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30 abril, 2007

O Intercéltico do Porto Está Vivinho da Costa!



O recuperado Cinema Batalha (vénia aos empregados, desde os do restaurante às do bar e aos porteiros da cave-discoteca, inexcedíveis em simpatia e profissionalismo) foi um excelente cenário para o Intercéltico do Porto, desta vez com a vantagem - sempre reclamada e só agora, felizmente, satisfeita - de ter uma plateia de pé onde se podia dançar e, diga-se, onde a dança nunca faltou. E, refira-se, um Batalha cheio no primeiro dia e quase cheio (havia Boavista-FC Porto nessa noite) no segundo. Nem tudo foi perfeito - Quico, atrás dos botões da mesa de som, queixava-se da reverberação da sala, com paredes ecoantes vivas e muito altas - mas o balanço foi mais que positivo. Na primeira noite actuaram os Lúmen (agora com Cristina Castro a ocupar, e muito bem, o lugar de vocalista), que puseram logo dezenas de pessoas a dançar ao som da sua música híbrida que tanto pode fazer uma abordagem punk da «Saia da Carolina» como pode mergulhar no flamenco ou cruzar o ska com a música «celta». Depois, os irlandeses Téada (diz-se «Têida», o que provocou algumas piadas óbvias entre o círculo de amigos que por lá se formou) mostraram como a maestria no domínio dos instrumentos (com destaque para o violonista Oisín Mac Diarmada) e o apego às raízes, neste caso à música maioritariamente originária de Sligo e também do cancioneiro dos emigrantes irlandeses nos Estados Unidos, pode também ser sinónimo de renovação e emoção e evolução. Depois, num espaço paralelo, os Bailebúrdia (e outros músicos que se quiseram a eles juntar) recuperaram muito bem o velho espírito do Intercéltico, com danças e despiques (chegou a haver cinco gaiteiros, ou mais?, a meter o «Smoke On The Water», dos Deep Purple, pelo meio de temas tradicionais). A noite, já longa, ainda teve uma extensão, como não podia deixar de ser, no Contagiarte. Na segunda noite, a surpresa foi os... Mu (na foto; de Nelson Silva). E surpresa porque, em poucos meses, o grupo cresceu imenso em maturidade, criatividade, coesão, alegria. Os Mu - que já antes faziam uma festa pegada ancorada nas danças tradicionais europeias - continuam nessa linha mas agora, agora que estão prestes a editar o seu segundo álbum e foi neste novo reportório que o concerto se baseou, com alguns acrescentos importantes em termos de formação: do grupo faz agora também parte Sérgio Calisto (violoncelo, moraharpa, bouzouki), que veio dar uma maior consistência ao grupo, e neste concerto tiveram como convidada em três temas a cantora Helena Madeira (ex-Dazkarieh, agora no Projecto Iara), cuja voz entrou que nem uma luva na música dos Mu. Semi-desilusão foram os galegos Pepe Vaamonde Grupo. Tal como os Téada, todos os músicos do PVG - liderados pelo gaiteiro... Pepe Vaamonde - são um portento de técnica, de precisão e da arte de bem recuperar a, neste caso, tradição musical galega. Mas, sabe-se lá porquê, no concerto do Intercéltico o grupo teve um défice de emoção que empobreceu a comunicação com o público e a beleza do espectáculo. Nada de grave, principalmente porque a seguir houve outra dose de Bailebúrdia, desta vez no hall do Batalha e com ainda mais gente a participar nas danças. O fim de noite, esse, ficou reservado para a surrealista incursão na delegação do Sporting no Porto feita por três benfiquistas (eu, o Luís Rei e o Pedro), onde encontrámos música feita por clones bastante credíveis dos Ramones e de Jimi Hendrix enquanto bebíamos as últimas cervejas e picávamos petiscos inesperados como fígado de cebolada e febras com morcela (tudo bastante picante!) preparados por uma senhora cabo-verdiana e... benfiquista. Só faltou a cachupa. Nota final 1: foi bom rever o Avelino Tavares, o mesmo anfitrião de sempre, de excelente saúde e com vontade de mais Intercélticos do Porto (venham eles!). Nota 2: está agora a sair um álbum, editado pela Som Livre, comemorativo dos vinte anos do festival em que estão canções de alguns dos artistas e grupos emblemáticos que já passaram por lá: Fairport Convention, Luar na Lubre, Júlio Pereira, Maddy Prior, Sétima Legião, Tri Yann, Kepa Junkera, Vai de Roda, Gaiteiros de Lisboa, Uxia, Kila, Brigada Victor Jara, Ghalia Benali & Timnaa, Carlos Nuñez, Galandum Galundaina, entre outros. Faltam muitos (mais de 80 projectos já estiveram no Festival), mas a amostra presente no disco é suficiente para se perceber o que o Intercéltico do Porto já fez pela divulgação de muitas, muitas músicas - e não só a, novamente entre aspas, «celta».

27 abril, 2007

Intercéltico do Porto - Começa Já Hoje!



Já tinha muitas saudades do Intercéltico do Porto. E não há melhor maneira de as matar, às saudades, que ir até lá e mergulhar de cabeça no calor e amizade que aquele Festival sempre nos dá. Vou com amigos, à espera de reencontrar amigos. E isso é bom... O programa do Festival - que decorre no Cinema Batalha - é, como já foi referido neste blog há dois meses, constituído por concertos dos Lúmen (Portugal) e Téada (Irlanda), hoje, dia 27; e dos Mu (Portugal) e Pepe Vaamonde Grupo (Galiza; na foto), amanhã, dia 28. Mas há uma novidade: depois dos concertos há bailes com música tradicional europeia pelos Bailebúrdia (grupo que integra alguns elementos dos Mu), no denominado Folk Club (café-concerto) do Cinema Batalha. Como extensão do Festival Intercéltico, a cidade minhota de Arcos de Valdevez acolhe hoje um concerto da Brigada Victor Jara e, amanhã, dos Téada, na Casa das Artes. E, para acompanhar o Festival, foi criado um blog que se pode encontrar aqui. Até domingo...

24 fevereiro, 2007

Intercéltico do Porto - O Regresso em Abril



É uma das melhores notícias do ano: o histórico Festival Intercéltico do Porto regressa em Abril à Invicta, com grupos de Portugal, da Irlanda e da Galiza a fazerem a festa. O Festival - em 16ª edição e voltando ao Porto depois de um ano de ausência desta cidade - decorre nos dias 27 e 28 de Abril, no Cinema Batalha, com o primeiro dia a ser preenchido com concertos dos Lúmen (jovem banda folk portuense que, o ano pasado, editou um magnífico álbum de estreia, «Fogo Dançante») e dos Téada (na foto), um dos mais originais, ousados e inventivos grupos irlandeses da actualidade. Na segunda noite, a festa abre com os Mú, outro grupo da Invicta e a garantia de muitas danças tradicionais europeias a saltarem do palco para a plateia. E, na Invicta, o festival termina com o recente e excitante projecto Pepe Vaamonde Grupo, liderado por este gaiteiro das nossas terras-irmãs da Galiza. E, tal como tem acontecido nos últimos anos, o Intercéltico do Porto tem uma extensão em Arcos de Valdevez (o ano passado, aliás, o Festival - sob a designação Noites Folk - teve nesta localidade minhota o seu único «porto» de abrigo), com concertos da Brigada Victor Jara, dia 27, e dos Téada no dia 28. A organização é, como sempre, do Mundo da Canção.

13 outubro, 2006

Festivais - O Gesto Orelhudo, Entrelaços e Fest-i-Ball


São raros os festivais world/trad/folk/etc,etc fora da época alta, mas ainda acontecem por aí alguns, e bastante interessantes. Como o O Gesto Orelhudo em Águeda, o Entrelaços em Castelo Branco e o Fest-i-Ball em Lisboa.

O festival de música, teatro e bailado O Gesto Orelhudo, organizado pela d'Orfeu, começa hoje em Águeda e decorre até dia 21 deste mês. Esta quinta edição inicia-se hoje à noite com um espectáculo de música e teatro, «Charanga», pela Companhia Circolando e continua com concerto dos sintrenses Kumpa'nia Al-gazarra. E o festival segue com um concerto do açoriano José Medeiros e a «extravagância» dos holandeses «musicómicos» Slampampers, dia 14; teatro pelo suiço Oskar, dia 15; teatro pelo duo Descalças e concerto dos almadenses multinacionais O'QueStrada, dia 16; outra sessão das Descalças e teatro por um trio de actores do Chapitô, dia 17; Descalças (em dose dupla, teatral e musical) e mímica pelo trio ESTE - Estação Teatral, dia 18; bailado pela Companhia Paulo Ribeiro e canções pelo Trigo Limpo, dia 19; música e humor pelo belga Bernard Massuir e concerto dos galegos Marful, dia 20; e, a encerrar, um concerto cómico pelos italianos e outro pelos Toques do Caramulo, dia 21. Mais informações aqui.

Por sua vez, o Entrelaços 2006 - VII Festival Internacional de Música Tradicional de Castelo Branco começa amanhã e ocupará três fins-de-semana consecutivos. O festival, que decorre no Cine-Teatro Avenida, inclui concertos da Orquestra de Harmónicas de Ponte-de-Sôr e dos portuenses Lumen, amanhã, dia 14; do grupo de jazz Comcordas e dos festivos portuenses Mu (na foto), dia 21; e da Orquestra Típica Albicastrense - Musicalbi, no dia 28. Mais informações aqui.

E no Teatro Ibérico, em Lisboa, decorre de 27 a 29 deste mês o Fest-i-Ball, ponto de encontro dos cultores das danças tradicionais de todo o mundo. E, para além dos workshops de danças (valsas, mazurkas, polskas, tradicionais portuguesas...) durante a tarde também haverá concertos à noite. Com os Discantus, Fol&ar e Stéphane Delicq (dia 27); Pascal Seixas, Roncos do Diabo e Stéphane Delicq (dia 28); e Alfa Arroba (este ao fim da tarde, dia 29). Mais informações aqui.

17 agosto, 2006

Folk em Portugal - Fornada Primavera/Verão


Três álbuns de grupos portugueses - Lúmen (na foto), Arrefole e Ginga - com várias coisas a uni-los: a busca activa das raízes da música tradicional portuguesa e algumas pontes lançadas à folk dita «céltica»; a coincidência de dois deles serem editados pela Açor - a activa editora de Emiliano Toste que tantos álbuns desta área tem lançado - e de todos serem distribuídos pela Megamúsica, distribuidora que representa algumas das maiores editoras estrangeiras de world e de folk em Portugal. E algumas a separá-los: o gosto, o tipo de abordagem e a qualidade final dos resultados. Mas, independentemente das diferenças, uma coisa é certa: ainda bem que estes discos existem.

LÚMEN
«FOGO DANÇANTE»
Ed. de Autor/Megamúsica

Deste lote de álbuns, «Fogo Dançante», dos estreantes Lúmen, é claramente o melhor. Nascidos no Porto, das cinzas dos Roldana Folk (e, mais remotamente, dos Frei Fado d'El Rei), os Lúmen mostram aqui uma música madura apesar do pouco tempo que têm como banda, com algumas versões de temas tradicionais muito bem conseguidas - como o tema galego «Airiños», o tradicional «A Saia da Carolina» e a francesa adaptada «Variando na Sansonette» -; muitos originais bastante interessantes - com destaque para «Donari-Ára» (com uma bandola a levar a canção para sul, na direcção do fado e dos ouds árabes, e uma gaita a levá-la para a Galiza), a celti-prog-fado «A Noite dos Deuses», o divertidíssimo «Ska Celta», que é o que o título diz mas também tem pozinhos de Balcãs, de klezmer e de música turca, o exercício punk-transmontano muito bem conseguido «Escuta a Redondilha» ou o lindíssimo «Dança dos Vasos» -; um excelente domínio dos instrumentos (a gaita-de-foles soa sempre muito, muitíssimo, bem; o acordeão é óptimo; as percussões excelentes...) e muito bom gosto nos arranjos. Elo mais fraco disto tudo: a voz de Cristina Bacelar, que parece não se sentir à vontade nestes temas. (8/10)

ARREFOLE
«VEÍCULO CLIMATIZADO»
Açor/Megamúsica

Não tão bom quanto o dos Lúmen, mas muito interessante é o álbum dos Arrefole, grupo do Porto, facto que é festejado claramente nos interlúdios dos temas: gravações efectuadas num comboio, nas ruas, num barco (rabelo?) ou no metro da Invicta. Fazendo uso de um naipe de instrumentos alargado e de várias proveniências - percussões árabes, africanas, irlandesas e portuguesas, bouzoukis, gaitas, flautas, bandolins, cavaquinhos... -, os Arrefole viajam por uma música portuguesa imaginária que tem as suas raízes numa Idade Média de influência mourisca, judia e dos povos do Norte: os bretões, os escoceses, os leoneses, os irmãos mirandeses e galegos... Apesar de bastante homogéneo, no álbum destacam-se o medley de tradicionais que deu origem a «Barqueiros», o original «Metro-nomo», o «celtibero» «Gutlics», uma sentida homenagem a Júlio Pereira em... «Júlio Pereira» (cuja influência é notória noutros temas, nomeadamente em «Arrebirachula») ou o quase Pascal Comelade «Caixinha de Música». Com uma assinalável variedade tímbrica de tema para tema, a música dos Arrefole só se vai abaixo quando tem que se adaptar às vozes utilizadas (à semelhança do que acontece com os Lúmen), excepto, curiosamente, num bom tema só com vozes, o tradicional minhoto «A Minha Saia Velhinha». (6/10)


GINGA
«CELEBRATIO»
Açor/Megamúsica

Claramente o álbum mais fraco desta fornada, o disco dos conimbricenses Ginga perde-se - demasiadas vezes - naquilo que o folk-rock tem de pior: barragens de guitarras eléctricas despropositadas (e alguns solos de guitar-hero seventies-FM), longos exercícios de rock sinfónico, teclados prog-lounge, uma bateria quadradinha, quadradinha... Tudo isto aplicado a tradicionais mais ou menos óbvios de várias zonas do país («Farrapeira», «Pingacho», «Róró», «Milho Verde», «Este Linho É Mourisco», «Chegadinho», «Tempo da Mocidade», «As Armas do Meu Adufe»...). Há coisas boas no álbum?... Há, claro que há: a concertina não é nada má, a gaita-de-foles e os cavaquinhos (quando aparecem) soam quase sempre bem, o violino do convidado Manuel Rocha (da Brigada Victor Jara) é uma maravilha, há uma canção ou outra que está em bom nível, como «Borboleta Branca» ou «Agora Vou-me Deitar». Mas os momentos mais fracos são demasiados e há mesmo algumas coisas bastante penosas de ouvir como a voz de Isabel Silvestre a correr atrás da banda em «Laurinda». (4/10)