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14 agosto, 2010

Jane Birkin - Uma Mulher do (e Com o Seu) Mundo


À medida que, nós homens, vamos envelhecendo - frase que se diz quando já se ultrapassaram os 40 anos de idade (até aos 30 e tais diz-se "à medida que vamos crescendo") - vamo-nos apercebendo que houve mulheres que, embora só as conhecendo à distância, contribuíram decisivamente para aquilo que nós somos agora: mulheres do cinema e da música, da poesia e da pintura, da dança e de outras vidas. E à medida que nós, ao mesmo tempo jornalistas e homens, vamos tendo o privilégio de contactar directamente com algumas delas - umas mais velhas e sábias, como a Marianne Faithfull, a Cesária Évora, a Susana Baca... e outras mais novas mas igualmente sábias, como a Lila Downs, a Rokia Traoré, a PJ Harvey... - vamos ficando com a certeza maior de que, ao fim de muitas centenas de entrevistas, foi com elas que aprendemos mais, e melhor, a crescer e a envelhecer. Um exemplar exemplo - pois! - disso mesmo foi a minha conversa, e a crítica ao mais recente disco, com uma das divas da minha juventude, uma conversa muito mais longa do que aquilo que aqui fica e que foi publicada há alguns meses na "Time Out", com Jane Birkin, cantora, actriz, realizadora de cinema e mito e musa transversal de várias gerações de homens que cresceram, ou envelheceram, com ela.



Jane Birkin
"Enfants d'Hiver"
Liberty

Se Camões tinha como musas as tágides, Serge Gainsbourg teve também as suas "senágides": Brigitte Bardot, Juliette Gréco, Françoise Hardy, Catherine Deneuve, Vanessa Paradis... A lista é quase interminável. Mas, acima de todas elas, sempre esteve Jane Birkin, muito provavelmente a melhor intérprete de sempre do reportório do grande poeta francês e aquela que, por direito próprio, sempre pôs a sua voz ao seu serviço, antes e depois da sua morte. Nos últimos anos, no álbum Arabesque, Birkin atreveu-se - e bem! - a interpretar temas de Gainsbourg embaladas em arranjos que deviam tudo à música árabe e magrebina. No seguinte, Fictions, o “fantasma” de Gainsbourg foi afastado com a presença de compositores vindos da pop e do rock como Rufus Wainwright, Neil Hannon, Beth Gibbons, Dominique A ou os Magic Numbers, de versões de temas de Neil Young ou Tom Waits e da presença de Johnny Marr (o ex-guitarrista dos Smiths) a dar um ar de sofisticação eléctrica ao todo.
E, no mais recente "Enfants d'Hiver", Birkin dá o passo seguinte, assumindo-se como a letrista de todas as canções – e todas elas cantadas em francês, à excepção de “Aung San Suu Kyi”, dedicada à activista birmanesa e Prémio Nobel da Paz e cantada em inglês. Sai-se muito bem da tarefa: as letras são belíssimas, pessoais, íntimas, sofridas, sacadas directamente da alma de uma mulher madura e que já conviveu com muitas tragédias pessoais e familiares. Mas, apesar disso, é um disco luminoso que flui sempre muito bem por entre arranjos simples, quase sempre absolutamente acústicos e pouco elaborados. As excepções – nesta tendência, que não no bom-gosto – são “Oh Comment Ça Va?” (muito “Walk On the Wild Side”, de Lou Reed) e “Aung San Suu Kyi”, uma canção heróica com gaitas-de-foles.


Entrevista Jane Birkin
Com quantas caixas se faz a vida

Ícone vivo da cultura pop, a cantora (e agora, compositora), actriz e realizadora Jane Birkin ultrapassa a barreira dos sessenta anos com um novo álbum, "Enfants d'Hiver", e um filme realizado por ela, "Boxes". O disco é apresentado ao vivo, dia 8, no CCB, e o filme é mostrado um dia antes, no S. Jorge. E neles está muito do que é, e foi, a sua vida, como confessa nesta conversa com António Pires.

Em muitos discos anteriores, a Jane cantava as palavras dos outros. No novo, "Enfants d'Hiver", foi a Jane que escreveu todas as letras. É este o tempo certo para se mostrar ao mundo como letrista e logo de uma forma tão pessoal?

Estas letras revelam muito dos meus sentimentos pessoais. Há duas relativas a duas filhas minhas [Nota: Jane Birkin tem três filhas: Kate, filha do compositor John Barry; Charlotte, filha de Serge Gainsbourg; e Lou, filha de Jacques Doillon]: uma que teve um acidente e outra que não andava bem. Essas duas revelam o meu lado maternal; mas há outras que falam da minha infância, da minha busca de romance, de decepções amorosas ou do aspecto que a minha cara (com esta idade) revela. Escrevi-as sozinha, num ambiente de grande solidão e alguma melancolia. O nome do disco foi-me inspirado pelo meu irmão, Andrew [argumentista e realizador de cinema].

Mas uma das canções do disco ultrapassa essa esfera pessoal, ou familiar, e é um manifesto – e cantado em inglês, ao contrário do resto do disco, em francês - de apoio a Aung San Suu Kyi, líder da oposição à ditadura na Birmânia. É uma canção quase heróica, com gaitas-de-foles...

Sim, o resto do álbum é muito pessoal, muito íntimo, mas esta canção de certa forma também o é. Na minha vida tenho-me dedicado a várias causas políticas e humanitárias. Estive no Ruanda depois do genocídio, na Bósnia, na Palestina... Há demasiado horror no mundo para que fique parada a observar. Por Aung San Suu Kyi tenho uma enorme ternura e respeito. Tive a sorte de a conhecer pessoalmente e a sensação com que fiquei foi que estava na presença de alguém semelhante a Ghandi. Estou constantemente com receio de que um dia, esteja ela na sua casa sob vigilância ou na prisão, alguém me telefone a dizer “Aung San Suu Kyi morreu”. Aung San Suu Kyi é a única esperança de democracia – e de luta contra as actuais condições de vida na Birmânia: o tráfico de droga, a mortalidade infantil, a SIDA... - e a sua vida está em risco permanente. [Nota: o site de Jane Birkin é, em boa parte, dedicada à causa de Aung San Suu Kyi e, ontem, terça-feira, a cantora organizou uma vigília em Paris de apoio à Prémio Nobel da Paz]

Este disco tem uma canção com uma forte pulsão rock, quase Lou Reed, que é “Oh Comment Ça Va”. Mas tudo o resto é muito mais clássico e acústico. Esta opção pela simplicidade, pelo acústico, é uma forma de sublinhar a importância das palavras?

Eu poria a questão de outra maneira: como as palavras são modestas, precisavam de uma orquestração modesta. Neste álbum tive vários compositores musicais e, juntamente com o arranjador, tentei que tudo soasse o mais simples e minimal possível; sem bateria nem grandes secções de cordas. E isso tem a ver também com o conteúdo das canções, muitas delas bastante tristes. Neste disco estou, de certa forma, a despir-me, a expor-me, de uma forma honesta.

O seu filme "Boxes", em que é realizadora, argumentista e actriz, fala de uma mãe e de três filhas de três relações diferentes. Mas a Jane costuma dizer que não é auto-biográfico, apesar das semelhanças óbvias...

Há essa ligação evidente com a minha própria vida mas não é autobiográfico: no filme evitei expressamente referências da minha vida com os pais das minhas filhas. Mas eu sempre fui muito auto-crítica comigo mesmo e o filme reflecte, de certa forma, essa auto-crítica na boca das personagens do filme. Agradou-me a ideia de fazer um filme com uma mulher de 45 anos que está a viver o seu último amor e tem as suas três filhas a criticá-la, a confrontá-la. Uma mulher que muda de casa, abre as suas caixas [Nota: boxes] de onde emergem também depois os fantasmas de muita gente do passado...

Nos últimos anos, assisti a dois concertos seus. Um em que apresentou "Arabesque" - com canções de Serge Gainsbourg arranjadas num contexto de música árabe - e outro em que apresentou "Fictions". E mesmo neste, dedicado a um álbum que não tinha canções de Gainsbourg, cantou as canções dele em palco... É inevitável fazê-lo, não é?

(Risos) É! E se não o fizer, as pessoas que me vão ver não o irão aceitar. Não irão compreender porque é que eu, que tive a sorte de ter um dos maiores poetas a escrever canções para mim, e algumas das mais belas que alguma vez foram escritas, não uso esse património. Por isso, para não se sentirem enganadas, eu irei cantá-las mais uma vez.

21 abril, 2009

Os Poderes do Povo...


Folk-Lore 4 - Experiências para - Mandrake from Tiago Pereira on Vimeo.

Agora que se aproximam mais umas comemorações do 25 de Abril de 1974, se calhar é bom não esquecer que há outros, e estes permanecem mesmo!, «poderes do povo» - chamem-lhes magia, paganismo, bruxaria, sabedoria, mezinharia, ciência popular, o que se quiser... Veja-se aqui, neste novo e fabuloso micro-filme de Tiago Pereira (e pontuado, às vezes, pela rabeca dos Galandum Galundaina), no episódio número quatro da série Folk-lore.

10 março, 2009

O Que é «Pirabar»? (Ou... Este é Mais Um OVNI do Tiago Pereira)


FOLK-LORE 3- Calizio from Tiago Pereira on Vimeo.
O vídeo-magazine «Folk-Lore» tem agora mais um tomo, este, o terceiro. E se os outros já eram estranhos - como estranhos são muitos dos trabalhos cinematográficos de Tiago Pereira -, este ainda consegue ser (um bocadinho) mais. Mas o melhor é vê-lo, sem legendas, mas com a atenção necessária para se perceber como é que em calizio - o calão ainda usado por algumas pessoas na Serra do Caramulo - se diz «festa», «prisão» ou «sexo».

03 fevereiro, 2009

A Festa dos Montes - Uma Monografia de Julieta Silva


Julieta Silva - que passou pelo GEFAC e, até há pouco tempo, pelos Chuchurumel, estando agora nos Diabo a Sete - é a autora de uma monografia sobre a Festa dos
 Montes
 (na foto, de Agostinho Sanches), que se realiza em Montes, concelho de Trancoso, no primeiro domingo do mês de Fevereiro. O livro é lançado esta semana, em Trancoso. E, para explicar o que é isto da Festa dos Montes, o melhor é deixar aqui o texto de apresentação do livro:

«A Festa dos Montes é um estudo etnomusicológico de Julieta Silva sobre a Festa do São Brás dos Montes [Montes, Trancoso]. Trata-se de um trabalho realizado no âmbito do Seminário Práticas Musicais Tradicionais em Portugal, sob a orientação da Doutora Maria do Rosário Pestana [Seminário integrado na Pós-Graduação em Estudos de Música Popular, com orientação científica da Doutora Salwa El-Shawan Castelo-Branco, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa].

A obra vai ser apresentada no dia 7 de Fevereiro [na véspera de mais uma edição da Festa do São Brás dos Montes], pelas 16h30, no Cine-Auditório Jacinto Ramos, em Trancoso. Será também apresentado o filme "A Batalha dos Montes", de Maria Lino e Zigud, sobre a mesma temática. O filme é uma edição Luzlinar.

O livro estará disponível, a partir da sua apresentação pública, através do sítio:
http://www.atrasdosbarrocos.com»

02 fevereiro, 2009

Biel Ballester Trio - De Woody Allen a... Lisboa e Portimão


O grupo catalão Biel Ballester Trio - que parte do jazz manouche inventado por Django Reinhardt para outros estilos como a bossa-nova ou a rumba - regressa a Portugal para dois concertos, dia 9 de Abril no MusicBox, em Lisboa, e um dia depois no Teatro Municipal de Portimão. Isto, depois de terem tocado com Woody Allen na estreia do filme que este realizador dedica à cidade de Barcelona, «Vicky Cristina Barcelona» (filme em que trio participa com dois temas para a banda-sonotra). O comunicado oficial:

«BIEL BALLESTER TRIO

Gypsy Jazz

Os Biel Ballester Trio são um grupo que se enquadra perfeitamente no mundo do jazz e que interpreta este estilo musical com uma personalidade muito própria através do chamado "Jazz Manouches". O que se pode afirmar do "Gypsy Jazz" é que se trata do estilo de jazz menos americano e do mais europeu de todos os que se interpretam no mundo.

Os Biel Ballester Trio têm dois temas de sua autoria no último filme realizado pelo mundialmente conhecido Woody Allen, "VICHY CRISTINA BARCELONA" (Scarlett Johanson, Javier Bardem e Penélope Cruz) temas esses que foram escolhidos pelo próprio woody Allen.

Como curiosidade o realizador fez questão de actuar com o grupo aquando da sua passagem por Barcelona para a apresentação e estreia do filme.

O grupo está ainda incluído na banda Sonora do CD com os dois temas do filme juntamente com outros artistas entre os quais Paco de Lúcia e Juan Serrano.

Em Portugal já actuaram em 2008 no Rota Jazz Trofa; Auditório de Lagoa; Festival MED (Loulé), Montemor-o-Novo, entre outros locais».

21 janeiro, 2009

«We Are All» - O Boom Festival em DVD


Depois do livro sobre o festival, surge agora um DVD dedicado ao Boom Festival, «We Are All». Colectânea de documentários, reportagens e uma curta-metragem, este é um bo(o)m documento do que é o festival (as muitas músicas; o ambiente; os cuidados ecológicos). O comunicado oficial de apresentação:

«“We Are All”, é uma edição em DVD que retrata alguns dos aspectos que fazem deste um evento ímpar em todo o mundo.

No começo do ano de 2008 o Boom Festival lançou um livro. Agora, e depois da sua edição que decorreu em Agosto de 2008, é a vez do festival apresentar um DVD. Assim se mantém a produção de cultura independente deste evento único no mundo – que recebeu o The Greener Festival Award 2008 e o titulo de mérito “Outstanding”, que apenas oito eventos em todo o mundo se orgulham de ostentar.

O DVD “We Are All” retrata o Boom Festival 2008. Contém dois documentários, uma curta-metragem e mais de uma dezena de peças jornalísticas da Boom Web TV. A edição em DVD “We Are All” é limitada e numerada. Não obstante, terá comercialização em todo o mundo através de uma rede de lojas especializadas, quer através da Web, quer no comércio cultural tradicional.

Um dos documentários (homonimamente denominado “We Are All”) é um retrato de cerca de 55 minutos acerca do público, das áreas artísticas, da multidisciplinaridade e interculturalidade, ou os projectos de sustentabilidade do Boom 2008.

“Boom Doing It”, é uma perspectiva documental sobre os factos e episódios que se viveram na construção do Boom Festival 2008. Esta é uma visão humana e sincera do que rodeia a produção do Boom Festival.

No DVD pode encontrar ainda as peças jornalísticas da Boom Web TV com o seu habitual teor activista. Exploram-se temas da actualidade e aspectos concretos do Boom Festival, como são os exemplos da iniciativa “O Seu Óleo É Musica” e da reutilização dos materiais do Rock in Rio.

Por último, os cineastas franceses Marc Roberts e Hervé Jakubowlcz criaram uma curta-metragem (“A Quiet Place”) em jeito de sátira da experiência de dança no Boom Festival. Esta dupla tem no seu currículo a participação na equipa de produção de filmes ímpares como “Munique”, “Babel” ou “Astérix nos Jogos Olímpicos”.

Este DVD é mais uma contribuição do Boom para uma forma de fazer cultura independente, intercultural, multidisciplinar e com práticas únicas de sustentabilidade ambiental».


Mais informações sobre este DVD, aqui.

15 janeiro, 2009

Tiago Pereira - Dez Anos a Guardar Memórias


OMIRI LIVE - A la Muse from Tiago Pereira on Vimeo.


O realizador Tiago Pereira apresenta a totalidade da sua obra num ciclo que lhe é dedicado e que pode ser visto na Fábrica do Braço de Prata, de 22 a 26 de Janeiro. No ciclo estão também integrados concertos - Omiri (no vídeo em cima) e B Fachada - e conferências. A programação completa, já a seguir... E, muitos parabéns, Tiago!!

«Tiago Pereira faz video há 10 anos, trabalha essencialmente na alfabetização da memória, na necessidade de documentar, preocupado com a tradição oral, e com a ponte geracional faz recolhas video por esse país todo, que depois reconstrói. Alguns dos seus videos ja receberam prémios nacionais e internacionais.

Esta programação visa celebrar os 10 anos da sua actividade, mostrando alguns dos seus filmes e não só, também a sua actividade como vj e video músico e o trabalho de outras pessoas que com ele trabalham ou já trabalharam e que de alguma forma se englobam no seu universo.

PROGRAMAÇÃO

22 Janeiro Quinta feira

18 horas
Videos
Quem canta seus males espanta 9´1998
Vencedor do Prémio: melhor realizador Português- Encontros de Cinema Documental da Malaposta

O que é a Imagem? 10`2001

Projecto Pro memória co realizado com Raquel Castro
A arte da Memória 14`2004
Os povoadores do tempo 15`2004
Disparem à vontade 15`2005

21.30
Conversa com Raquel Castro
Paisagens Sonoras
Filme
Soundwalkers de Raquel Castro


23 Janeiro Sexta feira

18 horas
Videos
11 burros caem no estômago vazio 26`2006
Vencedor do Premio: melhor curta metragem Portuguesa – Doc Lisboa 2006 –
Melhor filme Etnográfico . Dialektus festival Budapest 2007

Meta- 25`2005

Folk-Lore 01 Danças e Igreja 11`2008
Folk-Lore 02 Regadinho 5`

22 horas
Bfachada Tradição oral contemporânea 60`2008
Concerto com Bfachada – www.myspace.com/bfachada




24 Janeiro Sábado

18 horas
Videos
Manda Adiante 25`2007

Sonotigadores de tradições 25´2003
Vencedor do Grande premio Ovar Video 2003

Ao alcance de todos 25`2008

Aniki na Casa 52`2008

22 horas
Conversa com membros da Associação Pe de xumbo e Alexandre Matias da Associação Tradballs
Arritmia 44`2007
Baile Concerto – OMIRI
www.myspace.com/omirisound



25 Janeiro Domingo
15 horas
Mesa redonda – As recolhas videográficas e a arte contemporânea
Tiago Pereira
José Barbieri
Domingos Morais

Apresentação do projecto MEMORIAMEDIA por José Barbieri
www.memoriamedia.net»

09 dezembro, 2008

Tiago Pereira e B Fachada apresentam a «Tradição Oral Contemporânea»


TRAILER bfachada Tradição oral contemporânea from Tiago Pereira on Vimeo.

O realizador Tiago Pereira - o mesmo de «Arritmia» - e o cantor, músico e compositor B Fachada (que há pouco tempo lançou o seu novo EP, «Viola Braguesa», através da FlorCaveira) juntaram-se para filmar «Tradição Oral Contemporânea», mais um OVNI sonoro-visual de Tiago Pereira. Aqui em cima fica o trailer do filme e, aqui em baixo, o texto de B Fachada acerca do mesmo:

«Num impulso construtivo de análise do processo de tradicionalização, um documentarista do tradicional, Tiago Pereira, convida uma princesa da Pop, B Fachada, à auto-reflexão em torno das noções de autoria e criação. É este o ponto de partida.

Os dois viajam a um centro da Tradição Oral por excelência com o propósito de cruzar o processo estético urbano do músico com a criação comunitária rural; a troca de repertório e de metodologias com as vozes do campo é bem sucedida e acaba por transcender o projecto inicial. Simultaneamente, uma exploração visual do imaginário citadino do B Fachada constrói o paralelo entre a criação colectiva pelo indivíduo da Tradição rural com a criação individual pelo colectivo da Pop urbana.

A sobreposição da lírica comunitária com a lírica individual, da variação comunitária com a inovação individual levanta questões de interesse generalizado — Como é possível que romances comunitários cantados ha quinhentos anos possam tão explicitamente relacionar-se com canções de autor de há 5 semanas nos métodos e nos propósitos? Como pode a autoria artesanal urbana ser tão semelhante à variação rural da Tradição Oral?

Salvemos o Giacometti da triste desculturalização rural e mostremos-lhe o
frenético comunitário da urbe


Pré-exibição para a imprensa no dia 18 de Dezembro às 18h30 na ZDB.
ESTREIA NA GALERIA ZÉDOSBOIS NO DIA 9 DE JANEIRO».

18 novembro, 2008

Imagens Sobre Música - Documentários Musicais na Fonoteca de Lisboa


A partir de hoje, dia 18, e até dia 22, a Fonoteca Municipal de Lisboa apresenta um ciclo de documentários portugueses (ou do círculo da lusofonia) sobre música, um ciclo alargado que mostra «Imagens sobre Música», do kuduro ao fado, das músicas tradicionais aos Heróis do Mar (na foto, de João Bafo). A notícia que se segue foi sacada directamente no blog Sons Vadios:

«Imagens sobre Música
Mostra de Filmes Documentários
(4ª edição)

18 a 22 de Novembro de 2008

Entrada Livre
Na prossecução dos seus objectivos de divulgar a música em geral, e a portuguesa em particular, nas suas várias expressões, a Fonoteca Municipal de Lisboa promove, pela quarta vez consecutiva, [12] Imagens sobre Música Mostra de Filmes Documentários.

A África da kizomba e do kuduro está fortemente representada nesta edição, com três filmes que são também três perspectivas complementares sobre a crescente afirmação da música angolana no panorama actual. Mas também a Lisboa do encontro de culturas; o fado "de aquém e além-mar"; as danças como expressão local e paixão universal; a paisagem enquanto moldura sonora; a literatura como fonte inspiradora da composição; o tempo entre um "Portugal antigo e um Portugal moderno", ao som de uma banda rock. São diversas as dimensões que se cruzam nestas [12] Imagens sobre Música.

Imagens sobre Música - Mostra de Filmes Documentários (4ª edição) irá decorrer entre os dias 18 e 22 de Novembro nas instalações da Fonoteca Municipal, com entrada livre. Em cada dia serão projectados dois filmes, a partir das 18h, à excepção de Sábado, último dia da mostra,
onde serão apresentadas quatro projecções, com início às 17h30.

Programa

____18 Novembro (Terça-feira)

[18:00] Mãe Ju ( 55' )
realiz. Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade,
prod. Noland Films, 2007.

[19:00] Margem Atlântica ( 57' )
realiz. Ariel de Bigault,
prod. FMC, Filmoblic e Real Ficção, 2006.


____19 Novembro (Quarta-feira)

[18:00] Canção d'Além-Mar: O Fado na Cidade de
Santos pela Voz de seus Protagonistas ( 55' )
realiz. e prod. Eduardo de A. Teixeira e
Heloísa de A. Duarte, 2008.

[19:00] É Dreda ser Angolano ( 65' )
realiz. e prod. Fazuma, 2007.


____20 Novembro (Quinta-feira)

[18:00] Kuduro, Fogo no Museke ( 50' )
realiz. Jorge António, prod. Lx Filmes, 2008.

[19:00] A Terra Antes do Céu ( 60' )
realiz. João Botelho, prod. Ar de Filmes, 2007.


____21 Novembro (Sexta-feira)

[18:00] Arritmia ( 44' )
realiz. Tiago Pereira, prod. Pé de Xumbo, 2007.

[19:00] Brava Dança ( 80' )
realiz. Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro,
prod. Filmes do Tejo II, em assoc. com A Ventura
Humana e Nervo , 2006.

____22 Novembro (Sábado)

[17:30] Soundwalkers ( 30' )
realiz. Raquel Castro , prod. Bazar do Vídeo, 2007.

[18:05] Paisagens Sonoras ( 15' )
realiz. e prod. Pedro Gil e José Ceia Leitão, 2007

[18:25] Manda Adiante (27')
realiz. Tiago Pereira, prod. Pé de Xumbo, 2007.

[19:00] Fados ( 90' )
realiz. Carlos Saura, prod. Fado Filmes, 2007»

17 outubro, 2008

Auto-Promoção (ou World DJing no DocLisboa)


Em contacto de última hora - mas nem por isso menos bem-vindo -, o autor deste blog e DJ nas horas vagas António Pires foi convidado para pôr música no festival de cinema documental DocLisboa, amanhã (sábado) à noite e na próxima quinta-feira, com ambas as sessões a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa. A primeira sessão tem como mote a música cubana e o documentário «Black Tears» («Lágrimas Negras»), dedicado ao mítico grupo Vieja Trova Santiaguera (na foto). A segunda sessão, que parte da música moçambicana para outras músicas africanas, terá como pedra de toque os filmes de temática moçambicana «Hóspedes da Noite», de Licínio de Azevedo, e «Kuxa Kanema: O Nascimento do Cinema», de Margarida Cardoso.

Programação completa e demais informações sobre o DocLisboa, aqui.

22 setembro, 2008

Anamnesis - A Tradição Também é Som e Imagem


Filmes, concertos, workshops, VJing, interacção... - é disto e do resto que se verá e ouvirá que é feita a segunda edição do festival Anamnesis, que decorre em Vimioso, Trás-os-Montes, este fim-de-semana. Um festival atípico em que novas e nem por isso assim tão novas tecnologias (o Cinema já ultrapassou a barreira dos cem anos) dialogam com as mais fundas tradições e em que, desta vez, são os rios e a água que transportam as memórias. As intenções e o programa, nos parágrafos seguintes:


«Nesta segunda edição do ANAMNESIS, escolhemos a água como tema de fundo para o encontro. A nossa origem é líquida, a água é um elemento primordial, fonte de vida. As analogias são várias. A água transporta em si a memória da humanidade… os rios foram os berços da humanidade, todas as lendas da criação provem do universo líquido.

Na programação deste ano privilegiamos este elemento. Em colaboração com a associação Binaural promovemos uma oficina de recolha e tratamento de sons dos rios e da importância da água para as populações locais, encaramos o rio Angueira como a personagem principal e seguimos a sua voz ao longo do vale.

Nas palestras teremos a oportunidade de conhecer o trabalho de investigadores e promotores que se ocupam de recolhas da tradição oral e da patrimonialização das paisagens culturais relativas aos cursos de água. O caso do Arq. Nuno Martins do Parque Patrimonial do Rio Mondego, Vítor Casas investigador e divulgador incansável da cultura popular do noroeste peninsular, que presentemente se tem ocupado da memória dos usos humanos dos rios.

Nos filmes programados, voltamo-nos a focar na memória como dispositivo cinematográfico. Em Balaou de Gonçalo Tocha, uma viagem através do atlântico serve de apaziguamento para memórias mais dolorosas. Adán Aliaga filma de forma expressiva a relação entre uma avó e a sua neta e os seus diferentes pontos de vista sobre a mudança da paisagem no filme a Casa de mi abuela, obra de uma força poética irresistível.

Proporcionamos também um concerto num cenário fantástico, no castelo medieval de Algoso que contempla o Planalto Mirandês dum penhasco inantingivel. Um concerto com um bardo contemporâneo um cantautor da nova música portuguesa, Bernardo Fachada (na foto, de Vera Marmelo) que ao vivo musicará os filmes perdidos em super8 dos anos 70 do cineasta amador José Madeira, prestando assim a nossa homenagem a um trabalho desconhecido de um homem bastante preocupado com a memória. O seu filme Arroz Negro, sobre as plantações de arroz no Mondego foi vencedor de vários prémios internacionais em festivais de cinema amador, infelizmente ignorado entre nós.

Tendo como mote a capacidade anamnésica do cinema, cremos que é urgente recuperar o que se julgava esquecido, sejam histórias locais, do quotidiano ou mitos da criação de universos oníricos e longínquos. Neste espaço cabe tudo, ficção, documentário, animação, vídeo-arte, porque a capacidade de contar não tem limites, apenas a criatividade limita.

O património imaterial, a memória oral surge mais uma vez com toda a sua força visual, pois a forma como se conta a história é tão importante como a história em si. E isso não cabe na história escrita.

Continuamos a acreditar que a imaginação é mais forte que o conhecimento, por isso oferece estes frutos cinematográficos. Também por essa razão escolhemos um castelo medieval, numa aldeia do nordeste transmontano para os mostrar, pelos que aqui vivem, e por aqueles que terão coragem de ousar descobrir a região e os filmes…

Apesar da memória, do passado e da ancestralidade, não queremos pensar Trás-os-Montes como um espaço arcaico, queremos pensá-lo e sobretudo praticá-lo como lugar de futuro, reconhecendo a contemporaneidade do seu passado.

A presente programação é concebida como um processo, um caminho a percorrer. Não é fechada, procura a partilha e sobretudo a informalidade, quase um sentido comum, de fazer arte e de viver.



SEXTA FEIRA 26 Setembro de 2008

20h30 Vale d’Algoso

Recepção dos convidados

Apresentação do Encontro

21h00 Vale d’Algoso

Casa de mi abuela

La Casa de Mi Abuela

La Casa de mi abuela en la peculiar relacion que Marina, una nina de 6 anos, impulsiva e irreverente, tiene con Marita, su abuela de 75 anos. La rancia educacion a la que la abuela somete a la nina, provoca que esta se rebele no solo contra ella, sino contra todo aquel que intente corregir su comportamiento. A lo largo de varios anos se reconstruye la vida y costumbres de una familia, dejando al descubierto emociones y conflictos.

Adan Aliaga (2005), 80 min, Espagna

Filmography Adan Aliaga

La casa de mi abuela (2005)

Karlitos (2003)

Jaibo (2000)

Diana (1998)

No me jodas que tu no la haces (1995)

SABADO 27 Setembro de 2008

9h00 Castelo de ALGOSO

Officina Binaural: SINTONIZAR OS OUVIDOS E COMPOR COM OS SONS DO MUNDO


No nosso mundo moderno hiper-visual, onde somos constantemente bombardeados
por informação visual - televisão, publicidade, etc. - esquecemo-nos
frequentemente de como ouvir. Os participantes no workshop serão guiados a
³re-sintonizar² os seus ouvidos para dirigir a atenção ao mundo sonoro
extremamente rico que os rodeia, a escutar activamente e de forma
imaginativa, e não apenas a ouvir passivamente. Eles irão depois usar os
seus ouvidos e novas ferramentas tecnológicas para criar uma composição
sonora usando o mundo envolvente como instrumento.

O laboratório será conduzido por dois artistas especializados na várias
áreas em jogo (gravação de sons, processamento digital de áudio e composição
musical por computador) e propõe uma abordagem de aplicação prática imediata
dos conceitos e ferramentas, através do desenvolvimento de um projecto final
que incluirá contribuições de todos os participantes.

Officina organzado pela Associação Binaural.

http://www.binauralmedia.org/



13h00 Almoço no centro de Algoso

(Inscrição local)

14h30 Centro de Algoso

Officina Binaural: SINTONIZAR OS OUVIDOS E COMPOR COM OS SONS DO MUNDO

17h30 Castelo Algoso

Aperitivo com a aldeia de Algoso

Neste momento, queremos convidar a aldeia de Algoso nas nossas actividas e o “seu” Castelo. Um aperitivo vai ser ofrecido antes o concerto de as 18h.

18h00 Concerto B Fachada + Filmes José Madeira


19h30 Jantar no Castelo de Algoso

21h00 Castelo de Algoso

Balaou de Gonçalo Tocha

23h Bal no Castelo de Algoso + VJ TIAGO PEREIRA

As 23h o castelo transforma-se numa discotheca medieval... A mixture between tradition and modern technologies, a soup with gaiteiros e um VJ, uma mixtura picante…

VJ Tiago Pereira:

As tecnologias podem ajudar-nos a combater a cine tirania das salas fechadas de luzes apagadas, é possivel o realizador estar lá e apresentar o filme com
luz, com a sua presença e ir mudando a história conforme a reacção das
audiências, como algumas tribos africanas, isso muda tudo, o vj passa
a realizador e vice versa, as potencialidades criativas aumentam e o
lado humano fica mais próximo, quem fez o filme está lá bem perto do
público e ele faz parte da criação.

DOMINGO 28 Setembro de 2008

09h00 Vale d’Algoso – Casa Tourismo Rural

Introdução – Reunião inicial

09h15 Palestra I: Os rios e os seus usos humanos

10h30 Intervallo


11h00Palestra III: Mondego

13h Almoço Vale d’Algoso


14h30 Exibição dos resultados da officina Binaural

16h00 Enceramento»

Mais informações, aqui.

01 setembro, 2008

O Mondego (E Tudo à Volta) Num Filme de Tiago Pereira


Mondego - Software Liquido from Tiago Pereira on Vimeo.


Regressado de férias e, prestes, prestes, a abalar para Espanha para mais duas sessões de DJ, desta vez no Pavilhão de Portugal da Expo de Saragoça, aqui deixo as imagens e um comunicado do meu amigo Tiago Pereira acerca deste seu novo filme, ainda inacabado por razões que no comunicado se perceberão, «Mondego - Software Líquido». Amanhã ficarão por aqui informações sobre alguns festivais que aí vêm e, para depois do regresso de Saragoça, fica prometido o retomar normal deste blog, com críticas a discos, notícias e os já saudosos «Cromos Raízes e Antenas».

MONDEGO - SOFTWARE LÍQUIDO

(comunicado de Tiago Pereira)

Faço filmes porque gosto de pessoas, gosto de saber o que fazem, o que fizeram, sou curioso e cusco por natureza, gosto quando cantam mal e quando se riem... Não sacralizo os velhos, trato todas as pessoas por igual... E quero fazer filmes também sobre os que vivem na cidade e não só sobre a "nossa gente", referindo-nos à tradição oral... Quero contar histórias do futuro e quero falar sobre as moléculas da água que conseguem reter o conhecimento, a sabedoria... Quero ver os rios como software liquido, cheios de histórias da história e de pessoas... O futuro será beber um filme num copo de vinho, por enquanto o meu presente é o Rio Mondego, cheio de narrativas.... Os rios são de facto de gente, mas são mais que isso ... por tudo isto decidi mudar o nome do meu filme sobre o rio Mondego de "Rio de gente" para "Mondego - Software Liquido". O Parque Patrimonial do Mondego convidou-me a faze-lo e durante um mês e meio, recolhemos, procurámos filmes antigos, fotografias, documentos, fomos a mais de 20 localidades, entrevistámos mais de 50 pessoas, tivemos o apoio da Escola Superior de Educação de Coimbra, subimos à serra, fomos às salinas na Figueira... Conseguimos os filmes do José Madeira, com imagens dos arrozais e do mondeguinho há 40 anos...etc, etc e etc... E os apoios não vieram... Um filme orçamentado em muitos euros acabou por ficar a menos de metade...Com muito esforço pessoal do produtor ; APD-PPM, Asssociação de Projecto e Desenvolvimento do Parque Patrimonial do Mondego, e do Realizador. Para nós o software tinha bugs... Mas acabou por ficar uma amostra de 8 minutos, um esboço do que poderá ser um documento tão importante como este; a história de um rio feito de pessoas, que lá viveram e trabalharam durante anos; ... Mondego - Software Liquido...

As filmagens do presente filme tiveram início no dia 8 de Julho de 2008. Até à presente data foram efectuadas as seguintes recolhas: Junta de Freguesia da Almedina D. Belmira – Lavadeira Ribeira de Frades D. Conceição Alves – Trabalhava nos campos de milho e ainda ajudava o marido com a barca Santa Clara Sr. Fernando Reis (Ninito) – contou histórias ligadas ao rio; Figueira da Foz (Salinas) Sr. Manuel de Oliveira – Quintaneiro Sr. Olípio – proprietário de umas salinas (herdadas do pai) Meas D. Maria da Encarnação Lopes – trabalhou nos campos de arroz D. Guilhermina - trabalhou nos campos de arroz Ereira Sr. José Couto – Pescador Caneiro Sr. Reis – barqueiro D. Nazaré Reis – Lavadeira D. Iva – Lavadeira Rebordosa Sr. Nelson – Barqueiro Sr. Maximino Padilha de Oliveira – Barqueiro (Tinha uma barca e um barco de carga) Ferradosa Sr. Júlio dos Santos Diniz (Ti Júlio Miáu) – Carefete Ponte de Penacova Sr. Alípio Pinéu – Barqueiro (teve uma barca) Sr. Jaime Ferreira - Pescador Sr. Américo – Moleiro (herdou o moinho do pai) D. Maria da Lé – Lavadeira D. Beatriz Jesus de Almeida – Lavadeira Pereira do Campo Grupo de Gaiteiros "Os Amigos" de Arzila (nomes a fornecer posteriormente) D. Maria da Conceição – Lavadeira D. Carmo Loureiro Medina – Lavadeira Santo Varão D. Ascensão – Lavadeira D. Adelaide – Lavadeira D. Maria de Lurdes - Lavadeira Ceira Recriação da Barrela – Rancho Folclórico de Ceira (os nomes dos participantes serão fornecidos posteriormente) D. Preciosa – Lavadeira Sr. António (Boiça) – Moleiro (ainda tem o moinho, o qual é explorado pelo filho); toca violino no Rancho de Ceira Carregal do Sal (Ponte de Correlos) D. Maria Arlinda de Jesus e Sr. Manuel Pinto da Silva – Casal que vivia junto ao rio; trabalhavam na agricultura (culturas de regadio) Coimbra Dr. Lousã Henriques Tentúgal Sr. José Craveiro – Contador de histórias Arzila Sr. José Torres – Construtor de barcos; agricultura de regadio na Paúl; pesca D. Maria dos Santos Oliveira (Agante) – artesã de esteiras; apanha do arroz D. Maria dos Santos Oliveira – artesã de esteiras; apanha do arroz D. Conceição Oliveira – artesã de esteiras; apanha do arroz D. Joaquina Lourenço – artesã de esteiras; apanha do arroz Caldas de Felgueira Sr. Raul Fernandes Lopes – Pais viveram na antiga Quinta da Barca Felgueira Antiga D. Rosa e D. Lurdes das Dores (mãe e filha) – agricultura Maçainha Sr. Franscisco João – proprietário de uma fábrica de cobertores de Papa Sr. José Pires Pereira – proprietário de uma fábrica de lã Fernão Joanes Ti Zé Camilo – Pastor D. Teresa da Fonseca Bico – trabalhou na agricultura e com o rebanho (Prima do Ti Zé) Para além do mencionado foram realizadas filmagens em Super 8 do Rio Mondego na zona de Penacova, Carregal do Sal, Caldas de Felgueiras e Celorico da Beira. Fundamental também será dizer, que temos na nossa posse diversos filmes antigos do Mondego, nomedamente: • Os filmes "Arroz Negro" (premiado nacional e internacionalmente, ao nível do cinema amador) e "Nasce uma Fonte" de José Maria Pereira Madeira, entre outros relacionados com as tradições do Mondego, da década de 70. Estes filmes foram cedidos a título de empréstimo pela Sra. D. Maria de Fátima Madeira, filha do realizador, mediante autorização por escrito. • Filmes sobre as cheias do Mondego, dos finais da década de 40. Adicionalmente, foram efectuados diversos contactos de modo a viabilizar a realização deste filme, tais como: Sr. Horácio Santiago – Presidente do Rancho Folclórico de Ceira Sr. Armando Batista – Presidente da Casa do Povo de Ceira Dr. Pedro Salvado (Castelo Branco) – autor de um livro sobre a Transumância Dr. Alexandre Ramirez – fotografia e vídeo Centro de Estudos 25 de Abril GEFAC - Grupo Etnográfico e Folclórico da Associação Académica de Coimbra Ateneu de Coimbra Diário de Coimbra Diversas casas de fotografia da Baixa de Coimbra Dr. Manuel Rocha – Professor do Conservatório de Música de Coimbra, membro da Brigada Victor Jara.

21 abril, 2008

Cromos Raízes e Antenas XLIII


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XLIII.1 - Ryuichi Sakamoto


Saído de um dos mais importantes grupos electro-rock japoneses dos anos 70, a Yellow Magic Orchestra, Ryuichi Sakamoto - nascido a 17 de Janeiro de 1952, em Nakano, Tóquio - rapidamente se destacou como um dos mais marcantes compositores e músicos dos últimos trinta anos, tendo a sua obra para disco, filmes (a sua banda-sonora de «Feliz Natal, Mr.Lawrence», onde também é actor ao lado de David Bowie, é maravilhosa) ou outros suportes passado pelo rock, o experimentalismo, a world music (nele convivem vários elementos tradicionais nipónicos mas também música árabe, indiana, africana ou brasileira), as electrónicas ou a ópera. Ao longo do seu riquíssimo percurso musical já trabalhou com David Byrne, David Sylvian, Thomas Dolby, Iggy Pop, Youssou N'Dour, Brian Wilson, Alva Noto, Arto Lindsay ou Jaques Morelenbaum (com quem gravou canções de António Carlos Jobim). Um génio absoluto.


Cromo XLIII.2 - «Latcho Drom», de Tony Gatlif


Pesquisador incansável e apaixonado da cultura cigana, nomeadamente da sua música, o realizador de cinema argelino, e cigano, Tony Gatlif (de seu verdadeiro nome Michel Dahmani, nascido a 10 de Setembro de 1948, em Argel), concluiu em 1993 um filme absolutamente extraordinário: «Latcho Drom», a (longa) história de uma viagem que traça a diáspora do povo cigano a partir do Rajastão, na Índia, e a sua chegada a países distantes como a Roménia, França, Egipto, Turquia, Hungria, Eslováquia ou Espanha. Uma viagem que é feita, sempre, com a música e a dança como traço fundamental de união e de memória deste povo. «Latcho Drom» (que significa, em romani, «boa viagem») é, talvez, o pico mais alto da carreira de Gatlif - ele também compositor de música - que tem como outros filmes marcantes o igualmente inesquecível «Gadjo Dilo», «Vengo», «Exils» ou o recente «Transylvania».


Cromo XLIII.3 - Susana Baca


A cantora Susana Baca - de seu nome completo Susana Esther Baca de la Colina, nascida a 24 de Maio de 1944, em Chorrillos, Lima - é também uma respitadíssima compositora e estudiosa da influência da música africana no Peru. Paralelamente à sua carreira musical - que já nos deu álbuns fabulosos como «Vestida de Vida, Canto Negro de las Américas!», «Fuego y Agua», «Espíritu Vivo», «Lamento Negro» (com o qual ganhou um Grammy) ou «Travesías» - é também, juntamente com o seu marido Ricardo Pereira, a responsável pelo Instituto Negro Contínuo que, nos arredores de Lima, recorda as heranças culturais que os escravos vindos de África deixaram no seu país. Cantando lunduns, valsas, marineras, zamacuecas ou canções de Gilberto Gil e poemas de Pablo Neruda, a sua voz é sempre enorme e a sua vida um enorme exemplo.


Cromo XLIII.4 - Babatunde Olatunji


Mito maior da música africana - e do que a música africana tem de mais ancestral, as percussões -, Babatunde Olatunji nasceu a 7 de Abril de 1927 em Ajido, Lagos, na Nigéria, e morreu a 6 de Abril de 2003, nos Estados Unidos. E foi nos Estados Unidos que ele teve a parte principal da sua profícua carreira, iniciada nos anos 50 quando fez amizade com um dos maiores génios do jazz, John Coltrane, e com o A&R John Hammond, da Columbia Records, editora para a qual começou a gravar em 1957 (o seu álbum «Drums of Passion» é um clássico). Fundador do Olatunji Center for African Culture, em Harlem, Nova Iorque, e guru de inúmeros bateristas, percussionistas e outros músicos (de Bob Dylan a Santana, de Mickey Hart a Airto Moreira, de Quincy Jones a Stevie Wonder, de Max Roach a Muruga Booker), Olatunji foi também um activista dos direitos civis nos EUA, ao lado de Martin Luther King e, depois, de Malcolm X.

06 fevereiro, 2008

Carlos do Carmo Vence Prémio Goya


Carlos do Carmo, com o tema «Fado da Saudade», foi o vencedor do Prémio Goya - o equivalente espanhol dos óscares - na categoria de Melhor Canção Original. O prémio foi anunciado na gala da 22ª edição destes prestigiados prémios do cinema espanhol, que decorreu domingo à noite no Palácio dos Congressos, em Madrid. «Fado da Saudade» faz parte da banda-sonora do filme «Fados», do realizador espanhol Carlos Saura, e concorria com os temas «Circus Honey Blues» (de Víctor Reyes e Rodrigo Cortés; filme «Concursante»), «La Vida Secreta de las Pequeñas Cosas» (de David Broza e Jorge Drexler; filme «Cándida) e «Pequeño Paria» (de Daniel Melingo; filme «El Niño de Barro). «Fados» estava nomeado para os Prémios Goya em apenas mais uma categoria, a de Melhor Documentário, tendo perdido para «Invisibles», filme de um conjunto de realizadores formado por Mariano Barroso, Isabel Coixet, Javier Corcuera, Fernando León de Aranoa e Wim Wenders. Em reacção ao prémio, Carlos do Carmo afirmou que «foi uma surpresa a nomeação e maravilhoso o ter recebido este prémio», acrescentando que «se este for mais um contributo para o fado, fico feliz, pois é o que tenho procurado fazer ao longo de 45 anos de carreira». Já o grande triunfador da noite foi o realizador catalão Jaime Rosales, que ganhou os prémios de Melhor Realizador e Melhor Filme, com «La Soledad».

17 janeiro, 2008

Carlos do Carmo É Candidato aos Prémios Goya


Desta vez, a notícia é sacada aos Sons Vadios, o excelente e sempre bem informado blog de Sara Vidal (cantora portuguesa que brilha à frente dos galegos Luar na Lubre): «Fado da Saudade», tema interpretado por Carlos do Carmo em «Fados» (na imagem, um fotograma do filme, com Carlos do Carmo, Mariza e, de costas, Camané), de Carlos Saura, nomeado para os Prémios Goya na categoria de «Melhor Canção Original». Os vencedores dos Prémios Goya - os «oscares» da indústria cinematográfica espanhola - serão conhecidos dia 3 de Fevereiro na Gala da sua 22ª edição. «Fado da Saudade», da autoria de Fernando Pinto do Amaral, é interpretado no filme por Carlos do Carmo, acompanhado à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Carlos Manuel Proença e no baixo por Marino de Freitas. Em «Fados», recorde-se, participaram ainda, para além dos cantores e músicos já citados, Argentina Santos, Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela, Pedro Moutinho, Carminho, Catarina Moura, Kola San Jon, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lura, SP&Wilson e Lila Downs, entre outros.

08 novembro, 2007

Cromos Raízes e Antenas XXX


Este blog continua hoje a publicação da série «Cromos Raízes e Antenas», constituída por pequenas fichas sobre artistas, grupos, personagens (míticas ou reais), géneros, instrumentos musicais, editoras discográficas, divulgadores, filmes... Tudo isto sem ordem cronológica nem alfabética nem enciclopédica nem com hierarquia de importância nem sujeita a qualquer tipo de actualidade. É vagamente aleatória, randomizada, livre, à vontade do freguês (ou dos fregueses: os leitores deste blog estão todos convidados a enviar sugestões ou, melhor ainda!, as fichas completas de cromos para o espaço de comentários ou para o e-mail pires.ant@gmail.com - a «gerência» agradece; assim como agradece que venham daí acrescentos e correcções às várias entradas). As «carteirinhas» de cromos incluem sempre quatro exemplares, numerados e... coleccionáveis ;)


Cromo XXX.1 - Yungchen Lhamo


A maior embaixadora da música tibetana - e também uma importante porta-bandeira da liberdade para o seu país anexado pela China -, a cantora Yungchen Lhamo («yungchen», que é mesmo o seu nome de origem, significa curiosamente «deusa do canto», o que nos faz acreditar que o seu destino esteve desde sempre traçado) nasceu em Lhasa, capital do Tibete, em 1966, tendo começado em criança a cantar temas religiosos budistas, prática proibida pelas autoridades chinesas. Em 1989, Yungchen atravessa os Himalaias e inicia o seu exílio com uma visita ao Dalai Lama, em Dharamsala, na Índia. Daí parte para a Austrália, onde edita o seu primeiro álbum, «Tibetan Prayer» (1995), antes de se fixar em Nova Iorque e começar a gravar para a editora inglesa Real World. Os seus discos e concertos (em que costuma apresentar-se sem qualquer acompanhamento) são um grito de esperança e uma manifestação artística arrepiante.


Cromo XXX.2 - Hector Zazou


Músico, produtor e compositor dos mais versáteis que a música conheceu nas últimas décadas, o francês Hector Zazou - nascido a 11 de Julho de 1948, falecido a 8 de Setembro de 2008 - passou pelo rock e as suas margens (com os Barricades e o projecto ZNR) mas foi na sua demanda por uma música universal que se tornou uma referência fundamental da world music. Três álbuns de reinvenção das músicas africanas ao lado de Bony Bikaye, o disco que recuperou para a actualidade os cantos da Córsega («Les Nouvelles Polyphonies Corses»; de 1991), o lindíssimo «Sahara Blue» (baseado na poesia de Rimbaud; de 1992), o absolutamente inventivo «Chansons des Mers Froids» (onde visita e adapta canções tradicionais dos países nórdicos, do Japão ou da Gronelândia; de 1995) ou «Lights In The Dark» (cantos sagrados celtas; 1998) chegam para o colocar no panteão. Para já não falar de quem ele se faz rodear nos seus álbuns: John Cale, Sakamoto, Manu Dibango, Varttina, Bjork, Sylvian, Khaled...

Cromo XXX.3 - «The Blues» de Martin Scorsese

O realizador e produtor Martin Scorsese assina, com a sua produção da série de filmes «The Blues», o maior trabalho cinematográfico de sempre acerca de um género musical. Um trabalho feito de amor pela música, pelo rigor com que se conta a história de um género - o primeiro episódio da série, realizado pelo próprio Scorsese, «Feel Like Going Home», demonstra claramente as origens dos blues em África -, pela riqueza de intervenções e abordagens diferentes feitas pelos realizadores convidados para com ele colaborarem nos vários episódios: Wim Wenders, Richard Pearce, Charles Burnett, Marc Levin, Mike Figgis e Clint Eastwood. Todos eles a contarem uma parte da história, de África para os campos de algodão do sul dos Estados Unidos, do delta do Mississippi para Memphis e Chicago, a sua evolução para o rock e como se espalhou pelo mundo. Uma obra de arte maior e um hino à música.


Cromo XXX.4 - The Skatalites



Há quem diga - eles, pelo menos, dizem-no - que sem os Skatalites não existiria ska, reggae, rocksteady, dancehall e toda a música jamaicana conhecida. É capaz de ser exagero - outros nomes estão também na génese da música moderna jamaicana (e nas suas ramificações pelo mundo) - mas é verdade que os Skatalites foram uns dos principias pioneiros de um som novo nascido na Jamaica que, nos anos 50 e 60 do séc. XX, juntava o mento e o calipso caribenhos a géneros vindos dos Estados Unidos: o jazz, o rhythm'n'blues e o emergente rock'n'roll. Com um período inicial de enorme fulgor no início dos anos 60, criando música própria ou acompanhando outros artistas - nomeadamente Prince Buster -, os Skatalites têm uma carreira fugaz feita à volta do mítico Studio One mas reaparecem para reclamar a sua herança em 1986, depois do ska e da música jamaicana em geral terem conquistado o planeta. Ainda andam por aí.

31 outubro, 2007

«Fados» de Carlos Saura - Da Tela Para o Palco



Para além de uma digressão em Espanha, com alguns dos nomes mais sonantes do fado - Mariza e Camané, entre outros -, como contraponto «ao vivo» do filme «Fados», de Carlos Saura, outro espectáculo prepara-se para subir ao palco à boleia do filme do realizador espanhol, segundo informa a agência Lusa: o espectáculo «Casa de Fados», inspirado na cena que encerra o filme e que reúne os fadistas Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela (na foto), Pedro Moutinho e Carminho, sendo esta - que se encontra agora fora de Portugal - substituída ao vivo por Tânia Oleiro e contando ainda com a participação especial de Margarida Bessa. «Casa de Fados» - produzido pela Uguru e pela El Caiman - tem estreia em Portugal marcada para dia 29 de Novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com uma cenografia que incluirá a projecção de imagens do filme de Saura. A direcção musical é do guitarrista Pedro Castro, acompanhado por José Luís Nobre Costa (guitarra portuguesa), Jaime Santos (viola) e Joel Pina (viola-baixo). O mesmo espectáculo foi anteriormente apresentado em Espanha, em Julho, no Festival de Músicas de La Mar, em Cartagena, e a 19 e 21 de Outubro, em Las Palmas da Grande Canária. Antes disso, «Fados» terá uma projecção muito especial, com entrada gratuita, amanhã, quinta-feira, às 19h00, na Associação Cultural Moinho da Juventude, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, inserido nas comemorações dos vinte anos desta Associação, da qual faz parte o colectivo cabo-verdiano Kola San Jon, igualmente presente no filme.

17 outubro, 2007

Em Busca do Djembé Original (Uma Aventura!)


Às vezes há notícias assim, inesperadas e que nos enchem de prazer - e de uma pontinha de inveja, também! Hoje, a agência Lusa distribuiu uma dessas: três rapazes de Viana do Castelo - Armando Santos, Nuno Ribeiro e Ricardo Leal - partem dia 18 de Novembro em direcção à Guiné-Conacri com o objectivo de realizar um documentário sobre o djembé, o instrumento de percussão que nasceu na zona do antigo Império Mandinga. Já por si, isto seria notícia, mas ainda mais é quando se fica a saber que eles vão viajar por terra, a bordo de uma velha carrinha Peugeot, numa viagem de doze mil quilómetros! Pormenor curioso: «(a carrinha) ostenta na matrícula as letras PG, como se adivinhasse que, para o seu fim de vida, lhe estaria reservada uma viagem entre Portugal e a Guiné». A aventura surgiu na sequência de «um repto lançado, em Viana do Castelo, por Billy Konaté, um dos nomes mais sonantes da Guiné-Conacri no que diz respeito ao djembé». Com passagens previstas por Marrocos, Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau e chegada à Guiné-Conacri, estão conscientes «dos perigos que podemos encontrar no caminho... Sabemos dos problemas que se nos poderão deparar na entrada de certos países, sabemos que atravessar o deserto é sempre uma incógnita. Mas também sabemos que África está a chamar por nós. E que, por isso, não há volta a dar». Só é pena que não tenham previsto uma paragem no Festival au Désert, ali tão perto, de 10 a 12 de Janeiro, em Essakane, no Mali... mas ainda estão a tempo. Boa sorte!

(Nota: Pode seguir-se a viagem, em tempo real - pelo menos quando as condições o permitirem - no blog Inike Madandza, aqui)

08 outubro, 2007

Anamnesis - Música e Tradição Oral no Cinema



O Anamnesis - Encontro de Cinema, Som e Tradição Oral, que decorre em Vimioso, de 1 a 4 de Novembro, é uma interessante mostra de documentários (e não só) focados na música tradicional (e, bis, não só) de países como Portugal, Brasil e São Tomé e Príncipe. Entre o rol de filmes a apresentar contam-se «Arritmia», de Tiago Pereira, «Cante Alentejano», da Associação MODA, «Chá da Terra», de Gonçalo Mota, «Levê Levê Non Caba Ué», de Raquel Castro, «Tocadores – Brasil Central», de Lia Marchi, «O Espírito do Lugar», de Parícia Porção, «O Rap é Uma Arma», de Kiluanje Liberdade, «International Lucky People Center», de Johan Söderberg, «Os Narradores de Javé», de Eliane Caffé, «11 Burros Caem no Estômago Vazio», de Tiago Pereira, «Tocadores- Litoral Sul», de Lia Marchi, e «Ainda há Pastores» (na foto), de Jorge Pelicano. Mas o Anamnesis não é feito só de cinema: uma palestra de Raquel Castro sobre «Som e Identidade Sonora», uma visita à aldeia de Caçarelhos, uma mesa-redonda com a presença de Ana Carrapato, Domingos Morais e Tiago Pereira, um «media live act/VJing narrativo» de Tiago Pereira, conversas com os realizadores e outras actividades fazem também parte do programa do Encontro. Para que não se perca a memória colectiva ou, nas palavras do texto de apresentação: «A tradição oral nesta luta contra a extinção, passa também, pela carga emocional que carrega. O lado interpretativo de cada som, melodia ou mesmo cantiga, traz consigo uma forma muito pessoal e reveladora da forma em que se está na vida. As senhoras isoladas nas aldeias do planalto Mirandês ou da serra da Arada, são autoras e simultaneamente intérpretes de cantigas e histórias; que algumas vêm com os seus pais e com os seus avós e outras que aprenderam no outro dia; o que as torna singular é a sua visão única e pessoal daquele som, ou daquela história. Ora nas artes visuais é a mesma coisa, o cinema de autor, o documentário de autor é também a interpretação única de um tema ou de uma realidade. Com este encontro, procuramos fomentar uma interacção real destes dois exemplos, durante quarto dias podemos ver, discutir, observar, criar e principalmente ouvir». Mais informações aqui.

11 julho, 2007

«Arritmia» - Um Filme (Fabuloso) Sobre o Andanças



O realizador de cinema Tiago Pereira - que tem feito um trabalho notável na captação de imagens da nossa música tradicional, colaborador dos Chuchurumel e realizador de telediscos para Júlio Pereira, Chuchurumel e Uxu Kalhus - está quase a estrear o seu filme sobre o festival Andanças, «Arritmia», editado pela Pé de Xumbo e para já com exibições marcadas para Viseu (13 de Julho) e para o Andanças (dia 31 de Julho). Neste fabuloso filme dedicado ao Andanças - e em que não há imagens captadas no... Andanças - participam vários músicos e/ou monitores de dança como Osga e Diana Azevedo (ambos dos Mu), Celina da Piedade e Paulo Pereira (ambos d'Uxu Kalhus), Mercedes Prieto (Monte Lunai), Vasco Ribeiro Casais (Dazkarieh), Julieta Santos (Chuchurumel e Diabo a Sete), Luís Fernandes (Toques do Caramulo), Toni Tavares (Sossabe/Trio Fou-nana) e os irmãos Meirinhos (Galandum Galundaina), entre alguns outros.

Filme de tese - em que a «tese» Andanças é apenas o pretexto (leia-se também «pré-texto», já que nele participam muitos dos mentores, organizadores ou participantes deste festival) -, em «Arritmia» ouvem-se os ritmos primeiros do coração, os ritmos dos ofícios, os ritmos das celebrações religiosas (sejam católicas - o sino das igrejas - ou pagãs - a arrepiante imagem, menos de um segundo apenas, de uma faca espetada num porco...), os ritmos da cidade grande ou os ritmos do desejo amoroso (alguém diz, com saber, ser a dança uma representação vertical de um desejo horizontal). Qual foi a primeira dança, pergunta-se - na voz do enorme Benjamim Pereira, narrador deste filme e... companheiro de Veiga de Oliveira na pesquisa de antigos sons e danças da tradição portuguesa. E, sem resposta imediata, ficamos a saber de bailes populares nas aldeias, dos ranchos folclóricos, da recuperação - e reavaliação e reinvenção - das danças tradicionais portuguesas e de outras partes da Europa ou das danças africanas escondidas num berimbau... Com um trabalho de som e imagem espantoso, um guião inesperado e uma montagem (de imagem e som) sempre inventiva e por vezes vertiginosa, cruzando muitas vezes músicas e danças diferentes, «Arritmia» é um filme lindíssimo e extremamente importante na divulgação e explicação da dança - e da música de dança - como expressão popular. E como expressão, também, pessoal: de quem toca, de quem dança, de quem vê, de quem ouve, de quem... deseja (eu, pessoalmente, nunca me atrevi a ver a sarronca como sexo, apesar daquilo ser sexo a partir do momento em que se vê). Para ver o trailer de «Arritmia»: aqui. Para saber mais sobre o filme «Arritmia» e o restante trabalho de Tiago Pereira, no seu blog, aqui.