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19 agosto, 2011

Carmen Souza e J.P.Simões com Afonso Pais no Sines em Jazz


Um mês depois de mais um magnífico FMM de Sines, o Centro de Artes desta cidade vai acolher a edição 2011 do Sines em Jazz. O comunicado:

"O Auditório do Centro de Artes de Sines recebe, nos dias 26, 27 e 28 de Agosto, a quinta edição do Sines em Jazz, evento organizado pela Associação Pro Artes de Sines e pela Câmara Municipal de Sines.

Num programa de oito espectáculos de entrada gratuita, a vitalidade do jazz feito em Portugal volta a estar em evidência.

O festival começa no dia 26, sexta-feira, às 21h30, com um espectáculo pelo Miguel Amado Group. O baixista Miguel Amado lançou recentemente o CD "This is Home", composto na sua maioria por originais do próprio. É este novo repertório que apresenta ao vivo em Sines com o seu quinteto.

Segue-se-lhe a cantora Carmen Souza, às 22h30 (na foto). Nascida em Lisboa, em 1981, Carmen cresceu entre as culturas portuguesa e cabo-verdiana. A sua música absorve tanto essências das músicas e dos ritmos de Cabo Verde (coladeira, morna, batuque...) como aromas do jazz.

Às 23h30, sobe ao palco Extravanca!, um projecto de colaboração entre o acordeonista português João Frade e o quinteto francês Dites 34. Reunidos sob a direcção do contrabaixista Pascal Seixas, os seis músicos revisitam a rica música tradicional algarvia através do jazz.

O segundo dia de música, sábado, 27 de Agosto, começa às 21h30 com um concerto a solo pelo pianista Tiago Sousa. O espectáculo segue o repertório do disco “Walden Pond's Monk”, CD com edição internacional inspirado nas obras de Henry David Thoreau e nas suas ideias sobre o respeito pela liberdade e pela expressão infinita das potencialidades do Homem.

Às 22h30, é a vez do quarteto do pianista e compositor Diogo Vida. Depois de um período passado na cena jazz de Barcelona, este antigo acompanhante da cantora Jacinta apresenta em Sines repertório de “Alegria”, o seu primeiro álbum, composto essencialmente por temas originais, inscritos na tradição e diversidade do jazz contemporâneo.

No último concerto de sábado, às 23h30, Afonso Pais & JP Simões mostram o disco “Onde Mora o Mundo”. JP Simões, cantor, compositor e escritor, assina as letras. Afonso Pais, multi-instrumentista e compositor com formação musical na área do jazz, tratou da música, dos arranjos e da direcção musical. A canção brasileira e o cancioneiro norte-americano são as fontes inspiradoras.

Domingo, 28 de Agosto, arranca às 21h30 com o espectáculo Joel Xavier “Back to the Blues 20 Years After”. Nascido em Lisboa no dia 25 de Abril de 1974, Joel Xavier é considerado um dos mais prestigiados guitarristas mundiais, tendo já tocado com lendas da música como Toots Thielemans e Richard Galliano. Em 2011, comemora 20 anos de carreira regressando aos blues.

O último concerto do Sines em Jazz, às 22h45, é da responsabilidade do projecto Ibericae, uma colaboração entre o quarteto de Vasco Agostinho (professor da Escola das Artes de Sines e um dos mais prestigiados guitarristas portugueses) e o pianista catalão Albert Bover. Vai ouvir-se música original e improvisada de raiz jazzística.

O Sines em Jazz 2011 está integrado no Programa de Regeneração Urbana de Sines, co-financiado por fundos do FEDER / União Europeia, no âmbito do programa operacional INALENTEJO do QREN 2007-2013.

Reserve a sua entrada gratuita no balcão do Centro de Artes ou pelo telefone 269 860 080.

Informações detalhadas sobre o evento nos sites www.centrodeartesdesines.com.pt e www.sinesregenera.com"

30 novembro, 2010

Mais Cinco Mergulhos na Música Cabo-Verdiana


Novamente recuperados do "acervo" de textos escritos há vários meses para a Time Out, aqui deixo críticas a discos de Cesária Évora, Bau, Vasco Martins, Mário Lúcio e Carmen Souza (na foto, de Patrícia Pascal), e ainda uma entrevista com esta magnífica cantora radicada em Londres. Com todos eles a provar, se tal fosse preciso, como são diversos os caminhos da música de Cabo Verde.



Cesária Évora
"Nha Sentimento"
Lusáfrica/Tumbao

No limiar dos 70 anos de idade, Cesária Évora aparece neste "Nha Sentimento" renascida – e, se calhar, “renascer” é a palavra correcta se pensarmos que sofreu um AVC antes de iniciar as gravações do álbum - e com o grão da sua voz num pico elevadíssimo! Com canções escritas, quase todas, por Manuel de Novas (recentemente falecido) e Teófilo Chantre, "Nha Sentimento" mostra a voz de Cesária a voar livremente sobre dançantes coladeiras - que estão aqui em maioria - infectadas pelo samba e por ritmos cubanos, para além de algumas belíssimas mornas que contam com um ás de trunfo: uma orquestra de cordas egípcia, fazendo a ponte entre a música cabo-verdiana e a música árabe. E curiosamente (ou talvez não), uma delas, “Vento de Sueste” chega, via instrumentos árabes, ao... fado. *****



Bau
"Café Musique"
Lusáfrica/Tumbao


Bau (pseudónimo de Rufino Almeida) é um dos mais importantes, versáteis e talentosos músicos cabo-verdianos. Multi-instrumentista, brilhante no violino, na guitarra e no cavaquinho, Bau já foi o director musical de Cesária Évora durante alguns anos e a sua música foi usada em coreografias de Pina Bausch e filmes de Pedro Almodovar. E, agora, edita esta colectânea que é bem o espelho de uma carreira coerentíssima em que a sua música, sempre instrumental, faz a ponte entre a música cabo-verdiana e outras músicas – a mazurka do norte da Europa (“Mazurka”), os Andes (“Blimundo”), o flamenco (“Ilha Azul”) ou, muitas vezes, os fados que se escondem nas mornas e vice- versa (p. ex., “Som di Nha Esperança” e “Pescador”). Para provar que não há só boas vozes em Cabo Verde. ****



Vasco Martins
"Li Sin"
Lusáfrica/Tumbao

Começa a ouvir-se o novo álbum do músico e compositor Vasco Martins e quase que duvidamos que este disco saia de uma editora de world music, mesmo que essa editora seja a prestigiadíssima Lusáfrica (Cesária Évora and so on, passe o anglicismo). Preconceito? É, pois! É que "Li Sin" bem poderia sair de uma Deutsche Grammophon (clássica, pois) ou de uma ENJA (jazz sofisticado, pois)... Mas, avança-se na audição do disco e percebe-se mais uma vez que a música de Vasco Martins (ele que tem sangue misto, luso e cabo-verdiano) quebra todos os preconceitos e avança, firme, na criação de um corpus sinfónico – digamos assim, por facilidade – que deve tudo ao sal, ao fogo e a todos os santos que fazem de Cabo Verde uma paisagem (musical, cultural e humana) única. Belíssimo! ****

Mário Lúcio
"Kreol"
Lusáfrica/Tumbao

Fundador dos Simentera, poeta e político – e por isso mesmo – com uma voz activa na realidade cabo-verdiana, o cantor e compositor Mário Lúcio foi também deputado, membro do governo (na área da cultura) e embaixador do governo de Cabo Verde. Mas a música, no que tem de (en)canto e paixão, sempre foi o seu natural amor primeiro. Já foi assim em "Mar e Luz" (trocadilho fonético com o seu nome), em "Badyo" e, ainda mais, neste "Kreol", onde Mário Lúcio reinventa o perdido conceito de balada (em quase todo o mundo a balada é uma lamechice pegada, nele é todo um novo género musical a descobrir!) e assina duetos memoráveis e históricos com o maliano Toumani Diabaté, os portugueses Pedro Jóia e Teresa Salgueiro, o brasileiro Milton Nascimento ou o norte-americano Harry Belafonte. Maravilha! *****



Carmen Souza
"Protegid"
Galileo

É um prazer enorme verificar como a nova geração de cantoras cabo-verdianas – e refiro-me aqui às mais conhecidas, Sara Tavares, Lura, Mayra Andrade e Carmen Souza – está, cada vez mais, a abrir caminhos novos e muito diferentes para a música das ilhas. No caso de Carmen, a opção –- coerente e absolutamente consistente -– é, na maior parte das vezes, levar as mornas, as coladeiras, os funanás ou as mazurkas para o jazz (norte ou latino-americano – não por acaso, Omar Sosa é um dos convidados de honra), através da sua voz originalíssima e da instrumentação – vf., por exemplo, na surpreendente versão de “Sodade”. Mas também há experiências ainda mais radicais como o arrepiante “Mara Marga”, com uma dupla palestiniana presente neste tema: Adel Salameh (oud) e a cantora Naziha Azzouz. ****


Sob o Foco
Carmen Souza

Com canções que viajam livremente entre Cabo Verde, o jazz e outros mundos, Carmen Souza é uma das vozes mais originais da nova música cabo-verdiana. Em conversa com António Pires, ela fala do novo álbum e dos concertos que aí vêm.

Como é que te situas, musicalmente, entre a tradição cabo-verdiana e as outras músicas que fazem a tua música?

Há géneros que são absolutamente tradicionais, como a morna – ou o fado -, mas há sempre uma vontade de evoluir. No meu caso, nesse evoluir não se altera nada da estrutura, da essência, mas evolui-se para algo de diferente. Neste disco, "Protegid", transformei uma morna num jazz-swing e, para quem esteja a ouvir de forma desatenta, até é capaz de pensar “isto é um standard de jazz”...

Estás a falar da tua versão do “Sodade”.

Sim, mas quem ouvir detalhadamente, aquilo que está por trás é uma morna. Tento sempre dar o meu cunho pessoal àquilo que eu faço e aí o jazz é uma presença real. No caso do “Sodade”, estava com o pianista Victor Zamora e quisemos dar a esta morna algo de Brad Mehldau ou de Bill Evans...

Tu escreves as letras, és cantora, tocas guitarra e órgão. É importante juntares isso tudo?

Eu quero ser sempre muito verdadeira, muito fiel àquilo que eu sou. E as minhas letras reflectem sempre o que se passa comigo e à minha volta. O título do álbum tem a ver com isso: eu sinto-me protegida e sinto o dever de proteger, alertando as pessoas e levando-lhes uma mensagem de paz. E não me vejo como cantora, mas como músico, porque a minha voz é muito mais instrumental do que cantada. Na minha voz sou muito mais influenciada por solos de piano ou de trompete do que por formas de cantar.

A quase totalidade da música, por sua vez, é composta pelo Theo Pas'cal...

Sim, estamos os dois em Londres há dez anos a desenvolver este projecto, ele é fundamental para isto tudo e já não conseguimos deixar de estar nos projectos um do outro. Ele é do Algarve e, para o futuro próximo, estamos a pensar num trabalho em que juntamos o sul de Portugal, o norte de África e Cabo Verde.

Neste disco já tens, pelo menos, um oud (alaúde árabe)...

Sim, tocado pelo Adel Salameh, que é palestiniano. Acredito que há ligações entre a música cabo-verdiana e a música árabe, assim como já me disseram que os primeiros escravos que chegaram a Cuba eram cabo-verdianos e daí haver semelhanças entre a música cubana e a música cabo-verdiana.

Aliás, para além do Victor Zamora, que é cubano, no disco também tens a presença do grande pianista Omar Sosa...

Sim, e de muitos outros músicos, como o acordeonista francês Marc Berthoumieux, os Tora Tora Big Band e tantos outros que fomos encontrando pelo caminho.