tradição oral, e com a ponte geracional faz recolhas video por esse país todo, que depois reconstrói. Alguns dos seus videos ja receberam prémios nacionais e internacionais.

Esta programação visa celebrar os 10 anos da sua actividade, mostrando alguns dos seus filmes e não só, também a sua actividade como vj e video músico e o trabalho de outras pessoas que com ele trabalham ou já trabalharam e que de alguma forma se englobam no seu universo.

PROGRAMAÇÃO

22 Janeiro Quinta feira

18 horas
Videos
Quem canta seus males espanta 9´1998
Vencedor do Prémio: melhor realizador Português- Encontros de Cinema Documental da Malaposta

O que é a Imagem? 10`2001

Projecto Pro memória co realizado com Raquel Castro
A arte da Memória 14`2004
Os povoadores do tempo 15`2004
Disparem à vontade 15`2005

21.30
Conversa com Raquel Castro
Paisagens Sonoras
Filme
Soundwalkers de Raquel Castro


23 Janeiro Sexta feira

18 horas
Videos
11 burros caem no estômago vazio 26`2006
Vencedor do Premio: melhor curta metragem Portuguesa – Doc Lisboa 2006 –
Melhor filme Etnográfico . Dialektus festival Budapest 2007

Meta- 25`2005

Folk-Lore 01 Danças e Igreja 11`2008
Folk-Lore 02 Regadinho 5`

22 horas
Bfachada Tradição oral contemporânea 60`2008
Concerto com Bfachada – www.myspace.com/bfachada




24 Janeiro Sábado

18 horas
Videos
Manda Adiante 25`2007

Sonotigadores de tradições 25´2003
Vencedor do Grande premio Ovar Video 2003

Ao alcance de todos 25`2008

Aniki na Casa 52`2008

22 horas
Conversa com membros da Associação Pe de xumbo e Alexandre Matias da Associação Tradballs
Arritmia 44`2007
Baile Concerto – OMIRI
www.myspace.com/omirisound



25 Janeiro Domingo
15 horas
Mesa redonda – As recolhas videográficas e a arte contemporânea
Tiago Pereira
José Barbieri
Domingos Morais

Apresentação do projecto MEMORIAMEDIA por José Barbieri
www.memoriamedia.net»

09 dezembro, 2008

Tiago Pereira e B Fachada apresentam a «Tradição Oral Contemporânea»


TRAILER bfachada Tradição oral contemporânea from Tiago Pereira on Vimeo.

O realizador Tiago Pereira - o mesmo de «Arritmia» - e o cantor, músico e compositor B Fachada (que há pouco tempo lançou o seu novo EP, «Viola Braguesa», através da FlorCaveira) juntaram-se para filmar «Tradição Oral Contemporânea», mais um OVNI sonoro-visual de Tiago Pereira. Aqui em cima fica o trailer do filme e, aqui em baixo, o texto de B Fachada acerca do mesmo:

«Num impulso construtivo de análise do processo de tradicionalização, um documentarista do tradicional, Tiago Pereira, convida uma princesa da Pop, B Fachada, à auto-reflexão em torno das noções de autoria e criação. É este o ponto de partida.

Os dois viajam a um centro da Tradição Oral por excelência com o propósito de cruzar o processo estético urbano do músico com a criação comunitária rural; a troca de repertório e de metodologias com as vozes do campo é bem sucedida e acaba por transcender o projecto inicial. Simultaneamente, uma exploração visual do imaginário citadino do B Fachada constrói o paralelo entre a criação colectiva pelo indivíduo da Tradição rural com a criação individual pelo colectivo da Pop urbana.

A sobreposição da lírica comunitária com a lírica individual, da variação comunitária com a inovação individual levanta questões de interesse generalizado — Como é possível que romances comunitários cantados ha quinhentos anos possam tão explicitamente relacionar-se com canções de autor de há 5 semanas nos métodos e nos propósitos? Como pode a autoria artesanal urbana ser tão semelhante à variação rural da Tradição Oral?

Salvemos o Giacometti da triste desculturalização rural e mostremos-lhe o
frenético comunitário da urbe


Pré-exibição para a imprensa no dia 18 de Dezembro às 18h30 na ZDB.
ESTREIA NA GALERIA ZÉDOSBOIS NO DIA 9 DE JANEIRO».

22 setembro, 2008

Anamnesis - A Tradição Também é Som e Imagem


Filmes, concertos, workshops, VJing, interacção... - é disto e do resto que se verá e ouvirá que é feita a segunda edição do festival Anamnesis, que decorre em Vimioso, Trás-os-Montes, este fim-de-semana. Um festival atípico em que novas e nem por isso assim tão novas tecnologias (o Cinema já ultrapassou a barreira dos cem anos) dialogam com as mais fundas tradições e em que, desta vez, são os rios e a água que transportam as memórias. As intenções e o programa, nos parágrafos seguintes:


«Nesta segunda edição do ANAMNESIS, escolhemos a água como tema de fundo para o encontro. A nossa origem é líquida, a água é um elemento primordial, fonte de vida. As analogias são várias. A água transporta em si a memória da humanidade… os rios foram os berços da humanidade, todas as lendas da criação provem do universo líquido.

Na programação deste ano privilegiamos este elemento. Em colaboração com a associação Binaural promovemos uma oficina de recolha e tratamento de sons dos rios e da importância da água para as populações locais, encaramos o rio Angueira como a personagem principal e seguimos a sua voz ao longo do vale.

Nas palestras teremos a oportunidade de conhecer o trabalho de investigadores e promotores que se ocupam de recolhas da tradição oral e da patrimonialização das paisagens culturais relativas aos cursos de água. O caso do Arq. Nuno Martins do Parque Patrimonial do Rio Mondego, Vítor Casas investigador e divulgador incansável da cultura popular do noroeste peninsular, que presentemente se tem ocupado da memória dos usos humanos dos rios.

Nos filmes programados, voltamo-nos a focar na memória como dispositivo cinematográfico. Em Balaou de Gonçalo Tocha, uma viagem através do atlântico serve de apaziguamento para memórias mais dolorosas. Adán Aliaga filma de forma expressiva a relação entre uma avó e a sua neta e os seus diferentes pontos de vista sobre a mudança da paisagem no filme a Casa de mi abuela, obra de uma força poética irresistível.

Proporcionamos também um concerto num cenário fantástico, no castelo medieval de Algoso que contempla o Planalto Mirandês dum penhasco inantingivel. Um concerto com um bardo contemporâneo um cantautor da nova música portuguesa, Bernardo Fachada (na foto, de Vera Marmelo) que ao vivo musicará os filmes perdidos em super8 dos anos 70 do cineasta amador José Madeira, prestando assim a nossa homenagem a um trabalho desconhecido de um homem bastante preocupado com a memória. O seu filme Arroz Negro, sobre as plantações de arroz no Mondego foi vencedor de vários prémios internacionais em festivais de cinema amador, infelizmente ignorado entre nós.

Tendo como mote a capacidade anamnésica do cinema, cremos que é urgente recuperar o que se julgava esquecido, sejam histórias locais, do quotidiano ou mitos da criação de universos oníricos e longínquos. Neste espaço cabe tudo, ficção, documentário, animação, vídeo-arte, porque a capacidade de contar não tem limites, apenas a criatividade limita.

O património imaterial, a memória oral surge mais uma vez com toda a sua força visual, pois a forma como se conta a história é tão importante como a história em si. E isso não cabe na história escrita.

Continuamos a acreditar que a imaginação é mais forte que o conhecimento, por isso oferece estes frutos cinematográficos. Também por essa razão escolhemos um castelo medieval, numa aldeia do nordeste transmontano para os mostrar, pelos que aqui vivem, e por aqueles que terão coragem de ousar descobrir a região e os filmes…

Apesar da memória, do passado e da ancestralidade, não queremos pensar Trás-os-Montes como um espaço arcaico, queremos pensá-lo e sobretudo praticá-lo como lugar de futuro, reconhecendo a contemporaneidade do seu passado.

A presente programação é concebida como um processo, um caminho a percorrer. Não é fechada, procura a partilha e sobretudo a informalidade, quase um sentido comum, de fazer arte e de viver.



SEXTA FEIRA 26 Setembro de 2008

20h30 Vale d’Algoso

Recepção dos convidados

Apresentação do Encontro

21h00 Vale d’Algoso

Casa de mi abuela

La Casa de Mi Abuela

La Casa de mi abuela en la peculiar relacion que Marina, una nina de 6 anos, impulsiva e irreverente, tiene con Marita, su abuela de 75 anos. La rancia educacion a la que la abuela somete a la nina, provoca que esta se rebele no solo contra ella, sino contra todo aquel que intente corregir su comportamiento. A lo largo de varios anos se reconstruye la vida y costumbres de una familia, dejando al descubierto emociones y conflictos.

Adan Aliaga (2005), 80 min, Espagna

Filmography Adan Aliaga

La casa de mi abuela (2005)

Karlitos (2003)

Jaibo (2000)

Diana (1998)

No me jodas que tu no la haces (1995)

SABADO 27 Setembro de 2008

9h00 Castelo de ALGOSO

Officina Binaural: SINTONIZAR OS OUVIDOS E COMPOR COM OS SONS DO MUNDO


No nosso mundo moderno hiper-visual, onde somos constantemente bombardeados
por informação visual - televisão, publicidade, etc. - esquecemo-nos
frequentemente de como ouvir. Os participantes no workshop serão guiados a
³re-sintonizar² os seus ouvidos para dirigir a atenção ao mundo sonoro
extremamente rico que os rodeia, a escutar activamente e de forma
imaginativa, e não apenas a ouvir passivamente. Eles irão depois usar os
seus ouvidos e novas ferramentas tecnológicas para criar uma composição
sonora usando o mundo envolvente como instrumento.

O laboratório será conduzido por dois artistas especializados na várias
áreas em jogo (gravação de sons, processamento digital de áudio e composição
musical por computador) e propõe uma abordagem de aplicação prática imediata
dos conceitos e ferramentas, através do desenvolvimento de um projecto final
que incluirá contribuições de todos os participantes.

Officina organzado pela Associação Binaural.

http://www.binauralmedia.org/



13h00 Almoço no centro de Algoso

(Inscrição local)

14h30 Centro de Algoso

Officina Binaural: SINTONIZAR OS OUVIDOS E COMPOR COM OS SONS DO MUNDO

17h30 Castelo Algoso

Aperitivo com a aldeia de Algoso

Neste momento, queremos convidar a aldeia de Algoso nas nossas actividas e o “seu” Castelo. Um aperitivo vai ser ofrecido antes o concerto de as 18h.

18h00 Concerto B Fachada + Filmes José Madeira


19h30 Jantar no Castelo de Algoso

21h00 Castelo de Algoso

Balaou de Gonçalo Tocha

23h Bal no Castelo de Algoso + VJ TIAGO PEREIRA

As 23h o castelo transforma-se numa discotheca medieval... A mixture between tradition and modern technologies, a soup with gaiteiros e um VJ, uma mixtura picante…

VJ Tiago Pereira:

As tecnologias podem ajudar-nos a combater a cine tirania das salas fechadas de luzes apagadas, é possivel o realizador estar lá e apresentar o filme com
luz, com a sua presença e ir mudando a história conforme a reacção das
audiências, como algumas tribos africanas, isso muda tudo, o vj passa
a realizador e vice versa, as potencialidades criativas aumentam e o
lado humano fica mais próximo, quem fez o filme está lá bem perto do
público e ele faz parte da criação.

DOMINGO 28 Setembro de 2008

09h00 Vale d’Algoso – Casa Tourismo Rural

Introdução – Reunião inicial

09h15 Palestra I: Os rios e os seus usos humanos

10h30 Intervallo


11h00Palestra III: Mondego

13h Almoço Vale d’Algoso


14h30 Exibição dos resultados da officina Binaural

16h00 Enceramento»

Mais informações, aqui.

13 agosto, 2008

Andanças - Olha Que Coisa Mais Linda!!


B Fachada - TOC - Tradição oral contemporânea from Tiago Pereira on Vimeo.

Oh pá!! O Tiago Pereira é o realizador deste vídeo que é um autêntico hino ao festival Andanças - o mesmo Tiago que é o autor do belíssimo filme «Arritmia», igualmente dedicado ao Andanças! -, protagonizado por B Fachada. Não fui lá, ao Andanças, desta vez - aliás, não tenho ido nos últimos anos e auto-flajelo-me sempre depois por causa disso, quando oiço os amigos a falar do que por lá dançaram e viveram... - e imagens como estas, ou como as que também estão disponíveis aqui, via Rodobalho, só me fazem ir buscar o chicote, o silício e a vergasta outra vez!